Segunda Parte – As pedras de casa
8 de paus - DELINQÜENTES
Ed. Pov
Alguns dias se passam e estou tentando criar um jeito de trazer pessoas pra igreja. Penso em pedir pra galera, a Bella, o Emm e o Jasper, pra levar as famílias e os amigos, só que nenhum deles é muito confiável, e depois já vai ser difícil pra cacete fazer com que eles voltem pela segunda vez!
No início da semana, dou várias corridas com o táxi, só pensando nessa história.
A idéia pinta quando estou levando um cara pro aeroporto. Estamos quase chegando quando ele diz:
— Amigo, eu estou com um tempinho sobrando... Será que você pode me deixar aqui neste pub?
Olho pelo espelho retrovisor e pimba! Cai a ficha.
— É isso! — digo pra ele.
— Só uma cervejinha num pub de verdade — ele diz. — Não agüento aqueles saguões de aeroporto.
Eu paro e o deixo saltar.
— Você gostaria de me acompanhar? É por minha conta.
— Não — respondo. — Tenho que pegar outro passageiro, mas posso voltar e te pegar em meia hora, se quiser.
— Com certeza.
O cara está todo contente.
Sendo bem sincero, eu também, pois o que tenho pra te dizer é fato: Neste país, só tem uma coisa que pode arrastar uma multidão, sem sombra de dúvida. Sabe o que é?
Cerveja.
Cerveja de graça.
Vou até o padre, entrando pela porta da frente todo empolgado e ofegante, dizendo que a gente pode organizar uma parada bem maneira pro próximo domingo. Conto a idéia toda pra ele:
— Cerveja grátis, umas coisinhas pra criançada, comida. Já falei da cerveja de graça?
— Sim, Ed, creio que sim.
— E então? O que o senhor acha?
Ele se senta na maior tranquilidade e pensa no assunto.
— Parece ótimo, Ed, mas você está esquecendo de uma coisa.
Não dá pra desanimar hoje.
— Do quê?
— Vamos precisar de dinheiro pra tudo isso.
— Achei que a Igreja Católica tivesse uma porrada de grana... Todo aquele ouro e tudo mais naquelas catedrais enormes...
Ele dá uma risadinha.
— Você viu algum ouro na minha igreja, Edward?
Edward?
Acho que o padre é a única pessoa que eu deixo que me chame assim. Até na minha certidão de nascimento eu sou só Ed. Eu continuo:
— O senhor tem certeza de que não tem nenhuma graninha por aí, não?
— Na verdade, não, Ed. Coloquei tudo nos fundos de auxílio às mães solteiras adolescentes, alcoólatras, sem-teto, viciados e minhas férias em Fiji.
Acho que ele está de sacanagem com a minha cara, com essa história de Fiji.
— Ah, então, tá bem — digo. — Eu mesmo vou levantar a grana. Tenho um pouquinho guardado. Vou entrar com 500 paus.
— Quinhentos? É muito dinheiro, Ed. Você não parece o tipo de pessoa que tem muito.
Saio andando bem rápido pela porta da frente.
— Não se preocupe com nada, padre — chego mesmo a rir. — Só tenha um pouco de fé.
Agora, devo dizer.
Numa hora dessas é bem útil ter amigos imaturos. Eles dão ideias de como espalhar a notícia bem rapidinho sobre alguma coisa que a gente quer fazer. Sem estresse com cartazes. Sem estresse com anúncio no jornal. O cara percebe que só tem uma resposta verdadeira. Alguma coisa que entre logo na cabeça do pessoal:
Tinta spray.
Rapidinho o Emm fica interessado em ir à igreja no domingo. Explico o plano pra ele e tenho certeza de que posso contar com sua ajuda. Taí uma área em que o Emm se supera e se diverte. Comportamento imaturo e juvenil é com ele mesmo.
A gente maloca as churrasqueiras de minha mãe e do Ritchie, eu ligo e encomendo um pula-pula, e pego emprestado uma daquelas paradinhas de karaokê com um parceiro do Emm que trabalha num pub. Além disso a gente arranja ainda uns barris, consegue fazer um acordo mais ou menos com o açougueiro pra descolar umas salsichas, e pronto.
Hora de usar a tinta.
