Capítulo 4

A Garota Na Gaiola

O Baile de Inverno, o Pub Crawl, Oliver Wood e vários amassos completam este capítulo, o que irá parecer uma calmaria antes da tempestade.

-Cassie

Apesar disso, me ame e me odeie também,

Então, esses extremos nunca vão trabalhar juntos;

Me ame, e eu poderei morrer do jeito gentil;

Me odeie, porque o amor é grande demais para mim.

John Donne


Harry e Hermione já estavam de pé na porta da enfermaria quando Ginny chegou lá. Ela teve que esperar muitos minutos agonizantes dentro do salão principal, até que, no meio do caos, ela pode cair fora sem ser percebida. Ao invés de se dirigir para fora do castelo, ela fez o caminho mais rápido e direto para a Ala Hospitalar, Ron andando relutantemente no encalço dela.

Não importavam quais fossem as condições de Draco, eles teriam que levá-lo para lá a qualquer momento. Mesmo se ele estivesse... - Bem, mas isso ela não conseguia nem sequer imaginar.

A porta da enfermaria estava completamente fechada, e do lado de fora no corredor estava Harry, com Hermione ao seu lado. Eles estavam absortos em uma conversa. Foi só quando Ginny chegou bem perto deles, que ela se deu conta de que as manchas escuras na roupa de Harry não eram neve derretida, mas sangue. Grandes quantidades de sangue.

O que está acontecendo? Ron perguntou, olhando de um rosto pálido para o outro. "Malfoy está bem?"

Hermione encolheu os ombros sem esperanças. "Nós não sabemos exatamente..."

"Eles não estão nos contando droga nenhuma," Harry disse, e - no que Ginny não pode deixar de achar ser um clássico exemplo de 'agressividade adolescente sem sentido' - ele chutou a parede, e depois sentou no chão, colocando os joelhos pra cima e descansando a cabeça nos braços. Ele não parecia estar afim de que ninguém chegasse perto dele, e Ginny realmente teria medo de tentar. Ao invés disso, ela olhou para Hermione. "Você chegou a vê-lo?" ela perguntou calmamente "O quão ruim você acha que é?"

Hermione sacudiu sua cabeça. "Muito ruim" ela disse. A voz dela estava baixa, como se ela não quisesse que Harry a escutasse. Ela colocou a sua mão no cotovelo de Ginny e a levou na direção de Ron. "Nós o vimos," ela disse, continuando a usar o mesmo tom de voz baixo. Ginny pode escutar a tensão implícita nas palavras dela. "Ele estava estirado na neve e tinha sangue por toda a volta dele. Muito sangue. Eu acho que estava saindo do ombro dele - a camisa estava rasgada ali, e era onde parecia estar saindo mais sangue. Harry foi para tentar parar o sangramento e... "Hermione mordeu o lábio". "Então Lupin e Charlie e o resto dos outros professores chegaram, e eles puxaram Harry para trás. Nós não podíamos ver o que estava acontecendo. Harry estava lutando para se soltar, mas Lupin o segurou e não o deixou ir - Lupin é muito forte. E Charlie levantou Draco e o colocou na maca, e madame Pomfrey foi guiando a maca até o castelo, e todos a seguiram. Nós também, mas eles fecharam a porta e nos deixaram aqui. "Eles falaram que nós só íamos atrapalhar."

Ron estendeu a mão e tocou gentilmente no ombro dela. "O que eles estão fazendo lá dentro?"

Hermione sacudiu a cabeça. "Eu não sei."

Ron pareceu como se fosse falar mais alguma coisa, mas parou assim que a porta da enfermaria se abriu e Charlie saiu, fechando a porta atrás de si. Ele parecia exausto. A frente da camisa dele e as mangas estavam empapadas de sangue onde ele deve ter carregado Draco. Suas vestes tinham sido retiradas. Ele olhou para os três que estavam de pé juntos, e depois para onde Harry estava no chão, e disse:

"Draco vai ficar bem."

Ginny expirou, sentindo como se ela estivesse deixando sair todo o ar que ela estava segurando por horas. "Você tem certeza?"

"Sim, tenho certeza. Ele vai ficar bem. Ele perdeu muito sangue; Eu sei que isso pareceu horrível, mas isso foi tudo o que aconteceu. O ferimento era no ombro dele, então nada vital foi atingido."

Hermione adiantou-se à frente. "Nós podemos vê-lo?"

Charlie balançou a cabeça. "Não, ainda não. Ele estava lá fora no frio de qualquer jeito. Ele quase congelou até a morte, junto com a perda de sangue. Parece como se ele provavelmente tenha ficado lá fora por muitas horas. "Ele tentou dar um sorriso a eles; e isso se transformou num bocejo. "Desculpe. Olha, todos vocês deviam ir pras aulas. Não há nada que vocês possam fazer aqui no momento."

"Só mais uma coisa," disse uma voz suave. Ginny virou. E era Harry. Ele tinha se levantado sem que nenhum deles tivesse notado, e estava de pé em silencio. Seus olhos estavam escuros com as luzes das tochas. "O que aconteceu com ele, exatamente?"

Charlie sacudiu sua cabeça. "Nós não temos idéia, Harry."

"Bem, o que isso pareceu ser?" Harry exigiu. "Um acidente?"

"Não," Disse Charlie devagar. "Não um acidente."

O maxilar de Harry se enrijeceu. "Então porque você não esta nos contando? Isso foi um ataque de magia? Um feitiço? Algum tipo de... criatura?"

"Harry," respondeu Charlie sem rodeios. "Vá para as aulas."

"Não," disse Harry.

"Harry-" Charlie começou a dizer num tom apaziguador.

"Charlie," Harry revidou logo em seguida. "Eu quero saber quem ou o que foi responsável por isso, e eu quero saber agora."

"O que está acontecendo aqui?" Era o professor Lupin, que tinha aberto a porta da enfermaria atrás de Charlie. Ele olhou do rosto exasperado de Charlie para o rosto pálido e mal humorado de Harry. "Você contou a eles que Draco esta bem?"

"Não," disse Charlie irritado. "Eu tive vontade de manter isso só pra mim, assim eu poderia realmente fazer uma tremenda surpresa."

Lupin fechou a porta atrás de si e então se virou para encarar Harry. "Então qual é o problema?"

"Eu quero saber o que aconteceu, disse Harry. "Eu quero saber quem é o responsável por... por isso," e ele fez um gesto amplo indicando a porta da enfermaria. "Eu sou da família. "Eu tenho o direito de saber."

"Sim, você tem," disse Lupin. "E assim que nós soubermos, nós vamos te contar."

"Me deixem vê-lo. Ele vai me contar o que aconteceu."

"Ele está inconsciente, Harry. Ele não pode te contar coisa alguma."

Harry olhou de relance para Hermione. Ela estava olhando pra ele com olhos arregalados e preocupados. Ao lado dela, Ron parecia surpreso com toda aquela fúria de Harry. "Harry," Hermione disse gentilmente. "Nós vamos para as aulas e podemos vir depois - talvez até lá eles vão saber um pouco mais."

"Não," disse Lupin. "Quando nós descobrirmos qualquer coisa, nós vamos te achar, Harry. Ficar postado aqui no corredor não vai fazer bem nenhum. Vá para as aulas, não há necessidade de voltar aqui."

Ron estendeu a mão para o ombro de Harry, mas Harry se desvencilhou. Ele estava olhando fixamente para Lupin. "Você esta escondendo alguma coisa de mim," ele disse atentamente. "Todos vocês estão - e qual a diferença? O que quer que isso seja, vai ser eu que vou ter que lidar com isso no final, somente eu, sempre sou eu."

"Nós não estamos escondendo nada de você," Lupin disse rispidamente. "Você sabe o que nós sabemos." Harry começou a falar, mas Lupin o interrompeu. "Draco vai ficar bem, mas ele continua muito fraco. E com dores. E nós precisamos cuidar dele, mas ao invés disso você esta gastando nosso tempo aqui fora. Pense sobre isso."

Hermione segurou Harry pelo braço. "Nós estamos indo," ela disse, e indicou com seu queixo para que Ron e Ginny os seguissem. Harry foi com Hermione involuntariamente, olhando por cima de seu ombro para Lupin e Charlie, até eles fazerem a curva no corredor e estarem novamente sozinhos entre eles, e nessa hora Hermione se virou para Harry, a mão dela ainda no braço dele. "Não há motivo para falar assim com o Charlie -" ela começou.

Harry puxou seu braço para longe de Hermione assim que eles pararam de andar, e olhou furiosamente para ela. "E você nãoprecisa me guiar por ai como se eu fosse algum tipo de criança deficiente mental," bradou ele.

Hermione abaixou sua mão, parecendo irritada. "Então pare de agir como uma" ela rebateu de volta.

Harry pareceu sinistramente satisfeito, como se seu objetivo de provocar uma reação de Hermione tivesse agora sido alcançado. "Eu vou, se você parar de agir como uma mandona-sabe-tudo," ele respondeu.

Ela pareceu chocada, e depois colocou as mãos nos quadris. "Harry Potter," ela disse em uma voz que ferveu de raiva, "seu egoísta, imprudente, teimoso -"

Ginny sentiu uma mão encostar no seu ombro. Era Ron. "Nós vamos indo agora," ele disse bem alto, mas mesmo assim nenhum dos seus dois amigos viraram para olhar pra ele. "Nós temos que... tem coisas que... nós temos que fazer agora... muito em breve. Tipo, agora."

"Isso mesmo," concordou Ginny fracamente. "Aquela coisa que temos que fazer," e ela se apressou atrás de Ron. Não, sem antes ter conseguido ver Harry e Hermione olhando ferozmente um pro outro. As mãos de Harry estavam com os punhos fechados dentro de seus bolsos, e Hermione estava pálida e com a boca rígida. Ela estava aliviada de não ter que ficar e assistir essa briga; Enquanto Ron e Hermione quase sempre brigavam e se estranhavam de forma exaustiva, Harry e Hermione brigavam muito raramente - mas quando brigavam, era com a força de muitos vulcões em erupção.

Ela alcançou seu irmão assim que eles viravam a próxima curva, e emergiam no corredor que conduzia a sua aula de História da Magia. Ron estava balançando a cabeça. "Inacreditável," ele disse.

"O que é inacreditável?"

Ron deu uma risada curta. "Esses dois," ele disse. "E o relacionamento deles. Também conhecido como Circo do sofrimento"

"Ah, vamos lá, não é assim tão ruim."

"Andar com eles ultimamente tem sido assim, é como bater várias vezes na cabeça com um martelo. A parte boa do martelo é que se você parar de bater, para de doer.

"Ron!" Ginny franziu a testa para o seu irmão. "Eles só estão tendo uma fase difícil."

Ron encolheu os ombros. "Pode ser."

Ginny olhou firme para o seu irmão. Ele parecia distraído, e estava corado, como se estivesse irritado. "Bem, talvez você devesse arrumar uma namorada antes de ficar fazendo especulações," disse ela severamente.

Ron mexeu os ombros novamente. "O que te faz pensar que eu não tenho uma?"

Ginny parou bruscamente. "Ron! Você não tem, tem? Você tem?

Ron parou, e olhou para ela como se estivesse surpreso. Depois ele riu meio sem graça. "Não, claro que não tenho."

Ela continuou a olhar para ele até que ele começou a corar devagar.

"Não que alguém fosse se importar se eu tivesse uma," disse ele abruptadamente.

"Isso não é verdade! Ron, O que diabos está acontecendo com você?"

Ron abriu sua boca para responder, e depois fechou com um estalo. Ele estava olhando acima do ombro dela. Ela se virou para seguir seu olhar e viu que alguém estava em pé no corredor bem à frente deles, perto da porta para a aula de História da Magia. Levou um segundo para ela perceber que era Seamus. Ele deve ter ficado esperando ali fora em frente da sala do Professor Binns - esperando por ela.

"Hey, Ginny," disse ele, se endireitando quando o olhar dela caiu sobre ele.

"Seamus... Você não devia estar na aula?" Perguntou Ron, parecendo surpreso.

Seamus concordou, mas quando ele falou de novo se dirigiu a Ginny. "Por favor," ele disse. "Posso falar com você por um segundo?" Ele olhou dela para Ron. "A sós," ele adicionou.

Ron concordou com os ombros. "Vá em frente. De qualquer forma eu tenho que ir pra aula de poções," e ele foi andando pelo corredor. Com os seus passos longos ele logo estava fora de vista, e Ginny se virou relutantemente de volta para Seamus.

"Certo," ela disse. "O que é tão importante pra você matar aulas pra me perguntar?"

Ele estava encostado contra a parede agora, olhando firmemente para ela. Seus olhos azuis estavam quase da cor índigo naquela luz fraca, "É sobre o Malfoy."


Hermione escutou seu próprio tom de voz aumentar como se isso tivesse fugido do seu controle. "Harry Potter," ela disse em uma voz que ferveu de raiva, "seu egoísta, imprudente, teimoso, egocêntrico - troglodita! -"

Harry parecia entediado. "Você já terminou?"

"Não," ela bradou. A raiva a fazendo ficar irracional. Em algum lugar vago de sua mente ela tinha consciência de que Ron e Ginny tinham ido embora, e estava grata. Agora ela podia ficar tão brava quanto quisesse. "Não, nem perto disso."

Harry olhou para ela sem se mexer. Seus olhos verdes tinham se tornado quase negros, mas tirando isso seu rosto estava inexpressivo. "Tá bom," ele disse. "Então me mande uma coruja quando você terminar esse ataque verbal sem sentido. E ele se virou, e saiu andando.

Antes mesmo de ela se dar conta do que estava fazendo, Hermione puxou a varinha para fora de sua manga. "Petrificus partialitus!" ela gritou, e Harry congelou onde estava, mais ou menos um metro de distancia dela, seus pés pareciam estar presos no chão de pedra.

Ele se virou e olhou furiosamente. "Oh, muito maduro, Hermione."

Hermione guardou a varinha de volta na sua manga e o encarou sarcasticamente. "Eu imatura? Isso é incrível, vindo de você."

"Não fale sobre coisas que você não entende," disse Harry num tom derrotado.

"Ah, eu entendo," disse ela. "Eu entendo mais do que você possa imaginar."

Harry cruzou os braços sobre seu tórax. "Me esclareça, então." O tom dele estava repleto de sarcasmo.

Hermione apontou seu dedo para ele e falou numa voz que oscilava de tensão. "Eu posso não saber o que esta te aborrecendo," ela disse. "Mas eu sei que é alguma coisa. E o que quer que seja, esta te envenenando completamente. Você esta se transformando em uma pessoa que eu não conheço, Harry. Talvez até mesmo em alguém que eu não gosto."

Ela levantou seus olhos para o rosto dele enquanto falava, e estava surpresa. Ele parecia que tinha levado um soco. Ela não tinha esperado por isso. Ela ficou parada por um momento, surpresa. Ela nunca tinha realmente notado o quão importante sua boa opinião era para Harry, o quanto a auto-imagem dele era formada pelo o que ele via refletido nos olhos dela. Ele abaixou sua cabeça imediatamente, seu maxilar firme, escondendo a mágoa em seus olhos - mas ela conseguiu vê-la. Quando ela falou novamente, foi com menos rancor. "Eu sempre te admirei, Harry. Tanto quanto eu te amo, eu te admiro, também. Não só porque você é corajoso, mas porque você é gentil, e porque você agüenta coisas realmente impressionantes. Coisas que ninguém mais nem sequer imagina que você agüente. E você nunca teve nenhuma auto piedade, nem mesmo quando você tem o direito de tê-la. Então quando eu vejo você usando quem você é pra tentar fazer alguém se sentir culpado, ou até pior, com pena de você, como você acabou de fazer com o Lupin - Isso não é você, Harry. Isso não é o que você é.

Harry não se moveu. Ele estava olhando para baixo, para o chão, seus ombros tensos. A raiva que Hermione havia sentido estava se dissipando rápido. Furiosa do jeito que ela estava, isso foi contra toda a fibra ou qualquer outra coisa que ela tenha sido nos últimos seis anos, para machucar Harry assim, deliberadamente. Ela já tinha gasto tempo demais se colocando entre ele e qualquer mau que o afetasse, para fazer isso. Ela começou a pegar sua varinha para desenfeitiçá-lo, mas antes que ela pudesse, ele disse, "Eu não devia ter dito aquilo pro Lupin. Mas você não entende."

"Então explique pra mim."

Harry fechou seus olhos. "Eu sempre soube que um dia Voldemort iria atacar aqueles que fossem próximos de mim. Eu sempre tentei me preparar. Mas você tem que fazer uma escolha, se você sou eu. Ou você escolhe que nunca vai amar alguém e se fecha completamente desse tipo particular de perigo... Ou você jura que vai proteger as pessoas que você ama, não importa o que aconteça. Eu escolhi a segunda opção... mais em parte por causa de você. "Ele abriu seus olhos e olhou para ela novamente, seu olhar verde e firme. "Você me deu uma escolha, te amar ou te perder... e eu não poderia agüentar te perder."

"E talvez você tenha ressentimento de mim por isso?" disse Hermione suavemente.

"Eu acho que tenho," disse Harry devagar. As mãos dele estavam entrelaçadas, como se ele estivesse nervoso. Ela queria ir até ele, mas se restringiu. Isso era o máximo que ele tinha dito à ela, o mais sincero que ele tinha sido, em meses. "Talvez eu te culpe por me ensinar a como ser vulnerável. Você me ensinou, você sabe. Anos atrás. Existem todas as formas com que Voldemort pode chegar até mim, através de você... Ron. Sirius. Draco. Mas se isso tivesse acontecido através de você..."

"O que te faz pensar que o que aconteceu com o Draco tem alguma coisa haver com você, em primeiro lugar?"

Harry piscou. "Bem, quem mais seria?"

"Eu absolutamente te garanto, que existem pessoas por ai que querem matar o Draco por razões que não tem nada haver com você," disse Hermione em um tom sincero. "Confie em mim."

Harry não pareceu disposto a aceitar isso. "Mas..."

"Egocêntrico você, não acha? Hermione perguntou gentilmente. "Nem tudo é sobre você, Harry."

Harry não sorriu. Ele estava olhando para baixo. "Olhe," ele disse, e levantou seu braço direito, a manga enrolada para cima. "Olhe pra todo esse sangue. Esta em minhas mãos, este sangue."

Hermione olhou mais de perto para o braço de Harry, e depois enrugou seu nariz. "Isso não é sangue," disse ela, com autoridade. "Isso é suco de abóbora."

"Não é não, é sangue."

"Isso é suco de abóbora. Da jarra que eu joguei em você esta manhã. Honestamente, Harry. Isso é cor laranja."

Harry pareceu ofendido. "Mas também tem sangue."

Hermione agarrou a mão de Harry, a levantou para examinar a mancha, e depois para a imensa surpresa dele, estendeu a língua e lambeu cuidadosamente a pele. "Suco de abóbora," ela disse.

Harry olhou para ela, a boca dele se contorcendo num sorriso. "Eu não acredito que você fez isso."

"Meio que faz toda aquela sua lamúria sobre sangue em suas mãos parecer um pouco perturbadora, não faz?

"Mmm," disse Harry. Ele estava parecendo pensativo. "Você sabe, parando pra pensar nisso, eu acho que você derramou um pouco de suco de abóbora aqui também," ele adicionou, e apontou para o seu pescoço.

"Verdade?" Hermione sorriu. "Bem, nesse caso," e ela deu um passo para perto dele, colocou seus lábios contra o pescoço dele, e muito delicadamente o beijou ali. Ele tinha gosto de sabonete e sal. "Definitivamente suco de abóbora," disse ela.

"E aqui," disse ele, e indicou seu rosto. Ela tocou a bochecha dele com sua boca - a pele ali era tão macia quanto da primeira vez que ela o tinha beijado, quando ele tinha quatorze anos. "E aqui," ele disse, e tocou sua boca, e ela ficou na ponta dos pés e colocou seus braços em volta dele e beijou sua boca.

Ele fechou seus braços em volta dela e a segurou apertado enquanto eles se beijavam; tão apertado que ela mal podia respirar; as mãos dele com os punhos fechados contra as costas dela. "Oh, Harry," disse ela, quando eles se soltaram. "Eu sinto muito mesmo por isso tudo."

"Não," disse ele, e se inclinou um pouco pra trás para que assim ele pudesse olhar para ela. "Não se desculpe, você não fez nada, você não tem do que se desculpar."

Ela respirou fundo. Os olhos dele estavam nos dela, cheios de preocupação, mas mais que isso, eles estavam animados e vívidos, e ele estava presente. Presente como ele não esteve em muito tempo. Ele estava realmente ali. Tocá-lo ultimamente era como tocar uma concha vazia, algo vivo, mas certamente não familiar, mas agora ela estava segurando o seu Harry de novo, o sentindo exatamente como ela sempre sentiu, sólido e maleável e um pouquinho desajeitado. Ele estava gelado, sua capa ainda estava com neve derretida, sua pele estava fria contra a dela, mas ele era dela, o seu Harry, quem ela adorava.

Ele a soltou. Ela continuou segurando os punhos dele enquanto se afastava. Ela pode sentir o sangue pulsando ali sob a pele. Ela sorriu para ele, e ele sorriu de volta. "Nós devíamos ir pra aula," ela disse, sua voz estava bem suave.

"Oh, verdade. Você vai à frente," ele disse.

Ela piscou. "Você não vem?"

"Bem, eu iria," ele respondeu pacientemente, "mas alguém prendeu meus pés no chão."

"Oh!" Hermione se sentiu ruborizar. "Oh - oh - Eu esqueci. Ah, querido,", mas ele estava dando risadas, e quanto ela pegou sua varinha e removeu o feitiço que estava nele, ela percebeu que estava rindo também.


Eles deram alguns passos para o outro lado do corredor, Seamus andando na frente dela. Ginny olhava fixamente para a parte de trás da cabeça dele, se sentindo inexplicavelmente culpada. E pelo o que? Ela pensou. Eu não fiz nada! Por volta da hora que Seamus parou de andar e se virou para encará-la, ela estava começando a se sentir rebelde.

"Eu queria falar com você sobre o Malfoy," ele disse, afastando os cabelos volumosos e cor de milho dos seus olhos com a mão esquerda. Ela nunca tinha notado antes que Seamus era canhoto. Então de novo, existiam muitas coisas sobre Seamus de que ela nunca tinha percebido antes.

"O que sobre o Malfoy?" Ginny perguntou, sua voz monótona e não-convidativa.

"Você sabe se ele tem uma pá?"

Ela piscou, confusa. "O que?"

"Ou uma pá pequena? Ou até mesmo uma pá de jardinagem."

"Porque eu tenho a sensação de que isso não tem nada haver com, digamos, Herbologia?"

Seamus sorriu para ela, mas seus olhos estavam sérios. "Eu não ia dizer nada, na maior parte porque o Malfoy ameaçou cortar meu fígado fora, mas ele não parece estar em nenhuma forma física de estripador-de-fígado no momento, então..."

"Então o que?"

"O que tem entre vocês dois?"

"Não há nada entre nós," disse Ginny. Isso era de alguma forma verdade. Sentimentos de um só lado não contam como "entre nós".

"Bem, o que esta acontecendo então?"

Essa era uma pergunta complicada. Ginny decidiu se esquivar dela sendo petulante. "Por quê? De repente decidiu que esta afim dele?

Seamus levantou uma sobrancelha. "Eu não acho que Malfoy goste de mim desse jeito, ou então no mínimo se ele gosta, ele esta demonstrando isso perto demais do meu fígado."

Ginny gargalhou. "Desculpe. Eu só estava te enrolando. É só que, bem, você não o conhece, Seamus."

"Na verdade eu conheço," disse Seamus. "Nós costumávamos jogar juntos, em times opostos de quadribol infantil na escola preparatória. Ele era um pequeno trapaceiro, uma daquelas crianças que faz qualquer coisa pra ganhar. A qualquer custo. Toda vez que ele jogava como batedor alguém acabava com um nariz sangrando ou um cotovelo quebrado."

"Bem," disse Ginny de forma cansada, "as coisas são diferentes agora."

"Olha, eu sei que a mãe dele vai se casar com o Sirius, e então talvez Harry sinta que eles têm que começar a andarem juntos, mas eu estou te dizendo - ele não é digno de confiança e ele não é agradável. Ele é uma daquelas pessoas que vão sorrir e apunhalar você pelas costas. Ginny..."

Ele tentou alcançar a mão dela, mas ela deu um passo para trás. "Eu continuo sem entender porque você esta me contando isso. O Draco... O Malfoy te contou que estava acontecendo alguma coisa com agente?"

"Não. Ele só ameaçou me bater até a morte com uma pá se eu te magoar algum dia."

"Ginny arfou, e depois procurou se lembrar de algo. "Oh. Isso é... "Muito estranho."

Seamus sacudiu sua cabeça. "Você deve achar que eu sou estúpido."

"Não! Não. Olha Seamus..." Ginny entrelaçou suas mãos uma na outra. "Se você acha que não estou sendo justa com você... Me desculpe, talvez eu não devia ter concordado em ir ao Baile de Inverno com você."

Seamus olhou para ela surpreso por um momento, e depois sorriu. Os olhos dele não eram precisamente azuis: eles tinham um traço de verde, como água azul em um vidro esverdeado. "Relaxa," ele disse. "Tudo que eu fiz foi te convidar para o Baile de inverno; Nós não estamos nos casando. Eu não estou zangado com você. Eu só queria..."

"Me prevenir?"

Seamus encolheu os ombros. "Tudo bem, talvez um pouquinho. Draco Malfoy não é uma boa pessoa. Ele foi uma criançinha bem nojenta e eu não tenho visto nenhuma evidencia de que ele tenha mudado."

"Isso não é justo. Ele mudou, muito, nesse último ano. Ele esta diferente."

"Diferente do que ele costumava ser? Isso não é um grande elogio. Olha..."ele adicionou rapidamente, vendo talvez alguma resistência na expressão dela. "Esta tudo bem. Eu só quero te levar ao Baile de Inverno. Eu não preciso escutar mais nada sobre você e Malfoy, se é que já existiu um você e Malfoy.

