N/A: Resolvi postar logo o próximo, já que deixei vocês esperando esses dias... e também por causa dos reviews que recebi agora. Muito legal ler! Neste capítulo, temos um personagem aparecendo pela primeira vez na fic. Fãs de Jake, por favor não me matem! rs
CAPÍTULO 8
## EDWARD POV ##
Estávamos em Seattle, indo para o Team Cassino, um dos mais famosos de Washington. Afinal, tinha coisa melhor do que mulher bêbada e sem dinheiro para apostar? Claro que não. Os homens também eram presas fáceis para Rose e Alice. Afinal, qual homem resistiria a duas mulheres absurdamente lindas e ricas? Resumindo, cassinos eram nosso parque de diversões. Nos vestimos adequadamente, já que tínhamos passado em casa por causa da loira escandalosa. Dei a chave na mão do manobrista e fomos direto nos registrar. Passaríamos a noite no hotel do cassino, lógico.
- Não procurem por mim... hoje estou me sentindo sortuda!
- Alice, não tem graça você ganhar dinheiro apostando em que você sabe o que vai dar...
- Mas eles não sabem, ué! Então tem graça sim. Para mim!
- E nós vamos embora amanhã! Tratem de não sumirem do mapa.
- Ih Edward! Parece velho! Ok, você é...
- Emmet, ali um chafariz de sangue!
- Onde? Onde?
Eu dei um tapa na cabeça do meu irmão imbecil.
- Toda vez você cai nessa...
Ele saiu andando cabisbaixo, decepcionado por não ter visto o chafariz de sangue. Vai entender, né?Eu me perguntava se tinha cometido algum erro na hora de transformá-lo. Se eu tinha sugado sangue demais e tenha deixado o cérebro dele sem oxigenação por muito tempo, sei lá. Eu buscava alguma explicação plausível para aquilo. Mas nunca encontrei.
Entrei na imensa ala de carteado do cassino e olhei em volta. A presa perfeita estava sentada no bar, perto da mesa de vinte e um, circulando a boca de uma taça com os dedos. Me sentei ao seu lado e chamei o barman.
- O mesmo que ela, por favor.
Ela me olhou. Fácil.
- Boa noite...
- Hillary.
- Bonito nome, Hillary. Sou Edward.
Ela me esticou a mão para cumprimentar, e eu a surpreendi com um beijo nos dedos.
- Sozinha?
- Parece que sim.
- Com sorte?
Ela me olhou dos pés a cabeça e sorriu.
- Pelo visto, muita.
Porra, era difícil tentar conquistar alguém se a pessoa já se atirava em cima de você. Ás vezes eu tinha raiva da minha beleza insuportável!
- Vai tentar algum jogo? (ela me perguntou curiosa)
- Não sei. Já nem tenho onde gastar o dinheiro que tenho... para que ganhar mais?
Eu quis rir quando vi seus olhos brilharem e o sorriso abrir mais ainda. Ela colocou a mão sobre minha coxa.
- Está hospedado aqui?
- Sim.
- Podíamos nos divertir...
Mais fácil que tirar doce de criança! E a noite só tinha começado. Já tinha avistado mais outras quatro presas em potencial. Mas antes, eu cuidaria da primeira. A conduzi para o elevador e apertei o botão da cobertura. Tinha reservado cinco quartos naquele andar. O elevador mal se fechou e a mulher já veio com as mãos para cima de mim. Controle-se Edward. Só se alimentar, nada mais que isso.
- Espere até chegarmos no quarto.
Pedi, segurando suas mãos longe do meu peito. Ela achava mesmo que ia brincar aqui? Entramos no meu quarto e a mulher já foi tirando a roupa. Eu me lembrei de Bella. Super parecidas...
- Estou com um pouco de fome... você prefere comer algo antes ou depois?
Eu ri.
- Meu bem, você é a comida aqui.
Joguei-a na cama e mostrei os dentes. Ela tentou gritar, mas eu tapei sua boca e a mordi. Sentia seu coração a mil por hora e seu corpo tremendo, agonizando. Suas pernas se debatiam e suas unhas tentavam me machucar. Nada funcionou. Para ela, claro. Suguei-a até seus olhos vazios e mortos ficarem me olhando. Uma já foi.
## BELLA POV ##
Eu
era idiota. Completamente. Ou gostava de sofrer. Estava decidindo
ainda qual das duas opções. Sim, porque eu sabia que não gostaria
da festa, mas mesmo assim eu fui. O endereço era bem afastado da
nossa casa e do campus. Na verdade, eu nunca ia para aquele lado de
lá. Ficava sempre por perto do campus ou mais para o lado de
Charlie. Mas eu me dei conta que nunca tinha ido para o outro lado. E
percebi o motivo. Ali não tinha nada, a não ser florestas, paisagem
verde, campos, florestas,paisagem verde e uma pouquíssimas casas.
