Only Time

Capítulo 9 - Tomando partidos

-Por isso, eu só queria perguntar: de que lado você está? - perguntou o velho bruxo com chapéu pontudo e óculos de meia-lua, sem o menor vestígio de humor - Doce de limão? - ofereceu ao estender uma pequena bandeja cheia de doces para Lúcio.

O loiro olhou horrorizado para a bandeja, e em seguida voltou seu olhar para o diretor, que sorriu.

Lúcio deu mais uma breve olhada para a pequena bandeja antes de jogá-la metros longe com um tabefe.

-Doce de Limão? Doce de Limão?! - esbravejou Lúcio suspendendo o diretor pelo colarinho - Seu velho maluco! Primeiro me ameaça e depois vem com essa cara lavada oferecendo esse doce dos infernos! - continuou batendo o velho contra a parede, quase derrubando os quadros dos antigos diretores, que ostentavam expressões de horror puro.

-São só doces - defendeu-se Dumbledore, fechando os olhos cada vez que sua cabeça batia violentamente contra a parede de seu escritório.

-Isso é o que acho do seus malditos doces, seu velho babão - resmungou o loiro ao atirar o velho no chão, chutando-o repetidas vezes - E quanto a sua pergunta, eu estou do lado que sempre estive: o lado dos Malfoys! - concluiu ao dar um último chute nas costelas do velho, fazendo-o cuspir sangue.

Para finalizar, arrastou o diretor pela escada, certificando-se que a cabeça ensangüentada batesse em cada degrau. E não parou por aí. Assim que chegou no andar superior- onde ficava o telescópio- aproximou-se do beiral da janela. Ele esticou-se para fora, e depois de verificar a distância da janela do escritório do diretor até o chão, sorriu. E sem pensar duas vezes, jogou o corpo mole e débil de Dumbledore, que apesar de quase inconsciente, gritou como nunca. Lúcio assistia a queda deslumbrado, como um criança numa loja de brinquedos. Porém, como qualquer criança, ele se cansou rápido. Por isso, desferiu um Avada Kedavra antes que o corpo atingisse o chão. E depois de ouvir o barulho único causado pelo impacto do corpo com o chão, ele riu, como não ria há séculos. E em meio às suas gargalhadas, ele ouviu uma voz distante.

-Lúcio? - chamou Dumbledore com uma expressão confusa, fazendo o loiro acordar - Por um minuto achei que tínhamos perdido você - comentou o diretor, observando Lúcio atentamente por trás de seus óculos de meia-lua.

-Se você soubesse o quão irritante é esse seu olhar - pensou Lúcio consigo mesmo - Distraí-me em meio a pensamentos felizes - confessou Lúcio desapontado - Eu devia saber, era muito bom para ser verdade - pensou.

-Doce? - ofereceu o diretor, novamente

-Claro - aceitou Lúcio, não querendo ser indelicado.

Comensal? Sim. Psicótico? Com certeza. Sociopata? Pode apostar! Mas indelicado? Nunca!!! Um Malfoy pode ser tudo, exceto mal educado.

-Então podemos voltar ao ponto onde estávamos - falou Dumbledore, tentando retomar o assunto.

-Será que esse velho caduco envenenou isso? - ponderou antes de colocar o doce nos lábios - Eu teria feito isso - pensou ao degustar o doce.

Lúcio ficou impressionado com o gosto. Não era um manjar dos deuses. Mas também não era ruim. Pelo contrário. Era...único! Não muito doce, e com uma pitada de azedo.

-Adoraria a receita disso - murmurou Lúcio antes de pegar outro.

-Não sabia que você cozinhava, Lúcio - comentou Dumbledore sorrindo.

-Mas que ouvido tísico! - pensou Lúcio - Não espalhe. Caso contrário terei que executá-lo - avisou - Por Merlin, diga que não falei isso alto - pensou Lúcio alarmado, porém não demonstrando nenhuma emoção adversa.

Para seu espanto, Dumbledore riu, e com gosto. O que aliviou a tensão.