Compramos o spray numa loja de ferragens ali do local numa tarde de quinta-feira e saímos pelo subúrbio às três da manhã. O carro do Emm resolve nos deixar na mão e pára na porta de minha casa, então decidimos ir andando mesmo. Em cada canto da rua principal, escrevemos a mesma coisa com letras gigantescas pelo caminho:
DIA ESPECIAL CONHEÇA UM PADRE
NESTE DOMINGO As 10:00
IGREJA DE SÃO MIGUEL
VAÍ ROLAR COMIDA, MÚSICA, DANÇA
E CERVEJA DE GRAÇA
NÃO PERCA!
VAI SER UMA FESTA DOS DIABOS
Não sei se o Emm sente a mesma coisa, mas eu percebo o maior clima de parceria quando a gente se ajoelha ali e manda ver no piche. Parece que voltamos à infância enquanto escrevemos as palavras. Numa hora eu olho pro meu amigo. Emm, o encrenqueiro. Emm, o mão-de-vaca. Emm, da garota que sumiu do mapa.
Quando terminamos, ele dá um tapa no meu ombro, e a gente sai correndo, como ladrões pintosos. A gente corre, ri, e este momento é tão denso e especial que me dá vontade de me entregar e mergulhar de cabeça na emoção, esquecer de tudo.
Adoro as gargalhadas desta madrugada.
Nossos pés batem nos traseiros de tanto correr, e não quero que isso pare. Quero correr e rir assim pra sempre. Quero evitar qualquer momento de sem-gracice quando o diabo da realidade enfiar o tridente na nossa carne, nos deixando ali parados, juntos, com cara de manes. Quero ficar aqui neste momento e nunca ir a outros lugares, onde a gente não sabe o que dizer nem o que fazer.
Por enquanto, deixem a gente correr em paz.
A gente corre direto pela madrugada na maior gargalhada.
No dia seguinte, não tem uma alma viva que não esteja falando da parada. Está todo mundo comentando.
Os policiais já passaram no padre perguntando se ele está sabendo de alguma coisa. Ele admite que está por dentro do dia, mas não sabe das técnicas de propaganda adotadas por alguns dos fiéis.
Na tarde de sexta, lá na casa dele, o padre me conta tudo.
— Como vocês podem imaginar — ele disse pros policiais —, tenho uma clientela muito suspeita. Mas, também, me digam qual igreja inserida numa comunidade pobre não tem.
Eles caíram no papo, é claro. Quem não acreditaria neste homem?
— Tudo bem, seu padre, mas, por favor, nos avise caso o senhor fique sabendo de alguma coisa.
— É claro, é claro — e mesmo quando os tiras começaram a sair, o padre fez mais uma última perguntinha. — Vocês vão dar uma passadinha lá no domingo?
Pelo jeito os tiras são humanos também.
— Cerveja de graça? Só se a gente fosse doido pra recusar uma coisa dessas.
Ótimo!
Então está tudo pronto. Vai todo mundo. Famílias. Bebuns. Canalhas. Ateus. Adoradores do cão. Góticos. Todo mundo. É pra você ver o que cerveja de graça é capaz de fazer. Não tem erro.
Ainda trabalho na sexta-feira à noite, mas tiro folga no sábado.
Naquele dia, rolam duas coisas.
Primeiro, o padre dá uma passada aqui em casa. E hora do almoço e ofereço uma sopinha pra ele. Quando chega na metade do prato, ele pára, e eu vejo uma emoção estampada em seu rosto.
Padre O'Reilly larga a colher e diz:
— Tenho que lhe contar uma coisa, Ed.
Dou uma parada também.
— O que é, padre?
— Sabe, dizem que há inúmeros santos que não têm nada a ver com a Igreja e praticamente não têm nenhum conhecimento de Deus. Mas dizem que Deus anda com essas pessoas sem que elas se dêem conta disso — os olhos dele estão dentro de mim agora, acompanhados pelas palavras. — Você é uma dessas pessoas, Ed. É uma honra conhecê-lo.
Cara, fiquei bobo.
Já me chamaram de tudo nesta vida — mas é a primeira vez que alguém diz que é uma honra me conhecer.
De repente, eu me lembro da Sophie perguntando se eu era um santo e lembro que eu disse que não passava de mais um ser humano estúpido.
Desta vez, eu me permito ouvir.
— Valeu, padre. Obrigado mesmo.
— O prazer é meu.
