HISTÓRIA 01
- TERRA DA PARTIDA -
O velho senhor olhava para o céu. Aquele local desolado, obscurecido pela noite, estava completamente vazio, exceto pelo vento. O céu, entretanto, estava cheio de milhares e milhares de estrelas. Uma das estrelas pareceu brilhar mais do que o resto — e então, ela deslizou pelo céu, caindo.
O velho já sabia que haveriam estrelas cadentes naquela noite. Em cada estrela residia um mundo. O cair de uma estrela significava que seu mundo estava sofrendo mudanças.
?: Wicca — já está preparado?
Havia um garoto ao lado do velho. O garoto, Wicca, também olhava para as estrelas cadentes acima. Seu cabelo era tão negro quanto a escuridão da noite. O velho pôs uma mão sobre o ombro de Wicca.
?: Vamos levantar cedo amanhã, então vá descansar um pouco.
Um pequeno brilho tomou conta dos olhos de Wicca, como se ele houvesse percebido alguma coisa.
Wicca: Você sabe que eu não tô nem aí de ficar sem dormir por um dia ou dois.
Ele sorriu. O velho — Mestre Vourath — fez o mesmo.
Vourath: Nossa história começa agora, Wicca.
Wicca: História? Tá no papo.
Wicca pôs a máscara que esteve segurando ao seu lado, e então, voltou a olhar as estrelas. O velho riu, como se zombasse dele.
E as estrelas começaram a correr pelo céu. Uma — duas, três...
{ . . . }
Um garoto olhava para o teto de seu quarto, em transe. Penetrantes olhos azuis se escondiam por baixo de um razoavelmente longo cabelo dourado.
Eu tenho que pegar no sono logo.
Mas não importa o quanto tente fazê-lo,
eu não consigo dormir. Tem tantas coisas
passando pela minha cabeça. Amanhã
é o Teste da Marca da Maestria.
Entretanto, não era o garoto quem iria prestar o exame. Eram seus dois melhores amigos. O título de Mestre — como chamavam os Mestres da Chave-Espada — era dado tão e somente aos guerreiros mais dignos que portavam uma Chave-Espada.
O garoto — Wind — sentou-se em sua cama, num suspiro. Ele e seus dois amigos estavam trabalhando duro para se tornarem Mestres da Chave-Espada, treinando todo dia. Ambos eram mais velhos que Wind, ou Wii, como chamavam, e ele não tinha nenhum ressentimento pelo fato de que seus dois amigos, que já treinavam há realmente muito tempo, fossem fazer o exame antes dele. Porém, ele sentia algum tipo de mau pressentimento.
Estou preocupado. Mas
não sei por quê. Não tem como
meus dois amigos — Dark e
Light — falharem no exame. Mas
mesmo assim, não consigo
me livrar desse pressentimento.
Foi quando algo brilhou do lado de fora de sua janela.
Wind: Uma chuva de meteoros!
Wind olhou para o céu, seu rosto praticamente colado na vidraça da janela. Uma infinidade de estrelas cadentes cruzava o céu, numa grandiosa chuva de meteoros. Ele queria vê-las de perto.
Eu sinto como se já
tivesse visto isso antes...
Wind saiu correndo de seu quarto e desceu as escadas, seguindo para o jardim, aonde olhou novamente para o céu. Ele conseguia ver as estrelas caindo dentre as silhuetas das montanhas ao longe, mas não tinha uma boa vista dali.
Wind saiu correndo outra vez. Ele queria vê-las ainda mais de perto. Talvez ele pudesse vê-las ainda melhor se fosse para algum lugar mais perto do céu. Ele subiu uma colina que levava ao topo de uma montanha, ofegando para respirar. O ar noturno era um tanto quanto gelado. Chegando ao topo da colina, Wind deu um suspiro de alívio.
Wind: Wuhh... uh —
Com ambos os braços erguidos para o alto, na direção do céu, como se tentando agarrar as estrelas, Wind lançou-se para trás e caiu na grama. O céu estrelado cobria todo o seu campo de visão, e ele sentia como se estivesse sendo levado por ele. Estrelas por toda parte — e aquela bela chuva de meteoros.
Wind: Por que isso me parece tão familiar...?
É o que eu sinto. Mas não
sei por quê. Essa sensação, como
se eu estivesse sendo engolido pelo
céu noturno. Ela é — familiar.
{ . . . }
Com o coração palpitando, Light fechou os olhos. Seu curto cabelo azulado formava sombras em suas bochechas. Mesmo depois do término do treino, Light resolvera ficar no campo, ainda com a Chave-Espada em mãos. Ela estava num lugar a meio caminho do topo de uma montanha nos confins do mundo, local onde todos recebiam suas lições juntos. Mesmo após o sol ter se posto, ela continuava a trabalhar duro em seu treinamento.
Se tornar um Mestre da Chave-Espada
É como ter o seu coração testado.
Mas o meu coração está batendo tão
Forte. Não tem como eu ser digna
de me tornar uma Mestra, com certeza.
As mãos de Light se tranquilizaram e ela se sentou numa grande rocha. E então, ela pegou pequenos pendentes brilhantes de seu bolso. Eram amuletos, de um formato bastante bonito — três, cada um de uma cor diferente. Um para ela, um para Dark, e um para Wind. Amuletos de Reencontro.
Quando foi que eu ouvi essa lenda?
O fato é que eu acredito nela, e
fiz esses amuletos porque estou
preocupada. Muitíssimo preocupada.
Ela olhou para o alto e viu — estrelas cadentes riscando todo o céu acima de si. Era uma chuva de meteoros.
Light: Que bonito...
Num murmuro, Light abraçou seus joelhos. Estrela após estrela, elas iam despencando do céu.
Está tudo bem. Eu só estou um
pouco estressada por causa do exame.
Foi quando Light se virou, sentindo uma presença atrás de si. Wind estava correndo pela colina que levava ao topo da montanha.
Ele com certeza deve estar
querendo ver a chuva de meteoros.
