Parte um – A Primeira Mensagem
K de ouros - ASSASSINATO NA CATEDRAL
Ed. Pov.
Só tem uma bala no revólver. Uma bala pra um homem, é aí que me sinto o cara mais azarado deste planeta. Digo pra mim mesmo; Você é um taxista, Ed! Como foi se meter nessa fria, meu irmão? Não deveria ter se levantado do chão daquele banco.
Estou sentado na cozinha com a arma aquecendo na mão. Porteiro está acordado, doido pra tomar um café e só consigo ficar ali olhando pra arma. E, pra piorar, o filho-da-mãe que está armando isso tudo só enviou uma bala. Será que os caras não se tocam de que é mais provável que eu dê um tiro nos meus próprios pés antes mesmo de começar? Não sei. Isso já foi longe demais. Uma arma, pelo amor de Deus! Não posso matar ninguém. Pra início de conversa, sou um cagão. Em segundo lugar, não sou nada forte. Em terceiro, está na cara que o que rolou no dia do assalto no banco foi pura sorte — nunca me mostraram como se usa uma arma...
Agora fiquei puto.
Por que me escolheram pra isso?, pergunto, mesmo sabendo, com toda a certeza, o que tenho que fazer. Você ficou feliz com as outras duas, fico me castigando. Então agora vai ter que dar conta dessa, maluco.
E se eu não der conta? Talvez a pessoa do telefone venha atrás de mim. Talvez seja isso mesmo. Talvez o negócio seja o seguinte: ou eu faço a parada ou o resto das balas vai parar dentro de mim.
Puta que o pariu, agora perdi o sono!
Pelo amor de Deus, estou quase tendo uma hérnia.
Dou uma olhada na coleção de discos velhos que meu pai me deu. Pra dar uma aliviada no estresse, saca? Vou passando álbum por álbum, na maior secura, e encontro o que estou procurando — o Proclaimers. Ponho na vitrola e fico olhando o vinil girar. As primeiras notas ridículas de Five Hundred Miles começam a tocar e fico furioso. Até os Proclaimers estão me deixando puto hoje. Os caras cantam mal que é uma desgraça.
Ando pela sala.
Porteiro olha pra mim como se eu tivesse pirado.
E pirei mesmo. O negócio já está até oficializado.
São três da manhã, estou tocando Proclaimers no último volume e tenho certeza de que tenho que matar alguém. Agora sim minha vida realmente encontrou um sentido, não acha, não?
Uma arma.
Uma arma.
Aquelas palavras me atingem, e eu não paro de olhar pra ela, pra ver se isso está acontecendo mesmo. A luz branca da cozinha chega até a sala. Porteiro estica as patas e me arranha de leve, pedindo um cafuné.
— Sai fora, Porteiro! — reclamo, puto da vida, mas os olhões marrons dele me pedem pra relaxar.
Eu amoleço e faço um chamego na barriga dele, peço desculpa e preparo um cafezinho pra gente. Vai ser ruim de eu dormir hoje. Os Proclaimers estão só esquentando com aquela canção que vai da tristeza à felicidade — a que vem depois de Five Hundred Miles.
A insônia deve matar, penso, enquanto dirijo o táxi de volta do centro, no dia seguinte. Meus olhos estão coçando e ardendo enquanto dirijo com os vidros abertos. O calor do ar fica batendo nos meus olhos, mas eu deixo. A arma está embaixo do meu colchão, onde deixei ontem de noite. A arma está lá embaixo do colchão, e a carta, na gaveta. E difícil dizer qual das duas me atormenta mais.
Decido que tenho que parar de reclamar.
De volta ao TAXI LIVRE, vejo Bella beijando um dos novatos da cooperativa. Ele tem mais ou menos a minha altura, mas está na cara que malha. Os dois estão ali, no maior amasso, beijo de língua e tudo. Ele está com as mãos nos quadris dela e ela, com as mãos enfiadas nos bolsos de trás do jeans dele.
Graças a Deus eu não tô com a arma agora, penso, mas eu sei que sou muito garganta.
