Parte um – A primeira mensagem

6 de ouros - EM FRANGALHOS

Ed. Pov.

Estou dirigindo o táxi, pensando: As coisas têm que melhorar. Não é possível! Ninguém merece — pô, minha primeira mensagem tinha que ser logo uma porcaria de um estupro. E, pra completar, ainda tenho que dar conta de um camarada que é um monstro de tão grande. Grande é até apelido.

Não conto pra ninguém. Pra nenhum amigo. Pra nenhuma autoridade. Tem coisa muito mais importante que precisa ser feita. Infelizmente, quem tem que fazer sou eu, que fui escolhido.

Bella me pergunta sobre a parada quando estamos almoçando no centro, mas eu digo que ela não quer saber.

Ela me olha com aquela cara de preocupação que eu adoro e diz:

— Ed, toma cuidado, tá bem?

Digo que vou tomar cuidado e voltamos para nossos táxis.

Passo o dia inteiro pensando no negócio. Tenho até medo dos outros dois endereços, embora uma parte de mim fique dizendo que não podem ser piores do que o primeiro.

Toda noite dou uma passada lá, e, aos poucos, a lua vai completando seus ciclos. Às vezes não acontece nada. Às vezes ele chega em casa e não rola nenhuma baixaria. Nessas noites, o silêncio da rua aumenta. É muito sinistro ficar ali fora esperando alguma coisa acontecer.

Passo por um momento de grande tensão quando vou fazer compras numa tarde. Estou andando pelo setor de ração pra cachorro quando uma mulher passa por mim com uma menininha sentada no carrinho.

— Claire — ela diz. — Não mexa nisso.

Ela fala baixo, mas a voz é inconfundível. E a mesma voz que pede socorro à noite quando ela está na cama sendo estuprada por um bêbado com um tesão do tamanho de um trem. É a voz da mulher que chora baixinho na varanda na noite silenciosa e cruel.

Por um segundo, olho pra menininha exatamente quando ela está olhando pra mim.

Ela é lourinha, olhos verdes, bem bonitinha. A mãe, a mesma coisa, só que com o rosto abatido pelo cansaço.

Sigo as duas por um tempo, e uma hora, quando a mãe se abaixa pra olhar as sopas de saquinho, vejo ela desabar discretamente. Ali agachada, ela fica louca de vontade de se ajoelhar, mas se controla.

Quando se levanta, eu estou lá.

Estou lá olhando com atenção e pergunto:

— Tá tudo bem?

Ela faz que sim com a cabeça, mentindo.

— Tá tudo bem.

Tenho que fazer alguma coisa logo.


N/A: Pequeno esse capítulo, né? Como não sei se vou poder postar na quinta. Hoje eu posto mais um capítulo pra vocês...

Mylle Malfoy P.W:Concordo com você...

Mandem reviews!

Bjs ficnets ;*