Only Time
Capítulo 13 - Minha querida amiga.
-Estávamos esperando por vocês – disse uma voz doce e aparentemente amigável – Bem vindos à Mansão Malfoy – recebeu Narcisa Malfoy, com um sorriso caloroso, enquanto acariciava os cabelos da filha, que estava deitada em seu colo, aparentemente dormindo.
-Mas que merda! – praguejou Rony ao desmaiar nos pés de Harry.
-Profundo isso – resmungou Lúcio, enquanto virava uma das páginas de um dos livros que lia, sentado no chão, com uma cara de desgosto – Então, pelo visto você sabia rezar, Weasley – comentou Lúcio, percebendo que não só Artur conseguira abrir a chave de portal, como conseguira trazer toda a sua prole – Por Merlin! Eles se reproduzem como coelhos – pensou, ao ver rostos novos que julgou serem membros da família também, sem perceber que na verdade se tratavam de Hermione e Harry.
O que Lúcio disse fez com que Artur botasse seus miolos para funcionar. Era a segunda vez que Lúcio mencionava "rezar" num curto intervalo de tempo. Somando isso ao estranho fato de serem trazidos, por uma chave de portal, para a Mansão Malfoy, a única coisa que se podia concluir era que Lúcio sabia da chave, e como ativá-la. Mas o único item diferente que Artur tivera em sua posse era o crucifixo...Sim! O crucifixo de Lúcio! Mas por que diabos Lúcio o havia dado para ele? Certamente não seria com o intuito de salvar Weasleys de um final trágico. Ou seria? Perdido em meio a esses pensamentos, Artur não reparou que uma garotinha translúcida, que ostentava uma enorme queimadura no rosto, o olhava fixamente.
-Não fique encarando, querida. Não é educado – disse Narcisa para a filha mais velha, chamando atenção de Artur.
Foi nessa hora que Artur acordou de seus devaneios e viu um rosto que pensou nunca mais poder ver.
-Julie Anne – constatou Artur, embasbacado fazendo a garota dar um sorriso sinistro, similar aos de Pirraça.
-Buuuu – cumprimentou, fechando a cara, indo para o lado de Lúcio, que voltara sua atenção para seus livros.
-Vou pedir para que arranjem quartos e roupas de cama para todos. Não garanto que sejam de seus gostos...
-Por que eu não duvido? – perguntou Fred, em voz baixa para George.
-Você viu só quem era? – retrucou George, totalmente alheio ao que o irmão falava – Era ela...a do diário...MPHPmP – tentou completar, porém foi impedido pelo irmão que tampava sua boca com a mão.
-Agora não – alertou Fred, com um sorriso amarelo para Hermione e Gina, que assistiam a pequena discussão dos dois – Ele não funciona muito bem sob pressão – explicou, tentando despistá-las.
-Mas é algo provisório, só para vocês poderem descansar logo. Creio que devem estar cansadíssimos – disse Narcisa.
-Isso é verdade, Narcisa. Eu realmente agradeço sua hospitalidade – agradecia Molly um tanto quanto sem jeito. Afinal, quem se sentiria seguro com a possibilidade de passar a noite sob o mesmo teto que Lúcio Malfoy? Tudo bem que Narcisa era adorável, mas seria essa qualidade determinante?
-Amanhã providenciarei todos os detalhes. Afinal, serão vários dias - dizia Narcisa, parecendo extremamente contente.
-Dias, querida? -perguntou Molly, temerosa, segurando as mãos de Gui, que por sua vez não tirava os olhos de Julie Anne.
-Vocês não se hospedam aqui há anos, Molly! Certamente não vai fazer visita de médibruxo – respondeu a loira facilmente, ganhando um olhar incrédulo de Lúcio.
-Dias? Eu vou passar dias com...eles? – inquiriu Lúcio, abrindo e fechando a boca.
Harry não sabia se ficava feliz e aliviado ou extremamente preocupado com o convite de sua, como ainda tinha esperanças, futura sogra. Realmente nunca pensara em sequer fazer uma visita à casa de sua amada, que dirá passar, ao que tudo indicava, boa parte do resto das férias. Mas só de pensar que teria a chance de ver Bele todos os dias, Harry já ficava mais do que inclinado a aceitar o convite. E vendo a reação de horror estampado no rosto de Lúcio Malfoy, Harry se decidiu. Sim. Ele iria adorar passar uns dias aqui.
