Capítulo cinco - O Pomar de Ossos
With one hand on the hexagram and one hand on the girl
I balance on this wishing well that all men call the world.
—Leonard Cohen
Com uma mão no hexagrama e uma mão na garota
Eu equilibro neste poço dos desejos que todo homem chama de mundo.
"O que você quer dizer, não há trem?"
"O que eu disse. Não há trem antes das seis da manhã." Harry deu de ombros e esfregou suas mãos revestidas por luvas pretas. Suas bochechas estavam vermelhas com o frio, e ele parecia meio constrangido, evitando o olhar de Draco. "Acho que teremos que esperar".
"Não mesmo!" Draco saltando do banco onde ele tinha estado sentado. Ele olhou ao redor em inquieto incômodo. "Eu deveria saber, quando você disse que tinha um plano, que você queria dizer um plano meio burro".
Harry não disse nada. Seus olhos estavam vagueando para cima e para baixo na parte externa da deserta estação de trem. Havia se mostrado que não havia nenhuma estação de trem conveniente em toda Shepton Mallet. Eles tiveram que andar até uma cidade vizinha onde haviam dito que tinha uma. E tinha uma estação — mas ela estava fechada, e trancada tão fortemente quanto o corredor proibido do terceiro andar de Hogwarts.
Harry tinha ido olhar ao redor enquanto Draco, infeliz, com tédio e frio, caiu pesadamente em um banco vazio e tentou ler um jornal trouxa que ele tinha encontrado voando perto dali. Confidencialmente, ele pensou um pouco, que devido aos anos de Harry em Hogwarts, o outro garoto tinha provavelmente esquecido mais sobre os trouxas do que ele se lembrava.
"Olha, Potter. Se nós vamos esperar até as seis da manhã, não há como nós estarmos de volta em tempo para as aulas, e eu pensei que este era o ponto nisto tudo".
Harry deu de ombros e olhou ao redor. Ele parecia estar com frio, pequeno e sem defesas, o que tornava difícil ficar com raiva dele.
"Bem, o que você sugere, então, Malfoy?"
"Nós podemos somente usar a Chave de Portal para voltar" Draco falou. "Onde ela nos levará? Ao escritório de Lupin? É bom o suficiente para mim. Eu poderia até mesmo conseguir uma hora de sono."
"Não!" Harry exclamou, e então mais calmamente, "Não. Deve existir outro jeito."
"Há," disse Draco, e Harry olhou para ele confuso. Draco levantou sua mão esquerda e estalou seus dedos, e enquanto ele fez isso ele viu a expressão confusa de Harry sumir, para ser substituída por uma que parecia com pânico.
"Não, Malfoy! Não o —" ele foi cortado por um alto guincho e ruído ensurdecedor enquanto o ônibus roxo, enorme, hediondo, de três andares com sua inscrição salpicada de dourado rugiu parando em frente a eles. O motorista buzinou, a buzina soando como um periquito estrangulado. Harry suspirou em derrota. "Não o Noitibus Andante!" ele disse cansadamente. "E se eles contarem a alguém que nos viram?"
"Ah, que inferno, Potter pare de pensar que você é a maior notícia desde... bem, desde você, mas eu não acho que 'Harry Potter Pega o Ônibus' vai vender muitas cópias do Profeta Diário."
Harry olhou de Draco para o hediondo ônibus roxo e suspirou. "Eu espero que você esteja certo."
"Eu estou certo. Eu sempre estou certo! Agora entre no ônibus, você está me dando uma dor de cabeça."
Draco estava tão exausto que ele mal notou a face espinhenta do jovem homem que pegou seu dinheiro, e estava muito frio para reclamar do fato dele ter cobrado ridículos dois galeões por uma garrafa de água e uma barra de chocolates. Draco pagou, e então foi para o fundo do ônibus, o qual estava deserto, e atirou-se em uma cama de dossel vazia. Então ele sentou-se, e olhou ao redor de si com ansiedade.
"O que foi, Malfoy?" Harry perguntou, pegando a cama ao lado da de Draco e deitando-se nela. "Você parece preocupado."
"Malfoys," disse Draco firmamente "não dormem em camas municipais. Quantas outras pessoas você acha que deitaram nesses lençóis? Faz minha pele formigar só de pensar nisso."
"Eu tenho visto você dormir em chão de concreto," Harry apontou. "Certamente, isto não pode ser menos confortável, não?"
"Não é questão de conforto" disse Draco irritado, tirou seu casaco e o lançou na cama, e deitou de volta em cima dele.
"Você é uma prima donna, Malfoy" * disse Harry, que estava enrolado, em sua posição de dormir favorita - de lado, com sua cabeça repousando em seu braço esquerdo. Seus olhos verdes observaram Draco com amigável divertimento. "Não acredito que você não trouxe seus próprios lençóis de percal** com 350 fios de algodão para esta pequena viagem."
[*prima donna = estrelismo, ** percal = tecido fino de algodão]
"Eu poderia convocá-los" disse Draco agradavelmente, mas Harry inclinou-se rapidamente no espaço entre eles e segurou seu pulso.
"Não," ele disse. "Nada mais de mágica - por favor. Especialmente mágica com as mãos. Eu realmente não quero ser notado."
"Eu estava só brincando," disse Draco, e Harry soltou seu braço devagar, e deitou-se de volta. "Eles são lençóis de cetim, de qualquer modo" disse Draco adicionou, calmamente, poucos minutos mais tarde, mas Harry não poderia ter ouvido; ele tinha rapidamente caído no sono.
"Então Harry é o herdeiro de Gryffindor?"
"Certo" disse Ginny.
Simas sentou quieto por um momento, digerindo a informação. "E você... você é a herdeira de Hufflepuff?"
Ginny assentiu com a cabeça. "Certo," ela disse novamente, empertigando sua cabeça preocupadamente. Simas, sentado na extremidade de sua cama, tinha pegado um pano de um de seus travesseiros jogados e estava puxando os fios dele em um rápido ritmo. Ela duvidava que ele tivesse percebido o que estava fazendo, mas estava começando a se preocupar que a história que ela estava contando era um pouco demais para ele. Ele parecia como se sua mente estivesse correndo em círculos.
"E Malfoy..." Simas parou, seus olhos azuis embaçados. "Malfoy morreu?"
"Apenas brevemente" Ginny replicou, tão prestativamente quanto podia. "Ele ficou bem logo depois."
Simas sacudiu sua cabeça, como para livrá-la de teias de aranha. "E... Harry e Malfoy podem conversar um com o outro telepaticamente? Eles gostam um do outro?"
"Sobre esta última parte há um debate" Ginny disse com um aceno, "mas basicamente sim."