-Ao que parece eu não sei várias coisas sobre você. Quem iria imaginar? Lúcio Malfoy com senso de humor? - riu-se o velho bruxo, fazendo um jogo de chá aparecer em sua mesa, com o toque de sua varinha - Chá? - perguntou, e ao receber uma afirmação de cabeça, serviu duas xícaras - Então, pensou na pergunta que fiz? - inquiriu ao passar a xícara para Lúcio.

-Ah sim - comentou Lúcio bebericando um pouco do chá - Mas a resposta é tão simples: estou do lado que sempre estive - confessou Lúcio, arrependendo-se no segundo seguinte - O que eu quero dizer é, não estou do seu lado e nem do lado do tio Voldie - começou, porém se deteve ao perceber do que tinha chamado o Lord das Trevas - Eu estou sobre efeito do veritasserum, não é? - perguntou com a cara fechada levantando-se de supetão.

-O que te faz pensar isso? - retrucou o diretor sorrindo.

-Isso foi baixo, velho caduco. Isso era uma piada interna. Não era pra você saber - resmungou Lúcio sentando-se novamente e pegando mais doces - Não estava aqui, não é? - perguntou indicando o doce.

-No chá, meu jovem - respondeu Dumbledore rindo - Achei que iria embora depois que descobrisse.

-Por que eu faria isso? Já falei o que não devia, o mínimo que posso fazer é aproveitar o resto da situação ao meu favor - ponderou Lúcio antes de levar mais um doce à boca.

-Uma vez sonserino, sempre sonserino - comentou o diretor em voz baixa.

-Você me deve a receita desses doces - acusou Lúcio pegando mais um, fazendo o velho olhá-lo por cima dos óculos - E não me venha com esse olhar de vesgo! Isso é irritante. Além do quê é justo. Eu respondi sua pergunta, então você me deve a receita.

E vendo que havia perdido o argumento, Dumbledore deu a receita.

Após a confusão no início da aula, Lupin conseguiu prosseguir com a matéria apesar do clima tenso na classe. Todos ficaram surpresos ao ver o trio grifinório voltando ao lado dos "guarda-costas" do príncipe de Sonserina. Porém, não ousaram fazer nenhuma pergunta diante das expressões assassinas que Crabbe e Goyle ostentavam.

-Para a próxima aula, eu quero um trabalho escrito sobre métodos de defesa contra veelas em fúria - disse Lupin, levantando-se de sua cadeira, enquanto todos soltavam muxoxos - E isso não inclui se esconder num reservado, Sr. Longbottom - completou sério, em tom baixo, para o garoto rechonchudo que não parara de tremer desde o incidente - Classe dispensada.

Harry e Rony se despediram de Hermione, que seguia para sua aula de Aritmancia, e foram para sua próxima aula: Adivinhação. Porém, quando dobravam a esquina do corredor, foram barrados por duas grandes massas de carne. Antes que os dois pudessem reagir, foram agarrados e prensados contra a parede.

-Me larga! - ordenou Harry lutando para se soltar, em vão, ao ser arrastado para um corredor vazio e com pouca iluminação.

-Deixa ele em paz, seu trasgo! - gritou Rony, antes de ter sua boca tapada pela forte mão de Crabbe e ser arrastado junto.

-Desembucha, Potter. O que você fez com o chefe? - perguntou Goyle por entre dentes, ao esganá-lo.

-Não sei do que vocês está falando - respondeu Harry ofegante, enquanto seu rosto mudava de cor.

-Eu vou perguntar só mais uma vez: o que você fez com o chefe? - repetiu Goyle ficando cada vez mais irritado, e por conseqüência apertando mais ainda o frágil pescoço de Harry.

-Eu não fiz nada com a Bele - balbuciou Harry com dificuldade, fazendo a expressão de Goyle mudar drasticamente, afrouxando o aperto, fazendo Harry ir ao chão.

-Do que você o chamou? - inquiriu Goyle suspeito, enquanto olhava Harry tentando recuperar o fôlego com grandes golpes de ar.

-De Bele - disse Harry - Isabele. É o nome do meio, não é? Eu perguntei se el...se ele não se importava. E el..ele disse que a irmã o chamava assim - explicou Harry, enquanto Goyle e Crabbe trocavam olhares.