-Algum problema, querido? – perguntou Narcisa, com palavras doces. Porém o sorriso que lhe adornava as faces a pouco tempo, sumira quase que completamente.
-E você ainda pergunta! – horrorizou-se Lúcio, levantando-se do chão – Primeiro você fica puxando conversa no meio da minha sala de estudos – constatou, ganhando um olhar de reprovação da esposa – Enquanto estou tentando estudar! E como se não bastasse ainda quer infestar minha casa por dias! Tenha dó, Cisa! – alterou-se Lúcio, fazendo seu cabelo começar a voar. Estava tão fora de si, que não reparou que Bele se mexia no sofá, de certo incomodada com o volume do barulho, e que boa parte dos presentes na sala, com exceção dele, de Cisa e de Julie se encolhiam diante da veela aparentemente descontrolada.
-Lúcio Draco Malfoy, como pode ser tão mal educado? Tenho certeza que essa não foi a educação que a Sra. Melinda lhe deu – repreendeu Narcisa com um semblante sério.
Aquilo tinha ferido seriamente seu ego. Afinal, Lúcio podia ter todos os defeitos do mundo, exceto falta de educação. E pensando nisso, ele abaixou a cabeça, respirou fundo, enquanto seus cabelos se assentavam, e levantando a cabeça ele disse com o tom mais falso do mundo:
-Espero que a estadia de vocês seja agradável – falou Lúcio num tom extremamente cordial e obviamente falso, antes de pegar Bele no colo e ir em direção ao corredor, levando também consigo seus livros, que flutuavam ao seu lado, e sua filha mais velha à tiracolo.
Os Weasleys não sabiam o que os deixava mais atônitos: Lúcio Malfoy, a quem há tantos anos os tratava como lixo, tratando-os feito...gente, ou Lúcio Malfoy, que nunca demonstrava carinho ou cuidado por nada e ninguém, pegando a filha mais nova no colo como quem carrega um...bebê!
Harry, que ao ver sua amada indo embora depois de revê-la somente por alguns instantes, já estava com uma expressão digna de uma criança que viu seu cachorro de estimação e companheiro de infância ser atropelado por um caminhão de sorvete, quando de repente, como que por intervenção divina ele viu. Por milésimos de segundos, Bele levantou seu rosto do ombro de seu pai, e olhou diretamente para ele. Sim, ele tinha certeza. Afinal, não tinha mais ninguém olhando naquela direção. Todos estavam prestando atenção no que sua "futura sogra" dizia, pelo menos a parte consciente do grupo.
Foi por um tempo bastante curto, mas suficiente para alegrar seu verão. E só de pensar na possibilidade de vê-la de novo. Afinal, a única coisa que ele tinha de descobrir era onde era o quarto dela e...
-Nem pense nisso, Harry – censurou Hermione, olhando-o com reprovação, enquanto tentava acordar Rony com uns chutinhos.
Lúcio estava realmente fulo da vida. Tantos anos destratando Weasleys, e agora teria que bancar o "bonzinho hospitaleiro" por dias. Dias! Há! Teria que agüentá-los até que tivessem grana para comprar outra caixa de sapatos para morarem. E levando em consideração que eles eram os bruxos mais pobres daquelas redondezas, isso iria demorar muito tempo. E pensar que perderam o pouco que tinham por tentarem salvar sua filha.
-Weasley idiota! – resmungou Lúcio, ao entrar no quarto da filha, acompanhado de Julie, que carregava seus livros – Ninguém se mete com Comensais e sai ileso – pensou, deitando Bele na cama, enquanto Julie Anne deixava seus livros no pé da cama – E você é prova disso, minha querida – murmurou pesaroso ao ver as ataduras que cobriam o tórax de sua filha.
-Precisaremos de mais colchas – constatou Rony, que finalmente se encontrava consciente.
-Você não desiste, não é Rony? – exasperou-se Hermione – Não há necessidade de dormirmos todos enfurnados num mesmo quarto! Temos dez pessoas aqui, Rony! – tentou argumentar a garoto de cabelos revoltos.
-Acho que ela tem razão, Roniquinho – disse Molly – Apesar de não gostar da idéia de dormir sob o mesmo teto que aquele...maluco. Não acho que ele nos mataria enquanto dormimos – explicou Molly, cansada – Provavelmente ele irá esperar até acordarmos para nos torturar até a morte – completou, sombria, fazendo as crianças se encolherem, e ganhando um olhar raivoso de Gui.