"Bem, definitivamente não existe um Malfoy e eu no momento," disse Ginny firmemente.

"Que bom," disse Seamus, e ajeitou a mochila sobre seus ombros. "Eu estou livre de História da magia - você quer caminhar comigo?"

"Claro."

Ele se moveu para pegar a mão dela enquanto eles caminhavam pelo corredor, e dessa vez ela o deixou segurar.


"Você tem certeza de que ele vai ficar bem?"

"Eu tenho certeza." Lupin tentou soar o mais calmo que pode - Sirius estava parecendo extremamente ansioso. Lupin estava certo de que parte da quentura que irradiava do fogo da lareira em que eles estavam conversando, vinha da ansiedade de Sirius, e não das chamas. "Ele já esta bem. Perfeitamente bem, só está cansado e o ombro dele precisa cicatrizar."

"E você tem certeza de que não precisamos ir pra escola?" Tinham marcas escuras de preocupação envolta dos olhos de Sirius. Ele parecia cansado, e desconfortável - ele estava usando roupas de trouxas, pelo menos dos ombros pra cima (que era tudo que estava visível na lareira da sala): uma blusa branca e uma gravata escura afrouxada no pescoço. Lupin tinha perguntado à ele o que ele estava fazendo, mas ele o tinha ignorado com a resposta de, "Negócios de Auror. Trabalho de rotina."

"Tenho certeza, Sirius. Não há necessidade. Draco esta bem e se você aparecer aqui, isso só vai assustar ele e todos os amigos dele, fazendo eles acharem que algo sério esta acontecendo - "

"Algo sério? Ele podia ter morrido!"

"Certo, eu sei. Mas nós também podíamos, dezenas de vezes. Quantas vezes você foi parar na ala hospitalar?"

"Porque nós estávamos sendo estúpidos. Se fosse o Harry - mas Draco, ele não faz coisas sem pensar. Ele é cuidadoso demais pra isso. O que quer que tenha acontecido, ele não estava esperando que acontecesse.

Lupin respirou fundo, e se sentou na cadeira que ele colocou em frente à lareira. "O machucado foi uma perfuração, uma perfuração comum - possivelmente feita por uma faca, ou uma flecha. O que quer que fosse, foi retirada. Existem um monte de feitiços que poderiam fazer esse mesmo efeito. Isso pode ter sido um duelo que acabou dando errado... ou até mesmo um feitiço que Draco estava tentando produzir e pode ter voltado pra ele mesmo. Nós só não sabemos."

"Isso é suposto a me fazer sentir melhor?"

"Se isso te consola, o próprio Draco não parece muito preocupado."

"Não, isso não me consola." Sirius passou uma mão entre seus cabelos pretos - ainda sem fios brancos, apesar de que Lupin tinha a impressão que se Harry e Draco continuassem com seus quase-encontros com a morte, isso iria mudar. "Você tem certeza que nós não devemos ir?"

"Dumbledore explicitamente disse que não." Lupin deu uma pausa. "Como esta Narcisa?"

Os olhos de Sirius escureceram. "Não muito bem. Ela esta repousando - ela teve que tomar meio copo de poção tranqüilizadora."

Lupin suspirou. "Sinto muito. Isso deve ter sido difícil pra ela, não é? Quero dizer, você deve se lembrar daquela vez que você duelou com Snape?"

Sirius gargalhou.

"Ele jogou aquela maldição em você, que praticamente arrancou seu braço fora."

Sirius parecia ter se rebelado. "Eu estava a ponto de ganhar aquele duelo antes de você interferir."

"Sirius! Sua mão tinha caído!"

"Madame Pomfrey colocou ela de volta no lugar," Sirius mostrou a mão alegremente. "James sempre foi um auxiliar melhor do que você. Ele nunca interferiu no meu caminho." Ele franziu suas sobrancelhas. "O que me faz pensar... talvez você devesse perguntar ao Snape se isso parece ser algum tipo de machucado amaldiçoado?"

"Já perguntei," disse Lupin. "Ele esta verificando isso."

Sirius soltou seu fôlego. "E Draco não aparenta estar... de nenhuma forma assustado?"

"Não." Lupin sacudiu sua cabeça. "Harry parece estar cuidando dessa parte pra ele."

Ao invés de sorrir, a boca de Sirius se enrijeceu. "Harry. Ele não esta encarando tudo isso bem?"

Lupin balançou a cabeça. "Não. Ele teve um acesso de raiva. Me acusou de estar escondendo as coisas dele, não contar a ele oq ue estava acontecendo - basicamente, me acusou de estar mentindo."

Sirius concordou calmamente.

"Você não esta surpreso?"

"Não, disse Sirius com tristeza. "Eu tentei ter uma conversa com ele outro dia, porque eu estava preocupado. Ele parecia tão magro e pálido esses dias. Eu imaginei... Talvez problemas com Hermione? Talvez ele estava angustiado sobre o casamento, achou que eu não estaria mais tão por perto dele depois que me casar? Mas ele só me deixou falando sozinho. Também me acusou de ser um mentiroso, à propósito.

"Sirius... aconteceu algo com ele recentemente para distorcer a confiança dele? Porque é como isso esta parecendo pra mim. Como se ele quisesse confiar, mas tem medo, e como resultado ele acaba ressentido. E acima disso tudo, ele parece estar se sentindo - " e Lupin estava prestes a adicionar "abandonado" , quando bateram na porta de sua sala.

Ele se levantou e foi abri-la, mantendo seu corpo entre ele mesmo e a lareira, bloqueando Sirius de quem quer que pudesse estar na porta. Para a surpresa dele, era Harry.

"Olá, professor Lupin," ele disse. "Eu posso falar com você por um segundo?"

Lupin olhou para o rapaz parado à soleira da porta. Sirius estava certo. Harry realmente parecia mais magro, e pálido, e mais cansado do que antes. As olheiras embaixo dos seus olhos parecendo hematomas. Isso era estranho, mas na medida em que Harry envelhecia, e especialmente quando ele parecia cansado ou preocupado, a sua semelhança com seu pai desaparecia lentamente, e em seu rosto Lupin podia mais uma vez enxergar Lily. Ela também não tinha sido bonita no sentido convencional, mas existiam uma bravura e graciosidade em seu espírito que faziam com que valesse a pena olhar para ela. Harry também tinha isso, junto com os olhos cor-de-esmeralda que certa vez inspiraram um repórter particularmente malicioso do profeta diário a comentar que "aqueles olhos, encobertos por trás dos famosos óculos fora de moda, são a única beleza de um rosto diferentemente cotidiano."

"Professor," disse Harry educadamente. "Eu posso entrar?"

"Você precisa saber que eu não estou sozinho," Lupin respondeu, mas Harry já havia olhado acima dele e visto Sirius na lareira. As mãos dele ficaram rígidas ao lado do seu corpo, mas Lupin não notou nenhum outro sinal de nervosismo.

"Sirius," Harry disse calmamente. "Você esta bem?"

Sirius indicou que sim com a cabeça. "Estou bem, Harry." E seus olhos moveram-se para Lupin. "Você poderia nos dar um momento?"

Sem nem mesmo ter pensado sobre isso, Lupin concordou com a cabeça e saiu da sala, fechando a porta atrás de si. Só depois que ele se deu conta de que tinha acabado de se trancar fora de seu escritório enquanto fechava um estudante dentro. Isso geralmente não era considerado uma boa coisa. Apesar de que, Sirius estava lá para ficar de olho em Harry.

Ele se apoiou contra a parede e suspirou. O olhar no rosto de Sirius quando Harry apareceu na porta... Lupin tinha reconhecido esse poderoso coquetel de expectativa, amor, orgulho, preocupação e medo. Certamente esse foi o jeito que seu próprio pai tinha olhado para ele quando a carta de aceitação para Hogwarts havia chegado. Ele se lembrou das vozes que escutou de seus pais através da parede do quarto naquela noite... Ele não pode ir, ele é pequeno demais pra idade dele, e o que os outros estudantes vão fazer, como vão tratá-lo? E se ele se machucar ou machucar outra pessoa? Mas como nós podemos mantê-lo afastado - Ele não pode ter uma vida normal?

Se existe uma coisa que Lupin aprendeu desde então, é que não existiam coisas semelhantes a uma vida normal, não para certas pessoas. Não para ele próprio. E não para Harry. Ele havia sido marcado pela mordida de um lobo; Harry havia sido marcado por algo muito mais grave e muito mais sombrio. Isso se mostrava agora nos olhos dele, e no conhecimento que transpareciam; muito mais do que na cicatriz em sua testa.

A porta da sala se abriu, e Harry olhou ao redor. "Entre, professor," ele disse. Ele não estava exatamente sorrindo, mas parecia aliviado, como se um fardo que estava carregando tivesse se tornado mais leve. Lupin presumiu que ele e Sirius devem ter se reconciliado da briga que tiveram. "Desculpa, eu te expulsei da sua sala."

Lupin seguiu Harry de volta para a sala e se despediu de Sirius, que também estava parecendo um bocado mais alegre. "Então está certo Sirius... me mande uma coruja amanhã."

"Vou mandar," disse Sirius, e desapareceu em um turbilhão de faíscas azuis e verdes.

Lupin se virou para Harry. "Então, o que é que você queria falar comigo?

"Oh." Harry considerou por um momento. "Na verdade, era sobre o dever de casa da aula de defesa contra as artes das trevas.

Lupin, ficou surpreso. Geralmente quando Harry aparecia em sua sala ou de qualquer outro professor, isso tinha muito pouco haver com dever de casa, e mais haver com emergências de ameaça de morte. "O que tem o dever, Harry?"

"Bem, eu sei que nós estamos supostos a escolher pelo menos nossa primeira tarefa hoje..."

"Sem dúvida, eu entendo se você e Draco precisam de mais algum tempo pra me dizer isso. Uma semana de acréscimo seria -"

"Não, é justamente isso, nós já escolhemos. "Harry pegou um pergaminho e entregou para Lupin, que o aceitou com surpresa. "Nós queremos fazer o trabalho de pesquisa relacionado a lugares malignos. Nós gostaríamos de ir para Shepton Mallet."

Lupin olhou para Harry com certa confusão. Harry devolveu o olhar, seus olhos verdes muito nítidos atrás dos seus óculos. Novamente, Lupin foi lembrado de Lily. Lily quando estava escondendo alguma coisa, ou pronta para fazer uma travessura. Talvez ele estivesse sendo excessivamente duvidoso, de qualquer forma. Certamente Harry e Draco não estariam dispostos a aprontar nada, levando em conta as condições em que Draco estava. "Tudo bem, então, Harry."

"Eu só queria que você soubesse, porque assim você pode começar a preparar a chave-portal para nós," disse Harry, com uma honestidade infantil. "Eu sei que leva um tempo pra fazer."

"Tá certo." Lupin olhou para Harry, perplexo. O que é que estava acontecendo com ele? Infelizmente, nada que ele pudesse se meter exatamente. "Eu vou deixar isso pronto pra você, Harry. Enquanto isso, no tempo em que Draco estiver na enfermaria, eu lhe sugiro que diga à ele para não se preocupar com deveres de casa. Ele precisa descansar."

Harry concordou. "Claro. Eu vou dizer à ele que nós podemos trabalhar nisso antes do natal, se você puder ter a chave portal pronta até lá. Nós teríamos feito isso durante as férias, mas você sabe, nada de mágica durante os feriados, e o casamento..."

Lupin concordou. "É claro. Você está ansioso para o casamento?"

Harry pareceu momentaneamente surpreso, depois encolheu os ombros. "Eu não estive pensando sobre isso, na verdade. Eu tenho estado tão ocupado com as aulas e me preparando para os N.I.E.M.S e... Eu ainda nem comprei nada de presente pro Sirius e a Narcisa.

"Bem, as lojas em Hogsmeade devem estar abertas amanhã à noite, não é?"

Harry piscou os olhos para ele. "Amanhã?"

"O Pub Crawl, Harry."

"Oh! Certo!" Harry concordou. "É claro. Eu vou procurar algo então." Ele olhou para baixo, para o relógio de bolso que brilhava no seu pulso. Como sempre, quando Lupin via aquele relógio, sua garganta apertava. Parado ali na luz fraca, com seu cabelo escuro e bagunçado curvado por cima daquele relógio tão familiar, Harry poderia se passar por James. James, que também, ficava com suas mãos inquietas quando estava nervoso. James, que também, se orgulhava do relógio que tinha sido dado pela garota que ele amava. James ansioso para o primeiro Pub Crawl da vida deles... "Eu tenho que ir professor," disse Harry. "Eu tenho aula agora."

"Claro." Lupin fez um movimento rápido com a varinha em direção a porta, e ela se abriu. Harry saiu, e parou por um momento na soleira da porta.

"Você vai estar no Pub Crawl, Professor?"

"Eu devo dar uma passada lá, Olha, Harry, Eu..."

Harry olhou para ele com olhos indagadores. "Sim?"

"Eu não queria que você pensasse que eu estava irritado com você. Eu fui rígido com você hoje cedo, e eu sinto muito. Você estava preocupado com seu amigo e isso te dá crédito. Você sempre foi exatamente como seu pai nesse quesito."

Os olhos de Harry se iluminaram e ele ruborizou. "Obrigado, Professor."

"Isso só é a verdade. "Lupin encolheu os ombros. "Eu tenho pensado muito a respeito do seu pai ultimamente. Queria que ele pudesse estar no casamento."

"Tá tudo bem," disse Harry. "Você vai estar lá comigo." Ele mexeu a sua mochila pro alto em seu ombro e se afastou da porta. "Obrigado por ter me deixado usar a sua sala pra falar com o Sirius, Professor."

Lupin concordou. Sua garganta continuava apertada e ele não queria falar. Ele olhou enquanto Harry andava para longe, virava o corredor, e sumia de vista. E depois ele voltou para dentro da sala, fechou a porta e sentou na sua escrivaninha, olhando para o fogo. Pela primeira vez em um longo tempo, ele se sentiu repentinamente velho.


Draco acordou com uma dor de cabeça de rachar, e sentindo como se alguém estivesse sentado sobre sua barriga. Ele abriu com dificuldade suas pesadas pálpebras, e viu um teto de pedra arqueado acima dele, lençóis brancos nos lados da cama o cobrindo. A enfermaria.

Ele se sentou devagar, e olhou para si mesmo. Alguém o havia vestido com pijamas listrados de azul e branco, e tinham cobertores empilhados em sua cama. Hum Ele se perguntava como tinha chegado aqui. Ele se perguntava quem o tinha trazido aqui, e quem o tinha vestido com o pijama. Obviamente alguém que não entendia que Malfoys não vestem flanela.

Ele fechou seus olhos, e voltou seus pensamentos de volta para a última coisa de que se lembrava. Ele se recordava de Rhysenn gritando, ele a empurrando fora do caminho, o mundo virando de ponta-cabeça, prata se invertendo em preto...

O que tinha acontecido? O que o tinha machucado? Ele desabotoou a parte de cima do seu pijama e o tirou fora, mas seu ombro estava fortemente enfaixado e não mostrava respostas às suas perguntas. O ombro continuava levemente dolorido, e ele recuou quando tocou as ataduras, mesmo que só de leve. Devagar, ele se inclinou de volta contra os travesseiros, sua mente perdida em recordações. Ele se lembrou de um som estranho, e a dor aguda em seu ombro. Um som como de... Um arco e flecha? Mas quem iria sair por ai atirando em estudantes com um arco e flecha? E porque fariam isso, quando uma maldição imperdoável era muito mais rápida? Ele sabia por que seu pai usava um arco e flecha: Pelo divertimento de caça que isso proporciona. Mas essa lembrança o fez tremer.

Ele cobriu seu rosto com as mãos, e descansou lá por um momento, na escuridão silenciosa. Sua mente flutuando com perguntas, e não a menor delas era há quanto tempo ele tinha sido retirado do frio para a enfermaria. Quem o tinha descoberto, e o que aconteceu com Rhysenn? Ele deixou suas mãos caírem, e fechou seus olhos, deixando seus pensamentos irem além, lentamente, tentando algo que ele tinha feito poucas vezes antes - esquadrinhando o castelo com sua mente, procurando uma presença familiar, um laço que mesmo durante o sono estava preso por uma corda inquebrável de magia e telepatia.

Ele o achou, como um pequeno e preciso ponto de luz no meio da escuridão. Harry. Ele não podia, é claro, sempre saber o que Harry estava pensando precisamente, mas a forma de seus pensamentos era tão familiar quanto a forma do seu rosto. Harry, ele sussurrou dentro da escuridão. Harry, você esta acordado?

Houve um momento de silencio, e depois Harry respondeu. Eu estou. Você esta bem? Onde você esta? Ainda na enfermaria?

Sim.

Tudo bem, Fique aonde esta, eu já chego ai.

Acredite em mim quando eu digo que não vou a lugar nenhum.

Não houve resposta. Harry provavelmente estava distraído. Draco se ocupou em colocar de volta a parte de cima do pijama e abotoar, e fazer isso doeu mais do que ele gostaria que doesse. Ele não conseguia tranqüilizar um pequeno, medo insensato... Ele se lembrou de histórias que Lucius tinha contado à ele sobre venenos do mundo mágico... Mas não, ele certamente já estaria morto se tivesse sido envenenado.

Houve uma fraca agitação, e as cortinas ao redor dele foram puxadas. Ele se sentou reto quando Harry apareceu, a capa de invisibilidade caindo aos seus pés enquanto ele andava para frente. Ele tinha obviamente se vestido depressa: seu suéter verde estava colocado ao avesso e seu cabelo estava ainda mais um desastre do que de costume. "Malfoy..." disse Harry, seus olhos arregalados atrás dos óculos "Você parece realmente pálido."

Draco levantou a sobrancelha. "Obrigado por esse boletim vindo do departamento dos casos óbvios, Potter. Perda massiva de sangue geralmente resulta em palidez, você sabe. Agora você vai se sentar, ou só vai ficar ai em pé me olhando com esses olhos arregalados igual a uma truta em terra firme?

Harry se jogou em uma cadeira perto da cama, continuando a olhar fixamente para Draco. "Mas você esta bem? Você esta realmente... bem?"

Draco tentou afastar o pensamento de veneno fatal para fora de sua mente. "Eu estou bem... você achou que eu não estaria?

Harry puxou para fora a corrente que estava pendurada em sua garganta, e olhou para ela. Na meia-luz, o Feitiço Essencial dourado bruxuleava sem brilho. "Eu sabia que você ainda não estava morto," ele disse calmamente. "Mas eu não sabia se você não iria morrer." Ele deixou a corrente cair de volta para dentro de sua blusa. "Draco, o que aconteceu? Aliás, o que você estava fazendo vagueando na neve às 6 da manhã?

Draco notou o uso de seu primeiro nome e ficou, a despeito de si mesmo, satisfeito. "Eu vou te contar em um segundo. Alcance aquela cabeceira e pegue minhas roupas, faria isso?

Harry deu à ele um olhar estreito. "Por quê?"

"Porque eu quero uma coisa que esta dentro do bolso, Potter. Na verdade eu só quero a blusa... obrigado," ele disse, e pegou a blusa que Harry jogou para ele, que tinha sido perfeitamente dobrada. Draco a desdobrou, e piscou. Estava arruinada, de forma não surpreendente, o ombro direito com uma dura massa de sangue e tecido rasgado. A blusa também havia sido cortada na frente, onde eles a devem ter cortado para tirá-la do seu corpo.

Harry pareceu levemente nauseado. "Tem bastante sangue."

"Sim," disse Draco, continuando a encarar a blusa. "Foi bastante cara, também. Donna Karan coleção de outono..."

"Malfoy." Harry parecia impaciente. "O que aconteceu?"

"Eu fui lá fora pra me encontrar com uma pessoa," Draco disse lentamente. "E eu não estava lá fora na neve... Eu estava em cima em uma torre."

"A torre de astronomia?" Harry parecia interessado agora. "Você me disse que as pessoas só vão lá em cima pra fazer sexo. Seus olhos se arregalando. "Você estava fazendo sexo?"

"Eu tenho um quarto, Potter. Porque eu subiria para torre de astronomia pra fazer sexo?"

"Bem, quem você foi encontrar, então?"

"Rhysenn, minha prima."

Harry deu à Draco um olhar vazio e incompreensível.

"A garota de cabelos pretos que desceu as escadas com Charlie na sua festa de aniversário."

"Então você estava fazendo sexo! Harry olhou de relance para a camiseta destruída de Draco. "Ele deve ser completamente selvagem!"

"Potter, se você não calar a boca sobre sexo, eu vou degolar sua cabeça e usá-la como uma goles."

"Ok, ok." Harry cedeu, seus olhos brilhando com uma felicidade silenciosa. Draco estava completamente certo de que Harry estava sendo propositalmente insolente esse tempo todo. "Então me diga o que você estava fazendo."

Draco suspirou, e explicou - sobre Rhysenn, sobre as cartas do seu pai, os mapas que levavam a pontos de encontro secretos, as mensagens subliminares, e finalmente o ataque a ambos. "Eu não tenho idéia de quem ela realmente seja," ele terminou. "Ou o que ela quer, ou se a pessoa que atirou em nós estava tentando me matar ou matá-la. E eu não sei como eu acabei indo parar aos pés da torre, tampouco. Eu devo ter caído. Eu só estou surpreso que a queda não tenha me matado."

Harry o estava encarando com os olhos do tamanho de pratos. "Seu pai está vivo?"

Draco concordou.

"Se pai está vivo e você não me contou?"

Draco olhou para suas mãos. "Dumbledore me fez jurar não contar pra você. Eu... sinto muito. Eu queria contar." Ele se mantinha muito tranqüilo. Harry era apenas uma sombra visível através da franja de luz prateada que era seu próprio cabelo caído nos olhos. "Quem mais eu poderia contar além de você?"

"Mas você não me contou."

"Eu jurei que não iria te contar." Draco fez uma pausa. "Até parece que não existem coisas que você não tem me contado."

Draco ouviu Harry suspirar. "É verdade." Ele hesitou. "Mas você esta me contando agora? Você esta quebrando sua promessa?"

"Eu poderia ter morrido," disse Draco. "E se eu tivesse morrido você mereceria saber o porquê e como."

Ele olhou para cima, e viu Harry o encarando com uma expressão tensa.

"Eu devo ao Dumbledore," Draco adicionou. "Mas eu te devo mais."

Harry hesitou, e depois seu rosto se relaxou em um sorriso. "Obrigado," ele disse, e Draco se sentiu gratificado. Essa era a coisa irritante sobre Harry - ele tinha aquela qualidade concedida a apenas muito poucos, que fazia com que mesmo os seus menores gestos parecessem sobrecarregados com importância. Não importava o que fosse, era isso que o fazia ser um líder nato - era isso que fazia as pessoas querer protegê-lo, o que as fazia se juntar para se manter entre ele e qualquer que fosse a escuridão que ele deveria um dia derrotar. Mas então, essa era a natureza de ser um herói.

Tudo isso é claro, quando ele não estava sendo um bundão.

"Malfoy," disse Harry. "O que as cartas dizem?"

"As cartas que Rhysenn me trás? Nada muito útil. Aqui, a última delas no bolso da minha blusa - Por isso eu queria a blusa." Draco puxou o pergaminho, notavelmente não danificado, tirando-o do bolso da camiseta onde ele havia sido enfiado, e o desenrolou. "Draco," ele leu em voz alta. "Veja só! esses muitos anos nos quais esperamos, você e eu, pela alvorada do seu verdadeiro dia de nascimento. Lembrasse disso: Alguns devem ser sacrificados para que outros possam ser salvos. Verdadeira obediência não requer ilusões. Em breve você saberá de tudo. Draco encolheu os ombros. "É isso."

Harry ficou parado um momento, roendo seu lábio inferior. Depois ele esticou sua mão. "Me deixa ver a carta."

"Eu te disse o que ela diz."

"Eu quero ver de qualquer forma. Talvez possa haver pistas."

"Certo, porque os caras malvados adoram deixar pistas soltas por ai. Isso é realmente um pedido desesperado de ajuda."

"Me dá isso aqui, Malfoy," disse Harry.

Draco entregou a carta à ele e encolheu os ombros. "Se você insiste em brincar de aprendiz de auror, eu creio que não posso lhe impedir."

Harry o ignorou. "Essa carta foi escrita com tinta verde Veridiana," ele disse, sua voz estava atenta. "Somente os mais renomados funcionários do ministério podem usá-la, você sabe."

Draco estava impressionado. "Sério?"

"Não, na verdade, eu que inventei isso. Aqui, toma sua carta estúpida. "Harry jogou a carta de volta, parecendo desgostoso. "De qualquer jeito, quem diz 'Veja só!'

"Quem diz 'os mais renomados'?" Harry foi impedido de responder à isso quando a carta na mão de Draco pegou fogo. Draco soltou a carta com um palavrão, e ela se transformou em cinzas antes de encostar-se ao chão da enfermaria. "Elas sempre fazem isso," disse Draco com mau humor, colocando seu dedão queimado na sua boca. "Eu suponho que seja pra que eu não possa mantê-las como evidência."

"O que isso significa, seu 'verdadeiro dia de nascimento'?"

"Não tenho idéia."

"Nunca te ocorreu tentar descobrir o que um verdadeiro dia de nascimento possa ser?"

"E como descobrir?"

"Bem," disse Harry, como se isso fosse óbvio, "Pergunte à Hermione. Se ela não souber, ela pode descobrir isso pra você."

"Eu prefiro não envolver qualquer outra pessoa nisso."

"Hermione não é 'qualquer outra pessoa'," Harry ressaltou. "Ela é... Hermione. Você pode contar à ela qualquer coisa.

"Este é o porquê de você ter contado à ela sobre a nossa pequena excursão ao cemitério?"

Harry abriu sua boca para dizer alguma coisa, e depois a fechou repentinamente. "Isso é diferente."

"Por quê? Porque este é o seu grande segredo?"

"Porque ninguém esta tentando me matar."

"Ha!"

Harry olhou para ele severamente. "Você acabou de dizer 'Ha'?"

Draco considerou. "Embaraçoso, mas disse sim."

"E com isso você que dizer...?"

