Only Time
Capítulo 6 - Cabelos ao vento
Harry e Draco, após saírem da Biblioteca, caminhavam abraçados lentamente pelos corredores de Hogwarts sob a capa de invisibilidade.
-Passar o dia inteiro andando escondidos por Hogsmead debaixo de uma capa é realmente muito romântico – comentou Draco sarcasticamente.
-Eu sabia que você iria gostar – disse Harry ganhando um olhar incrédulo de Draco – Mas a gente não precisa ficar o tempo todo debaixo da capa – completou fazendo Draco parar.
-Você sabe o que "escondido" significa, não é? Escondido = fora da vista, alcance e conhecimento dos outros – concluiu como se explicasse algo extremamente complexo para uma criança de três anos.
-Eu não tinha pensado nisso – admitiu Harry segurando a mão de Draco – Então a gente pode ficar por aqui mesmo, já que todos vão pro passeio – concluiu puxando Draco para si, abraçando-a pela cintura.
-É uma p-probabilidade – concordou sentindo a temperatura do rosto aumentar sensivelmente.
-A gente pode ir pro meu quarto – sugeriu Harry no ouvido de Draco.
-Eu não sei com que qual tipo de garota você anda, mas com certeza eu não sou uma dessas – afirmou Draco extremamente vermelha.
-Nós vamos lá para estudar, Bele – constatou Harry rindo.
-Eu sabia disso, só estava checando – retrucou embaraçada – Mas de qualquer jeito não é uma boa idéia ir pra território inimi...- falava ao ser interrompida por um beijo – Pra onde mesmo que você falou que fica a Torre?
-Fica com a capa e pega suas coisas. Me encontra na escadaria do final do corredor da sala de Transfiguração em 15 minutos – falou Harry ao sair de baixo da capa.
Depois de uma breve despedida, cada qual dirigiu-se para sua respectiva sala comunal.
-Senha? – perguntou a Mulher Gorda ao avistar o Garoto que Sobreviveu.
-"Eu amo Snape" – respondeu Harry.
-Eu realmente duvido disso, criança – disse o retrato enquanto abria a passagem.
Harry tomou um susto ao adentrar a sala comunal de Grifinória, pois certamente não estava preparado para o que viu.
-Que diabos vocês estão fazendo aqui? – perguntou Harry alterado, fazendo com que quase todos olhassem para ele.
-Err... nós somos dessa casa, Harry... – respondeu Neville fracamente.
-Digo, vocês não deveriam estar em Hogsmead? – emendou, tentando não gaguejar.
-O passeio só sai daqui a uma hora, Harry – explicou Rony sem tirar os olhos do tabuleiro a sua frente – Cheque-mate, Mione – disse sorrindo de uma orelha à outra.
-Como? – indagou Hermione examinando o tabuleiro.
-Você não vai se arrumar? – perguntou Rony ao ver o amigo se aproximar.
-Melhor de três, Ronald Weasley – desafiou Hermione com um olhar assassino – Ah, olá Harry. Sucesso na sua busca? – falou com uma expressão bondosa.
-Pode-se dizer que sim, Mione. E não, Rony. Acho que dessa vez eu passo. Mas não esqueça de trazer uma cerveja amanteigada pra mim –disse enquanto um ligeiro rubor adornava-lhe as faces.
-Peão para D3 – ordenou Rony ao tabuleiro – Mas não era você que estava tão ansioso pra ir? – perguntou Rony.
-Mudança de planos – murmurou Harry com um sorriso amarelo.
-Peão para H5 – ordenou Hermione – O Harry sabe o que faz, Rony – constatou ganhando um olhar enviesado de Rony – Na maioria das vezes – emendou.
-Bispo do Rei para F4 – disse Rony – Ainda acho que você deveria ir com a gente, Harry – insistiu Rony.
-Peão para A6 – falou Hermione – Talvez ele tenha coisas melhores pra fazer, Rony – ponderou Hermione dando um olhar significativo para Rony.
-Rainha para C3 – disse Rony – O que pode ser melhor do que ficar com os amigos? – indignou-se.
-Peão para F6 – resmungou Hermione – Então quer dizer que você acha que não há coisa melhor que isso? Muito obrigada pela parte que me toca, Ronald Weasley – alterou-se, fazendo Harry rir e Rony arregalar os olhos.
-Rainha para C7. Cheque-mate, Mione – disse sorrindo fracamente – Por que você não disse logo que ia trazer sua mina pra dar uns amassos aqui? – perguntou Rony.
-Err... porque a gente vai estudar – explicou Harry extremamente vermelho.
