Only time
Capítulo 17 – Diga "oi"
Estavam esperando há algumas boas horas e a ansiedade que beirava a histeria era explícita nos rostos de todos os presentes.
-Aposto que está fazendo isso de propósito! - reclamou Sirius, arrancando os cabelos – Assim vou acabar maluco!
-Isso você já é – comentou Remo, que apesar de toda tensão ainda conseguiu arrancar uma risadinha abafada de Tonks.
Mal Remo acabara de falar, e a campainha tocou, fazendo com que, mais uma vez, o "silencioso" quadro da Sra. Black resmungasse.
Apesar do visitante comensal ser esperado, e de todas as medidas possíveis de segurança (por cortesia de Olho-Tonto) terem sido tomadas evitando assim que o endereço da Ordem caísse em outras mãos que não as de Lúcio, todos os membros da Ordem presentes, inclusive seu líder, Albus Dumbledore, colocaram-se à postos em lugares estratégicos a fim de controlar qualquer tipo de confusão que pudesse acontecer.
-E eu que achei que a casa do Sev era difícil de achar! – resmungou Lúcio, entredentes, ao adentrar o quartel general inimigo, sem nem ao menos olhar para quem abria a porta.
Tão logo entrou e Lúcio começou a escanear o ambiente, gravando entradas e saídas, e encarando alguns membros da Ordem. E ficou pasmo, ao ver o quão apurado era o relatório de Crabbe, o pai, lhe entregara alguns meses antes. Afinal, ele conseguia reconhecer boa parte deles.
Então, Dumbledore aproximou-se de Lúcio, seus olhos brilhando atrás dos seus óculos de meia-lua e disse:
-Decidiu mudar de lado, meu caro Lúcio?
-Sai pra lá, seu velho babão! Eu sou casado! – exclamou antes que pudesse pensar em algo mais proveitoso para dizer.
Porém, ao ver a cara fechada do velho, e ouvir as risadinhas de Remo e alguns outros membros, percebeu que cometera um terrível engano.
-Ah ta...era disso que você tava falando – disse, dando um tapa na testa – Não mudei de lado nenhum. Continuou onde sempre estive. E é por isso mesmo que estou aqui – explicou depositando a gaiolinha coberta em cima da mesa da sala de jantar, sentando na cadeira da cabeceira em seguida, ganhando olhares confusos dos demais – Importa-se? – perguntou para Sirius, ao indicar com a varinha uns enfeites horríveis que estavam na mesa.
Sirius, sem entender nada olhou para a cara de Remo em busca de algumas respostas, porém ao ver a expressão interessada do amigo na situação, limitou-se a responder:
-Ah...fique à vontade.
Tão logo obteve a resposta, e Lúcio transfigurou os terríveis enfeites de decoração em um calhamaço de folhas em branco timbradas com seu nome e uma caneta esferográfica e começou a escrever.
Sentindo a curiosidade dos demais aumentando a cada momento, Lúcio decidiu acabar com o mistério, e ao mesmo tempo em que escrevia sem parar, puxou a gaiolinha para perto de si (Remo estava tentando farejá-la) e começou a explicar a situação.
- Eu sabia que Senhores da Guerra tinham métodos pouco usuais de persuasão – começou, ganhando atenção de todos - Merlim sabe que falo por experiência – resmungou mais para si, do que os outros – Mas você, seu velho caduco e birolho, ganha em disparada! Realmente, até agora não consegui entender, como você por um instante pôde achar que omitir a identidade do namoradinho secreto da minha filha iria ajudar o pobre Potter. E se eu tivesse matado o infeliz assim que o vi lá em casa, seu estúpido? – perguntou, Lúcio indignado.
-Como é que é? – indagou Sirius, sem entender nada.
-E como pode ter certeza de que eu estava ciente? – perguntou Dumbledore, sentando-se também, e fazendo menção para que os outros se sentassem à mesa.
-Não confunda as coisas, velho. Quem tem Q.I. de gnomo de jardim aqui é você – retrucou Lúcio ofendido – Você e o tio Voldie – pensou rindo – Enfim, vai me dizer que com aquele mundaréu de quadro fofoqueiro você inocentemente não sabia de nada? E que também nem reparou que alguém adentrou os terrenos de Hogwarts e descobriu sobre a minha filha? Tudo bem que segredos não duram para sempre, velho. Mas você realmente tinha de jogar minha filha aos lobos? Isso foi golpe baixo – comentou, fazendo todos olharem para o diretor - Até mesmo pra você – resmungou.
-Mas onde entra o Harry nessa história, afinal? – alterou-se Sirius.
-Aparentemente ele e a Srta. Malfoy estão juntos – explicou Remo – Mas ele está lá então? Na sua casa?
-No começo eu nem tinha reparado nele, pra falar a verdade. Achei que era mais um Weasley. Afinal eram tantos no meio da minha biblioteca, que eu nem me dei ao trabalho de olhar – resmungou Lúcio, com uma careta.
-Então meu Gui está na sua casa? – perguntou Fleur, com um sotaque arrastado e com os olhos
O loiro tentou se lembrar de todos os rostos que vira na mesa, de manhã, mas era um tanto difícil, porque tirando a nova amiga de sua filha, Potter e a mini mulher elefante, todos eram tão parecidos!
Vendo a expressão de dúvida no rosto de Lúcio, Fleur disse, agoniada:
-Ele tem o cabelo comprrrido, parrecido com o seu. Faça um esforrrço, estou muito preocupada com ele. Ele é meu noivo, sabe?
Ao estudar a fisionomia da garota, ele não pôde deixar de notar os traços leves, porém visíveis de sua herança veela. E logicamente, sabendo das conseqüências que uma separação entre os dois poderia causar, ofereceu:
-Você pode ir lá vê-lo, se quiser – disse, espantando a todos com sua "generosidade".
