HISTÓRIA 02-A

- BOSQUE DOS ANÕES -

Coberto por sua armadura, Wind viajou através das Travessias de Intermédio com sua Chave-Espada Planadora.

Não consigo ver o Dark. Pra

onde será que ele foi?

Olhando para o longe, naquele espaço de intermédio que era cheio de várias pequenas partículas de estrelas flutuantes, Wind pôde ver a brilhante luz de um mundo — uma floresta, com campos floridos e... uma casinha minúscula? Wind se lançou rapidamente na direção daquele mundo.

Ele aterrissou numa montanha rochosa. Entretanto, mais adiante, ele podia ver várias árvores crescendo. Seu coração começou a bater mais forte, um pouco nervoso e um pouco excitado, por estar nesse mundo que ele nunca vira antes. Até o calor do ar era diferente. E o cheiro, também. A intensidade da luz que vinha lá de cima, diferente. Tudo o que ele via era completamente novo. Wind se lembrou das estrelas que havia visto no mundo em que treinava.

Dark disse que todas aquelas estrela eram outros

mundos. Então será que isso quer dizer que

existem tantos mundos diferentes quanto o

número de estrelas? Ou será que todos esses

outros não são tão diferentes desse aqui, e o

mundo no qual eu estava antes que simplesmente

era especial? Tem tanta coisa que eu quero

saber. Eu quero tentar aprender sobre todos os

tipos diferentes de mundos que existem.

Wind foi descendo da montanha, observando tudo ao redor com olhos bem abertos. Sentindo a presença de alguém, ele foi até a ponta do penhasco, espiando o que havia abaixo. Eram sete anões, que passavam por lá. Cada um deles vestia uma roupa de cor diferente, e carregavam uma picareta em seus ombros.

Eles estão todos caminhando de uma forma

tão sincronizada... não, espera aí. O anão

que está bem no final tá meio que fora da fila.

E seguindo desta forma, eles passaram bem por baixo de Wind. Vendo os anões entrarem em uma caverna relativamente isolada, Wind saltou do penhasco e correu atrás deles, caverna adentro. Aquele mundo era o mundo desses anões — O Bosque dos Anões.

{ . . . }

A caverna na qual Wind entrara era uma mina. Lâmpadas reluziam aqui e ali. Joias brilhantes estavam enterradas em paredes pedregosas. Os anões iam usando suas picaretas para escavar as joias. Wind se aproximou, e um dos anões, um que usava óculos — Mestre — se virou.

Mestre: Huh? Quem é você?

Wind abriu um sorriso.

Wind: Meu nome é Wind. Pode me chamar de Wii —

Wind foi interrompido pelo grito de um anão com uma expressão furiosa em seu rosto — Zangado.

Zangado: Um ladrão de diamantes! Escondam-se, seus tolos!

Os anões saíram correndo imediatamente, escondendo-se de Wind atrás das rochas. Sem jeito, Wind ficou corado.

Wind: Sinto muito. Eu não quis assustá-los.

Um anão mais gordo — Feliz — revelou sua cabeça, por trás de uma rocha.

Feliz: Não quis?

Num bocejo, um anão com o olhar pesado — Soneca — fez o mesmo.

Soneca: Quer dizer que você não está aqui pelos nossos diamantes?

Wind: Não é muito legal, vocês ficarem me tratando como algum tipo de vilão.

Desesperado, Wind pensou que eles poderiam entender se ele explicasse toda a situação.

Wind: Só estou tentando encontrar um amigo. Seu nome é Dark. Ele se veste meio que como eu, e é bem alto —

Zangado: — parece mais uma alta de uma conversa fiada! Cai fora, vagabundo!

Dessa vez, quem surgiu de trás de uma das rochas era um anão que, por algum motivo, tinha as bochechas rosadas — Dengoso.

Dengoso: Não conhecemos nenhum Dark.

Sentindo-se frustrado, Wind suspirou.

Wind: Por favor... não dá pra vocês virem aqui? Eu só quero conversar.

Zangado foi quem gritou — outra vez.

Zangado: Não caiam nessa! Fiquem aonde estão!

Wind: Beleza. Então vai ser do jeito mais difícil.

Wind saiu correndo atrás dos anões.

{ . . . }

Enquanto isso, quase que ao mesmo tempo, Dark pousou no mesmo mundo, em um castelo obscuro, um tanto distante de onde Wind estava. Este era o segundo mundo que Dark visitara.

Enquanto ia se adaptando com os arredores, Dark ouviu uma estranha voz ecoar por todo o local. Escondendo-se atrás de um pilar próximo, ele foi investigar a presença.

?: Escravo do Espelho Mágico, deixa o infinito espaço e vem pelas trevas. Eu te convoco! Fale!

Era uma mulher vestida com uma capa negra e que usava uma coroa — uma Rainha, parada diante de um enorme espelho que refletia todo o seu corpo, com ambas as mãos erguidas ao alto. Diante de suas ordens, algo começou a queimar dentro do espelho — chamas obscuras o tomaram.

Rainha: Deixe-me ver tua face.