-Sei... estudar anatomia, isso sim – retrucou Rony gargalhando – E quando eu vou ter o prazer de conhecer sua adorada Isabele? – perguntou.
-Err... você já meio que conhece...- respondeu Harry fracamente percebendo que cometeu algum erro fatal ao dar essa informação quando Hermione murmurou algo inteligível e bateu com a mão na testa.
-Você está bem? – indagou Rony desconfiado ao ver a manifestação da amiga.
-Não acredito que perdi de novo – respondeu Hermione com um sorriso amarelo olhando Harry fixamente.
-Err... o papo tá ótimo, mas eu lembrei que tenho que fazer uma coisa – desconversou Harry enquanto se afastava em direção ao retrato da mulher gorda.
-O que deu nele? – pensou Rony em voz alta.
Após o deslize que quase fez com que seu segredo fosse por água abaixo, Harry fugiu de sua sala comunal, a fim de evitar mais perguntas e literalmente correu em direção ao corredor da sala de Transfiguração, quando percebeu que passara do horário que tinha combinado com Draco.
-Bele? – chamou Harry em voz baixa – Você está aí? – perguntou ao abrir a porta da sala de aula de Transfiguração.
-Procurando alguém, Harry? – perguntou uma voz atrás dele, fazendo-o virar-se de supetão sem muito equilíbrio.
-Err...algo assim – respondeu Harry endireitando-se – Perdida por aqui, Cho?
-Eu ia fazer a mesma pergunta – disse Cho rindo – Você não vai pro passeio?
-Não, eu tenho que achar a ... a minha gata. É, eu tenho que achar a minha gata – falou Harry olhando o braço ao sentir uma mão invisível apertá-lo – Mas algo me diz que ela não deve estar longe – comentou encarando finalmente a garota de cabelos negros a sua frente.
-Que pena. Senão ia convidar você pra passear comigo – admitiu Cho aproximando-se de Harry – Ouch! – gritou agachando e pousando a mão na perna – Alguma coisa trombou na minha perna – falou ainda abaixada.
-Deve ter sido a minha gata – mentiu Harry rapidamente – Viu? Ela foi por ali! – disse apontando – A gente se fala depois – despediu-se ao sentir uma mão puxando-o pelo corredor.
Quando percebeu Harry estava sendo empurrado para dentro de uma das salas de aula, que obviamente estava vazia, uma vez que era Sábado, encarando uma menina loira com cabelos selvagens que murmurava um feitiço na porta.
-Pronto, agora ninguém nos ouvirá – comentou Draco ao virar-se para Harry, com um sorriso nos lábios e com os cabelos assentados.
-O que foi isso com o seu cabelo? – perguntou Harry temeroso.
-Isso o quê? – retrucou Draco não entendo nada.
-Ele estava todo voando...mas não tinha vento nenhum aqui – afirmou Harry.
-Você está se sentindo bem? – indagou Draco, preocupada, ao tocar o rosto de Harry.
-Agora estou melhor – informou – Eu vim te avisar...o passeio atrasou e eles ainda estão na Torre.
-Ah, eu percebi. Crabbe e Goyle ainda estavam nas masmorras quando eu entrei – comentou Draco sentando-se na mesa do professor – Acho que eles devem sair dentro de uns 30 minutos - disse olhando pra baixo.
-Foi o que o Rony disse – falou Harry enquanto aproximava-se da mesa, ficando na frente de Draco – Você não precisava atacar a Cho, Bele – disse ao erguer delicadamente o rosto da garota.
-Ela mereceu – disse Draco entredentes e com os olhos queimando como o fogo.
-Ela não fez nada – começou Harry porém, ao ver os cabelos de Draco levantarem de novo, mudou de idéia – muito horrível. Mas não vamos perder tempo falando disso quando temos tantas coisas melhores pra fazer – completou com um sorriso convidativo no rosto enquanto aproximava seus lábios aos de sua namorada.
Harry e Draco ficaram mais algum tempo na sala curtindo a companhia um do outro e trocando alguns beijos até finalmente decidirem verificar se o restante dos alunos já haviam partido. Após Draco juntar seu material e cobrir-se com a capa de invisibilidade, os dois partiram rumo à Torre de Grifinória.
-Fica bem perto de mim – alertou Harry indo em direção ao retrato da Mulher Gorda.
-Você não deveria estar no passeio, criança? – perguntou o retrato.
-"Eu amo Snape" – disse Harry, fazendo Draco abafar o riso com uma das mãos enquanto o retrato abria a passagem.
-Que senha mais ridícula! – comentou Draco rindo baixinho, porém calou-se ao ver Harry sinalizar com a mão.
-VOLDEMORT ESTÁ INVADINDO HOGWARTS! – gritou a plenos pulmões em meio a sala comunal – É, acho que não tem ninguém - afirmou.