Simas ficou de pé apressadamente, derrubando o travesseiro enquanto fazia isso, e começou a andar descalço para cima e para baixo no pé da cama. Ginny sentou contra os travesseiros e o observou com alguma ansiedade. Ela não tinha a intenção de contar tanto assim, mas uma vez que ela começou a falar tudo saiu em uma corrida precipitada. E ela não podia negar que tinha sido um intenso prazer finalmente contar a outra pessoa tudo o que ela tinha estado contendo dentro de si por tanto tempo.
"Simas" ela disse finalmente. "Fale comigo. Você está bem?"
Ele olhou para ela, quase como se estivesse surpreso dela estar ali ainda. "Eu não sei o que dizer. Sobre nada disto. Malfoy... salvou a vida do Harry?"
Ginny sorriu. "Sobre qual vez você está perguntando? Eles estão sempre salvando a vida um do outro. Olhe..." Ela sentou-se para frente na cama, fixando Simas com um olhar esperançoso. "Eles não são como as outras pessoas..." ela começou.
"E sobre Quadribol?" Simas disse de repente.
Ginny piscou para ele, pega desprevenida. "O quê?"
"Eles conversam... em suas mentes... durante os jogos? Porque eu tenho certeza de que isso é trapaça."
Ginny estava indignada. "Claro que não! Harry nunca faria isso! Nem Draco!"
Simas deu uma risada seca. "Sinto muito," ele disse "Eu não estou exatamente acostumado com a imagem de Malfoy como um modelo ideal de virtudes."
"Ele não é" Ginny disse pacientemente. "Ele só está mudado, isso é tudo. Ele ainda é arrogante, e teimoso, e mal às vezes, mas... ele não mentiria, ou trairia, ou faria nada dissimulado como isso. Ele tem um rígido código moral, de seu próprio jeito estranho. Olha, se você conhecê-lo..."
Simas deu outra risada seca. "Eu não acreditar nisso," ele disse. "Você está defendendo Malfoy. Pra mim."
"Mas Simas..." Ginny sentou-se de volta em seus calcanhares. "Você disse que queria saber o que aconteceu entre nós."
"Mas foi porque eu pensei que..." Simas passou a mão por seu emaranhado cabelo louro escuro em exasperação. "Eu pensei que ele tinha feito alguma coisa horrível com você! Seguido você por aí, seduzido você, enganado você, tentado forçar você..."
"Percebi." disse Ginny friamente.
Simas olhou como se soubesse que tinha dito algo estúpido.
"Eu não estava... —"
A voz de Ginny estava fria, como gelo. "Eu lamento se a realidade não é colorida o suficiente para você, Simas. Eu sinto muito se eu não fui abusada, ou abandonada, ou —"
"Não é isso." Simas interrompeu urgentemente. "Eu pensei que eu pudesse ajudar você —"
"Bem, eu não preciso da sua ajuda!" Ginny quase gritou. "Eu não preciso de você para correr para cima de seu grande cavalo branco e me resgatar, Simas Finningan. De fato, eu não preciso de você aqui para nada. Eu deixei você entrar aqui porque eu pensei que você poderia me fazer me sentir melhor. Mas tudo o que você está fazendo é fazendo eu me sentir pior!"
Um olhar magoado cruzou o rosto franco e gentil de Simas. Ele veio e sentou-se na cama do lado dela, e tentou pegar sua mão. Ela permitiu que ele levantasse sua mão, mas a deixou caída em seu aperto, como um peixe morto. Se ela tivesse realmente um peixe morto na mão, ela teria batido em toda a cabeça dele com isto. Ela não estava segura do porque estava tão chateada com Simas, mas ela estava. O gênio Weasley...
"Ginny," Simas disse depois de um longo silêncio. "Eu... eu realmente gosto de você. Gosto. Mas eu estou sentindo que você realmente não me quer por perto. Então..." Ele deitou a mão dela na cama. "Então eu já vou indo. A menos que..." Ele se levantou, suas mãos metidas em seus bolsos. Seus grandes olhos azuis suplicaram a ela para dizer alguma coisa — para pedir que ele ficasse. "A menos que você não queira."
Ginny respirou fundo. "Apenas vá, Simas," ela disse cansadamente, pegando o travesseiro com tecido danificado e o abraçando em seu peito. "Ashley e Elizabeth vão estar de volta a qualquer minuto e provavelmente seria melhor se você não estivesse aqui."
Ele assentiu com a cabeça, e mordeu o lábio. "Você vai ficar —"
"Eu vou ficar bem."
Ela observou ele caminhar para a porta com uma estranha dor no fundo da garganta. Se alguém tão gentil, doce e generoso como Simas não conseguiu ser compreensivo sobre isso, então talvez ela tivesse acertado - ninguém poderia. Ele abriu a porta e parou lá, olhando para ela, simpático em seu jeito de menino, com cabelo e cansado, sonolentos olhos azuis. "Eu não vou repetir nada do que você me contou," ele disse, sua voz muito séria. "Eu prometo."
Ela assentiu com a cabeça, segurando seu travesseiro, não confiando em si mesma para falar enquanto ele saía e fechava a porta atrás dele.
"Potter! Potter, acorde!"
Harry debateu-se, grogue, para ficar sentado. "Onde nós estamos?" ele perguntou, alcançando seus bolsos e puxando seus óculos. Ele os colocou, piscando enquanto a mancha em frente a ele definiu-se mostrando Draco sentado na ponta de sua cama, parecendo agitado, e brandindo algo em sua mão... um jornal enrolado. "Vai me bater com isso?" Harry perguntou, arrastando-se para sentar-se. "Nesse caso, o que eu fiz, exatamente?"
"Eu quero que você veja uma coisa," Draco disse, levantando suas pernas para sentar de pernas cruzadas na cama, e espalhando o jornal aberto em seu colo. Ele espetou em um artigo com o dedo. "Estúpido jornal trouxa... as fotos não se movem... mas eu reconheci isto, de qualquer modo."
"Reconheceu o que?" Harry inclinou sua cabeça para o lado, examinando o artigo indicado, coroado por um título de destaque:
A Arte do Roubo de Arte
Roubo de arte é não somente um crime elitista organizado por colecionadores sem escrúpulos, mas tem iniciado uma indústria bilionária ligada a cartéis do crime e negociando armas ilícitas.
Acredita-se que o roubo de uma coleção de inestimáveis e medievais antiguidades, incluindo um espelho, supostamente avaliado tanto quanto £500.000 (figura à esquerda) e acredita-se que pertencia a Louis X da França, que ocorreu no início desta semana nas redondezas de Sotheby foi um dos últimos incidentes deste comércio, agora vale mais de £3bilhões anualmente.
Tem havido uma onda de ataques à coleção européia de arte no ano passado, com o valor total de arte e antiguidades roubadas estimado em 300 a 500 milhões. Os assaltos sempre têm sido violentos; no início do ano passado ladrões amarraram o vigia noturno na Galeria Schirn de Frankfurt antes de pegarem quadros com valores...
