Only Time
Capítulo 5 - Visão do Coração
Era hora do café-da-manhã, e os alunos começavam a chegar no salão.
-Rony para Harry! Responda - disse Rony enquanto atacava um pedaço de pão no rosto de seu amigo.
-Pára com isso, Rony - esbravejou Harry.
-Pára com isso, você! Já faz uma semana que você está com essa cara de coxinha - constatou Rony - O que quer que tenha acontecido, não pode ter sido tão ruim assim.
-Cara de coxinha?! Isso é algum tipo de dialeto bruxo? - perguntou Harry confuso - Mas sim, aconteceu algo horrível... eu pisei na bola, amigo - completou enquanto tampava o rosto com as mãos.
-Explique-se - disse enquanto enchia a boca de frango e legumes.
-Ah, é difícil de explicar... - começou Harry - porque nem eu mesmo entendi direito...aliás... eu não entendi nada.
-Isso não é raro... -murmurou Rony - Correio! - comentou Rony apontando as corujas no teto do salão - Mas que merda - praguejou Rony ao sentir uma coruja dando um rasante em sua cabeça.
A coruja, negra como a noite, passou raspando pela cabeça de mais alguns alunos, para finalmente pousar na mesa de Sonserina à espera de ordens de sua dona.
-Oi Satan - cumprimentou Draco afagando a cabeça de sua coruja - Obrigada - disse ao retirar o embrulho de sua perna.
A coruja, num movimento ágil, partiu da mesa de Sonserina e depois de dar mais alguns rasantes, partiu para fora do Salão de Hogwarts.
-Não é à toa que essa coruja é uma peste. Olha só quem é o dono - comentou Rony, enquanto indicava a mesa de Sonserina com a cabeça.
-De quem é? - perguntou Harry enquanto virava-se na direção que Rony indicara.
-De quem você acha? Malfoy, é claro - respondeu Rony rudemente.
-Bom dia - cumprimentou Hermione enquanto sentava-se na mesa de Grifinória.
-Só se for pra você - respondeu um mal-humorado Rony.
-Bom dia, Mione -respondeu Harry, olhando Rony com censura.
-Mau dia? - perguntou Hermione para Rony.
-Qualquer dia que tenha algo a ver com Malfoy é um péssimo dia! - exclamou Rony exasperado.
-O que ele fez pra te irritar agora? - perguntou Hermione, enquanto trocava olhares com Harry.
-A coruja dele veio dando rasante em todo mundo aqui! - esbravejou Rony - Aposto que ele treinou aquela ave maldita, que mais parece um agouro, pra perseguir pessoas inocentes enquanto tomam café! - completou.
-Você está longe de ser inocente, Ronald Weasley - disse Hermione, enquanto um rubor tomava conta do rosto de Rony, fazendo Harry rir.
-Er...isso é outro assunto. Não tem nada a ver - murmurou Rony - E aquela ave foi treinada sim! Tá na cara. E tudo pra mimar aquele filhinho de mamãe! - continuou Rony - Eles tratam aquele moleque como se fosse uma menina! Por Merlin, nem a Gina é tratada assim lá em casa - completou, fazendo Hermione engasgar com o suco de abóbora.
-O que você disse? - perguntou Harry com os olhos apertados.
-Que ele é um mimado filho da mãe - respondeu Rony.
-Não, depois disso - Harry gesticulou para que Rony prosseguisse.
-Que tratam ele como se fosse uma menina - respondeu novamente Rony, com cara de que não estava entendendo nada.
Harry ficou estático e sem fala, o que preocupou seus amigos que estavam agora diante dele, tentando chamar-lhe atenção inutilmente. Frases e cenas voavam em sua mente numa rapidez atordoante:
"E como você diferenciaria um veela macho de uma veela fêmea?"
"Eu diria que dá pra diferenciar pelo cheiro"
"Jovem mestra trouxe mais um casaco para Dobby, senhor"
"Dicas?! Que dicas? Não sei do que você está falando, Har...digo, Potter ."
"Mas sabe, Harry? Independente da sua opção sexual, você ainda é meu melhor amigo"
"Eu não pareço uma velha!"
