Only Time

Capítulo 22 - E a família cresce

O clima finalmente melhorou na mansão após os acontecimento dos últimos dias.
Harry não desgrudava um minuto sequer da namorada e a cobria de cuidados, o que pouco a pouco ia quebrando o gelo entre eles. Era comum agora ver os dois andando de mãos dadas pela casa ou sentados juntos no jardim simplesmente aproveitando a presença um do outro.
A casa ainda estava cheia e provavelmente não esvaziaria tão cedo. Narcisa convencera os Weasley a só irem embora após conseguirem reconstruir sua casa, o que ela prontamente se prontificou a ajudar, já que foram atacados por tê-los ajudado. Já seu primo Sirius e Remo, que descobrira serem praticamente inseparáveis, concordaram em ficar lá por um tempo até que arranjassem algum lugar pra morar já que a casa de Sirius agora era o QG da Ordem.
E foi assim que após três dias sem grandes novidades todos encontraram um certo equilíbrio para conviverem debaixo do mesmo teto.

Sentia uma preguiça enorme. Apesar de ter levado apenas alguns instantes, podia jurar que se espreguiçava a horas. Estava totalmente relaxado, o que era de se estranhar já que tinha tido pesadelos horríveis com sua filha sobre um ataque no Beco Diagonal e com o primo de sua esposa.
Então, tomando coragem, finalmente decidiu levantar e ir tomar seu café. Afinal, estava morrendo de fome. Parecia até que não comia há dias!
Nem se deu ao trabalho de trocar de roupa, ou de pentear os cabelos. Só correu a escovar os dentes e desceu logo em seguida.
Quando voou, literalmente, pela sala de jantar, ele estancou. A sala estava lotada!

Percebendo que seus pesadelos foram nada mais que memórias reais, ele pousou ao chão ao passo que boa parte do seu bom humor se esvaía. Ignorando os olhares dos demais, ele se aproximou da mesa, dando um beijo no rosto de Bele, sentou-se e começou a se servir.

Sirius não conseguia desgrudar os olhos da veela. Tomara um susto ao vê-lo adentrar a sala com duas asas enormes e negras, e acompanhou curioso, junto com os demais presentes, as asas simplesmente sumirem. Agora só o que restava era um ser belíssimo e angelical, o que era estranho pois o mesmo ostentava um inconfundível marca negra no braço, que fitava a sala. A beleza era fenomenal, mas o que mais lhe chamava atenção eram os outros detalhes: a calça de tecido mole presa displicentemente por um cordão, a regata branca justa pela qual conseguia ver o abdome definido e os braços bem torneados. E aquele cabelo bagunçado somado as marcas de travesseiro que ainda ostentava no rosto lhe dava idéias pecaminosas. Sentindo o rosto pegar fogo, ele abaixou tentando disfarçar.
-Relaxa, não foi só você. Olha a cara delas - comentou Remo em voz baixa para Sirius, antes de comer mais um biscoito e apontar para o outro lado onde estava Molly, Gina e Hermione.
-Oh, Merlin. Sou uma das garotas - constatou ao ver que todas tinham os rostos afogueados como o seu - Valeu Remy, agora me sinto muito melhor - agradeceu sarcástico, fazendo com que Remo abrisse um sorriso enorme.

