Only Time
Capítulo 15 - A única coisa a fazer.
-Potter – ele disse, ao mesmo tempo em que seus olhos ficavam vermelhos, seus cabelos começavam a voar descontroladamente, e duas grandes asas negras surgiam em suas costas.
E lançando uma bola de fogo, Lúcio começou o ataque.
As reações foram diversas e imediatas. Enquanto Harry, usando mais uma vez seus reflexos de apanhador, esquivava-se, Molly gritava desesperada, Rony puxava Hermione para trás, tirando-a da linha de fogo, enquanto Gui fazia o mesmo com Gina, Artur tirava sua varinha, numa vã tentativa de mirar em Lúcio, o que era difícil, uma vez que a veela era bem ágil. Os gêmeos trataram de sair do caminho, se escondendo debaixo da mesa. Carlinhos, não esperando o ataque, acabou se desequilibrando da cadeira, quando os gêmeos se esconderam. Isabele gritava para que Harry corresse, enquanto Narcisa simplesmente fechava os olhos enquanto massageava as têmporas, o que indicava claramente o começo de uma enxaqueca.
Harry não precisava ouvir duas vezes. Sem pensar, ele pulou a mesa, correndo pelo corredor o mais rápido que pôde, sendo seguido por Lúcio ainda em seu estado berseker, e Isabele que tentava alcançá-los.
-Eu disse que isso ia acabar assim – murmurou Rony, histérico – Odeio estar certo. Odeio estar certo – repetia num mantra, ainda agachado no chão com Hermione.
-Temos que ajudar o Harry – disse Hermione, apressada já se levantando.
-Ninguém sai da sala – ordenou Narcisa, fazendo as portas se fecharem magicamente.
Logicamente, todos os presentes começaram a protestar freneticamente. E ignorando o qüiproquó no recinto, Narcisa acionou os espelhos da sala, e tirando uma pequena bússola do bolso, disse:
-Lúcio Draco Malfoy.
Harry entendia perfeitamente agora porquê Isabele estava tão desesperada para tirá-los de lá. E realmente se sentia mal por não ter dado ouvido aos avisos de Rony.
Mas não tinha tempo para pensar em outras coisas agora. Ele tinha uma veela descontrolada na sua cola jogando bolas de fogo (que estavam destruindo a casa) e tentando cortá-lo ao meio com garras gigantes. Céus, não tinha muitas esperanças de escapar dessa com vida. Mas o que o alegrava era que tinha curtido bastante sua curta vida. Tinha derrotado o Lord das Trevas com apenas um ano. Tinha sido o apanhador mais novo do século. Tinha ganho o Torneio Tribruxo. E o mais importante: não era mais virgem. É, ele podia morrer feliz.
-Lúcio! Pare com essa insanidade agora mesmo – ordenou Narcisa, através do espelho comunicador.
-Insanidade? Insanidade? Como você pode dizer isso depois de tudo que esse irresponsável fez? – retrucou Lúcio, com uma fúria absurda, ao tentar alcançar o garoto que se esquivava correndo em volta de uma das grandes mesas da sala de chá exterior.
-Por Merlin, Lúcio! Podemos resolver as coisas com calma. Não há necessidade de destroçar o garoto – tentou persuadi-lo, ao mesmo tempo em que horrorizava os Weasleys com a mera possibilidade da ação.
-Primeiro, ele rouba meu elfo doméstico! – gritou ensandecido, lançando outra bola de fogo na direção de Harry –Depois se acha no direito de se aproveitar da minha filha. Uma criança! Uma criança, Cisa! – completou, ao jogar o carrinho de chá em Harry, que escapou por pouco – Como diabos você pode relevar isso! – gritou, agora olhando para o espelho, voltando a sua aparência normal, um tanto quanto esbaforido, dando tempo para Harry correr para outra sala.
-Não atire meus jogos de chá – avisou, num tom baixo e controlado porém ameaçador – Quer destruir algo, então destrua um dos seus brinquedos – ralhou, fazendo Lúcio parar e refletir.
-Boa idéia – elogiou, correndo em direção da biblioteca.
-Ah, que merda – xingou Narcisa jogando os braços pro ar ao perceber o que Lúcio iria fazer.
-Isso não parece bom – disse Molly, apoiando-se em Carlinhos.
-Harry Tiago Potter – disse Narcisa olhando para a bússola, que mostrou a localização de Harry – Draco Isabele Malfoy – disse em seguida – Ele está indo à sua direção, querida. Seu pai está munido com um de seus brinquedos. Escondam-se, estou indo pra aí – completou a instrução pelo espelho de comunicação.