— Oi, Bella — falo com ela quando passo, mas ela não escuta. Estou indo pro escritório pra falar com o chefe, Aro Volturi. Aro é um cara obeso, cabelo oleoso com uns fios penteados de um jeito pra cobrir e disfarçar a parte careca.
Bato na porta.
— Entre! — ele grita lá de dentro. — Já estava na hora de você... — ele não completa a frase.
— Oh, pensei que fosse a Heidi. Já tem meia hora que ela ficou de me trazer um café.
Eu vi a Heidi fumando um cigarro no estacionamento, mas decido não contar nada. Gosto da Heidi e não gosto de me meter nesse tipo de coisa. Entro, fecho a porta e nos olhamos.
— E aí? — ele pergunta. — O que é que tá pegando?
— Seu Aro, meu nome é Ed Masen, eu trabalho pro senhor...
— Muito bom! O que você quer?
Invento uma mentira:
— Meu irmão está de mudança hoje, e eu queria saber se eu poderia ficar com o táxi pra ajudá-lo, levando alguma coisa.
Ele olha pra mim com uma cara generosa e diz:
— E por que diabos eu deixaria você fazer isso? — ele sorri. — Por um acaso tá pintado "Fazemos Mudança" nas portas dos meus táxis? Eu lá tenho cara de instituição de caridade? — agora ele está irritado. — Vá comprar um carro pra você, ora essa.
Mantenho a calma, mas me aproximo.
— Seu Aro, às vezes chego a dirigir noite e dia e nunca tirei férias.
Pra falar a verdade, por causa dos meus nove meses de experiência, meus turnos flutuam entre noite e dia toda semana. Não sei bem se isso está dentro da lei. O pessoal novo fica com a noite. Os veteranos ficam com o dia. Eu fico com os dois.
Continuo:
— Só tô pedindo por uma noite. Se o senhor quiser, eu pago. Volturi se debruça na mesa. Ele me lembra o Boss Hogg. Heidi aparece com o café e diz:
— Oi, Ed. Como vai?
Ah, esse mão-de-vaca de uma figa não vai liberar o táxi pra mim, penso, mas só digo o seguinte:
— Tudo bem, Heidi, e você?
Ela põe o café na mesa e sai educadamente. Big Aro toma um gole e diz:
— Ahh, tá uma delícia — e muda de idéia. Deus abençoe a Heidi. Que chegada providencial! Ele diz: — Então tá, Ed, já que você trabalha bem, vou deixar o táxi com você. Mas é só por uma noite, falou?
— Obrigado!
— Você vem trabalhar amanhã? — ele checa a lista de nomes e responde à própria pergunta.
— Vai pegar o turno da noite — ele dá uma pensada e resolve a situação. — Traga o carro de volta amanhã até o meio-dia. Nem um minuto a mais. À tarde vou colocá-lo na manutenção, pois é disso que ele tá precisando.
— Tudo bem, seu Aro.
— Agora me deixe beber meu café em paz.
E saio da sala.
Passo pela Bella, que ainda está no maior amasso com o cara novo. Eu me despeço, só que mais uma vez ela não ouve. Ela não vai jogar cartas esta noite, nem eu. O Emm vai ficar puto, mas com certeza não vai morrer por isso. Ele vai colocar a irmã no lugar da Bella e o pai no meu lugar. A irmã dele de 15 anos é boazinha, mas come o pão que o diabo amassou com um irmão desse. Ele inferniza a vida da garota, de várias formas. Por exemplo, ela é odiada por todos os professores porque o Emm não valia nada enquanto estudava na escola. Todos acham que ela é uma tapada, quando na verdade é bem inteligente.
De qualquer forma, tenho coisas mais importantes hoje do que as cartas. Tento comer, mas não consigo. Pego o ás de ouros e a arma, e fico olhando pros dois na mesa da cozinha.
As horas vão passando.
Quando o telefone toca, me bate um cagaço, mas então me dou conta de que é o Emm, sem dúvida nenhuma. Eu atendo.
— Alô?
— Onde é que você tá, cara?
— Em casa.
— Por quê? Eu e o Jasper estamos sentados aqui no maior tédio. E cadê a Bella? Ela tá aí com você?