Goyle e Crabbe se olharam por mais alguns instantes, e como num comum acordo, soltaram os dois. Rony, assim que teve sua boca destampada, correu para junto de Harry e puxou a varinha apontando para os dois gorilas a sua frente.

Após alguns segundos constrangedores, Goyle aproximou-se de Harry, que por instinto também apontou-lhe a varinha.

-Ninguém te machucará enquanto o chefe não estiver machucado. Entendeu? - comunicou Goyle, ignorando as varinhas que miravam seu peito ameaçadoramente.

-Err...ok - respondeu Harry, enquanto via Crabbe e Goyle saírem corredor a fora. Ele olhou para o amigo de cabelos vermelhos em busca de uma iluminação, porém, Rony ostentava uma expressão tão confusa quanto a sua.

Em meio a esses devaneios, eles não reparam que Crabbe se detivera no final do corredor.

-Potter? - chamou com uma voz calma, chamando a atenção de Harry - Se o chefe se machucar, você morre.

Após a breve conversa "amigável", Harry e Rony foram finalmente para a aula.

Draco estava inquieta no leito da enfermaria. Há mais de quarenta minutos, Madame Pomfrey chamara Dobby para ajudar com a limpeza dos arranhões em seu corpo, uma vez que Draco não deixava a velha enfermeira se aproximar de sua cama, muito menos tocá-la. Que dirá então visualizar algumas partes de seu corpo. Dobby, logicamente, atendera o pedido de imediato. Estava mais do que feliz em cuidar de sua jovem mestra mais uma vez.

-Dobby tentou avisar jovem mestra ontem. Mas jovem mestra é impertinente. Jovem mestra não dá ouvidos a Dobby - resmungou enquanto tirava um caquinho de espelho que entrara na mão direita de Draco.

-Ouch! Isso dói, sabia? - reclamou Draco, puxando a mão por instinto e observando-a em seguida - Minha mão está ridícula assim! Toda fina e com essas unhas compridas. Isso é nojento! Parece mão de...menina - completou com uma cara de nojo - Você não quer cortar pra mim?

-Jovem mestra Draco é uma menina - ponderou o elfo, indo limpar um arranhão na frente do ombro esquerdo da garota - Jovem mestra pode segurar o cabelo um pouco? Está em cima da ferida.

-E ainda por cima esse cabelo desse tamanho - disse ao torcer o longo cabelo inteiro e segurá-lo com a mão direita - Isso também é nojento! Você poderia cortar ele pra mim também, Dobby - sugeriu Draco com uma voz doce.

-Jovem mestra pode contar com Dobby para aparar as unhas. Mas Dobby não saber cortar cabelo - desculpou-se antes de ir limpar as costas que ostentavam dois grandes cortes, por onde antes saíram as asas negras demoníacas de Draco.

-Bem lembrado. Não quero caminhos de rato de novo na minha cabeça - comentou rindo - OUCH!!! Isso doeu! - gritou Draco afastando-se de Dobby, o que chamou a atenção da enfermeira que veio correndo em direção ao leito.

-Alguma complicação? - perguntou ao abrir a cortina e aproximar-se do leito.

-Eu estou despida aqui, sua pervertida! - reclamou Draco, com os cabelos voando, ao puxar o lençol tentando cobrir-se ao máximo.

-Pare de reclamar Srta. Malfoy - disse ao aproximar-se para observar os cortes - A senhorita tem dois cortes feios aqui. Dobby, alcance-me a poção restauradora cutânea. Está no armário de poções, na terceira prateleira e...

-Por que você não vai lá e pega? Não é você que vai aplicar mesmo - resmungou Draco, olhando feio para a enfermeira, que reconhecendo um caso perdido foi pegar a poção murmurando algo do tipo "Veelas! Quem precisa delas?"

Hermione estava na aula de Aritmancia, e tentava a todo custo prestar atenção ao seu trabalho. O que era muito difícil, devido aos burburinhos que rondavam a sala, para desespero da Profª. Vector. Como o incidente no banheiro da Murta-que-geme acontecera antes da mudança de aula, todos, a essa altura, já sabiam do acontecido. E como quase toda a sala, exceto Hermione, Draco e Susana Bones da Lufa-lufa, eram da Corvinal, logo a sala encheu-se com as mais variadas teorias sobre o incidente. E como corvinais não eram estúpidos, algumas delas aproximavam-se perigosamente da verdade.