-Nossa, e por que será que ele é assim? – falou Gui, sarcástico, ao sair pela porta do quarto. Carlinhos, mesmo que um pouco incerto sobre a situação, seguiu o irmão.
-Ei, vocês dois! Precisamos conversar... – disse Artur, massageando as têmporas numa tentativa vã de acabar com sua recém adquirida dor de cabeça, ao sair do quarto, acompanhado de Molly.
-Err...acho que as colchas são...desnecessárias agora? – aventurou-se Harry, incerto, ganhando um olhar "Até tu, Brutus?", de sua amiga.
-Acho melhor deixar você descansar em paz, meu anjo – disse Lúcio, fechando seus livros, enquanto esfregava seus olhos com uma das mãos.
-Já faço isso há uns dezesseis anos, papai – comentou Julie, com um sorrisinho nos lábios.
-Muito engraçado, mocinha. Não fique voando à noite toda – despediu-se Lúcio, ao sair do quarto levando seus livros, e bocejando.
Nada poderia ser mais sincronizado. Pois assim que Bele ouviu a porta de seu quarto fechando com um "Click", indicando que seu pai se fora, abriu tentativamente seu olho direito, abrindo o outro em seguida, ao se certificar que não havia perigo.
-Preciso de sua ajuda – declarou, olhando a irmã, que em resposta deu um de seus sorrisos sinistros®
Gina estava realmente sem paciência. Seu dia tinha sido extremamente cheio. Não que ela estivesse reclamando de um pouco de agito em seu monótono verão, mas até agora ela já havia descoberto um tórrido romance do Garoto-que-sobreviveu, no qual ela não estava incluída, sofrera uma tentativa de ataque de um comensal, conseguiu escapar, somente para ser atacada por um monte deles em casa! E agora, para melhorar tudo, ainda estava presenciando mais uma briga colossal entre Hermione e seu irmão Rony.
-Por que você nunca ouve a voz da razão, Ronald Weasley? – vociferou Hermione para o amigo.
-Quantas vezes vou ter que repetir, Mione? Eles são comensais! Não duvido nada se alguém com uma capa preta entrar nesse quarto daqui a pouco! – argumentou Rony, em tom elevado, enquanto Gina tentava em vão abafar a gritaria com dois fofos travesseiros nas orelhas.
Harry estava ansioso, e a prova disso eram suas unhas, ou o que restaram delas. Estava tão entretido no seu mundinho, tentando descobrir um jeito de chegar até sua amada, e por isso não ouvira uma santa palavra que seus amigos discutiam e tampouco percebeu quando uma certa menininha translúcida entrara porta adentro.
Assim que Julie Anne entrou pelo quarto, todas as demais ações pararam. Todos a olhavam curiosos. Até mesmo Rony e Hermione pararam ao perceber que o quarto estava silencioso demais. Fred e George nem ao menos piscavam! Percebendo que sua entrada triunfal foi bem aceita, ela continuou seu trajeto até uma das camas.
Ela pegou a colcha e foi em direção ao quadro que adornava a parede do fundo, a do lado oposto da porta, e com mais um sorriso sinistro (ela realmente adorava sorrisos assim), ela disse para o quadro enquanto levantava a colcha:
-Hora de dormir, tara-tara-tara-tatatata avô! – disse alegremente, dando risinhos.
-Vai ser tão horrível assim? – inquiriu o quadro, que pela primeira vez desde que eles chegaram, abriu seus olhos e comentou alguma coisa.
-O senhor não tem idéia – respondeu séria, cobrindo o retrato – Agora, é só esperar – comunicou, ao virar-se e olhar para a porta.
Sem demora, os ocupantes do quarto viraram na direção da porta e esperaram. E esperaram, e esperaram mais um pouco...
-Err...sou só eu, ou todos estão se sentindo idiotas? – perguntou Harry que estava com sua varinha apontada pra a porta, ganhando alguns acenos afirmativos.
-Esse tipo de comentário acaba com o clima, sabia? – comentou Julie, com a cara fechada, chamando a atenção de todos, que viraram em sua direção.
E assim que todos se distraíram, um rangido na porta indicou que alguém entrara no quarto. Alguém com uma capa preta! Reagindo por reflexo, Rony apontou sua varinha para a figura parada na porta, gritando Estupefaça, atingindo-a em cheio, o que fez com que a figura fosse jogada com tudo contra a porta.
-Oh-oh – foi tudo que Julie Anne disse ao tampar seus olhos.