— Não.
— E onde ela se meteu?
— Ela tá com um cara lá do trabalho.
— Por quê? — ele parece criança, juro por Deus. Esta sempre perguntando por que sem motivo nenhum. Se ela não está lá, não está lá e pronto. Emm não entende que não dá pra fazer nada.
— Emm, tô cheio de coisa pra fazer hoje. Não vai dar pra eu ir.
— O que você tem pra fazer?
Devo ou não dizer?, penso. Decido que sim.
— Tá bem Emm, vou dizer por que não dá pra ir hoje...
— Manda.
— Tudo bem. Tenho que matar alguém, falou? Tudo bem pra você?
— Olha só — ele está ficando de saco cheio. — Pára de me sacanear, Ed. Não tô nada a fim de ouvir seu rosário de merdas.
Rosário? Desde quando o Emm conhece esse tipo de palavra? Bem, ele continua:
— Pára de palhaçada e vem pra cá. Tô avisando, maluco: se você não vier pra cá tá fora do Jogo de Verão deste ano. Eu tava até falando sobre isso com uns camaradas hoje.
O Jogo de Verão é uma partida de futebol ridícula que rola no corredor esportivo da cidade antes do Natal. Os participantes idiotas tipo Emm jogam descalços; o idiota do Emm me convenceu a jogar nos últimos anos. E todo ano eu quase quebro o pescoço.
— Bem, então não conta comigo este ano. Não vou pra aí, cara.
Desligo o telefone. Como já é de se esperar, o telefone toca de novo, mas eu tiro o fone do gancho e coloco de volta. Eu quase caio na gargalhada quando imagino o Emm xingando do outro lado. Neste exato momento, ele deve estar começando a gritar.
— Ok, Carmen! Venha jogar cartas com a gente!
Não levo muito tempo pra me concentrar no trabalho que me espera pela frente. Esta é a única noite que dá pra eu colocar o plano em prática. Uma noite com o táxi. Uma noite do meu jeito. Uma noite com a arma.
Quando olho pro relógio, já é quase meia-noite, mais cedo do que eu esperava.
Dou um beijo no rosto do Porteiro e vazo. Não olho pra trás, porque estou determinado a voltar só mais tarde. A arma está no bolso direito da jaqueta. A carta está no bolso esquerdo, junto com uma garrafinha de vodca. Misturei a parada com uma porrada de remédio pra dormir. Melhor que faça efeito.
A diferença hoje é que eu não vou pra Rua Edgar. Nada disso, fico mais perto da rua principal e espero lá. Na hora em que os bares encerrarem o expediente, um homem não vai voltar pra casa.
Já é bem tarde quando todos os pés-de-cana saem dos bares. Não tem como perder o meu cara de vista, por causa do tamanho do sujeito. Ele se despede dos amigos aos gritos, sem saber que esta é a última vez. Dou uma volta no táxi e tomo a mesma direção em que ele está andando. O cara se aproxima no meu espelho retrovisor lateral e passa. Quando ele está mais adiante no caminho, dou partida e dirijo em sua direção. O suor que sinto agora é normal, e eu sei que vou fazer. Já embarquei. Não tem escapatória.
Paro ao lado dele e chamo baixinho.
— Quer uma carona, parceiro? - Ele olha e arrota.
— Não vou pagar, não, cara.
— Anda logo, brother. Você parece que tá mal. Não vou cobrar a corrida, não, fica frio.
Então ele sorri, cospe e dá a volta pro lado do passageiro. Quando entra, começa a explicar como se chega em sua casa, mas eu digo:
— Pode deixar comigo. Eu sei onde você mora.
Tem alguma coisa que parece me tirar da realidade imediata, me deixando meio que dormente. Sem isso, não consigo ir adiante. Lembro da Claire, e o jeito como sua mãe estava arrasada no mercado. Tenho que fazer isso. Você tem que fazer isso, Ed. Eu faço que sim com a cabeça.
Tiro a vodca do bolso e ofereço a ele.
Ele não pensa duas vezes e vai logo pegando.