Pouquíssimas mesmo. Mas eram casas gigantescas e de aparências bem
antigas. Tipo as que vemos em filmes de terror, daquela família
feliz que se muda para o meio do nada (Forks) e compra a casa mais
mal-assombrada da cidade, sabe? Então. Só que no nosso caso, a casa
não era feia. Nem parecia ser mal-assombrada. Ela era linda!
A rua estava lotada já de carros, então estacionei na primeira vaga que achei e fomos andando. Quanto mais eu me aproximava, mais a casa parecia ser maior. Ela tinha quatro andares e eu me perguntei para que duas pessoas jovens moravam num lugar tão grande. Imagina para limpar... credo!
- Vocês conhecem alguém, por acaso?
- Eu conheço você, a Lauren e a Angie!
- Jess...
- Tem um pessoal que faz algumas matérias comigo por aqui.
Lauren apontou para um grupo. Eu olhava em volta e via pessoas de tudo que é tipo. Não era que nem a festa da Beta, que só os importantes eram convidados. Ali tinha de surfista até engomadinhos. Mas eu quase corri para me esconder quando vi Megan correndo em minha direção.
- Bella!
- Ei... Megan...
- Suas amigas?
- É... Angela, Jessica e Lauren.
- Eu só moro na mesma casa que ela. (Lauren retrucou)
- Ah. Ok. Edward também veio?
- Não. Viajou.
- Sério? Ah... mas não importa. A gente se diverte sem ele.
E ela me puxou pelo braço me levando até o jardim dos fundos, que tinha uma piscina tamanho gigante brilhando em azul. Era leve impressão minha, ou tinha gente dentro da piscina? De noite? Numa festa? Hein?
- Owwww, Megan. Você não acha que eu vou entrar ali, né?
- Na piscina? Claro que não! Fiz hidratação hoje e não quero meu cabelo verde amanhã.
Eu tinha que agradecer por ela ser loira platinada. Amém. Mas ela me puxava para algo pior que a piscina. Eu considerei me jogar na água. Era um grupo da Ômega... de loiras.
- Lembram da Bella?
- Não. (falaram em coro)
- Namorada do Cullen.
- Ahhhh! Sim. (novamente em coro)
- Megan, acho melhor ir ver minhas amigas... elas não conhecem ninguém.
Saí rápido dali antes que ela pudesse me segurar de novo. Pior do que estar numa festa lotada sem conhecer ninguém, era estar numa festa lotada, com as garotas da Ômega. Céus! Minhas amigas tinham tomado chá de sumiço. Não estavam em lugar nenhum. Ah, achei Lauren e... ow. Era melhor não incomodá-la, já que sua língua estava sendo chupada por um garoto com jaqueta de basquete. Ela no mínimo me espancaria.
Bem, nada para fazer, resolvi conhecer a casa. Subi as escadas de mármore e fui parar no segundo andar, que tinha um corredor comprido e só duas portas. Entrei na primeira e fiquei pasma. Eu nunca tinha visto uma biblioteca daquele tamanho. Nem a biblioteca de Forks chegava aos pés. Ok, a biblioteca de Forks não era ponto de referência nenhum. Mas era algo imenso, com enormes prateleiras de madeira que iam quase até o teto e se formavam em fileiras, dando para uma pessoa que entrava pela primeira vez, se perder naquele mar de livros. E então eu tremi quando as luzes dos corredores de livros foram se apagando uma por uma, ficando apenas acesa, a luz da salinha onde eu estava.
- Impressionada?
Eu me virei rápido para ver de quem era a voz que chegava por trás de mim. E dei de cara com o loiro. James. Ele estava encostado na única porta existente ali, segurando uma taça na mão. Eu não ousei perguntar o que era. Eu podia imaginar.
- Sim. É muito grande.
- Já estava assim quando compramos a casa.
- Jura? Quem deixaria tantos livros para trás?
- Eu quis dizer que a biblioteca já estava assim... mobiliada. Os livros são meus.
- Ah.
Ele se aproximou devagar de mim enquanto eu tentava procurar por onde fugir.
- Eu não vou te atacar. Não precisa surtar.
- Atacar? Nem pensei nisso... por que eu acharia que um cara normal faria isso?
- Eu sou um vampiro e você sabe disso.
- Sei?
- A julgar por seu namorado, imagino que você saiba.
- Certo...
