Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas pela J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.


Capítulo IV - Aquele em que Lily finalmente aparece

- Faça de uma vez.

Harry encarou a varinha que Ronald, determinado, apontava para a sua cabeça. Harry não mexia um músculo sequer. Ele devolveu o olhar, sentindo a tensão que envolvia os dois.

Ron abriu a boca para pronunciar o feitiço.

- Não, não, não, não. Não faça – Harry implorou, escondendo o rosto com as mãos.

Ron soltou uma exclamação exasperada e abaixou a varinha.

- Você confia em mim ou não, homem?

- Confio! Só que me dá aflição essa varinha na minha testa – Harry espiou por entre os dedos. – Tem certeza de que você aprendeu o Feitiço de Cor correto depois do Perebas? – Quando Ron lhe assassinou de cinco maneiras diferentes com apenas um olhar, Harry respirou fundo. – Okey, só checando. Faça.

- Fique parado – Ron forçou os braços de Harry a ficarem grudados ao lado do corpo. Apontou novamente a varinha bem entre seus olhos e com um giro grande e preciso do punho, murmurou: - Coloris.

Imediatamente os olhos de Harry adquiriram um tom frio de azul que desagradou Ron, já que ele fez uma careta.

- O quê? – Harry guinchou em pânico, tropeçando até o espelho no banheiro. - Oh, ficou realmente bom, Ron – Harry se admirou.

- Sabe, continua sendo ofensivo quando você e Hermione se espantam com cada coisa certa que eu faço.

Era domingo e o terceiro dia deles naquela Hogwarts. Enquanto os alunos aproveitavam a manhã ensolarada nos jardins do castelo, Harry e Ron sentavam-se no quarto da Torre Norte planejando o que mais gostavam de fazer: quebrar regras. Se Ron estivesse prestando atenção na história ele diria que isso é uma grande injustiça da narradora. As regras é que não gostam de serem seguidas por eles.

- Foi uma boa idéia essa sua de disfarçar a cor dos meus olhos, mas... o que eu faço se encontrá-la por aí? – Harry perguntou, calçando os tênis.

- Você tem de agir naturalmente. Ela não sabe quem você é; você não sabe quem ela é. Nada de desmaios ou coisas do tipo, entendeu?

- 'Tá, acho que entendi. E se ela vier falar comigo?

Ron suspirou desanimado. Do momento em que eles descobriram até onde tinham viajado no tempo, ele soube que aquela experiência seria das mais felizes e também das mais traumáticas para o amigo.

- Harry, parceiro - Ron começou, colocando um braço ao redor dos ombros de Harry, - nós dois concordamos que a Mione é pirada e tudo mais... Mas ela tem razão às vezes, sabe? Bill me contou: coisas realmente ruins acontecem com quem tenta alterar o futuro. Qualquer intervenção é perigosa, você poderia nem ao menos nascer!

- Então evitaríamos todo o problema – Harry falou amargamente.

- Você sabe que não quis dizer isso. De toda forma, só jogaria o problema para outra pessoa, não é mesmo? Neville, por exemplo.

Harry sabia que não tinha como argumentar contra uma coisa que ele mesmo, bem lá no fundo, sabia ser verdade. Relutantemente deu de ombros para Ron, que sorriu um tanto aliviado.

- Legal. Vamos descer, então. Já devem estar servindo o almoço – Ron esfregou as duas mãos, visivelmente mais animado, antes de começar a arrastar Harry para fora do quarto. – Mas sabe, eu não gostei desses seus novos olhos, não.

- Sério? Eu realmente achei que eles ficaram muito bons.

Os dois amigos desceram todo o caminho até o Salão Principal conversando mais relaxados. O Salão estava cheio e barulhento, e Harry e Ron avançaram até a mesa da Grifinória onde Sirius, Remus e Hermione já se encontravam.

- Ei, não vimos vocês a manhã toda. Onde se meteram? – Sirius perguntou curioso.

- Ron estava me ajudando com uma coisa... Cadê os outros?

Bem quando Remus estava dando de ombros, James Potter entrou orgulhosamente no Salão exibindo as vestes de quadribol do time da Grifinória. Peter vinha logo atrás, como sempre, carregando com devoção a Comet 210 de James. Ao que parecia, ele tinha passado a manhã assistindo o amigo treinar. Ron enfiou uma batata na boca de Harry quando o amigo rosnou baixinho ao seu lado.

- E aí, gente! – James cumprimentou alegre. – Qual é a boa?

