Decepção.

Foi isso que Neji Hyuuga sentiu assim que abrira os olhos lunares para encontrar o quarto branco, os sons característicos de medição cardíaca ao seu lado que mesmo atordoado, ele reconhecera está num hospital.

A parte esperançosa achava que após fechar os olhos iria acordar nas Terras Puras onde encontraria o seu amado pai, contudo, a realidade fora justamente o contrário fazendo o peito do perolado apertar-se, ao que ele sentia vontade de chorar, pois sua liberdade havia escapado por entre os dedos.

Ele estava vivo.

E consequentemente, ainda tinha o selo marcado em sua testa, um mero servo para à sua própria família.

Fora sua tolice achar que conseguiria escrever o seu próprio destino, ele havia escolhido o dia da sua morte, contudo, parecia que algum deus não o deixara escolher o seu destino.

Com o peito pesado, os membros trêmulos, o moreno conseguiu tirar aquela máscara do seu rosto. Quando ele tentara sentar na cama todo o seu tronco doeu fazendo-o tensionar, ele passou uma das mãos trêmulas pelas bandagens que o cobria percebendo que às feridas externas estavam quase curadas, mas os danos sofridos era outra coisa.

Ele seria muito sortudo se ainda pudesse retornar a sua vida shinobi; zombando de si mesmo por quase cair da cama — uma fraqueza que em outro momento da sua vida feria o seu ego e, principalmente, o seu orgulho ele andara à passos incertos até a porta que haveria de ser o banheiro, um respiro profundo deixara sua boca fazendo os pulmões do moreno doer, ignorando isso, ele adentrou o cômodo escorando-se na pia para manter o equilíbrio.

Os olhos desfocados cor de pérolas encaram-lhe de volta no espelho, não passando despercebido o manji desenhado em sua testa.

Ele fez uma careta distorcendo suas feições.

Nem para cobri-lo adequadamente?

Ele reprimiu a vontade de tocar o selo, não doía — e o só fazia quando era ativado como punição, estourando às células cerebrais causando uma dor horrível. Neji estremeceu lembrando das vezes que seu tio o punira, quando criança ele havia derrotado Hinata durante o treinamento e um membro do Ramo ofuscando a Casa Principal feriu o orgulho daqueles que assistiam à partida.

Seu pai havia se entregado à fúria e havia tentado matar a sobrinha, mas Hiashi o parara e lhe castigara, ele nunca havia esquecido aquele dia ao ver seu pai contorcendo-se de dor no chão, o ódio aumentou e não havia como evitá-lo.

A outra vez fora quando o selo viera à tona durante a sua partida com Naruto nos Exames, suas crenças haviam mudado com às palavras sonhadoras de seu camarada, mas o ressentimento ainda não havia ido embora totalmente.

"Otou-san, por que ainda estou vivo? Eu não entendo."

Não houve uma resposta.

"Neji-kun?" uma voz suave soou as suas costas, mas em vez de virar-se para encarar a garota em questão, o rosto dela apareceu no espelho à sua frente.

Akako parecia exatamente como o perolado se lembrava, com os longos cabelos escuros caindo às suas costas e uma parte presa com a sua presilha de borboleta favorita, grandes olhos roxos e o rosto de boneca. Ela usava um quimono por baixo do jaleco branco, cujo havia o brasão do seu clã costurado em uma das mangas da vestimenta branca.

"Você acordou." de repente, os olhos dela estavam cheios de lágrimas não derramadas, ao que os braços rodeam à cintura dele, fazendo-o sibilar com a dor aguda que lhe atingiu.

Notando o óbvio desconforto dele, Akako afastou-se. "Perdoe-me, Neji." as bochechas alvas da morena ficaram ligeiramente rubras. "Como você está se sentindo? E devo avisá-lo que foi muita imprudência da sua parte sair da cama."

"Estou bem." ele respondeu, a voz desprovida de qualquer emoção.

Ele ainda estava processando o fato de que não estava morto. Era muito decepcionante, para dizer o minimo.

"Você me assustou." comentou, ao que lhe ajudava a voltar para a cama.

As mãos embutidas com o chakra médico, a garota checou se sua escapada imprudente não teria alguma consequência, por sorte estava tudo bem.

"Nunca mais me assuste assim."

A próxima coisa que Neji sabe é que a menina estava chorando, parte dele sentiu-se culpado por tirar o semblante alegre dela.