A sala inteira calou-se quando, após o rangido da porta, o mais belo ser mágico adentrou o recinto. Draco olhava para todos um tanto embaraçada, porém sua expressão não demonstrava emoção alguma. Notando que todos não tiravam os olhos de sua direção, ela decidiu sentar-se no lugar mais seguro da sala.

-Chega pra lá, Granger - disse ao tirar o material de Hermione que descansava no lugar vago ao seu lado.

-Vejo que já voltou ao normal - comentou sarcasticamente Hermione ao pegar seu material e colocá-lo no chão, enquanto Draco sentava ao seu lado -Você não deveria estar na enfermaria? - perguntou Hermione curiosa.

-Não creio que minha presença seja bem quista lá mais - respondeu Draco desinteressada, começando a copiar a lição do quadro negro, quando notou uma presença inoportuna ao seu lado - Qualquer que seja sua pergunta a resposta é não - disse sem nem ao menos olhar para o ser que ousava perturbá-la.

-Eu queria saber se posso segurar seu material depois da aula - disse o garoto, sem graça, e com um sorriso enorme no rosto.

-Pareço aleijado pra você? - perguntou Draco irritada, porém sem tirar os olhos de sua lição.

-Não - respondeu o garoto tentando acariciar o rosto de Draco.

-Então por que diabos eu iria querer sua ajuda? - respondeu Draco grosseiramente, verificando os resultados de seus cálculos.

O garoto, ignorando as respostas rudes de Draco, aproximou sua mão um pouco mais do rosto do ser que ele julgava o mais belo do mundo. Porém, antes que sua mão chegasse ao seu objetivo, foi barrada por mão estranha e nada gentil. Hermione segurava o pulso do garoto com firmeza e sem pestanejar sacou a varinha, que depois de apontada para o garoto jorrou um forte esguicho de água fria.

-Agora que creio que consiga pensar claramente com sua cabeça de cima, sugiro que retorne à sua mesa o quanto antes. Estou tentando estudar e sua presença aqui não está ajudando - disse secamente, para o pobre e encharcado garoto que ao sair do transe a olhava confuso, mas que seguiu a sugestão do mesmo jeito - Garotos - resmungou antes de voltar sua atenção para sua lição.

-Obrigada por isso - agradeceu Draco, sem ainda tirar os olhos de seus cálculos.

-Posso morrer feliz agora. Draco Malfoy me agradeceu - comentou Hermione em tom baixo, rindo - Isso prova que as pessoas mudam - completou séria.

-Nem tanto, Sanguinho - retrucou Draco com um leve sorriso. Hermione, percebendo que não havia intenção de ofensa no modo como foi chamada, sorriu também - E tire esse sorriso do rosto antes que eu vomite - disse, voltando sua atenção para a lição, sendo imitado por Hermione.

O resto da aula correu sem mais nenhuma interrupção, e logo o dia passou num piscar de olhos. Draco não tivera mais grandes problemas. Crabbe e Goyle não desgrudaram do seu lado e afugentavam a pontapés toda e qualquer pessoa que ousasse tentar tocar em Draco. Severo Snape, aumentava a guarda durante as refeições, tomando conta da mesa dos professores. O que era bom, pois assim que percebia algum movimento suspeito dentro de sua casa, ele os desarmava com seu olhar raivoso e penetrante. Remus Lupin fazia o mesmo com a mesa de Grifinória.

Apesar de terem assistido a cena no banheiro da Murta-que-geme, Crabbe e Goyle não fizeram nenhuma pergunta sobre o relacionamento de Draco e Harry, por mais que estivessem cheios de dúvida. Porém, suas ações e olhares para a mesa de Grifinória deixavam claro para Draco que algo acontecera no período que estivera na enfermaria. Decidida a descobrir o que acontecera em sua ausência, ela passou no corujal, depois do jantar, e mandou uma mensagem por uma das corujas da escola para Harry.

Harry estava sentado num dos confortáveis sofás da sala comunal de Grifinória, jogando uma partida de Snap Explosivo, quando uma coruja adentrou a sala em grande velocidade. Apesar de seus ótimos reflexos, Harry não conseguiu desviar a tempo, o que resultou numa colisão direta com a coruja velha e desengonçada.