- Ele provavelmente pediu para você não chegar perto de mim, não é?
- Algo desse tipo.
- E você mesmo assim desobedeceu?
- Bem, eu acho que não sou muito inteligente...
Ele riu abrindo um sorriso.
- Não concordo. De tantos lugares você acabou parando numa biblioteca. Quem iria entrar numa biblioteca enquanto rola uma festa lá embaixo?
Verdade. Eu não era muito normal.
- Acho que tenho talento para presa.
- Você não é minha presa.
- Então por que está bloqueando a porta? E qual é a das luzes?
- Eu não estou bloqueando a porta. E as luzes funcionam com movimento. A porta abre, elas acendem. Se ninguém se mexe lá, elas apagam.
- Ah.
Ele ficou parado me olhando. Como se me estudasse.
- Então, como é namorar um vampiro?
- Legal.
- Não tem medo?
- Não.
Mentira, né? No começo eu me cagava, mas abafa.
- E onde ele está?
- Caçando.
Ele sorriu de novo, mas dessa vez maliciosamente.
- Mulheres?
- Acho que sim, não me importo.
Mentira de novo.
- Não mesmo?
Eu suspirei.
- Mais ou menos. Mas ele precisa.
- Ele tem outras alternativas...
- Eu sei. Animais... mas ele não gosta.
- Animais?
E lá vinha a cara de nojo que eu já conhecia muito bem.
- Não era bem disso que eu falava. Quis dizer, você.
- Hein?
Como assim, eu? Ele queria que Edward me comesse? Ok, isso não soou muito bem. Duplo sentido é uma merda.
- Ele nunca te contou que não é necessário matar a vítima?
- Não lembro. Acho que não.
- Interessante...
Muito! Do que ele estava falando? E por que Edward nunca falou sobre isso?
- Como é isso?
- Pergunte a ele.
- Me diga você.
- Não.
- Por quê?
- Eu ia querer te mostrar.
- Ow.
Ele deu um gole no troço que eu sabia o que era e me olhou. Tinha ficado sujo de sangue no canto da boca. Corre, Bella! Corre!
- Er... tá sujo...
- O que?
Eu fiz um gesto com a mão, dando a entender que sua boca estava suja. Eu devia ser louca, ajudando um vampiro que eu não conhecia. James entendeu e passou a língua nos lábios.
- Melhorou?
- Sim. É melhor eu voltar para a festa.
- Fique à vontade.
Caminhei em direção à porta e ele se colocou entre eu e aquele objeto retangular por onde eu queria passar. Pegou minha mão e a beijou.
- Encantado!
- Certo. Obrigada.
Ele sorriu e me deixou passar. Obrigada? Como assim eu agradecia por ele estar encantado? Quando passei pela porta a ruiva chegou, me cumprimentando e olhando o irmão. Eu me afastei mas pude ouvir eles falarem algo.
- Pegou essa?
- Não.
- Não gostou?
- Meu poder não faz efeito com ela, incrível!
- Não faz?
Eu não ia mesmo voltar para perguntar qual era o seu poder. Que se dane... não fazia efeito em mim. Já era bom o suficiente.
Procurei as garotas e encontrei Angie sentada num sofá sozinha. Até que enfim alguém normal!
- Ei! Observando as coisas?
- É... levei um fora.
- De quem?
- Não sei o nome...
- Angie, você está com essa cara por ter levado um fora de um cara que você nem sabe como se chama?
- É.
- Fala sério...
- Sério, Bella. Ele é tão fofinho.
Certo. Fossa é fossa. Não ia me meter. Apenas tirei o copo de alguma coisa alcoólica da sua mão. Ela já não estava muito bem.
- Por que eu não sou que nem ela?
Eu olhei para quem Angie estava olhando e vi a ruiva com uma saia minúscula e um top menor ainda.
- Eu não acho que você gostaria...
- Não fale besteira Bella. Olha para ela... todos os homens babam.
Todos babavam mesmo. Eu agradeci por Edward estar bem longe daquela casa.
- Bella, tá afim de ir embora?
- Por mim... não pretendo beijar ninguém aqui. E diversão, bem... eu não me diverti até agora.
- Então vamos?
- E Lauren e Jess?
- Elas se viram.
- Angie, que má! Adorei isso!
Saímos da casa e fomos para o carro. Quando passamos pela garagem, vi um casal encostado na Ferrari preta. E percebi quem eram. James e Lauren. Hein? Ela estava de costas para nós, e ele a beijava loucamente, passando a mão pelo seu corpo e olhando... para mim. Aquilo foi estranho. Olhando para mim? Enfim, tentei tirar a cena da cabeça e entrei no carro. Conversava com Jess enquanto dirigia, um pouco distraída, confesso.
