Only Time
Capítulo 25 – A verdade dói
Molly ralhava com as crianças que estavam todas sentadas na sala de jantar, com suas cadeiras encostadas na parede, lado a lado, aparentemente de castigo.
Ela levou quase duas horas pra separar todo mundo, e eles nem sequer lembravam o que tinha as tinha feito começar aquela briga. Todos pareciam muito envergonhados, com exceção de Hermione que parecia muito satisfeita consigo mesma.
Porém, antes que continuasse seu sermão foi interrompida pelos membros da Ordem que desaparatavam na sala de reuniões ao lado naquele mesmo instante.
-Vocês acham que ela é uma espiã ou algo assim? – perguntou Remo, preocupado, ao olhar a garota, de cabelos roxos e compridos, desacordada no sofá.
-Será que ela aceita sair comigo quando acordar? – divagou Sirius, ganhando uma cotovelada de Artur.
-Pervertido – resmungou Artur, em voz alta, parecendo irritado. Não sabia o porquê, mas sentia que tinha que proteger aquela garota.
-Ah, vai dizer que você não achou ela gostosa pra caramba? Sério, olha essas pernas – disse Sirius, apontando para as coxas da garota, deixando os outros embaraçados – Acho que estou apaixonado – suspirou, ganhando um cascudo de Artur.
-Quem é essa menina? – perguntou Molly, assustada ao ver uma desconhecida no QG, chamando atenção das "crianças" na outra sala.
-Pelo incrível que pareça, foi o Dumbledore que pediu que a trouxéssemos pra cá – explicou Remo, ao passo que todos se aproximavam da garota para vê-la melhor.
-Que garota?! – inquiriu Bele, confusa – É só o meu pai deitado aí ¹– concluiu, apontando para a garota de cabelos roxos.
Ao dar uma fungada perto da garota e sentir o cheiro tão peculiar do amigo veela, o licantropo se sentiu um dos seres mais estúpidos por não ter percebido antes.
O clima ficou extremamente tenso na sala. Dumbledore chegou alguns minutos após os outros e logo começou uma discussão fervorosa. As "crianças" foram obviamente postas para fora e a porta trancada.
-Aposto que estão prendendo seu pai – comentou Rony, sem pensar, o que fez com que ganhasse uma cotovelada de Hermione e um olhar enviesado de Harry – O quê? É provável. Vocês viram que ele chegou aqui com as roupas banhadas em sangue. Não que houvesse muitas roupas, é claro. Todos os Malfoy se travestem? – perguntou intrigado para veela.
-Vá se ferrar – respondeu a loira, ao voltar a olhar para porta – Será que não dá pra abrir uma fresta dessa porta? Ou usar aquelas orelhas extensíveis pra podermos pelo menos ouvir o que se passa lá dentro?
-Eles selam a porta por dentro com um feitiço selador. Não tem como abrir, sem eles perceberem – respondeu Hermione.
-E o Bichento comeu as duas últimas orelhas que eu tinha – completou Gina.
-Não fica assim. Tenho certeza que não vão fazer nada com ele – Harry tentou acalmá-la, abraçando-a.
Ela se desvencilhou do abraço e voltou pra perto da porta.
-E quanto a um feitiço espiador? Eles protegem quanto a isso também? – perguntou a meio veela, encarando a porta. Logo após sua pergunta, ouviram um estampido, e Snape apareceu.
Ele cumprimentou a afilhada, que lhe pediu que verificasse se seu pai estava bem. Mas Severo não respondeu. Só apertou os lábios, virou-se com um floreio da capa e entrou na sala.
Antes que pudessem responder sua pergunta anterior ou impedi-la de lançar o feitiço. Draco apontou sua varinha para a porta e murmurando Espiatus², fez com que parte da porta ficasse transparente, dando assim pra verificar o que se passava dentro do outro recinto.
Ela conseguia ver toda cena, porém ainda não conseguia ouvir som nenhum. Então observou que várias pessoas pareciam gritar com seu pai, outras discutiam entre si e quando seu padrinho entrou, os olhos de seu pai focaram-se nele.
-Esse feitiço não está nos livros do sexto nem do sétimo ano – comentou Hermione.
Era óbvio que não havia registro desse feitiço em lugar algum. Seu padrinho criara esse feitiço há anos para o seu arsenal contra os marotos, e ensinara a ela quando essa ingressou em Hogwarts.
Concordou displicentemente com a cabeça e voltou sua atenção na cena a sua frente.
Snape se aproximara de seu pai e resmungava algo que fez a veela rir. Em seguida falou algo que fez seu pai ficar extremamente tenso. Ambos se encararam. Lúcio parecia não acreditar em algo. Os que estavam na sala pareciam alheios ao que se passava.
De repente, Snape sacou sua varinha e partiu para cima de Lúcio, que conseguiu esquivar por pouco de um jorro de luz esverdeado, chamando atenção dos demais. A veela estava claramente surpresa. O choque era claro em sua expressão. Seus olhos estavam marejados. A varinha estava em sua mão, segura. Mas em nenhum momento ele a levantou. Os demais na sala pareciam em estado de choque. Snape não parou com os ataques, alguns passavam, mas outros pegavam na veela. Um Sectumsempra atingiu-o de raspão, mas fora suficiente para jogá-lo em uma estante de livros.