Light se levantou, com um gentil sorriso estampado no rosto. Guardando os amuletos novamente em seu bolso, ela lentamente seguiu montanha acima, atrás de Wind. Ao topo da colina, ela pôde ver aquele imenso céu, cheio de estrelas — e um adormecido Wind, completamente estirado sobre a grama.
Light se aproximou, roubando um olhar sobre o rosto adormecido de Wind.
Ele só levou um instante para cair
no sono assim? Esse rosto adormecido
me lembra de quando o Wii chegou
aqui. Nós estávamos tão preocupados com
o fato de que ele não despertava.
Foi quando Wind repentinamente abriu os olhos.
Wind: Argh!
Assustado, ele se sentou, e Light acidentalmente desandou em risada.
Wind: Dá um tempo, Light.
Light: Wii, seu dorminhoco sem jeito. Você sabe que devia ter trazido pelo menos um cobertor.
Retornando a sua consciência, Wind coçou a cabeça e logo voltou a olhar para o céu.
Wind: Mas — será que eu sonhei com aquele lugar? Eu sentia tanto que já estive lá antes... observando as estrelas...
Light sentiu um fragmento de preocupação preencher seu coração. Mais uma vez, ela se lembrou de como Wind estava quando chegara lá.
Aquele lugar? Wii definitivamente
não é daqui. Mas nem eu e nem o Dark
sabemos de onde ele veio. Nem o
Wii sabe — bem, eu acho que nos foi
dito que ele havia perdido todas as suas
memórias de antes de vir para cá.
Light sorriu, tentando encobrir seus pensamentos. Ela deu um cafuné na cabeça de Wind.
Light: Só que você sempre viveu aqui, conosco.
Wind consentiu.
Wind: É... tem razão.
Ele abaixou a cabeça por um momento, antes de se erguer novamente. E então, com os olhos no céu, ele seguiu em direção à beira do penhasco e sentou-se. Light foi até lá para ficar ao seu lado.
Wind: Ei, Light.
Wind ainda olhava para o céu. Light se sentou ao seu lado e lhe olhou no rosto. Com o olhar fixado no céu estrelado, ele enfim perguntou.
Wind: Eu estive me perguntando — o que são as estrelas? De onde é que vem essa luz?
Estrelas... luz...
e escuridão.
Era uma pergunta difícil. Light parecia escolher as palavras.
Light: Uhm... bem, dizem que —
?: Toda estrela lá em cima é outro mundo.
Uma pequena voz, bem tranquila, veio de trás deles, tomando o controle da resposta que Light não soube como dar.
Essa é a voz do Dark.
Virando-se, Light viu Dark caminhando lentamente na direção deles. Ele parou logo atrás de onde ela e Wind estavam sentados, observando o grandioso céu estrelado.
Dark: Pois é, difícil de acreditar que tem tantos mundos lá fora além do nosso. A luz é seus corações, que brilham para nós como um milhão de lanternas.
Escutando as palavras de Dark, Light também olhou para o céu.
Sim, a luz é o brilho dos corações
dos mundos. Toda a esperança e desejos
das pessoas que vivem nos mundos.
Wind inclinou a cabeça. Ele não parecia entender muito bem o que Dark estava tentando dizer.
Wind: O quê? Eu não compreendo.
Dark: Em outras palavras, elas são como você, Wii.
Com a resposta de Dark, Light sentiu um aperto no coração.
É, pode-se dizer que o
Wii é a nossa luz.
Wind: O que você quer dizer com isso?
De sobrancelhas dobradas, Wind parecia entender menos ainda.
Dark: Algum dia você vai descobrir, sei disso.
Dark abriu um sorriso brincalhão, mas Wind pareceu insatisfeito.
Wind: Eu quero saber agora!
Dark: Você é muito novo para entender.
Wind: Para de me tratar como uma criança!
Os dois brigavam como verdadeiros irmãos, e isso fez com que Light desse uma risada.
Dark: Ei, do que é que você tá rindo?
Light: Não dá pra evitar. Vocês dois dariam os irmãos mais estranhos.
Soava ainda mais estranho quando ela dizia isso alto, e ela continuou a rir.
Wind: Não tem graça, Light!
Wind se juntou a conversa, parecendo descontente, mas sua voz estava entrelaçada com um sorriso. Dark não pôde evitar uma risada, e Wind não pôde segurar seu olhar irritado e caiu na risada.
Eu queria que nós três
pudéssemos rir juntos desse
jeito para sempre...
Suas vozes ressonaram por todo o céu estrelado acima deles.
{ . . . }
Parece que nenhum
de nós conseguiu dormir.
Sentindo-se um pouco acalmado, Dark olhou para as costas de seus dois amigos, que observavam as estrelas.
Como não havia conseguido pegar no sono, Dark saíra do castelo para que pudesse pegar um ar noturno, e então viu a chuva de meteoros — e Wind, que corria como se tentasse alcançar as estrelas cadentes. Ele seguiu Wind até o topo da montanha, onde também se deparara com Light. Eles todos riram juntos, como sempre faziam, o que fez com que Dark se acalmasse com relação ao exame que teriam no dia seguinte.
E então, depois de terem rido por algum tempo, houve um momento de um confortável silêncio, enquanto os três continuaram sentados no penhasco.
Em cada uma de todas essas
estrelas reluzentes, há um mundo
onde muitas pessoas moram.
Light: Ah, é.
Light se levantou, virando-se para Dark enquanto o fazia.
Light: Dark, amanhã nós dois teremos o nosso Teste da Marca da Maestria. Então, eu fiz amuletos de boa sorte pra gente.
Light pegou algo brilhante de seu bolso.
O que são essas coisas, estrelas...? Não,
flores? Parecem feitas de cinco pétalas
brilhantes, mas também parecem estrelas.
Dark e Wind, que também haviam se levantado, pegaram, cada um, um dos amuletos que Light jogara para eles. O de Dark era laranja, e o de Wind era verde.
Wind: Eu também ganho um?