E com as palavras da Rainha, uma enorme face, com a aparência de uma máscara, surgiu no espelho — o Espelho Mágico. E então, uma assustadora voz pôde ser ouvida, vinda do espelho.

Espelho Mágico: O que ordenais, minha Rainha?

Rainha: Fala, Mágico Espelho meu — quem é mais bela do que eu?

A Rainha perguntara ao Espelho Mágico. E ele logo deu-lhe a resposta.

Espelho Mágico: Famosa é vossa beleza, Majestade. Porém, há uma menina entre nós, com tanto encanto e suavidade, que eu digo — ela é mais bela do que vós.

A Rainha, transtornada de raiva, virou as costas para o espelho.

Rainha: Pior para ela! Revela seu nome.

Espelho Mágico: Lábios como a rosa, cabelos como o ébano, pele branca como a neve —

Diante das palavras do Espelho Mágico, a Rainha fechou os olhos. E então, ela murmurou um nome.

Rainha: Branca de Neve!

Espelho Mágico: O coração de Branca de Neve de fato é brilhante. Atenteis-vos, ó minha Rainha, com o coração de luz desta princesa radiante.

E por fim, com suas palavras cheias de admiração, o Espelho Mágico calou-se, desaparecendo em seguida.

Uma princesa — com um coração de luz.

Será que essa tal de Branca de Neve

também é uma das Princesas de Coração?

Por um instante, Dark franziu as sobrancelhas, lembrando-se de suas ações no primeiro mundo que visitara. Entretanto, agora era sua chance de compensar pelo que fizera. Ele tinha que fazê-lo.

Se Branca de Neve for uma das

Princesas de Coração, então há uma

chance de que o Mestre Vourath tenha

vindo para esse mundo, atrás dela.

Dark saiu de trás do pilar, aproximando-se da Rainha. Ela se virou para Dark.

Rainha: Huh? Quem vem lá?

Dark: Meu nome é Dark. Estou procurando por um homem chamado Vourath — ou melhor, Mestre Vourath. Pensei que você poderia tê-lo visto.

Rainha: Este nome não é de qualquer valor para mim.

Dark: Compreendo. De boa, então.

Dark se virou, pronto para deixar o local. Mas a Rainha voltou a chama-lo.

Rainha: Espere. Oh, sim — eu tenho uma tarefa para ti. E se tiver êxito, perguntarei ao espelho aonde podes encontrar este Mestre Vourath.

Dark se virou, e viu que a Rainha sorria desagradavelmente para ele.

Dark: E o espelho saberá?

Rainha: Ousas me questionar?!

A Rainha retrucou.

Se a rainha pedir algo que eu não

possa fazer, é só eu não fazer.

Dark: Qual é a tarefa?

Rainha: Há uma jovem dama que reside aqui neste castelo. Seu nome é Branca de Neve. Mate-a. Mas para que eu tenha certeza de que não houve falhas, traga o coração dela — aqui.

A Rainha ergueu uma pequena caixa em suas mãos. Dark apenas lançou um olhar para a caixa.

O que será que ela pode querer com um

coração? Será que ela se refere ao coração

de luz de uma Princesa de Coração? Acho que

é melhor que eu lhe pergunte a respeito.

Dark: O coração dela? Eu não compreendo. Você também está atrás dos corações de luz?

Rainha: O que exijo é a vida dela — já tive mais que o suficiente de sua luz.

A Rainha bufou.

Ela quer a vida dela...? O que

será que isso quer dizer?

Dark não sabia o que pensar, então mudou casualmente sua argumentação para uma dúvida fundamental.

Dark: O que essa moça fez a você?

Rainha: Isto não é da sua conta. Entretanto, ouça minhas palavras. Minha radiância é a única luz da qual este reino precisa.

Eu nunca acreditei que houvesse qualquer

luz nessa Rainha, mas deve haver algo

de significante nesse coração de luz desta

Branca de Neve da qual o Espelho falou.

Eu não tenho a intenção de tirar o coração da

Branca de Neve, como a Rainha está me

ordenando. Entretanto, há uma grande chance

de que ela seja uma Princesa de Coração,

então me parece uma boa ideia encontra-la.

Dark: Aonde posso encontrá-la?

Rainha: Fora do castelo, há uma clareira cheia de flores. Está dispensado. Agora vá, e busque por ela neste local.

Dark: Entendido.

Dark se virou, deixando o local. Atrás dele, um horrível sorriso surgiu no rosto da Rainha.

{ . . . }

Tendo saído da alcova do espelho, Dark saiu correndo pelo castelo sombrio, que estava cheio de Insensatos.

Por que será que estão

aparecendo tantos deles?

Dark rapidamente acabou com eles, enquanto seguia adiante. Passando pelo subterrâneo, ele chegou em um pátio, por onde pôde deixar o castelo. Ele agora se encontrava em um campo que lhe parecia incrivelmente lindo, após a obscuridade daquele castelo. Flores cresciam aos montes, um pequenos pássaros cantavam. No meio desse campo florido, uma mulher colhia flores.