- A BOA É QUE MINHAS ROUPAS CONTINUAM DESAPARECIDAS - Draco Malfoy berrou, entrando aos pulos no Salão Principal. Hoje Ron tinha lhe emprestado uma camiseta azul do Martin Miggs, o trouxa pirado.

James lhe dispensou uma boa olhada de cima à baixo, antes de se sentar e enfiar um pãozinho na boca.

- Nã-seh-quece-tá-faando.

- URGH! POTTER! Eu QUERO minhas roupas de volta! NESTE MOMENTO!

James teria sentido dó do papelão que Draco estava fazendo se naquele momento as portas do Salão não tivessem se aberto.

A luz natural do Salão diminuiu quando centenas de fadinhas encantadas brotaram no portal para iluminar a passagem de Lily Evans. Ela entrou em câmera lenta, os longos cabelos acaju esvoaçando atrás de si quando uma leve brisa com cheiro de petúnias invadiu o lugar. Os pássaros começaram a cantar para ela, que caminhava decidida até James enquanto os anjos cantavam em coro:

"Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!"

Lily se aproximou de James com o sorriso encantador de quem tem algum segredo a revelar. James suspirou e sorriu de volta quando ela abriu a boca para falar.

- 'Tá olhando o quê, palhaço?

O Potter pai piscou desnorteado quando os passarinhos cantaram tão alto que explodiram em milhares de penas e ele foi obrigado a sair de seu devaneio. Ainda deu tempo de ver uma Lily Evans bem mal humorada se afastar na direção da outra ponta da mesa.

Ele olhou novamente para o portal, desapontado por perceber que aquilo não passara de uma ilusão. A iluminação continuava a mesma de sempre - o teto encantado inclusive mostrava sinais de tempestade iminente - e não havia nenhuma fadinha em volta, só Draco Malfoy que continuava berrando com ele como um banshee. No entanto, para sua surpresa, o coro celestial continuava.

"Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh h!"

Com um "Será?" murmurado, James olhou para o céu e coçou a cabeça, só para ter certeza de que não havia nenhum anjo intrometido no meio das nuvens tirando uma com a sua cara. Não. Só relâmpagos.

James olhou para a direita, e finalmente para a esquerda. Foi então que deu de cara com Sirius, que tinha uma mão sobre o peito e a outra solenemente estendida enquanto entoava um agudo "Ohhhhhhhhhhhhhh!"

- Que fôlego! - Peter aplaudiu animado quando Sirius finalizou sua nota, orgulhoso.

James deu um tapa irritado na cabeça de Sirius.

- Ei, pra que isso? Pra que essa violência?

- Só não te dou outra porque... - James resmungou, fazendo movimentos de quem queria estrangular Sirius, que voltou ao seu almoço como se nada tivesse acontecido.

Alheio a quase toda a cena, Draco Malfoy pulou até o único banco vazio, que por um acaso ficava ao lado do de Ron. Draco olhou de Ron para o banco e deste para Ron novamente, e fez a expressão de quem acabou de pisar numa pilha de cocô de gnomos. O fato de Draco ainda conseguir fazer aquela expressão mesmo naquelas roupas só contribuiu para Ron esmagar com o calcanhar qualquer sentimento de simpatia que ele pudesse estar desenvolvendo pelo menino-sem-roupas.

Malfoy sentou-se com um leve puxão na cintura da calça e passou a servir seu prato, ignorando Ron completamente. Ignorando a todos, na verdade, o nariz empinado no ar numa tentativa malfoynesca de dizer que ninguém ali era digno de sua atenção. Ron teve de resistir a vontade de dar um soco no outro por esta atitude.

Se alguém lhe pedisse, Ron apareceria com uma lista do tamanho de seus braços compridos cheia de razões pela qual ele detestava Draco Malfoy. Sua arrogância, seu ar de superioridade, seus cabelos lambidos e impecavelmente arrumados, suas roupas novas, suas notas em Poções, seu nariz arrebitado, seu sobrenome, sua capacidade de deixá-lo embaraçado seguidas vezes num curto espaço de tempo, sua voz de pomorim, seu gênio de diabrete, sua sutileza de um Rabo Córneo-Húngaro. Em suma, sua existência.

O fato de que Draco parecia estar fazendo a questão de ficar em seu caminho na última semana, estava dificultando que Ron fingisse que ele não estava ali. Se ele virava para a esquerda, dava de cara com a doninha. Se ele virava para a direita, o platinado estava ali. Se ele girava no próprio eixo três vezes e dava um pulinho no lugar, seus olhos se abriam para a insistente praga sonserina sorrindo todos os seus dentes, pronto para mais uma tentativa de fazê-lo querer arrancar os próprios cabelos.