("Ok", Draco lançou de súbito. "Eu estou pulando essa parte porque é chata...")
... Em contrapartida, o roubo em Sotherby aparentemente levou menos de dez minutos para ser executado e foi inteiramente sem sangue. Dentro do período de dez minutos da limpeza de rotina dos guardas de segurança, os artefatos inestimáveis simplesmente desapareceram.
A teoria que manteve-se prevalente é a que cada ladrões deve ter sido muito organizados ou que eles devem ter tido ajuda de dentro. Nós estaremos questionando nossa equipe de perto, afirma o chefe da segurança do Sotheby, Keith Fraser, visivelmente perturbado com os recentes eventos. É impossível que esses ladrões tenham invadido nosso sistema de segurança sem considerável assistência de alguém que possua conhecimentos de dentro.
Quando perguntado se existia outra maneira da segurança ter falhado, Fraser ficou indignado, Bem, eu suponho que eles não podem ter usado mágica!
Draco torceu seu nariz em confusão. "Espere, eu pensei que eles não conheciam mágica..."
"Ele está sendo sarcástico, seu idiota" disse Harry, esticando sua cabeça sobre o ombro de Draco para ver melhor o jornal. "E eu ainda não entendi porque você queria que eu visse isso."
"Viu ali o espelho, Potter?" Draco perguntou, apontando o dedo para a fotografia colorida que parecia com um espelho de mão de prata, de aparência muito antiga. O punho e a parte de trás do espelho estavam esculpidos em toda sua extensão elaboradamente com pássaros, flores, e graciosas espirais de prata. Ele lembrou a Harry um pouco de sua bainha de Gryffindor, se fosse ligeiramente menos colorido.
"É?" Harry olhou para o lado, para Draco. "E o quê?"
"Bem, este é o espelho do meu sonho, é isto." Disse Draco, olhando para a foto. "Ele é único - eu o reconheceria em qualquer lugar."
"Do seu sonho... oh. Aquele sonho."
"Sim, aquele sonho. Tão preocupado quanto eu estou, isso encerra o questionamento de se os sonhos são reais. No sonho, Rabicho contou a Voldemort que ele tinha conseguido o espelho naquele dia... e este roubo foi poucos dias atrás. A questão vem a ser: qual a razão do Lorde das Trevas querer tanto esse espelho? Se ele está mandando capangas no mundo trouxa para conseguir isso, ele deve precisar disto para alguma coisa.
"Você não acha que ele só quer se admirar nele?" Harry perguntou.
Draco bufou. "Ele tem servos para isso 'Oh, Voldemort, sua pele está com um tom luminoso de verde hoje, e seus olhos estão vermelhos de modo radiante.' Potter, ele quer aquele espelho para alguma coisa, e conhecendo ele, provavelmente não é como presente para sua querida mãe."
"Bem," disse Harry, e bocejou, "se você quer saber sobre o que é isto, você sabe o que fazer."
"O quê?"
"Vá dormir e tenha outro sonho sobre isto."
Draco olhou ofendido. "Eu não posso somente comandar os sonhos, você sabe."
"Não? Não é um talento muito útil, então, é?"
"Você só quer cochilar. Desprezivelmente preguiçoso, isso que você é", disse Draco e virou para olhar para fora pela janela. "Está bem, nós podemos falar sobre isso quando você estiver acordado, então."
Harry seguiu o olhar de Draco por hábito, e viu o mundo do lado de fora passando como flash em uma velocidade vertiginosa, árvores e prédios desviando-se para sair do caminho do Noitibus Andante. Apenas o céu da noite parecia ainda permanecer, alto e frio e tão limpo e transparente quanto uma camada de vidro preto. Harry quase imaginou que ele podia olhar para ele e ver o infinito. Ele falou então, sem pensar.
"Você acredita em Deus, Malfoy?"
Draco começou, e virou-se para olhar para ele com descrença. "Se eu faço o quê?"
"Você me ouviu," disse Harry, desconfortável. "Você acredita em Deus - de qualquer modo?"
Draco parecia hesitante. "Eu acho que eu acredito em Deus," ele disse. "Ainda que algumas vezes eu ache que ele tem algumas restrições bem fortes para mim."
"E céu? E inferno?" Harry perguntou.
O outro menino sacudiu sua cabeça. "Sobre o que é isso? De qualquer modo, eu acredito no Inferno... nós vimos Slytherin ser arrastado por aqueles demônios. Onde você acha que eles o levaram? Um tour de balão em Ural com todas as despesas pagas?"
"E céu?"
Draco deu de ombros novamente. Harry sentiu que ele estava deixando o outro garoto muito desconfortável. "Pela lógica se existe um céu, existe um inferno."
"Bem," disse Harry, sentando-se em frente a ele, "como você acha que é?"
Draco inclinou-se de volta contra o poste de madeira da cama, sua boca como uma linha torta em estupefação. "Você está me perguntando como é o céu, Potter? Vamos lá, você tem seu nome na lista para entrar lá desde antes de tê-lo na lista para Hogwarts. Enquanto eu..."
"Enquanto você irá numa sacola para o inferno, eu sei." Harry interrompeu. "Entretanto, use sua feroz imaginação por um segundo, sim? Eu realmente quero saber o que você acha."
"Você quer?" Os olhos de Draco estavam da cor de quartzos de cristal, e quase legíveis. "Eu acho que o céu deve ser diferente para todo mundo que vai lá. Para você, provavelmente coelhinhos e Natal e otimismo e todos enfiando flores nas orelhas."
"E pra você?"
Draco ficou em silêncio por um momento, olhando para fora pela janela para o mundo escuro intermitente. "Um lugar para descansar, eu acho", ele disse finalmente.
"Você está cansado, Malfoy?"
Draco virou seus olhos cinza para Harry. "Sempre," ele disse, "você não?"
Harry deu de ombros. "Eu não acho que eu possa estar cansado."
"É," disse Draco, olhando de volta para a janela. "Talvez você não possa."
O quarto estava cheio com a pálida luz da madrugada. Ron sentou-se na janela e olhou para fora. Logo abaixo da linha oriental de árvores o nascer do sol estava desfiando-se como uma costura vermelha ao longo de um pálido tecido cinza. Ele tocava a Floresta Proibida com suas luzes e as árvores pareciam se queimar, como se elas estivessem pegando fogo. A neve sem marcas abaixo do campo de Quadribol brilhava como um cristal mergulhado em tinta escarlate. Era um bonito novo dia, porém Ron considerou isso com quase nenhum interesse. A profundidade do céu acima das copas das árvores o fez pensar em uma garganta cortada jorrando sangue, e sua cabeça doeu e martelou como se ela tivesse sido presa por uma morsa.
