Segunda Parte – As pedras de casa
Q de paus - SANGUE E OS ROSE
Ed. Pov.
Agora tenho que cuidar dos Rose e, como eu já disse, acho que eles nunca foram testados. Acho que ninguém nunca perguntou como reagiriam se outra pessoa interrompesse o quebra-pau deles metendo a porrada.
Tenho o endereço deles.
Tenho o telefone deles e estou pronto.
No início da semana pego o turno do dia direto e toda noite que tenho uma folga dou uma passada por lá. Eles só estão de bate-boca. Não vejo nenhuma porradaria propriamente dita, daí volto pra casa frustrado. Na volta, procuro o telefone público mais próximo da casa deles e acho um algumas ruas depois.
Tenho que trabalhar nas próximas noites, o que acabo achando até bom. Não faz muito tempo que tiveram um quebra-pau sério, e daí acho que eles precisam de mais alguns dias pra se prepararem pro próximo. Só preciso que o Gavin saia da casa de novo. Meu trabalho não é nada agradável.
No domingo à noite, acontece.
Estou aqui há quase duas horas quando a casa vem abaixo e o Eric sai mais uma vez.
Ele volta ao mesmo lugar e se senta no mesmo meio-fio.
E, novamente, eu vou até lá.
Minha sombra quase que nem encosta no moleque quando ele diz:
— Porra, você de novo?
Mas ele nem olha pra mim.
Abaixo a mão e o agarro pelo colarinho.
Tenho a sensação de estar fora de mim.
Eu me vejo arrastar Eric Rose para a moita e meter a porrada nele ali no meio do mato, entre a terra e os galhos derrubados das árvores.
Enfio a porrada na cara dele e faço um rombo no estômago do moleque.
O cara chora e implora. Chora de soluçar.
— Não me mate, não me mate...
Faço questão de não olhar nos olhos dele, daí já meto um porradão no nariz pra eliminar qualquer visão que ele possa ter tido. Ele está machucado, mas eu continuo. Quando eu terminar, o cara não vai poder mexer nem um dedo; é isso que eu quero.
O cheiro do medo que ele está sentindo chega no meu nariz.
Ele está exalando medo.
O negócio chega e se agarra no meu nariz.
Eu me dou conta de que o tiro aqui pode sair pela culatra, mas não tenho outra escolha.
É hora de explicar que, antes de pegar aquela mensagem na Rua Edgar, eu nunca havia sequer encostado um dedo em alguém desse jeito. Não é nada bacana fazer isso, sobretudo quando é um cara mais novo que não tem chance. Só que não posso deixar que isso atrapalhe. Estou possuído à medida que continuo porrando a cara e o corpo do Eric Rose. Está escuro e passa um vento balançando a moita.
Ninguém pode ajudá-lo.
Só eu.
E como o ajudo?
Dou um último chute pra garantir que ele não consiga se mexer pelo menos nos próximos cinco ou dez minutos.
Saio de cima dele, sem fôlego.
Eric Rose não vai a lugar nenhum.
Tem sangue nas minhas mãos enquanto saio depressa da moita em direção à rua. Ouço a televisão na casa dos Rose quando passo rapidinho por lá.
Quando viro a esquina e vejo o telefone público, descubro um problemão: tem alguém usando.
— Ah, que se dane o que ela diz — esbraveja uma adolescente grandalhona com um piercing no umbigo. — Não tem nada a ver comigo...
Não consigo evitar.
Penso: Larga esse telefone, mocréia.
Só que a filha-da-puta se empolga mais ainda na conversa.
Um minuto, penso. Vou dar um minuto e daí vou entrar nessa cabine.
Ela me vê, mas não dá a mínima. Ela se vira e continua falando.
Chega. Vou entrar nessa merda. E bato no vidro.
N/A: Bem tenso esse capítulo não? O Ed, espancando o Eric... O que será que vai acontecer? Mandem reviews, que eu prometo que posto mais rápido (essa semana ainda)... Me desculpem pelos erros :/
Beijos ficnets, e até o próximo capítulo :*