Akako sempre tinha um sorriso no rosto, mesmo quando estava com raiva — essa era a parte mais assustadora — e nunca mostrara suas dores para ninguém além de si mesma.

Ele tentou consolar a mais nova, mesmo não sabendo como fazê-lo.

"Estou bem, Uchiha. Pare de chorar."

Akako riu em meio às lágrimas. "Você continua insensível, mas gosto de você mesmo assim, Hyuuga frio."

"Eu irei avisar Hinata que você está acordado." disse ela, enquanto enxugava o rosto com às costas das mãos. "Ela ficará muito contente, e consequentemente, a sua equipe."

"Posso receber visitas tão rapidamente?"

"Você já está bem, não é?" arqueou uma sobrancelha, mas ela sabia que ele só estava tentando livrar-se do estresse. "E será bom para você, Neji-kun, está rodeado de seus amigos e família fará bem para a sua recuperação."

"Se você diz."


Neji suspirou dando tapinhas desajeitados nas costas de Lee, que soluçava como um bebê agarrado à ele. Tenten, por sua vez, enxugava as lágrimas ainda emocionada e crescente alívio pelo fato do amigo ter acordado, Maito Gai era outro que parecia radiante mesmo com o rosto inchado de tanto chorar pela recuperação de seu aluno gênio.

Ele havia prometido um desafio com o seu rival para comemorar tal dádiva, contudo, a integrante feminina do Time Nove fora rápida em repreendê-lo, pois o homem ainda estava se recuperando de seus ferimentos e não podia forçar muito à sua perna danificada, fazendo uma sombra depressiva moldar o rosto da Besta Verde de Konoha.

Em um canto do quarto, Hinata estava abraçada a amiga Uchiha, sem conter a emoção que escorria por seu rosto delicado, seu primo estava acordado e segundo Akako saudável.

Ela não havia por que duvidar das palavras de sua amiga, é claro que ele ainda não estava totalmente curado e ainda havia um caminho para ele caminhar antes de ser o mesmo de antes, mas Hinata estava confiante de que o primo superaria todos os obstáculos postos em sua frente.

Este era o primo dela, afinal.

"Chega, Lee." Tenten acabou suspirando, tirando o amigo de cima do gênio. "Neji precisa descansar, foi muita emoção para um único dia."

"Você tem razão." Ele ainda tinha lágrimas mesmo depois de tanto chorar? Ela balançou a cabeça, este era Lee. "Que suas chamas da juventude continuem brilhando intensamente, meu amigo."

Acostumado com a estranheza do seu companheiro de time, Neji apenas assentiu, sentindo-se de repente muito exausto. Nem parecia que ele tinha ficado em coma por quase oito meses.

"Fique bem, Neji." Tenten sorriu.

"É bom tê-lo acordado, estávamos torcendo muito por sua recuperação, meu aluno." falou Gai com um enorme sorriso, os olhos cheios de emoção. "Voltaremos novamente para vê-lo, Neji-kun."

"Obrigado, Gai-sensei."

Quando seus companheiros da Equipe Nove deixaram o quarto, sua prima aproximou-se dele ainda agarrada à sua amiga com os olhos perolados vermelhos por causa do choro recente, enquanto Akako exibia um sorriso gentil — o sorriso que ela costumava dar às outras pessoas.

"Nii-san, vou ter voltar ao Complexo Hyuuga para buscar algumas roupas para você e produtos de higiene, agora que você acordou creio que poderá tomar banho sozinho." disse ela, mas o semblante aliviado deixara o mais velho um pouco menos amargo com essa súbita realidade.

Há muito tempo, Neji havia superado suas diferenças com Hinata, sua relação tornou-se melhor quando percebera que não era o único sofrendo, uma vez que Hinata tinha suas próprias inseguranças para lidar, ainda mais quando perdeu o seu posto de herdeira para Hanabi.

"Obrigado, Hinata-sama." ele respondeu, com um tom de voz formal.

Ele não se incomodou quando a prima avançou para beijá-lo no rosto.

"Cuide dele até eu voltar, Aka-chan."

Akako apertou a mão de sua amiga com suavidade, o sorriso nunca deixando o rosto dela, ao que sussurrava de volta.

"Sempre, Hinata. Sempre."


a fic é um au onde o massacre do clã uchiha nunca aconteceu, mas a quarta guerra é canônica, exceto, que neji está vivo. eu nunca vou matá-lo em minhas fanfics (chupa kishimoto)

naruto não me pertence.