Oi gente!
recebi poucas reviews aqui, então quero saber se estão gostando... Para decidir se continuo postando ou não, ok?
;)
Tratei de levantar e ajeitar o cabelo, enquanto ele entrava no quarto. Sofia parecia nem ser a mesma criança que eu conhecera há poucas horas, pois ela levantou e saiu correndo até o pai, que agachou um pouco para pegá-la no pulo. Eles com certeza ficavam lindos juntos.
— Como foi seu dia, princesa? Foi bom?
Ela balançou a cabeça e sorriu para ele. Para meu espanto, Sofia emitiu algum som. Não era uma palavra, mas era um som e aquilo era demais, considerando que até então eu não tinha escutado nada vindo dela.
— Uhum!
— Ótimo, gatinha! Termine de brincar então enquanto o pai toma um banho, ok?
Ele a colocou no chão novamente, mas antes deu-lhe um beijo na testa. Sofia voltou para sua xícara e ele me olhou, fazendo um gesto com a cabeça.
— Por favor, acompanhe-me, sim?
Eu iria sem esforço algum atrás dele. Edward Cullen era ainda melhor pessoalmente do que por fotos! Nós saímos do quarto de Sofia e continuamos em frente, na direção da última porta, que eu imaginava ser o quarto dele.
— Fez boa viagem?
— Sim, fiz.
— Isabella... Swan. Certo?
— Isso.
Até de costas ele era lindo. E se eu continuasse desse jeito seria demitida por justa causa em menos de uma semana... Controle-se Bella! Meu patrão virou de frente para mim assim que abriu a porta do quarto.
— Não é um sobrenome muito brasileiro, né?
— Não, mas é que meu avô era americano.
— Ah sim, entendo. O que achou de Sofia?
— Eu não conversei com ela e o senhor já deve saber... Mas...
— Faça-me um favor. Não me chame de senhor senão eu te chamarei de senhora. E não acho que você vá gostar disso.
Senhora? Ew.
Eu dei um sorriso envergonhado e balancei a cabeça concordando com ele.
— Não chamarei mais.
— Ótimo. E sim, Sofia tem problemas para falar, desde que minha esposa faleceu. O psicólogo diz que é uma forma de proteção que ela adotou. Ela se fecha no casulo dela e se acha segura ali. Não sei se consegue entender...
— Um pouco, claro. Ela, no entanto, me pareceu bem tranqüila. Pelo menos eu nem vi a hora passar enquanto estávamos ali no quarto...
Ele sorriu e eu senti que Sofia era um motivo de orgulho para ele. Ou pelo menos era o que parecia. Para meu desespero, meu patrão passou a mão pelos cabelos de um jeito que quase me fez cair para trás. Ele conseguiu ficar ainda mais pegável! Tenha dó...
— Isabella?
— Oi?
— Eu disse que nos vemos mais tarde, no jantar.
Oh céus, eu já estava pagando mico? Por quanto tempo será que ele ficou falando sozinho enquanto eu contemplava seus cabelos? Dei meu melhor sorriso amarelo e me afastei, indo para meu quarto bater com a cabeça na parede.
Na hora do jantar, eu desci até a sala e encontrei a mesa já arrumada. Sr. Cullen e Sofia estavam deitados numa poltrona e ele parecia estar lendo algum livro para ela. Quando passei direto para a cozinha, ele me chamou.
— Nós já vamos jantar, ok?
— Sim, tudo bem. Eu estarei na cozinha se precisarem de mim.
— Não, jante conosco. Sempre preferi que nossas aupairs se sentissem como se fossem da família.
Ele sorriu e Sofia também. Quem recusaria um pedido que nem esse, né?
Durante o jantar eu me sentei em silêncio e permaneci assim até que o celular do meu patrão tocou e ele atendeu, falando comigo ao mesmo tempo. Devagar, por favor.
- Desculpe... Eu não entendi.
Eu tinha colocado em meu perfil do site que não falava um inglês perfeito e torci para que ele não tivesse achado que aquilo era só brincadeira. Eu realmente boiava com algumas expressões ou quando falavam rápido demais. Sr. Cullen... ou Edward, como ele prefere, me olhou e franziu a testa.
- Ah sim. Eu apenas pedi licença para atender essa ligação. Já volto.
Como era possível eu não ter entendido uma coisa tão ridícula? Seria preciso ficar mais atenta para não dar outro mole como esse. Sofia ficou olhando o pai enquanto ele se retirava da sala de jantar. Ela tinha uma carinha triste por vê-lo se afastar, então eu tive a idéia mais patética de todas.
- Ei Sofia, você já fez montinho de arroz?
A menina me olhou sem entender, talvez por eu não ter achado a palavra certa para "montinho" em inglês. Eu comecei a brincar com minha comida e ela ficou me olhando curiosa. E então felizmente Sofia começou a me imitar, colocando o arroz empilhado de um lado do prato, até que a cozinheira apareceu na sala.