Ele estava cansado, fisicamente exausto por não ter dormido, e isto agravado pelo estresse e pela tensão. Mas ele estava acostumado com isso. O que o consumia era a ansiedade. Quando ele estava com ela ele ficava feliz; quando ele não estava com ela se preocupava se iria vê-la novamente e isso o deixava extremamente infeliz. Tinha sido ela que tinha vindo até ele primeiro, mas em algum lugar pelo caminho, o balanço de poder tinha mudado, e o que parecia um jogo tinha, ao invés disso, se transformado em alguma outra coisa.
Inicialmente, tudo tinha se parecido com uma desajeitada maneira para si próprio de conseguir uma vingança por desrespeitos verdadeiros ou apenas percebidos em suas ações, isto dificilmente importou. Mas agora não era assim - não para ele, de qualquer modo. Para ele, ele dificilmente poderia adivinhar. Ela estava arriscando um ótimo acordo, ele sabia. Talvez mais do que ele tenha imaginado. Ele tinha pensado em se manter seguro. Mas ela veio até ele sabendo a resposta à pergunta em seus olhos e propensa a dá-la. Ao pegar a resposta dela, ele percebeu de algum modo que ele tinha lhe dado tudo. As chaves de seus segredos trancados, as esperanças enterradas no fundo de sua mente. Os mais profundos e os mais desesperados desejos de seu coração. Ela sabia todos eles agora. Ele não poderia dizer sinceramente que sabia o mesmo dela. Algumas vezes ela parecia estar se escondendo de propósito, mantendo-o à distância, e em público, quando ela olhava para ele, seus olhos não diziam absolutamente nada; esta outra vida deles podia muito bem não existir. Isto o fazia querer gritar e jogar coisas; querer bater nela, somente para obter alguma reação. Assumindo que isto iria obter alguma reação. Harry tinha dito uma vez a ele que o pior sentimento imaginável era descobrir-se odiando a pessoa que você mais amou no mundo; ele se perguntou agora se Harry tinha dito isto somente porque ele nunca tinha conhecido como era amar alguém e descobrir que você não pode confia nesse alguém. Certamente isto era pior. Tinha que ser.
Quando o Noitibus Andante finalmente veio dando um cavalo de pau e parando, estava quase o amanhecendo. O céu tinha clareado o suficiente para revelar nuvens pesadas, e o ar tinha gosto de neve iminente. Draco estava bem feliz de desembarcar do ônibus, e ficou perto de Harry, o qual estava botando suas luvas e cachecol, enquanto o Noitibus Andante rugia à distância.
Eles estavam em uma estrada rural, uma delgada pista limpa da neve com pavimentação estendendo-se entre as linhas pretas de árvores descobertas. Ao longo do lado esquerdo da rua corria uma alta parede de pedra com pregos no topo. O cemitério, supôs Draco.
Harry terminou de colocar suas luvas, e começou a descer a estrada. Draco o seguiu, aproveitando o ar frio. Ele sempre tinha gostado de baixas temperaturas. A parede logo terminou em um portão de metal, acorrentado e com cadeado fechado.
Draco assistiu Harry enquanto ele tirava sua luva da mão direita, pensativo, e tocava sua mão na fechadura. "Alohomora", ele sussurrou, e o cadeado saltou avidamente desassociado para baixo de sua mão. Os dois garotos caminharam para trás enquanto o portão abria-se, com um rangido fraco. Quando eles passaram, Harry acorrentou o portão atrás deles.
Eles estavam mais ao sul do que Hogwarts, e nesse lugar tinha nevado bem menos. A neve estava polvilhada nos topos das lápides com uma camada fina de poeira, e salpicada nos caminhos escuros desnudos entre os túmulos. Draco nunca tinha estado em um cemitério antes; os Malfoys eram todos enterrados nos jardins da Mansão, com um mausoléu erguido sobre seus ossos. Alguma coisa no fundo de sua mente, seu velho eu, se revoltou com o pensamento de ser enterrado desse modo, no meio de desconhecidos sem seu próprio sangue.
Ele olhou para os lados, para Harry. "Você sabe onde estamos indo?"
Harry assentiu com a cabeça. Ainda estava muito escuro para Draco ver a face dele apropriadamente, embora o céu do Oeste estivesse começando a brilhar com umas poucas faixas cinza de luz. O amanhecer estava chegando. Harry levantou um braço, coberto com a jaqueta, e apontou: "Por ali."
Eles foram, as botas deles triturando a terra congelada, e então, enquanto Harry deixou o caminho e atravessou em direção ao lado mais distante do cemitério, por congeladas lâminas de grama. O único sinal de que este era um cemitério de bruxos eram as flores que floresciam, sem murchar nem congelar, em cada túmulo conforme eles passavam. Draco mal notou os nomes nas lápides enquanto eles caminhavam; ele estava olhando para Harry, que parecia tenso em exagero, com um tipo de expectativa nervosa. Suas mãos vestidas nas luvas estavam em punhos dentro dos bolsos da jaqueta, seus ombros tensos e firmes.
Harry parou de andou. "Certo", ele disse, com voz calma. "Nós estamos aqui."
E Draco, seu coração pulando com adrenalina por alguma razão que ele não sabia dizer, parou com ele, e olhou.
Havia altos mausoléus no cemitério, esculpido com anjos ao redor; havia mausoléus com escritos em Latim ao redor e coroados com estátuas de Merlin e outros bruxos famosos. Mas eles ficaram em frente a um túmulo cinza claro decorado somente com nomes. Lily Potter dizia o nome da direita; o da esquerda: James Potter. Abaixo dos nomes estava escavada uma legenda em Latim, Amor Vincit Omnia, e em baixo, a data da morte. 30 de Outubro de 1981.
Ele arriscou um olhar para Harry, que tinha ficado muito quieto. No azul claro da luz do amanhecer, seu rosto tinha finas sombras gravadas, sua boca em uma linha reta. Ele estava muito pálido, se uma luz brilhasse em algum lugar nele, sob sua pele. Seus olhos tinham mudado de novo. Existia um olhar distante neles, como se ele olhasse fixo alguma outra paisagem, outro mundo vagamente visto além deste, um olhar cego.
"Harry", Draco disse lentamente. Ele queria dizer alguma coisa profunda e interessante, algo que o confortasse, alguma coisa sobre a natureza da vida e da morte e a importância do encerramento. Porém, nada veio a sua mente. Ele hesitantemente tirou as mãos dos seus bolsos, vagamente pensando em tocar o ombro de Harry, se certificar de que ele está bem.
"Malfoy?" Harry disse interrompendo o silêncio. A voz dele estava muito calma, seus olhos fixos nas lápides agora.
Draco ficou mais reto. "Sim?"
"Se você não se importa" Harry disse, sua face ainda afastada, "Eu gostaria que você me deixasse sozinho aqui por um tempinho."
