Only Time
Capítulo 20 – Sempre juntos
Harry não podia estar mais aliviado. Finalmente tinha voltado "às boas" com sua namorada. Talvez "às boas" fosse um exagero, já que ela ainda tentava esquivar-se de qualquer toque seu, mas já era um começo. Qualquer passo, por menor que fosse, ainda era algo comparado com a situação em que tinham se despedido no fim do letivo passado.
Muita água tinha passado por debaixo da ponte, disso ele tinha certeza. Nada poderia mudar as coisas lamentáveis que aconteceram. E isso definitivamente os mudou também. A relação dos dois não seria nunca a mesma, isso ele sabia. Mas talvez isso não fosse de tudo ruim. Afinal, algo precisa terminar para algo novo acontecer. Talvez agora fosse a hora de terem uma relação mais forte da que costumavam ter.
Ele tinha pensado muito durante suas horríveis férias com seus tios trouxas, e antes mesmo do ataque à família de sua amada já tinha decido de que seu lugar era junto a ela. Ele fora um tolo em não reagir rápido o bastante durante aquele fatídico jogo no qual Lino Jordan atacou a moral de sua namorada. Ele deveria ter literalmente voado no pescoço do garoto na hora e defendido a honra de Bele. E por isso ele se lamentava sem parar. E quando leu, algum tempo depois, sobre o ataque ele teve a certeza do que queria. Não tinha mais uma dúvida sequer a respeito. Draco Isabele Malfoy era sua e só sua, e passariam a vida inteira juntos.
E não é que para sua surpresa seu futuro sogro já tinha pensado na mesma coisa, e ainda tomou as providências necessárias para que legalizassem tudo?
-Esse aí vai ficar rindo à toa agora – comentou Hermione, sentada no chão da sala de TV, ao ver a expressão feliz do amigo sentado ao sofá.
-E não é pra ficar? – pensou Harry, em voz alta, admirando a namorada que tendo relaxado um pouco após um banho, acabara por render-se a um sono profundo assim que o filme começou a passar.
Isabele antes de dormir, esquivava-se de Harry sempre que ele tentava lhe acariciar ou simplesmente segurar sua mão. Porém tal ação foi interrompida quando pegou no sono ao lado do namorado, dormindo encostada em seu ombro e enroscando seu braço no dele inconscientemente.
-O que diabos estamos assistindo, afinal? – reclamou Rony, não gostando da exibição caseira que estava passando.
-Achei que o Harry iria gostar de ver a Bele quando era pequena. Ela era tão fofinha – disse Julie sorrindo ao ver uma imagem da irmã com uns dois aninhos soprando duas velinhas num aniversário.
Ouvindo isso Hermione trocou olhares significativos com os gêmeos, o que não passou despercebido por Remo. Já tinha achado algumas coisas que Julie lhes dissera desde que chegaram um pouco estranhas, mas agora não restava dúvida. Julie Anne queria realmente lhes dizer algo ao lhes mostrar as fotos e os vídeos da família.
Antes, ela tinha visto de relance um foto de Lúcio. Na foto, ele parecia adoentado. Olhos escuros, extremamente abatido, magro e com os cabelos curtos. Mas o engraçado é que ele parecia estar mais velho do que agora, o que era absolutamente ilógico. E levando em consideração o tamanho do cabelo na foto e como eles o viam com o cabelo comprido desde seu segundo ano, ela calculava que aquela foto teria que ter pelo menos uns dez anos. E nos vídeos que assistiam, na verdade uma compilação de filmes de família gravados todos em seqüência, ele também não aparecia quando Bele era pequena.
-Esse é o Snape? – perguntou Sirius, enojado, ao ver um jovem e sorridente ajudando Isabele a abrir os enormes presentes.
-Lógico! Tio Sev nunca perdeu um aniversário sequer – respondeu Julie com um sorriso enorme, chocando quase todos os presentes, fazendo Sirius sentir-se culpado. Ele não pôde evitar olhar na direção de Harry.