Light: É claro. Um para cada um.
E com a resposta, Light segurou uma estrela azul dentre seus dedos. Ela o pôs na palma da mão, seguida por Dark e Wind, que logo fizeram o mesmo. As três estrelas estavam alinhadas. Apertando sua estrela azul, Light começou a recordar-se de uma história.
Light: Em algum lugar lá fora, tem uma árvore com uma fruta em forma de estrela... e essa fruta representa uma conexão inquebrável.
Light olhou para o céu.
Light: Então, enquanto você e seus amigos levarem consigo amuletos de boa sorte com esta mesma forma, nada jamais poderá separá-los. Vocês sempre conseguirão encontrar o caminho de volta um para o outro.
Ela enfim se voltou para Dark e Wind, sorrindo.
Light: Tecnicamente, creio que era para eles serem feitos com conchas do mar, mas eu fiz o melhor que pude com o que tinha em mãos.
Light encolheu os ombros, o que fez Dark querer provocá-la. Ele ergueu seu amuleto, que emitiu um brilho alaranjado, para o céu.
Dark: Sabe, às vezes você parece tanto uma menininha.
Light: Ei, o que você quer dizer com "às vezes"?
Dark deu uma risada, sem prestar atenção no olhar descontente de Light.
Light sabe usar sua Chave-Espada e magias tão
bem quanto eu. Não, talvez até melhor. Light
é excelente em tudo. É por isso que eu estou um
pouco preocupado. Será que eu vou mesmo
conseguir me tornar um Mestre amanhã? Se no
final apenas um de nós dois possa se tornar um
Mestre, acho que, talvez, quem mais mereça seja —
Wind: Então eles não são amuletos de boa sorte de verdade?
As palavras de Wind tiraram Dark de seus pensamentos.
Light: Bem, isso nós ainda vamos ver. Mas eu usei uma magia neles.
Um sorriso bastante feliz surgiu no rosto de Wind.
Wind: Sério? Que tipo de magia?
Light: Uma conexão inquebrável.
Light ergueu seu amuleto azul para o céu.
Light: Não importa aonde estivermos, nós estamos conectados. O poder de nossa conexão sempre nos reunirá.
Wind também ergueu o seu amuleto na direção do céu estrelado.
Nossa conexão jamais se quebraria, mesmo
sem a ajuda de um amuleto. Mas a Light também
está preocupada com o exame de amanhã.
Dark: Bem, o exame é amanhã. Alguém tá afim de um assalto?
Uma Chave-Espada surgiu na mão de Dark. Wind abriu um sorriso, voltando-se alegremente para ele. Atirando o amuleto em seu bolso, ele encarou Dark cara-a-cara.
Wind: Eu te enfrento!
Wind se lançou contra ele. A Chave-Espada de Wind era rápida, mas leve. Eles chocaram suas Chaves-Espadas, tendo que usar a força para criar algum tipo de abertura. Dark parecia sobrepujar Wind.
Wind: Para de pegar leve comigo! Você não vai me vencer se não se mantiver na ofensiva!
Reclamando, Wind o golpeou com sua Chave-Espada. Pelo canto do olho, Dark percebeu que Light estava assistindo e rindo.
Amanha, eu e Light teremos que
cruzar Chaves-Espadas. Eu sei disso.
E não só isso, mas vamos ter que dar
tudo de nós, com toda a seriedade.
Dark pôs toda a força em sua Chave-Espada — e a Chave-Espada de Wind foi jogada longe.
Wind: Wah!
Wind caiu de bunda no chão. Escondendo por completo o fato de que havia perdido o rumo por um instante, Dark ajudou Wind a se levantar.
Dark: Você só precisa de um pouco mais de experiência.
Wind: Pfft.
De pé, Wind retirava a areia do corpo, quando Light se aproximou e invocou sua Chave-Espada.
Será que ela realmente
quer que cruzemos Chaves-
Espadas aqui e agora?
Light: Muito bem, agora serei eu contra você, Wind.
Ela escolheu o Wind.
Dark sentiu algo que não sabia como descrever, alguma coisa entre alívio e decepção, passando rapidamente por seu coração.
Wind saiu correndo, sua Chave-Espada em mãos novamente.
Wind: Dessa vez, eu não vou perder!
Como antes, Wind não foi páreo para Light. Ela habilidosamente desviou de seus golpes, e lançou pequenos disparos mágicos contra ele. A batalha foi decidida num instante. Wind tropeçou enquanto tentava esquivar de uma magia — que, no final das contas, o acabou atingindo do mesmo jeito.
Light: Você está bem?
Preocupada, Light correu até ele com toda a pressa, mas Wind se pôs de pé sem qualquer ajuda, a Chave-Espada em mãos.
Wind: Essa não contou. Vamos de novo!
Ao longe, Dark parecia rir de Wind.
Dark: Acho que você precisa treinar um pouco mais.
Wind: Nããão, eu só tropecei!
Dark: Ainda assim, ela continua sendo a vencedora.
Dark sorriu, e num pequeno suspiro, Wind pôs sua Chave-Espada de lado e fez o mesmo.
Wind: Acreditem, vocês estão prontos. Vocês vão arrasar amanhã, nesse exame.
Dark: Espero que seja fácil assim.
Com as palavras de Dark, Light também pôs sua Chave-Espada de lado, seu rosto tomado por um misto de expressões.
Light: É como o Mestre disse. O verdadeiro poder nasce dentro do coração.
É uma questão de coração. Para ser
um Mestre da Chave-Espada, o necessário
não é força, é o coração — bondade e
justiça, creio que seja o certo a dizer. Mas...
Light: Quando chegar a hora, você só precisará olhar dentro de si mesmo... e o encontrará lá, Wii. Perder uma batalha por ter tropeçado fora do comum.
Wind: Isso é maldade!
Light riu, e Dark sentiu uma forte dor no peito.
Mas... as palavras de Light também poderiam
muito bem ser direcionadas para mim.
Essa dor que estou sentindo — é o meu coração.