-Bom, isso foi...fácil – admitiu Rony, enxugando um pouco de suor da testa.
-Fácil demais, Roniquinho – comentou Fred, aproximando-se da figura desacordada no chão, ao mesmo tempo em que Rony soltava um muxoxo indignado.
George aproximou-se de seu gêmeo e puxou o capaz da tal figura ameaçadora.
Harry, ao reconhecer sua amada, não pensou duas vezes, e partiu para cima de seu amigo.
Demorou algum tempo para que Bele retomasse a consciência, e quando finalmente acordou, não parecia nem um pouco feliz. E quando ela fitou uma única figura translúcida, apontou seu dedo acusadoramente, antes de pegar uma pequena lousa, que aparentemente trouxera escondida em suas vestes, e escrever freneticamente.
Todos se amontoavam para ver o que ela estava fazendo e se assustaram quando ela abruptamente mostrou a lousa na direção de Julie, que após ler a mensagem, riu.
-"Você fez de propósito!" – leu Gina – Fez o quê? – perguntou, coçando a cabeça.
Após ler o comentário de Gina, Bele abaixou novamente sua lousa, apagou a mensagem e começou a escrever.
-"Pedi para ela avisar vocês que eu vinha", escreveu Bele, mostrando em seguida para todos.
-E qual é a graça nisso? – retrucou Julie, dando de ombros – Deveria ter visto a cara deles. Parecia que tinham visto um fantasma – riu-se Julie, fazendo Bele bater a mão na testa desolada.
Bele distraindo-se com a atitude da irmã, não notou que Harry aproximara-se perigosamente dela.
-Senti sua falta – confessou Harry, pegando a mão de Bele e segurando entre as suas, enquanto dava um sorriso aliviado.
Foi nesse momento que a garota de cabelos platinados sentiu toda a angústia que sentiu nos últimos dois meses aflorarem. Sentiu-se sufocar. O toque da mão dele, apesar de tão suave contra as suas, queimava-a. E em pânico ela puxou sua mão, afastando-se de Harry.
Ignorando os olhares de todos na sua direção, Bele pegou novamente sua lousa, escreveu uma nova mensagem, e levantou-se rapidamente. O que foi um erro, diga-se de passagem. Pois, além dos cortes que sofreu no Beco, ainda tinha mais hematomas, graças ao bom reflexo de Rony. E realmente isso não ajudara em sua recuperação. Muito pelo contrário. Podia sentir que alguns dos cortes estavam quase que abertos novamente, sua blusa estava até um pouco úmida do lado. E infelizmente, Hermione também notara isso.
-Deixe-me ajudá-la – disse Hermione, pegando no braço de Bele, saindo pela porta afora.
-"Dêem o fora da minha casa antes que morram", leram Harry e os outros.
-Seu nome é Julie Anne, não é? – perguntou George, ignorando a mensagem e voltando sua atenção para a garota translúcida que ficara no quarto, não recebendo nenhuma resposta ou mesmo sinal de que ela o ouvira – Meu nome é Fred – tentou, chamando atenção de Gina que o olhava estranho.
-Não, não é – finalmente respondeu Julie, encarando-o por um instante, antes de sair porta afora também.
-Como ela sabia que você estava mentindo? – pensou Fred, em voz alta, olhando para seu gêmeo.
-Quem se importa com isso! – alterou-se Rony – Vocês leram o que está escrito ali – disse apontando para a lousa.
-Todos sabemos o que está escrito, e o que significa, Rony. Não somos estúpidos. – resmungou Gina, dirigindo-se para uma das camas montadas no chão do quarto, dormindo quase que instantaneamente.
-É – concordou Harry – Ela ainda se preocupa – constatou, olhando para Rony, com um sorriso enorme no rosto.
Gui andava apressadamente pelos corredores da mansão, deixando seu pai, que tentava lhe falar, para trás. Porém, ele não foi tão feliz a ponto de também despistar seu irmão que o seguira.
-Gui – chamou novamente Carlinhos – Não adianta andar por aí sem parar. Tudo que você vai conseguir são bolhas nos pés, e sapatos sem solas! – argumentou, fazendo o irmão parar – Não foi tão difícil, n... – começou Carlinhos, porém, interrompeu-se quando viu o irmão virar-se com os olhos cheios de lágrimas, e uma expressão raivosa.
-Ela está aqui – disse referindo-se a Julie – Ele disse que ela tinha embora de vez, mas todo esse tempo... todos esses anos... ela estava bem aqui – disse, num tom baixo, meio embolado.