-O que esse maluco pensa que está fazendo? – rugiu Artur, totalmente alterado.
-Cala a boca, Weasley! – falou Narcisa, ao abrir as portas, saindo ao encontro do marido, sendo seguida pelos presentes.
Isabele ouvira perfeitamente as ordens de sua mãe. E evitando os espelhos, a fim de evitar informar sua localização, ela esperou a chegada de Harry, puxando-o para si assim que este chegou ao seu alcance.
E apesar da situação horrível pela qual passavam, por um breve momento o tempo pareceu parar. Estavam finalmente juntos. E Harry aproximou sua mão do rosto tão delicado de sua amada, sem conseguir se conter. Há quanto tempo desejava fazer isso. Tê-la em seus braços, sentir sua pela macia e alva, ver seus olhos cinzentos e vivos, diferentes daqueles olhos opacos horríveis que vira a bordo do Expresso de Hogwarts. Porém, antes que sua mão encostasse, Isabele virou-se bruscamente, aparentemente assustada com um barulho que lembrava um estampido. Confuso ainda, ele olhou na direção em que Bele estava e viu o motivo do barulho. Lúcio Malfoy, munido com uma espingarda...trouxa, estava atirando na direção dos dois.
-Solta a minha filha, seu pervertido – gritou Lúcio, atirando em seguida.
-Arrête ça! Arrête ça, Papa! – implorava Isabele, tremendo dos pés à cabeça, enquanto tentava esconder Harry atrás de si.
-Accio arma trouxa! – falou ao arrancar a arma da mão do marido – O que pensa que está fazendo apontando uma arma pra nossa filha! – ralhou – Não consegue ver que é inútil? – tentou mais uma vez, recompondo-se.
-Por causa desse...verme – ele praticamente cuspiu as palavras – Ela quase morreu! – ele desesperou-se nesse ponto – Você viu como ela estava – explicou histérico, fazendo todos se encolherem – Ele merece morrer! – gritou a plenos pulmões, tentando alcançar o pescoço de Harry, o que era bem difícil já que sua filha encontrava-se entre os dois.
-Ótimo! Faça isso e seja responsável pela morte da sua filha, Lúcio – atacou Narcisa, exaltada – Isso mesmo, se você o matar, ela morre também – concluiu, fazendo-o se afastar dos dois.
Ele sabia que era verdade. Ele não podia esmagar o pescoço do cretino e arrancar seu baço pela boca. Mas mesmo assim, era difícil aceitar. O garoto era simplesmente odioso. E era tão estúpido. Sempre se colocando em perigo inutilmente, bancando o herói. Será que entendia alguma coisa sobre veelas? De certo nada, levando em consideração o estado que sua filha chegou para as férias. Como poderia ficar tranqüilo em entregar sua princesinha pra um traste desses!
E por isso, ainda em negação, ele continuava agitado, inconscientemente balançando a cabeça em claro sinal de negação.
-O mal já foi feito, Lúcio. Só há mais uma coisa que devemos fazer agora – Narcisa deu a deixa.
-Se você machucar um fio do cabelo dela, Potter. Eu acabo com você –ameaçou aproximando-se de Harry e Bele, tendo sua atenção chamada pela esposa – Juro por Merlin, que você vai sentir saudades das torturas do Lord das Trevas quando eu acabar.
Depois de dar uma última olhada na direção da filha, Lúcio, ainda tremendo de raiva, olhou para Harry e disse:
-Bem–vindo à família, garoto – e saiu porta afora, passando as mãos pelo cabelo, enquanto murmurava "Eu preciso de uma bebida".
Ela sabia que era tabu. Sabia que um dia iria terminar mal. Mas o que ela não esperava era o olhar decepcionado de seu pai. Por um breve instante, ela realmente sentiu como se tivesse abandonando-o. Sentiu como se tivesse esfaqueado-o pelas costas. E a sensação fora horrível, porque ela nunca faria tais coisas. Não com ele.
Perdida em meio a seus pensamentos, não reparou quando uma gentil mão acariciou seu rosto, chamando-lhe atenção. Ela sabia quem era, antes mesmo de olhá-lo. Reconhecia o cheiro e o toque. Tão reconfortante e tão...irritante! Se tivesse ido embora quando ela o avisara, nada disso teria acontecido.
-Você está bem? – perguntou Harry preocupado, ao ver sua amada com uma expressão estranha no rosto.
Porém, nem mesmo os reflexos ágeis de Harry puderam lhe ajudar quando Isabele, em resposta a sua pergunta, dera-lhe um sonoro tapa. Ele simplesmente não esperava.