"Oh," Draco disse. "Oh. Certo." Ele botou as mãos de volta nos bolsos, se sentindo repentinamente muito inadequado. "Claro. Eu vou só... voltar depois."
O outro garoto não respondeu. Draco virou-se então, e deixou Harry lá, de pé junto aos túmulos de seus pais, na pálida luz do frio amanhecer.
Harry esperou até que o som dos passos de Draco triturando o gelo tivesse sumido no silêncio antes de ficar de joelhos ao lado do túmulo. Ele olhou para a lápide por um momento de sua posição ali no chão. O nome de seu pai e de sua mãe lado a lado, parecia como se eles tivessem sido marcados na pedra. Ele leu as palavras em Latim debaixo de seus nomes. O amor conquista tudo. Ele se perguntou quem o tinha escolhido. Alguém que devia pensar que isto era verdade, o que, é claro, não era.
Ele podia sentir seu próprio coração batendo, forte, contra suas costelas, e uma secura em sua boca. Mas, além disso, ele não sentia nada. Nada mesmo. Ele tinha se perguntado se ele poderia chorar, mas ele não se sentia vontade de chorar. Todos os pensamentos dele estavam focados em sua tarefa em mãos. Ele suspeitou que ele não tinha muito tempo antes de Draco voltar. Ele tirou suas luvas, colocou-as cuidadosamente no chão, e começou a raspar a camada de neve que cobria os túmulos.
Ele não tinha percebido que o chão abaixo da neve estaria tão fortemente congelada, mas estava. Ele arranhou isto com seus dedos, mas era como tentar cavar no ferro. Ele desejou que ele tivesse trazido com ele algo com o qual raspar a terra, ou que soubesse um feitiço que pudesse funcionar, mas então ele supôs novamente que não seria sensato usar mágica nesse lugar. Finalmente, ele desamarrou o cinto de sua cintura, removeu o encantamento vermelho que estava preso ali, e usou a borda disto, tão dura quanto diamante, para raspar no chão do túmulo. Quando ele tinha sujeira suficiente para encher suas palmas das mãos em concha, ele deixou cair a fita rúnica, tirou um pequeno frasco do bolso interno da jaqueta e o encheu com a terra meio congelada. Então, ele o tampou firmemente e o colocou de volta no bolso.
Ele levantou-se, repentinamente tonto. Ele não tinha certeza se era porque ele estava segurando a respiração, ou somente por uma reação de estar onde ele estava. Os nomes esculpidos nas lápides pareciam estar saltando para fora, para ele, estampados em preto contra o interior de seus olhos. Ele ouviu a voz de Draco em sua cabeça, falando com ele nos corredores do castelo de Slyntherin. Não há nada que você possa fazer e não há jeito de vingá-los, e eles estarão lá para sempre e você nunca os verá de novo, nem mesmo se você morrer.
Ele percebeu que ele não queria estar olhando os túmulos, nem mesmo queria estar perto deles, e ele começou a recuar, se movendo rapidamente, até que ele virou a esquina de outro mausoléu e eles ficaram fora de vista.
Ele achou-se de pé em um quadrado de grama/uma praça gramada entre quatro imponentes pedras de mausoléus. Ele inclinou-se contra o lado de um, deixando seus batimentos diminuírem. O sol tinha continuado sua rápida e invariável subida ao leste e a grama com neve a toda volta e as pálidas pedras dos mausoléus estavam tingidas com uma decepcionante e bela luz rosada. As lápides estendiam-se na distância, uma linha imóvel e ininterrupta, até que ele percebeu que de fato havia um movimento ali - alguém que estava vindo em direção a ele ao longo do caminho entre as lápides. Alguém que não era Draco. Uma garota.
Rhysenn.
Harry endireitou-se e olhou fixo. Ele lembrou-se de ter visto Rhysenn descendo as escadas na Mansão com Charlie em seu braço, e pensado na hora que ela era bem bonita, muito mais velha, uma dessas mulheres tão elegantemente vestidas que se pareciam mais com bonecas do que com pessoas. Agora, entretanto, ela parecia... muito diferente. Ela vestia uma curta saia de pregas cinza e meias até os joelhos, pretas sandálias de couro envernizado e um suéter azul claro. Ela deve estar congelando, ele pensou, embora ela não desse sinais disto. O cabelo preto brilhante dela estava envolvido em longas tranças que caíam perto da cintura fina dela, amarradas nas pontas com impróprios laços azuis brilhantes. O rosto dela estava limpo, sem maquiagem, seus olhos muito brilhantes. Ela parecia ter quinze anos - pelo menos seu rosto parecia o de uma garota de quinze anos, mesmo que parecesse estar ligado ao corpo de uma mulher de vinte anos. "Eu suponho que você não iria acreditar se eu dissesse que eu estava apenas na vizinhança," ela disse, ainda caminhando em direção a ele, "você iria?"
"Não," ele disse, e deu outro passo para trás. Isto o deixou contra o lado do mausoléu, e ele foi forçado a parar de recuar. "Se você quer Draco, ele não está aqui. Ele foi dar uma caminhada."
"Então, felizmente eu não estava procurando por ele", ela disse. "Felizmente eu estava procurando por você."
"Por mim?" disse Harry. "Ela estava muito perto dele agora, e estava chegando ainda mais perto. Por que eu?"
Ela estava a apenas um passo dele agora, tão perto que seu rosto parecia encher toda sua visão: seus lábios vermelhos brilhantes e seus olhos cinza, profundos como um túnel infinito, atraíam o seu olhar. Ele queria desviar os olhos, mas não queria desviar os olhos. "Eu só queria conversar com você," ela disse, sua boca vermelha curvando-se. "Isso é tudo."
Seus olhos diziam a ele outra coisa.
"Sobre... o que?" Harry estava consciente de que sua voz soava uma oitava mais acima do que o usual.
Ela riu. "Como você reagiria se eu te contar que é porque eu não consegui parar de pensar em você desde a sua festa de aniversário, e que eu apenas tinha que te ver de novo?"
"Eu não sei," disse Harry, muito nervoso. "Por que, este é o tipo de coisa que você está propensa a dizer?"
Rhysenn soltou uma risada alta, alcançou-o e afagou sua bochecha. Ela deixou seus dedos demorarem ali, e ele sentiu-se arrepiar incontrolavelmente como se ele estivesse com frio, mas ele não estava. "Você é horrivelmente fofo", ela disse, o timbre baixo da voz dela mandando uma vibração pulsante aos seus ouvidos. "Você sabia disso?"
"Eu tenho ouvido que não sou", disse Harry e olhou ao redor de modo ainda mais nervoso. "Não é de muito mau gosto estar se escondendo de alguém num cemitério?"
"Bem," disse Rhysenn, e deu de ombros. "Veja deste modo. Você estava deprimido um minuto atrás, não estava? E agora você não está."
"Não," Harry concordou. "Agora eu estou com medo."