-Por que ele não se defende?! – Harry disse claramente alterado com a situação. Ele vai ser executado assim.
Instintivamente, Harry lançou um Bombarda, destruindo a porta e distraindo Snape por um segundo. Draco sem pensar, estuporou seu padrinho de onde estava. Snape desfaleceu no mesmo instante. E vendo que seu pai não se mexia, olhou pra ele. Seus olhos estavam marejados e pareciam mais escuros que o normal.
-Você está bem? – perguntou Artur para Lúcio, levantando-se. Aparentemente ele tinha sido derrubado na confusão.
Ao ver a expressão desolada de Lúcio, ele por instinto tentou abraçá-lo. Mas não conseguiu. Lúcio afastou-se dele sem tirá-lo de vista. Ao ver que Remo pareceu tentar aproximar-se, ele levantou a varinha, como aviso.
Com uma última olhada para sua filha e Harry, Lúcio aparatou.
-Que diabos foi isso? Achei que ele fosse seu amigo! – gritou Sirius para um recém-despertado Mestre de Poções.
-Aquilo foi uma tentativa de homicídio, Black. E sim, ele é meu amigo - respondeu Severo, automaticamente sob efeito de Veritasserum.
-Por que fez isso Severo? Foi uma ordem de Tom? – perguntou Dumbledore, ao tirar os óculos e massagear o nariz.
-Eu fiz um favor. Uma morte rápida é melhor do que o aguarda. O Lord das Trevas não mandou matá-lo – respondeu, suspirando.
-E o que Você-Sabe-Quem ordenou? – perguntou Remo, pensativo.
-Ele quer seu brinquedo de volta – disse com um fio de voz, fazendo os demais arregalar os olhos.
Ele desaparatou na sala. Olhou ao redor e apesar dessa casa ser bem mais aconchegante que a Mansão Malfoy, ele se sentia gelado por dentro.
-Lúcio! Até que enfim apareceu, moleque. Que idéia foi essa de me mandar pra cá de novo? – ralhou o fantasma do Sr. Felipe, pai de Lúcio – E por que diabos você está usando essa roupa vulgar¹? – disse ao filho que levantou a cabeça, olhando-o com os olhos marejados e com o rosto banhado em lágrimas.
Após a fuga de Lúcio, Narcisa fora chamada e informada do acontecido. Apesar de seu sangue ter algum resquício de sangue veela de algumas muitas gerações anteriores à sua, a raiva que ela sentia era visível ao tornar seus olhos avermelhados. Ela abraçava sua filha, que caíra no pranto assim que seu pai sumira e só se acalmara quando a mãe chegou. E não tirava os olhos da porta onde acontecia o interrogatório.
Quando finalmente a porta abriu, Narcisa depositou delicadamente a cabeça de Isabele que estava apoiada em seu ombro, no ombro de Harry, que estava ao seu lado, e dirigiu-se até a porta. Quando Snape surgiu ela parou em sua frente e deu-lhe um sonoro tapa.
O tabefe fora tão forte, que o desenho dos dedos e da palma de Narcisa ficaram marcados no rosto do Mestre de Poções. Snape apenas virou o rosto com a força do golpe. Não esboçou qualquer reação.
Quando finalmente voltou o rosto para frente foi surpreendido por outro tapa, um pouco mais forte, seguido de outro e de outro. Ela parecia descontrolada.
-Pare com isso – pediu, segurando os punhos dela e abraçando-a.
-Você não podia ter feito isso com ele. Ele confiava em você – acusou atraindo a atenção de alguns.
- Ele também confiava em você, mas isso não impediu você de mandá-lo de presente pro Lord das Trevas e depois abandoná-lo num hospital por seis anos – retrucou, chocando-a – Tantas pessoas matando-o aos poucos por tantos anos. Torturando-o com suas ausências, omissões e traições – disse calmamente olhando para Artur, que teve a decência de se sentir envergonhado – E você me culpa por querer dar o tiro de misericórdia? Por querer poupá-lo de um futuro horrível? – completou, desvencilhando-se de Narcisa e saindo em direção à lareira.
Certamente não teria falado tais coisas se não estivesse sob efeito de uma poção da verdade. Mas sentia-se tão bem em finalmente falar todas as verdades entaladas em sua garganta por tantos anos.
Antes de chegar à lareira, olhou para a grifinória que o esperava com uma expressão serena e triste. Aparentemente ouvira suas duras palavras de onde estava e parecia entender seus motivos.
-Srta. Granger? – falou seu nome, chamando-lhe atenção – Quando Draco acordar, diga-lhe que não é mais bem-vinda na Casa de Sonserina – informou de sair pela lareira.
Fim do Cap. 25
N/A¹: Veelas reconhecem as pessoas pelo cheiro, não pela aparência. Daí o fato de Isabele reconhecer Lúcio de cara. Aparentemente, mesmo já falecidas e sem o sentido do olfato, elas ainda conseguem reconhecer seus familiares.
N/A²: Feitiço inventado pelo Snape, na época dos marotos. O feitiço consiste em deixar transparente uma parede ou porta, para que seja possível espiar sem ser pego, já que somente o lado que lançou o feitiço consegue a visualização.