Tentando livrar-se de suas preocupações, Dark olhou para o céu estrelado.
Todas essas estrelas brilhantes. Esse brilho
representa a luz do coração das
pessoas. No fim, acho que eu vou ficar bem.
Como se para pressionar seus amigos, Dark começou a caminhar.
Dark: Ei, vamos voltar.
Wind: É, vamos sim!
Consentindo, Wind saiu correndo atrás dele. Parando por um instante, Light ergueu o olhar para ver o céu noturno. Em suas mãos, ela segurava o amuleto da conexão.
Light: Juntos — sempre.
Notando que ela havia parado, Dark e Wind fizeram o mesmo, observando o céu noturno. Estrelas cadentes voltaram a cruzar o céu.
— "Esta seria a última noite que passaríamos sob as mesmas estrelas."
Light: Vamos indo?
Diante das palavras de Light, Dark e Wind rapidamente trocaram um olhar, antes de consentirem. E então, os três seguiram de volta para o castelo.
{ . . . }
Num lugar obscuro, com furiosas ondas tentando derrubá-lo, Mickey estava montado sobre um livro de mágica. Sendo aprendiz de um grande feiticeiro — não, sendo alguém que tentava se tornar um Mestre da Chave-Espada, seu treinamento se tratava de uma difícil e árdua jornada, que já durava muitos dias. E além disso, Mickey não poderia exatamente ser considerando um ótimo aprendiz.
De repente, as ondas começaram a quebrar para o lado oposto, e Mickey foi lançado para fora do livro.
Eu vou me afogar —!
No mesmo instante, ele estava caído no chão, sem qualquer indício de que sequer havia água no local. Yen Sid, o grande feiticeiro, e também o professor de Mickey, o encarou com olhos perturbados. Levantando-se, Mickey coçou a cabeça, esperando pelas palavras de seu mestre.
Yen Sid: Mickey... não consigo deixar de pressentir que algo terrível está prestes a transcorrer.
Mickey não esperava por isso.
O que será que ele quer dizer
com "algo terrível"?
O céu estrelado que conectava todos os mundos podia ser visto da janela da torre solene que servia como sua base de treinamento. Das muitas estrelas daquele céu, havia algumas que se sobressaiam quanto ao forte brilho que emitiam — três delas, na verdade.
{ . . . }
Um céu que não mostrava qualquer nuvem abriu aquela refrescante manhã. Tendo dormido um pouco, Wind rapidamente seguia para o salão aonde ocorreria o exame. A brilhante luz do sol se lançava para dentro da sala pelo vitral colorido que decorava o salão.
Dark e Light já estavam alinhados. Haviam três cadeiras diante do salão, e na da esquerda estava sentado o homem que servira de professor para esses três jovens, Mestre Subliminal. Não havia ninguém sentado na cadeira do meio, e na da direita sentava-se um velho homem que Wind nunca havia visto antes. Ele tinha a cabeça careca, barba, e brilhantes olhos dourados. Wind sentiu um frio na espinha e se ajeitou, sentindo que aqueles olhos perturbadores se moveram para encará-lo.
Wind timidamente olhou para o velho mais uma vez. De alguma forma, ele se sentia... estranho. Mas não conseguia entender por que. Foi quando ele escutou a voz de Mestre Subliminal ecoando pelo salão.
Subliminal: Hoje, vocês serão examinados pela Marca da Maestria.
Dark, Light, e até mesmo Wind, sentiram suas colunas ficando rígidas como uma árvore. Mestre Subliminal tinha fartos cabelos negros, amarrados para trás, e cuidava da barba para estar sempre com seus dignos bigode e cavanhaque. Podia-se sentir, ao seu redor, uma atmosfera mais solene do que o normal.
Subliminal: Não um, mas dois dos escolhidos da Chave-Espada estão aqui como candidatos... mas isto não se trata nem de uma competição, e nem de uma batalha por supremacia — não é um teste para suas vontades, mas para seus corações. No fim, ambos podem prevalecer, ou nenhum.
Subliminal olhou para Dark e Light, um de cada vez, e então se voltou para o velho, que consentiu em silêncio.
Subliminal: Mas tenho certeza que nosso convidado, Mestre Vourath... não viajou todo este caminho até aqui para ver nossas jovens esperanças de anos falharem diante da Marca. Acredito que estejam prontos.
Dark: Sim, Mestre.
Light: Sim, Mestre.
Enquanto os dois ouviam cuidadosamente as palavras do Mestre, Wind não conseguia tirar os olhos do rosto de Vourath.
Então, esse velho é o Mestre Vourath. Eu já
ouvi esse nome antes. Se esse é o caso, então
é por isso que eu estou com essa estranha sensação
da qual me lembrei? O fato é que tenho certeza
de que nunca me encontrei com ele antes —
Subliminal: Assim sendo, que o Teste da Marca da Maestria comece.
As palavras do Mestre fizeram Wind sair de seus pensamentos, ajeitando-se por uma terceira vez. Chegara a hora.
Mestre Subliminal invocou sua Chave-Espada em mãos e, erguendo-a, fez diversas esferas de luz surgirem no salão. Dark e Light empunharam suas Chaves-Espadas. E então — por uma fração de segundo, Wind pôde sentir alguma outra presença estremecer pelo ar.
O quê?
As esferas de luz que foram feitas para testar Dark e Light começaram a ir na direção de Wind. Mestre Subliminal, Dark e Light se lançaram em ação.
Light: Wii!
Dark: Wii!
Mas antes que pudessem fazer qualquer coisa, Wind invocou sua própria Chave-Espada em mãos, destruindo uma esfera mais próxima.
Wind: Não se preocupem comigo. Concentrem-se no exame, vocês dois!
Isso aqui não vai nem
me fazer suar.
Light: Mas, Wii, você corre perigo aqui! Vá esperar no seu quarto.
Light parecia preocupada, mesmo enquanto golpeava as esferas de luz em sua frente com a Chave-Espada. Ela correu na direção de Wind, que ia destruindo mais das esferas de luz que o perseguiam.