"Eu estou sentindo," ela disse melancolicamente, "que você não confia em mim."
"Eu não confio." Ele tentou dar um suspiro profundo, mas o forte perfume dela queimou a superfície de seus pulmões e garganta, e ele tossiu. "Por que eu deveria? E, chegando ao ponto, o que importa pra você o que eu acho? Eu pensei que seria Draco quem você deveria estar incomodando."
"Incomodando?" Ela fechou a cara e fez beicinho para ele. "Você chama isso de incomodar? Eu estou tentando ser útil."
"Você seria bastante útil você indo embora."
Ela levantou seus grandes olhos cinza para os dele. "Você não quis dizer isso de verdade", ela disse e Harry ficou desagradavelmente surpreso em descobrir que era verdade. Nenhuma parte de sua mente acreditava ou gostava dela, mas alguma parte reptiliana enterrada em seu cérebro estava insistindo que ele a deixasse ficar e continuar o tocando com aquelas mãos que pareciam lançar arrepios frios de prazer por sua pele. Ele pensou em Hermione, e no que ela iria pensar, e se sentiu terrivelmente mal e culpado imediatamente. "E por que você acredita no que Draco te conta?" ela sussurrou.
"Porque eu confio nele", Harry disse brevemente. Ele percebeu que ele estava bem preso na entrada do mausoléu nesse momento e não tinha como escapar sem afastá-la. E de algum modo a idéia de colocar as mãos no corpo dela, mesmo para empurrá-la para longe, parecia uma má idéia.
"Você tem certeza que isso é sensato?" A respiração dela arrepiou os cabelos dele. Ele tremeu, seus pensamentos voando para todos os lados, como pássaros assustados. Isto nunca tinha acontecido a ele antes — normalmente quando ele estava enfrentando algum perigo ou incerteza sua mente ficava aguçada, em alerta. Agora seus pensamentos estavam vagos e abafados.
"O que..." ele começou, grogue. "O que você está tentando dizer?"
"Eu te disse que todos os seus amigos iriam traí-lo", ela sussurrou. "Você não lembra?"
"Draco," ele disse um pouco grogue. "Ele não iria... ele não pode mentir para mim."
"Você tem certeza?" Sua mão estava acariciando suavemente a bochecha dele agora.
Ele fez que sim com a cabeça, o que não era um bom movimento porque isto deixou seu rosto em maior contato com a mão dela. "Eu tenho certeza."
"E o que te deixa tão certo? Que ele seja fiel? Você sabe de algo especial? Algo que as outras pessoas não sabem?"
Harry tentou responder, mas sua voz tinha secado em sua garganta.
"Você está se sentindo bem, Harry?" ela perguntou. Seus olhos, novamente, falavam com ele, dizendo palavras diferentes, as quais ele podia quase ouvir em sua cabeça. Eu sei o que você realmente quer... nós poderíamos ir a algum lugar, algum lugar calmo, e se você quiser, nós podíamos fazer sexo.
Harry pulou para longe dela tão violentamente que ele bateu sua cabeça em um anjo ornamental esculpido. "Ouch", ele exclamou. "O que você disse?"
"Oh, sua pobre cabeça", ela disse, seus olhos dançando com suprimido contentamento. "Deixe-me ver", e ela se aproximou dele e tocou seus dedos na têmpora dele e acariciou sua pele ali. Harry estremeceu, e tentou não respirar, mas mesmo com a boca fechada bem apertado ele parecia estar inalar o cheiro do perfume de rosa dos cabelos dela — era como jarmim e sândalo misturados com algo mais forte. Ela não era bonita, não de verdade, mas isto não importava; ele percebeu que seu coração estava batendo como uma britadeira em seu peito, e sua garganta estava seca. Ele estava muito consciente do ombro dela roçando o dele, a dilatação dos seios dela debaixo do material apertado da blusa dela, o agradável dente no centro do lábio inferior dela...
"Eu..." ele começou esperançoso. "Eu não acho..."
"Shhh, Harry", ela sussurrou, chegando ainda mais perto, e ele a sentiu soltar o ar contra ele, a respiração dela agitando o cabelo dele. Se ela chegasse algum centímetro mais perto, ele pensou meio histérico, eles não teriam que ir a lugar nenhum para fazer sexo. Havia um aperto no seu peito que parecia estar crescendo e crescendo em intensidade, e uma escuridão irradiando por trás de seus olhos. Ele se sentiu doente e fraco e ao mesmo tempo consciente de uma dolorosa excitação. "Eu não vou machucá-lo, Harry. Você irá gostar disso..."
"Fique longe dele," disse uma voz cortante, fria e irritada, cortando através da névoa cinza do cérebro de Harry. "Agora."
Harry abriu seus olhos (ele nem mesmo tinha percebido que eles estavam fechados, mas eles estavam) em tempo de ver Rhysenn dar um passo para trás e se virar, suas tranças negras balançando. "Oh querido", ela exclamou, soando como uma garotinha privada de um mimo de aniversário. "Draco."
Harry arrastou seu olhar para cima e para longe de Rhysenn. Ele não ficou surpreso de modo algum de ver Draco de pé a poucos passos de distância com as mãos nos bolsos, parecendo muito irritado de fato. Seus olhos cinza claros estavam fixados em Rhysenn. "Honestamente," ele disse. "Você não tem vergonha?"
Ela sorriu. "Você está com ciúmes?"
"Não," ele disse brevemente. "Só com pouca paciência."
"Eu estava apenas me divertindo um pouco", Rhysenn disse alegremente, agitando-se em direção a Draco com sua saia balançando. Isto era um grande alívio para Harry, que achou a proximidade continuada com ela enervante ao extremo. "Eu estava te procurando. Eu queria te agradecer. Você salvou minha vida."
Draco deu a ela um olhar irritado. "Foi um reflexo", ele disse. "De qualquer modo, eu pensei que você era imortal."
"Eu sou, mas eu posso sangrar. Eu posso sentir dor. Eu posso sentir um monte de coisas."
Eu aposto que ela pode, Harry pensou irritado.
É, e você estava realmente repelindo ela, Potter, Draco murmurou de volta. Cala a boca e deixa que eu lido com isso.
Os olhos escuros de Rhysenn se estreitaram. "Vocês dois estão... conversando em suas mentes? Eu ouvi que vocês podiam fazer isso, mas eu nunca pensei que —"
"Quem te contou isso?" Draco perguntou com raiva, parecendo repentinamente feroz.
"Não é verdade", Harry lançou de súbito — sua voz vindo como uma arfada, mas pelo menos a confusão em sua cabeça estava desaparecendo.
Draco lançou um olhar para ele, e então voltou seu olhar para Rhysenn. "Por que você nos seguiu até aqui, Rhysenn?" ele exigiu. "Você estava ficando entediada em sua pequena jaula? Voldemort não está empurrando bolinhas de comida suficientes por entre as barras?"