Lábios como a rosa, cabelos como o

ébano, pele branca como a neve — não tem

erro, ela só pode ser a Branca de Neve.

Dark se aproximou, e Branca de Neve se virou para ele. Ela abriu um sorriso, sem nem um traço de intimidação.

Branca de Neve: Oh, olá. Quem é você?

Dark: Não está assustada?

Ela inclinou a cabeça.

Branca de Neve: Eu deveria estar?

Parado diante dela, ao lado das flores, Dark pôde sentir uma pura luz vinda da jovem moça.

Então é mesmo verdade. Seu

coração é pura luz. Ela só

pode ser uma das princesas.

Branca de Neve: Há algum problema?

Dark: Uh — o nome Vourath significa algo para você?

Branca de Neve: Bem, eu... creio que não. Não creio já ter escutado tal nome.

Dark: Muito bem...

Parece que o Mestre Vourath

ainda não veio para cá.

Quando Dark ia decidir o que deveria fazer em seguida, seus pensamentos foram interrompidos. Sentindo uma estranha presença, Dark ergueu o olhar. Diante deles, apareceu uma infinidade de —

Dark: Insensatos!

Dark rapidamente invocou sua Chave-Espada em mãos.

Branca de Neve: Ahh!

Amedrontada, Branca de Neve saiu correndo na direção oposta, para longe do castelo.

Dark: Ei, espera! Não vá praí sozinha!

Dark estava para ir atrás dela, mas um Insensato se pôs em seu caminho.

Dark: Sai da minha frente!

Dark atacou o Insensato com sua Chave-Espada, destruindo-o com apenas um golpe. Mas diversos outros Insensatos surgiram em sua frente. Dark partiu para cima deles com sua Chave-Espada.

{ . . . }

Wind havia conseguido encontrar todos os sete anões, e tentava se explicar para eles.

Wind: Qual foi! Eu tô dizendo, não sou um ladrão!

Zangado: Há, é o que todos dizem! Bem, nós estamos de olho em você!

Alguns dos anões olhavam para Wind, preocupados, mas a maioria parecia não acreditar nele, principalmente Zangado.

Wind: Tá bem, já entendi. Se vocês querem que eu vá embora, eu vou.

Desanimado, Wind começou a se arrastar na direção da entrada da mina.

As primeiras pessoas que eu conheço

no primeiro mundo que visito e é assim que

eles — espera! Pensando nisso agora,

será que há outras pessoas nesse mundo?

Wind parou e se virou de volta para os anões.

Wind: Oh, mas — podem me dizer aonde eu encontro outras pessoas por aqui?

Mesmo com tudo o que havia acontecido, Mestre resolveu lhe responder.

Mestre: Tem um castelo depois da palestra — digo, da floresta.

Wind sorriu.

Wind: Entendi. Bem, valeu!

Agradecido, Wind deixou a mina.

Esses anões não pareciam ser

pessoas ruins, mas demoraria bastante

para que qualquer um conseguisse

passar pelas suspeitas de ladrão deles.

Wind parrou pelas montanhas rochosas aonde estivera antes, e viu a floresta mais adiante, mas —

Wind: Ahh! O que é isso?!

O caminho adiante estava bloqueado por criaturas que ele nunca havia visto antes — Insensatos. Eles lhe atacaram, mas Wind conseguiu se defendeu com sua Chave-Espada. Ele botou para fora toda a humilhação que passara sendo tratado como ladrão, golpeando as criaturas com tudo o que tinha.

Wind: Eu não vou perder!

Ele correu pelas montanhas, acabando com todo Insensato que cruzava seu caminho, e encontrou uma pequena casa nos arredores da floresta.

Será que aqueles homenzinhos moram aqui?

Enquanto tentava espiar pela janela, Wind ouviu o grito de uma garota.

Esse som parece ter vindo da floresta,

do outro lado dessa casinha.

Wind: Deve ser lá!

Wind correu floresta adentro. Lá, diferente do outro lado da floresta, tão belo e brilhante, era um lugar obscuro e completamente umedecido, graças as árvores, que eram altas e densas, bloqueando toda a luz do sol.

Bem ao fundo daquele lugar, havia uma garota encolhida. Wind correu até lá, e percebeu que a garota estava agachada lá, chorando.

Wind: Qual é o problema?

? ? ?: Essas horríveis árvores — elas tentaram me atacar.

Tentando encorajá-la, Wind pôs a mão sobre seu ombro.

Wind: Ah, tá tudo bem. Você provavelmente só tava vendo coisas. Acontece com todos nós, quando estamos com medo.

Wind abriu um sorriso. Isso era algo que Light o havia dito, certa vez. E com suas palavras, a garota enfim ergueu o olhar. Ela era muito bonita, com uma pele bem branca, belos lábios vermelhos e cabelos negros.

Ela é tão bonita. Por algum motivo, ela

me lembra a Light — e isso me deixa

excitado. Será que ela também é uma...?

? ? ?: Oh, obrigada. Já até me sinto melhor. Tenho certeza que eu vou ficar bem, de alguma forma. Mas... eu preciso de um lugar aonde possa dormir esta noite. Será que você não conhece um lugar para mim?