Draco deu um bocejo enorme. Ele estava ficando cada vez mais exausto. "Alguém sempre esta tentando te matar, Potter. Você não seria você se eles não estivessem. E na verdade, quem sabe se alguém estava tentando me matar, ou se estavam atrás da Rhysenn e erraram o alvo?"

Harry ficou em silêncio por um instante. Sua mão direita estava brincando com a presilha do seu cinto - na verdade, com o bracelete estranho que ele parecia nunca largar. "Eu não acho que você deva confiar nela," ele disse finalmente.

"Obrigado, eu não confio. "Draco bocejou de novo. "Potter, eu estava pensando..."

"O que?"

"Bem, se você pedir ao Lupin pra te dar uma chave portal que vai te levar para Doon's Hill, ele não vai deduzir o porquê de você ir pra lá? Eu estou surpreso que ele tenha posto esse lugar no dever de casa, na verdade."

"Certo. Por isso eu vou dizer à ele que nós queremos ir para Shepton Mallet ao invés de Doon's Hill."

"Mas nós não queremos ir pra lá... oh."

"Vamos lá, Malfoy. Planos engenhosos, lembra? O importante é cair fora dos terrenos da escola, considerando que nós não podemos aparatar ou voar pra longe e também não temos exatamente muito tempo pra caminhar."

"Então como nós pretendemos viajar de Shepton Mallet para Doon's Hill?"

"Deixa isso comigo." Harry sorriu, e depois mordeu seu lábio. "Mas você tem certeza... que você ainda quer vir?"

"Quero ficar um pouco melhor. Eu ainda estou disposto a ir. Eu vou ficar bem em um dia ou dois, tenho certeza absoluta."

"Nós podemos esperar o tempo que você quiser," disse Harry.

"Não, está bom." Draco se deitou contra os travesseiros e fechou seus olhos. "Você já percebeu," ele disse sonolento, "que isso significa que... nós vamos ter que fazer... um relatório completo sobre Shepton Mallet...por droga de razão nenhuma." Ele bocejou uma última vez. "Graças à você," ele adicionou.

Ele nunca escutou o que Harry disse em resposta; ele já tinha adormecido.


Ele estava sonhando de novo. Ele estava no quarto da torre mais uma vez, e seu pai estava lá, assim como o Lord das trevas. Ele estava em pé de um ângulo diferente agora, e podia ver além das janelas altas e estreitas. Elas mostravam uma paisagem não familiar: um vale comprido se estendendo em árvores. O céu noturno estava elevado e escuro, as estrelas sorrindo abertamente para baixo como adagas descobertas. Na parede da janela estava suspenso o espelho que ele havia visto em seu sonho anterior. Dessa vez a superfície estava vazia.

Lucius e o Lord das trevas estavam conversando juntos perto da porta, embora ele não pudesse ouvir o que eles diziam. Como um fantasma, ele se deixou levar em direção à eles enquanto eles passavam pelo quarto da torre para dentro de outro quarto. Esse era uma câmara de pedras em que as paredes eram adornadas com tapeçarias douradas e prateadas. Era um anexo enorme , as paredes se erguendo em um teto perdido além das chamas agitadas das tochas que queimavam lá. O chão era incrustado com ouro, cravado aqui e ali com jóias escuras e brilhantes. Este era o quarto mais berrante em termos de decoração que Draco já havia visto, e a ornamentação berrante continuava em sua decoração central - uma gigantesca e circular gaiola de ouro, do tipo que poderia ter guardado um leão ou um tigre. Mas ao invés disso, ela aprisionava uma mulher. Uma esbelta, mulher alta, coberta apenas pelos seus próprios longos cabelos negros, que serpeavam em volta dela como fumaça, escondendo seu corpo. Não até ela levantar seu rosto, que ele a reconheceu.

Rhysenn.

"Milorde," ela disse, enquanto o Lord das Trevas e Lucius se aproximavam dela. "Porque você me convocou de volta?"

Lucius deu um passo para o lado, e o Lord das trevas sozinho olhou de frente para a garota dentro das barras aprisionada. "Porque eu lhe controlo, e posso te convocar," ele respondeu. "Você sabe que esta presa a mim?"

"Eu sei que estou."

"E que eu sou o seu mestre?"

Os olhos dela relampejaram. "Da carne na qual sou feita, mestre você pode ser. Mas do que eu sou, mestre você certamente não é."

"Meras palavras," ele disse. "Você deve me obedecer. Ou eu vou torturar a gaiola de sangue e pele e ossos da qual, até a morte, você deve agora habitar, e eu não vou lhe deixar sair. Você quer que isso aconteça?"

Ela mostrou os dentes para ele, mas não disse nada em resposta.

"Onde esta o Herdeiro de Slytherin, e porque você o deixou?" o Lord das trevas exigiu.

"Ele esta com Harry Potter," ela disse. "Você sabe que não posso chegar perto dele quando ele esta com o rapaz Potter. Nem posso entrar no castelo."

"Mas você falou com ele? E entregou ambas as mensagens?"

"Sim."

"E ele tem alguma resposta?"

A garota olhou para baixo. "Nós fomos interrompidos. Ele não pode me dar nenhuma resposta. Eu irei novamente, não esta noite, mas a próxima, e descobrirei a resposta dele."

"Interrompidos? Interrompidos como?" Dessa vez era Lucius falando, se virando de sua apreciação atenta pela janela para olhar finalmente em direção à garota na gaiola.

"Alguém tentou nos atacar," disse Rhysenn. "Duas flechas foram atiradas em nós, lançadas da escuridão. Seu filho foi ferido no ombro, mas ele vive. Eu verifiquei isso."

Voldemort sorriu seu sorriso escarlate. "Um improvável anjo da misericórdia," ele disse. "Você estava sensibilizada pela situação difícil dele?"

"Misericórdia," disse Rhysenn, com um lampejo semelhante ao dos gatos em seus olhos, "não tem nada haver com isso. Eu protegi o que era valioso para você. Nada mais."

"Que admirável" Voldemort disse. "Você é de fato um modelo exemplar de perfeita falta de sentimentos. Embora me pareça que você ainda possa sentir divertimento."

"Como você também pode, Milorde."

"Eu nunca afirmei ser sem sentimentos," o Lord das trevas disse. "São somente as emoções benévolas que eu desprezo."

"Você odiou," ela disse. "Então já deve ter amado."

"Eu amo o poder," ele respondeu. "Como o instrumentista ama seu violino, eu amo isso. Para traçar os sons e cordas e harmonia. Isso é felicidade."

A garota na gaiola levantou seu rosto de repente, como se tivesse sentido algo no ar. "O sol esta nascendo, Milorde," ela anunciou. "Deixe-me ir. Você sabe que eu odeio o dia."

O Lord das trevas sorriu. "Eu sei. Vá, então. Retorne quando eu lhe chamar."

"Retornarei," disse a garota, e desapareceu, e quando ela desapareceu, um raio de luz do sol disparou pela janela, penetrando a escuridão do aposento com uma onda de dourado - iluminando o rosto do Lord das trevas, e o de Lucius que se encontrava de pé não muito longe dele - Foi Lucius que se virou então, e olhou através do quarto. Pareceu a Draco que seu pai estava olhando diretamente para ele. Lucius sorriu, e disse.

"Eu deveria saber que te encontraria aqui," ele disse.

"Eu deveria saber que te encontraria aqui."

As pálpebras de Draco se abriram, seu coração dando pancadas violentas. Por um momento a escuridão da torre flutuou na frente dos seus olhos abertos, e ele se esforçou para se sentar, a vertigem se segurando nele como mãos de pessoas se afogando.

Já era manhã, e a enfermaria estava cheia de luz. Levou um momento para ele se dar conta de quem estava falando, e que ele não estava sonhando. Era Charlie Weasley, parado aos pés de sua cama. As mãos dele estavam nos quadris e ele parecia confuso. Draco suspeitava de que ele tinha vindo direto de onde alimentava seus bebês dragões, visto que seu rosto e as vestes de trabalho azul escuras estavam cobertas de fuligem.

Draco sentou-se cuidadosamente contra a pilha de travesseiros, e descobriu que podia se mover sem tanta dor. Havia uma dor maçante em seu ombro, mas nada mais. "Bem," ele disse de modo razoável, "Onde mais eu iria estar?"

"Não você," disse Charlie, e empurrou algo com o seu pé. Draco ficou de joelhos e espreitou por cima da beirada da cama. Harry estava lá, deitado encolhido no chão, adormecido em sua capa de invisibilidade dobrada. Suas bochechas apoiadas em suas mãos

"Vai 'bora," disse Harry e se enroscou todo em um formato de bola.

"Levanta, Harry," disse Charlie. "Dumbledore vai estar aqui a qualquer momento."

"Mamilos," disse Harry, seu rosto enterrado em seus braços. Solta isso. Argh."

"O que foi isso? Charlie parecia estar se segurando para não rir.

"Ele disse pra deixá-lo sozinho," Draco traduziu. "Ele esta tendo um sonho com a Professora Sinistra."

"Ele esta?" Charlie exigiu claramente fascinado. "Bem, ela é totalmente -"

"Eu não estou," protestou Harry, se sentando. Seu cabelo de pé e desordenado, como se ele tivesse sido eletrocutado, e seu rosto marcado com rugas onde ficou pressionado contra o material da capa enquanto ele dormia. "Malfoy, seu mentiroso sujo."

"Te levantou," indicou Draco, sem se incomodar. "Agora cai fora daqui, antes que Dumbledore chegue e você fique com problemas - ou não," ele acrescentou apressadamente, enquanto a cortina foi puxada e Professor Dumbledore entrou seguido por Madame Pomfrey e o diretor da casa de Draco, Professor Snape. Draco se sentou nos calcanhares e esfregou seu ombro com tristeza. "Eu só quero que todos se lembrem," ele advertiu, "que eu perdi uma grande quantidade de sangue. Eu talvez esteja delirante.

"Está tudo bem, Draco," disse Dumbledore, seu olhar gentil e sério enquanto focaram primeiro em Draco, depois em Harry. "Apesar de que nós devemos franzir as sobrancelhas para alunos que invadem enfermarias trancadas no meio da noite, desejando estar com um amigo em tempos difíceis, é tanto admirável quanto compreensível. Nem você ou Harry terão pontos descontados de suas casas. Agora levante-se, Harry. Só de olhar para você faz meus ossos doerem."

Harry se levantou depressa, e esfregou seus olhos em uma tentativa de parecer mais acordado. "Obrigado, Professor."

Dumbledore agitou uma mão, e quatro cadeiras com encostos altos apareceram ao redor da cama. Dumbledore se sentou, e Madame Pomfrey, Snape e Charlie fizeram o mesmo. Harry sentou-se aos pés da cama, tapando um bocejo; para a surpresa de Draco, ninguém se moveu para impedi-lo.

"Antes de você nos contar o que aconteceu, Senhor Malfoy," Dumbledore começou, "Porque nós não lhe contamos o que sabemos? Agora. Nós fomos à princípio alertados de seu apuro quando uma aluna do primeiro ano da Lufa-Lufa entrou correndo no salão principal ontem pela manhã, anunciando que ela tinha achado Draco Malfoy deitado na neve, completamente morto. Como você pode imaginar, isso causou um certo tumulto."

"Suicídio em massa entre as alunas do quinto ano, eu imagino," disse Draco animadamente.

"Por sorte as lamentações não foram tão radicais," disse Dumbledore, "embora houvesse muita preocupação na mesa da Sonserina, e vários Grifinórios fizeram cenas extraordinárias." Nesse ponto, Harry ficou muito interessado em brincar com seu cadarço. "Como você pode imaginar, um esforço rápido foi feito para chegar até você. Você estava, como relatado, deitado em um monte de neve, inerte e banhado em sangue. É muito surpreendente, de fato, que a perda de sangue não tenha lhe matado. Junto disso, é ainda mais surpreendente de que o frio não tenha acabado completamente com você. Você estava quase congelado quando a garota da Lufa-Lufa te encontrou enquanto ela fazia seu caminho para as estufas. Ela pressionou o corpo dela contra o seu, antes de sair correndo pedindo por ajuda."

"Quem pode culpá-la?" Draco murmurou.

"Ela pressionou o corpo dela contra o seu para te aquecer Draco," Charlie esclareceu. "Ela teve treinamento de primeiros socorros dos trouxas. Felizmente pra você."

"Claro," disse Draco, se inclinando contra os travesseiros. "Essa é a história dela."

"Nós te trouxemos para cá, onde foi descoberto que a origem do seu ferimento era uma perfuração no seu ombro direito. O ferimento foi considerado de natureza não-mágica, e tanto sua hipotermia quanto a perda de sangue foram rapidamente tratados. Você deve agradecer o Professor Snape por fornecer à nós uma poção que é geralmente usada para tratar ataques de Vampiros, que devolveram à você o sangue que perdeu..."

"Ataques de Vampiros?" Draco ecoou, pensando novamente em Rhysenn, e sua pele branca e lábios vermelhos. Ela tinha dito que não era uma Vampira, mas...

"Você não foi mordido por um vampiro, Draco," disse Madame Pomfrey. "Você não tem marcas de mordida em você. Mas nós adorariamos saber como você acabou sendo ferido. Você sabe quem te atacou?"

Houve um longo silencio. Draco examinou Harry, que estava parecendo pálido e sério. Mas ele, de qualquer forma, parecia melhor do que antes. Seus olhos não estavam fundos em olheiras.

"Eu estava lá fora," Draco disse lentamente. "Eu estava indo pro campo de Quadribol para, uh, encontrar alguém -"

"Quem?" A pergunta de Snape foi súbita em direção à ele como uma cobra venenosa.

"Eu," disse Harry prontamente. "Porque nós íamos, uh.."

Draco estava atolado, depois então achou um fundamento. "...Trabalhar no nosso dever de casa para o nosso projeto de Defesa Contra as Artes das Trevas e..."

"Ele tinha que ser feito à noite, por que..."

"Construir um Feitiço Localizador exige um mapa estrelar," Draco finalizou cansado.

"E você não poderia fazer isso na Torre de Astronomia?" Charlie exigiu.

"Abarrotada demais com pessoas dando amassos," disse Draco firmemente. "Condições de trabalho terríveis."

"Mas eu estava atrasado," Harry continuou, "porque eu, uh, dormi demais, e..."

"E eu estava praticando um pouco de mágica por conta própria," Draco disse, se entusiasmando com o enredo. "Para, uh, preparar pro nosso projeto e..."

"E ele jogou uma maldição que ricocheteou e atingiu ele no ombro," disse Harry com contentamento.

"Eu não joguei," disse Draco.

"Ah, sim você jogou," disse Harry.

"Eu acho que você esta se lembrando do que eu te contei de forma incorreta, Potter."

"Então porque você não nos conta como você arrumou esse buraco no seu ombro, Malfoy?"

Draco cerrou seus dentes. "Eu joguei uma maldição que ricocheteou e me atingiu no braço," ele resmungou.

"Descuidado da sua parte," disse Harry com óbvio prazer.

"Talvez um Priori Incantatum possa vir à calhar aqui. disse Snape suavemente.

"Draco não usou sua varinha," Harry disse rapidamente. "Eu... eu suponho."

"Draco levantou sua mão esquerda. "Sem varinha," ele disse.

"Feitiços de Magid," disse Snape sombriamente. "Ambos fora da cama esgueirando-se por ai depois de escurecer. Usando maldições. Filch iria pendurar vocês nas masmorras presos pelos seus dedos polegares, por conta disso."

Harry pareceu meio horrorizado.

"Talvez eu possa lembrá-lo," disse Draco, "que detenção é uma forma antiquada de punição"

"E detenção vocês terão," disse Dumbledore. "Vocês dois, começando quando voltarem das férias de natal. E também vinte pontos de cada uma de suas casas. Eu irei considerar o dano feito fisicamente a você, Draco, e mentalmente à você, Harry, por resultado dessa aventura como sendo o resto da punição de vocês."

Ambos os rapazes olharam para o chão. Draco foi o primeiro a falar. "Diretor..." ele começou devagar. "Os...o que os outros estudantes vão...eles não vão se perguntar..."

"Sobre mim?" Harry esclareceu.

"Os olhos de Dumbledore cintilaram brevemente. "Eu confio em vocês dois para inventar uma história que eles vão acreditar," ele disse. "Eu tenho fé máxima em vocês."

"Obrigado, Professor," Draco disse, não exatamente certo do que ele estava agradecendo, mas se sentindo agradecido apesar de tudo. Pelo voto de confiança, quem sabe. "E... nós sentimos muito."

Tanto Snape quanto Charlie olharam para Dumbledore, que encolheu os ombros, e se ergueu com um rangido de pé. "Muito bem," ele disse. "Eu gostaria de vê-lo em meu escritório mais tarde, Senhor Malfoy, quando você estiver inteiramente recuperado."Ele olhou para Harry, e depois de volta para Draco. "Sozinho," ele esclareceu.

Draco se sentiu ruborizar. "É claro, Professor."

Snape e Charlie também se levantaram, e Charlie olhou com expectativa para Harry, que deu uma olhada para Dumbledore. "Eu gostaria de ficar," ele disse. "Se estiver tudo bem."

"Normalmente, fora dos horários de visita, somente a família..." Snape começou.

"Eu sou família," Harry disse.

Dumbledore concordou com a cabeça. "Sim, você é," ele disse. "E você pode ficar."


Quando Ginny deixou Herbologia à tarde, ela achou Ron e Hermione parados no caminho coberto de neve que se dirigia das estufas para a escola, esperando por ela. Eles estavam absortos na conversa, a cabeça vermelha escura de Ron inclinada na cabeça castanha de Hermione; e ela teve que pigarrear alto para chamar a atenção deles. Eles se viraram, parecendo surpresos.

"Hey, Ginny," disse Hermione. As bochechas dela coradas e ela agarrava com força um pedaço branco de pergaminho em sua mão fechada com luvas-vermelhas. "Eu vou pular o almoço e ir ver o Draco na ala hospitalar - Eu achei que talvez você fosse querer ir junto."

Ginny estava surpresa. "Ele pode ter visitas? Ele está acordado?"

"Ele esta acordado," disse Hermione. "E Harry esta com ele. "Ela abanou o pergaminho. "Ele mandou uma coruja e disse que nós deveríamos ir."

"Como o Harry chegou lá tão cedo?" Ginny perguntou, começando a andar pelo caminho.

"Passou a noite no chão," disse Hermione, soando divertida. "Você sabe como ele fica quando está preocupado. Se lembra quando aquele Balaço quebrou o braço do Ron ano passado, e Harry acampou do lado de fora da enfermaria e trouxe pra ele todo seu dever de casa?"

"Verdade," disse Ron. Ele estendeu uma mão para ajudar Hermione a subir dos passos que enfiavam na neve. "Mas eu não acho que ele passaria a noite no chão, alguma vez."

"Bem, Draco é um pouco diferente," disse Ginny, e estava prestes a adicionar que Draco era diferente porque havia de fato parecido que alguém tinha tentado matá-lo, o oposto à ele ter tido um acidente, mas Ron interrompeu.

"É, porque se Harry não ficar com ele constantemente, você sabe, Malfoy pode parar de respirar."

"Ron, nem mesmo diga isso," Hermione o advertiu gentilmente. "Harry só esta sendo um amigo - ele teria feito o mesmo por você. "Alcançando o topo das escadas, ela soltou da mão de Ron. "Na realidade, nós todos deveríamos ir visitá-lo. Você, também, Ron."

"Nãoooo," Ron lamentou, parecendo rebelde. "Eu não posso só limpar o banheiro dos monitores ao invés disso? Algo divertido?"

"Ele salvou sua vida uma vez," disse Hermione severamente.

"Eu salvei a vida dele duas. Eu continuo um ponto na frente dele."

"Você não pode só fingir que gosta dele? Como um favor pra mim?" Hermione pediu.

A oposição de Ron pareceu se esvaziar como a de um balão furado. "Oh, tudo bem."

Hermione sorriu com alegria. "Então vamos! Venham," e ela empurrou e abriu as portas do castelo, gesticulando para os outros dois a seguirem. "Você também, Ginny."

Ginny hesitou. "Ah, eu não sei..."

"Se eu tenho que ir, você tem que ir também," Ron disse, e agarrou o pulso dela. Ela o seguiu, seu coração golpeando com expectativa e nervoso. A grande felicidade dela de que Draco estava bem foi temperada com o nervosismo sobre vê-lo. Especialmente agora que ela estava quase certa de que foi ele quem a beijou quando ela estava dormindo. A menos que, é claro, tenha sido Snape. Mas isso era tão... Eca.

Madame Pomfrey os deixou entrarem na enfermaria com apenas um olhar de registro superficial. A enfermaria estava quente e cheia de luz. Na extremidade mais distante do enorme aposento, Ginny pode ver uma pequena e imóvel figura deitada numa cama contra a parede - Malcolm Baddock, ela presumiu. Ginny olhou rapidamente para longe de lá, e fixou seus olhos na cama com cortinas brancas logo à frente. A cortina se prendia do teto sem meios visíveis de suspensão, e elas eram meio-transparentes. Ela podia ver as sombras por trás: alguém sentado reto na cama, e alguém em uma cadeira próxima. Ela reconheceu o contorno do cabelo bagunçado de Harry, e sorriu. Enquanto eles chegavam perto, ela começou a escutar a voz de Harry, e depois Draco em resposta. "A Finta de Wronski não é um lance melhor do que o Deslize Paralelo de Luhzkin! Que drogas você andou tomando, Potter?"

Hermione parou no pé da cama, e puxou as cortinas. "Vocês estão falando de Quadribol?" ela disse, parecendo divertida. "Eu não posso acreditar que vocês dois realmente estão falando de Quadribol."

Ginny e Ron se juntaram a ela no final da cama a tempo de ver Harry olhar para cima surpreso, e rir. "De onde vocês todos brotaram?"

Ginny olhou para ele em surpresa enquanto ele ficava de pé. Ele parecia estar com os olhos brilhando e bem acordado, quase - vigoroso. Era como se algo o tivesse abalado para fora do seu exilo por vontade própria do resto do mundo. Ele abraçou Hermione muito forte, e a deixou ir relutantemente. "Eu não suponho que você trouxe qualquer coisa pra comer..."

Hermione riu e entregou à ele algo embrulhado em um guardanapo. "Invadi a cozinha," ela disse, e depois se virou para Draco, que estava sentado apoiado na cama, suas costas contra uma pilha de travesseiros que pareciam como se tivessem sido roubados de outras camas vazias. Ginny deu graças à Deus de alívio por dentro. Ele parecia quase normal, talvez um pouco cansado, mas seu rosto estava corado com uma cor saudável e suas ataduras do ombro pareciam inteiras. Ele estava vestindo os pijamas padrões da enfermaria listrados de azul e branco que o faziam parecer seis anos mais jovem. "Você esta bem?" Hermione perguntou à ele, a voz dela repentinamente gentil. "Eu teria te trazido algo também, mas eu não sabia..."

"Tudo bem." A voz de Draco estava forte. Normal. Era difícil de acreditar que ele tinha estado tão completamente perto da morte não ha muito tempo. Ela baniu o pensamento da neve manchada de sangue. "Eu não estou com fome." Seus olhos moveram-se para Ron e Ginny. "Olá, Weasley." Ele fez uma pausa. "Ginny."

Ron acenou com a cabeça para ele. "Feliz que você esta bem."

"Também estou," Ginny acrescentou depressa.

Hermione se sentou nos pés da cama. "Eles te falaram quando você pode sair?"

"Amanhã, provavelmente," Draco disse.

"Você vai poder ir ao Pub Crawl?" ela perguntou.

Draco deu os ombros. "Eu não iria ir de qualquer jeito," ele disse. "O Weasley aqui me quer rondando e amolando os alunos do sexto ano, não é?

Ron, que ainda parecia estar como se desejasse estar em outro lugar, agora parecia desconfortável. "Bem, você se voluntariou," ele disse.

"Oh, mas isso não vai levar a noite toda!" disse Hermione, parecendo ansiosa. "Vai? Você ainda deve ir, Draco - você só tem um Pub Crawl. "Ela se contorceu e olhou para Ron. "Ele não tem que ficar na escola a noite toda, tem?"

Ron parecia ainda mais desconfortável. "Bem..."

Draco encolheu os ombros, parecendo lastimoso. "Eu vou ver como me sinto. Eu quero dizer, eu concordei em fazer isso... embora talvez se eu estiver me sentindo muito fraco e enfermo isso não parece ser a melhor coisa pra -"

"Malfoy," disse Ron, soando exasperado. "Se você esta bem o suficiente pra ser liberado, você esta bem o suficiente pra sentar no salão principal e vigiar a porta!"

Draco parecia ainda mais miserável. Ginny queria abraçá-lo, mas reprimiu o impulso. "Mas eu não quero," ele disse.

Ron sorriu para ele claramente. "Você nunca ouviu a expressão, 'Quando a vida te der limões, faça uma limonada? '"

"Não," disse Draco. "Eu já ouvi a expressão, 'Quando a vida te der limões, faça uma limonada, e depois jogue ela na cara da pessoa que te deu os limões até ele te dar as laranjas que você originalmente pediu."

Harry começou a rir, e Ron olhou furiosamente para ele. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, de qualquer forma, as cortinas foram puxadas para o lado, e Madame Pomfrey espreitou para dentro, sua expressão divertida. "Tem alguém aqui para ver você, Draco," ela disse.

Era Blaise. Ginny instintivamente andou para trás enquanto a namorada de Draco andava afetadamente dentro do quarto, seus olhos verdes em chamas e seu cabelo ruivo caindo em volta dos seus ombros. Hermione pulou de pé de onde ela estava sentada na cama e se recuou para longe enquanto Blaise avançava em Draco, que parecia alarmado.

"Blaise...?" ele começou.

"Querido!" Blaise se lançou em cima da cama e jogou seus braços em volta de Draco, o abraçando ferozmente. Draco gritou de dor. Harry saltou de pé para sair do caminho dos abraços de moer os ossos, e foi ficar de pé perto de Hermione, parecendo entretido. "Eu vim assim que eu soube! Eu estava absolutamente apavorada até a morte!"

