Capítulo 3

Uma rápida e sábia decisão tinha levado Emily a sair do salão, deixando tudo para trás. Assustada com seu gesto saiu correndo do salão até ficar sozinha, congelando, num terraço do prédio. Não é que não quisesse beijar Hotch, pelo contrário, apenas não era uma boa hora. Percebia claramente que tinha sido um erro.

Andava nervosamente pelo terraço em seu elegante vestido negro observando os primeiros sinais de neve e com a absoluta certeza de que tinha cometido um imenso erro. Calculou o tempo que levaria para atravessar o salão, chegar até a mesa, pegar suas coisas e fugir sem ser vista. Mesmo que fosse rápida, tinha certeza de algum de seus amigos estaria a postos para lhe interrogar, inclusive o próprio Hotch. Enterrou o rosto nas mãos em desespero.

Quanto a Hotch, este permaneceu quieto, sozinho e surpreso no meio da pista de dança, tentando reconstituir mentalmente o que tinha acontecido. Não demorou a retornar para a mesa, onde não havia ninguém, e se pegou procurando Emily com o olhar.

Localizou os outros membros da equipe, mas não havia rastro de Emily. Tinha sumido completamente. Temendo ter cometido um erro irreparável, que prejudicasse Emily e a si mesmo, saiu a sua procura.

Começara a nevar e ainda assim Emily não se sentia capaz de voltar ao salão e se proteger do frio. Não era capaz de regressar e assumir as conseqüências de seus atos, era cedo demais. Mantinha o olhar fixo em algum ponto invisível do horizonte, pensando no que fazer. E foi assim que ele a encontrou, imóvel e com o olhar distante, quinze minutos mais tarde.

- Não devia estar aqui fora. – Disse ao vê-la. – Vai congelar.

Emily, surpresa e assustada por vê-lo tão próximo, ficou quieta e parada no lugar em que estava. Hotch tirou seu paletó e colocou sobre seus ombros.

- Assim fica muito melhor... – Disse tentando fazê-la sorrir. – A ultima coisa que precisamos nesta noite é que você congele.

Emily voltou-se para olhá-lo e novamente ficou surpresa, ele parecia genuinamente preocupado com ela, talvez por isto fora procurá-la. Emily se sentiu constrangida por tê-lo beijado e fugido como uma adolescente assustada.

- Hotch, sinto muito. – Sussurrou. – Não devia ter feito isto, sei que você e eu... Sei que não pode acontecer, foi errado.

- Está bem, não tem nada que lamentar, Emily. – Disse amável. – Foi algo que quis fazer... algo que sente e eu respeito isto, Em.

Emily voltou a corar e pela primeira vez achou que devia deixar o terraço, pelo frio e pelos sentimentos proibidos que nutria por seu chefe. Não tinha expectativa nenhuma para esta noite, não tinha planejado revelar seus sentimentos e, em todo caso, não esperava nenhuma resposta dele. Assim deu a volta, deixando Hotch para trás, pronta para sair do terraço.

Mas Hotch, que sabia que seria problemático manter um relacionamento com sua subordinada, que tinha um filho pequeno e que ainda não conseguia definir seus sentimentos por ela, achou que seria um imenso erro deixá-la ir.

- Espera, Emily! – Chamou.

- Oh, desculpe. Seu paletó... Quase esqueci. – Ela disse tirando-o dos ombros.

- Não! Não tire. – Voltou a colocá-lo em seus ombros. – Já disse que corre o risco de congelar e se isto acontecer não poderei te convidar para jantar no natal.

Emily parou, olhando-o em silencio por breves segundos, processando suas palavras. Hotch também ficou alguns segundos pensando no significado do que acabara de dizer.

-Isto é um convite? – Perguntou ela depois de alguns segundos.

-Talvez, será se você quiser, Emily.

- Sim, claro, mas... – Ela hesitou ante de continuar. – Pensei que você não sentia... Na verdade o fato de eu sentir algo não significa que você...

- Emily! – Interrompeu suavemente. – Disse que respeitava o que você sente, porque na realidade eu compartilho deste sentimento. Não pode acreditar que eu possa trabalhar com uma mulher incrível como você e não perceber isto? – Sorriu. – Não sei se é uma boa idéia ou se é correto, mas depois que você deixou claro o que sente, estou convencido que devemos tentar. O que acha?

- Isto me parece um ótimo plano. – Respondeu dando-lhe a mão.

- Acho que é um bom momento para irmos. – Sugeriu sorrindo.

Era noite, estavam sozinhos e em silencio. Ele tinha seus olhos presos nela, e ela nele. Nevava, deixando sobre o mundo uma suave e branca capa. Ele se aproximou dela e beijou seus lábios, sedento. E, então, novamente era o momento certo.

FIM