Eu sabia, fico todo orgulhoso de mim mesmo. Um cara desse tipo pega tudo que quer, sem nem pensar. Um cara como eu pensa demais.
— Ah, eu aceito — ele diz e toma um belo de um gole.
— Pode ficar com a garrafa. É toda sua.
Ele não diz nada, mas continua entornando quando passo pela Rua Edgar e me dirijo pro oeste, indo em direção aos cafundós da cidade. Tem um lugar por lá numa rua de terra chamado Catedral. Fica no topo de uma montanha rochosa que dá pra quilômetros e mais quilômetros de matagal. A gente ainda nem saiu do subúrbio quando o grandalhão adormece. Ele deixa a garrafa de vodca cair e derramar sobre ele enquanto continuo a dirigir.
Dirijo por mais ou menos meia hora, chego na estrada de terra e daí dirijo por mais meia hora. A gente chega lá pouco depois de uma hora da manhã e, quando paro o carro, estamos sozinhos, no maior silêncio.
Hora de partir pra grosseria, ou pelo menos é o que vou tentar.
Saio do carro e vou pro lado do passageiro. Abro a porta. Porro a cara dele com a arma.
Nada.
Bato de novo.
Depois de cinco tentativas, ele fica momentaneamente assustado, sentindo o gosto do sangue no nariz e na boca.
— Acorda!
Ele gagueja um pouco, sem saber onde está ou o que está havendo.
— Saia.
Tenho a arma apontada bem no meio da cara dele, entre os olhos.
— Se você tá pensando que a arma não tá carregada, acredite: esse pode ser seu último pensamento na vida.
Ele ainda está grogue, mas arregala os olhos. Ele pensa em fazer um movimento repentino, mas rapidinho saca que mal consegue sair do carro sozinho. Ele acaba conseguindo sair, e eu o acompanho até a rua com a arma contra suas costas.
— Posso te dar um teco bem aqui na espinha e então te deixar aqui mesmo. Ligo pra sua esposa e pra sua filha, e elas vêm pra te ver. Vão fazer a maior festa. Você quer que isso aconteça? Ou prefere que eu meta uma bala na sua cabeça pra que você morra rapidinho? Você é que escolhe.
Ele cai, mas eu fico de joelhos pra acompanhar. Paraliso o cara com a arma apontada em sua nuca.
— Tá com vontade de morrer? — minha voz treme, mas se mantém durona. — Sei muito bem que é isso que tu merece. — pulo sobre ele e grito: — Levanta daí e continua andando, ou morre agora mesmo.
Ouço alguma coisa.
O som vem do chão.
Percebo que é o som de um homem chorando. Só que hoje não estou nem aí. Tenho que matar o cara porque toda noite ele mata a mulher e a filha aos poucos e sem fazer esforço, além de se divertir com a situação. E é o Ed Masen sozinho, o suburbano, quem tem a chance de dar um fim nessa história.
— Levanta daí! — eu me grudo nele de novo, e continuamos subindo em direção à Catedral.
Quando chegamos no pico, deixo ele parado lá, a uns cinco metros da beirada. A arma está apontada pra sua nuca. Estou três metros atrás dele. Nada pode dar errado.
Só que...
Eu começo a tremer.
Começo a cambalear e estremecer quando penso em matar outro ser humano. Eu estava todo no clima, só que o clima acabou. O ar de invencibilidade me deixou na mão e de repente tomo consciência de que tenho que fazer isso cercado de mais nada além de minha fragilidade humana. Respiro. Chego a quase amolecer.
Agora eu pergunto:
O que você faria no meu lugar? Me diga. Por favor, me diga!
Mas você está longe disso. Seus dedos vão virando a esquisitice destas páginas que de certa forma ligam a minha vida com a sua. Seus olhos estão seguros. A história pra você não passa de mais umas 100 páginas em sua mente. Pra mim, está aqui. E agora. Tenho que ir até o fim, considerando o custo a todo momento. Nada será o mesmo. Vou matar esse homem e vou morrer aqui por dentro. Quero gritar. Quero gritar, perguntando o porquê disso tudo. Hoje o céu está todo iluminado de pontinhos espalhados, parecendo até que vai chover estrelas, mas nada me acalma. Não tem saída. A figura na minha frente cai, e eu estou de pé sobre ele, esperando.