Narcisa, vendo seu marido sentado à mesa, não pode deixar de notar que ele parecia bem melhor. A melhora no estado de sua filha também era visível. Tirando os cortes que ainda a incomodavam um pouco, de resto estava ótima. Esboçava até alguns sorrisos quando achava que niguém estava olhando. Quem sabe agora sua família pudesse finalmente usufruir de um pouco de tranquilidade.
Artur observara bastante e tirara os últimos dias para refletir sobre tudo que já passara com Lúcio. E chegou a conclusão de que ainda havia a possibilidade, mesmo que remota, de pelo menos um resquício do seu amigo ainda existir. E que se essa mínima parte ainda existisse, talvez ele pudesse trazer o resto de volta e todos poderiam voltar a ser uma grande família. Porém, chegar a essa conclusão fora relativamente fácil. Tinha a impressão, inclusive, que sua afilhada o manipulara até ali com suas indiretas e tentativas de mostrar um lado mais humano de Lúcio para todos. Agora colocar em prática é que seria o problema.
-Pra quem não estava cansado, você até que dormiu demais - comentou Artur, tentando puxar conversa, ganhando um olhar incrédulo de Molly.
Lúcio prontamente o ignorou, ganhando uma cotovelada de sua esposa.
-Não sabia que se importava, Weasley - retrucou acidamente, mordendo com uma certa violência um pão de queijo, terminando assim a pseudo-conversa.
Foi então que lembrou de um pequeno detalhe, que fez com que fechasse os olhos e respirasse fundo.
-Então...alguma chance de eu ser vovô daqui a alguns meses? - perguntou com uma voz calma, mas sem tirar os olhos de Harry, que percebendo a intensidade do olhar começou a suar.
Sentindo todos os olhares em cima de si, ficou ainda mais nervoso.
-Não? - respondeu incerto, olhando para a namorada tentando medi-la.
-Bom, pra tirar a dúvida é só ir ao médico, não? - sugeriu Hermione, chamando atenção de Lúcio que arqueou uma sobrancelha - Mas talvez seja melhor ir em um no mundo trouxa, a não ser que queiram ser capa de jornal amanhã - argumentou, fazendo com que Lúcio concordasse com a cabeça.
Bele estava estupefata. Como podiam achar que aquela era uma boa idéia?
-De jeito nenhum. Vamos fazer uma poção e pronto - disse Bele, revoltada.
-Você sabe que não posso fazer nenhuma - respondeu Lúcio cansado.
-Você ainda explode suas poções? - perguntou Artur rindo, ganhando um olhar fulminante da veela.
-Agora ele explode até os ingredientes sem sequer tocá-los - explicou Julie animada, fazendo Artur gargalhar.
-Você se importa? - perguntou Lúcio, ao fazer menção para sua filha se calar.

Afinal, aquele era um assunto muito delicado para Lúcio já que fora a única matéria que nunca conseguira aprender na vida, e só conseguira se formar em Hogwarts depois que foi provado por especialistas que a temperatura de suas mãos alterava a composição dos ingredientes, tornando-os instáveis e algumas vezes inflamáveis.

-A gente pode chamar o tio Sev - não desistiu Bele, levantando-se da cadeira, agitada.

-Claro, e você explica pra ele que precisa dela porque você acha que pode estar grávida do grifinório que ele mais odeia - disse Lúcio sorrindo - Mas já aviso: ele deve estar animadíssimo depois de ter se explicar pro Tio Voldie como ele perdeu o Rabicho bem debaixo do grandessíssimo nariz dele.
Com isso, a discussão foi encerrada. E Hermione foi fazer umas ligações para marcar a consulta¹.

Depois de todos se arrumarem, separaram-se em três carros para irem até Londres.
-Você não tem muita imaginação, não é? - alfinetou Artur, ao ver os carros encantados para voar - Você copiou minha idéia - disse, apontando para os carros indignado.
Lúcio nem se deu ao trabalho de responder. Limitou-se a mostra a língua, e entrou num dos carros e saiu voando.
-Imaturo - reclamou Artur, com as orelhas vermelhas ao entrar no carro e ligar o motor.

Em pouco estavam em Londres. Lúcio, ao ver que Narcisa seguia com Molly, rindo e com boa parte do grupo não pôde deixar de perguntar:
-Aonde você vai? O consultório é pra esse lado - inquiriu apontando para o lado oposto de onde iam.
-Ah sim. Você vai com a Bele. Eu vou com a Molly por esse lado, porque precisamos ver roupas entre outras coisas. Por mais que adore suas roupas, querido, não acho de bom tom todos andarem nos próximos dias com suas roupas. Pode contaminar o humor de todos, e não precisamos disso, não é? - argumentou, fazendo menção ao grupo, que estava quase todo vestindo preto - A não ser é claro que queira ir fazer compras com eles? - perguntou com um sorriso.
A cara de horror de Lúcio foi tão grande, que Narcisa riu.
-Nos encontramos na lanchonete, ok? - disse, deixando Lúcio, Bele e Hermione para trás.
-Não pode ser tão ruim assim, não é? É só uma consulta - comentou Hermione, ganhando um olhar incrédulo das veelas que a acompanhavam - Ah, deixem de moleza e vamos acabar com isso logo. Quanto mais enrolamos aqui, mais tempo levamos - resmungou, puxando os dois pelas mãos.
Quando percebeu que estava puxando Lúcio pela mão na rua, seu rosto corou imediatamente o que a fez lembrar do café da manhã e das roupas sumárias da veela. Seu rosto então pegou fogo, e achou que era melhor largar a mão e se focar em sua amiga que parecia bem nervosa. Lúcio nem sequer prestou atenção ao seu embaraço.

