Only Time
Capítulo 7 - Quando fuinhas e furões se encontram
Era café-da-manhã e todos os alunos começavam a adentrar o Salão Principal. Draco já se encontrava sentado à mesa de Sonserina acompanhado de seus amigos Vicente Crabbe e Gregório Goyle.
-Então, chefe... perdeu alguma coisa do outro lado do salão? - perguntou Crabbe com a boca cheia para Draco que estava sentado ao seu lado.
-Não me chame assim e não fale de boca cheia - respondeu Draco virando-se para o amigo com uma expressão assassina.
-Errr..esquece - disse Crabbe fracamente, voltando a encher a boca de panquecas.
-Seu burro! Não vê que o chefe está de mau humor por que tomou detenção por causa do maldito livro?! - disse Goyle exaltado cuspindo restos de ovo mexido em Crabbe e conseqüentemente em Draco, que se sentava entre os dois.
-Eu realmente não sei por que perco tempo falando com vocês - queixou-se Draco tristemente ao limpar o rosto com as mãos, fazendo os dois amigos rirem - É inútil! - concluiu voltando a espiar a mesa de Grifinória.
-Pensando na nossa próxima pegadinha pro Potter? - insistiu Crabbe.
-Sem pegadinhas! - retrucou Draco rapidamente - Digo...err...esquece - tentou emendar ao perceber que tinha falado demais.
-Por que, chefe? - perguntou Goyle extremamente confuso - Somos amigos dele agora? - completou.
-Amigos? Eu diria mais que isso - pensou Draco - Lógico que não somos amigos dele...é só que...que... - enrolava Draco até ser distraído por incessantes risos que enchiam o salão, ao mesmo tempo em que Crabbe e Goyle trocavam olhares cúmplices - Mas que porcaria é aquela?! - questionou ao observar os dois garotos que entravam no Salão.
Assim que Rony e Harry adentraram o Salão, vários risos histéricos foram ouvidos tanto dos alunos como de toda mesa dos professores, fazendo com que Harry desejasse fervorosamente que um enorme buraco abrisse no chão e o engolisse.
-Você realmente acha necessário andar com isso na cabeça, Rony? - perguntou Harry extremamente vermelho olhando para o chão - Não acho que há necessidade de você andar de capacete em plena escola - concluiu.
-Hermione disse que esse é o melhor objeto trouxa pra prevenir pancadas na cabeça - respondeu com a voz abafada pelo enorme objeto - Hoje aquela coruja maldita não me pega desprevenido - completou, lançando um olhar raivoso para mesa de Sonserina.
-Sabia que isso tinha dedo dela - murmurou Harry olhando a amiga, que descera antes pro café e que estava agora chorando de tanto rir na mesa junto com Gina e os gêmeos - As pessoas estão olhando - comentou Harry enquanto aproximava-se de seu lugar na mesa de Grifinória.
-As pessoas sempre olham. Você é o Garoto-que-sobreviveu - retrucou Rony apressando o passo para acompanhar Harry - Sai fora, Colin! - exclamou após sentir um click seguido de um flash cegante.
-Que ótimo, já posso até ver as manchetes da primeira página de amanhã "Harry Potter, o Garoto-que-sobreviveu-pra-passar-vergonha" - reclamou Harry infeliz ao sentar-se no seu lugar - Muito obrigado por isso, Mione - disse de mau humor olhando a amiga.
-Amigos são pra isso, Harry - respondeu Hermione rindo - Pode sempre contar comigo - concluiu com um sorriso caloroso nos lábios, o que fez com que Gina risse mais ainda.
O café-da-manhã continuou calmamente, na medida do possível, até a chegada do correio. Crabbe e Goyle ainda insistiam em saber por que Draco não queria que eles pregassem peças no Potter. Entretanto, foram distraídos quando a estrondosa coruja dos Malfoy adentrou o salão dando rasantes em alguns alunos até pousar da mesa de Sonserina.