Wind ergueu a mão e ajudou a garota a se levantar, lentamente.

Wind: Bem, eu vi uma casa logo ali. Vem, eu te levo lá. Oh, eu sou o Wind. Pode me chamar de Wii.

A garota — a princesa Branca de Neve — abriu um tímido sorriso.

Branca de Neve: Obrigada, Wii. Meu nome é Branca de Neve.

Que ótimo, ela não tá me tratando como um

ladrão, e nem tá com medo de mim.

Wind: Tá certo. Vamos indo!

Wind começou a caminhar, Branca de Neve de mãos dadas com ele.

{ . . . }

A batalha acabara. Ainda no campo florido, Dark pôs sua Chave-Espada de lado, tentando recuperar um pouco do fôlego.

Enquanto lutava com os Insensatos, eu perdi

completamente de vista a Branca de Neve. Mas

ela disse que não sabia nada sobre o Mestre

Vourath. Isso só me deixa com uma opção — o

Espelho. É melhor que eu volte ao castelo.

Dark se virou para o castelo novamente, seguindo de volta para lá.

Seja como for, que tipo de seres serão

as Princesas de Coração? O que

significa ter o coração cheio de luz?

Dark também fora capaz de sentir a luz.

Sabe, eu nunca supus que meu coração

fosse cheio de luz. Por que será?

Eu não tenho poder o suficiente para

suprimir a escuridão — mas por outro lado,

o Mestre Vourath disse que eu devia

canalizar a escuridão, controla-la. Não há

erro, tem escuridão no meu coração.

Mas não é assim com o coração de todos?

E sendo assim, já não é o suficiente

simplesmente não deixar que a escuridão

assuma o controle? Eu quero apresentar

todas essas minhas dúvidas ao Mestre Vourath

novamente e ver o que ele tem a me dizer.

Deixando o pátio e seguindo pelo canal subterrâneo, Dark voltou a alcova do espelho. A Rainha se encontrava diante do espelho.

Rainha: Como ousa retornar aqui, seu tolo inútil?

Ela se virou para Dark, o rosto tomado pela raiva.

Dark: Do que está falando?

A Rainha o pressionou, imediatamente.

Rainha: Eu lhe ordenei que trouxesse o coração de Branca de Neve!

Parece que ela pode consultar

esse Espelho para saber sobre tudo

o que acontece, seja aonde for.

Dark: Uma tarefa que decidi ignorar. Sabe, você se diz radiante, mas tudo o que eu vejo são as sombras da inveja, suprimidas no fundo do seu coração.

Sim — tal escuridão não

deve ser suprimida.

Rainha: Você pagará por tamanha insolência!

O corpo da Rainha começou a tremular de raiva.

Rainha: Espelho, espelho meu — consuma este tolo e o conduza ao eterno breu!

Dark empunhou sua Chave-Espada, mas o Espelho Mágico não fez nada.

Espelho Mágico: Infelizmente, minha senhora, isto eu não posso fazer. Responder-vos com a verdade é apenas o que está sob o meu poder.

Rainha: Ousas desafiar tua Rainha?!

O corpo da Rainha tremulou ainda mais violentamente e então, uma sinistra aura vermelha começou a rodeá-la.

Será este — o poder

da escuridão?

Quando a raiva chegou a seu pico, a Rainha pegou um frasco cheio de uma poção verde que pousava sobre uma mesa próxima e o atirou contra o espelho. O frasco se quebrou e a poção entrou em contato com o Espelho Mágico, fazendo a máscara lá dentro gemer.

Espelho Mágico: Ughhh...

E então, ele soltou um urro, e uma forte luz foi emitida pelo espelho.

Dark: O quê?!

A luz estonteou Dark por um instante, e quando ele deu por si mesmo, havia sido levado para dentro do espelho, aonde uma infinidade de máscaras alinhavam-se ameaçadoramente dentre a escuridão. O Espírito do Espelho — a máscara que era prisioneira dentro do Espelho Mágico — tomado pelo poder da escuridão que havia no coração da Rainha, começou a rir e atacou Dark. Era como se sua imagem se refletisse infinitamente, como quando se põe um espelho em frente de outro.

Mas o verdadeiro tem que

estar aqui, em algum lugar.

Abatendo as cópias, Dark seguiu na direção da máscara com uma expressão diferente. Ele a golpeou com sua Chave-Espada. Foi uma luta decepcionantemente rápida. O Espelho Mágico deu um urro — e expeliu Dark, dentre um raio de luz.

A Rainha não conseguia compreender. Diante dela, o Espelho Mágico voltou ao normal, enquanto Dark se erguia.

Rainha: Como escapaste?!

Dark se aproximou da Rainha com a Chave-Espada em mãos.

Dark: Agora, você perguntará ao Espelho para mim — aonde eu posso encontrar o Mestre Vourath?

Com a cabeça baixa, em humilhação, a Rainha se voltou para o espelho.

Rainha: Espelho Mágico, instrua este patife — dê-lhe as respostas, as quais tanto ele insiste.