Bele estava tão animada quanto alguém que vai para um velório. E ter que esperar numa sala minúscula cheia de trouxas não melhorava em nada. Via as mulheres com barrigas enormes que mais pareciam balaços gigantes e bebês tão pequenos que tinha impressão que iam quebrar. E por mais que tentasse se colocar na situação, não conseguia se imaginar enorme e cuidando de crianças.
Finalmente seu nome foi chamado, e ela saiu mais que depressa mas não sem antes ouvir uma mãe com uma recém-nascido perguntar se o seu pai não gostaria de ser o pai dos próximos filhos dela.
Se antes estava nervosa, agora estava em pânico. Respirando fundo adentrou a porta que indicava Dra. Margareth Olsen - Ginecologia / Obstetrícia. O cheiro de assepsia era tão grande que parecia que estava num hospital. Tentou respirar fundo, mas isso só piorou tudo pois ficou ligeiramente tonta.
A médica percebendo isso, aproximou-se com um sorriso bondoso e começou a explicar aos poucos o que precisava que Bele fizesse.
No automático, Isabele foi até o banheiro indicado e começou a despir-se. Quando terminou colocou um avental que estava pendurado lá e voltou pro consultório.
Quando chegou à sala, tomou um susto pois a médica estava com algo que parecia uma lanterna presa à testa.
Repetindo um mantra em sua cabeça "eu consigo, eu consigo, eu consigo", ela deitou na maca e respirou aliviada.
-Viu,não foi tão difícil, não é? - disse a médica bondosamente, sentando-se aos pés da menina - Agora sente-se bem na ponta e abra as pernas.

Todos olharam alarmados quando ouviram um grito agudo e aterrorizado vindo da sala, e antes que pudessem prestar atenção nos gritos que se seguiram, o alarme de incêndio soou e o sprinkler² foi acionado, encharcando a todos que saíram correndo alucinados da sala.
Sem pensar duas veses, Lúcio entrou na sala da médica.
-Que fazer o favor de parar de botar no fogo no consultório, Draco? - ralhou, tirando a varinha do bolso e extinguindo algumas chamas. Hermione estava na porta, atônita.
Narcisa e Sirius estavam se divertindo fazendo compras. Narcisa porque adorava gastar dinheiro, e realmente poder ajudar na escolha do novo guarda-roupa dos Weasley poderia ser considerado um bem à humanidade. Sirius, porque pela primeira vez na vida, pôde encher o afilhado de presentes como sempre quis.
Rindo, nenhum deles percebeu as três figuras encharcadas e com marcas de fuligem que se sentavam à enorme mesa que separaram para o grupo.
-Na próxima vez, eu vou fazer compras e você vai com ela - disse Lúcio para a esposa, olhando a filha, cujo rosto queimou de vergonha.

Fim do cap. 22

Nota da autora¹: Há telefones na Mansão Malfoy, assim como vários outros ítens trouxas que serão citados mais pra frente.

Nota da autora²: É um tipo de chuveiro automático usado na extinção de incêndios, normalmente de lugares públicos, como hospitais, clínicas, shoppings, etc.

Nota da autora³: Viu só...uma review me animou a escrever outro capítulo apenas um dia após eu ter atualizado :D Maldadinha parar o capítulo aqui, ne? Nem falei se a médica viu se ela estava grávida ou não. Bom, só no próximo cap.