A cor brilhante das bochechas de Rhysenn sumiu. "O que você disse?"
"Você me ouviu." Draco começou a caminhar, e Rhysenn quase deu um passo para trás antes de ela parecer recuperar-se. "Me chame de louco, mas eu acho que se você tivesse uma pequena roda instalada, então você poderia correr por aí, e você não seria tão induzida a perseguir garotos adolescentes ao redor das Ilhas Britânicas. Você poderia trabalhar parte desse excesso de energia."
A cor tinha voltado, inundando o rosto dela. "Aquela prisão não me prende", ela sibilou, sua voz um sussurro sem interesse.
"Eu notei que você não negou que trabalha para Voldemort", disse Draco friamente. Seus olhos eram lascas de gelo cinza. Ele parecia, Harry pensou, muito com o pai dele. "Quer nos falar um pouco sobre isso?"
"Quem o contou essas coisas?" ela exigiu. "Onde você se informou sobre elas?"
Draco sacudiu sua cabeça. "Eu poderia te contar, veja bem, mas eu realmente não quero."
Os dedos de Rhysenn se curvaram em garras. "Seu garoto estúpido, ela disse irritada. O Lorde das Trevas irá destruí você, e qualquer criado que traí ele por você!"
"Nesse caso, eu irei apenas dizer a ele que foi você, eu devo?" Draco sugeriu invariavelmente. Ele levantou uma sobrancelha, e olhou para cima, para o céu clareando. "O Sol está chegando," ele adicionou, sua voz enganosamente macia. "Você não deveria..."
Com um grito de raiva e um redemoinho de cabelos pretos, Rhysenn desapareceu, sumindo sem nem mesmo o suave *pop* que normalmente acompanha a desaparatação.
Draco ficou de pé onde ele estava, olhando fixo o lugar onde ela tinha desaparecido. Não havia marcas na neve onde suas pegadas deveriam estar; era mais fácil ver isso agora, com a aglomeração da luz. O advento do nascer do Sol tinha listrado o horizonte com barras de rosa e dourado, reluzindo pelo granizo, pelo cabelo cor da gelo de Draco.
"Ei," Harry disse constrangido. A expressão fixa de Draco era perturbadora, no mínimo. "Malfoy... obrigado."
"Obrigado?" Draco empurrou sua cabeça para cima e olhou para Harry como se ele fosse a coisa mais deplorável que ele tivesse visto em uma vida inteira de coisas deploráveis. "O que foi aquilo? Eu nunca tomei você como o tipo facilmente-seduzido-por-mulheres-ardilosas."
"Eu não sou", Harry respondeu. Ele queria que ele pudesse ser um pouco mais expressivo, mas ele estava tendo problemas em tomar fôlego. Havia também uma sensação estranha e rodopiante na boca do seu estômago, como se ele tivesse acabado de ser derrubado de uma grande altura.
Draco revirou os olhos. "Se eu não tivesse voltado..."
O estômago de Harry deu um solavanco. "Eu tinha tudo sobre controle", ele ofegou.
"Oh, sim, foi o que pareceu. Ei, com alguma sorte, você poderia tê-la afogado com sua baba."
O estômago de Harry deu outro solavanco, desta vez como se ele estivesse tentando se virar do avesso. Ele deu uns poucos passos cambaleantes, quase colidiu com uma lápide, caiu em seus joelhos e ficou violenta e completamente doente na grama. Seu corpo tremeu. Ele só havia se sentido doente desse jeito uma vez, depois de beber muito. Ondas de náuseas cruzavam seu corpo, quase dolorosas em sua intensidade. Finalmente elas retrocederam, e ele recostou-se em seus calcanhares, ofegando ar.
"Ei". Era a voz de Draco, muito mais gentil agora. As mãos fechadas nos braços de Harry, o ajudando a se colocar de pé. "Harry... o que aconteceu?"
Harry sacudiu sua cabeça. "Acho... que preciso... de água."
Rapidamente, Draco tirou sua garrafa de água superfaturada de um bolso do casaco, e entregou a Harry. Harry bebeu quase toda a água, e então jogou o resto dela no seu rosto e mãos. Isso ajudou: sua mente estava começando a clarear, e o mundo estava voltando a entrar em foco.
"Você consegue ficar de pé sozinho?" Draco perguntou.
Harry fez que sim com a cabeça e esfregou uma manga em seu rosto úmido.
"Eu estou bem", ele disse. "Deve ter sido todo o movimento no Noitibus Andante."
Draco largou seu aperto no braço de Harry, parecendo pensativo. "Eu não acho. Eu acho que isso foi algo relacionado à Rhysenn."
Harry deu uma risada trêmula. "Eu não acho que ela ficaria feliz em ouvir isso."
"Bem, ela parece ter um efeito dos infernos sobre você. Eu pensei que você ia cair e desmaiar antes."
"Eu estava tentando afastá-la," Harry disse.
"É," disse Draco. "Talvez você estivesse."
"Eu tentei," Harry disse novamente. "Eu tentei, eu só não consegui. Eu queria, mas..."
"Ei, você sabe, isso acontece com todo cara," disse Draco com falsa simpatia.
Harry falou de modo abafado. "Ah, cala a boca, Malfoy."
Draco riu. "Nós temos que sair daqui, ele disse. O céu está clareando."
"Tudo bem," Harry disse, e deu um passo em direção a ele. Então ele parou. "Minhas luvas — e meu bracelete. Eu os deixei no — onde nós estávamos antes."
Draco agarrou as costas da jaqueta de Harry, o guiando enquanto eles caminhavam de volta para os túmulos dos Potters. Harry não notou a suave condução; ele ainda estava com os pés um pouco trêmulos. "Bracelete?" Draco repercutiu.
"Minha fita rúnica — Eu a uso no meu cinto. Para dar sorte."
"Oh, certo. Aquela fita vermelha. Por que você a tiraria?"
"Razão nenhuma," Harry disse brevemente, parando para pegar o bracelete e suas luvas. Draco não o pressionou, como Harry sabia que ele não faria. Ele permaneceu em silêncio enquanto Harry deu às lápides uma última olhada. Então Harry pegou a caixa contendo a Chave de Portal do seu bolso, e a abriu. A chave de Portal reluziu prata na luz da manhã, pois agora já tinha amanhecido por completo. Ele virou-se para Draco.
"Segure-se em mim", ele disse, e virou a Chave de Portal para sua mão. O mundo virou de cabeça para baixo, e então ele estava rodopiando para longe, disparando através da névoa cinza, a mão de Draco enlaçada fortemente nas costas de sua jaqueta.
Draco aterrissou no duro chão de pedra com tanta força que ele cambaleou para frente na direção de Harry, cuja jaqueta ele ainda estava segurando. Ele a soltou e cambaleou ficando ereto novamente, olhando ao redor.