Harry estava tão estupefato com a reação a uma simples pergunta, que demorou alguns segundos para registrar o ocorrido. E quando o fez, Isabele já estava correndo porta afora, e todos o olhavam estranhamente.
-O que foi que eu fiz agora? – pensou em voz alta, ainda com a mão na bochecha.
Sua cabeça estava latejando. Há anos não sentia uma dor de cabeça tão forte assim. Há dezessete anos, para sermos exatos. Desde que sua filha mais velha morrera num incêndio. Com certeza se não estivesse tão fraco, ainda estaria ostentando um par de asas negras nas costas. Ele ainda podia sentir seus olhos queimando de raiva. Raiva que ele tivera que conter.
Realmente, sua filha não poderia ter escolhido parceiro pior. O garoto não tinha nem família! Morava com trouxas, e seu padrinho estava foragido. É, nessas horas Lúcio odiava sua vida.
Decidindo-se rapidamente, Lúcio correu para fora da Mansão e aparatou. Isabele ainda tentou chamar seu pai, mas fora em vão. Ele aparatara, deixando-a para trás. Sentindo-se horrivelmente culpada, ela sentou-se no degrau da varanda, que dava de frente para o jardim de onde seu pai saíra, e esperou.
Narcisa já não estava agüentando o falatório. Sua paciência e doçura tinham se quebrado juntamente com seu jogo de chá. E para ajudar, a enxaqueca parecia piorar cada vez mais. E por mais que não quisesse prestar atenção, algumas frases lhe chegavam claras como o dia:
"Por pouco aquele louco não pega o Harry".
"Eu falei que ele ia perder as duas cabeças. Mas alguém me escutou?".
"Imagina que coisa ridícula eu daqui a alguns anos explicando pros meus filhos como o meu melhor amigo conseguiu ser morto por uma galinha gigante!".
E aquilo lhe ferveu o sangue.
-Basta! – ralhou Narcisa, fitando-os – Como podem ser tão...tão...ingratos? – indignou-se.
-Ingratos? – retrucou Molly, ferozmente – Aquele louco quase matou o pobre do Harry! – disse, apontando para o garoto, que ainda ostentava a marca dos dedos de sua filha no rosto.
-Isso não vai acabar bem – murmurou Artur.
-Ah, claro! O pobre Harry – concordou Narcisa, fechando os olhos – Kireizi! –chamou, fazendo uma pequena elfa aparecer quase que instantaneamente ao seu lado.
-Sim, mestra? – perguntou solícita, com um sorriso largo no rosto, que sumiu assim que percebeu o estado de nervos de sua mestra.
-Diga às meninas que estarei no meu quarto, se elas precisarem – instruiu, cansada – Kireizi ficará à vossa disposição para qualquer eventualidade. Com sua licença – disse, ao virar e seguir na direção da escada.
E assim, Narcisa saiu deixando quase todos presentes surpresos pela falta de retaliação, e um Harry sentindo-se o pior dos seres.
-Nossa, que caras animadas! – exclamou Julie, ao sair finalmente da sala de revelação – Então, quem morreu? – perguntou para ao olhar para Hermione, com um sorriso debochado.
-O Harry aqui! – retrucou Rony, revoltado com a atitude da poltergeist, chamando-lhe atenção.
-Ele parece bem vivo daqui – respondeu, citando o óbvio – Mas vai saber... eu não tenho olhos, não é verdade? – completou, dando uma piscadinha para Gui, que apesar de toda tensão no ar, teve que abafar uma risadinha.
Ele sabia o que tinha que fazer agora. Apesar de ter "aceitado" seu futuro genro como membro da família, isso não era o bastante. Afinal, não tinha dúvidas que sua filha não viveria sem seu escolhido. Porém, não poderia dizer o mesmo sobre o irritante Potter. Quem poderia lhe garantir que o garoto não iria simplesmente largar sua filha daqui a alguns anos?
Para garantir que o garoto arcaria com as conseqüências de seus atos seria necessário firmar um contrato entre ambas as famílias, registrada pelo Ministério. O que exigiria um pouco de burocracia. Mas o que é burocracia para um advogado renomado como Lúcio, que já trabalhava no Ministério?
Seria moleza, se não fosse por um simples detalhe: os Potters estavam abaixo de sete palmos há muitos anos.
-Eu podia usar um Inferis! – divertiu-se Lúcio, rindo mentalmente – Mas duvido que isso seria aceito legalmente – resmungou, contrariado.