Por um momento, o Espelho Mágico permaneceu em silêncio, mas logo abriu os olhos, e começou a falar.

Espelho Mágico: Um lugar além da luz e da escuridão lhe serve de morada, um lugar onde há muito tempo uma guerra foi travada.

Dark: Isso é tudo?

Foi uma pergunta em vão. O Espelho permaneceu em silêncio.

Dark: Obrigado. Vocês foram de grande ajuda.

Ele encarou a Rainha e o Espelho Mágico por um instante, e então afastou sua Chave-Espada, partindo de lá.

Se o Mestre Vourath não está neste

mundo, não me resta nada o que fazer

aqui. Branca de Neve, cheia de luz,

e a Rainha, coberta por escuridão. Além

de um Espelho Mágico que tudo sabe e

tudo vê. O que será que ele mais viu

dentro de mim? luz...? Ou — escuridão?

Guardando seus pensamentos consigo, Dark deixou aquele mundo para trás.

{ . . . }

Seguindo de pouco em pouco, Wind eventualmente deixou a floresta junto com Branca de Neve, chegando a casinha aonde ele acreditava ser seguro. A porta nem sequer estava trancada, então eles puderam entrar bem facilmente. Vendo que todos os objetos do cotidiano ali dentro eram em tamanho reduzido, não lhe restou dúvidas de que aquela era mesmo a casa dos anões.

Wind: Tenho certeza que você vai ficar bem aqui... mas fica aí sentada, que eu vou dar uma olhada lá fora.

Branca de Neve: Obrigada... oh, céus, me sinto tão cansada.

Wind: Então fica relaxando, enquanto isso.

E então, Wind deixou a casa.

Os anões ainda não estão em casa.

Se descobrirem que eu invadi a casa deles,

provavelmente vão ficar chateados comigo

e daí vão me chamar de ladrão de novo.

Mas não me parece ter nenhum outro lugar

seguro para a Branca de Neve por aqui.

Se eu fosse pra lá sozinho, até que poderia

ser um problema, mas acho que vai ficar tudo

bem, se a Branca de Neve estiver comigo.

Ele andava ao redor da casa, e encontrou, aos fundos, um pequeno rio que fluía até aonde os olhos podiam ver, e muitas flores dispostas aqui e ali. Mas não havia sinal de qualquer Insensato. Aliviado, Wind voltou para dentro.

Wind: Tudo limpo! Nenhum monstro à vista — huh!

Ao redor de Branca de Neve, que estava sentada no chão, estavam os sete anões. Zangado logo se zangou.

Zangado: Não podia ficar longe, não é mesmo? Quem foi que convidou você, seu ladrão imundo?

Diante das condenações de Zangado, Branca de Neve se levantou.

Branca de Neve: Oh, não, ele não é um ladrão. Ele me salvou.

Mas os anões todos pareciam nervosos. Mestre se aproximou.

Mestre: Não se deixe engordar — uh, não se deixe enganar por ele, princesa.

Zangado se impôs.

Zangado: Suma já daqui!

Branca de Neve: Por favor, não mandem-no embora! Como disse, ele me ajudou, bem quando eu estava perdida e, uh... com tanto medo.

Suas palavras chamaram a atenção de Wind.

Do que será que ela estava...

"com tanto medo"?

Wind: O que foi que aconteceu?

Branca de Neve voltou o olhar para ele.

Branca de Neve: Bem, eu estava colhendo flores no bosque, quando apareceu um estranho por lá. Ele tinha uma espada, mas ela parecia uma chave — e então, uns estranhos monstros surgiram e —

Wind: Uma espada que parece uma chave — Dark!

Mestre observava Wind murmurar consigo mesmo com o canto dos olhos.

Mestre: Então quer dizer que o sujeito a viu e então enviou sua horda de demônios malignos para segui-la?

Wind não pareceu gostar nada de suas palavras.

Wind: O Dark jamais faria algo assim!

Rodeada pelos anões, Branca de Neve também aparentava estar um pouco preocupada.

Branca de Neve: Oh, m-mas é claro. Tenho certeza de que não faria. Não se ele é um amigo seu.

Mestre: Você não devia confinar tantos outros — digo, confiar tanto nos outros.

Ouvindo as palavras de Mestre, sem saber o que mais fazer, Branca de Neve lançou um triste olhar para Wind.

Zangado: Ouçam o que lhes digo! Ele está mentindo!

Não importa o que eu diga, esses

anões nunca vão acreditar em mim.

Wind: Eu vou provar pra vocês!

Wind saiu correndo da casinha.

Se o homem do qual Branca de Neve

estava falando é mesmo o Dark,

então talvez eu ainda possa encontra-lo.

A floresta negra estava tão cheia de Insensatos quanto quando ele salvara Branca de Neve, pouco antes.

Wind: Caiam fora!

Sabendo que se não se apressasse não conseguiria ver o Dark, Wind entrou em pânico. Sabendo que cada segundo era precioso, ele desesperadamente dava fim a todo Insensato que via. Ele saiu correndo da floresta negra, chegando enfim ao campo florido.