Bom, a segunda coisa que rola é a seguinte: faço umas visitinhas pela cidade. Em primeiro lugar, dou uma passada rápida na Nessie. Pergunto se ela vai poder ir lá no domingo, e ela diz:
— Claro, Ed.
— Traga a família — sugiro.
— Vou levar, sim.
Então passo na Irina e pergunto se ela me permitiria acompanhá-la à igreja no domingo.
— Seria um prazer inenarrável, Billy. Traduzindo: ela ficou super-empolgada com a idéia.
Então.
A última visita.
Quando estou ali batendo na porta do Cole O'Reilly, tenho muito pouca esperança.
— Oh, é você — ele diz, embora pareça feliz de me ver. — Você deu o recado àquele meu irmão?
— Dei, sim. Ah, e meu nome é Ed.
Fico meio sem graça agora. Odeio dizer às pessoas o que fazer, até pedir. Mesmo assim, olho agora pro Cole O'Reilly e converso.
— Fiquei meio... — o resto da frase se quebra e cai no chão.
— O quê?
Fico na minha. Acabo mudando a estratégia.
— Acho que você sabe, Cole.
— Sim — ele concorda. — Sei, sim. Já vi a pichação. Olho pra baixo e levanto a cabeça de novo.
— E aí?
Ele abre a tela anti-inseto e fico com medo do cara sair e me dar umas porradas, mas ele me convida pra entrar, e a gente se senta na sala de visita. Ele está vestindo uma roupa parecida com aquela da última vez. Short, camiseta regata e chinelos. Ele não parece tão mau, mas eu boto muita fé nos caras que se vestem assim. Os melhores criminosos usam shortinhos bem curtos, camiseta regata e sandálias de couro.
Sem oferecer nada, ele traz uma bebida gelada.
— Aceita um suco de laranja?
— Claro.
Tem até gelo picado! Ele deve ter uma daquelas geladeiras iradas que fazem de tudo.
Ouço umas crianças correndo no quintal, e logo em seguida vejo as carinhas delas aparecendo de vez em quando, subindo e descendo em um trampolim.
— Que danadinhos! — Cole dá uma risadinha baixa. Ele tem o mesmo senso de humor do irmão.
Passamos uns minutos olhando pra tela da televisão enorme que ele tem, assistindo a uma reportagem supermaneira sobre cabo-de-guerra num programa do tipo Mundo Esportivo, mas, quando entra o comercial, Tony volta a atenção pra mim.
— Mas então, Ed... Me diz uma coisa... Acho que você quer saber por que rola essa briga minha com meu irmão.
Não consigo mentir.
— Ah, tô sim.
— Você está mesmo a fim de saber o que aconteceu?
Olho pra ele.
Honestamente.
E balanço a cabeça de um lado pro outro.
— Não, não posso me meter na sua vida.
Cole solta um suspiro bem pesado e toma um gole da bebida. Ouço quando ele pica ainda mais o gelo dentro da boca. Nem me dou conta, mas, eu dei a resposta certa.
Uma das crianças entra chorando na sala.
— Papai, o Ryan não pára de...
— Ah, vai parando de chorumela e cai fora daqui! — Cole grita.
O garotinho tenta chorar um pouco mais alto, mas, quase de imediato, pára. Ele se ajeita todo e pergunta:
— Isso aí é suco, papai?
— É.
— Posso tomar um pouquinho?
— E como é que se diz?
— Por favor.
— Certo. Agora diga tudo direitinho.
— Posso tomar um pouquinho de suco, por favor?
— Pode. Assim está bem melhor, George. Agora vá para a cozinha e faça um pouco para você.
O menino fica todo radiante:
— Obrigado, papai!
— Diabo de crianças! — Cole ri. — Elas não têm mais modos como antigamente...
— Eu sei — respondo e então rimos juntos. Rimos, e Cole diz:
— Sabe, Ed... É bem capaz de você me ver lá amanhã. E só ficar atento. Sinto uma alegria aqui dentro de mim, mas não demonstro.
Que bom!
— Obrigado, Cole.
— Papaaaaai! Eu derramei! — George grita da cozinha.
— Eu sabia!
Cole se levanta, balançando a cabeça.
— Desculpe, não vou poder acompanhar você até a porta, lenho que cuidar dessa merda.
— Não tem problema. Fique tranqüilo.
Deixo pra trás a TV de tela gigante e saio do casarão aliviado. Resultado agradável.
