Segunda Parte - As pedras de casa
5 de paus - OS TÁXIS, A PROSTITUTA E JÉSSICA
Ed. Pov.
O dia já vai chegando ao fim e estou no meu táxi, dirigindo pro centro. Os prédios ao longe encobrem o pôr-do-sol.
A noitinha chega silenciosa e tranqüila, bom pra pensar,
A cliente mais interessante que pego é uma criatura com a maior pinta de puta; ela se senta na frente. A mulher tem um corpaço. Toda durinha. O cabelo dela acena pra mim... E que boca é essa, meu irmão? Muito linda. O que estraga são os dentes. Duas palavras para descrevê-la: loura e meiga. Ela termina todas as frases com uma palavra carinhosa.
"Por que a cara amarrada, gatinho?"
"Nunca me senti assim, amor."
Ao contrário dos estereótipos, ela está usando uma maquiagem de bom gosto e leve. Botas pretas até o joelho, um collant branco todo grudado no corpo, que lhe dá uma forma maravilhosa, e uma jaqueta escura.
Não tire os olhos do caminho, Ed.
— Gatinho...
Eu me viro pra ela.
— Está lembrado para onde estamos indo, amor?
Dou uma pigarreada.
— Para o Quay Grand?
— Isso mesmo, tenho que estar lá por volta das dez, ok, doçura?
— Claro — e eu olho pra ela com uma cara simpática. Gosto desse tipo de cliente.
Quando chegamos lá, o taxímetro está marcando $ 11, 65, mas ela me dá $ 15 e diz pra eu ficar com o troco. Inclina-se na janela.
— Você é uma gracinha.
Dou um sorriso.
— Obrigado,
— Tá agradecido pela grana ou pelo elogio?
— As duas coisas.
Agora ela estica o braço pra dentro do carro, me oferece a mão e diz:
— Eu me chamo Jéssica — seguro na sua mão. — As pessoas me chamam de Sheeba, mas você pode me chamar de Jéssica, ok, gatinho?
— Ok.
— E como você se chama?
— Eu? — solto a mão dela meio que a contragosto e respondo. Ela não deve ter visto minha identidade de taxista no painel. — Ed. Ed Masen.
Ela solta uma última frase carinhosa.
— Bem, obrigada por me trazer aqui, Ed. E pare de se preocupar tanto com a vida. Vai se divertir, tá, amor?
— Tudo bem.
Quando ela se vai, eu a imagino se virando e dizendo: "Você poderia voltar pra me pegar de manhã, Ed?" Mas ela não se vira. Ela se foi. Jéssica não mora mais aqui.
Fico ali sentado dentro do táxi, sozinho, só olhando aquela figura andando até as portas do hotel.
Atrás de mim, um carro buzina feito louco, e um homem esbraveja pela janela.
— Anda, piloto!
Ele tem razão. Somos um bando de otários.
Enquanto dirijo noite adentro, imagino Jéssica se transformando em Sheeba. Ouço a voz dela e sinto o cheiro na penumbra do quarto do hotel com vista para o porto de Sydney.
"Tá bom assim, gatinho?"
"Ai, amor..."
"Isso, gostosinho, isso... aí mesmo... assim... vai... não pára."
Eu me vejo embaixo dela.
Ela me pega e faz amor comigo.
Eu a sinto.
Eu a conheço.
Provo aquela boca de champanhe.
Ignoro os dentes feiosos.
Fecho os olhos e provo seu gosto.
Toco em sua pele nua.
O collant no chão.
A jaqueta perto da gente.
As botas jogadas perto da porta.
Vou me acomodando dentro dela.
"Ai!", ela diz, sem fôlego, "Ed, ai, Ed!". Fico doido. "Ai, Ed..."
— O sinal fechou, cara! — o passageiro no banco de trás grita. Enfio o pé no freio.
— Que é isso, irmão?
— Me desculpe.
Respiro fundo.
Foi bom esquecer do ás de paus e da Bella por um tempo, mas agora voltei à realidade. A voz do homem trouxe as duas coisas à memória.
— Ficou verde agora, cara.
— Obrigado.
E toco o táxi.
N/A: E ai, gostaram desse capítulo? Em em? Mandem Reviews
Dedico esse cap. a: Mylle Malfoy P.W., Daia Matos, lola e fany, por não me abandonarem e por mandarem reviews lindas
Bjs ficnets ;*