Foi então que Lúcio encontrou-se num dilema, pois só haviam duas alternativas restantes: procurar os parentes trouxas de Harry ou Sirius Black, o suposto tutor legal.
Obviamente, nenhuma das duas opções lhe seria agradável. Na dúvida, Lúcio decidiu fazer uma pequena lista de prós e contras para os dois, mentalmente decidindo que seguiria a que lhe desse menos dor de cabeça.
Somente nessa hora, Lúcio percebeu que acabara andando até uma cidadezinha trouxa nos cafundós do brejo após desaparatar da Mansão. Um lugarzinho deprimente, com pessoas que usavam jaquetas fedidas de couro.
-Fica contra o vento, trouxa maldito! – praguejou Lúcio, em voz baixa, ao andar até o balcão de um bar, que tinha uma iluminação horrorosa. Se é que poderia chamar aquilo de iluminação.
Ele pediu um uísque (ele realmente precisava de algo forte depois de todas as emoções dos últimos dias), e depois de surrupiar a caneta de uma das garçonetes seminuas que passavam começou sua lista usando um guardanapo do balcão, que já tinha visto dias melhores.
Já estava quase terminando, e para sua costumeira sorte, os dois pareciam estar incrivelmente empatados.
Foi então que Merlin, mostrando sua infinita compaixão por seu ser, mandou-lhe ajuda imediata.
-E aí, Barbie? Tem jeito? – perguntou um motoqueiro ao puxar o loiro bruscamente pelo ombro, dando em seguida uma piscadinha "sexy".
Lúcio não sabia se ria ou se vomitava. Mas de uma coisa estava certo, ele já se decidira. E ao notar que o troglodita a sua frente fizera o favor de chamar atenção de quase todos presentes, deu um sorrisinho sinistro e decidiu aliviar a tensão.
Gui já estava farto de tudo aquilo. Não agüentava mais nem um segundo do clima horroroso que se instalara após a saída de Lúcio. E mesmo sabendo da horrível relação entre sua família e os Malfoy nos últimos quinze anos, isso não era o suficiente para fazê-lo esquecer de todos anos antes disso.
Porque podiam falar o que quiserem. Ele até entedia quando os mais novos xingavam os Malfoys dos piores nomes possíveis. Mas como ele podia fazer o mesmo se ele conheceu-os bem de perto?
Tudo bem que muitos anos já tinham se passado desde então. Mas ele sabia quem era Lúcio Malfoy. Ele era seu padrinho, pai da sua melhor amiga Julie Anne, e quem um dia fora o melhor amigo de seu pai. Como alguém poderia mudar tão drasticamente assim? Sendo uma veela ainda por cima!
Tinha algo errado com isso, porque veelas não saem simplesmente excluindo pessoas de suas vidas. São seres extremamente passionais. E ele sabia bem disso, afinal sua noiva era parte veela e o rubor que lhe subiam às faces comprovavam isso.
E isso, lhe trazia a algumas conclusões nada agradáveis. Porque se veelas não excluíam amigos de seu convívio, então os amigos excluíam-se por vontade própria. O que era horrível, porque isso faria seu pai ser o grande culpado de tudo.
Mas isso abria tantas perguntas que ou não tinham respostas ou pessoas dispostas a responder. Ah, tudo era tão complicado que ele já não entendia mais nada! Apesar disso, não conseguia conter-se diante do falatório de sua família e revoltar-se como agora.
Sem se dar conta, Gui, após mais uma batida de frente com sua família, que saíra andando a esmo pela Mansão para esclarecer suas idéias, acabou encontrando a garota, que segundo seu irmão, começara toda a desgraça.
Ela estava displicentemente sentada num dos degraus da varanda que dava de frente para o jardim principal, com um semblante triste, olhando para um ponto fixo.
Ao sentir a aproximação de Gui, ela encarou-o com seus cabelos ao vento. E então ele entendeu porque Harry a amava. Mesmo com ainda alguns hematomas nos braços e pescoço, ela era linda. E nesse momento seu coração se apertou, pois ele se lembrou de sua Fleur, e quanto ele a amava e sentia sua falta.
Ela viu a curiosidade nos olhos dele sumir, sendo substituída por uma emoção triste, algo que parecia saudade. E então ele sorriu. Um sorriso tímido, mas verdadeiro. E ela sorriu de volta, antes de voltar sua atenção para o ponto no jardim de onde seu pai saíra.
Sabendo quem ela esperava, ele decidiu fazer-lhe companhia. E na espera dela, ele teve a sua resposta.