- Ele parece feliz com vocês. Deveria sorrir assim mais vezes, fica bem nele – comentou Remo, olhando olhares incrédulos de quase todos – O quê? – inquiriu, sem graça.
A paciência de Lúcio já estava por um fio. Estava cansado, com fome, privado de inúmeras horas de sono. Terminar a parte escrita da papelada foi facílimo. Organizar uma coletiva de imprensa com os jornais também. Porém, convencer Cornélio Fudge a admitir um erro foi extremamente difícil. Lúcio tivera que usar todas as armas que possuía, desde as irrefutáveis, como o real erro no processo, desde a prisão, acusação e falta de julgamento, até ameaçar cortar as doações vindas de sua família, declarar publicamente seu "apoio" à Dumbledore, e pedir demissão dos cargos que ocupava no Ministério.
Por fim, Cornélio ao perceber que Lúcio não mudaria de idéia e ao ver o real estado de saúde do funcionário, decidiu acatar, mesmo porque estava encurralado. Porém, deixou claro que achava melhor, depois que tudo acabasse que Lúcio tirasse umas férias, já que estava um tanto quanto estressado.
-Vocês realmente deveriam ir dormir um pouco. Amanhã preciso que você não esteja com cara de louco na coletiva – disse Lúcio, olhando diretamente para Sirius.
-Eu?! E quanto a você? Você parece um Inferi! – indignou-se Sirius, apontando para a cara cansada do loiro, ofendido.
-Você não vai dormir? Parece que mal se segura em pé – comentou Remo, estreitando os olhos.
-Tinha que terminar isso de uma vez por todas. Falando em terminar... cadê o maneta? – perguntou Lúcio, coçando os olhos, na tentativa de ficar mais atento.
-Não está com você? – assustou-se Sirius, levantando da poltrona que estava em um milésimo de segundo.
-Você o deixou lá?! Inacreditável! – disse Lúcio irritado, passando as mãos no couro cabeludo num claro sinal de cansaço antes de aparatar.
-Ele está na Ordem. É só ir lá e buscar. Tenho certeza que o Olho-Tonto não tirou os olhos dele – comentou Rony, bocejando e um tanto quanto desinteressado – Acho que ele está sendo dramático demais – comentou maldosamente, ganhando um cascudo na cabeça dado pela pequena poltergeist – Ei! – gritou, segurando a cabeça.
-Não olha pra mim, eu nem tenho braços! – defendeu-se Julie com a cara mais lavada do mundo, fazendo-o os gêmeos rirem.
-Acho que não vai ser só entrar e sair. Sem o Rabicho ele perde o trunfo que tinha – disse Hermione, chamando atenção dos presentes na sala - Sem o Rabicho, quem garante que vão deixar um comensal sair ileso da Ordem? – completou.
Ouvindo isso, Remo e Sirius aparataram imediatamente e desaparataram na sala de reuniões da Ordem, onde tinha sido improvisada uma sala de interrogatório. Quase todos os móveis da sala tinham sido retirados. E no meio dela, estava uma única cadeira, sob uma luz forte, que aguardava por uma veela muito carrancuda.
-Adoraria acompanhar a tortura, mas tenho algumas poções em andamento que precisam das minhas habilidades no momento – disse Snape, com um sorrisinho falso para Olho-Tonto e alguns outros aurores presentes no momento – Diretor – cumprimentou antes de sair da sala, lançando um olharzinho maligno para Sirius e Remo.
Lúcio, pela primeira vez na noite, realmente se arrependeu de ter irritado além da conta o seu único aliado. Nem mesmo os protestos de seu primo e atual cliente, do lobisomem e de dois dos filhos de seu inimigo bastaram para parar a tortura.
Ele estava certo no que supôs. Assim que botou os pés no quartel general da Ordem, fora rendido, amarrado e interrogado horas a fio sobre suas ligações com os comensais. O que foi uma pena, ele realmente tinha esperança de entrar, pegar a gaiola com o maneta e se mandar, mas parece que os astros não estavam ao seu favor.