Draco dava tapinhas nas costas dela sem jeito. "Não faz mal, não faz mal," ele disse, ou pelo menos isso era o que Ginny acreditava que ele tinha dito - a voz dele estava abafada contra o corpo Blaise "Eu estou bem. Não causou nenhum dano."

"Não causou nenhum dano? Você podia ter sido morto. Você estava duelando?" Blaise se soltou dele. "E se você estava, porque não me chamou para ser sua substituta? Você sabe perfeitamente bem que eu sou a melhor em Maldições Retalhadoras e Tormentos Paralisantes do que qualquer outra pessoa na escola!"

Ron coçou sua garganta. "Eu vou apenas fingir que eu não escutei isso."

Blaise se virou em volta dentro do círculo dos braços de Draco, e olhou para ele. Depois ela sorriu, um travesso e divertido sorriso, os olhos dela deslizando para o distintivo de Monitor de Ron. "Eu sinto muito, Ron," ela disse, "Eu não tinha reparado em você ai." Os olhos dela deslizando para Harry, e depois para Hermione, e escureceram. Ela não olhou para Ginny. "O que é isso, uma invasão da Grifinória? Vieram para ver se vocês podiam acabar de vez com ele?"

"Isso mesmo," disse Harry, com grande sarcasmo. "Nós pensamos que se nós aparecêssemos aqui em um grande grupo, nós poderíamos matá-lo sob o disfarce da plena luz do dia e ninguém iria notar."

"Soa como um típico plano de Grifinórios," fungou Blaise. "O que vocês todos estão fazendo aqui, de qualquer jeito?"

"Assuntos oficiais -" Ron começou, mas foi cortado por um enorme barulho, como se alguém tivesse deixado cair uma pilha de pratos. Ginny deu um salto, e se inclinou pela cortina que bloqueava a cama. Madame Pomfrey estava de pé a poucos metros, enchendo frascos de poção na pequena farmácia perto da parede. Ela se virou, também, e estava encarando em direção a cama mais distante onde Malcolm Baddock estava deitado inerte - só que ele não estava mais inerte. Ele estava se movendo, aparentemente se esforçando para se sentar. No chão junto a sua cama estava um copo de água quebrado, golpeado para fora da mesinha de cabeceira. Com uma exclamação de "Pelo Bom Deus!" Madame Pomfrey se virou e correu através do quarto.

Ginny colocou sua cabeça de volta para dentro e se virou. Os outros estavam olhando para ela curiosamente. "Malcolm Baddock - ele esta acordado," ele anunciou

A boca de Blaise se abriu. "Ele está? Ele acordou?"

Ginny concordou. "Parece ser isso."

Draco deu tapinhas gentilmente no ombro de Blaise. "Vá ver se ele está bem, ok?"

Blaise não precisou ser ordenada duas vezes. Com uma olhada distraída para Draco, ela escorregou para fora da cama, ficou de pé, e correu para fora da pequena área, encostando de leve em Ron enquanto saia. Ginny deu uma segunda olhada quando seus olhos caíram em seu irmão - Ron tinha ficado terrivelmente branco, e tinha agarrado com força o encosto de uma cadeira para se firmar como se ele tivesse medo de que pudesse cair. "Ron!" ela disse, chocada. "Você esta ok?"

Ele negou com a cabeça. "Eu - não me sinto bem," ele disse, sua voz apertada.

"Bem, você veio ao lugar certo," disse Draco.

"Cala a boca, Malfoy," disse Ron, e não tinha nenhum humor em sua voz e nem provocação. Draco pareceu surpreso.

Ginny olhou para o seu irmão, preocupada. "Posso te trazer um pouco d'água?" ela perguntou, e ele concordou. Ela convocou um copo vazio e foi enche-lo na pequena pia da enfermaria. A pia, contra a parede, era perto da cama de Malcolm. Malcolm estava sentado, completamente pálido e parecendo muito espantado, com Blaise e Madame Pomfrey pairando de forma solícita sobre ele. "O que aconteceu comigo?" ele estava perguntando. "Como eu cheguei aqui?"

"Nós não sabemos o que aconteceu à você, Malcolm," Madame Pomfrey estava dizendo. Ela estava no meio de convocar frascos de transfusões mágicas dos armários ao lado do quarto; eles voaram em volta dela como um pequeno enxame de pássaros. "Qual a última coisa que você se lembra?"

"Eu... eu estava no meu caminho pro banheiro dos monitores, e me lembrei que eu tinha deixado meus pergaminhos de História da Magia na sala de reunião, e então eu parei lá, e quando eu abri a porta, eu..." Malcolm fez uma pausa e franziu as sobrancelhas, uma linha de concentração marcando sua testa. "Eu..."

"Você o que?" Blaise exigiu, e foi recompensada com um olhar rígido de Madame Pomfrey.

"Eu não me lembro," Malcolm anunciou com desespero. "Eu não me lembro de nada depois disso..." Ele olhou suplicante para Madame Pomfrey. "Quanto tempo eu estou aqui? Eu perdi o Baile de Inverno? E a partida remarcada que nós teríamos com a Grifinória? Me diga que eles não ganharam, aqueles bastardos convencidos..."

Ginny pegou sua água e retornou para os outros em um passo rápido. Quando ela puxou as cortinas, ela viu que Harry e Hermione estavam paparicando Ron em excesso, que parecia estar tentando enxotar eles para longe. Draco estava sentado em silêncio em sua cama, dobrando o pergaminho que Ron tinha lhe dado em uma forma desigual, mas entretido. "É verdade, Malcolm acordou," ela disse, entregando o copo de água para o seu irmão, que estava agora completamente esverdeado. "Alguém deve ter colocado um Feitiço de estagnação temporário nele ou algo assim."

"Bem, quem?" perguntou Draco, parecendo interessado - Malcolm era, apesar de tudo, um de seus próprios Artilheiros. "Ele sabe?"

Ginny sacudiu a cabeça. "Ele não se lembra de nada."

Ron esvaziou o copo que ela tinha dado a ele, e o colocou na estante ao lado da cama. "Isso é bem ruim," ele disse. Alguma cor estava começando a voltar para o seu rosto - a água deve ter ajudado. "Não se lembra de coisa alguma?"

"Isso foi o que ele disse," Ginny respondeu, se sentando no pé da cama. "Eu fico imaginando o que aconteceu com ele?"

"Coisas estranhas estão em ação na Escola de magia de Hogwarts," Harry recitou enfatizando sua voz.

Hermione estava sacudindo sua cabeça. "As coisas tem estado muito estranhas ultimamente. Eu estou aliviada de que o Natal esta chegando e todos nós podemos voltar pra Mansão."

"Certo," disse Ron, "porque nada de estranho nunca acontece ."

Draco fez uma careta para ele, mas Ron não percebeu. Ele estava olhando para Harry. "Nós tínhamos a intenção de treinar agora," ele disse. "Você quer que eu comande o time?"

"Oh." Harry pareceu assustado. "Uh..."

"Na verdade, eu estou cansado," Draco disse. "Harry, você pode ir."

Harry pareceu como se fosse dizer alguma coisa, mas Draco olhou para ele, e ele fechou sua boca. Ginny estava totalmente certa de que eles estavam conversando daquele jeito que eles faziam às vezes, de forma que ninguém mais podia ouvir. Falando de mente para mente - ela se perguntava como isso seria, se era assustador e invasor ou confortável e normal. Isso não parecia aborrecer nem Draco ou muito menos Harry, que se virou para Ron e concordou. "Tudo bem. Você esta pronta, Ginny?"

"Claro." Ela deu uma última olhada em Draco, mas ele estava olhando para as próprias mãos. "Eu -"

"Querido!" Era Blaise, de novo, jogando as cortinas para o lado. "Malcolm esta bem - não é maravilhoso? É claro que ele não tem idéia do que aconteceu à ele, o que é muito assustador, mas Madame Pomfrey disse que ele vai recobrar a memória com o passar do tempo. Enquanto isso, ela disse que ele não pode jogar na partida remarcada no Sábado...e o que vocês todos continuam fazendo aqui?" Ela olhou furiosamente para os Grifinórios. "Em algum lugar, eu estou certa de que há um pequeno gatinho que está preso em uma árvore. Porque vocês não vão resgatá-lo? Levem o tempo que precisar."

"Nós já estamos indo, não que isso seja da sua conta," Ron começou irritado.

"Blaise, meu bem," interrompeu Draco, seu tom de voz agradável, e Ginny silenciosamente segurou um barulho de como se fosse vomitar - Draco chamando alguém de 'meu bem'? Hermione parecia igualmente horrorizada. "Você poderia me fazer um favor?"

Blaise se sentou na beira da cama. "É claro, qualquer coisa."

"Você poderia pedir a Mark Nott se ele concorda em jogar conosco no Sábado? Ele é um bom jogador e nós poderíamos realmente aproveitá-lo. Eu teria perguntado a ele por mim mesmo, mas... "Draco fez um gesto abrangente que mostrava a enfermaria.

"É claro que eu posso," ela disse, se inclinando para frente, e o beijando. "Eu vou agora mesmo," e ela saltou de pé, lançando um olhar mortal para os Grifinórios. "Honestamente," ela disse em voz alta. "Eu entendo que você tenha que checar o Draco pra mãe dele, Harry, mas você precisa trazer seus guarda-costas?"

Harry parecia cara-de-pau. "Eu não posso evitar," ele disse, olhando de Hermione, para Ginny, e para Ron. "Eles são simplesmente tão fofinhos, graças as suas pequenas meias de algodão."

"Vai andando agora, Blaise," disse Ron. "Ou você gostaria que eu tirasse pontos da Sonserina?"

"Os olhos da garota da Sonserina se estreitaram. "Você acha que esse distintivo de Monitor chefe te faz importante, não acha, Ron," Blaise disse, em uma espécie de voz ronronada, ela estendeu a mão, e acariciou seu dedo delicadamente sobre a frente prateada do distintivo dele. Ron parecia como um coelho preso em uma armadilha com refletores de luz por cima, não se moveu. "Isso não é... meigo."

Ela deixou sua mão cair, sorriu, e sem dizer mais nada andou para a saída, seus saltos produzindo um barulho no chão de pedra. A porta da enfermaria bateu atrás dela.

"Namorada legal que você arrumou, Malfoy," disse Ron ácido.

"Obrigado," disse Draco. "Eu a fiz eu mesmo."

"Até mais, Malfoy," disse Harry em tom de finalização, acenou para Draco, e pegou o braço de Ron. "Nós estamos indo treinar."

"E eu estou indo para as aulas," disse Hermione, se estendendo para pegar sua mochila do lado da cama.

"Na verdade," Draco disse depressa, "Você poderia ficar por um segundo? Tem uma coisa que eu quero te perguntar."

"Oh," disse Hermione, e se endireitou em pé. "Eu..." Ela deu uma olhada em direção à Harry, que concordou com a cabeça enfaticamente. "Claro," ela disse, e se sentou na cadeira perto da cama. "O que você quer me perguntar?"

Ginny apurou a sua audição, tentando escutar a resposta de Draco, mas Ron e Harry já tinham começado a andar lá pra fora, e ela não teve outra escolha a não ser segui-los. Dando uma espiada para trás, tudo que ela podia ver de Hermione e Draco eram suas sombras, projetadas contra as cortinas brancas.


"Certo," Draco disse sem preâmbulo, assim que Harry e os outros estavam fora do alcance de escuta. "Agora que eles todos ja se foram, porque você não me conta o que diabos está acontecendo com o Weasley?"

Hermione piscou os olhos para ele em surpresa. "Ron? O que tem ele?"

O lábio de Draco se curvou em um sorriso de descrença. "Você não pode honestamente dizer que não notou nada de estranho sobre o comportamento dele neste instante?"

Hermione sacudiu sua cabeça. Ela tentou pensar. Ela tinha estado preocupada sobre Draco, e se concentrando nele. E também em Harry, visto que ela também tinha estado preocupada sobre ele - ele tende a ficar aturdido quando pula as refeições.

E Ron...? "Não," ela disse. "Mas eu estou certa de que você vai me dizer."

"Te dizer o que? Que seu aliado cabeça-vermelha esta agindo de modo bizarro? E você deixou escapar? Eu suponho que você tenha tido tanta diversão jogando o excitante jogo "O que Diabos Esta Acontecendo Com Harry" que você perdeu a seqüência ainda mais excitante, "Caramba, Algo Esta Acontecendo com o Ron Também!"

"Bem, o que esta errado com ele?" Hermione exigiu, exasperada.

Draco pareceu presumidamente indiferente. "Eu não saberia te dizer. Esse é o seu trabalho, não é? Ele é seu amigo."

"Como você consegue dizer isso como se fosse um insulto?"

"Não é minha culpa se você escolheu ser totalmente amiguinha de um ruivo desajeitado que cresceu demais e perdeu em uma batalha de esperteza para uma iguana empalhada."

"Você pensa que eu não vou te bater só porque você esta no hospital, não é?" Hermione disse calmamente. "Pense novamente."

Ela ficou satisfeita de ver que Draco se arrastou vários centímetros para trás. "Eu não tenho idéia do que o maníaco do Weasley tem debaixo da *touca dele," Draco disse. "Mas eu sei que alguma coisa está perturbando ele. Não tão surpreendente que ele não tenha te contado, eu suponho."

NT: Essa "Touca/Bonnet" que o Draco se refere, na verdade tem pontas para baixo, e não tenho idéia se existe um nome em português pra isso, mas é a touca que o Rupert usou no 3º filme, ou seja, é característica do Ron.

"Ron me conta as coisas!" Hermione esbravejou.

Os olhos de Draco se estreitaram levemente. "Ele já te contou alguma vez que ele ressentia o Harry por ser famoso e ficar com toda a atenção?"

"Não, mas eu sei que ele ressentia. Eu não creio que ele sinta mais isso, a propósito."

"Ele já te contou alguma vez que ele te ressente por ter terminado com ele, e depois ter ido direto pra cima do Harry?"

Hermione olhou para Draco em espanto. "Não."

"Você não acha que ele ressente isso nem um pouquinho?"

"Não, eu não acho. E você sabe o por quê?"

Draco sacudiu sua cabeça.

"Eu não terminei com o Ron," Hermione disse. "Ele terminou comigo."

Draco se sentou para frente com tanta surpresa que Hermione sentiu a cama dar um solavanco. "Sem chance. Sem chance que o Weasley terminou com você."

"Sim, ele terminou," disse Hermione, jogando sua mente de volta para aquela noite de inverno do Quinto ano, Ron parado em frente à lareira da sala comunal da Grifinória. As sombras transformando seu cabelo vermelho, em preto. Eu não acho que nós devemos continuar mais isso, ele havia dito. Eu acho que isso foi um erro. Eu pensei que nós nos sentíamos de um jeito sobre o outro, mas eu estava errado.

"Ele terminou - isso foi idéia dele."

"O que você fez?" Draco perguntou. Ele parecia transtornado, e seu cabelo claro estava de pé ao redor da sua cabeça como pequenas chamas prateadas. Ele parecia ter dez anos.

"Eu chorei," disse Hermione. "Eu acreditava que nós estávamos supostos a ficar juntos. Todo mundo achava. Até mesmo Harry, eu acho. Parecia exatamente que agente se ajustava como um casal. Eu iria ficar com Ron, e Harry iria ficar com Ginny, e nós todos iríamos nos casar e passar o Natal juntos todo ano."

"Que revoltante," disse Draco.

"Bem, sim, e o grande problema ali era que Harry não amava Ginny, e eu não amava de verdade o Ron - e eu creio que ele também não me amava. Nós estávamos só tentando nos encaixar dentro desses moldes, que as pessoas fizeram para nós com as expectativas deles. Então eu chorei quando Ron terminou comigo - mas eu estava aliviada, de certa forma. Eu estava sempre aterrorizada de que nosso o namoro iria arruinar a nossa amizade de algum jeito, e então quando o namoro tinha acabado, e a amizade não estava destruída, eu senti como se um peso gigantesco fosse retirado de mim. Nós tentamos, e isso não deu certo, e agora não haveria mais pressão. Apesar de que a Senhora Weasley não estava nada feliz comigo naquele ano. Eu não acho que ela tenha acreditado no Ron de que ele tinha terminado comigo."

"Você se preocupava de que seu namoro com o Ron iria arruinar a amizade de vocês?" Draco perguntou, parecendo curioso. Hermione olhou para ele de lado - Draco havia se tornado uma completa improvável 'Tia Angustiante', e ele nunca antes pareceu remotamente interessado na história dela com Ron. Mas ele parecia bastante sincero. "Você não se preocupou assim com o Harry?"

"Não." Ela se sentiu corar. "Mas eu suponho que isso é o que 'estando desesperadamente apaixonada' faz com você." Por dentro de sua mente, ela estava vendo aquele dia em frente ao Espelho novamente, Harry parado lá, ensopado de água e dizendo todas aquelas coisas inacreditáveis para ela - e ela mal acreditava naquilo, até mesmo quando ele a beijou e ela sentiu o gosto da chuva na boca dele - aquela noite, sozinha na cama, ela chorou de novo, de forma intensa e terrível e como se ela nunca mais fosse parar. A dor de amar Harry como ela sempre o tinha amado, era algo puro e ignorado, e ter aquele amor repentinamente retribuído era como ter uma faca arrancada de sua própria carne. E ela tinha chorado com o choque de perder isso. A sua dor se tornou parte dela, e ela se perguntava como ela seria ela mesma sem essa dor.

E depois tiveram outras razões que ela teve para chorar, razões profundas que ela mesma não entendia completamente.

"Se ao menos você tivesse compreendido esse seu negócio de estar apaixonada pelo Harry um pouco mais cedo," Draco disse, sua voz denunciando nenhuma emoção. "Teria te poupado um monte de problemas com Ron."

E comigo, os seus olhos disseram, embora sua boca não tenha dito.

"Eu não encaro isso como um problema," Hermione disse. "Isso era algo que eu tinha que fazer. Mas é claro, eu queria que tivéssemos compreendido isso mais cedo."

Draco sacudiu sua cabeça. "Difícil de imaginar duas pessoas que podem ser tão cegas," ele disse. "Eu teria imaginado que esse pequeno exercício de fracasso teria te ensinado alguma coisa, mas aparentemente não."

Hermione olhou para ele em surpresa, atormentada. "O que isso esta suposto a significar?"

"Só que algumas vezes eu não posso dizer se você é honestamente estúpida, ou se você só não enxerga as coisas que não quer ver."

Hermione olhou furiosamente para ele. "Bem, nós compreendemos tudo isso agora, muito obrigada."

"Claro que compreenderam."

"Isso vindo do cara que tem sua própria vida sentimental totalmente organizada," Hermione rebateu. "Você acha que a Blaise repara que você parece enjoado toda vez que ela te toca?"

"Não, mas aparentemente você repara," Draco rebateu logo em seguida.

"É um pouco difícil de não reparar!"

"Certo," ele disse. As bochechas dele estavam avermelhadas de aborrecimento, seus olhos cinza queimando. "Especialmente se você estiver vigiando."

"Eu não estou -" Hermione começou, e se controlou enquanto Madame Pomfrey enfiou sua cabeça pelo lado de uma das cortinas, e olhou com raiva.

"Não excite o paciente," ela disse rigorosamente, e andou para longe fungando aborrecida.

Draco disse alguma coisa incompreensível.

"O que?" Hermione exigiu de forma afiada.

Draco deu a ela um olhar irritado. "Eu disse," ele falou através dos dentes, "que esse não era o motivo pelo qual eu queria que você ficasse para que conversássemos."

"Eu não trouxe isso à tona. E eu não estou certa de que eu queira mais escutar qual é o seu problema!" Ela esbravejou, e começou a se levantar.

"Espera," ele disse, e pegou o braço dela. O fogo havia sumido dos olhos dele; agora ele parecia assustado, como se tivesse percebido que disse mais do que queria. "Harry disse que eu deveria te perguntar se quisesse ajuda," ele disse rapidamente. "Ele estava certo. Eu deveria ter perguntado antes. Eu não perguntaria agora se não fosse importante."

Agora ela estava levemente alarmada. Ela se sentou de volta, e Draco soltou o braço dela. "O que é? É algo sobre o Harry?"

"Não esta vez, não. É sobre mim. "Draco achou um fio solto no punho da manga do seu pijama, e estava puxando e mexendo nele. Ela sabia que ele odiava pedir ajuda, detestava isso ainda mais do que Harry. "Eu tenho - tido sonhos."

"Não." Ela quase se desequilibrou e caiu em cima dele, mas se apoiou em um travesseiro. "Não - o tipo de sonhos que você costumava ter?"

"Não." Os olhos dele não tinham deixado de olhar para o punho de seu pijama. "Nada sobre nenhum tipo de vida passada, não esse tipo de coisa. Esses são em tempo real - esses são acontecimentos que estão realmente acontecendo enquanto eu estou vendo eles. Eu estou certo disso agora." Ele olhou para cima. "É como se eu tivesse aberto uma janela para um lugar que eu nunca estive, mas é um lugar real, Hermione."

Ela tremeu quando ele disse seu nome. Havia uma intensidade na voz dele que ela não tinha escutado há muito tempo. "Você reconheceu o lugar?"

Ele sacudiu sua cabeça. "Não, mas eu poderia descrever pra você em detalhes. "É um lugar mágico sombrio, eu sei disso. Talvez nós pudéssemos encontrar alguma referencia dele em 'Le Grand Grimoire' ou o 'Dicionário dos lugares desagradáveis. "Ou -"

Hermione sorriu para ele. "Eu conheço a seção proibida tão bem quanto você, Draco," ela disse. "Bem, talvez não tão bem. Mas bem o suficiente. Se você me der uma descrição boa o suficiente do que você viu, nós podemos partir desse ponto. Além disso," E ela começou a contar itens nos dedos da mão, notando pelo canto do seu olho que Draco estava observando ela com uma expressão divertida, "eu quero saber se você só adormeceu e se encontrou nesse lugar ou você teve que forçar sua mente para lá, e se há pessoas nos seus sonhos, se elas podem te ver ou não - eu quero saber se você é um sonâmbulo ou esta tendo visões reais."

Ele concordou. "Tudo bem," ele disse. "Você precisa de pena e pergaminho?"

"Eu vou pegar alguns," disse Hermione, e se levantou. Os olhos dele a seguiram enquanto ela moveu-se para puxar a cortina de lado.

"Tem mais uma coisa," ele disse. "Não me deixe esquecer de te contar - tem uma garota."

Hermione parou, a mão dela na perna da cama. "Uma garota?" ela perguntou de forma neutra. "Quem é ela?"

A luz fraca prateou os olhos de Draco enquanto ele olhava abaixo para as roupas de cama. "É isso que eu quero que você descubra. "O nome dela é Rhysenn. Rhysenn Malfoy. Mas eu não creio que ela seja realmente humana..."


"Ele esta mentindo para nós," disse Charlie. "Não está, Direitor?"

"Quem está mentindo, Charles?" Dumbledore deu uma olhada para cima de sua posição por trás da mesa para o jovem rapaz à frente dele. Os olhos dele, atrás dos óculos dourados, não estavam brilhando de forma alguma, mas estavam melancólicos e pensativos.

"Draco," disse Charlie. Ele se levantou de onde estava sentado transversalmente à Dumbledore, se sentindo inexplicavelmente inquieto, e atravessou para a parede Norte, onde havia uma janela com vista para o gramado. Bem, algumas vezes havia uma janela. O escritório de Dumbledore tende, como as escadarias, a mudar de um dia ao outro. "Não foi um duelo que saiu errado que deu à ele aquele ferimento," ele disse, descansando uma mão na vidraça da janela. Lá fora, o céu estava nublado e cinzento, o cinza perolado de uma vista marítima no inverno. Ele podia claramente ver o campo de Quadribol dali, os Aros do Gol se esticando para o céu como galhos de árvores sem folhas e descascados. Havia um amontoado de pequenas figuras agrupadas em baixo, na entrada do campo, embora eles estivessem longe demais para ele vê-los claramente.

"Sem a menor dúvida," disse Dumbledore. "Na realidade, eles dois estão mentindo."

"Harry, também? Eu imaginei que devesse estar."

"É claro que ele esta," disse Dumbledore, seus olhos ofuscados enquanto ele olhava acima para Charlie.

"Isso é o que eu quero lhe perguntar, Charles - você foi o primeiro professor a chegar ao lado de Draco, não foi?"

Charlie concordou.

"Você reparou quantos conjuntos de pegadas havia em volta dele?"

"Hum." Charlie concordou, recordando-se. "Eu estava justamente pensando isso, Professor. Me pareceu, pelas marcas na neve, como se ele não tivesse andado até onde estava. Haviam apenas dois conjuntos de pegadas: As de Harry, e daquela garota da Lufa-Lufa. Ele deve ter caído de algum lugar, e não caminhado até lá."

"Sim. Eu acredito que ele tenha. Aqui, pegue isto," disse o Diretor, e estendeu para Charlie um aparentemente bem gasto, par de Onióculos, que obviamente já havia tido muito uso. Sua mesa era de fato coberta com uma variedade de úteis objetos mágicos - um desiluminador de prata, um macroscópio, e o que era claramente um protótipo da nova geração dos Integradores-de-Sonhos parado perigosamente perto de um pote destampado de Mel.

Charlie pegou o Onióculos e o focalizou na paisagem fora da janela, observando do ponto onde ele tinha achado Draco aquela manhã, até em cima.

"É justamente abaixo da Torre Norte. Que é fora dos limites, certo?" ele disse.

"Você diz isso como se o termo 'fora dos limites' tivesse algum significado para a maioria dos alunos daqui. Especialmente Harry e Draco."

"Mas porque eles iriam se incomodar de ir lá em cima?"

"Porque, de fato?" Dumbledore encolheu os ombros. "Agora, se tivesse sido a Torre de Astronomia, eu poderia aventurar um educado palpite."

Charlie abafou uma risada. Isso era bom, ele supôs, saber que algumas coisas não mudaram desde de seus próprios dias de escola, incluindo a popularidade da Torre de Astronomia para propósitos não relacionados com Astronomia. "Eu vou lá em cima da Torre Norte dar uma olhada ao redor, é possível, Professor?"