"Draco I. Malfoy, e o prazer é todo seu "
"Qual seu nome do meio?"
"Isabele"
"Isabele é nome de menina"
"Você ama o que você vê. Mas os olhos enganam, Harry"
-É isso! Há! Como pude não perceber antes? Estava na minha cara o tempo todo! - pensou Harry em voz alta, fazendo ao amigos se assustarem - Por isso ela ficou tão triste comigo - concluiu.
-Ela quem? Do que você tá falando? - perguntou Rony exasperado.
-Da garota que eu amo! - disse Harry sorrindo - Mas que não me olha mais na cara - falou Harry com o semblante triste.
-Ela te ama. Ela vai entender, Harry - disse Hermione com um sorriso bondoso nos lábios.
-Você sabia? - perguntou Harry, vendo a amiga afirmar com a cabeça - Por que não me disse? - continuou, com uma clara indignação na voz.
-Sabia do quê? - questionou Rony - Será que dá pra alguém me explicar? - pediu Rony ao ver que os dois amigos o ignoravam.
-Eu não tinha o direito - respondeu fracamente abaixando o rosto - Ela deve ter bons motivos pra não contar pra ninguém. Mas eu realmente sinto muito se eu guardei segredo, e se eu ri de você quando você veio me contar o que a charlatã tinha dito - completou, olhando o amigo no rosto, e em seguida dando um olhar preocupado na direção de Rony.
Harry, percebendo a preocupação de Hermione perguntou ao amigo:
-Rony, você tem lembranças de quando você estava pequeno?
-Da primeira ou da segunda vez? - perguntou, mais uma vez sem entender nada.
-Segunda. Quando você bebeu a poção do Neville - explicou Harry.
-Não muitas. Só alguns flashes. A maioria da Hermione tendo pitís - disse, ganhando um beliscão da amiga - É verdade, você era muito má comigo. Não me deixava brincar e gritava toda hora - reclamou Rony - E pelo visto ainda é má comigo - continuou olhando o vermelhão em seu braço - Isso vai ficar roxo! - concluiu mostrando a língua pra Hermione.
-Deixa de ser criança, Rony! - disse Hermione, enquanto Rony encolhia-se na cadeira - Aonde você vai Harry? - perguntou ao amigo que levantava e olhava em direção à mesa de Sonserina.
-Procurar a Isabele. E tentar falar com ela. Vejo vocês mais tarde - despediu-se e saiu em disparada.
-Isabele... bonito nome - pensou Hermione em voz alta.
-Quem diabos é Isabele? - inquiriu Rony, sendo ignorado por Hermione -Eu conheço?
-Acho que não. Afinal, os olhos enganam - respondeu Hermione, sorrindo.
Harry estava ficando desanimado, porque já havia procurado em todos os corredores e nada de achar Draco. Foi quando lembrou do mapa do maroto e saiu correndo em direção a casa de Grifinória, e depois de consultar o mapa e pegar sua capa, saiu correndo em direção à biblioteca.
E lá chegando, achou facilmente seu alvo, atolada de livros, procurando por outro, incessantemente, em uma estante. O que era realmente engraçado, já que hoje era o dia da última visita ao povoado de Hogsmeade.
-Poções para iniciantes, Poções intermediárias, Poções para loucos, Poções Legalmente Proibidas. Não, não é nenhum desses - pensou Draco em voz alta, enquanto retirava um livro da estante.
-Você antes parecia uma velha...agora se porta como uma. Eu diria que você vai de mal a pior - disse uma voz que vinha do outro lado da estante, assustando Draco, o que fez com que ela soltasse os livros no chão.
O barulho foi tão grande, que chamou a atenção da bibliotecária Irma Pince e de todos os outros presentes na biblioteca, fazendo o sangue sumir do rosto de Draco.
-O que pensa que está fazendo, Sr. Malfoy? - perguntou Madame Pince asperamente.
-Tropecei - mentiu rapidamente.