Wind: De jeito nenhum! Eu esperei muito por esse momento — para ver vocês dois se tornarem Mestres. Eu não vou perder isso agora!
Dark encarou as outras esferas de luz, que agora os cercavam.
Dark: Wii pode cuidar de si mesmo. Ele tem treinado tão duro quanto nós dois.
Wind: Isso aí!
Ouvir o Dark dizer isso
me deixa tão feliz.
Light: Toma cuidado, Wii.
Wind: Pode deixar!
Mas eu também não deixo de gostar da
Light por ela se preocupar comigo.
E então, os três se lançaram contra suas próprias esferas de luz.
{ . . . }
Por que... o Wii foi arrastado
para dentro disto, sendo que o exame
deveria ter sido só para nós dois?
Depois que todas as esferas de luz haviam sido destruídas, Light encarou Mestre Subliminal.
Não tinha como aquelas esferas
de luz se voltarem para o Wii, que não
era nem um candidato do exame.
Wind estava no canto do salão, ofegante, mas com um olhar um tanto quanto orgulhoso em seu rosto.
Eu não gosto de vê-lo se arriscando
desse jeito. Mas tem vezes que não tem como
evitar, afinal, ele está treinando para poder se
tornar um Mestre da Chave-Espada.
Ainda assim, Light se preocupava com Wind.
O que será que o Dark
está pensando?
Subliminal: Isso foi inesperado... mas é necessário que se mantenha um coração tranquilo mesmo nas mais tentadoras circunstâncias. Este teste foi excelente, um teste que decidi deixar em aberto. O que nos leva ao seu próximo desafio.
Com as palavras de seu mestre, Light se ajeitou.
Eu provavelmente fui a que fiquei mais
abalada dentre todos aqui. Isso é porque meu
coração é imaturo. Bem, isso só significa
que eu ainda não treinei o suficiente.
Um Mestre não pode fracassar com suas
tarefas. Se for o caso, talvez aquelas
esferas de luz tenham se voltado para o Wii
porque o Mestre quis que elas o fizessem.
Subliminal: Agora, Dark e Light, vocês dois se enfrentarão em combate. Lembrem-se, não há vencedores — apenas verdades, pois quando poderes equivalentes vão um de encontro ao outro, sua verdadeira natureza é revelada.
Nossa verdadeira natureza... poderes equivalentes
que colidem — nossa habilidade diante de um oponente.
Tudo isso é medido pela força de nossos corações.
Light olhou para Dark, ficando alerta ao ver aquela expressão perfeitamente contida em seu rosto e, imóvel, virou-se para encará-lo. Dark fez o mesmo.
Subliminal: Comecem!
No exato momento que ouviram suas palavras, Light e Dark se lançaram um para cima do outro, Chaves-Espadas em mãos.
{ . . . }
Faíscas voaram. O choque do impacto os fez tremular até a ponta dos pés.
Faz muito tempo que eu não
sinto a Light dando o seu melhor.
Dark começava a acreditar que talvez não fosse páreo para o poder dela.
O que falta em mim? Será poder?
Ou muitas outras coisas?
Dark recuou por um segundo, retomando seu fôlego. Light acabou com o vão entre eles no mesmo instante. Suas Chaves-Espadas se chocaram novamente, e faíscas voaram.
Eu não quero perder. Eu não
posso me permitir perder.
Ele golpeou a Chave-Espada de Light com toda a sua força, abrindo uma distância entre os dois novamente.
Mais poder... eu quero poder.
Dark cerrou o punho. E então, um grandioso poder brotou de sua mão —
O que é esse poder?
Esse misterioso e desconhecido poder se ergueu ao redor de Dark.
Ele, de alguma forma... me
parece... ameaçador —
Sentindo-se inseguro, Dark abriu a palma da mão, tentando conter o poder. Foi quando a voz de Mestre Subliminal ecoou pelo salão.
Subliminal: Já basta.
Light estava olhando nos olhos de Dark. Em resposta, Dark consentiu e logo pôs sua Chave-Espada de lado, retornando ao posto em que estava anteriormente.
Eu — não, acho que eu fui bem. Eu lutei tão
duro quanto pude. Eu usei toda a minha força.
Com uma expressão bastante séria em seu rosto, Mestre Subliminal deu um passo em frente. Mestre Vourath estava logo atrás dele.
Subliminal: Nós debatemos e chegamos a uma decisão. Dark, Light, os dois foram de uma atuação digna. Entretanto — apenas Light apresentou a Marca da Maestria.
Dark sentiu um aperto no peito.
Não pode ser. Não... pode.
Subliminal: Dark, você não foi capaz de manter a escuridão que há dentro de você suficientemente sob controle.
Então quer dizer que aquele era o poder
da escuridão. Aquele poder... isso
significa que há escuridão no meu coração?
Subliminal: Mas haverá sempre uma próxima vez — isso é tudo. Light, como nossa mais nova Mestra da Chave-Espada, a você será designada certa sabedoria. Peço que aguarde aqui para maiores instruções.
Mestre Subliminal se foi.
Mas eu não consigo me lembrar
de suas últimas palavras. Wind
está correndo para cá. Mestre
Vourath acabou de sair do salão.
Light está olhando para mim. O salão
está terrivelmente quieto, e eu estou
sentindo uma certa dor no peito.
Light: Ei...
Wind: Dark, eu sinto muito...
Dark não conseguia falar com nenhum deles naquele momento.
Dark: A escuridão... de onde ela veio?
Ele olhou para os dois por um instante.
Dark: — Desculpem... mas eu preciso de um tempo sozinho.
E virando as costas para seus amigos, Dark deixou o local sozinho.
{ . . . }
Como se esperasse que Mestre Vourath deixasse o salão, um sujeito estava parado nos confins do castelo.
?: Huh...
O sujeito — Wicca — bufou. Parecia que ele também estivera assistindo ao Teste da Marca da Maestria. Entretanto, Mestre Vourath não parou diante da atitude de Wicca.