- O que você está fazendo? Ensinando-a a brincar com a comida?
- É! Legal, não?
- Não.
Ouch, doeu. Larguei meu garfo rapidinho e abaixei a mão de Sofia para ela fazer o mesmo. A mulher carrancuda saiu da sala e eu agradeci por ela estar indo embora. Só precisaria aturá-la novamente amanhã.
- Credo, ela é sempre simpática assim?
Perguntei e Sofia balançou a cabeça positivamente. Quando eu soltei sua mão, ela voltou a fazer o montinho do jeito que eu tinha mostrado.
- Sabe que eu sinto que a gente vai se dar bem?
Esfreguei a cabeça de Sofia que nem os adultos costumam fazer com as crianças e me senti a verdadeira adulta. Até que era bom não ser a pirralha do lugar, né? Fazia eu me sentir importante...
- Sofia, não brinque com a comida.
Ah cacete, até ele? Eu abaixei novamente a mão da menina quando Edward voltou para seu lugar e sorri para ele.
- Ela inventou de ficar fazendo isso. Pff... Mania de criança mesmo.
Oh, eu espero que ela me perdoe. Aproveitei que o patrão não estava nos olhando e sorri para a menina. Será que ela entendia linguagem labial. Eu mexi minha boca dizendo: "esse é nosso segredo".
- Então, Isabella, pretende fazer algum curso na cidade? Eu preciso que você veja isso para então podermos montar seu horário com Sofia, ok?
- Claro. Eu vou dar uma pesquisada o quanto antes.
- Certo, eu agradeço.
Eu não sabia se comia, se prestava atenção em Sofia ou se olhava para meu patrão. Putz, devo estar pagando todos os meus pecados. Eu não tinha muito bem o costume de fazer refeições em família, então quando terminei de comer, fiquei apenas sentada em meu lugar, esperando. Não sei exatamente o que, mas eu estava esperando.
- Isabella?
- Sim?
Nossa, aqueles olhos não deviam ter encarar tão rapidamente e profundamente. Deixava qualquer mulher tonta.
- Se já terminou não precisa ficar aqui. Quando eu estiver em casa, Sofia fica por minha conta, não se preocupe.
Eu fiquei radiante! Pedi licença e me retirei, indo direto para meu quarto terminar minhas arrumações. Devo admitir que meu instinto profissional – eu tinha mesmo isso? – me fazia pensar em Sofia de vez em quando, me preocupando se ela estava mesmo aos cuidados do pai ou se ele estava com o celular no ouvido enquanto a garota se afogava na piscina. Ou isso, ou então minha preocupação era mesmo só com a piscina... Que por sinal, era linda!
Já era bem tarde quando saí do quarto, tomada de banho e com vontade de já me enfiar dentro de um pijama confortável e me jogar na cama. A viagem e o dia tinham sido cansativos, mas antes de fazer isso, resolvi ir até a cozinha para beber água. Quando eu estava voltando, ao passar pela sala, dei de cara com meu patrão, apenas de sunga, com uma toalha branca em vota do pescoço, passando por ali. Oh merda. Pensa rápido, pensa rápido! Pensa, pensa! Uau, que abdômen!
- Eu... Eu... Sede!
OMG! Pior impossível. Edward me observou, franzindo a testa e considerando ter contratado uma maluca para tomar conta da filha.
- O que?
- Eu tive água! Quer dizer, eu tive sede. Isso... E vim beber água.
- Tudo bem.
Não olha para o material dele! Não olha! Eu tinha 2 segundos para dar o fora dali antes que piorasse ainda mais a minha situação. Passei por ele, sem olhar para o lado e subi as escadas. E isso era apenas o primeiro dia. Como eu achava que sobreviveria àquilo? E o que diabos ele estava fazendo se sunga tão tarde? Eu entrei no meu quarto e vi que o relógio de cabeceira marcava mais de onze horas. Será que ele gostava de nadar de noite? Talvez para relaxar? Peguei o papel com os horários de Sofia na escola e fiquei decorando aquilo enquanto esperava o sono chegar. Eu demoraria a dormir aquela noite...
[...]
Sabe quando você está dormindo ou está de costas para uma porta e sente que tem alguém por perto, te observando? Eu não sei explicar direito, mas eu sentia algo assim e quando abri meus olhos, vi Sofia sentada igual Buda ao meu lado.
- Sofia? Como você entrou aqui?
Ela apontou singelamente para a porta. Oh, jura? Quantos anos você tem, Bella?
Enquanto a menina me olhava esperando por alguma reação minha, eu procurei pelo despertador e quase torci o pé com o pulo que dei da cama. Como era possível eu ter perdido a hora no primeiro dia que levaria Sofia para a escola? Saí tropeçando em meus próprios pés e peguei a folha com o horário dela que estava em cima de uma mesinha. Eu tinha menos de meia hora para me arrumar, alimentá-la e chegar sã e salva na porta da escola.