Rony já estava mais do que enfurecido. Estavam discutindo a um bom tempo já, e nada deles zarparem fora daquele hospício. Harry havia praticamente fincado o pé, negando-se a ir embora. Os gêmeos passeavam pelo recinto, tentando descobrir como os espelhos funcionavam e tentando bater papo com alguns quadros. Gui tinha simplesmente saído andando, enquanto sua mãe berrava com Carlinhos, que por algum motivo estranho estava indignado com a atitude dela. E para ajudar, ainda tinha uma poltergeist perturbada mostrando animadamente umas fotos nojentas para Hermione e para sua irmã. Até seu pai estava tentando dar uma espiadela!
-De quem é essa perna? – perguntou Artur, um tanto quanto enojado ao ver o osso da tíbia deslocando-se livremente debaixo da pele.
-É do papai, é claro. Eu tirei pro vovô – respondeu Julie, sorrindo – Uma coisinha pra animar a volta do Inferno, sabe?
E vendo que todos na sala pararam de falar quando ela falou isso, explicou:
-Não esse Inferno! Eu estou falando da nossa casa na França, o Inferno. Foi pra lá que o papai mandou o vovô ontem de noite.
-Mas por que animar? Ele não tá morto? – perguntou Gina, sem entender.
-Imagina vagar da França até aqui. Na última vez ele levou dois meses e meio. Não tava nem um pouco feliz quando chegou aqui – completou a garotinha, rindo ao lembrar-se da cena, fazendo com que Gina e Hermione rissem também.
Rony gritou, com as orelhas da cor de seus cabelos, ensandecido:
-Será que todos ficaram malucos, é? O que diabos vocês estão esperando pra irmos embora desse hospício? Uma convenção de Comensais da Morte? Ou aquele maluco voltar com aquela coisa barulhenta abrindo buracos nas paredes e nos nossos estômagos!
-Nunca se sabe o que pode acontecer. Talvez você até se surpreenda – retrucou Julie, com um olhar baixo e um tom de voz sério demais que não combinava em nada com sua aparência infantil.
-Por que diz isso? – indagou Hermione, observando Julie atentamente, assim como os gêmeos que pararam suas traquinagens para prestar atenção.
-Malucos tendem a fazer maluquices – respondeu, com um sorrisinho sinistro, dando arrepios em todos os presentes.
Após examinar os arranhões que ostentava realmente não conseguia achar uma boa idéia ter destruído o bar trouxa, exterminando seus ocupantes. Mas xingar o tio Voldie de sangue-ruim tapado também não tinha sido muito esperto de sua parte, e nem por isso ele parou. E certamente naquela ocasião, ele tivera muito mais que alguns arranhões. Mas em ambas ocasiões haviam duas coisas em comum. A primeira era logicamente a adrenalina, e a segunda era a cara de espanto da vítima.
Mas agora não era hora para se pensar em momentos felizes, e sim hora de colocar os miolos para funcionarem.
Uma vez que procurar os parentes trouxas do Garoto-Que-Sobreviveu estava fora de cogitação, simplesmente porque uma veela andando por aí iria atrair muitos outros cavalheiros como o que conhecera a pouco. Só restava uma coisa a fazer: procurar Sirius Black.
Logicamente sair numa busca infundada ia ser ridículo, porque nem mesmo o Ministério tivera sucesso numa busca que já durava dois anos. Então, ao invés de sair à busca dele, ele teria que atraí-lo.
O que seria bem fácil, já que Harry Potter estava temporariamente hospedado em sua casa. Tudo que ele tinha que fazer era contatar Dumbledore, que provavelmente ajudara Black a se esconder, com algum bilhete enigmático e ameaçador.
Mas isso não era bom o suficiente. Porque mesmo encontrando Black, o que o faria assinar o contrato? E mesmo que ele assinasse de bom grado, sua assinatura não valeria legalmente, uma vez que ele estava foragido.
A não ser, é lógico, que ele deixasse de ser um foragido. Tudo que ele tinha que achar era aquele Cara-de-rato-maneta, vulgo Rabicho.
-Se eu fosse um Lord das Trevas com um QI de um gnomo de jardim, onde eu esconderia aquele ser inútil? – perguntou-se Lúcio, andando de um lado para outro – Teria que ser num lugar bem seguro, onde o Black nunca pisaria – ponderou, apertando os olhos – Mas quem seria o guardião perfeito para a tarefa?
E lembrando-se das milhares de ameaças de morte que Snape proferia toda vez que ouvia o nome Sirius Black, Lúcio obteve sua resposta. E num piscar de olhos, ele aparatou rumo à residência de um certo Mestre de Poções.
Fim do cap. 15