Vourath: O que achou do Wind?
Wicca deu uma risada.
Wicca: Ele não vai dar em nada. Alguém tem que intervir com aquele perdedor.
Vourath: Não, você não fará nada aqui. Eu tenho que manter as aparências.
Wicca: Eu sei disso. Ele só precisa de um pequeno incentivo para sair de casa.
Wicca colocou novamente a máscara que havia retirado, com um sorriso no rosto, e partiu. Olhando diretamente para suas costas, a boca de Mestre Vourath se retorceu para formar um sorriso.
Os mundos haviam começado a se mover, e para mergulhá-los mais afundo no caos, ainda havia trabalho a ser feito.
{ . . . }
Tendo deixado o salão, Dark se sentou nos degraus de pedra que levavam ao jardim. Ele olhava para a palma de sua mão.
O que mais me deixa preocupado — não, o que me
deixa com medo — não é como eu fui no Teste
da Marca da Maestria, mas o fato de aquele poder
que eu acolhi por um instante era o poder da
escuridão. Eu sei também que doloroso fim tem
aqueles que são tomados pela escuridão.
Esse poder... está em mim. Eu aprendi que é
necessário força para que se supere a
escuridão dentro do coração. Um coração
forte... não, uma força de natureza. Se
eu disciplinar minhas habilidades físicas, o
meu coração se tornará naturalmente
forte, também. E, da mesma forma, se eu
disciplinar a força do meu coração, então minha
habilidade com a Chave-Espada se tornará
maior. Foi isso o que eu aprendi. Eu tenho a força.
Há escuridão dentro de mim… mas e daí?
Eu sei que sou forte o suficiente para contê-la.
?: Sim — você certamente é forte.
Aquele chamado inesperado fez Dark se virar para ver de onde vinha tal voz. E então, Dark se levantou — diante de Mestre Vourath.
Vourath: Não há porque temer a escuridão.
É verdade. Se eu for forte, não há razão
para eu ter medo da escuridão.
Dark automaticamente o reverenciou.
Dark: Mestre Vourath...
Vourath: Ainda assim... é realmente frustrante como o Sub refuta este poder. Ora, você poderia treinar com ele eternamente... e mesmo assim, você nunca seria um Mestre aos olhos dele.
Mestre Vourath lentamente consentiu, e começou a andar, as costas voltadas para Dark, que o seguia.
Se o Mestre Vourath de fato reconhece minha
força, então eu tenho o pressentimento de
que talvez ele possa me libertar deste
medo. Do medo que eu tenho da escuridão.
Dark: Mas por quê? Eu preciso que o senhor me ajude a entender, Mestre Vourath! Em quê eu falhei a aprender?
Mestre Vourath lentamente se voltou para Dark.
Vourath: Você já está ótimo desse jeito. A escuridão não pode ser destruída. Pode somente ser canalizada.
Canalizar o poder da escuridão
para poder controlá-lo —
Dark: Sim. Obrigado, Mestre Vourath.
Dark se ajoelhou diante dele. Pondo uma das mãos sobre o ombro de Dark, Mestre Vourath sorriu — e então, voltou para dentro do castelo. Ainda de joelhos, Dark olhou para o chão.
{ . . . }
Dark...
Light olhava para a imagem moldada no chão, a cabeça baixa em reverência.
Subliminal: ...de tal forma, como agora você é uma Mestra da Chave-Espada, você deve estar sempre consciente que...
Eu não consigo manter as palavras do
Mestre Subliminal na minha cabeça de
jeito nenhum. Eu fui nomeada uma Mestra,
mas estou muito mais preocupada com
o Dark do que feliz com relação a isso.
Pode ser estranho, mas — eu me senti
excitada durante a luta. Algo que eu não
deveria me permitir, ainda mais em público.
Só espero que ninguém tenha notado.
Foi quando um sino que ela nunca havia ouvido antes começou a tocar.
Este não é o sino que avisa quando algo
fora do comum está acontecendo aos
mundos? Quem será que o está tocando?
Subliminal: O que será isso?
Mestre Subliminal se virou para verificar um pedestal aos fundos do salão. Uma forte luz começou a brilhar de um espelho que estava atrás do pedestal. Ele encarou o espelho, e começou a dizer alguma coisa. Light sabia que o espelho era usado para contatar outros mundos, mas nunca havia visto Mestre Subliminal usá-lo para falar com alguém antes.
O que estará acontecendo?
Olhando ansiosamente para as costas de Mestre Subliminal, Light ouviu a porta do salão sendo aberta atrás de si. Dark veio correndo até Light, alinhando-se ao seu lado. Ele não tirou os olhos do Mestre nem por um instante.
Dark: O que houve?
Light: Eu não sei. Por que o Wii ainda não veio?
Se o sino tocar, todos temos
que nos reunir no salão.
Light olhou para a porta, preocupação estampada em seu rosto.
Subliminal: Muito bem, então. Eu mandarei meus pupilos para investigar — Sim, eu compreendo. Adeus.
Com a resposta, a luz do espelho foi se apagando, a conexão sendo cortada enquanto Mestre Subliminal se voltava para os dois. Dark e Light pareciam bastante tensos.
Subliminal: Era o meu querido e velho amigo, Yen Sid. Como sabem, ele já não é mais um Mestre, mas está sempre de olho nos fluxos da luz e da escuridão. Seus aconselhamentos servem como guias para o caminho que nós, portadores de uma Chave-Espada, devemos seguir.
Yen Sid... eu já ouvi seu nome.
Ele é um grande feiticeiro.
Subliminal: Mas há algo, porém, com o que se preocupar — pois como ele próprio me relatou, as Princesas de Coração correm perigo. Não tão e somente por conta das forças das trevas, como devem presumir... mas também por conta de uma nova ameaça — uma que se alimenta da negatividade. Emoções joviais que tomam uma forma monstruosa — Yen Sid os chama de "Insensatos".
Insensatos... seres que surgem
de emoções negativas. O que serão...?