-Oi Satã - cumprimentou Draco afagando a cabeça de sua coruja e tirando a correspondência que consistia em algumas cartas de sua mãe e de sua avó, uma pequena caixa com guloseimas e um envelope...vermelho!
-Essa não - exclamou Draco segurando o envelope vermelho com as duas mãos.
-Ei, o Malfuy rcefeveu um verrador! - exclamou Rony com sua voz abafada pelo enorme objeto trouxa.
-A gente não consegue te ouvir direito, Roniquinho - comentou Fred batucando no capacete do irmão - Por que você não experimenta falar sem essa coisa? - completou George também batucando no capacete.
-Uau! Isso funciona mesmo - comentou Rony maravilhado ao tirar o objeto da cabeça - Muito obrigado, Mione - disse sorrindo para a amiga que sorriu de volta.
-Você não presta, sabia? - cochichou Harry para Hermione que ignorou o comentário.
-Estamos... - começou Fred para Rony - Esperando, Roniquinho - completou George.
-Ah, sim. É que o Malfoy recebeu um berrador - contou Rony em alto e bom tom apontando para a mesa rival, fazendo com que boa parte do salão voltasse sua atenção na direção apontada.
Harry ao ouvir isso virou-se rapidamente buscando ver o rosto de sua namorada. O que era um pouco difícil, uma vez que os alunos estavam todos em pé e aglomerados com o intuito de assistir de camarote o vexame do Príncipe de Sonserina, Draco Malfoy.
-De jeito nenhum eu vou abrir isso! - disse Draco largando o envelope em cima da mesa ao mesmo tempo em que quase todos os alunos soltavam muxoxos de desapontamento.
-Amarelou, Malfoy? - riu Rony - ABRE! ABRE! ABRE! - começou Rony gritando e batendo as mãos, sendo seguido por alguns alunos, o que rapidamente virou uma grande torcida.
-Se você não abrir isso vai explodir, chefe! - exclamou Crabbe afastando-se do envelope, ganhando gritos de "É, ISSO AÍ!".
-Pois que exploda e leve Hogwarts inteira. Não me importo - retrucou Draco fervorosamente, ganhando gritos de "EXPLODA VOCÊ, IDIOTA!".
-Se você não vai abrir, então eu abro - disse Goyle corajosamente abrindo o envelope vermelho, ganhando gritos de "VIVA".
Porém, toda a algazarra cessou quando a voz imponente de Lúcio Malfoy soou amplificada magicamente por todo salão, drenando toda cor do rosto de Draco e fazendo com que alguns tampassem os ouvidos com as mãos:
"DRACO,
ONTEM EU E SUA MÃE RECEBEMOS VÁRIOS BERRADORES . UM DO CONSELHO DA ESCOLA E DO DIRETOR RECLAMANDO COMO VOCÊ NÃO LIGA PARA O MATERIAL DE PESQUISA ALHEIO. E SEIS, REPITO SEIS MALDITOS BERRADORES DA BIBLIOTECÁRIA, AVISANDO-NOS DA PESADA MULTA, DA SUA SUSPENSÃO E DETENÇÃO E RECLAMANDO QUE NÃO LHE DEMOS EDUCAÇÃO EM CASA!
NÃO PRECISO DIZER QUE AO OUVIR ISSO SUA MÃE FICOU EXTREMAMENTE PERTURBADA. SEM CONTAR QUE SEU QUERIDO AVÔ ESTÁ HÁ HORAS VOANDO AO MEU REDOR GRITANDO NOS MEUS OUVIDOS QUE EU DEVERIA TER LHE MANDADO PARA DURMSTRANG!
EU REALMENTE ESPERO QUE VOCÊ ESTEJA MUITO FELIZ COM ESSES ACONTECIMENTOS, PORQUE EU, DEFINITIVAMENTE, NÃO ESTOU!
E PENSAR QUE TUDO ISSO É POR CAUSA DE UM MALDITO LIVRO VELHO. SE AINDA FOSSEM VINTE, OU A BIBLIOTECA INTEIRA...MAS NÃO! VOCÊ TEM PENSAR PEQUENO! PENSE GRANDE! VOCÊ É UM MALFOY. AJA COMO UM.