- BELLA!
Eu pisei no freio. Tinha um cachorro no meio da estrada. Ele estava vivo por apenas cinco centímetros.
- Bella, você quase o matou!
- Eu... eu não o vi.
Jess desceu correndo do carro e se abaixou para brincar com o cão. Aquilo era hora para isso? Então a vi colocando no colo e voltando para o carro.
- Vamos ficar com ele?
- Hein?
- Ah Bella, olha só a carinha. Quem resiste?
- Eu.
- Deixa de ser fria. Ele está abandonado, com fome e frio. E além do mais, nós precisamos animar mais aquela casa.
Eu olhei aquele pobre cão. Olhos fundos, dentes quebrados, baba escorrendo, pêlos grudentos e cheios de nós e um fedor terrível.
- Angie, no meu quarto ele não vai entrar. Ou vai virar comida de vam... urso!
- Pode deixar. Eu cuido dele. Né bebê?
O que uma fossa não fazia...
- Qual será o nome do pulguento?
Eu perguntei olhando de lado, tentando ignorar o cheiro ruim.
- Jake!
## EDWARD POV ##
Voltei ao cassino para pegar minha próxima presa. Quis mudar de ambiente, então fui dar uma conferida na roleta. Tinha uma loira apostando todas. E perdendo todas, claro. Aproximei-me e percebi que suas fichas estavam acabando. Mais uma rodada de azar e ela teria que sair dali. Fui ao caixa e troquei mil dólares em fichas e voltei para a roleta.
- Vermelho 15.
- Qual o valor da aposta, senhor?
- Vou começar baixo... 500 dólares.
A loira me olhou, claro, avaliando-me dos pés a cabeça. Não tive sorte e saiu preto 20.
- Sem problemas. Vermelho 31.
- Você gosta de vermelho, né? (ela me perguntou sorrindo)
- Bastante. É minha cor da sorte.
Virei para o funcionário e coloquei o restante das fichas.
- Mais 500.
- Boa sorte.
A loira me desejou sorte. Eu tive vontade de mandá-la guardar. Para ela mesma. A roleta rodou, e eu ganhei. E ela me abraçou. Oferecida! Tive vontade de mordê-la ali mesmo, mas me contive.
- Quer dar uma volta? (sussurrei em seu ouvido, fazendo-a tremer)
- Claro!
Dei o braço a ela e saímos dali. Andamos pela calçada do hotel-cassino e eu avistava de longe uma entrada para um beco. Interessante.
- Qual seu nome?
- Edward.
- Sou Erika.
- Hum.
- Idade?
- 25.
- Sério? Mais novo que eu... tenho 28.
Droga! Odiava pegar mulheres mais velhas que eu!
- E o que você faz, Edward?
- Trabalho com banco de sangue, mais ou menos.
- Como assim?
- É complicado para explicar.
E era mesmo. Como eu ia dizer que coleto sangue? E a próxima coleta seria ela? Fiquei na minha.
- Onde estamos indo?
- Pensei em um lugar mais tranqüilo... sair da multidão.
Passei as mãos nas suas costas para distraí-la. Ela fazia muitas perguntas. Por que mulher não podia simplesmente calar a merda da boca e morrer em silêncio? Virei para o beco e dei de cara com Emmet sugando uma mulher. Merda!
- Ow. Merda! Edward, vamos!!!
Minha companhia ficou histérica! Óbvio, né? Me puxou pelo braço querendo correr dali.
- Edward?
Emmet virou para me olhar, com a boca toda suja de sangue. Ele devia começar a usar um babador.
- Tanto lugar em Seattle e você vem justo para o mesmo beco que eu?
- Esqueci que você não pensa muito, Em. Procura sempre o lugar mais óbvio.
A loira tremia, tentando se soltar de mim, que a segurava pelo braço agora.
- Vo-vocês se conhecem?
- Meu irmão...
Ela começou a chorar e implorar para deixá-la ir.
- Desculpe, mas tenho fome. Emmet, já terminou? Então vaza.
- Não quer dividir?
- NÃO!
- Ok...
Meu irmão sumiu na escuridão do beco e eu voltei a olhar minha janta. A do quarto foi apenas a entrada. As lágrimas escorriam pelo rosto, tomado de pavor.
- Por favor...
- Fique quietinha. Não vai doer nada. Mentira, vai sim.