-Errol? - perguntou Rony ao tirar a coruja desacordada de cima de Harry.

-Você está bem, Harry? - perguntou Hermione preocupada, ajudando o amigo a endireitar-se.

-Alguém anotou a placa do carro? - inquiriu Harry ainda meio grogue.

-Placa? - comentou Rony totalmente confuso - Carta pra você, Harry - disse ao pegar um pequeno envelope, entregando para o amigo - O que será que a mamãe quer com você?

Harry, preocupado, achando que poderia ser alguma informação relacionada com Sirius, abriu a carta sem pestanejar.

"Querido Harry,

Precisamos conversar. Mesmo horário. Outro lugar. Se não me achar, acho você.

Com amor,

Bele"

E não agüentando, ele abriu um sorriso de uma orelha à outra, o que fez Rony ter certeza de que a carta não era de sua mãe.

Draco tivera um pouco de trabalho para se livrar de Crabbe e Goyle. Seus amigos estavam convencidos a não deixá-la sozinha um minuto sequer. Inclusive, fizeram questão de acompanhá-la em sua habitual invasão noturna à cozinha. Já eram mais de meia-noite, e eles ainda não demonstravam sinais de cansaço. Decidida a não perder seu encontro com Harry, ela colocou seu plano de fuga em ação assim que Dobby se afastou.

-Que sono! - comentou Draco inocentemente antes de bocejar, ganhando olhares suspeitos de seus amigos - Vocês não querem continuar isso amanhã? Os biscoitos não vão sumir daqui, sabiam? - ponderou mordazmente.

Depois de trocaram alguns olhares, Crabbe e Goyle comeram um último biscoito e levantaram-se. Era o sinal que Draco esperava. Despediram-se dos elfos e rumaram à masmorra de Sonserina. Draco na frente, sendo seguido de perto por seus amigos.

Não querendo levantar suspeitas sobre si, Draco agiu naturalmente. Resmungou coisas sem sentido, como sempre fez durante seus cincos anos em Hogwarts, antes de dormir. Era de conhecimento público em Sonserina que Draco não era muito sociável quando estava com sono. Logo, todos evitavam ao máximo muito contato com o Príncipe de Sonserina na hora de dormir ou na parte da manhã.

Draco deitou-se em sua cama, e depois que os barulhos no dormitório cessaram, ela abriu vagarosamente as cortinas de sua cama. Com cuidado, ela esticou a cabeça para fora, verificando se seus amigos já estavam dormindo. A certeza veio logo. Ao prestar atenção, ela podia ouvir um suave ronco provindo da cama de seus amigos. Ela então, cuidadosamente, levantou-se e alcançou sua varinha. E após colocar um feitiço silenciador no quarto, ela pegou seus chinelos e sua capa, e partiu dormitório afora.

Harry, depois de convencer seus amigos a ir encontrar sua namorada sozinho e prometer tomar cuidado e não se meter em apuros, pegou sua capa e mapa e saiu de sua sala comunal.

E depois de consultar seu mapa, ele seguiu para fora do castelo.

A noite estava linda. As estrelas brilhavam claramente no céu. A brisa estava suave e fresca. Nem de longe lembrava o dia quente e horroroso que fizera. Draco estava rondando o leito do lago, esperado chegar o horário combinado, quando um estranho cheiro chamou-lhe atenção. Estranho, apesar de ser um cheiro diferente, era um tanto quanto familiar. Lembrava a essência de sua mãe. Mas não podia ser. Sua mãe nunca viria até a escola nesse horário. E perdia em meio a esses pensamentos, ela quase nem reparou quando uma figura escondida sob uma capa de invisibilidade aproximou-se.

-Harry? - disse Draco, ao sentir a tão conhecida essência de seu amado.

-Como você sabia que era eu? - perguntou Harry, tirando a capa, ao passo que Draco virava para encará-lo.

-Seu cheiro - explicou com um sorriso no rosto.