Ele já não conseguia mais funcionar. Seus pensamentos já estavam incoerentes. Seu cansaço era tanto que até interrogá-lo sob a ação de Veritasserum não adiantava. Ele dava as respostas mais absurdas possíveis, todas verdadeiras, mas sem nenhuma ligação real com a pergunta, e o fato de estar sentado não ajudava. Seu corpo estava fraco e debilitado pelos ferimentos sofridos no ataque, por ser privado de sono e comida. Tudo que ele queria era desligar e dormir. Mas não o deixavam em paz. No momento, estavam tentando ler sua mente com Legilimens, o que também não iria adiantar. Sua mente era diferente da de um bruxo comum. Por ser uma veela, seu pensamento era muito mais rápido do que o normal, tornando quase impossível de lê-lo e suas emoções eram mais fortes também, o que tornava sua mente um lugar bem hostil. Esse pensamento lhe trouxe um sorriso à tona. Sorriso esse que se foi na mesma rapidez com que viera.
Todo vez que seu corpo cansado não conseguia mais mantê-lo alerta, era bruscamente "acordado" por um feitiço Ennervate. Realmente essa seria uma longa noite.
Isabele não dormia bem assim há meses. Estava tão confortável e quentinha. E aquele barulhinho ritmado em seu ouvido lhe dava uma sensação de segurança tão grande. Parecia a batida de um coração. E ao mesmo tempo em que se deu conta disso, ela deu um pulo e afastou-se o máximo possível arregalando os olhos, muito bem acordada.
Ela começou a olhar em volta. Tinham várias pessoas esparramadas pela sala, que estava decorada com vários colchões e cobertas, mas ela parecia ser a única que estava dormindo no sofá. Não bem a única, já que ao olhar o sofá viu Harry levantando a parte de cima do corpo e apoiando-se nos cotovelos.
Não era à toa que ela dormiu confortável e quentinha. Dormiu agarrada com seu namorado! Só de imaginar a cena, não pôde controlar o calor que lhe subiu às faces.
-Por que está vermelha? – perguntou Harry ainda um pouco sonado, colocando os óculos que estavam na mesinha ao lado, fazendo-a corar e afastar-se ainda mais no sofá – Está se sentindo bem? – inquiriu, diminuindo o espaço entre eles a ponto dela sentir a respiração dele em seu rosto.
Mal sabia ele que o fato de estarem tão próximos só piorava a sua situação. Além do rosto corado, sua respiração agora estava acelerada, o que deixou Harry ainda mais assustado.
-Qual o problema? – perguntou aflito chamando atenção de alguns que ainda dormiam – Fala alguma coisa – pediu, alarmado, puxando a mão dela e segurando entre as suas.
A reação foi automática. Assim que sentiu as mãos de Harry contra a sua, não pôde impedir o pânico momentâneo que aflorou em seu peito. Flashes do que quase acontecera no Beco Diagonal dias antes ainda estavam frescos em sua memória. E a única reação que seu corpo demonstrava era sua respiração que acelerara ainda mais.
Vozes falavam ao seu redor, mas ele não lhes dava a mínima atenção. Estava ocupado examinando os detalhes que deixara passar desde que chegara. Agora que prestava realmente atenção, podia ver marcas nos antebraços de Isabele, marcas que correspondiam a dedos. Nas mãos haviam cortes nas palmas e entre os dedos, decerto ganhos na tentativa de se proteger da lâmina que a atacou. Sua expressão não dava nenhuma dica sobre seu atual estado emocional, exceto por alguns pequenos detalhes, como a transpiração e olhos aterrorizados.
Ele odiou-se por não ter estado lá quando ela precisou, e a raiva lhe consumiu como uma chama quente ao constatar isso. E instintivamente, ele a puxou para um abraço carinhoso, mas possessivo.
-Estou aqui agora. Ninguém mais vai te machucar, eu prometo – disse Harry no ouvido da namorada, fazendo-a relaxar - Estarei sempre aqui. Sempre juntos... você e eu.
Fim do cap. 20