-Também fiquei chocado – admitiu Carlinhos – Chocado com isso, e com outros inúmeros fatos que aconteceram nos últimos três dias – riu tristemente.
-Ela nem olhou pra gente – falou para o irmão, deixando uma lágrima teimosa fugir.
-Muitas coisas mudaram nesse tempo todo – comentou, com um sorriso fraco para o irmão.
-Amizades não desaparecem. E amigos não se esquecem– disse Gui, enxugando o rosto, indo em direção a um dos muitos quartos da mansão.
-Isso é verdade – concordou Carlinhos, passando a mão no cabelo curtíssimo, num gesto que demonstrava sua quase que total fadiga – Cara, é estranho estar por aqui de novo, depois de tanto tempo – desabafou, olhando a decoração – Mas não mais estranho do que chamar a Sra. Malfoy de Tia Cisa – divertiu-se Carlinhos, fazendo Gui olhá-lo embasbacado.
-Você não fez isso! – atestou Gui, ainda fitando o irmão – Você fez! – gargalhou quando viu o irmão ficar tão vermelho quanto seu cabelo, enquanto entrava no quarto, e encostava a porta.
Bele não sabia mais como se livrar de Hermione. Já tinha tentando persuadi-la, de todas as maneiras, de acompanhá-la até seu quarto. Foi quando lhe veio à mente sua última opção: implorar.
-Sanguinho, eu juro pelo que há mais sagrado: estou ótima. Por favor, eu lhe imploro, não vá comigo até meu quarto. Aliás, não vá comigo para nenhum lugar – tentou convencer, e teria sucedido se não fosse pela crise de tosse pela qual foi acometida.
-Dá pra ver que você está ó-ti-ma! De fato, eu nunca a vi melhor – ignorou Hermione, pegando a garota pelo braço, a fim de levá-la para seu quarto.
-Você não entende. A gente pode ser vista por...ele – disse fracamente, olhando o fantasma, que se encontrava atrás de Hermione com uma expressão de poucos amigos.
-Ele? Ele quem? – perguntou Hermione, não entendendo nada, ao virar-se na direção que Bele olhava, com uma expressão extremamente culpada.
-Mal chegou e já está aprontando, não é? Eu disse para seu pai, mas mais uma vez ele não me ouviu. Você nunca faz nada que preste – rosnou o fantasma – E quem diabos é você? – inquiriu, olhando Hermione de cima abaixo.
-Hermione Granger – respondeu secamente.
-Granger? Mas essa não é a sangue-ruim de quem tanto você falava? – perguntou o fantasma, olhando Bele com tal reprovação que a fez encolher-se - A que sempre tirava notas melhores que a sua? Se bem que isso não é algo muito difícil de fazer, julgando pelas suas últimas notas que foram simplesmente patéticas. Patéticas como todos seus outros feitos, diga-se de passagem. Eu avisei seu pai: "tenha só um filho". Mas não, ele não me ouviu, e decidiu ter VOCÊ! UMA FILHA TOTALMENTE INÚTIL, FRACA E BURRA – vociferou o fantasma, fazendo Bele tremer um pouco pela intensidade dos gritos.
A garota de cabelos cheios e revoltos já tinha tido demais. E sem conseguir se conter mais, ela explodiu.
-QUEM DIABOS VOCÊ ACHA QUE É PRA FALAR ASSIM COM A MINHA AMIGA? – gritou a plenos pulmões. Seus gritos ecoando pelos corredores, chamando atenção de todos os quadros e ocupantes dos quartos, que ainda não estavam adormecidos.
Bele estava chocada. Ninguém nunca havia retrucado seu avô assim antes, pelo menos não na frente dela. Apesar disso, o que mais lhe chocava é que a garota a qual ela costumava insultar dos piores nomes possíveis havia defendido-a, e chamado-a de amiga, ao que parece, sem nem ao menos se dar conta desse fato.
-VOCÊ CHEGA AQUI, VOANDO SABE-SE LÁ DE ONDE, E COMEÇA A FALAR ESSE MONTE DE ABSURDOS... – continuou, perdendo um pouco o fôlego, ao mesmo tempo em que chegavam algumas pessoas para presenciar a cena –Você não tem nem idéia sobre quem está falando se acredita no que disse, e ainda tem coragem de xingar alguém de burro... – completou Hermione, desviando o olhar, notando a "multidão" de pessoas que assistiam ao espetáculo: Narcisa fitava o fantasma de seu sogro, com os olhos estreitos, enquanto os demais vivos presentes (os Weasleys e Harry) a olhavam boquiabertos. Já Julie Anne divertia-se tirando fotos das caretas do avô.