Eu não ia enganá-la na hora de sua morte, coitada. Merecia saber a verdade. Levantei-a pelo pescoço, apoiando seu corpo na parede provavelmente imunda do beco. Era uma pena ela estar usando roupas claras. Ia manchar. Lambi seu pescoço, preparando a carne. Tinha um gosto bom, mas estava usando perfume barato. Eu odiava o gosto de sangue se misturando com perfume.
- Poxa querida, vou ter que deixá-la com mais de uma cicatriz... o pescoço vou deixar por último.
- Edward, eu faço o que você quiser. Mas não me mate! (implorava chorando)
Ela se debateu, tentando me chutar em vão. Eu puxei seu braço e abocanhei seu pulso, apertando sua garganta para deixá-la desacordada. Não gostava muito de gritos. Muito menos de mulher. Morder o pulso não tinha a mesma adrenalina que o pescoço. Mas eu queria sangue puro antes de morder o pescoço perfumado. Quando senti seu coração enfraquecendo, peguei o pescoço, furando e fazendo o sangue dali jorrar. Suguei até a última gota solitária daquele corpo, e o deixei cair, sem vida, aos meus pés. Pobre Erika... não teve sorte. Agachei perto do seu rosto e tirei os fios de cabelo que tampavam seu rosto morto.
- Obrigado pela doação.
Ao contrário de Emmet, eu não tinha uma gota sequer me sujando, então fui direto para a rua movimentada. Ventava forte agora e eu já pensava na sobremesa. Tanta gente andando perto de mim e eu não me interessava em ninguém. Então eu a vi. Na beira da calçada, à procura de um táxi. Era uma mulata estonteante, de coxas grossas e cintura fina, cabelos negros ondulados que tocavam sua cintura. Parei ao seu lado e senti seu sangue doce tocar minhas narinas.
- Precisa de ajuda?
- Sim, de um táxi.
Ela me olhou sorridente, jogando os cabelos para o lado. Charmosa. Sobremesa perfeita. Notei que seu inglês era bem cru.
- Não é americana?
- Não. Sou brasileira. Mariana, prazer.
Uma brasileirinha? Ah, que dia de sorte o meu. Sempre quis descobrir o que as brasileiras têm.
## BELLA POV ##
Entrei em casa e corri para o chuveiro, queria tomar banho e ir dormir logo, e também, claro, tirar o fedor que Jake tinha deixado em mim.
- Angie, acho bom você lavar esse cão com água sanitária ou cloro, porque esse cheiro não dá pra agüentar!
- Ele vai ficar bonitinho, Bella. Vou cuidar dele.
Bati a porta do banheiro e liguei o chuveiro. Podia ficar horas debaixo daquela água quentinha. Ok, eu iria enrugar. Quando saí do banheiro, me deparei com um cão babão de língua de fora, sentado, me olhando. Eu tinha platéia agora? Era só o que faltava. Fechei a porta do quarto e me preparei para dormir. Era chato saber que não veria Edward amanhã.
Estava sonhando, eu tinha certeza. Porque só em sonhos, eu estaria deitada na cama de Edward, com ele de peito de fora e minha cabeça apoiada naquela escultura. Nós brincávamos entrelaçando nossas mãos, conversando, quando ele me virou e subiu em cima de mim, arrancando minha saia e me deixando só de calçinha. Ele foi descendo, beijando minha barriga, passando pelas minhas coxas e chegando aos meus pés. Deu selinhos nos meus dedos e começou a lambê-los. Ele lambia cada vez mais. Que porra escrota, lamber meus dedos, aquilo estava me fazendo cócegas. Me desconcentrei e acabei acordando. Tinha um de pêlos brancos e laços rosas nas orelhas, lambendo meus pés. Peguei Jake e saí do quarto.
- ANGIEEEEE!
- Bella? O que foi?
Angie apareceu na porta do seu quarto com cara de sonsa.
- Eu disse que não queria isso aqui entrando no meu quarto!
- Ah, foi mal Bella. Eu não vi ele entrar lá...
- E Angie, você sabe que ele é macho, né? Por que laço rosa?
- Porque era a única cor que tinha para vender no pet shop.
Jess abriu a porta do quarto com cara de sono. E olheiras pavorosas.
- Para que esse escândalo uma hora dessas?
- Jake entrou no quarto da Bella.
- Jake?
- Nosso novo cãozinho.
Jess pegou Jake no colo agarrando suas bochechas.
- Ohhh! Eu sempre quis um cão que pudesse usar roupinhas!!!!
- Angie, ele não era marrom?
- Não Bella. Aquilo era sujeira... ele é branco, viu?
- Nossa, Bella, fazer um escândalo só porque o frufru entrou no seu quarto?
Jess me olhou em desaprovação.