Wind: Daaark!

Wind gritava, esquecendo inclusive de mandar sua Chave-Espada embora. Mas não houve resposta. Ele andou mais adiante pelo campo, procurando por Dark. Entretanto, Wind não conseguia sentir sua presença.

Wind: Dark...

Wind parou, abaixando sua cabeça.

Mas eu queria tanto

poder vê-lo...

Foi quando, nesse momento, algo veio rolando e parou aos pés de Wind.

Wind: Huh?

Era uma maçã vermelha. Wind a pegou e olhou ao redor. Há poucos metros dele, havia uma velha senhora carregando uma cesta de maçãs. Wind correu até ela, para lhe entregar a mação.

Wind: Com licença, moça? Acho que a senhora derrubou isso.

Velha: Ohhh, obrigada, queridinho. Para lhe falar a verdade, eu não sei o que teria feita sem esta. Heee, he, he, hee...

A velha senhora abriu um sorriso bastante desagradável enquanto pegava a maçã na mão de Wind. Mas quando viu o que ele carregava na outra, pôde sentir seus joelhos tremularem de surpresa.

Velha: Eu já não vi esta espada antes?

Wind: O Dark tem uma. A senhora conhece o Dark?

Só porque ela já viu uma Chave-

Espada não quer dizer que ela conheça

o Dark, mas eu tive que perguntar.

Entretanto, as seguintes palavras da velha senhora seriam completamente inesperadas.

Velha: Oh, sim, sim... esse grosseiro apontou uma dessas para mim, perguntando sobre um tal de "Vourath" — meu pobre coração quase parou.

O Dark ameaçando uma velhinha?

Não. Ele jamais faria algo assim. Mas a

Branca de Neve disse que tinha sido

atacada por monstros estranhos depois de

ter conhecido um homem que carregava

uma espada que parecia uma chave.

Wind: Isso não se parece nada com o jeito do Dark...

As palavras de Wind pareciam ser para ele mesmo.

Wind: Moça, para onde o Dark foi?

Velha: Disso, eu não faço ideia. Ooh-er, será que todos vão ameaçar tanto assim a uma velha vovozinha?

A velha senhora tremia, como se morresse de medo.

Wind: Huh? Não, eu só estava...

Eu não faria algo assim, e nem o Dark.

Mas... se as pessoas desse mundo

estão dizendo a verdade... então por que

será que elas pensariam algo assim?

Vendo a velha senhora seguir para a floresta, com a grande cesta em seus braços, Wind suspirou. Então, ele olhou para o céu.

Wind: Dark... o que é que você fez?

Tenho certeza que o Dark já não

está mais nesse mundo. Vou ter que

procura-lo em outro mundo, e daí

posso perguntar tudo pra ele.

Wind abriu uma passagem para uma Travessia de Intermédio, e seguiu para um novo mundo.

{ . . . }

Wicca observava, ao longe, enquanto Wind partia novamente.

Wicca: Você devia duvidar do Dark, duvidar tanto quanto puder.

Quanto maiores forem as suas dúvidas,

mais confuso o coração do Wind

ficará, e mais ele começará a se perder.

Este é outro de nossos objetivos.

Wicca seguiu para floresta, para garantir que a velha senhora — a Rainha, que havia mudado de forma — chegasse ao outro lado.

Wicca: Bem, só espero que eles me ajudem a fazer tudo direitinho.

Wicca abriu um longo sorriso, e as árvores sombrias estremeceram. Diversos Insensatos apareceram e o rodearam. Então, Wicca abriu um Corredor das Trevas surgir diante de si, desaparecendo dentre ele.

{ . . . }

Branca de Neve olhou timidamente para a maçã vermelha que lhe havia sido presenteada por uma velha senhora, e deu uma mordida. A boca da velha senhora deu lugar a um suspeito sorriso. E então, Branca de Neve deu um único e breve suspiro, antes de sucumbir ao chão.

Velha: Agora eu sou a mais bela de todas!

A velha senhora riu bem alto. Ela na verdade era — a madrasta de Branca de Neve, a Rainha. Ainda rindo, ela deixou a casa. Foi quando, de repente, o céu da casa dos anões foi tomado por uma tempestade. Relampejava por toda parte.

Juntos aos animais que os haviam avisado sobre o problema de Branca de Neve, os anões seguiam rapidamente na direção de casa. Zangado foi o primeiro a avistar a bruxa, montado em um veado.

Zangado: Lá vai ela! Depressa, vamos!

A Rainha correu. Os anões não poderiam mais segui-la se ela retornasse ao castelo. Ela correu pela floresta negra, e subiu em um penhasco. Ela estava prestes a conseguir escapar!

Os anões a perseguiam desesperadamente. Enquanto escalava o penhasco, a Rainha olhou para os anões. Mas então — um trovão atingiu o penhasco, e seu destino foi selado naquele instante.

Entretanto — Branca de Neve não voltou a despertar. Ela era tão linda em seu sono de morte, que os anões não tiveram coragem de enterrá-la. Eles fizeram um esquife de ouro e cristal, e velaram seu corpo dia e noite.