-Bom saber. Preciso tomar banho mais vezes - retrucou brincando ao se aproximar de sua namorada - Você está linda, Bele! - exclamou ao tocar com cuidado o cabelo, agora longo, de Draco - Eu não tinha notado que estava tão comprido assim. Você parece diferente. Você cresceu?-inquiriu curioso, fazendo Draco afastar-se.

-Acho que um pouco - respondeu embaraçada, evitando encarar os olhos cor de esmeralda de Harry - Nada que me faça tropeçar com as próprias pernas - murmurou tão baixo que Harry teve que fazer um esforço sobre-humano para escutá-la - Me sinto ridícula - confessou triste.

-Não diga isso. Eu adorei seu cabelo assim - disse abraçando-a - É tão macio, e cheiroso - comentou ao brincar com uma mecha -Mas eu não entendi uma coisa: por que você mudou tão drasticamente de ontem pra hoje?

-Por voc... - começou Draco, em tom baixo - Se eu te perguntar algo, você responde com sinceridade? - disse Draco séria.

-Manda - respondeu Harry sorrindo.

-Vocêgostademim? - disse num só fôlego, e vendo a cara confusa de Harry, respirou fundo e tentou de novo - Você gosta de mim? - e não vendo reação alguma completou - Ou se importa um pouquinho que seja? - perguntou esperançosa - Tudo bem se você não gostar, você não é obrigado nem nada - Ela tinha certeza de que estava falando coisas sem nexo, e que seu queixo estava tremendo - Eu não vou ficar triste nem nada - disse já não conseguindo segurar as lágrimas que queimavam seus olhos.

Harry olhava a figura a sua frente, totalmente nervosa, que tentava espantar as lágrimas piscando furiosamente. O que era em vão, pois algumas lágrimas desobedientes teimavam em descer por seu rosto alvo e mais delicado do que nunca. Ele não era bom com palavras. Na verdade era péssimo. Então fez a única coisa que podia no momento, tomou os lábios trêmulos com delicadeza.

-Amo você, Bele. Você é a garota mais linda que eu já vi - finalmente respondeu Harry, com muita dificuldade - Eu nunca vou sair de perto de você - assegurou.

-Como eu posso ter certeza disso? - perguntou Draco com um sorriso maroto nos olhos.

-Porque eu quero seu corpo - respondeu sério - Estou só brincando - disse em meio a gargalhadas ao ver o sorriso de Draco se esvair.

Draco murmurou algo parecido com "Senso de humor grifinório". Depois de alguns tapas leves no braço, Harry finalmente parou de rir. Porém, toda vez que Draco começava a falar e perguntar sobre a conversa que ele tivera com Crabbe e Goyle, ele a interrompia com beijos ou simplesmente se entretia com o longo cabelo platinado da namorada.

Uma figura, em meio aos arbustos, olhava a cena que se desenrolava a sua frente com nojo e raiva. Instintivamente ela segurava a varinha apontando para as duas figuras que permaneciam abraçadas, trocando confidências estúpidas e carícias singelas. Estava prestes a azará-los com uma maldição imperdoável, quando num súbito momento de iluminação, decidiu levar a informação adiante. A alta e esguia figura de rosto macilento guardou a varinha em meio a seu robe, e ao segurar um pequeno objeto pendurado em seu colar, murmurando algumas palavras, desapareceu.

Um leve estampido fez Draco virar-se em direção aos arbustos. Porém, depois de observar em silêncio por alguns segundos, convenceu-se de que fora obra de sua imaginação.

A esguia e macabra figura reapareceu momentos depois num construção antiga e espaçosa. O ambiente era escuro e as paredes recobertas com madeira de lei não ajudavam em nada. Ela percorreu alguns corredores com um andar decidido e em poucos momentos se encontrava em frente a uma grande porta. Ela então abriu-a com cuidado e foi direto ao encontro da figura imponente coberta em mantos negros ao lado de quem descansava uma enorme cobra chamada Nagini.

-Tenho importantes informações para o senhor, Mestre - disse a figura enquanto tirava o capuz, revelando seus mal-tratados longos cabelos negros.

-E quais seriam, minha doce Belatrix? - perguntou o Lord das Trevas enquanto gesticulava para que a mulher aproximasse.

E com olhar de mais pura adoração, ela contou.

Fim do cap. 9