Segunda parte – As pedras de casa

K de paus - A CARA DE PAUS

Ed. Pov

Bem, devo dizer que estou orgulhoso de mim mesmo. Tinham três nomes gravados naquele pedregulho no meio das pedras, e tenho certeza de que consegui dar conta de tudo.

Vou até o rio e Porteiro vem atrás de mim; a gente segue a contracorrente, pro lugar onde estão os nomes. A subida fica puxada pro Porteiro, então olho pra ele, decepcionado.

— Tinha que vir, né? Eu disse que tu não ia aguentar, mas não me deu ouvidos.

Vou esperar aqui, ele responde.

Dou uma batidinha no danado enquanto ele se deita e contínuo a subida. Quando escalo as pedras maiores, sinto um orgulho se apossando de mim. É bom pra caramba voltar lá vitorioso, depois da incerteza de minha primeira visita.

Já estamos pra lá do meio da tarde, mas não está fazendo calor, e assim, quando bato os olhos nos nomes, praticamente não estou suado.

Imediatamente, percebo que tem alguma coisa diferente. Os nomes são os mesmos, mas ao lado de cada um deles, tem um ok marcado, obviamente para cada vez que completei a tarefa.

Fico muito feliz de ver o primeiro nome.

Collin O'Reilly. Um ok bem grande.

Então Charlotte Carusso. Outro ok.

E daí...

Como assim?

Nem acredito quando vejo que o nome Eric Rose ainda está pelado, sem nenhum ok.

Paro ali, com o braço em volta do corpo, coçando as costas.

— O que ainda preciso fazer? — pergunto. — Mais concluída do que a mensagem do Eric Rose, impossível.

A resposta não deve estar longe.

Alguns dias se passam e estamos quase no final de novembro. O Jogo de Verão está se aproximando. O Emm não pára de me ligar, ainda bolado com minha aparente falta de interesse.

Chega dezembro, e duas noites antes do jogo ainda estou nervoso com o lance do Eric Rose sem o ok marcado na pedra. Já voltei lá outras vezes e nada. Fiquei na esperança de que a pessoa encarregada de marcar a pedra tivesse se atrasado, mas é impossível que três ou quatro dias se passassem. Duvido muito que a pessoa por trás de todo o esquema fosse dar um furo desses.

Não consigo dormir direito.

Porteiro está me irritando.

Mais uma vez sem dormir depois da quinta-feira, e então vou direto à farmácia 24 horas lá no início da rua principal pra comprar qualquer bagulho que me ajude a pegar no sono. Eu deveria ter guardado uns tranquilizantes daqueles que usei com o cara da Rua Edgar.

Quando saio da farmácia, vejo uns carinhas reunidos do outro lado da rua.

Quando vou me aproximando de casa, fica claro que eles estão me seguindo e, quando estamos todos parados num cruzamento esperando o sinal ficar verde, identifico a voz de Daniel Rose.

— É esse aí, Eric?

Tento reagir, mas eles são muitos, uns seis pelo menos. Os caras me arrastam para um beco e fazem comigo o que eu fiz com o Eric. Me socam com força, uns me seguram no chão enquanto os outros mandam ver, e assim vão se revezando na porradaria. Sinto o sangue escorrer pela minha cara e os hematomas aparecendo nas costelas, pernas e estômago. Eles se divertem.

— Isso é pra você ver o que acontece quando fodem com meu irmão — este é o Daniel Rose puxando papo. Ele me dá um chute bem forte na costela. Lealdade dói. — Vamos lá, Eric! Manda o último pra saideira!

Eric aceita a sugestão.

Dá um chute no meu estômago e mete um soco no meio da minha cara.

E saem correndo pela noite.

Quanto a mim, eu tento me levantar, mas não consigo.

Vou me arrastando pra casa e sinto que encerrei um ciclo desde quando recebi o ás de paus.

Quando entro cambaleando pela porta. Porteiro olha todo chocado. Quase que preocupado. Só consigo balançar a cabeça, dar um sorrisinho amarelo de dor e garantir pra ele que estou bem. Imagino que, enquanto toda essa parada está rolando, estão marcando um ok bem grande na pedra ao lado do nome Gavin Rose. Agora acabou.

Mais tarde naquela noite, olho no espelho do banheiro.

Dois olhos roxos.

Queixo inchado.

Sangue escorrendo pelo pescoço.

Eu me olho e faço um esforço do cacete pra sorrir.

Mandou bem, Ed, digo a mim mesmo, e dou uma última olhadinha na minha cara quebrada e ensanguentada.

Olho esquisito pra cara de paus.

N/A: Coitado do Ed (apesardelemerecer).. Então gente demorei muito né? Me desculpem, mesmo, as coisas na escola e aqui em casa não estavam fáceis. Maaaaaas o importante é que eu voltei \o/