{ . . . }

Quando Light pousou naquela floresta, já fazia um tempo desde os últimos acontecimentos. Aos fundos da floresta, ao lado de uma casinha, sete anões, com seus chapéus respeitosamente removidos, mantinham as cabeças abaixadas diante de um grande objeto de cristal em forma de caixa.

Light: O que houve aqui?

Com sua pergunta, todos os anões voltaram o olhar para ela. Um anão que usava óculos — Mestre — se aproximou.

Mestre: A pobre Branca de Neve —

Ele não teve coragem de terminar suas palavras. Ele simplesmente voltou a olhar para a caixa de cristal, abaixando sua cabeça novamente.

O que será essa caixa?

Light se ajoelhou para espiar o que havia na caixa. Dentro dela, dormia uma bela moça de lábios vermelhos, cabelos bastante pretos, e de pela branca como a neve, cercada por flores.

Será que essa caixa... é um caixão?

Light abaixou o olhar, e então se virou para os anões, que começaram a lhe contar, dentre lágrimas, suas memórias.

Mestre: Ela era tão doce...

Atchim: Ela cantava lindas canções para nós...

Feliz: E nos fazia sorrir.

Soneca: Na hora de dormir, ela nos contava belas histórias...

Dengoso: Histórias de amor, sobre um príncipe que conhecera.

Zangado: E na hora de irmos trabalhar, ela nos dava um beijo...

Feliz: Ela era tão cheia de encantos — que fez de nós pessoas melhores.

Branca de Neve... era este

o nome desta moça?

Light: Pelo que dizem, ela deve ter sido muito amada. Mas como é que isso foi lhe acontecer?

Light esperava que pudesse fazer algo para ajudar aqueles anões. Ele podia ver que eles estavam de fato muito tristes. Na verdade, quando Light espiara dentro do caixão de Branca de Neve, lhe parecera que sua vida não havia se esvaído por completo. Incapaz de se deter suas lágrimas, Mestre foi quem a respondeu.

Mestre: A Rainha má morria de inveja da beleza de nossa querida Branca de Neve. Então, ela usou suas magias negras para se transformas numa velha bruxa, e deu a Branca de Neve uma maçã envenenada.

Um anão de corpo robusto, Feliz, assou o nariz.

Feliz: E quando enfim conseguimos chegar aqui... bem, já era tarde demais. Nós encontramos a princesa completamente imóvel. Não havia nada que pudéssemos fazer para acordá-la.

Light: Não há nada que possamos fazer para ajuda-la?

Os anões olharam um para o outro. Mestre foi quem voltou a falar.

Mestre: Bem, pode haver uma chance se alguém espiar o martelo — uh, explorar o castelo.

Foi quando Zangado se impôs, voltando-se para a direção do castelo.

Zangado: Se quiserem ficar aí parados, fiquem a vontade! Mas eu não tenho medo de ir, nem pro covil daquela bruxa!

Mas Mestre o deteve.

Mestre: Você nunca vai conseguir. Ouvi dizer que aquele castelo é guardado por mágica, e está cheio de monstros.

Monstros — ele deve estar falando dos

Insensatos. Se este for mesmo o caso, eles

poderiam acabar com encrencas das grandes.

Talvez seja melhor que eu mesma vá.

Light se ergueu, diante do caixão.

Light: Muito bem. Podem deixar comigo.

Dengoso gaguejou.

Dengoso: V-Você vai?

Light: Sim, eu vou. Não se preocupem.

Com suas palavras, Mestre sentiu os olhos voltarem a lacrimejar.

Mestre: Oh, então tudo bem, querida. Nós ficamos muito agradecidos.

Light: Para que direção ficaria este castelo?

Feliz abriu um sorriso.

Feliz: Fica logo depois desta floresta.

Light: Entendido.

Consentindo, Light seguiu em frente.

Eu jamais poderia ignorar

alguém que precisa de ajuda.

{ . . . }

A floresta que se estendia além daquela casinha era de fato bastante sinistra e estava cheia de Insensatos.

Light: O que é isso...?

Murmurando consigo mesma, Light os destruía. Também haviam Insensatos em grandes números no primeiro mundo que ela visitara.

Será que o fato da Branca de Neve

estar adormecida tem algo a ver com

os estranhos acontecimentos nos

mundos? Ela continua a dormir. Por

que será que tive o pressentimento de

que ela ainda poderia despertar?

Pensando nisso, Light se deparou com uma certa memória. Já faziam muitos anos. Wind tinha chegado na Terra da Partida inconsciente, e apenas continuou a dormir.

"Wind, por que você não acorda?"

Ela se lembrava de ter perguntado isso a Wind, enquanto ele dormia em uma cama. O rosto adormecido de Wind se sobrepunha ao de Branca de Neve.

Naquela época, eu me perguntava

se algum dia ele acordaria. Mas acho

que não há com o que se preocupar.

Ela vai acordar, com certeza.