-Trate de prestar mais atenção de agora em diante, ou suspendo suas visitas à biblioteca, e é bom não ter danificado nenhum livro ou mandarei uma multa pesada para a casa dos seus pais - alertou a bibliotecária, saindo com passos apressados e pesados.
Draco recolheu os livros do chão, depositando-os em uma mesa. E foi verificar a parte da estante que ouvira a voz. Porém, não encontrou nada lá, fato esse que a deixou mais intrigada.
-Desculpa por ter te assustado daquele jeito. Não era minha intenção - disse Harry, debaixo de sua capa, num tom baixíssimo, mas suficientemente alto para que Draco o ouvisse.
Draco fez menção de afastar-se, mas Harry foi mais rápido e disse:
-Por favor, não me faça te chamar em voz alta, Isabele - pediu Harry ainda sussurrando - Você me disse que eu amava o que via, não é? - perguntou Harry.
-É - respondeu Draco fracamente, com os olhos fixos no nada.
-Eu pensei sobre isso, e hoje, eu cheguei a uma conclusão: você estava certa - afirmou Harry.
-Eu estava certa, ele não me ama - pensou Draco, enquanto fechava os olhos e deixava uma lágrima desobediente rolar sobre seu rosto.
-E eu via você - concluiu Harry enquanto tirava a capa, revelando seu rosto - Mas não com meus olhos, mas com meu coração - explicou enquanto secava o rastro de lágrima do rosto da garota através da estante, fazendo com ela abrisse os olhos.
-Não entendo - balbuciou Draco, com os lábios trêmulos.
-Não me interessa se você é um garoto, uma garota ou um trasgo - disse Harry ainda sussurrando - Eu amo você, e eu realmente espero que você ainda possa me amar de volta - completou.
-Mas é impossível, somos muito diferentes. E vamos ter muitos obstáculos - murmurou Draco, com profunda tristeza.
-Você me ama? - perguntou Harry ainda num tom baixíssimo.
-Não é essa a questão... - disse abaixando o rosto.
-Você me ama? - perguntou num tom um pouco mais elevado, porém insuficiente para chamar atenção de outros na biblioteca.
-Sim! Muito - respondeu encarando-o.
-Eu também. Então Srta. Isabele, eu tenho prazer de lhe informar, que a partir desse momento, você tem um admirador não tão secreto que adoraria levá-la num passeio à Hogsmeade, e que não aceita "não" como resposta - informou Harry com um sorriso maroto.
-Não posso. Eu tenho que estudar Poções Muy Potentes pros N.O.M.s - recusou Draco.
-Eu disse que não aceitava "não" como resposta - falou Harry com cara emburrada - Que tipo de poção você vai estudar afinal?
-Polissuco - respondeu Draco, vendo Harry abafar risinhos com a mão - Não ria, essa poção é difícil de fazer - reclamou Draco, enquanto Harry cobria-se novamente com a capa - Não some assim!
-Alguém já te disse que você é uma garota de muita sorte, Bele? - disse Harry, enquanto trazia Draco para debaixo da capa - Não se importa de te chamar de Bele, né?
-Não, Julie me chama assim desde que eu me entendo por gente - disse Draco, sorrindo - Nunca fiquei debaixo de uma capa assim antes - comentou Draco enquanto tocava a capa com os dedos - Legal.
-Quem é Julie? - perguntou Harry curioso.
-Minha irmã - respondeu Draco - Mas por que eu sou sortuda?
-Por que você agora tem um namorado muito charmoso e modesto - disse Harry, fazendo Draco rir - E que sabe muito bem fazer poções Polissuco. E que está extremamente disposto a passear com você o dia inteiro e contar suas experiências com essa poção, no segundo ano, quando ele invadiu uma certa masmorra.
-Ah, eu sabia. Goyle não sabe ler! Era você, não era? -questionou Draco, enquanto os dois andavam abraçados para fora da biblioteca.
-Pode-se dizer que sim - comentou Harry muito vagamente, enquanto fechava os olhos e continuava a andar - Sabe uma coisa que é engraçada, Bele?
-O quê? - perguntou curiosa
-Quando eu fecho os olhos ainda vejo você - respondeu Harry sorrindo.
Fim do cap. 5