"Certamente, Charlie. Isso seria útil."

"Enquanto isso..." Charlie inclinou o Onióculos para baixo, então ele estava olhando para o grupo parado no campo de Quadribol. Duas brilhantes cabeças vermelhas brotaram na visão dele imediatamente: Ron e Ginny. Seamus Finnegan e Elizabeth Thomas estavam lá também, como os irmãos Creevey. O time da Grifinória devia estar tendo treino. Os jogadores estavam todos olhando em direção a extremidade mais distante do campo, onde Harry estava de pé. Ele parecia estar apontando para os Aros e para trás: esclarecendo algum ponto tático para o jogo. Todos pareciam estar prestando atenção exceto Ron, que estava se divertindo em amarrar as longas tranças de Ginny juntas em um nó. "O que nós devemos fazer a respeito de Draco? Devemos investigar alguns feitiços protetores, ou mandá-lo pra casa, ou -"

"Não," disse Dumbledore. "Nós não faremos nada."

Charlie abaixou o Onióculos em surpresa. "Nada? Isso não é um pouco perigoso?"

"Eu não posso evitar sentir," disse Dumbledore lentamente, "que qualquer e todo esforço feito para proteger tanto Draco quanto Harry nesse caso - além de como eles já estão protegidos, por estarem aqui em Hogwarts - vai no final das contas, ser tanto desnecessário quanto improdutivo. Nenhum dos meninos vai aceitar ser protegido de bom grado. Você viu como Harry reagiu à sugestão de que você estava tentando protegê-lo do conhecimento que ele poderia não gostar, mesmo que, naquele caso, você não estivesse protegendo. Se tentarmos reprimi-los, eles vão se rebelar contra os repressores, e nós perderíamos eles inteiramente."

Charlie ficou calado um momento. Então ele levantou o Onióculos de volta para os seus olhos e olhou novamente para fora da janela, a tempo de ver Harry decolar em sua vassoura, e planar no ar acima das cabeças dos seus companheiros de time. Charlie não estava certo se Harry estava ilustrando outro ponto de estratégia de jogo, ou se ele tinha simplesmente decidido que não podia mais agüentar estar no chão. Charlie sempre amou observar Harry voar, porque Harry o lembrava dele mesmo nessa idade - o mesmo prazer devastador em voar, o mesmo comportamento que dizia que em deixar o chão, ele tinha deixado todas suas preocupações e problemas para trás. Ele voava como uma flecha, reto e preciso e inabalável, seu cabelo preto chicoteando ao lado do seu rosto. Ele nunca seria tão belo quanto Draco era, mas quando ele voava, ele era belo.

"Mas se eles chegarem a nos pedir para ajudar, nós devemos ajudá-los?" Charlie disse, ainda tentando fazer sentido do que Dumbledore tinha acabado de dizer.

"É claro. Se Draco chegar a me pedir por feitiços protetores, eu darei eles a ele."

"Mas eles não pediriam ajuda. Harry, especialmente, nunca vai pedir."

"É claro que não," Dumbledore disse. "Pense nos primeiros onze anos da vida dele. Ele cresceu sabendo que era ele que deveria lidar sozinho com os pesadelos, que ninguém iria vir para confortá-lo. Que se ele estivesse sentindo dor, ele não poderia esperar nenhum socorro ou simpatia. Que se ele estivesse perdido, ninguém iria se dar ao trabalho de ir achá-lo. Que se ele morresse, ninguém se lamentaria por ele. Uma educação dessas dificilmente gera uma criança que procura voluntariamente por assistência em tempos de dificuldade."

"Diretor, com todo respeito..."

"Sim?"

"O senhor escolheu essa infância pra ele."

"Sim," disse Dumbledore. "Sim, eu escolhi."


Passaram-se dois dias antes que deixassem Draco sair da enfermaria, e mesmo assim Madame Pomfrey estava de pé e torcia suas mãos enquanto ele saia, parecendo como se estivesse completamente certa de que ele iria retornar mais tarde em vários pedaços.

Ela também o perguntou se ele queria alguém para escoltá-lo de volta ao seu quarto, mas ele disse à ela que preferia ir sozinho. A medida que ele andava através dos corredores em seu caminho de volta as masmorras da Sonserina, ele notou que as novas decorações do Baile de inverno tinham sido prontas aquele dia, e percebeu com uma leve pontada que é claro, o Pub Crawl seria aquela noite. E é claro, ele não poderia ir.

Ele tinha estado um tanto interessado de que os Sonserinos iriam ser legais com ele quando ele voltasse, mas eles não foram. Rumores baseados na história que ele havia contado à Blaise em segredo (O que significa é claro, que agora a escola inteira sabia disso) diziam que Draco tinha sido ferido como resultado de se preparar para um duelo com Harry, e que Harry tinha corrido para fora do Salão Principal por culpa, preocupação familiar e medo de Narcisa. Variações dos rumores estavam voando densa e rapidamente, e enquanto Draco lamentava a dedução geral de que ele não podia lançar um feitiço propriamente sem isso ricochetear e quase arrancar seu braço fora, ele era merecedor de ter um pouquinho de paz de espírito.

Naquela noite antes do Pub Crawl, Draco permaneceu sozinho em seu quarto, se observando pensativamente no espelho sobre sua penteadeira. O espelho mostrava à ele o seu próprio reflexo, descoberto da cintura para cima. Ele estava pálido (algo não surpreendente, já que era inverno) e contra o seu ombro a cicatriz onde a flecha o tinha atingido estava curada, e se parecia como uma pequena estrela prateada contra a pele. Para alguém tão jovem, isso ocorreu à ele, ele tinha certamente feito uma notável quantidade de danos na carne desmarcada com que nasceu. Havia a linha esbranquiçada embaixo do seu olho direito, onde Harry acidentalmente o cortou com um fragmento pontiagudo de um frasco de tinta. Havia também a cicatriz prateada e reluzente na palma de sua mão, e se ele se inclinasse mais perto do espelho ele poderia ver a linha fina e branca no seu lábio inferior, onde ele mordeu através da pele quando o Lord das trevas o torturou. Ele gostava de suas cicatrizes. Elas eram como traços tênues de um mapa que marcávamos os grandes eventos de sua vida. Ele era, é claro, especialmente ligado à cicatriz em sua mão, a única que ele adquiriu voluntariamente.

Ele estendeu a mão para pegar suas roupas e se vestiu devagar, mesmo que fosse frio nas masmorras. Ele pode ter passado a tarde inteira sozinho, mas não havia razão para ele não se arrumar o melhor que pudesse. Ele escolheu calças pretas, feitas de um material pesado e caro, e um suéter verde escuro. Sua veste de baile era preta, cheia de um fino serpeado de prata e bordada com um enfeite de constelações separadas em lascas de cristal. A pesada fivela de prata na garganta que segurava a sua capa, era também esculpida em um formato de constelação: Draco, o dragão. Enquanto ele fechava a fivela, seu ombro doeu com uma breve e ardente dor aguda.

Quando ele deixou seu quarto, os corredores já estavam cheios de gente - garotas correndo para os banheiros com os seus cabelos feitos pela metade, garotos em suas vestimentas de festa dando à si mesmos uma última olhada nos espelhos. Draco avançou lentamente por eles passando para o Salão Comunal, onde uma enorme chama estava queimando na lareira. Em pé ao lado do fogo estava Malcolm Baddock, em vestes azul-marinho sobre um paletó escuro, e junto dele estava Blaise. Ela estava de pé perfeitamente posicionada, de forma que a luz do fogo fazia seu longo cabelo incandescente se tornar um enfeite esplendoroso, e o tênue contorno do corpo dela estava transparente através de sua capa cinza claro. Ela sorriu quando o avistou. "Draco," ela disse, e estendeu sua mão.

Ele foi em direção a ela. Uma parte dele estava contente de que ela não estava com raiva, embora como ela pudesse estar - todos sabiam que Dumbledore o tinha proibido de deixar os terrenos antes do Natal, e ela dificilmente poderia esperar que ele desobedecesse a essa ordem. Então ele nunca nem mesmo teve que dizer à ela que já havia concordado em não ir ao Pub Crawl, o que até era um belo brinde (se alguém pudesse considerar a conseqüência de quase sangrar até a morte um 'brinde'.) Ele odiava brigar com Blaise, provavelmente porque ela tinha uma afiada e esperta percepção quando colocava sua alma no assunto, e muitas vezes lhe disse coisas sobre ele mesmo, que ele teria preferido não ouvir. "Olhe pra você," ela disse. "Você esta deslumbrante."

"Assim como você também esta," ele disse, e era a mais pura verdade. Blaise parecia estonteante como sempre, desde o seu vestido de cetim acobreado, apertado e curto, até seus sapatos Designer Manolo Blahnik com uns 15 cm de salto agulha. O cabelo dela estava para cima, preso levemente na nuca e adornado com contas de luz reluzentes. Ele a beijou na bochecha e ela aceitou o beijo graciosamente. Malcolm observou, sorrindo com os olhos estreitos que combinavam com suas vestes azul e preta. Antes que ele pudesse cumprimentar Draco, Tess Hammond se juntou à eles, parecendo mais uma parede de tijolos em vestes escarlates, e Pansy Parkinson, em suas vestes normais, uma touca de lã de inverno, e calça jeans.

"Pansy," Falou Blaise com a voz arrastada. "Você não vai desse jeito, não é?"

"Eu não vou de jeito nenhum," disse Pansy friamente. "Eu vou ficar aqui e entregar folhetos. Eu concordei em fazer isso."

"Eu não consigo imaginar o porquê," disse Blaise, arqueando o nariz para o ar, e pegando o braço de Draco. "Que absolutamente entediante." E ela andou enfaticamente em direção a saída da masmorra, todos os outros sendo rebocados atrás dela. Draco deixou sua mente vazia enquanto Blaise o dirigia para cima das escadas e abaixo nos corredores que conduziam ao Salão principal. "Eu não sei o que esta acontecendo com a Pansy," Blaise estava dizendo na orelha dele enquanto eles entraram no Salão de Entrada antes do Salão Principal, as portas do castelo completamente abertas. "Ela sempre leva horas para ficar pronta, tem cosméticos suficientes para estocar uma das menores lojas do pai dela - você deveria ver todas as loções e poções que ela tem - e então hoje, ela surge parecendo alguma coisa que o gato vomitou no tapete. Eu te pergunto."

"Fascinante," disse Draco com uma notável falta de sinceridade, mas felizmente Blaise ficou em silêncio enquanto eles pararam para olhar em volta a decoração. Hogwarts tinha se superado dessa vez. Gigantescos pendentes de gelo flutuavam no ar, envolvidos com enfeites prateados. As quatro imensas árvores de Natal em cada canto do aposento estavam decoradas com luzes brilhantes em formato de flores, e doces empacotados. As grandes mesas de canto que normalmente decoravam o salão tinham sido transfiguradas em Renas de aparência amigável, embora infelizmente elas continuassem a não ser mais inteligentes do que próprias mesas, e não paravam de esbarrar com força nas paredes. Draco soltou a mão de Blaise e pulou para o lado quando uma Rena por pouco não o acertou com seus chifres.

Blaise bufou. "Essas coisas imbecis não deviam ser permitidas," ela opinou e olhou furiosamente para a criatura ofendida. "Suma daqui!" ela ordenou, e, com um disparar de cascos, a Rena fugiu. Draco deu uma risada. Todos tinham medo de Blaise, até mesmo a mobília.

Blaise devolveu o sorriso dele com um olhar satisfeito, que se modificou em um bico preocupado. "Você vai ficar bem, não vai querido?" ela perguntou. "Eu ficaria aqui com você, mas..."

"Não, você não deve perder o seu Pub Crawl," Draco assegurou a ela firmemente. "Divirta-se." Ele olhou para Malcolm Baddock, que estava em pé com Tess (Pansy tinha desaparecido, presumidamente para distribuir folhetos), olhando arrogantemente em volta do aposento. "Tome conta dela, Malcolm," ele disse, e beijou Blaise delicadamente, perfume de jasmim exalava levemente. Ele a guiou até a porta, e a observou ser conduzida pelos degraus por Malcolm e Tess com uma mistura de sentimentos de arrependimento e alívio. Ele provavelmente poderia ter convencido Blaise em passar a noite com ele nas masmorras, fazendo o que ela chamava "coisas que eu não posso contar para o meu pai porque ele pensa que eu sou uma boa garota", o que era freqüentemente bom para matar pensamentos irritantes que de outra forma atormentariam ele - mas ele realmente não queria. Isso requeria muita energia dissimulada, e ele estava exausto.

Malfoy. Como você anda?

Ele escutou a voz de Harry em sua cabeça, nítida e forte, e sabia que ele devia estar perto. Ele se virou devagar e escaneou o salão. Ele viu Ron primeiro, porque ele era tão alto - sua cabeça vermelha brilhante era sempre visível por cima de uma multidão. Ele estava no meio de um grupo de Grifinórios que estavam rindo e conversando juntos. Agora que os Weasleys tinham um pouco mais de dinheiro, Ron estava sempre impecavelmente arrumado - Draco suspeitava que os anos de roupas puídas e usadas tivessem pesado muito em Ron quando ele era mais jovem. Ele vestia vestes azul-escura precisamente moldada sobre um paletó cor de grafite, e seu distintivo de Monitor cintilando sobre seu peito. Ele estava falando com um emburrado Neville Longbotton, que parecia triste em vestes laranjas. Próximo à ele estava Harry, com suas costas viradas para Draco, segurando Hermione pela mão.

Eu estou bem, Potter. E você?

Bem. Harry se virou, e Hermione se virou com ele. Você parece muito elegante pra alguém que não vai ao Pub Crawl, Harry comentou, e sorriu.

Você também não esta horrível, Draco respondeu. E era verdade. Harry tinha o tipo de aparência não chamativa que poderia mudar repentinamente de juvenil e rotineira, para interessante e sensacional. Agora mesmo ele parecia impressionante. Sua capa era preta, orlada com azul escuro, sobre uma camisa azul celeste e calças pretas, e ele conseguiu, de alguma forma, amansar temporariamente seu cabelo. Como você domou isso?

Um pouco de ajuda da Hermione, disse Harry, e Draco o viu (provavelmente inconscientemente) apertar a mão de Hermione contra a dele. Ela olhou acima para Harry e sorriu, e Draco olhou para longe depressa, mas a imagem permaneceu em sua cabeça. Ele não podia ver o vestido que ela usava, ela estava embrulhada firmemente em uma leve capa branca, mas ele viu o jeito que o seu cabelo castanho escuro caia macio e brilhante sobre os seus ombros, presos com grampos em forma de flores brancas, e ele se lembrou da primeira vez que a tinha visto bem vestida desse jeito, quando ela tinha quatorze anos assim como ele. Ele nunca tinha pensado nela como uma garota antes disso, muito menos uma bela garota, muito menos uma linda garota. Malfoy...você vai ficar bem?

Eu queria que as pessoas parassem de me perguntar isso, Draco falou de mau humor, com mais força do que pretendia. Isso é só um maldito Pub Crawl, Potter, Não a copa mundial de Quadribol.

Harry levantou as duas sobrancelhas (Draco tinha sempre se sentido superior enquanto ele podia levantar só uma, e Harry não conseguia) e parecia a ponto de responder, mas então a multidão de Grifinórios pareceu chegar a uma decisão em conjunto e começaram a se agitar em direção as escadas em um tumulto de garotos em capas escuras e garotas em vestidos multicoloridos. Hermione se sobressaia no meio deles, em sua capa branca, como uma flor pálida em um canteiro de rosas brilhantes. Ela deu a ele um breve olhar, o examinado, enquanto eles passavam, e sorriu. Ele não sorriu de volta. Apoiado contra o batente da porta, Draco observou eles todos marcharem os degraus em dois e três, berrando e dando risadas, Harry, Ron e Hermione na parte de trás, mantendo-se juntos e bem perto como eles sempre fizeram. Embora, nós últimos degraus, eles pararam, e Harry e Ron se viraram para Hermione, que estava gesticulando urgentemente.

Draco viu Harry concordar, e então Hermione beijou sua bochecha, virou, e correu de volta para cima dos degraus, seu capuz branco caindo para trás e seu cabelo escuro sendo pego pelo vento. A capa dela se abriu e ele viu que o vestido por baixo, assim como a própria capa, era todo branco. Por um momento ele ficou parado e somente apreciou esteticamente a imagem que ela produzia: Todo cabelo escuro e pele clara contra a notável palidez do vestido e da capa, como se ela tivesse envolvido sua beleza morena em um manto de neve. As bochechas dela estavam vermelhas, seus olhos muito brilhantes. Levou um momento antes que ele percebesse que ela estava correndo para ele - ele ficou rígido em surpresa quando ela alcançou o topo dos degraus e pegou em suas mãos. Ele sentiu a suave lã das luvas dela aquecer-se contra a pele dele. "Por favor, venha com agente para Hogsmeade," ela disse. "Nós queremos você conosco. Harry disse que você pode pegar a capa dele se você quiser, então ninguém vai saber." Ela fez uma pausa. "É o nosso primeiro Natal juntos... venha."

"Nós já tivemos outros seis, você sabe."

"Não," ela disse. "Nós não tivemos. Não juntos."

Draco olhou abaixo para as mãos deles entrelaçadas. A dela estava com luvas de lã branca, a dele com pretas, e juntas, os dedos deles envolvidos relembravam as teclas de um piano. Ele olhou para além dela, para baixo nos degraus do castelo, onde Harry e Ron estavam esperando. Harry estava olhando para eles, o vento soprando seu cabelo preto contra seus olhos. Atrás dele, Ron era uma mancha escura contra a neve branca, até mesmo seu cabelo intenso foi escurecido pela noite. Ele estava olhando em direção à Hogsmeade.

"Esta tudo bem," Draco disse. "Eu vou ficar aqui."

Ela olhou para ele, seus olhos escuros inquietos. Em suas orelhas cintilavam os pequenos brincos de diamantes parecidos com estrelas, que Harry deu à ela pelo seu aniversário em Setembro. "Você tem certeza? A capa está embaixo da cama do Harry, e a senha é..."

"Eu tenho certeza."

Ela mordeu seu lábio. "Certo."

"Feliz Natal Hermione," Draco disse, e soltou as mãos dela. Ela recuou para longe dele com um sorriso meio pesaroso, se virou e andou pela escada em direção a Harry. Ele pegou a mão dela com a dele, acenou um adeus para Draco, e depois eles três tinham ido, sob a brilhante luz da lua, desaparecendo pelo caminho enfeitado por entre as árvores.


"Alas, my love, you do me wrong

To cast me off discourteously

For I have loved you for so long,

Delighting in your company."

"Ah! Meu amor, você me entendeu mau

Para me jogar fora de modo descortês

Apesar de eu ter lhe amado por tanto tempo

Me deleitando em sua companhia."

"Bem, eu consegui as fazer cantar," disse Harry, olhando abaixo para o vociferante grupo de taças de vinho com hastes-verdes que estavam em cima da mesa na loja, Kelley & Pings's Casa das Curiosidades Encantadas. "Agora como é que eu faço pra elas calarem a boca?"

Hermione deu risada da expressão confusa no rosto dele. "Oh, elas cantam 'Greensleeves'," ela exclamou, vindo para ficar ao lado dele. "Harry, este é um presente adorável para Narcissa e Sirius."

"E são da época certa, não é?" Harry perguntou, colocando um braço em volta dela. Ela sentia-se aquecida e contente - a loja cheirava a canela e maças, e do lado de fora da janela ela podia ver a cidade de contos de fada que era Hogsmead, cada vitrine das lojas brilhando com velas douradas e prateadas. Estudantes em capas brilhantes e vestidos perambulavam para cima e para baixo pela Rua fria, entrando e saindo de iluminadas lojas aquecidas e Tavernas. Ela estava com Harry, e Ron estava sentado em uma mesa do lado, perto o suficiente para se alcançar, examinando um espelho enfeitiçado que ele estava considerando comprar para o aniversário de Ginny no começo de Fevereiro. Tudo estava perfeito - bem, quase tudo.

"Greensleeves não é uma canção de natal," Hermione disse alegremente. "É uma canção de amor."

E como se isso fosse uma dica, as taças encantadas se lançaram no segundo verso da música.

"Now if you intend to show me disdain

Don't you know it all the more enraptures me,

For even so I still remain

Your lover in captivity."

Hermione deu um tapinha na taça próxima com a sua varinha, e a música parou.

"Justamente quando eu estava começando a gostar," disse Harry, com um leve tom de protesto.

"É um bom presente, Harry," ela disse firmemente. "Compre elas."

"É, compre," disse Ron, olhando para cima e rindo, "Eu estou cheio de ver vitrines - Eu quero ir para a Adega e ver o que Fred e George prepararam."

Os olhos de Harry se acenderam. "Oh, certo - eu também quero." Ele olhou ponderadamente para as taças, e encolheu os ombros. "Eu vou levá-las - só é uma pena que elas não cantem 'I May Be A Tiny Chimney Sweep But I've Got An Enormous Broom...'" (Eu Posso Ser Um Pequeno Limpador de Chaminés Mas Eu Tenho Uma Vassoura Enorme)

Tendo arranjado para que as taças fossem mandadas via coruja para a Mansão na época apropriada, o trio se direcionou para a loja de Fred e George. Os gêmeos tinham realmente se superado com a sua decoração para o estabelecimento. Feitiços de ilusão tinham transformado a gigantesca entrada principal em uma paisagem de floresta, completa com Dedo-Duros, um Fiuum, um Gnomo da floresta e alegres Furanzãos. Havia um chafariz de vinho, lagos de chocolate, e videiras penduradas, que examinando mais de perto, se mostraram ser alcaçuz de maça-verde. As folhas das árvores eram de hortelã (e se fossem mordidas, transformavam o descuidado que a mastigava continuamente, em um grilo por cinco minutos. O aposento estava cheio de cricris). Bandejas de prata cobertas com doces flutuavam em intervalos - Hermione ignorou uma bandeja de Licor de Amasselha com a teoria de que provavelmente era melhor poupar os amassos para o fim da noite. Terry Boot e Padma Patil estavam se alternando no Bungee-jumping que descia para um Poço sem Fundo, que havia sido alugado para a ocasião. Ron queria testar, mas Harry sacudiu a cabeça. "Cair em um Poço sem Fundo uma vez já foi bom o bastante pra mim," ele declarou.

N/T: Descrição dos benditos bichos:

*Jobberknoll(Dedo-Duro) é encontrado no norte da Europa e nas Américas. É uma mistura de ave azul, toda sarapintada, que se alimenta de pequenos insetos. Não produz som nenhum até a hora de morrer quando deixa escapar um grito longo formado por todos os sons que ouviu durante a vida, regurgitados de trás pra frente. As penas do Dedo-Duro são usadas em soros da verdade e poções da memória.

*Fwooper (Fiuum) é uma ave africana com plumagem extremamente colorida; pode ser laranja, rosa, verde-clara ou amarela. Há muitos anos o Fiuum fornece penas para canetas de luxo bem como põe ovos com desenhos em cores vivas. A princípio prazeirosos, o canto desta ave acaba levando quem o escuta à loucura.

*Jarvey (Furanzão) é encontrado na Grã Bretanha, Irlanda e América do Norte. Assemelha-se a um furão de grande porte na maioria das espécies, exceto pelo fato de que é capaz de falar. Uma conversa propriamente dita, porém, ultrapassa a capacidade do Furanzão, que tende a se limitar a frases curtas e em geral grosseiras ditas num fluxo quase contínuo.

Fonte: Animais Fantásticos e onde habitam.

A atração principal da noite, para à surpresa de todos, se mostrou ser Oliver Wood, de férias da sua estrelar posição como Goleiro para o União de Puddlemere. Oliver era um dos mais festejados jovens jogadores de Quadribol do país, notícia que não era surpresa pra ninguém que já o tinha visto jogar alguma vez. Não era tanto por ele ser talentoso - coisa que ele era - mas por ele ser implacavelmente determinado, e sempre foi.

Ron assobiou com a visão da multidão de garotas dando risadinhas e garotos fascinados com a fama, todos juntos em volta de Oliver, que estava sentado com Fred e George em uma cadeira dentro de uma tenda flutuante coberta com cortinas de fogo. Jana e Angelina estavam lá também, e dizer que elas pareciam inteiramente não afetadas pela presença de Oliver, teria sido um exagero. Ambas estavam corando e sorrindo. George e Fred, que estavam comendo um enorme Pirulito Troca-Cor, pareciam desconcertados.

"Quem teria imaginado que Oliver se tornaria um chamariz de mulheres?" disse Ron, sorrindo enquanto escolhia um copo de chocolate quente amanteigado de uma bandeja prateada flutuante. "Fred e George costumavam dizer que a única garota que iria ter uma chance com ele algum dia, seria uma com pernas realmente esguias e uma excelente audição - desse jeito ela poderia convencê-lo de que ela era a Copa Mundial de Quadribol."

Harry jogou um olhar de relance para Hermione. "Você vai me deixar pelo Oliver, então?"

"Não," disse Hermione, "mas talvez eu te deixe por aquela mesa de chocolate bem ali." Ela se arqueou nas pontas dos pés e encarou as mesas de comida e doces que se estendiam ao longo das paredes. Havia Bolas de chocolate-branco, Licores de Amasselha, Puxadinhos de gelo feitos de açúcar, e Pingüins de menta adocicados. O estomago dela roncou levemente. "Você deveria ir dar um Oi para o Oliver, Harry - ele sempre gostou muito de você."

"Mas tem uma multidão em volta dele -" Harry começou a dizer com vergonha.

Hermione bufou. "Ele vai falar com você," ela disse firmemente, e deu à ele um leve empurrão. "Então, vai lá."

Harry foi, e Hermione se direcionou para cima da mesa para agarrar o último Picolé Nunca-Derrete de uma prataria de ouro antes que Lavender Brown (que já tinha comido três) pudesse surrupiar ele. Ron, indo atrás dela, se contentou com uma Sardinha Açucarada. Hermione olhou para ele e enrugou o nariz. "Como você consegue comer essas coisas?"