Subliminal: Como portadores da Chave-Espada, vocês tem a tarefa de derrotar a qualquer um que perturbe o balanço da luz e da escuridão. Os Insensatos não são exceção. Eu tentei repassar a notícia para o Mestre Vourath, mas minhas múltiplas tentativas de localizá-lo falharam. Duvido que haja qualquer conexão, mas ainda assim... isso tudo está me inquietando.
Tanto Light quanto Dark falharam em ocultar o choque.
Ele não conseguiu contatar o
Mestre Vourath, que eu acreditava
estar aqui há um segundo atrás...
Dark baixou o olhar.
Dark: Mestre Vourath se foi...?
Subliminal continuou.
Subliminal: E aqui estamos nós. Preciso que vocês dois mantenham essa situação sob controle. Eliminem os Insensatos e encontrem o Mestre Vourath. Eu liberei as Travessias de Intermédio. Vocês poderão se utilizar destes caminhos proibidos para viajar entre este mundo e inúmeros outros. A escuridão tentará se aproximar mais do que o normal nessas passagens, mas suas armaduras os protegerão. Por fim, lembrem-se que a ordem deve ser mantida. Vocês não podem dizer a ninguém que existem outros mundos. Agora vão, e cumpram com seu dever.
Dark: Sim, Mestre.
Light: Sim — Mestre.
Eu não estava esperando por isso. Nós nunca
havíamos recebido uma missão desse tipo
antes. Será que é por que eu sou uma Mestra
da Chave-Espada agora? Ainda assim, a
relação de tempo disso tudo é perfeita demais.
Sentindo que algum tipo de ameaça pairava sobre tudo isso, Light sentiu suor se formando em sua testa.
Subliminal: Dark.
Com o chamado, Dark se voltou para ele.
Subliminal: Considere isso uma oportunidade. Uma segunda chance para que eu mude de ideia.
Dark: O quê?
Dark falara completamente sem pensar, seu rosto tomado pela surpresa.
Subliminal: Você sabe, eu cuido de você como se fosse meu próprio filho. Se eu pudesse fazer do meu jeito, o nomearia um Mestre aqui e agora.
Mestre Subliminal fechou os olhos por um segundo, mas logo voltou a olhar para Dark.
Subliminal: Mas como poderia fazê-lo, vendo o quão você é obcecado pelo poder? Você não deve ter medo da derrota. Medo leva a obsessão pelo poder, e obsessão, por sua vez, chama pela escuridão. Você nunca pode se esquecer disso.
Dark consentiu, baixando a cabeça.
Dark: Obrigado, Mestre. Eu juro... eu não falharei com o senhor novamente.
O rosto de Dark, agora recuperado, estava vestido com uma expressão tensa e sinistra. Sentindo um tanto ansiosa, Light olhou para ele.
Por que estou me sentindo tão inquieta?
O Dark nunca seria tomado pela escuridão.
Light observou Dark, enquanto ele se virava e saia do salão, e então ela se voltou para Mestre Subliminal e o reverenciou.
Light: Mestre, é melhor eu seguir meu caminho.
Mestre Subliminal a deteve.
Subliminal: Espere, Light. Antes que parta, eu tenho outra — bom, podemos dizer que é uma solicitação, uma da mais alta prioridade.
Light o encarou.
Light: E o que seria?
Os olhos de Mestre Subliminal se encheram de água, e Light desviou o olhar com firmeza.
Subliminal: Eu disse ao Dark que esta poderia ser uma segunda chance para que ele apresentasse a Marca da Maestria... e eu falava sério. Entretanto, aquele vacilar obscuro que ele demonstrou durante o exame... eu consigo sentir essa escuridão presente dentro dele. Se ele vier a — se esses poderes vierem a se mostrar demais para ele, eu quero que você o traga para mim imediatamente. É para o próprio bem dele. Eu não conseguiria suportar a perda de nenhum de vocês para a escuridão.
Esta pequena, porém insondável escuridão que
se esconde dentro do Dark — talvez essa
inquietude que eu senti seja a mesma coisa da
qual o Mestre Subliminal estava falando.
Light: Mas é claro. Eu jamais deixaria isso acontecer. Eu prometo que trarei o Dark de volta. Só que dessa vez, você verá que ele tem o que é necessário para ser um Mestre.
Light juntou os lábios com força. Por um segundo, ela sentiu aquela mesma excitação que sentira durante a luta.
Eu jamais deixarei que isso
aconteça com ele.
Mestre Subliminal consentiu, um olhar sério em seu rosto.
Subliminal: Estou contando com você.
O Dark jamais seria tomado
pela escuridão. Ele não é tão
fraco quanto você pensa.
{ . . . }
Sem estar muito afim de ver a Light ser nomeada como Mestra, e sem saber o que exatamente dizer para o Dark, mesmo se o perseguisse, Wind voltou sozinho para seu quarto.
Ele se jogou em sua cama e ergueu uma espada de madeira com a forma de uma Chave-Espada. Era a espada de madeira com a qual ele treinara quando ainda não havia recebido sua Chave-Espada, e era preciosa para ele.
Por que será que o Dark não pôde
se tornar um Mestre? Eu tenho certeza
que o Dark e a Light são iguais.
Nesse momento, Wind ouviu o distante tocar de um sino.
Esse som — é o sino que nos avisa
quando alguma coisa fora do comum está
se passando com os mundos. Quando o
ouvimos, devemos nos reunir no salão.
Wind pulou da cama e seguiu na direção da porta — quando ouviu uma voz atrás de si.
?: É melhor se apressar, Wind — ou você nunca mais verá o Dark novamente.
Wind se virou. Até então, o quarto estava vazio, e ele sabia disso — mas ele se deparou com outra pessoa diante de si. Coberto por um uniforme de combate negro e por uma máscara que não demonstrava qualquer expressão e que passava um péssimo pressentimento, o garoto parecia ser do mesmo tamanho que Wind.