— Sofia, vá se arrumar! Nós estamos atrasadas!
Era sacanagem de minha parte falar aquilo para ela, pois a única atrasada ali era eu, mas foi preciso apressá-la daquele jeito. A pimpolha saiu em silêncio do quarto e foi fazer o que eu mandei, conseguindo estar pronta antes de mim. Impressionante!
— Ok, melhor nós irmos logo, né?
Eu teria tempo para escovar os dentes e pentear os cabelos depois... Cheguei que nem um furacão na cozinha e me senti um tanto perdida por ali. Aquela era a área de outra pessoa e a cozinheira da família não devia ir muito com a minha cara, já que eu não conseguia achar nada direito por ali.
— Você gosta de leite, né? Quem não gosta de leite? Vamos tomar leite então!
Eu não achei nenhum copo normal, então improvisei uma taça de cristal mesmo. Esperava pelo menos que ninguém ficasse sabendo daquilo. Sofia bebeu o leite enquanto eu segurava suas duas mãos para evitar que ela deixasse a taça cair e finalmente quando ela terminou – foi meio lenta, devo dizer – nós pudemos ir embora!
Eu ainda olhei para um dos carros parado lá na garagem e me amaldiçoei por nunca ter tirado a maldita carteira de motorista. Se eu tivesse feito isso, não precisaria ir a pé com Sofia para a escola, que até ficava razoavelmente perto da residência – se não fosse o fato de estarmos atrasadas.
— Me diz, Sofia... Você acha que seu pai ficaria chateado se eu pegasse o carro?
Ela balançou a cabeça negativamente. Criança é tudo inocente mesmo, né? E eu juro que realmente cogitei a hipótese de sair dirigindo sem habilitação, mas não achava que seria liberada facilmente se a polícia me parasse. Ajeitei a roupa da menina e sorri para ela.
— Sabe que lá onde eu cresci, as crianças costumam apostar corrida para ver quem é mais legal? Então... Sebo nas canelas!
Um dia eu seria castigada por tudo aquilo, certeza! Peguei na mão de Sofia e saí correndo pela calçada arborizada. Tomara que ela seja uma criança resistente. A lancheira dela fazia barulho enquanto corríamos e por incrível que pareça, eu parecia mais cansada do que ela quando chegamos na esquina da escola.
— Oh meu pai! Estou morrendo!
Sofia estava me abanando com as mãos enquanto eu tentava não desmaiar ali. Recuperei meu fôlego e me despedi dela, que entrou no prédio escolar depois de acenar para mim.
Tentei me recompor quando percebi alguns olhares assustados para cima de mim. Lógico, porque quem disse que eu tinha sido capaz de lembrar de me pentear antes de sair correndo de casa? Minha aparência devia estar algo de outro mundo mesmo.
— Ei, você está bem?
— Claro!
Sorri para o rapaz moreno que parecia preocupado comigo. Ou com o bem-estar das pessoas em volta de nós. Ele era um pouco só mais alto do que eu e tinha cabelos pretos arrepiados. Interessante...
— Você estava parecendo que ia desmaiar...
— Sério? Que nada! Eu estava apenas exercitando meus joelhos. Flexioná-los faz bem para os ossos!
— Jura? Nunca ouvi essa teoria.
E quem ele achava que era? Einstein? O garoto prodígio esticou a mão para me cumprimentar e eu retribuí o gesto educadamente.
— Sou Jacob Black, dou aulas aqui. Você é...?
— Isabella.
E parei aí mesmo. Nada de dizer meu sobrenome. O cara era professor... Faça-me o favor, né? De pobre já bastava eu!
Fiquei olhando para o professor, esperando que ele se tocasse que devia ir dar suas aulas e parar de me secar. Ele, no entanto, não parecia ter notado a minha intenção e continuou falando.
— Isabella? Não tem sobrenome?
— Tenho sim!
Abri um sorriso bem exagerado e ele pigarreou um pouco sem graça. Será que agora tinha dado para notar que eu não iria falar meu sobrenome? Não que eu fosse alguém muito importante, né?
— Ok Isabella. Espero que fique bem... Você está realmente muito vermelha.
Lógico que eu estava! Maldita corrida! Passei a mão em meus cabelos semelhantes à ninho de passarinho e fiz minha melhor pose sexy.
— Minha pele é muito delicada, aí eu fico assim no sol.
Não tinha mesmo uma resposta melhor para eu dar, né? O professor ficou me olhando por um momento, talvez procurando por alguma resposta, até que eu estiquei minha mão para acabar com aquilo logo.
— Tenho que ir, foi um prazer!
— Igualmente.
Saí rápido daquela situação embaraçosa e voltei para casa, caminhando devagar dessa vez e aproveitando o ventinho daquela rua arborizada. Teria sido uma manhã tranqüila se eu não tivesse me atrasado.