- Não! O escândalo é por eu ter acordado com o "frufru" lambendo meus pés!
- Cão esperto esse!
Congelei quando ouvi uma voz masculina atrás de mim. Me virei para ver quem me dizia essa piadinha ridícula.
- Ja-ja-james?
Ele sorriu para mim, passando a mão pelos cabelos molhados. Ah sim, esqueci de comentar que ele tinha uma toalha enrolada na cintura. Só. Só. Só. Eu engoli seco.
- Bom dia!
- Bo-bom dia. O que faz aqui?
Me virei para Angie e Jess.
- O que ele faz aqui?
Mas óbvio que ela não iriam me responder, porque estavam sorrindo e suspirando para ele.
- Eu dormi aqui.
- Você não dorme!
Ele me lançou um olhar e depois olhou para minhas amigas.
- Você não dorme... aqui.
- Pelo visto eu dormi. Com sua amiga Lauren.
- Oh.
Levei um empurrão de Jess que se metia entre nós dois.
- Quer que eu faça um café?
Angie a puxou pelos cabelos.
- Deixa de ser oferecida, Jess! (olhou para James) Eu faço!
- Bem... deixa eu sair do meio da guerra. Não quero ser atacada.
Caminhei em direção ao meu quarto e antes de fechar a porta, ele encostou nela.
- Não se sente assim que nem elas, né?
-Assim como?
- Deixa pra lá.
- Você e Lauren estão namorando?
Ele riu e entrou no meu quarto, pegando um pente em cima da minha cômoda e passando em seus cabelos. Abusado, né?
- Namorando? Com certeza não. Só passando o tempo.
- Sei.
Jake entrou correndo no meu quarto abanando o rabo.
- De novo? Eu nunca mais vou ter paz com esse cão!
- Não gosta dele né?
- Não. Ele é intrometido!
Então James ganhou muitos pontos comigo, quando pegou Jake com as mãos e mostrou os dentes a ele.
- Jake! Vou mudar minha alimentação!
O cão começou a chorar. James o colocou de volta no chão e o peludo de laços rosa saiu correndo. Eu percebi que estava quase me mijando de tanto rir.
- Nossa, você é mau!
- É a vantagem de estar no topo da cadeia alimentar.
- Príncipe, aqui está você!
Lauren entrou no meu quarto e o abraço por trás.
- Bella, não tente roubar meu homem! Não tenho culpa se você levou um pé na bunda.
- Eu não levei pé na bunda! Ele está caçando!
-Caçando?
James me olhou friamente enquanto Lauren me perguntava com cara de mongol?
- Isabella me contou que os Cullens gostam de caçar cervos em família.
- Ah, que coisa mais sem-graça...
- Pois é, Lauren. Vai entender.
Eu tentei disfarçar. Precisava me acostumar a ter um namorado que não faz coisas de gente normal. A não ser que o normal seja um serial-killer. Aí tudo bem.
- Por que a gente não volta pro meu quarto, James? Quero me sentir cansada de novo!
Oh céus. Eu não estava escutando aquilo. Ele puxou-a pela nuca e beijou sua boca, me olhando, enquanto ela apertava a bunda dele por cima da toalha. James pegou Lauren no colo e enroscou as pernas dela na sua cintura, me olhando ainda. Saiu do meu quarto e entrou no dela. Eu achei melhor ir tomar banho frio depois dessa cena.
## EDWARD POV ##
Estava em pé olhando pela janela do hotel. Não do meu hotel. Do hotel da brasileira. Onde eu passei a madrugada. Para você entender melhor, deixa eu explicar. Ela estava com dificuldades de arrumar táxi ali numa hora daquelas. Então peguei meu carro e dei carona. Claro, minha intenção não era dar uma de bom samaritano. Eu queria mesmo era cravar meus dentes naquele pescoço cor de jambo e beber seu sangue quente. Agora eu entendo porque dizem que as brasileiras são quentes. E como!
Mas enfim, nós fomos para seu quarto em outro hotel um pouco longe do meu. Ela era super simpática e muito inteligente. Me disse que era da Bahia e eu morri de vontade de conhecer esse lugar. Nós chegamos em seu quarto e mesmo ela me dando super mole, não saiu se jogando em cima de mim como a maioria costuma fazer. Ela tinha uma certa classe. E então percebi que já eram 5:00 da manhã e eu estava li, conversando com a mulher. Eu era patético! Levantei-a puxando pela mão e puxei-a contra meu corpo, fazendo aquela pele chocolate ficar arrepiada. Acariciei sua nuca e beijei-lhe o pescoço, deitando-a na cama.