-Merde! Qu'est-ce que tu fais bordel? – reclamou Draco indignada.
-Hn? Não entendi nada.
-Perguntei: "O que diabos você pensa que está fazendo?" – alterou-se Draco.
-Ah, eu só estava me certificando de que não tinha ninguém – Harry deu de ombros – Hummm...agora está explicado porque você fala arrastado – comentou subindo as escadas do dormitório masculino.
-Eu não falo arrastado! – retrucou Draco, seguindo Harry que abria a porta.
-Corram! Salvem suas vidas. Voldemort chegou – disse Harry ao colocar a cara pra dentro do dormitório.
-Arrête ça ! – pediu Draco ao entrar no dormitório.
-Hn? Pára com isso, Bele! Eu não consigo entender o que você fala – reclamou Harry.
-Desculpe. Às vezes escapa. Eu pedi pra você parar de ficar falando isso – resmungou Draco tirando a capa e jogando-a numa cama.
-Eu paro se você parar de falar italiano – disse Harry esticando a mão para Draco.
-Feito... – aceitou Draco apertando a mão do namorado – Bête – concluiu rindo.
-Você não tem palavra – reclamou Harry pegando os materiais de Draco e colocando-os em sua cama.
-Lógico que tenho. Eu disse que ia parar de falar italiano. Não disse que ia parar de falar francês – concluiu com um sorriso inocente.
-Você é má, Bele – riu Harry enquanto abraçava Draco – Desembucha. Por que gosta tanto de francês assim?
-Não é que eu goste. É só que é natural – comentou Draco um tanto embaraçada.
-Como uma segunda língua? –ponderou Harry.
-Na verdade francês é minha primeira língua – corrigiu e vendo que Harry não entendera ainda completou – Eu nasci na França. E morei lá até pouco antes de vir pra Hogwarts – disse examinando alguns livros e colocando alguns no chão.
-Eu achei que vocês sempre moraram por aqui – pensou Harry em voz alta ao mesmo que andava perto da cama quando um barulho vindo da porta o assustou fazendo-o tropeçar nos livros e cair em cima de Draco na cama.
-Errr... vejo que estão estudando bastante – falou Rony enquanto esticava-se tentando ver o rosto da tão falada garota, porém, sem sucesso algum, já que o corpo de Harry tampava quase tudo, só deixando a mostra as pernas e os braços – Eu só vim buscar minha capa e já estou saindo – avisou antes de se aproximar de sua cama, que era ao lado da de Harry, e vasculhar seu malão – Prontinho! Errr... prazer em conhecê-la Isabele, e Harry, não faça nada que eu não faria, ok? – disse antes de sair e fechar a porta atrás de si.
-Va en enfer ! – gritou Draco após desvencilhar-se de Harry ao atirar um grosso livro na porta do dormitório.
-Bela pontaria – constatou Harry apanhando do chão o livro que Draco jogara – Sorte sua que a Hermione não viu isso – comentou ainda segurando o livro grosso cujas páginas caíam livremente no chão - Ela vai te matar quando souber o que você fez com um dos preciosos livros da biblioteca.
-Não se Madame Pince me matar primeiro – afirmou Draco sorrindo fracamente.
Após o pequeno contratempo, Draco e Harry começaram finalmente a estudar. E sem perceber, passaram o resto da tarde estudando ingredientes, preparo e efeitos da poção Polissuco e conversando sobre os eventos que levaram Harry a invadir as masmorras, na pele de Goyle, em seu segundo ano.
-Acho que é melhor eu ir embora. Já está quase no horário do jantar e eles já devem estar voltando – constatou Draco ao verificar as horas no seu relógio de pulso.
-A gente pode se ver mais tarde, na sala de Astronomia? – indagou Harry.
-Hoje não vai dar. Eu prometi repassar a matéria de História da magia com o Vin e com o Greg – respondeu Draco – Mas a gente pode se ver amanhã – sugeriu a garota sorrindo docemente.
-Você realmente gosta deles, não é? – perguntou Harry contrariado ao pegar a capa de invisibilidade.
-Ciúmes, Potter? – riu Draco enquanto Harry a abraçava.
-Mas sem efeitos especiais – disse cobrindo ambos com a capa – É perturbador ver cabelos voando sem vento e olhos queimando – comentou ao sair do dormitório.
Fim do cap. 6
*********A/N**********
Traduções:
Merde! Qu'est-ce que tu fais bordel? - Merda! Que diabos pensa que está fazendo?
Arrête ça ! - Pare!
Bête – Bobo
Va en enfer ! - Vai pro Inferno!