"Prática," disse Ron, e mordeu a Sardinha ao meio com habilidade.

"Argh," disse Hermione, de maneira decidida.

"Mmm. Crocante." Ron riu em volta da Sardinha. "Eu te desafio a comer uma."

"Urgh. Sem chance."

"Vamos lá." Ele estendeu a Sardinha, e ela ria e afastava a mão dele para longe.

"Você nunca comeu aquele Pirulito de sangue que eu te desafiei à comer no terceiro ano," ela ressaltou orgulhosamente.

"De qualquer forma eu lambi ele." Ron estremeceu. "Eu estou completamente certo de que aquilo é o gosto que a Maldade deve ter."

"Bem, eu não vou lamber sua Sardinha."

"Não," interrompeu Lavender, que esteve obviamente escutando. "Harry não iria gostar disso, não é?"

Ron engasgou com o seu doce.

"Lavender!" disse Hermione, mas Lavender já tinha se esgueirado para longe com um sorrisinho maléfico. Hermione suspirou e olhou para Ron. "Eu não acho que ela jamais tenha te perdoado por aquele seu comentário do Urano," ela disse.

Mas Ron estava olhando para além dela, em direção a tenda flutuante em cima do Lago de Xarope de hortelã. "Harry parece diferente," ele disse. "Melhor."

Hermione se virou e olhou para onde ele estava olhando, e viu Oliver Wood se levantando para dar à Harry um abraço amistoso. Ela notou com uma pontada que agora Harry estava mais alto que Oliver. "Ele esta um pouco melhor esses dias," ela disse. "Eu só espero que continue assim."

"Você sabe o por quê?" Os olhos de Ron estavam intensos. "Você disse alguma coisa pra ele?"

"Bem, eu disse um pouco, mas eu realmente não creio que tenha sido eu. Eu acho que tem algo haver com o Draco quase ter sido morto. Eu acho que o Harry esta tentando e tentando se focar em outras coisas além do que o esta perturbando, e isso deu à ele algo para se concentrar. Você sabe como ele é. Ele gosta de ter alguma coisa pra fazer, pra sentir que ele esta sendo eficiente. De outra forma..."

"Ele perde o controle," Ron terminou.

"Isso mesmo."

"Bem, é ótimo que ele tenha voltado ao controle. Eu só espero que isso permaneça desse jeito." disse Ron.

"Você não parece muito feliz."

"Eu estou," disse Ron lentamente, e ela podia perceber que ele estava medindo seu discurso cuidadosamente, "mas considerando que ele passou seis meses se recusando a me contar o que esta errado, e desconversando quando eu pergunto à ele, me deixa pessimista quando eu escuto que o problema se curou por si mesmo. Ele deve estar deixando isso de lado por enquanto, mas esse problema vai simplesmente retornar depois, o que quer que isso seja."

Hermione mordeu seu lábio e olhou de volta para a tenda. Harry já havia saído, e estava se movendo de volta em direção à eles através da multidão. Ela não teve problema em distinguir seu cabelo escuro e capa listrada de azul nem mesmo entre o grande grupo de pessoas. Mas por outro lado, ela sempre esteve certa de que ela e Harry seriam capazes de achar um ao outro em qualquer multidão, que até mesmo em um baile à fantasia eles iriam conhecer o outro instantaneamente, pelo toque, ou som ou instinto. Ela se virou de volta em direção à Ron.

"Isso não é justo," ela disse, sua voz baixa e feroz. "Não é justo."

Simpatia brotou em seus olhos azuis. "Eu sei," ele disse. "Mas você não pode deixar isso atrapalhar o curso da sua vida, Hermione. Harry não iria querer isso." Não iria? Ela pensou, enquanto Harry veio para ficar de pé ao lado dela, e pegou sua mão com a dele. Não iria, mesmo?


Draco ficou de pé na porta de entrada do castelo e observou os alunos do sétimo-ano partirem, até que os jardins ficaram vazios e ele pode mais uma vez escutar o vento. Então ele se virou, e foi de volta para dentro. Apesar das decorações festivas, havia certa melancolia solitária no salão de entrada uma vez que todos os alunos já tinham partido. A única pessoa lá era Pansy Parkinson, segurando firme uma grande caixa de presente verde com laço vermelho. Ela olhou furiosa quando viu Draco, e desapareceu abaixo pelas escadas que conduziam para as Masmorras da Sonserina, sua sola da bota estalando por cima dos pedaços de enfeite descartados e confetes que se espalhavam pelo chão.

Draco olhou ela sair, deu os ombros, e se direcionou para as portas duplas na parede distante. Elas balançaram e abriram para deixá-lo passar, e ele finalmente caminhou para dentro do Grande Salão.

O Baile de Inverno começou antes do Pub Crawl, então pareceu à Draco como se o jantar já tivesse sido devorado, e a dança tivesse começado. A cada ano a decoração era bem semelhante ao ano anterior: luzes incandescentes, velas finas e brilhantes, fileiras de árvores de pêra em que nos galhos gorjeavam perdizes agitando suas pálidas asas. Brilhantes pacotes surpresas flutuavam por volta de um metro e noventa do chão (Weasley teria batido sua cabeça em um, Draco imaginou) e de vez em quando acontecia uma grande explosão abafada, quando um estudante escolhia um pacote no ar e o estourava, enchendo o ar com pétalas de flores, pequenos doces, ou uma chuva de brinquedos.

Draco deu uma olhada na pista de dança, procurando, de certa forma contra sua vontade, por flamejantes cabelos vermelhos. - e lá estava Charlie, dançando com a Professora Sinistra, que tinha um olhar completamente predatório em seu rosto. Lupin estava na mesa dos professores, tendo o que parecia ser uma desconfortável conversa com Snape. Dumbledore estava absorto em uma conversa com Madame Pomfrey. O olhar de Draco passava rápido pela multidão, na maioria composta por alunos mais jovens que ele não reconhecia, e então os dançarinos se separaram como água, e lá estavam eles.

Ele viu Ginny primeiro. Seu vestido de cetim verde a fazia parecer como um delicado caule de flor, coroado com pétalas de cabelo de fogo. Seus ombros delgados estavam expostos acima do vestido, sua pele muito branca, manchada com ouro onde as luzes das velas a tocavam. Seamus, loiro e bonito em vestes azul escura, segurava Ginny pelas mãos e a estava puxando em direção à pista de dança; Ginny estava rindo e sacudindo sua cabeça. Ela parecia feliz: tão descomplicada. Isso fez Draco ficar triste de um jeito que ele não esperava.

Eles dois começaram a dançar. Draco se lembrou de como é dançar com Ginny. Ela dançava do jeito que ela se parecia com seu cabelo brilhante flutuando ao seu redor: como fogo, resplandecente e ligeiro. Ele viu Seamus tropeçar, acompanhando ela na dança. Ele estava conciso e egocentricamente divertido. Não que ele estivesse surpreso que Seamus não pudesse manter os passos com ela. Teria sido difícil manter os passos com o fogo. Ela girou para longe de Seamus novamente, e dessa vez ele nem mesmo tentou segui-la; em vez disso, rindo, ele a puxou de volta na direção dele, e colocou seus braços em volta dela. As mãos dele se encontraram no dorso das costas dela, onde o vestido afundava em formato de V, os dedos dele brancos contra o cetim verde. Ginny se moveu sem reclamar para dentro do círculo do seu abraço, deslizando suas mãos acima para fechar em volta do pescoço dele.

Draco se virou. Ele se sentiu bisbilhoteiro, observando, e desesperadamente fora de lugar. Silenciosamente, ele se afastou do público dançarino e se encaminhou de volta para a entrada. Ele se recordou de Hermione pegando suas mãos com as dela, e suplicando para ele ir junto para Hogsmead. Ele não queria fazer isso também, de qualquer forma. Não era divertido estar com Hermione, Ron e Harry todos juntos. Eles criaram um círculo fechado que nenhum intruso podia penetrar. E nem ele pretendia tentar isso. Ele empurrou as portas duplas e passou através delas, inconsciente de que Ginny tinha girado dentro do círculo dos braços de Seamus para observá-lo ir.

Ele caminhou pelos degraus de entrada do castelo e se direcionou para o Leste, em direção ao jardim de rosas. Estava vazio e adorável sob as estrelas, o chão empoeirado com uma iluminação açucarada coberta de neve. Ele fez seu caminho pela passagem estreita entre dois arbustos decorados com luzes coloridas. Ainda era cedo, e nenhum casal apaixonado já tinha ocupado seu lugar nas moitas dos arbustos. Na realidade, ele estava sozinho. Sozinho em um jardim que cheirava fortemente à rosas e floresta, sob um céu coberto com brilhantes fragmentos de estrelas. E ele se sentiu... solitário. Isso não era comum para ele. Ele havia crescido de uma criança completamente independente para um rapaz completamente independente.

As outras pessoas tinham sempre aparentado não serem totalmente reais, fantoches sendo movimentados através de um palco escuro. Nunca tinha ocorrido à ele, até esse ano, que ele talvez precisasse de mais alguém, ou querer mais alguém. Que existiam outras pessoas no mundo tão reais e vivas quanto ele, ainda o surpreendia algumas vezes como algo chocante. Ainda mais estranho era que agora ele suspeitava que elas talvez fossem mais reais e vivas do que ele. Harry, Hermione, Ginny, eles pareciam irradiar um espírito brilhante em comum, do qual ele não fazia parte e não entendia verdadeiramente.

Ele viu Ginny novamente contra suas pálpebras fechadas, dançando através do salão de baile com Seamus. Ela parecia tão feliz. Ele nunca a havia feito feliz desse jeito. Talvez, depois de tudo, ele tivesse feito a coisa certa. Não até que seu sapato batesse contra alguma coisa dura, que ele se deu conta de que em seu estado distraído, ele tinha se desviado para fora do caminho e entrado no jardim ornamental de pedras. Ele se virou para voltar ao caminho, mas ele não estava mais sozinho. Havia alguém ali. Um alguém com ombros-desnudos e cetim verde cintilante, o seu rosto emoldurado em uma cascata de cabelos ardentes. Alguém que o estava observando tão intensamente quanto, mais cedo, ele a tinha observado.

"Ginny," ele disse.


Já passava da meia-noite, e o 'Três Vassouras' estava cheio de risadas e gritaria. Hermione, agradavelmente cansada e muito contente, se sentava em uma das longas mesas em frente ao fogo, suas luvas retiradas, um quente copo de cerveja amanteigada seguro em suas mãos. Parvati Patil e sua irmã Padma estavam sentadas no outro lado da mesa; Lavender já tinha desaparecido há um longo tempo atrás para se agarrar com Mark Nott, seu ficante sonserino-loiro-e-bonitão.

Com um bocejo, Hermione olhou para o lado mais distante do aposento, onde Harry estava perto de Ron. Eles estavam rindo de Neville, que, com Justin e Dean, estava jogando um jogo de Cabra-cega (Blindfold Spark), e tinha acabado de bater na parede. Ela viu Harry levantar suas mãos e virar Neville ao redor, de forma que agora ele estava encarando o caminho certo, e sorriu para si mesma. Neville foi ao caminho indicado, e Ron se inclinou para rir com Justin e Dean. Harry ficou onde estava, parecendo preocupado. Ela notou o jeito que o lugar pareceu se rearrumar em volta de Harry, assim ele se tornava seu ponto central. Mas talvez isso só acontecesse porque ele era o ponto central dela.

Levou um momento para que ela percebesse que mais alguém, alguém que tinha vindo se sentar perto dela, também estava olhando para ele.

Era Blaise Zabini. Ela tinha um leve sorriso em seu belo rosto, e seus olhos verdes - não tão claros quanto os de Harry, mas um escuro, verde florestal - estavam sombreados pelas suas grossas pestanas. Ela estava mordiscando muito ponderadamente uma Bomba de Licor de Cereja, comendo a cobertura vermelha açucarada da base do doce. "Você sabe," ela disse em um tom de conspiração, "Eu tenho que te cumprimentar pelo jeito com que você deixou o Harry apresentável. Eu costumava achar que ele tinha uma aparência terrivelmente engraçada, mas você realmente o aprimorou.

"Obrigada," disse Hermione cortês. "Obrigada, Blaise, por esse insulto encoberto."

"Oh, não pretendi ofender," disse Blaise com doçura. "Ele esta simplesmente deslumbrante agora. Eu poderia comê-lo inteiro com uma colher," e ela mordeu outro pedaço de seu doce, e sorriu.

"Se você vai olhar maliciosamente para o meu namorado, faça isso em outro lugar," disse Hermione friamente.

"Oh, eu não pensei que você fosse se importar," Blaise respondeu impertinente. " Afinal, eu ja te vi olhando para o meu," e então ela se foi, andando arrogantemente entre a multidão como se ela fosse dona deles. Hermione olhou para ela com repugnância, e com um pequeno sentimento frígido em seu coração. Ela se virou de volta para Parvati, que tinha as duas sobrancelhas levantadas.

"Eu não sabia que você conhecia ela," Parvati disse.

"E não conheço," disse Hermione resumidamente.

"Bem, Harry e Ron certamente parecem conhecer," disse Parvati, a voz dela carregada com ironia.

"O que...?" Hermione se virou, e viu, em pânico, que Blaise estava agora de pé próxima a Ron e Harry. Ela estava jogando seu brilhante cabelo para as costas e sorrindo, e tanto Ron quanto Harry a estavam encarando com idênticas expressões de assombro. "O que ela esta dizendo pra eles?" Hermione exclamou, se erguendo pela metade do seu assento.

Parvati fungou alto. "Eu não saberia dizer. Eu não falo à língua das 'vadias idiotas'. Ela fez uma pausa. "Bem, você podia ir lá descobrir!"

Hermione, se levantando, viu Blaise fazer uma coisa que se parecia muito com colocar uma mão no ombro de Harry e se mover mais para perto dele... Ela chegou ao lado de Harry em alguns segundos, se colocando entre Blaise e ambos os rapazes. Harry piscou para ela, parecendo surpreso. "Hermione! Decidiu que quer jogar Cabra-Cega?"

"Não," disse Hermione, ignorando Blaise, que estava olhando para ela com divertimento. "Eu quero sair pra caminhar."

Harry piscou os olhos para ela. "Não sozinha?"

"Não. Não sozinha." Hermione pegou a mão dele. "Com você." Ela olhou para Ron, que estava espiando entre ela e Blaise com uma expressão curiosa. "Você pode guardar o forte a salvo sem ele por um instante?"

Ron retornou o olhar dela com uma expressão de fato muito peculiar. "Claro, se é importante."

"É importante," disse Hermione, e puxou Harry atrás dela tão de repente, que os óculos dele voaram de sua mão; ela viu Ron pegar os óculos no ar pelo canto de seus olhos. Ela estava vagamente ciente de Blaise gritando atrás deles, algo sobre os garotos lá de fora atirarem bolas de neve em casais descuidados que estavam dando amassos, mas Hermione não prestou atenção. Ela empurrou a porta da frente do 'Três Vassouras' aberta, arrastou Harry atrás dela, e não parou até que estava no pé das escadas.

"Ok," disse Harry, assim que ela parou. Ela se virou para olhá-lo; ele parecia confuso. "Essa foi uma perfeita imitação de um morcego fugindo do inferno. O que está errado?"

Hermione olhou para ele, percebendo que estava sem fôlego. O ar frio já estava avermelhando as bochechas dele, e na luz fosca que vinha do 'Três Vassouras', seus olhos estavam muito verdes. "Eu só... queria ficar a sós com você," disse ela de forma não convincente.

"Ok," disse Harry outra vez, bastante tolerável. "Por quê?"

Ela abriu a boca para responder, e depois parou enquanto um grupo de risonhas garotas da Corvinal passou perto deles subindo os degraus. Com um suspiro, Hermione olhou pra cima e pra baixo da rua buscando por um lugar onde eles pudessem ir. No ano anterior ela e Ron tinham sempre ido ao beco atrás do 'Três Vassouras' para conversar e ficar sozinhos... Ela espiou para à esquerda e viu que o pequeno portão de ferro que barrava o caminho ainda estava lá. Ela gesticulou para Harry segui-la, e o conduziu rapidamente em direção a entrada do beco. Ela abriu o portão com um rápido Alohomora, e então ela e Harry passaram o portão, e ele o estava fechando atrás deles. Era um estreito, beco sem-saída, iluminado apenas pelas luzes que vinham da janela do 'Três Vassouras'. Os paralelepípedos sob os pés estavam brilhantes com o resplandecer do gelo, e havia caixas vazias de cerveja amanteigada e 'Vodka Sangue de Dragão' empilhadas negligentemente contra a parede.

Harry olhou ao redor, confuso - para as paredes de pedras lisas, a sombria escuridão, a estreita faixa de céu estrelado no alto. "Sobre o que você quer falar?" ele perguntou, e se virou para olhá-la. O vento soprou seu cabelo preto através do seu rosto, e na intensa luz da lua ela pode se ver refletida nos olhos dele.

Por um momento, ela se manteve ali, insegura. Ela só quis sair daquela sala, para ficar a sós com Harry. Mas agora que eles estavam lá fora, no cortante ar frio da noite, o céu acima cheio de estrelas e elevado, e ela não tinha nada que pudesse dizer para ele. E a noite estava adorável. Tudo parecia salpicado com diamantes, até mesmo o estreito beco imundo e as caixas vazias empilhadas contra as paredes. A luz das estrelas tingia o cabelo de Harry com prata, envidraçava sua pele nua com platina onde o colarinho de sua camisa caia para fora de sua garganta, e estrelava cada um de seus cílios extremamente escuros com uma luz perolada. O corpo dela tremeu quando ela olhou para ele, como se soubesse coisas que ela não sabia.

Ele estava olhando abaixo para ela, meio indagador, meio divertido, e depois o que quer que ele tenha visto nos olhos dela compeliu o divertimento de sua expressão. Ele tomou fôlego, e ela viu a pulsação na base da garganta dele começar a golpear forte, o sangue dele se agitando igual ao dela.

"Hermione..." ele começou, e apesar de todas as suas preocupações, ela o puxou para perto, com força contra ela, e o beijou.


Draco olhou para ela sem se surpreender, como se ele tivesse esperado vê-la ali. "Olá, Ginny," ele disse. "Esgueirando-se para Hogsmeade, não é? Eu temo que tenha de denunciar você."

Ela sorriu. Ela não podia evitar. Ele estava bonito na luz das estrelas, até mais do que o de costume. Seu cabelo prateado e olhos refletiam a luz pálida como espelhos, e as sombras descreviam os perfeitos ossos do seu rosto. Seamus era bonito, mas... se dando conta de que ela não deveria estar pensando em Seamus, ela direcionou o copo que estava segurando em suas mãos na direção de Draco, meio sem jeito. "Eu te trouxe um pouco de chá quente," ela disse. "Eu achei que você pudesse estar com frio aqui fora."

Chegando perto, Draco pegou o copo dela educadamente. "Obrigado," ele disse. "Legal de sua parte pensar em mim, especialmente quando você esta ocupada com o seu encontro, e tudo o mais."

"Bem, eu..."

"Ou você estava entediada?" Seus olhos claros examinaram o rosto dela com divertimento. "Dançar com o Capitão papelão não é tão maneiro quanto achou que seria?"

"Não, Seamus é um rapaz maravilhoso e..."

"Você sabe, eu bati nele com uma chaleira uma vez, e ele chorou como um bebê."

"Draco, ele era um bebê. Ele tinha quatro anos. Deixa isso pra lá."

"Eu deixei isso pra lá. Já foi. Olha, se você esta feliz eu estou feliz por você. Nós podemos... sair juntos pra encontros em duplas." Draco olhou para seu copo de chá quente, e então esvaziou em um só gole, como se ele estivesse esperançoso que tivesse álcool ali. (Não tinha álcool.) Ele amassou o copo vazio e atirou na direção das roseiras. O copo aterrissou entre os arbustos, e uma pequena Fada das Flores escalou o galho, olhando desaprovadamente para Draco, e desapareceu com o copo nas mãos.

"Bem, obrigada por estar feliz por mim," Ginny disse. "De verdade."

"Não de importância a isso."

"Agora que eu tenho Seamus, nós podemos ser amigos novamente sem Blaise se importar," ela adicionou colocando uma mecha de cabelo solta atrás de sua orelha. Ela estava ciente de que estava provocando ele, mas por alguma razão ela não sentiu que pudesse parar. "Isso não é maravilhoso?"

"Certo." Os olhos prateados dele estavam vagos e ilegíveis. "Amigos."

"Eu quero dizer, isso era parte do problema, não era? Blaise. Ela não gosta de mim."

"Eu não tenho certeza se ela gosta de alguém," ele disse, o que não era uma espécie de resposta.

"Ela deve gostar de você," Ginny disse.

"Eu não apostaria dinheiro nisso," disse Draco, fez uma careta, e sentou-se no banco de pedra mais próximo, se inclinando em suas mãos. Ele esticou suas longas pernas a sua frente, e olhou depressivamente para a ponta de suas botas, que cintilavam, pretas e polidas, na luz da lua. "Eu acho que metade da razão pela qual ela sai comigo, são os pais dela. "Eles são uma coisa e tanto." Ele suspirou. "Eu preferia não falar da Blaise, na verdade."

"Você não se importa de perder seu Pub Crawl?" Ginny perguntou à ele.

Draco encolheu os ombros. "Não muito. Eu realmente só queria ficar sozinho." Ele conteve-se com a expressão dela. "Esta tudo bem - eu estava começando a ficar solitário. Sente-se."

Ginny mordeu o lábio. Ela sabia que devia voltar para dentro - ela tinha dito a Seamus que estava indo lá em cima pegar outra capa, como se ela estivesse com frio, e ela não estava certa de até quando essa desculpa a iria segurar. "Tudo bem," ela disse. "Só por um minuto," e ela se sentou, tão longe dele quanto podia, no minúsculo banco que de forma alguma não era muito distante. "Eu estou feliz que você esta melhor," ela adicionou descontraída. Ela viu ele começar a sorrir, e acrescentou rapidamente, "Harry estava seriamente preocupado, e ele tem estado tão desanimado ultimamente..."

"Uh-Huh," disse Draco de forma neutra. "Ele parece melhor de qualquer forma, não parece?"

"Eu suponho... bem, você poderia ver dentro da cabeça dele se você realmente quisesse, não é? Você me responde isso então.

"Provavelmente eu poderia," ele disse. "Mas eu não faria."

"Porque não?"

Draco encolheu os ombros. "Eu respeito a privacidade dele." Ele inclinou sua cabeça pra cima para olhar o céu, seus olhos pensativos. Seu cabelo prateado jorrando luz das estrelas. "Ou talvez eu só não queira saber o que ele esta pensando."

"Você não confia nele?"

"Claro que eu confio. Mas você não pode controlar sempre o que pensa. Sobre o que você sonha, o que você quer. Se você pudesse, não haveria necessidade para tipos de coisas como auto-controle."

Ginny tremeu, e Draco se moveu para perto dela, como que em instinto. Ela se perguntou se ele tinha se dado conta do quão perto eles estavam sentados. "Harry tem bastante auto-controle," ela disse, em uma voz que pareceu fina aos seus próprios ouvidos.

Draco olhou para ela, quase como se estivesse surpreso. "Não, ele não tem," ele disse.

"Claro que ele tem! Pense nas coisas que ele fez. Quanto auto-controle ele deve ter tido pra trazer o corpo de Cedrico de volta para a escola - quando ele sabia o que estava enfrentando - e quando ele estava na Câmara Secreta, comigo-"

"Certo," Draco interrompeu um pouco irritado. "Obrigado, eu posso viver sem uma apresentação de Os melhores sucessos de Harry Potter."

Ginny olhou furiosamente para ele.

"Eu não estou minimizando nada do que ele tenha feito," disse Draco, sua voz levemente distante. "Não existe alguém tão corajoso, ou mais determinado - em um estilo descuidado Grifinório de ser. Mas isso não necessariamente representa o tipo de auto-controle que eu estou falando. Ele não esconde o que sente. Ele nunca foi capaz de esconder. Você não saberia - você nunca tentou manipular esse fácil acesso emocional dele. Eu já. Eu gastei anos tentando magoá-lo. Deixe-me te dizer, com o Harry você sempre sabe quando você marcou um ponto e realmente o machucou. O rosto inteiro dele se destrói. Tudo ao redor dele desmorona como se ele tivesse sido chutado em todos os lugares do corpo de uma só vez. É -"

"De cortar o coração," Ginny interrompeu.

Draco olhou para ela com olhos estreitos.

"Não, eu não continuo apaixonada pelo Harry," ela disse, respondendo a questão que não foi perguntada. "E eu não estou certa de que alguma vez eu estive - mas eu costumava gastar muito tempo observando ele. Eu sei exatamente o que você quer dizer."

Draco chutou um pedaço de cascalho com a ponta de sua bota. "Talvez você entenda," ele disse. "De qualquer jeito, é isso que eu quero dizer. Harry não pode esconder as coisas desse jeito. Ele é transparente como vidro. Fala sério, quando você percebeu que ele estava apaixonado pela Hermione?"

Ginny se sentiu corar. "Meu quarto ano," ela disse calmamente, "Talvez meu quinto - eu não estava aqui naquele ano, mas eu os vi todos no Natal na Toca. Eu me lembro que Hermione estava ensinando Harry como montar uma árvore de Natal dos bruxos, e eu o vi observando Hermione enquanto ela estava tecendo uma teia de luzes sobre um galho. Eu vi a expressão no rosto dele e eu só - soube." A garganta dela se fechou com a lembrança da dor desse momento. Não só a sua dor - ela também tinha sentido pelo seu irmão. Mais tarde eles tinham conversado sobre isso, e Ron havia dito que sempre soube, mas ela freqüentemente se perguntava se isso era verdade. Ele a havia chocado com o quão bem ele tinha encarado isso, quando isso aconteceu. Talvez um pouco bem demais. "E quanto - quanto a você?"