SEU PAI,
LÚCIO MALFOY
P.S: Sua irmã achou tudo extremamente engraçado."
E dito isso, o berrador consumiu-se em chamas. Draco, com a cabeça abaixada, não tirava os olhos das cinzas que decoravam seu café-da-manhã. Ninguém no salão ousava fazer um barulho sequer. Todos estavam boquiabertos com o teor da mensagem. Os professores trocavam olhares preocupados e Snape, sem tirar seus olhos seu pupilo preferido, levantou-se indo em direção à mesa de sua casa.
-Chefe? - chamou Crabbe com a voz um pouco fraca -Chefe? - tentou novamente com a voz um pouco mais forte ao não receber resposta alguma.
-Será que ele ficou em choque? - inquiriu Goyle sacudindo levemente o ombro de Draco ao mesmo tempo em que uma risada histérica enchia o salão.
Draco levantou o rosto bruscamente, o que assustou boa parte dos alunos que estavam a sua volta, fazendo-os recuar. Não tanto pelo ato em si, e sim pela expressão de pura fúria estampada em seu rosto. Sua ira era palpável, a raiva escapava por cada poro de seu rosto.
-É... tudo...sua... - começou a dizer num tom controlado enquanto andava até o dono da maldita risada que feria seus ouvidos -CULPA!!! - completou enquanto se jogava em cima do alto rapaz de cabelos da cor do fogo - EU VOU MATAR VOCÊ POR ISSO, FUINHA! - gritou e plenos pulmões, com os cabelos voando selvagemente e os olhos queimando, antes de socar em cheio o rosto do garoto.
-SAI DE CIMA DE MIM, SEU FURÃO ALBINO! - retrucou Rony tentando se proteger dos furiosos e incessantes socos que lhe atingiam - SE É PORRADA QUE VOCÊ QUER, É PORRADA QUE VOCÊ VAI TER! - gritou com igual fúria, o que fez com os alunos que assistiam a tudo de boca aberta saíssem de seu estado catatônico e começassem a torcer.
Harry estava perplexo ao ver a situação que se desenrolava a poucos metros de si. Primeiro o berrador enviado por... Lúcio Malfoy! E agora seu melhor amigo saindo no tapa com Draco Malfoy, que por acaso era nada mais nada menos que sua namorada. Céus, Rony estava batendo na sua namorada!
-Pára, Rony! - exclamou Harry tentando abrir caminho por entre os alunos que circundavam a briga - Parem vocês dois, agora! - ordenou Harry colocando-se entre os dois e tentando separá-los.
Draco vendo o desespero de seu namorado, finalmente se acalmou, o que possibilitou que Crabbe e Goyle se aproximassem, juntamente com o professor Snape que sem tardar foi verificar os ferimentos de seu aluno. Infelizmente, o mesmo não podia ser falado sobre o agitado garoto de cabelos cor de fogo, que ainda se debatia tentando atingir Draco mais uma vez. Hermione e os gêmeos estavam tendo grandes problemas tentando segurá-lo, e quase o deixaram escapar. Harry, mais rápido, colocou-se no caminho, impedindo o amigo ao jogar seu corpo sobre o dele.
-Se você bater na Isabele de novo, eu juro que chuto sua bunda! - ameaçou Harry em um tom baixo, fazendo o amigo ficar estático.
-Hn? - foi a única resposta coerente que Rony conseguiu dizer.
-Você me ouviu - disse Harry sério, saindo de cima do amigo, enquanto o professor de poções se aproximava dos dois.
-Oh! Ohhhhhhhhh! - balbuciou Rony olhando de Harry para Draco repetidas vezes, não escutando uma palavra sequer que o professor, que exibia em seu rosto uma expressão menos amistosa do que a de costume, disse -Mas que merda, Harry! - disse fracamente antes de cair desacordado aos pés de Snape.
Fim do cap. 7