Pra minha surpresa, consigo dormir feito uma pedra, e acordo cedo. Eu estava lendo um livro maneiríssimo, meio esquisito, chamado Table of Everything ontem à noite. Procuro o diabo do livro, mas percebo que ele caiu entre a cama e a parede. Quando já estou há alguns minutos procurando, lembro que hoje é o dia. Dia de Conhecer um Padre. Desisto de procurar e me levanto.
Bella, Emm e Jasper chegam na minha casa às oito horas e vamos pra igreja. O padre já está lá, andando de um lado pro outro, ensaiando e revendo o sermão.
Outras pessoas aparecem:
O parceiro do Emm com os barris e com o karaokê.
O pessoal com o pula-pula.
Pegamos as churrasqueiras e determinamos que o Jasper e alguns de seus colegas vão segurar as cervejas enquanto o padre estiver fazendo o sermão.
Lá pelas nove e quarenta e cinco, as pessoas começam a chegar pra valer, e eu me lembro que tenho que ir pegar a Irina.
— Ei, Emm — nem acredito que vou fazer isso. — Posso pegar seu carro por dez minutos?
— O quê? — já saquei que ele vai pegar no meu pé. — Você quer pegar minha lata-velha?
Putz, não estou com tempo pra isso.
— É, Emm. Retiro tudo o que eu disse sobre sua máquina.
— E?
E?
A ficha cai.
— Nunca mais vou falar mal dela.
Ele dá um sorriso de vitória e me joga as chaves.
— Cuida bem da máquina, Ed.
Comentariozinho completamente desnecessário. Emm sabe que eu vou ter que me segurar pra não falar. O safado chega até a esperar, mas eu fico na minha, seguro a onda legal.
— Bom garoto — ele diz, e eu saio batido.
Irina está toda ansiosa esperando e já vai abrindo a porta antes mesmo de eu começar a subir as escadas pra varanda.
— Olá, Billy!
— Oi, Irina.
No carro, abro a porta pra ela e voltamos pra igreja. Pela janela quebrada, entra uma brisa muito maneira.
Quando chegamos, são cinco pras dez e eu fico bobo de ver. A igreja está lotada. Vejo até minha mãe entrando, com um vestido verde. Acho que a velha não é muito chegada à cerveja. Ela só não quer ficar de fora do que está rolando.
Encontro um dos poucos assentos vagos e peço que Irina se sente lá.
— E você, Billy? — ela pergunta nervosa. — Onde você vai se sentar?
— Não se preocupe. Vou encontrar um lugarzinho — só que eu não encontro. Eu me junto às pessoas em pé nos fundos da igreja, esperando o padre O'Reilly dar o ar da graça.
Quando são dez horas, os sinos da igreja tomam posse da congregação e, agora, todo mundo — crianças, senhoras cheias de pó na cara e carregando bolsas de mão, bêbados, adolescentes e as mesmas pessoas que estão sempre por lá, todas as semanas —, todos ficam em silêncio.
O padre.
Dá o ar da graça.
Ele aparece e fica todo mundo esperando pelas palavras.
Por um instante, ele simplesmente dá uma olhada pra multidão. Então ele dá um sorriso sincero e diz;
— Olá a todos — e a galera vai à loucura. Rolam aplausos, assobios, e o padre fica animado de um jeito que eu nunca vi. O que eu não sei é que ele também tem seus truques.
Por enquanto ele não diz mais nada.
Nada de reza.
Ele espera mais uma vez pelo silêncio, tira uma gaita da batina e começa a tocar uma canção soul. Alguns instantes depois, aparecem três caras de terno, todos desleixados, um batendo numa lata, o outro tocando violino, e o último também tocando gaita. Uma das grandes. A música toma conta da igreja e cria um clima, uma atmosfera ali entre o povo que eu jamais vi na vida.
Quando param, o pessoal grita de novo, e o padre espera.
Finalmente, ele diz:
— Essa canção foi pra Deus. Veio Dele e é dedicada a Ele. Amém.
— Amém — o povo repete.
Então o padre fala um pouco, e eu adoro suas palavras e o jeito com que ele as diz. Ele não fala como todos aqueles pregadores naquelas igrejas arcaicas, onde tem mais baboseira do que qualquer outra coisa. O padre O'Reilly fala com uma sinceridade que chega a hipnotizar. Não sobre Deus, mas sobre a necessidade de as pessoas desta cidade se unirem. Fazerem coisas juntas. Ajudarem umas às outras. E basicamente se juntarem mesmo. Ele convida o pessoal a fazer tudo isso na igreja todo domingo.