"Oh, no último ano," disse Draco, com um inesperado encolher de ombros. "Teria percebido mais cedo, mas eu estava um pouco cego por tudo aquilo dela-namorar-a-coisa-do-Weasley - oh, me desculpa. Seu irmão." Ele deu um sorriso, um relâmpago claro na escuridão. "Harry estava olhando pra ela na aula de Poções quando ele achou que ela não iria reparar. Olhando fixamente pra ela como se ela fosse água no deserto. Tão óbvio, realmente. Eu me lembro de capturar aquele olhar e pensar, "Aha. Ele esta enlouquecido com ela e é estúpido demais pra perceber isso. Me pergunto como eu posso usar isso?"

Ginny sacudiu a cabeça. "Isso é realmente grotesco, você sabe. E como você fez isso?"

"Como eu fiz o que?"

"Usou isso."

"Eu não usei. A coisa da Poção Polissuco aconteceu antes que eu tivesse chance."

"Justiça poética," disse Ginny, firmemente.

"O que?"

"Você me ouviu. Você estava prestes a usar o fato de Harry amar Hermione contra ele. E então..." A voz dela se esgotou antes que ela desviasse para dentro do território perigoso que eles tinham concordado em não discutir. "Que coisa horrível pra se fazer, que isso teria sido."

"Eu concordo," disse Draco, sua voz transparente e dura como vidro. "E tem outra coisa incômoda sobre isso."

"O que?"

"Bem, Eu não posso ter sido a única pessoa que teve essa idéia."

"Essa idéia?"

"De usá-la para atingi-lo. Vamos lá, Ginny. Todo mundo tem uma fraqueza. Ele é protegido em outros sentidos. Não onde ela esta envolvida."

"Bem, se deixar você mesmo amar alguém é uma fraqueza -" ela começou de forma rígida.

"É claro que é," disse Draco, como se ela tivesse dito alguma coisa muito estúpida.

"Eu acho que você esta falando igual ao seu pai," disse Ginny suavemente.

"Eu acho que eu estou falando demais," Draco respondeu, e se sentou ereto. "Não importa."

"Você esta subestimando o Harry," Ginny disse. "Ele nunca deixou danos acontecerem com ninguém que ele se importa. Se isso é uma fraqueza, então ele tem uma dúzia. Meu irmão. Sirius. Hagrid. Você." Ela estendeu a mão, e a colocou no ombro dele. O suave cabelo loiro prateado que caia por suas orelhas só tocou de leve o topo de seus dedos. "Ele não esta protegido em assuntos onde você esta envolvido, tampouco."

"Oh, não," disse Draco em um tipo de voz distante, "Eu acho que ele me sacrificaria junto com todo o resto."

"Draco -"

"Ele é um herói, não é? Isso é o que eles fazem. Sacrifícios por um bem maior."

"Ele precisa de você," Ginny disse.

Draco olhou para ela. Seus olhos claros e prata, intactos de nenhuma sombra de azul, verde ou cinza. "Harry não precisa de nenhum de nós nem um oitavo do que todos nós precisamos dele," Draco disse. É o que ele é, muito mais do que quem ele é. Ele é o herói, nós somos seus companheiros. Nós somos satélites. Nós giramos em volta do que ele faz."

"Você não acha que ele precisa de nós? Você disse que ele precisa da Hermione... não disse?"

"Ele esta apaixonado por ela," disse Draco. "E mais do que isso. Você sabe que ele quase foi selecionado pra Sonserina, não sabe? Isso, dentre outras coisas - ele sempre sente como se de alguma forma ele fosse uma fraude. Esse pensamento esta por trás da mente dele, a cada dia. É a razão de ele querer vencer, demonstrar sua capacidade o tempo todo, o porquê de ele nunca desistir, o porquê de ele não ter que ser só bom o suficiente, mas quase chegar perto da maldita perfeição. Ele tem medo do que ele pode ser capaz de ser, se ele não se segurar. Mas Hermione - ele me contou uma vez que ela o vê não do jeito que ele é, mas do jeito que ele queria ser. Que ela vê um mundo melhor do que o que nós vivemos um melhor Harry do que o Harry que realmente existe. Eu acho que ele vê Hermione como a custódia da sua melhor identidade. Ela o protege não só do mundo, mas também de si próprio - eu estou fazendo algum sentido?"

Ginny se deu conta de que ela estava olhando fixamente para ele. "Sim, de uma forma alarmante." ela disse.

"Mas isso é uma faca de dois gumes," disse Draco, os olhos dele no rosto dela agora, se encontrando com os seus próprios olhos, o olhar deles se engajando. "Porque quanto mais ele sente que talvez não seja a pessoa que ela acha que ele é, mais receoso ele fica de que ele pode nunca se tornar essa pessoa, com mais medo ele fica de que um dia ela vai perceber o que ele realmente é, e vai deixá-lo. E levar com ela não só ela mesma, o que já iria quase matá-lo, mas também a sua visão de um melhor Harry, do qual ele sempre quis ser. E isso é algo que pode fazer até mesmo o que Voldemort não pode."

"O que?"

"Destruí-lo." Ele estendeu a mão e tocou o cacho de cabelo que tinha caído em frente aos olhos dela, o colocando de volta atrás de sua orelha, de um jeito distraído. "Ele acha que ele tem que ser perfeito, e que se ele não for perfeito, ele não é ninguém. Ele não entende que todos nós temos que lutar com todos os nossos piores impulsos para sermos o que queremos, que nós temos que abrir mão de coisas, que nós desapontamos as pessoas que amamos, que mesmo que você ame muito alguém algumas vezes isso simplesmente não vai se concretizar, e você tem que entender que não é nada sem eles, e -"

"Nós ainda estamos falando sobre o Harry?" Ginny disse, sua voz muito suave.

Por um momento, Draco ficou imóvel, olhando para ela. A sensação do olhar dele no rosto dela era como uma carícia, se não uma das mais gentis. E depois seus olhos ficaram vazios, como se persianas tivessem sido colocadas sobre eles, e ele se sentou com os braços cruzados e longe dela. "Sinto muito," ele disse. "Eu estou sendo desconexo. Eu acho que foi a perda de sangue. Ou alguma coisa."

"Não," ela disse, e estendeu a mão para tocar nas dele, então pensou melhor nisso e deixou suas mãos caírem em seu próprio colo. "Você não estava sendo desconexo - você estava fazendo sentido e eu estou feliz, porque eu tenho estado tão preocupada sobre Hermione e Harry e -"

"Você não devia se preocupar," Draco respondeu, ainda distante. "É a noite do seu Baile de Inverno. Você devia se divertir."

Ela queria dizer a ele que estava se divertindo, que esses poucos minutos com ele lá fora no perfumado ar de rosas, e intensa noite fria, foram os melhores momentos que ela teve em meses; que ela amava o jeito que ele falava com ela, o jeito que ninguém mais falava, como se não houvesse uma pergunta que ela pudesse ser frágil demais pra lidar com a verdade; o jeito que ele abria sua mente para ela e não a persuadia ou bajulava ou a tratava com condescendência. E ele nunca tinha sido nada dessas coisas ruins, nem mesmo quando estava sendo asqueroso. "Você quer que eu volte?" ela perguntou.

"Não, mas você devia," ele disse, sem olhar para outro lugar. "Volte e seja linda pro Seamus. É desperdício ser pra mim."

Ela hesitou, olhando para ele. O momento parecia equilibrado em um ponto cristalino, afiado e como diamantes. "Você acha que eu sou linda?" ela perguntou.

Ele olhou abaixo, para as próprias mãos, e depois acima para ela. Quando ele falou, foi em uma voz sem tom, que fez tudo ainda mais sincero de certo modo pela falta de comoção. "Você é tão linda, que é difícil olhar pra você por muito tempo," ele disse.

Houve um longo silêncio. O momento estendido entre eles, afiado e tenso e prolongado. Ele estava olhando para ela, e em seus olhos ela podia ver o reflexo da luz da lua, e ela se recordou do prazer inebriante da boca dele sobre a sua, então ela fez uma coisa que ela nunca havia feito antes, e o beijou.

Ele estava sentado e não de pé; eles estavam quase da mesma altura. Ela não teve que se esticar para cima pra beijá-lo. Ela só teve que se inclinar pra frente para cobrir a boca dele com a sua. Ela nunca tinha iniciado um beijo. Os outros tinham sempre a beijado primeiro. Ela não podia acreditar que estava fazendo isso, e mesmo assim ela estava. A prova estava ali: a boca dele contra a sua própria, tensa e reprimida no início, e depois suavizando conforme ele rendia-se dentro do beijo, estendendo a mão à frente para puxá-la na direção dele. Seus braços moveram-se em volta dela e a pressionaram com força contra ele, tão apertado que o fecho da capa dele encravou de forma afiada e quase dolorosa na base da garganta dela. Ela podia sentir as mãos dele no veludo do seu vestido, deslizando acima para tocar sua pele nua. Os dedos dele queimavam, dez delgadas varinhas de fogo, e ela sentiu seu sangue cantar em suas veias.

E então tinha acabado. Tão rápido quanto ele a tinha puxado na direção dele, ele a tinha afastado. Suas mão estavam no ombro dela agora, a pressionando para longe tão determinadamente como no momento anterior ele a puxava para si. "Não," ele disse, sua voz um pouco irregular, e depois mais firme, "Não."

Ele a soltou. Ela ficou sentada onde estava, certa de que estava vermelha de humilhação. Levou um momento antes que ela percebesse que a queimação por trás dos seus olhos eram lágrimas. Quando ela falou, sua voz tremia. "Mais que droga, Draco," ela sussurou. "O que você está jogando?"

Ele levantou seu rosto. A escura luz da lua prateava as sombras sob os olhos e bochechas dele. "Você me perguntou," ele disse. "Eu disse que você era linda - isso é tudo."

"Você não pode dizer coisas assim pra mim," ela disse. "E não ser sincero quando as diz."

"Eu sou sincero em tudo o que digo. Esse é meu pecado mais importuno."

"Então por quê?" As palavras pareciam rasgadas fora da garganta dela. "Se você gosta de mim, se você acha que sou bonita, então por quê?"

Ele sabia o que ela queria dizer, é claro. Ele olhou para longe. "Harry gosta de você. Ele provavelmente também acha que você é bonita. Porque não perguntar isso a ele?"

"Porque não é desse jeito conosco; ele esta apaixonado por alguém," ela disse, e depois se interrompeu. "E - e você também esta, não é?"

Ele não disse nada. Ele estava olhando abaixo para suas mãos, com uma feroz e desesperada intensidade. Ele parecia estar se segurando, com tanta força como se ele estivesse tentando se prevenir de bater nela.

"Blaise," ela disse. "Como você pode? Ela é horrível."

Draco olhou para longe.

"Ou não é ela - oh, claro que não é ela," Ginny murmurou. Ela sentiu como se estivesse sendo despedaçada por dentro. "Você -"

"Eu não quero falar sobre isso," ele disse. A voz dele machucava como a ponta de um diamante. Os olhos dele estavam indecifráveis novamente. Ele a tinha desejado. Ela sabia que ele a tinha desejado; ela não era estúpida, ou cega. Mas ele tinha empurrado ela para longe, e estava fazendo tão tranquilamente. "Não há propósito em falar nisso."

Ginny não tirou os olhos dele. Por alguma razão, ela estava escutando a voz de Hermione em sua cabeça. Isso tinha acontecido meses atrás, quando ela havia contado à Hermione que ela estava começando a ter sentimentos por Draco. E ela tinha se queixado que Draco não iria dizer à ela que ele retribuía esses sentimentos. O que Hermione tinha dito? "Isso significa que ele gosta de você o suficiente pra não querer que você tenha falsas expectativas sobre ele. Você tem que entender - ele não mente. Não sobre como ele se sente. Ele sempre é dolorosamente honesto."

Finalmente, Ginny entendeu exatamente porque Hermione havia caracterizado essa honestidade como dolorosa. Ela achou que tinha sentido toda a dor que ela poderia sentir aonde Draco estava envolvido. Mas aparentemente não. "Não há propósito - Há todo o propósito," ela disse, sua voz muito calma.

"Não," ele disse, firme. "Não há." Ele olhou para outro lugar, por sobre o jardim de rosas, banhado no luar e tão brilhante quanto sangue de Unicórnio. "Se nós continuarmos desse jeito, você vai começar a me odiar."

"Eu nunca poderia te odiar, Draco."

"Oh sim, você pode," ele disse, e sua voz possuía um desgastado conhecimento. "E você irá. Porque você é como eu. Você nunca poderia ser feliz com o segundo lugar, ou metade do que você quer. E você iria lutar com isso, assim como eu também iria, mas nós só íamos acabar lutando um com o outro. Quando se é como nós, você simplesmente não desiste quando as coisas dão errado. Nós iríamos destruir o outro em pedaços até que um de nós não pudesse conseguir o que quer. Nós não poderíamos simplesmente... esquecer."

Houve um longo silêncio. Ginny estava concentrando tanto da sua energia em não chorar, que isso exigiu a ela algum tempo antes que pudesse falar.

Finalmente, ela disse, "Você está errado."

"Estou?" A expressão de Draco não dizia nada. "Errado sobre o que?"

"Eu posso esquecer você," ela disse. "E eu vou. Começando agora."

Ele olhou para ela. Ele tinha resistido a todo o resto que ela havia atirado nele, mas pareceu que até mesmo Draco tinha um ponto fraco. Os olhos dele cintilaram por um instante com a sua antiga malícia provocativa.

"Tente," ele disse.

Ela não tinha nada a dizer para isso. Ela se virou e andou pra longe, consciente até o momento que alcançou as portas do castelo, do olhar dele em suas costas.


***

Hermione não sabia por quanto tempo eles permaneceram ali. Eles ainda estavam se beijando, se isso pudesse se chamar de beijo; ela sentia mais como se eles estivessem tentando vencer a distancia que havia brotado entre eles durante as semanas que passaram, e se fundirem em uma só pessoa.

Harry havia congelado no momento em que ela o beijou, e ela tinha por um segundo ficado receoso de que ele iria afastá-la para longe - mas depois as mãos dele foram para a cintura dela, e ele a tinha levantado - ela tinha estado vagamente ciente dele chutando as caixas vazias de cerveja amanteigada para fora do caminho, e então ela estava pressionada contra a parede do 'Três Vassouras', as pedras encravando nas costas dela, e ele a estava beijando como se a vida deles dependesse disso.

A repentina reação de paixão devastadora de Harry, no começo a assustou, e depois estimulou sua própria reação; ela sentiu grandes choques, como de frio ou calor, rasgando através do seus nervos, queimando todos os pensamentos racionais. Eles tinham tido beijos antes, beijos doces e gentis, beijos apaixonados também, mas nunca nada comparado à isso - havia algo confuso e descuidado sobre o jeito desesperado com que Harry se agarrava à ela, as mãos dele com força em volta de seus braços (no outro dia ela iria achar cinco manchas roxas na circunferência de cada braço, como uma flor desabrochada, onde os dedos dele haviam estado), como se ele nunca espera-se ver ou tocá-la novamente.

Ela sentiu como se estivesse caindo e não houvesse um fim para aterrissar. Ela se lembrou da primeira vez que o tinha beijado e isso havia sido como um estranho milagre, todo aquele país familiar e conhecido que ela tinha visto tão freqüentemente agora sendo descoberto pelo toque: a sensação da boca dele, a leve aspereza de sua pele, o seu gosto. Mas aquilo não tinha sido nada igual à isso, com essa desesperação: esse confronto de dentes e línguas e beijos como mordidas, ela freneticamente desabotoando o fecho que segurava a capa dele, e a capa dela caindo da mesma forma, Harry chutando ambas as roupas de lado, e pressionando ela contra a parede com a força do seu corpo, suas mãos ocupadas em outro lugar.

As mãos dela estavam na bainha do suéter dele, o puxando para cima de sua cabeça, e isso saiu junto com seus óculos, e ela o largou em cima de uma das caixas vazias. Ele tinha apenas uma fina blusa de algodão por debaixo - Harry era bem forte para alguém com uma estrutura tão fina, e enquanto ele se movia para segura-la mais apertado ela pode sentir os músculos nas costas dele se moverem sob suas mãos. Ele estava tremendo, as mãos dele tremendo quando tocaram o rosto dela, a sua garganta, quando envolveram os seus seios através do tecido do vestido. "Você esta com frio?" ela murmurou contra a boca dele, "Você esta bem?", mas ele não a respondeu.

"Harry," ela murmurou de novo, e dessa vez ele cobriu a sua boca com a dele novamente, a silenciando. Ela fechou os olhos, desejando não se preocupar - e então um repentino e penetrante frio golpeou a sua pele, e ela abriu os olhos em surpresa. De alguma forma Harry deu um jeito de desamarrar a parte da frente do corpete dela, e estava aberto até a cintura, o ar frio se chocando contra a sua pele como borrifos de champanhe gelado. "Harry," ela disse, mais urgentemente, um repentino nervosismo se apossando dela enquanto ele deslizada as mãos por baixo do tecido do vestido. A sensação estonteante de cair a estava abandonando, o beco e os arredores voltando ao foco - as janelas iluminadas, o portão para o Norte, a rua aberta do outro lado. "Harry, nós deveríamos parar - alguém pode vir, e nos ver-"

"E daí?" A sua boca estava contra a garganta dela, então foi se movendo para baixo, e ela estremeceu com o prazer que isso lhe dava, e também com a tensão - ela se sentiu a beira do pânico, e não estava certa do por que... Porque ela estaria com medo de Harry?

"E daí que isso é particular Harry, isso que é. Harry!" Ele estava empurrando o vestido para baixo dos ombros. Ela percebeu que em um instante estaria simplesmente pelada. Enquanto ela admirava a destreza dele em desamarrar os cordões do seu corpete tão rapidamente - Havia levado para ela quase uma hora pra ajeitar isso propriamente, e ele tinha exterminado a coisa toda em menos de um minuto - ela estava mais consciente do medo crescente de que alguém iria aparecer - Ron provavelmente - e vê-los. "Harry," ela sussurrou. "Agora não."

Ele parecia não ter escutado. "Eu senti sua falta," ele sussurrou de volta. "Eu senti tanto a sua falta," e ela se sentiu tensa enquanto ele capturava a sua boca com a dele novamente. As suas mãos estavam na saia dela, franzindo o tecido com os seus dedos, deslizando o vestido para cima das coxas dela. O ar gelado golpeou a pele nua dos seus tornozelos, depois suas panturrilhas, e agora ela estava tremendo com mais do que somente frio. Ele a estava tocando de formas que ele nunca tinha feito antes, e repentinamente uma estranha sensação de inadequação disparou através de suas veias, assustadora com tamanha intensidade. Beijar Harry, tocá-lo, havia sempre sido como chegar em casa, em um lugar familiar e amado; agora ela sentia como se ela de repente tivesse aberto a porta de sua própria casa, e a tivesse achado habitada por estranhos. Sem nem ao menos pensar no que estava fazendo, ela colocou suas mãos contra os ombros dele, e o empurrou para longe com força.

Harry pareceu chocado. Ele a encarou por um momento, a vertigem se extinguindo dos seus olhos. Isso à fez lembrar-se do jeito que ele ficava após vencer uma partida de Quadribol - levava um momento para ele voltar a realidade, mesmo depois de ter aterrissado. Ela supôs que de certo modo, ele tinha estado voando nesse momento - só que ela não tinha dessa vez, estado voando com ele. "Hermione," ele disse. "Qual o problema?"

Ele não sabia? Ele realmente não sabia? Ela percebeu que não podia dizer à ele. Ao invés disso, ela disse a primeira coisa razoável que lhe veio à cabeça. "Sentido minha falta?" ela sussurrou. "Como você pode ter sentido minha falta - Eu tenho estado bem aqui com você todo esse tempo."

"Você tem estado aqui." Harry estendeu a mão para o seu suéter, o pegou, e colocou de volta pela cabeça. Ela se perguntou se ele estava ocupando suas mãos então assim não precisaria olhar para ela. As bochechas dele estavam vermelhas, e ela suspeitava, que não só de frio. "Eu não tenho."

"E agora você esta?" ela respondeu. Ela havia cruzado os braços sobre o tórax se cobrindo, mas ela ainda estava com frio. "Ou você só esta bêbado?"

Harry se curvou e ergueu a capa branca dela, que havia caído em cima da sua capa preta. Ele estendeu a capa, e ela a pegou, envolvendo ao redor dos seus ombros. "Talvez eu esteja um pouco bêbado," ele disse, bastante calmamente. "Mas não é como se eu quisesse... quisesse estar com você porque estou bêbado. Eu sempre te amei. É só que, em geral - ultimamente, de qualquer jeito - eu não consigo dizer isso."

Ela sacudiu a cabeça. Suas mãos, amarrando o corpete do vestido, estavam tremendo. "Porque você não consegue dizer isso?" ela perguntou. "Você mudou de opinião? Se sente diferente agora? Você esta... envergonhado de mim?"

"Envergonhado de você?" Ele riu; era um som doloroso. "Eu, envergonhado de você. Isso é engraçado. Particularmente engraçado."

Ele se curvou novamente e retomou seus óculos, que estavam manchados com neve. Ele começou a limpa-los na manga de sua blusa. Ele parecia diferente sem eles. Mais velho. Isso enfatizava como o rosto dele tinha afinado se tornando mais bonito, menos suave e infantil. Mais severo. "Porque você iria dizer isso?"

"Você não me beija ou me toca em público, mas aqui atrás nesse beco, você esta todo em cima de mim. O que isso significa Harry? Eu sempre disse que queria esperar, então iria ser realmente especial quando nós finalmente ficássemos juntos, mas eu tenho a impressão de que você estaria perfeitamente feliz em simplesmente ficar bêbado e fazer isso apoiado em uma parede."

"Hey!" disse Harry com severidade, e deslizou os óculos no rosto. "Você me trouxe aqui. E depois você me beijou, e o que eu sou suposto a pensar? Você é minha namorada! É claro que eu quero - você sabe. E - e eu estou bem agora."

Ele ficou ligeiramente avermelhado. Hermione ficou brevemente divertida. Ela teve a impressão de que os Dursleys provavelmente tinham sido bem peculiares quando o assunto foi educação sexual. "Sim, mas isso não significa que..." Ela parou. Ela sabia o que queria dizer, podia escutar as palavras em sua cabeça. Você esta 'bem' agora, porque você andou bebendo. E você está 'bem' quando esta voando. E se nós fizermos sexo, você provavelmente também vai estar 'bem' pra isso, porque iria ser apenas mais uma droga pra matar a dor do que quer que esteja te perturbando. Mas eu não quero nenhuma parte disso. Porque não iria durar. E então eu teria te entregado tudo, e isso continuaria a não ser o suficiente.

Mas é claro, ela não podia dizer isso.

"Bem, para o que você quis vir aqui atrás, então?" Harry exigiu, parecendo honestamente confuso.

Hermione tapou seu rosto com as mãos, embaraçada. "Bem, você estava flertando com a Blaise, e eu..."

"Flertando?" Harry pareceu espantado. "Eu não estava flertando!"

"Oh, você certamente estava."

"Com ela? Ela é uma Sonserina! E ela é a namorada do Draco, e de qualquer jeito, ela me despreza."

"Ela não te despreza, ela disse que você estava deslumbrante e que poderia te comer com uma colher e... Porque eu te contei isso? Já foi asqueroso da primeira vez que eu escutei."

Harry estava olhando para ela com sincero assombro. "Você inventou isso," ele disse.

"Eu não inventei."

"Aposto que inventou."

Hermione suspirou. "Harry, seu idiota - metade das garotas nessa escola estão apaixonadas por você."

Harry começou a rir. "Quê, só a metade?"

"Eu acho que você perdeu a outra metade para o Draco. Mas ei, elas são na maioria sonserinas de qualquer forma." Ela sacudiu a cabeça. "Eu não posso acreditar que você nunca reparou, mas por outro lado, isso é típico. Você não sabe o quão fofo você é, e essa é a coisa mais fofa sobre você. Garotas adoram isso - e agora eu acho que falei demais."

"Ah, então isso é super secreto, informação-que-não-deve-ser-compartilhada-com-o-sexo-maculino?"

"Sim. Agora eu tenho que te matar antes que você vá contar ao Ron, ou Deus me livre, Draco."

"Certo, eu suponho que eles também não saibam o quão fofo eles são."

"Bem, Ron possivelmente não, mas Draco? Eu detesto te dizer isso, mas Draco sabe exatamente o quão fofo ele é."

Harry deu um sorrisinho. "Sim... meio revoltante, não é?"

"Bem," ela disse. "Revoltante não é exatamente a palavra."

Harry bufou. "Bem, se você quer dizer que - oww!"

Hermione deu um salto. "Harry, o que?"

Mas Harry já estava indo para trás, limpando neve dos ombros de sua capa. "Alguém jogou uma bola de neve em mim - Ron!" ele gritou, e caiu na gargalhada. Hermione seguiu o seu olhar e viu Ron de pé na entrada do beco, segurando as mãos para cima, como que dizendo, "Quem, eu?" Mas ele estava rindo. Atrás de Ron ela pode ver outras formas escuras, correndo pra cima e pra baixo: os garotos do sétimo-ano que Blaise esteve falando, que estavam atirando bolas de neve em casais que estavam se agarrando.

"Eu não tive escolha!" Ron gritou de volta. "Neville e Dean teriam feito isso se eu não fizesse!"

Mas Harry estava sacudindo sua cabeça. "Você... vai...MORRER," ele berrou, e depois saiu correndo atrás de Ron, que disparou correndo para longe, e rindo. Hermione ficou olhando para eles por um instante, pensando, O que eles são, garotos de doze anos? Ela andou na direção da entrada do beco bem devagar, chegando na rua principal bem à tempo de ver Harry pular em cima de Ron, derrubá-lo no chão, e começar a enfiar neve dentro da blusa dele. Ron gritou, e começou a engalfinhar os seus dedos na neve em uma tentativa de fazer outra bola.

Olhando para eles, ela de repente viu outra imagem se sobrepondo sobre essa: ela viu eles dois rolando e rolando com ela na neve, quando eles todos tinham quatorze anos e não importava que ela fosse uma garota, ela continuava a ser um alvo fácil para ter seus bolsos recheados com gelo, e ela repentinamente sentiu saudades disso - repentinamente e de forma aguda. Eles tinham sido tão felizes juntos, eles três, uma perfeita unidade. Sorrateiramente, ela se curvou e acumulou na mão um monte de neve, que queimou sua pele com toda aquela frieza. Ela engatinhou por trás de Harry, que parecia alegremente intencionado em enfiar neve nas orelhas de Ron, e muito cuidadosamente ela despejou toda a neve por dentro da blusa dele.