Esperando.
Tentando.
Tentando conseguir uma resposta melhor que esta.
Caraca, a arma está toda rígida na minha mão. Está fria e quente, escorregadia e rígida, tudo ao mesmo tempo. Eu tremo incontrolavelmente, sabendo que, se eu fizer isso, vou ter que atirar pra acertar. Vou ter que dar um teco nele e ver seu sangue humano cobrir seu corpo. Vou ficar vendo o cara morrer em uma torrente de violência inconsciente, e, até mesmo quando explico a mim mesmo que estou fazendo a coisa certa, ainda
imploro pra saber por que tem que ser eu. Por que não o Emm, a Bella ou o Jasper?
Os Proclaimers explodem em meus ouvidos.
Imagine só.
Imagine só matar alguém ao som de dois nerds quatro-olhos escoceses, de cabeças praticamente raspadas. Como vou poder ouvir essa música de novo? O que vou fazer se a tocarem no rádio? Vou me lembrar da noite em que assassinei um outro homem e tirei a vida dele com as próprias mãos.
Eu tremo e espero.
Ele começa a roncar. Por horas.
Os primeiros raios de luz começam a rasgar o céu e, quando o sol aparece mais perto do leste, decido que chegou a hora.
Acordo o cara usando a arma. Desta vez ele não demora pra responder e, de novo, estou três metros atrás dele. Ele se levanta, tenta se virar, mas pensa melhor. Eu me aproximo e seguro a arma atrás da cabeça dele, dizendo:
— Fui escolhido pra fazer isso com você. Tenho visto o que você apronta com sua família e agora isso tem que chegar ao fim. Balance a cabeça se você lá entendendo — ele obedece lentamente. — Você tem consciência de que vai morrer pelo que fez? — ele não balança a cabeça desta vez. Bato nele de novo. — E aí? — desta vez ele balança.
O sol desponta no horizonte, e eu seguro a arma bem firme. Meu dedo está no gatilho. O suor escorre pela minha cara.
— Por favor — ele suplica. Ele se dobra todo pra frente. Sente que vai morrer caso caia completamente. Um tipo perturbador de choro toma conta dele. — Sinto muito, sinto... Eu vou parar com isso. Eu vou parar.
— Parar com o quê? Ele nem espera pra falar.
— Você sabe...
— Quero ouvir você dizer.
— Vou parar de forçá-la quando eu chegar...
— Forçá-la?
— Tá bem... estuprá-la.
— Melhorou. Continue.
— Vou parar com isso, eu prometo.
— E como é que posso confiar na tua palavra?
— Você pode.
— Não é a resposta que tô esperando. Se escrevesse isso aí numa redação, levaria zero — e bato a arma com mais força. — Responda à pergunta!
— Porque, se eu não parar, você vai me matar.
— Vou matar você agora! — estou alucinado de novo, molhado de suor, tentando acreditar no que estou fazendo. — Coloque as mãos na cabeça — ele obedece. — Vá pra perto da beirada — ele obedece. — Como é que você se sente? Pense antes de responder. Tudo depende de você acertar ou não.
— Me sinto do jeito que minha esposa se sente toda noite quando eu chego em casa.
— Assustado pra cacete?
— Sim.
— É isso aí.
Eu o sigo até a beirada, aponto a arma e me certifico.
O gatilho sua no meu dedo.
Respire, eu me lembro. Respire.
Um momento de paz me envolve e puxo o gatilho. O barulho arde no meu ouvido e, igualzinho ao dia do assalto no banco, a arma agora parece quente e macia na minha mão.
N/A:. Tenso esse final, não? Então gente esse é o último capítulo da Primeira Parte da história talvez eu deva postar o Primeiro Capítulo da Segunda Parte ainda essa semana... Sei que não tenho postado regularmente, mas eu tento fazer o que...
Bom o que vocês acharam? Mandem reviews.
Bjs ficnets;*