Light passou por um campo florido, seguindo para o castelo. Ela podia sentir que o castelo também estava coberto por uma atmosfera opressiva. Ela encontrou um belo jovem parado lá, suas roupas brancas e capa vermelha contrastando por completo com a atmosfera do castelo — era um lindo Príncipe.

Light: Há algo errado?

Ouvindo o chamado, o Príncipe se voltou para Light.

Príncipe: Este castelo — ele me parece tão diferente. E eu não consigo encontrar a princesa, nem mesmo ouvir sua linda voz. Será que foi tudo um sonho?

Ele respondera numa voz apropriadamente bela, como todo o resto dele.

Light: Espera. Então quer dizer que você conhece a Branca de Neve?

Príncipe: Oh, sim, nós nos vimos uma vez. Foi uma música que nos reuniu — diga-me, aconteceu alguma coisa com a princesa?

As sobrancelhas tão bem definidas do Príncipe se curvaram com a pergunta.

Light: Temo eu que sim... a Rainha má a enganou, fazendo-a comer de uma maçã envenenada.

Ele ficou completamente pálido.

Príncipe: Eu tenho que ir até ela! Aonde ela se encontra?

Ah, este jovem está apaixonado pela

Branca de Neve. É verdade, eu me lembro

que um dos anões disse algo sobre isso.

Light: Na floresta, guardada por sete doces anões.

?: Eu vou encontrá-la. Talvez haja algo que eu possa fazer.

O Príncipe se curvou diante de Light e partiu.

Light: Eu também devo fazer o que puder.

Light seguiu castelo adentro.

Aqui dentro também está cheio de Insensatos.

Será que a escuridão daquela Rainha

sobre a qual os anões falaram chamou por eles?

Seguindo por um canal subterrâneo, Light se deparou com uma sala com um grande espelho dentro. A sala estava envolta por uma estranha atmosfera.

Light: Algo aqui não está certo...

Light foi até o espelho que estava ao final da sala. Nesse instante, o espelho — o Espelho Mágico — irradiou uma forte luz, e engoliu Light.

Light: O quê —?!

Ela estava inteiramente cercada por uma grande escuridão. Haviam diversas máscaras flutuando em meio ao ar. Elas cercaram Light e começaram a ataca-la.

Light: — Insensatos?

Light rapidamente empunhou sua Chave-Espada, golpeando as máscaras que se aproximavam.

Não adianta, parece

que não tem fim...

Uma infinita linha de máscaras a atacou. Incapaz de derrotar todas elas, e já ficando sem fôlego, Light lançou um olhar ao redor e notou que havia uma máscara com a expressão facial diferente alinhada dentre as demais.

Aquela deve ser a

verdadeira!

Light a golpeou e seu corpo foi envolto por uma forte luz, retornando para a mesma sala em que estava antes.

Light: O que foi isso...?

Murmurando, Light olhou para o espelho. A forte luz desapareceu, revelando a máscara com a qual batalhara.

Espelho Mágico: A Rainha se foi, meu dever já está cumprido — de vós eu me despeço, ó guerreira que me há vencido.

Com suas palavras, a máscara dentro do espelho desapareceu. E então, a presença maligna que cobria o castelo pareceu diminuir.

Creio que mesmo a escuridão possa recuar

por si própria. Mas eu continuo sem saber

como podemos despertar a Branca de Neve...

Light seguiu de volta para a casa dos anões, deixando o castelo para trás.

{ . . . }

O Príncipe observava o belo rosto de Branca de Neve com toda a firmeza, os anões todos lamentando ao seu redor. Parecia que ele não havia sido capaz de ajudar. Enquanto se aproximava dos anões, Light viu o Príncipe pressionar seus lábios contra os de Branca de Neve. Ele manteve a cabeça baixa por um instante — e então, Branca de Neve se mexeu, abrindo lentamente os olhos.

Light: Princesa!

Lágrimas saltaram dos olhos de cada um dos anões. Lentamente, Branca de Neve se esticou e sentou. Então, ela foi até o Príncipe, parado em sua frente. Os anões se juntaram em alegria. O Príncipe quietamente a tomou em seus braços. Sorrindo consigo mesma, Light murmurou.

Light: Isso é tão incrível... é como um milagre.

No fim das contas, eu não fiz

nada — não, eu não pude fazer nada.

E a Branca de Neve acordou do mesmo

jeito. Sim, exatamente como quando

o Wii acordou. Ele não parava de

dormir, e então ele acordou, do meio

do nada. Foi como um milagre, assim

como agora. Ele ficou um pouco atordoado

durante algum tempo, depois, mas pelo

menos seus olhos estavam abertos.

Branca de Neve beijou a cabeça de cada um dos anões, que a abraçavam em plena alegria. Então, o Príncipe a tomou pela mão e, juntos, eles partiram. Os anões pareciam estar bastante animados enquanto os observavam, felizes mas ao mesmo tempo tristonhos.

Branca de Neve e o Príncipe estão

partindo em uma jornada. Todo despertar

é uma nova jornada. Talvez o Wii

tenha partido... porque era a sua hora.

Light abriu um sorriso e, virando as costas para aqueles anões tão contentes, partiu daquele mundo.