-Algum problema aqui? – perguntou Lúcio, com a varinha em riste, ao aproximar-se da cena calmamente, puxando um pouco a perna direita ainda, sendo acompanhado por uma pequena elfa.
Todos ficaram sem ação. Até mesmo o Sr. Felipe, o fantasma pai de Lúcio, que olhava para o filho com um certo pavor.
-Você de novo – disse Lúcio, ficando entre o pai e Hermione – Não sabe quando calar a boca, não é? – inquiriu, aparentemente de péssimo humor, antes de apontar a varinha para seu pai, e murmurar algumas palavras, fazendo-o sumir – O que faz fora da cama? – perguntou, ao virar-se na direção da filha bocejando – E quem é você? – completou, indicando Hermione, com a varinha. O que fez com que todos ficassem extremamente tensos. Afinal, Lúcio, trouxas de nascença e varinhas não eram uma boa mistura. Ou pelo menos uma mistura...saudável.
Meu nome é Hermione Granger, e sou amiga da sua filha – explicou Hermione a Lúcio, o que fez com que ele levantasse uma das sobrancelhas – Sua filha mais nova, Isabele – completou, vendo a expressão confusa de Lúcio.
-E como é que você veio parar aqui? – perguntou, coçando a cabeça com a varinha, enquanto todos ainda o olhavam apreensivos.
-Eu e o Harry viemos juntos com os Weasley – disse, arrependendo-se amargamente, pois assim que ela mencionou o nome de seu amigo, Lúcio virou-se em sua direção.
-Harry Potter acampado na minha casa – murmurou Lúcio, apontando a varinha para Harry, ao mesmo tempo em que Artur, Molly e Rony apontavam suas varinhas para Lúcio –Eu preciso urgente de um café – riu Lúcio, guardando a varinha, voltando da direção pela qual viera. E após alguns segundos, tudo o que podiam ver, era uma pequena figura no fim do corredor, chutando uma figura menor ainda, enquanto gritava "Vai preparar meu café, sua elfa inútil".
-O que diabos foi aquilo? – pensou Rony, em voz alta.
-Falta de cafeína, eu acho – arriscou Carlinhos, fazendo Narcisa rir baixinho, fazendo-o corar.
-Ei, você está bem? – perguntou Gui para Bele, que ainda olhava um tanto quanto chocada para Hermione, recebendo uma afirmação de cabeça como resposta.
-Fico feliz que finalmente Isabele tenha arranjado uma amiga – disse Narcisa para Hermione, sorrindo.
-Eu tenho amigos – retrucou Bele, acordando de seus devaneios.
-Mas aposto que essa não faz campeonatos de cuspe à distância – rebateu Narcisa, com um sorriso vitorioso.
-Ei, por que você não dorme no quarto da Bele? Se ela se deu ao trabalho de ir até o seu quarto te chamar... – sugeriu Julie Anne com um sorriso maroto.
-A senhorita saiu perambulando pela casa nesse estado! – horrorizou-se Narcisa.
-Err...não? Hummm...talvez...hehe – balbuciou nervosamente, enquanto tentava arrumar uma boa desculpa.
-Bom, nesse caso. Vou pedir pra um dos elfos ajeitar mais uma cama no seu quarto, querida.
Não se esqueça de pedir para eles levarem os esmaltes, as maquiagens e os bobes de cabelo. E todos aqueles vestidos lindos de renda, mamãe. Bele parece estar sem sono. Então podemos fazer uma noite de meninas! Aposto que ela vai a-do-rar – ria Julie, ao dar idéias e idéias para Narcisa, que já seguia em direção ao quarto da filha mais nova, arrastando Hermione e uma infeliz Isabele consigo, enquanto os demais voltavam para seus devidos aposentos.
Julie Anne já ia seguindo-as, porém, antes de adentrar o quarto de sua irmã, percebeu que duas pessoas ainda encontravam-se no corredor. Ela podia sentir a angústia no ar, e seus olhares que queimavam suas costas. E não gostando nem um pouco da sensação, ela virou-se.
Ela encarou-os, estudando-os. E depois de ler seus olhares, ela sorriu. Afinal, já era mais do que tempo dos amigos se reencontrarem.
Fim do cap. 13