-Então você não se incomodaria se eu fosse checar o Harry, não é? – perguntou Dumbledore, com um sorriso, sendo prontamente ignorado por Lucio, que voltara sua atenção para suas escritas.
Remo, ao perceber, o sorriso de Dumbledore sumindo de seu rosto, decidiu tentar dar continuidade ao assunto.
-Mas como é que os Weasleys foram parar lá, afinal de contas? – perguntou abismado, fazendo Lúcio tencionar os ombros, o que não passou despercebido por Dumbledore.
Vendo que Lúcio não fazia a mínima menção de responder, a paciência do velho diretor se esvaiu.
Não aparentando em nada o velho de outrora, Dumbledore levantou-se rispidamente, apontando a varinha ameaçadoramente na direção do rosto de Lúcio. A varinha estava tão próxima, que Lúcio podia senti-la resvalando em seu nariz.
Isabele já estava ficando entediada de ficar esperando seu pai. Tudo bem que estivesse preocupada e se sentisse culpada. Mas já estava sentada naquele chão frio há quase nove horas!
Decidida a esquentar seu ânimo, ela começou a reparar no rapaz de cabelos longos e vermelhos sentado ao seu lado e ponderar se realmente a cor dos cabelos era a única semelhança entre ele e o Fuinha ou se esta Weasley também seria fácil de se tirar do sério.
-Então, desembucha cabeludo. Tá com essa cara de quem tá pensando na morte do crupe, por quê? – indagou gentilmente, fazendo o outro rir.
-Você lembra bastante sua irmã – comentou sorrindo – Você não estava falando sério mesmo quando disse que ela empurraria alguém da escada só por diversão – fazendo Bele sorrir.
-Não, mas você viu a cara do Fuinha? – respondeu, com um sorrisinho malvado, fazendo o outro rir alto – Você sabe que estou esperando meu pai, não é? Não te incomoda? Afinal ele é o malvado Comensal das Trevas. Não está com medo? – perguntou, estranhando o garoto estar aparentemente tão à vontade ali.
-Se ele tivesse que me matar, não teria dado ao meu pai aquela chave de portal. Eu sei que ele é um Comensal mas... se ele tem uma filha como você que se importa tanto com ele a ponto de esperar sentada no chão frio durante horas a fio, então ele realmente deve valer a pena – comentou, encostando o queixo nos braços que abraçavam os joelhos.
Lúcio encarava o velho à sua frente sem nem ao menos piscar, demonstrando claramente, com sua expressão corporal, que não estava nenhum pouco amedrontado ou receoso.
Sem desviar sua atenção e seus olhos, Lúcio passou à folha que escrevia para Sirius, que estava sentado à sua esquerda.
Sirius leu rapidamente o texto, e todos os demais presentes ficavam cada vez mais curiosos a respeito de seu teor, e realmente ficaram sem reação quando após de ler, Sirius jogou a cabeça pra trás com uma audível gargalhada.
-Adoraria assinar isso aqui, sabe? Acho que o Harry iria gostar – disse Sirius, enxugando as lágrimas – Mas acho que minha assinatura não valeria muita coisa perante o ministério – completou pesaroso – Odeio dizer isso, mas talvez você devesse falar com o tal do Dursley – sugeriu, fazendo uma careta, e devolvendo o papel para Lúcio, que ao ouvir a última frase parou sua competição de "quem piscar primeiro perde" com Dumbledore.
A cara de horror de Lúcio diante de tal sugestão foi tão exagerada, que alguns não conseguiram conter seus risinhos.
-Eu já pensei nisso. Por isso tomei a liberdade de trazer um antigo amigo seu pra dar um "oi" – explicou, descobrindo a gaiola e revelando a identidade do ser misterioso – Não seja rude, maneta! Diga "oi" – coagiu Lúcio, ao dar um forte cutucão no rato que se espremia do lado oposto a Sirius, obviamente tentando em vão aumentar a distância entre eles.
As reações foram diversas. Alguns aurores estavam boquiabertos com a atitude. Moody e Dumbledore olhavam admirados o comensal à sua frente, enquanto Sirius e Remo praticamente rosnavam ameaçadoramente para o animago.
Remo, recuperando-se primeiro, pegou a carta da mão de Sirius e leu, e após alguns breves instantes, perguntou:
-Então você quer que Harry case com a sua filha? E por isso trouxe Pedro de volta – concluiu o lobisomem, tentando entender a situação.
-Exatamente. Pra que a assinatura dele valha algo aqui, eu, como advogado do Ministério da Magia, proponho-me a reabrir o processo, e libertar o Sr. Black aqui – explicou, apontando para Sirius – Apresentando o verdadeiro culpado, creio que o Fudge não terá como refutar nada – comentou despreocupado – E lógico, como o Sr. Black não poderá ter acesso a sua conta no Gringotes, não pretendo cobrar as custas do processo, muito menos meus honorários. Considerem como um dote, por assim dizer – continuou falante.
-Mas o que necessariamente você leva com isso, Lúcio? – perguntou Dumbledore desconfiado.
-Nada, é claro. A não ser garantir que a minha filha não fique à beira da morte de novo, porque o Sr. Potter fez algo estúpido – justificou.
-Mas qual é a pegadinha? – inquiriu Sirius, que apesar de estar tentado a aceitar a proposta de Lúcio, tinha a estranha impressão de estar fazendo um pacto com o demônio – Deve ser só impressão minha – pensou assustado.
-Ah, sim. Ainda bem que você perguntou. Eu realmente queria pedir um...favor – falou Lúcio, com uma expressão inocente – Tirem aqueles Weasleys da minha casa – disse, com a voz cheia de ódio e olhos vermelhos.
Fim do cap.17