Então, quando ele se viu incapaz de dormir por conta dos pés gelados que Draco fazia questão de descansar em sua cabeça durante a noite, Ron percebeu que estava numa enrascada. Draco ainda não tinha desistido da cama, é claro, porque ele era um metidinho chato e Ron não tinha sorte o bastante.

Ali, encolhidos juntos durante a noite, ficava ainda mais difícil ignorar Draco.

Esse pensamento fez Ron se engasgar com um pedaço de galinha.

Harry deu umas palmadinhas nas costas do amigo e o deixou na companhia de Draco, sabendo que em algum futuro próximo os dois engatariam em alguma discussão sem fim, e voltou a sua atenção para o que se passava a sua frente.

Remus de repente tinha erguido a cabeça e farejava o ar curioso. Franziu o cenho quando olhou para um lado e viu Peter distraído com seu purê de batatas. Mexeu o nariz ansioso quando virou-se para o outro e encontrou James discutindo fervorosamente com Hermione a respeito da melhor combinação do milho na culinária.

Harry viu, confuso, a cabeça de Remus desaparecer debaixo da mesa, como aqueles suricates que ele vira num programa de TV, quando seus tios não estavam em casa. Ele ainda estava pensando em dar uma espiada no que Remus estava fazendo, quando o nariz do lobisomem apareceu na beirada da mesa e deu uma longa fungada. O resto da cabeça de Remus apareceu e ele parecia bastante satisfeito com alguma coisa.

Harry coçou a cabeça quando o jovem Lupin desapareceu novamente debaixo da mesa só para reaparecer segundos depois atrás da cadeira de James, quando ele começou a farejar o amigo. Harry olhou em volta, mas ninguém - nem James! - parecia notar o fato de Remus estar farejando o corpo do amigo como um cãozinho faz quando seu dono chega da rua. Ele deu duas cafungadas no pescoço de James e, não satisfeito, voltou-se para as costas do amigo. O cúmulo para Harry foi quando Remus ergueu o braço do veado e cheirou ali também.

Remus foi descendo as cheiradas pelo tronco de James e Harry não pôde se segurar mais.

- Mas o que...

- James, me dá o chocolate - Lupin falou sério, erguendo a cabeça novamente.

James só agora percebeu a cabeça do amigo sob sua axila.

- Eu não tenho chocolate - James falou o mais sério que sua cara de besta permitia.

- Tem sim, está no seu bolso direito.

- Merda, Moony! Maldito nariz! - James resmungou enquanto metia a mão no bolso e entregava o chocolate para Remus. Harry podia jurar que o lobisomem voltou para seu lugar abanando um rabo imaginário.

Eles estavam repetindo a sobremesa pela terceira vez quando Harry viu Lily se levantar para deixar o Salão Principal sozinha. Num impulso, ele imitou os movimentos da mãe.

- Aonde você vai, cara? - Ron perguntou, parando de estrangular Malfoy por um momento.

- Já volto, não sai daí.

- 'Tá bom - falou Ron e voltou a estrangular Draco.

Harry saiu para o Saguão de Entrada em tempo de ver Lily subir com pressa a escadaria de mármore. Escondido por uma tapeçaria em que Gauge, o gago, estava empacado no primeiro verso de um poema (Baba-ta-tiiii-nhanhanha quando nas-nas-naaaaasce...), Harry observou Lily desaparecer pelo corredor do primeiro andar. Só então ele começou a subir as escadas de dois em dois, atrás dela.

Ele se esgueirou pela entrada do corredor e colocou apenas a cabeça pela curva do caminho que levaria até a escada para o segundo andar. Quando teve certeza de que o caminho que a garota estava tomando levaria à biblioteca, Harry retornou alguns passos e entrou por uma passagem secreta.

Correndo feito um louco pelo caminho estreito da passagem, ele chegou ao final dela tropeçando e 'catando' cavacas por trás de uma tapeçaria que dava direto no meio do corredor do segundo andar. O Menino-Que-Sobreviveu mal teve tempo de recobrar o equilíbrio quando levou uma burduada na cabeça.

- Ahhhhhhhhhhhhhhh! - Lily Evans gritou a plenos pulmões, enquanto acertava o garoto novamente com o livro grosso que estava segurando. - O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO, POTTER?! TENTANDO ME MATAR DO CORAÇÃO?