Deixei suas mãos percorrerem meu corpo. Eu daria uma satisfação a ela. Ela ofegava em baixo de mim, quando mordi sua pele, pressionando meu corpo sobre o seu para ela não tentar fugir. Mas foi interessante a sua reação, que ao invés de se debater, enroscou suas pernas em mim. Isso era novidade. Suguei o suficiente para ela perder a consciência, mas não o suficiente para matá-la. Eu achei melhor não privar o mundo daquela beldade.
Agora estava ali vendo-a dormir, era melhor sumir antes que ela acordasse. Fechei o quarto e fui embora. Eu realmente precisava ir ao Brasil.
## BELLA POV ##
Eu estava na cozinha ajudando Jess com o almoço. Ela era péssima cozinheira.
- O que ele viu na Lauren?
- Ai... dá pra parar de falar em James, por favor?
- O que tem eu?
Ele apareceu na porta da cozinha, finalmente vestido. E de óculos escuros. Imaginei o motivo.
- James! Achei que Lauren tivesse te amarrado no quarto!
Jess falava quase entrando em combustão.
- Foi algo assim.
- Oh. Credo. Dá para não nos contar os detalhes?
Ele se aproximou de mim.
- Isso te incomoda?
- Muito.
- Ótimo.
- Para mim você pode contar todos os detalhes. Ou pode mostrá-los...
- Menos Jessica...
Lauren apareceu, parecia a sombra de James.
- Senti sua falta.
- Saí do quarto nem tem 10 minutos. Sossegue.
- Tira esses óculos!
Ela levou a mão até seu rosto e ele a segurou.
- Nunca... toque... em meus óculos.
- Tu-tudo bem.
Eu quis rir. Imaginei a reação delas se visse os olhos vermelhos dele.
- Jess, cadê a manteiga?
- Se não estiver na geladeira, é porque não tem.
Eu abri a geladeira e não vi a porra do pote. Merda, não tinha manteiga.
- Como você acha que eu vou fazer o almoço sem manteiga?
- Precisa?
- O meu almoço precisa. E a maioria dos almoços de pessoas normais precisam.
- Vai comprar, ué.
Eu olhei para Lauren e desejei explodir aquela cabeça. Não. Eu desejei ver os dentes de James cravados no seu pescoço.
- Eu só vou, porque estou com fome!
Peguei a chave do carro e saí batendo a porta. Estava girando a chave na ignição quando a porta do carona se abriu e alguém entrou.
- James? O que pensa que está fazendo?
- Indo comprar manteiga.
Ele me olhou maliciosamente.
- Mas não mesmo! Saia já do carro!
- É você quem vai me obrigar?
Eu pensei nisso e descobri que não teria força para empurrá-lo dali.
- O que você quer comigo?
Ele riu levantando um lado da boca e tirou os óculos.
- Não. Não responda.
- Ok.
Dirigi me concentrando apenas em olhar para a frente.
- Você e a ruiva... Victoria, são um casal?
- Casal? Não.
- Não parecem irmãos.
- Não somos. Eu a transformei.
- Ah sim. Mas não são um casal.
- Nada parecido com isso.
- Hum.
- Mais alguma pergunta?
- Não. Na verdade, sim.
- Tenho a vida toda...
- Hilário.
- Eu sei.
- Eu estava mentindo.
- Eu sei. (ele sorriu)
- Certo. Você é confuso...
- Qual era a pergunta?
- Por que as garotas ficam loucas contigo?
- Porque eu sou gostosíssimo.
- E pelo visto humildade é algo que falta nos vampiros, né?
- Pode-se dizer que sim. (riu) Mas eu vou matar sua curiosidade. Digamos que seja um poder meu.
- Poder? Tipo de ler a mente?
- Nada a ver com ler a mente. Mas eu posso fazer qualquer mulher se jogar aos meus pés.
- Como?
- Basta olhar a pessoa e mandar os sinais.
- Ah. Então... se você quiser pegar a Angelina Jolie, é só olhar para ela?
- Exatamente.
- Deve ser chato poder fazer isso com que quiser.
- Descobri a pouco tempo que não funciona com todas.
E aí lembrei da conversa entre ele a Victoria na festa.
- Ah.
## EDWARD POV ##
Tinha chegado bem cedo no hotel e fui procurar meus irmãos para irmos embora. Foi difícil arrancar Rosalie de uma sala cheia de espelhos que tinha ali. Ela falava coisas estranhas, como sonho realizado, estar no céu, esse tipo de loucuras. Pelo que pude ler nas mentes dos meus irmãos, não iríamos precisar de óculos por alguns dias. Dirigi pela estrada de volta tendo que aturar Emmet contar pela terceira vez o nosso encontro no beco. Olhei Alice pelo retrovisor e a senti quieta demais. Entrei em sua mente e fui bloqueado.