O grito que saudou essa investida foi instantâneo e gratificantemente alto. Harry caiu de lado na neve, uivando, enquanto Ron, se sentando com seu cabelo ruivo cheio de neve, estava sem fala com tantas gargalhadas.

Harry olhou para ela de forma repreendedora. "Hermione! Trapaceando!"

"Não seja um mau perdedor, Harry Potter," ela respondeu, levantou uma mão cheia de neve, e atirou em cima dele. Harry se esticou e agarrou a perna dela, e ela escorregou e caiu de lado em cima de Ron, que começou a enfiar neve dentro do corpete do vestido com uma total e aparente indiferença por delicadeza. Hermione guinchou e se contorceu, agarrando Harry à força com dedos congelados. Berrando de risadas, todos os três rolaram até a parte mais baixa da colina, completamente emaranhados, finalmente parando em frente à uma grande rocha.

Hermione se sentou primeiro, cuspindo neve de sua boca e segurando a barriga, que estava começando a doer de tanto rir. Seu vestido estava ensopado e seu cabelo pendia molhado em mechas como lágrimas por todo o seu rosto, mas ela não se importava. Ela observou enquanto Harry e Ron também se sentavam, ambos densamente cobertos de neve como se tivessem rolado em açúcar cristalizado. "Bem," disse Harry, tirando seus óculos, que estavam quase irreconhecíveis, e olhou com os olhos semicerrados para eles. "Isso foi -"

Ele foi interrompido a medida que Hermione saltou para frente e jogou os braços em volta deles dois, os abraçando bem apertado. Tanto Ron quanto Harry pareceram surpreendidos por essa repentina amostra de afeição; Ron deu tapinhas nas costa dela gentilmente. Finalmente ela se afastou e olhou para eles - cobertos de neve, ambos ensopados, suas vestes de baile banhadas em água e grudando em suas peles. Eles quase poderiam ser os dois meninos que desmoronaram no chão de um banheiro inundado depois de salva-la de um trasgo tantos anos atrás.

"Eu só quero que vocês saibam," ela disse de repente, se surpreendendo, "que eu amo vocês - Eu amo vocês dois, não importa o que jamais aconteça com a gente algum dia."

Ron olhou para Hermione, e depois para Harry, obviamente bastante envergonhado de fato. "Ela tem andado na base da bebida outra vez, não tem?" ele exigiu.

Harry concordou com a cabeça. "Isso ta se tornando um problema."

Hermione estendeu suas mãos. "Ah vamos lá!" ela disse, e sem serem ordenados sobre o que fazer, cada um deles pegou uma das mãos - Ron a da esquerda, e Harry a da direita. "Nós sempre vamos estar juntos," ela disse, sua voz firme. "Não vamos - não vamos?"

Harry e Ron pareceram mais envergonhados do que nunca. "Bem, não sempre," disse Ron. "Eu acho que vou precisar de um banho quente quando eu voltar pro castelo, e eu planejo fazer isso sozinho, obrigado."

Harry sorriu para ele. "Quê! Você não precisa de ninguém pra esfregar suas costas?"

Ron franziu a sobrancelha. "Esta se oferecendo?"

"Nahh," disse Harry. "Eu estava pensando na Murta."

"Oh quietos, vocês dois," Hermione interrompeu com desespero. "Olha - só me prometam que nós vamos ser sempre amigos, está bem? Porque é Natal, e porque se não prometerem eu vou pessoalmente contar à Murta que vocês dois a amam, e ela nunca vai deixá-los em paz de novo, Ok?"

"Ok," disse Harry, rindo. "Eu prometo."

"Eu também," disse Hermione. "Eu prometo."

Ela olhou para Ron; eles dois olharam, e aparentou para ela que ele parecia estranhamente comovido, como se de alguma forma o pronunciamento dela o tivesse feito ficar triste. "Eu prometo," ele disse. "Nós sempre vamos ser amigos."


"Resistência é inútil," ronronou a voluptuosa e maléfica Lady Stacia, seus enormes seios subindo e descendo por cima do tecido de seu espartilho de couro, como um suflé temperamental. "Você é meu agora, Tristan. Esqueça Rhiannon. Eu, e somente eu, posso levá-lo aos picos nevados do êxtase."

Tristan endureceu seu maxilar. Ele também teria cruzado seus másculos braços, mas ele não podia porque Lady Stacia o tinha amarrado à um poste. "Rhiannon é meu único e verdadeiro amor, e eu nunca irei esquecê-la. Nunca!"

Lady Stacia encolheu os ombros, e de sua bota de couro que chegava até a coxa, ela retirou uma longa pena de Fênix, com a qual ela começou a fazer cócegas no atado Tristan, sobre seu tórax inteiramente nu. Tristan começou a suspeitar que ela não iria descansar até partilhar de seus másculos encantos. Bem, talvez Rhiannon não iria se importar se fosse só uma vez, não é? De qualquer jeito, ela tinha sido levada por piratas. Quem sabia quando ele iria ve-lá de novo?

Ginny largou Passionate Trousers (Calças ardentes) em seu colo, e olhou inconsolavelmente para a capa. Estava vazia no momento - a versão ilustrada de Rhiannon e Tristan tinha desaparecido, aparentemente para ter alguma privacidade. Bem, Ginny pensou sombriamente, pelo menos alguém estava tendo diversão esta noite. E é claro Tristan na história estava abandonando Rhiannon pela milésima vez - porque, ela concluiu, chutando o livro pra fora da cama, homens eram uns inúteis.

Ou não. Ela sentiu uma pontada, se lembrando - ela havia ido correndo para o Salão Principal depois de deixar Draco, todos os seus nervos pegando fogo e sua pele formigando, e ela tinha visto Seamus, parado e conversando de forma bastante agradável com Charlie perto da parede, e ela sentiu seu estomago cair. Seamus era tão carinhoso, e tão bem intencionado, e oque ela estava fazendo além de tratá-lo de forma totalmente horrível? Então, ele havia levantado os olhos e sorrido para ela, e ela precisou de cada pedacinho de sua força de vontade para não simplesmente correr para fora do salão. Ao invés disso, ela foi até ele e pediu para se retirar pelo resto da noite, alegando estar com uma terrível dor de cabeça. Ele a levou até a torre da Grifinória, infalivelmente gentil como sempre, e a última coisa que ela viu dele, foram os seus cabelos loiros desaparecendo na escuridão enquanto ela subia os degraus para o seu dormitório vazio.

Ela suspirou, e se deitou na cama, enterrando o rosto em seus braços. Ela se sentia terrivelmente culpada por Seamus, privado de ir ao seu Pub Crawl, e não podia evitar o pensamento de que ela havia aprontado pelas costas dele. É claro, ela não tinha mencionado ter beijado Draco.

Depois ela se virou, e encarou o teto. Quem ela estava enganando. Como se ela tivesse ido lá fora por alguma outra razão. Ela havia olhado para cima enquanto estava dançando com Seamus e viu Draco parado perto das portas do Salão Principal, observando ela. Daquela distancia ela não podia ver a expressão no rosto dele, só o seu cabelo prateado e pele clara imprimidos contra a escuridão atrás dele. Mas ela podia ver o ângulo dos seus ombros, o jeito como ele estava de pé, e sabia que ele a estava observando, e viu ele ir embora. E não havia força na terra nessa situação que poderia tê-la impedido de ir atrás dele.

Por conseqüência, ela pensou, a culpa, e a latejante dor de cabeça. Ela se sentou, se perguntando se deveria ir atrás de um Feitiço Alivia-Dor, quando ela se deu conta de que o som latejante que ela estava ouvindo não era, na realidade, da dor em sua própria cabeça. Era alguém batendo na porta do dormitório.

Ela se levantou devagar, se cobrindo com seus braços - ela estava vestindo seu jeans e um suéter marrom que tinha pertencido a Ron; as mangas eram tão longas que elas engolfavam suas mão completamente. Com um suspiro, ela passou pelo quarto e abriu a porta, se perguntando se era Elizabeth ou Ashley, cansadas demais para se lembrar de como a maçaneta funciona.

Mas era Seamus. Ele havia se trocado de suas vestes de baile, e estava de jeans e um suéter amarelo escuro com uma listra preta na frente. Seus pés estavam descalços, e seu cabelo estava uma bagunça, e ele parecia como se tivesse gasto pelo menos vinte minutos se obrigando a fazer alguma coisa desagradável. "Hey," ele disse, seus olhos vasculhando o quarto atrás dela para ver se tinha mais alguém ali. Satisfeito de que o quarto estava vazio, ele voltou seu olhar para Ginny. "Eu estava esperando que pudesse conversar com você."

Ginny se afundou contra o batente da porta. "Oh, Seamus. O que quer que seja, não diga. Eu não posso lidar com isso. Não agora."

Seamus balançou sua cabeça. "Isso é ridículo," ele disse.

"Eu sei. E eu sinto muito. Eu arruinei seu Baile de Inverno, e você podia ter ido ao Pub Crawl, e eu me sinto horrível. Eu me odeio. Eu sinto muito, muito mesmo."

Seamus pareceu exasperado. "Isso não é o que eu quis dizer," ele disse. "Eu quero dizer que você... você esta se deixando ficar deprimida. Eu não me importo com o Baile de Inverno ou o Pub Crawl ou nada disso! Mas eu me importo com você, Ginny."

Ela olhou para ele em surpresa. "Seamus..."

"Eu me importo," ele disse depressa. "E tenho me importado há muito tempo. Quando você voltou esse ano, depois de ter estado fora, isso foi como... se você fosse uma pessoa inteiramente nova e eu não podia acreditar que eu não tinha reparado em você antes. Você é linda, você é esperta, você é uma fantástica jogadora de Quadribol, você é divertida, seus amigos obviamente te adoram..."

Ginny olhou para ele com sua boca aberta. "Eu não fazia idéia."

"Bem," disse Seamus. "Agora você faz."

Ela sacudiu sua cabeça. "Não... não seja todo doce e gentil. Eu não mereço isso." Ela se apoiou no batente da porta, se sentindo perdida. "Eu não posso fazer isso. Isso seria um erro, e - e eu não posso fazer isso de novo."

Seamus pareceu surpreso. "De novo? Você namorou comigo antes?"

Ginny riu a despeito de si mesma. "Não, eu quero dizer... olha, Seamus, eu gosto de você, eu realmente gosto, e você é encantador e gentil, mas eu descobri que é uma idéia muito, muito ruim ir contra os meus instintos. A última vez que eu fiz isso - bem, não deu muito certo pra mim."

Seamus concordou com a cabeça. Ele tinha colocado suas mãos nos bolsos. "Eu acabei de ver seu irmão voltar do Pub Crawl com o Harry e Hermione," ele disse. "Eles nem pareceram surpresos de me ver sentado sozinho no salão comunal. Isso me fez pensar o que eles sabem que eu não sei. Ginny..." ele fez uma pausa. "O que exatamente o Malfoy fez à você? Eu não direi nada - nem vou te julgar - eu só quero entender."

Ginny mordeu seu lábio. "Você não poderia possivelmente..."

"Eu poderia se você explicar pra mim " disse Seamus, sua voz muito firme.

Ginny hesitou, olhando para ele. Ele tinha uma espécie de rosto honesto, que ficava mais infantil pelas poucas sardas acima do seu nariz. Ele parecia determinado e leal e valente e todas aquelas coisas que ela associava com seus irmãos, com todos os homens em sua vida na verdade - exceto por um. Ela não podia imaginar jogar toda a experiência e escuridão e sofrimento dos últimos seis meses, a confusão e a dor e a vitória e a decepção, em cima de Seamus, e esperar que ele fosse capaz de até mesmo começar a entender.

Mas talvez ela estivesse julgando ele ser incapacitado. Talvez ele pudesse entender. Além de mais nada, ele realmente parecia querer entender. Talvez ele pudesse.

E talvez ela só estivesse realmente precisando de alguém pra conversar.

Ela recuou para longe da porta, e gesticulou para que Seamus entrasse. Ele olhou para ela em surpresa, olhos discretos e hesitantes. "Entre," ela disse. "Entre e eu vou te contar qualquer coisa que você queira saber."


Ele havia esperado tanto tempo ali, no lugar de encontro deles, que ele estava a ponto de desistir quando ela finalmente apareceu.

Ela parecia pálida e cansada, e suas vestes estavam desarrumadas. "Ron," ela disse, e ele viu que ela tinha o pergaminho que ele havia mandado dobrado nas mãos. "Eu recebi sua mensagem." Ela não fez nenhum esforço para atravessar o aposento na direção dele, só se encostou contra a porta fechada. "Para que você queria me ver? Você sabe que não é uma boa hora."

Ele olhou para ela com uma leve incredulidade. "Já faz dias," ele disse. "Eu não posso agüentar tanto tempo -"

"Bem, você tem que agüentar," ela respondeu bruscamente. "Existem coisas mais importantes na vida do que sexo, Ron."

"Esse não é o porquê de eu querer te ver!" Ele estava segurando tão forte a mesa que machucava. "Eu senti saudades."

Ela ruborizou por baixo de sua palidez. "Você me viu hoje. E ontem. E antes de ontem. E -"

"Mas não desse jeito," ele disse. "Não desse jeito," e ele andou pelo aposento e a pegou pelos braços, e a beijou. Ou tentou beijar. Ela virou o rosto para longe dele, e não olhou para ele. "Por quê?" ele disse. "Porque você esta fazendo isso?"

"Eu estou com medo," ela disse baixinho.

Ele sacudiu a cabeça. Uma estranha dor tinha começado abaixo de suas costelas. Estava difícil de respirar. "Eu não vou deixar você me largar - eu vou contar pra todo mundo -"

Ela se sacudiu dentro dos braços dele como se ele tivesse cravado uma faca na sua pele. "Não! Não, você prometeu!"

"E você disse que me amava! Ou você estava mentindo?"

Ela riu; foi um som delicado. "Eu minto pra todos os outros. Porque não pra você, também?"

"Tem uma solução simples pra isso," ele disse. "Conte a eles a verdade."

Ela parecia ter afundado dentro do abraço dele. "Eu ainda não estou preparada."

"Quando você vai estar preparada?" Ele examinou o rosto dela com seus olhos. Como sempre, na fraca e avermelhada luz do quarto de encontro, ela parecia espectral, suas feições escurecidas com estranheza. Ele podia quase acreditar que ela não era totalmente real, uma invenção conjurada pelos seus próprios desejos inoportunos.

"No Ano Novo," ela disse de repente, o surpreendendo. Mas por outro lado, ela sempre o surpreendia. Ele se recordava do quão surpreso ele havia ficado no dia que ela o chamou para este lugar pela primeira vez. Ele havia pensado que era uma piada. "No dia do Ano Novo, Ron, se é isso o que você quer."

"É o que eu quero," ele disse, e tocou a bochecha dela com a ponta dos seus dedos, muito levemente. Ela tinha deixado a cabeça cair para frente na direção dos ombros dele, o cabelo cobrindo seu rosto. Ele se relembrou de que ela o havia beijado, primeiro, atando seus braços em volta do seu pescoço e o puxando para baixo, para ela, e ele a deixou fazer isso, mais por espanto do que qualquer outra coisa. Agora ela parecia tímida, com as mãos cerradas contra o seu tórax. "Coloque seu cabelo pra trás," ele dizia para ela algumas vezes, quando eles deitavam juntos no chão. "Eu não consigo ver o seu rosto."

E ela ria. "Eu sempre posso ver o seu. Você não consegue esconder."

"Sim," ele dizia. "Eu sei."


"Cai fora, Potter," disse Draco. "Eu estou cansado. Eu estou muito, muito cansado. Eu não preciso disso agora. São quatro da manhã."

Harry, que esteve pulando pra cima e pra baixo com excitamento no corredor, parou e pareceu irritado. "Vamos lá, Malfoy! Você não ouviu o que eu disse?"

"Eu te ouvi," disse Draco, apoiando-se contra o batente da porta e observando Harry de uma maneira triste. Geralmente ele ficava feliz de ver Harry, mas no momento o que ele mais queria era ficar sozinho. Sua cabeça estava latejando desde que ele havia voltado do jardim de rosas. Ele continuava a ver o rosto de Ginny impresso por trás de suas pálpebras: o olhar de incredulidade no rosto dela se despedaçando em raiva, e ódio. Ela o odiava. Certo, ele disse à si mesmo, e isso era o que você estava procurando. Então meus parabéns.

"Eu te ouvi," ele disse novamente, abaixando sua voz - era tarde, mas ainda haviam estudantes fazendo seus caminhos pra cima e pra baixo dos corredores, retornando do Pub Crawl. Ainda que Harry tenha vindo para as masmorras com a capa de invisibilidade, ele tinha retirado assim que Draco abriu a porta do quarto. Havia retirado a capa, e estendido sua mão para Draco. Uma mão segurando com força uma caixa cinza-prateada que continha uma Chave-Portal . "Você roubou a Chave-Portal do escritório do Lupin. Bom trabalho e tudo o mais, mas, você sabe, ele iria nos dar a Chave na próxima semana de qualquer jeito. Meio que é como invadir Gringotes e esvaziar o seu próprio cofre, em minha opinião."

"Mas eu quero ir agora," disse Harry, a voz dele queimando com a paixão que ele geralmente só demonstrava quando jogava Quadribol. Seus olhos estavam brilhantes com excitação antecipada. "Nós podemos usar a Chave-Portal e colocá-la de volta no escritório do Lupin por volta de amanhã cedo. Ninguém precisa nem mesmo saber."

"E quanto Hermione e Ron? Eles não vão notar que você partiu?"

"Eles estão dormindo. Eu deixei Hermione no quarto dela, e foi à séculos atrás. Se nós voltarmos por volta das nove horas amanhã, ninguém vai notar que nós partimos. Isso nos da quatro horas. Tempo mais que suficiente."

"Eu pensei que você gostasse do professor Lupin," disse Draco.

Harry pareceu surpreendido. "Eu gosto, é claro que eu gosto," ele disse. "Mas isso é importante." Ele fez uma pausa, e moveu rapidamente seus olhos para o lado. "Segure esse pensamento," ele acrescentou rapidamente. "Alguém esta vindo."

"O que? Ah que merda," disse Draco, esticou a mão, agarrou Harry pela frente da camisa, e arrastou ele para dentro. Ele empurrou a porta fechada depois que Harry entrou, e se apoiou contra ela, seus olhos em Harry. Ele havia raramente visto Harry desse jeito; cada linha de sua estrutura parecia quase vibrar com excitação reprimida. "Eu não sei Potter," ele disse. "Roubando, se esgueirando por ai - este não é o meu departamento?"

Harry deu risada. "Certo," ele disse. "Algumas vezes eu me esqueço de que você não me conhece há tanto tempo."

"Eu te conheço a seis anos."

"Você sabe o que eu quero dizer, Malfoy." Harry fez uma pausa, seus olhos sondando as roupas de Draco - ele ainda não havia se trocado de suas vestes de baile. "Você não pode vestir isso. Nós vamos ter que pegar transporte de Trouxas. Vista um jeans ou alguma coisa."

Draco olhou para Harry irritado. Ele não tinha reparado o que Harry estava vestindo antes, mas agora ele tinha: suas calças de Quadribol, um grosso suéter de lã escura e jaqueta preta, e botas com cadarço. Ele de fato parecia vestido para patrulha no território inimigo. Draco achou isso inexplicavelmente irritante. "Eu vou vestir a droga da roupa que eu quiser. Se eu escolher vestir um chapéu coberto de frutas, eu não vejo onde isso é assunto seu."

Harry olhou para ele severamente. "Me diga se eu fiquei maluco," ele disse, "Mas eu tenho a sensação de que você esta de certa forma ambivalente (ambivalente = incerto à o que fazer) sobre tudo isso."

Draco encolheu os ombros. E isso doeu. "Bem, eu estou, e não estou."

"Muito engraçado." Harry aumentou seus olhos. "Você não confia em mim?"

Draco suspirou. "Ultimamente eu tenho tido esse sonho," ele disse. "Aonde você vem ao meu quarto e me conta que você acabou de matar uma pessoa, e precisa de mim pra te ajudar a esconder o corpo. Então eu te ajudo. Mas eu acordo bastante perturbado."

"Qual é a sua questão?"

"Minha questão é não só que você continua a me pedir pra fazer coisas sem me explicar exatamente porque eu tenho que fazê-las, mas também que da última que eu me arrisquei e quebrei as regras, alguém tentou me matar."

"Oh, eu sei," disse Harry depressa, "e eu entendo completamente."

"Isso é bom, porque eu odiaria em nome da minha pequena preocupação de morte horrível fora de hora, ser ambivalente."

"Eu não vou deixar que nada aconteça com você!" disse Harry, parecendo exasperado.

"Isso é emocionante," disse Draco. "Em um estúpido, tempestuoso, e super confiante jeito Grifinório de ser."

Harry soprou um fôlego irritado, que fez com que a franja de cabelos que caia sobre seus olhos voasse. "Malfoy..."

"Tudo bem," disse Draco. "Eu irei, e eu até mesmo vou ficar quieto sobre isso, também. Com uma condição."

"E qual é?"

"Amanhã, quando voltarmos, você contará à Hermione exatamente onde nós fomos. Eu não vou contar mentiras pra ela, nem mesmo pro seu benefício."

A cabeça de Harry se ergueu rapidamente, seus olhos examinando o rosto de Draco. Para alguém que tão freqüentemente esses dias parecia distraído ou distante, os olhos de Harry podiam cortar como facas quando ele queria que cortassem. Draco lutou para não desviar seu olhar para longe, e não desviou. "Esta bem," Harry disse calmamente, após um curto silêncio. "Eu vou contar à ela amanhã."

"Ok." Draco foi ao seu armário, e selecionou um longo casaco cor carvão de pele de dragão. Ele jogou o casaco por cima de suas roupas e se virou para Harry, que o estava observando com uma impaciência mal controlada. "Pronto," ele disse.

Harry estendeu sua mão esquerda, a caixa contendo a Chave-Portal dentro. Ela resplandeceu em uma prata brilhante na luz fosca que vinha da janela, e os olhos de Harry cintilaram, como se eles tivessem sido forjados de algum material verde incandescente. Sua boca estava dura e imóvel com determinação e pela primeira vez em muito tempo, Draco se lembrou o motivo no qual pensar em Harry Potter o havia feito se sentir amedrontado antigamente.

Ele foi à direção de Harry, e parou ao lado dele. "Se segure em mim," Harry disse, e Draco pegou na manga de sua jaqueta, e segurou firme. Ele viu Harry despejar a Chave-Portal da caixa dentro de sua mão direita aberta, e então a familiar sensação de rebocamento o pegou, o arremessando dentro do cinzento esquecimento, Harry ao seu lado.


Nota da Autora Cassandra: Eu estou completamente ciente de que os versos de "Greensleeves" não estão certos, isso porque a canção é na verdade "Leaving Green Sleeves" de Leonard Cohen.

Sim, sim. Eu sei que todo mundo está maluco "Com quem Ron esta dormindo?" e tudo isso. Confiem em mim, quando vocês descobrirem (capítulo 6 pelo meu cronometro) vocês vão entender porque eu não contei antes. Como Alex disse "Wow 4 capítulos e ainda nem sinal de um enredo!" Bem, existe um na verdade e eu estou feliz em dizer que ele vai começar a aparecer no próximo capítulo em grande estilo, quando nós finalmente saímos dos terrenos da escola - coisa na qual eu estava morrendo de vontade de fazer.

Sim, muita angústia dos shippers, e vai ficar pior antes que melhore (para citar a frase de Lori)... Não me pergunte o que esta havendo com o Harry, ele só ficou todo hormonal no beco por um segundo. Por enquanto, Draco parece estar desejando ter um futuro como monge. Pelo menos Ginny tem Seamus, e no próximo capítulo começa a conhecê-lo melhor enquanto Harry e Draco estão fora visitando cemitérios... Ron e a garota misteriosa tem mais um problema no relacionamento quando ele se recusa a me deixar contar à todo mundo com quem ele esta dormindo... Os Sonserinos e Grifinórios tem sua partida remarcada... E Draco fica parcialmente pelado para o benefício de Hermione.

Aviso para os próximos capítulos: A série vai ficar mais sombria que as primeiras duas partes que eu escrevi, porque esse é o final da história. Pessoas vão morrer, e não vão voltar, e haverá *tosse violentamente* sexo. E não só esse sexo fora de cena que Ron esta tendo, tampouco. Eu vou aumentar a classificação de censura de todos os próximos capítulos para "R". ( R = recomendado para maiores de 17 anos)

Eu estou tentando ser precisamente Britânica com as palavras, com uma exceção. Estou usando "Sweater/suéter" ao invés de "Jumper/malha" desde de que nos Estados Unidos Jumper é um vestido, e eu não me sinto disposta a botar em campo questões sobre o travestimento do Harry, ou do Draco aliás. E não, para aqueles que perguntaram, eu não sou Britânica. Nem mesmo perto disso. John Walton, o OCCB, faz o Bri-tânico pra mim.

Novamente, se você quiser estar na lista de envio para aviso de capítulos novos, me escreva. .

Obrigada à todo mundo que fez resenha do capítulo 3!

Frase do Draco "A vida te da limões" é uma citação do NewRadio, copyright NBC and A and E Entertainment.

Notas de curiosidades desse Capítulo:

01- "A pesada fivela de prata na garganta que segurava a sua capa, era também esculpida em um formato de constelação: Draco, o dragão."

Constelação: Draco, O Dragão. É uma constelação do hemisfério celestial norte próxima do pólo celeste norte.

*Curiosidade do HP da J.K Rowling: Os membros da família Black nomeiam seus filhos com nomes de constelações, e filhas com nome de flores, ja reparam? Mesmo a Narcisa tendo se tornado uma Malfoy, ela manteve a tradição... :D