Ele pega aqueles caras, o Royce, o Vladmir e o Nahuel, para ler. Dá até pena deles, de tão lentos, mas são aplaudidos como heróis quando terminam, e dá pra ver o orgulho estampado em suas caras. Bem diferente de sair por aí pedindo dinheiro, cigarros e jaquetas.
Por um bom tempo, fico me perguntando onde será que o Cole está. Quando olho pra multidão, cruzo olhares com a Nessie, e nós dois levantamos as mãos, e ela volta a prestar atenção. Não encontro Cole em lugar nenhum.
No final, o padre manda uma das antigas — a única canção que todos conhecem —, "Ele tem o mundo inteiro nas mãos". Todos cantam e batem palmas no compasso, e, quando a música termina, finalmente vejo o Cole.
Ele atravessa o mundaréu de gente e pára ao meu lado.
— Oi, Ed.
Ele está segurando uma criança em cada mão. Pergunta logo em seguida:
— Tem algum suco de laranja por aí? É pras crianças.
— Tem, sim, pode ficar tranqüilo.
Talvez uns cinco minutos depois, o padre me vê com Cole, de pé nos fundos da igreja.
Ele já está acabando e nada de reza. Collin O'Reilly finalmente decide pôr a mão na massa.
Ele diz:
— Pessoal, vou fazer uma oração agora, em voz alta. Quando eu fizer a oração em silêncio, sintam-se à vontade pra fazer quaisquer orações de suas autorias — ele inclina a cabeça e diz: — Senhor, eu Vos agradeço. Eu Vos agradeço por este momento glorioso, por toda esta gente magnífica. Eu Vos agradeço pela cerveja gratuita (o povo ri nessa hora), pela música e pelas palavras que Vós nos ofereceste neste dia. Porém, acima de tudo. Senhor, eu Vos agradeço pela presença de meu irmão aqui hoje e por certas pessoas no mundo que têm um péssimo gosto pra jaquetas... Amém.
— Amém — o povo repete mais uma vez.
— Amém — digo, atrasado, e agora, como muitas dessas pessoas, rezo pela primeira vez em anos.
Minha oração é assim:
"Dê saúde à Bella, Senhor, e ao Emm, mamãe, Jasper e toda a minha família. Por favor, acolha meu pai em Vossos braços, e por favor, por favor, me ajude com as mensagens que tenho que entregar. Me ajude a fazer tudo direitinho... "
As últimas palavras do padre chegam cerca de um minuto mais tarde.
— Obrigado, pessoal. E vamos dar início à festa! O povo vibra.
Uma última vez.
Jasper e Emm preparam o churrasco. Bella e eu nos encarregamos da cerveja. Padre O'Reilly toma conta da comida e da bebida da criançada, e ninguém perde nada.
Quando os comes e bebes acabam, trazemos o karaokê e muita gente canta, tudo quanto é tipo de coisa. Passo um tempão com a Irina, que também encontra algumas garotas com quem ela estudou. Elas se sentam num banco, e uma delas tem as pernas tão curtinhas que não consegue tocar o chão. Com as pernas cruzadas nos tornozelos, ela as balança pra frente e pra trás, e é a coisa mais bonita que vejo no dia.
Consigo até convencer a Bella a cantar comigo. Eight Days a Week, dos Beatles. Nem preciso dizer que Jasper e Emm causam o maior frisson quando cantam You Give Love a Bad Name, do Bon Jovi. Cara, por Deus, essa cidade vive no passado.
Eu danço.
Danço com Bella, Irina e Nessie. Adoro principalmente quando as rodopio e elas riem.
Quando acaba, depois que eu já levei a Irina pra casa e voltei, a gente limpa tudo.
A última coisa que vejo no dia é Collin e Cole O'Reilly, sentados nos degraus da igreja, fumando juntos. É muito provável que passem mais alguns anos sem se ver, mas não posso pedir mais do que isso.
Eu não sabia que o padre fumava.
N/A:. Olá ficnets, então esse é mais um capítulo. Me desculpem pela demora, tive prova a semana toda, vou tentar postar com mais frequência a partir de agora... Maaas, o que acharam? Mandem reviews
Beijos ficnets e até o próximo capítulo ;**