- Alice!
- Me deixa quieta.
- Eu já ficava em pânico quando ela me bloqueava. Da última vez que ela fizera isso, bem, eu dei de cara com dois vampiros em Forks.
A viagem foi mais longa do que o normal, pois era torturante escutar Rosalie e Alice cantarem Rihanna no meu ouvido. Ah, claro, com Emmet fazendo o rapper no fundo. Eu sentia que Jasper era o único coerente ali além de mim, mas então minha razão foi embora quando ele começou a batucar acompanhando a música. Era o mesmo que estar no inferno. Só que sem as chamas.
Deixei os loucos em casa e saí cantando pneu indo para a casa de você-sabe-quem. Não. Não é do Voldemort, porra! Estacionei e dei a volta na casa para entrar pela janela. Mas Bella não estava no quarto. Como tinha barulho na sala, resolvi descer. Ops. Não. Precisava entrar pela porta. Saltei a janela e dei a volta de novo. Toquei a campainha.
- Edward!
- Bella, está?
- Não, mas pode entrar!
Uma delas me puxava pela mão para dentro de casa.
- Onde ela está?
- Foi comprar manteiga para terminamos o almoço. Já deve estar voltando.
- Certo. Vou esperar.
Sentei no sofá, com as três sentando na minha frente e me olhando. Estava de verde? Senti alguma coisa puxar a minha calça e chutei. Um ganido ecoou na sala.
- JAAAAAKEEE!
Uma das meninas correu até o outro lado, pegando um cachorro meio tonto no colo. Eu entrei na casa certa, né?
- Edward, você chutou o Jakezinho...
- Ah. Não vi. Desculpe.
- Você está bem, neném?
Ela estava falando assim com o cachorro? Ela sabia que era um cachorro, né?
## BELLA POV ##
Entrei rápido no mercado para pegar a porra da manteiga. E James vinha atrás de mim. Não me dei conta de que estava tão frio, só quando entrei na loja com ar-condicionado.
- Que merda!
- O que?
- O frio! Deixei o casaco em casa.
- Quer que eu te esquente?
- Não, obrigada. Até porque vocês não são quentes.
- Mas posso te deixar quente...
- Ah, cômico!
Peguei a manteiga e fui pro caixa.
- São U$ 2,95 senhora.
- Merda! Esqueci minha carteira.
- Como alguém sai para comprar uma coisa e não traz o dinheiro?
- Não sei. Poderia não me irritar mais ainda?
Ele passou na minha frente e olhou para a mulher no caixa.
- Vou ficar te devendo, ok?
- Claro! Eu tiro do meu.
- Obrigado.
James sai me puxando dali em direção ao carro.
- Você é louco ou ladrão mesmo?
- Sou prático.
- E ladrão!
- Ok, vou devolver, espere aí.
Eu o puxei pela camisa.
- Não! Eu estou com fome.
- Como se diz?
- O que?
- Eu te fiz um favor... como se diz?
Eu o olhei incrédula. Ele era insuportável demais.
- Obrigada.
- Disponha.
E me entregou a porra da manteiga. Eu surtei quando ele tirou os óculos, em pleno estacionamento.
- O que você está fazendo?
- Nada.
- Bota os óculos! Você está em público!
- A pomba ali no meio-fio deve estar com medo mesmo...
Eu o soquei.
- Não me alisa senão eu gamo!
- Estou me lixando pra isso.
Eu estava abrindo a porta da pick-up quando senti o baque. Ele tinha me imprensado contra a lataria.
- Cuidado que posso te fazer mudar de opinião.
O rosto dele estava a milímetros do meu. Ele era louco? Eu tinha namorado, e O namorado.
- Seu poder imbecil não funciona comigo, esqueceu?
Ele me olhou nos olhos.
- Como você sabe?
- Bem... eu não me atirei aos seus pés.
Ele se curvou mais para cima de mim e disse no meu ouvido.
- É só um poder. Mas na maioria das vezes, eu não preciso usá-lo.
- Vo-você pode te-tentar, mas vai p-pe-perder seu te-tempo.
- Veremos...
Ele se afastou de mim e eu pude respirar melhor. Entrei no carro e girei a chave. Ele entrou no carona e me olhou.
- Passou o frio?
- Cale a merda dessa boca!
Eu o ouvi rindo enquanto dirigia muito puta. Tão puta, que não me dei conta de que tinha um Volvo prata parado do outro lado da rua. Entrei na garagem e saí do carro.