Wind não pareceu nada feliz com aquelas palavras — mas seus olhos logo se voltaram para o corpo do garoto. Ele era bastante forte, e o uniforme que vestia deixava isso bem evidente. Era quase... erótico.
Isso que eu estou sentindo... é exatamente
o que eu senti durante o exame. Quando eu vi
que a Light... era como eu e o Dark. Como é que
chamam...? Futanari, eu acho. Eu não sei se
deveria sentir isso pela Light... e muito menos
por esse cara — mas é o que aconteceu.
Wind: O quê? Cai na real. Eu posso ver o Dark quando eu bem entender.
O garoto — Wicca — deu uma risada por trás de sua máscara. Ele estava se apoiando em uma estante, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Wicca: Ah é, tipo agora? Ele está te deixando para trás. E quando você encontrá-lo... Dark já terá deixado de ser ele mesmo.
Wind não gostava nada da atitude dele, e nem do que estava dizendo. Então, erguendo a espada de madeira que tinha em mãos, Wind o encarou.
Wind: Olha — seja lá quem for — você não sabe de nada sobre o Dark. Nós dois sempre seremos uma equipe. Você tá tentando arrumar uma briga, é?
Dentre outra risada, Wicca começou a andar.
Wicca: Ah, vê se cresce. Isso é o que vocês chamam de amizade? Você nunca vai saber a verdade se não for lá fora para ver com os próprios olhos. Qual foi, o que é que você pode saber, ficando preso aqui sem ver nada além do que há nesse seu mundinho?
Wind virou as costas para ele por um momento. Nesse instante, Wicca abriu um Corredor das Trevas diante de si, passou por ele e, por fim, desapareceu.
O que diabos foi isso? E quem
era ele, afinal? Eu tô me sentindo muito,
mas realmente muito inseguro.
Wind saiu correndo do quarto, a espada de madeira ainda em suas mãos. Ele passou correndo pelas escadas e se lançou no pátio, procurando por Dark.
Lá está ele!
Ele correu até Dark.
Wind: Dark!
Bastante ofegante, Wind estava prestes a contar a Dark sobre o que aquele cara acabara de dizer, mas — Dark pôs a mão em sua cabeça, como se para pará-lo, e bagunçou seu cabelo.
Dark: Tá tudo bem.
Tá tudo bem? Mas eu nem sequer
pensei que você não estivesse bem.
Não é isso. Tudo o que eu queria
dizer era: "Ei, veio um cara no meu
quarto, dizendo que você ia deixar de
ser você. O que você acha que ele
tava querendo dizer com isso?"
Mas sem dar tempo para que Wind pudesse dizer qualquer coisa, Dark tocou uma parte de sua ombreira, e no mesmo instante, todo o seu corpo estava coberto por uma armadura. Em seguida, ele rapidamente lançou sua Chave-Espada no ar, e ela se transformou — mudando para o Modo de Voo. Com toda a agilidade, Dark se lançou para cima dela, Wind apenas o observando a corrente de movimentos que se seguiu. Wind foi incapaz de chamar por ele.
Mas ainda há tantas coisas
que eu quero te dizer —
Bem diante dos olhos de Wind, a Chave-Espada Planadora de Dark voou na direção de um buraco que surgiu no meio do ar — na direção de uma Travessia de Intermédio. Por alguma razão, as palavras que o garoto havia dito antes passaram pela mente de Wind.
"Você nunca vai saber a verdade se não for lá fora para ver com os próprios olhos."
Muito bem — eu vou ter
que ir também.
Wind tocou uma parte de sua ombreira, da mesma forma como Dark havia feito, e foi coberto por sua armadura. Então, ele lançou sua Chave-Espada para o alto, montando na Chave-Espada Planadora na qual ela se tornou. Antes de partir, ele pôde ouvir a voz de Light vindo do longe.
Light: Espera, Wii!
Mas eu tenho que ir. Tenho que
me encontrar com o Dark
novamente, para ver a verdade
com meus próprios olhos.
Voltando a seguir Dark, Wind se lançou na Travessia de Intermédio.
{ . . . }
Wicca observava enquanto Wind partia em sua jornada, parado no canto do pátio, e olhou para a abertura negra que levava as Travessias de Intermédio.
O dado já foi lançado. Não tem
por que me borrar com esse mané.
Wind com certeza vai seguir
de acordo com o plano. Assim
como eu sei que o Mestre Vourath
tá fazendo o que tem que ser
feito nesse exato momento.
Light: Espera, Wii!
Ouvindo a voz de uma mulher, Wicca se ocultou nas sombras do castelo.
Essa tia aí deve ser a
que ficou de fora — Light.
Subliminal: Não! Ele não pode!
Mestre Subliminal estava logo atrás dela.
Acredito que isso queira dizer que
a Light vai ter que seguir o Wii. Mestre
Vourath disse que o Mestre Subliminal iria
se intrometer com os nossos planos.
Parece que é verdade. Alguém do lado
da luz que sabe sobre a verdadeira
natureza do Wii — a minha verdadeira
natureza. Ele certamente deve ter caído
na armadilha porque usamos o Dark.
Subliminal: Você tem que trazê-lo de volta!
Light: Não se preocupe, Mestre!
Respondendo a ordem de seu Mestre, Light se pôs em sua armadura, como os outros dois haviam feito, e lançou sua Chave-Espada no ar, montando sobre ela. E então, ela partiu, voando através da abertura que já ia se fechando, em direção as Travessias de Intermédio.
Agora, todos os atores já estão
em seus lugares, no palco — ou quase
lá, no intermédio. É melhor eu mesmo ir
seguindo para alguns mudos, agora.
Wicca abriu um Corredor das Trevas diante de si. Era um portal negro que se conectava aos mundos. Por um instante, Wicca olhou para o céu. Mestre Subliminal fazia o mesmo. Ele murmurou.
Subliminal: — Mestre Vourath...
Quando ele souber de tudo,
será tarde demais —
Wicca entrou no Corredor das Trevas, abrindo um breve sorriso por debaixo de sua máscara.