- Mas eu na-

- CALA A BOCA! O que você está planejando dessa vez, se esgueirando por aí?

- Eu não esta-

- Já disse pra calar a boca!

- Mas voc-

- Potter! Pare de me atazanar e vá arrumar o que fazer!

Nesse momento, Hermione Granger entrou no corredor, obviamente seguindo para a biblioteca, arrastando pelas orelhas um Ronald um tanto quanto revoltado. Ela parou alarmada quando percebeu a interação entre Harry e Lily.

- Harry!? O que diabos você fez dessa vez?

Harry abriu a boca para se explicar quando levou outra livrada. Só então Lily pareceu entender o que a menina havia falado. Ele encarou Harry um momento, deu duas piscadas confusas, e então o acertou novamente.

- Por que diabos você não disse de uma vez que não era o Potter, ao invés de ficar aí apanhando?!

- Eu tentei, mas você não parava de me acertar!

- Se eu soubesse que você não era o James teria batido mais de leve - ela disse, com uma pontada quase inexistente de remorso.

- Não se preocupe, ele provavelmente mereceu - disse Ron, mal humorado por Harry ter lhe deixado sozinho com Hermione novamente.

- Mas você é a cara do Potter! Você é irmão daquela praga?

- Não! - Hermione rapidamente se colocou na conversa quando Harry ameaçou abrir a boca, provavelmente para dar uma resposta idiota. - Apenas primos. Distantes. Bem distantes. É.

- E o que vocês estão fazendo aqui?

- Acredite, eu também gostaria de saber - Ron resmungou.

- Vocês não estavam aqui ano passado... - Lily insistiu.

Hermione de repente olhou para o punho sem relógio e exclamou:

- Meu Deus, olha a hora! Temos realmente que ir! - e com um sorriso amarelo para Lily, agarrou Ron e Harry pelas orelhas e os arrastou dali. - Foi um prazer! - ela gritou por sobre o ombro enquanto Harry e Ron iam aos berros de 'Ai, minha orelha! Larga!'

Lily encarou as costas dos três por alguns segundos, piscando.

- Birutas - ela murmurou. Então olhou para os dois lados do corredor e coçou a cabeça. - O que eu ia fazer mesmo?

xXx

Hermione empurrou os dois amigos no primeiro armário de vassouras que encontrou.

- O que você pensa que estava fazendo?

- Eu estava tentando terminar meu almoço! Você que me arrast-

- Você não! ELE!

- Eu- eu...

- Não importa! Eu sei muito bem o que você estava fazendo!

- Então por que perguntou? - Ron exclamou.

- CALADO, RONALD!

- Cruzes, que mal humor...

Com um olhar fulminante, Hermione se voltou para Harry com um dedo apontado em seu nariz.

- Você fez uma coisa muito perigosa, mocinho! Podia ter dado com a língua nos dentes! Podia ter provocado um ataque em sua mãe! Podíamos ter sido descobertos!

- Cara, já se vão sete anos e você ainda não descobriu a importância de estabelecer prioridades.

Hermione lançou um Silencio em Ron.

- Harry, mexer com o tempo pode ser perigoso demais, quantas vezes preciso repetir isso?

- Mas eu só estava-

- Não! Isso acaba aqui! Você não vai mais tentar falar com ela.

- Mas eu nem-

- NÃO discuta comigo - a menina encerrou o diálogo cheia de razão, dando às costas a um perplexo Harry e um mudo Ron.

Ela fez como quem ia abrir a porta do armário, mas esta se abriu antes que ela conseguisse colocar a mão na maçaneta. Por ela, um Sirius bastante animado tentava empurrar Remus para dentro do armário.

Alguns momentos de silêncio constrangedor depois, Sirius abriu um sorriso enorme e tomou fôlefo para fazer um comentário, quando Remus tapou sua boca.

- Não. Vamos embora - Remus empurrou Sirius de volta para o corredor, mas antes de afastar-se, completou. - A gente não fala nada se vocês não falarem.

Ron balançou a cabeça e fez um sinal de zíper na boca.


Notas: Er... *olha a última data de atualização e morre de vergonha*

É, eu sei, eu dei uma mancada ENORME! Fiquei muito tempo sem escrever mesmo devido a uma série de responsabilidades com a RL. Mas o importante é que o capítulo 4 está aí e o quinto já está até mesmo iniciado! Olha só!

E o mundo não acabou, o que significa que você vai poder ler o capítulo tranquilíssimo aí na sua poltrona. ^^

Os meninos voltam em breve, espero eu!

Beijos.