Eles estavam no escritório de Lupin. Partículas de poeira dançavam no eixo de luz que transbordava pelas janelas semi-abertas, iluminando a escrivaninha cheia de livros, a cadeira puxada para perto da lareira, que estava vazia e fria. Ele olhou para Harry, que parecia um pouco atordoado. "Ponha a Chave de Portal de volta no lugar e vamos embora," Draco sussurrou urgentemente.
Harry pôs a caixa na mesa, mas enquanto ele fazia isso, houve um barulho fraco — Draco virou-se e viu que a maçaneta da porta esta girando devagar, lentamente...
Harry tinha ficado branco, e estava encarando a porta. Minha capa — ficou no seu quarto!
Draco agarrou as costas da jaqueta de Harry novamente, e o empurrou na direção da lareira. Ele apontou sua mão esquerda na grelha/ grade vazia e murmurou "Incêndio!". Chamas azul-claro instantaneamente rodearam os troncos ali; Harry, percebendo o que Draco estava tentando fazer, agarrou a caixa com pó de Flu que jazia na cornija da lareira, e jogou um punhado generoso na lareira. Ele lançou-se para dentro logo depois do pó justo quando a porta abriu, e Draco o seguiu, segurando a jaqueta de Harry novamente, assim eles não seriam separados. Ele ouviu Harry gritar um destino para eles enquanto o pó os girava para longe, ou pelo menos ele presumiu que tenha sido isto que Harry tenha gritado — ele não podia dizer. Grades de outras lareiras passavam em flashes rápidos, algumas claras, outras escuras, e então o redemoinho propulsionado pela magia do Flu os cuspiu para fora como objetos arremessados de uma catapulta. Eles rolaram dolorosamente por duro chão de pedra, finalmente alcançando algo duro. Draco ouviu um grito de dor de Harry, que jazia esparramado no chão, lamentavelmente tossindo muito. Draco levantou sua cabeça lentamente, piscando para afastar a vertigem, e viu Harry olhando de volta para ele; Harry estava coberto com fuligem, sua blusa e jeans com longos riscos enegrecidos, seu cabelo opaco com poeira.
"Você está bem?" Draco perguntou, sustentando-se dolorosamente em seus joelhos.
"Eu estou bem", Harry disse, ainda tossindo, "tira a merda da sua perna da minha — ow!"
"Pare de empurrar", Draco respondeu irritado. "E pare de agitar os braços — você está jogando fuligem nos meus olhos."
"Bem, bom dia," disse uma voz estupefata. "Legal vocês dois passarem por aqui."
Ambos viraram-se e encararam. Draco viu primeiro as calças jeans azuis, e então, enquanto ele arrastava seus olhos para cima, viu vestes de trabalho azuis escuras, também cobertas de fuligem, um par de luvas de couro até o antebraço, atravessando o peito largo, e alcançando um rosto estampado com grande desaprovação, finalizado com uma careta vermelha brilhante, um cabelo instantaneamente reconhecível...
"Charlie," disse Harry fracamente, e então sucumbiu a outro acesso de tosse.
Draco rolou para longe de Harry e subiu em seus joelhos, seus olhos agitando-se pelo ambiente ao redor. Eles estavam no escritório de Charlie — ele reconheceu os adornos da Romênia nas paredes, o balde de comida de dragão, e, em sua gaiola na escrivaninha, o próprio dragão, parecendo bem bravo de fato por sua refeição da manhã ter sido cruelmente interrompida. "Eu posso explicar..." Draco começou.
Charlie balançou sua cabeça. Draco podia ver refletido no espelho atrás dele exatamente o que Charlie estava vendo — ambos os garotos cobertos de fuligem, deixando o cabelo de Draco preto, seus rostos com listras cinza, suas botas lamacentas, os dois com roupas de trouxas, os dois parecendo muito culpados de fato. "Vocês querem saber?" Charlie comentou vagamente na direção do teto. "Eu não quero saber. Eu não quero nem mesmo saber."
"Ron, coma alguma coisa," Hermione disse irritada, "você está me dando dor de cabeça, enrolando desse jeito."
Ginny olhou de relance para seu irmão que estava realmente enrolando, comendo lenta e indiferentemente seus feijões frios sobre a torrada. Ele também parecia cansado e ligeiramente abatido, seus olhos tinham sombras escuras, sua boca estava virada para baixo. "Nervosismo pré-jogo?" ela perguntou curiosamente; Ron raramente ficava, se já tinha ficado alguma vez, significativamente nervoso antes de um jogo.
"Dor de estômago," ele disse brevemente, e olhou para cima. "Onde está Harry?"
"Ele não estava no quarto pela manhã," disse Simas prestativamente, e imediatamente todos os olhos se viraram para Hermione, cujas bochechas ficaram da cor do cabelo de Ron.
"Eu também não o vi," ela disse rapidamente, "ele deve ter alguma mensagem para mandar antes do café da manhã ou algo assim."
"Bem, se ele não aparecer para o jogo eu irei esfolá-lo vivo," disse Ron, parecendo moderadamente violento. "Não é como se qualquer um pudesse ser um apanhador reserva..."
"Eu aposto que Ginny poderia, ela é rápida o suficiente", disse Simas invariavelmente, "e então nós só precisaríamos de alguém como artilheiro — Parvati, você não jogou como artilheira no quinto ano?"
Parvati olhou para baixo na mesa, para Simas, e fungou. "Jean-Yves nunca me deixaria fazer isto agora," ela disse, referindo-se ao filho do Ministro da Magia Francês, que ela vinha namorando há quase dois anos. Em setembro, ele tinha dado a ela um anel de safira do tamanho de um ovo de pombo, gerando muita especulação entre as grifinórias. "Ele acha que Quadribol não é feminino."
"E nós achamos o sotaque dele inacreditavelmente igual ao de uma garota, mas nós dizemos isso?" perguntou Ron, girou os olhos, e voltou a mexer em seu bacon. "Honestamente, o que diabos aconteceu com..."
"Harry!" disse Hermione, deixando cair seu garfo com um som estridente. Ginny virou-se em seu assento para ver que Harry tinha realmente chegado, atrasado, para a mesa de café da manhã. Ele deixou-se cair no assento ao lado de Hermione, que o estava encarando com espanto. Ginny achou-se o encarando também: Harry estava imundo. Seus cabelos normalmente muito pretos estavam com pó e ainda mais pretos com a fuligem, e listras de fuligem decoravam seu nariz, bochechas e queixo. Suas roupas estavam um desastre, e quando ele alcançou o suco de abóbora Ginny viu que suas unhas estavam cinza de sujeira. "Harry," disse Hermione incrédula. "O que aconteceu com você?"
As sobrancelhas de Ron tinham subido para sua testa. "Deixe-me adivinhar," ele disse, olhando Harry de cima a baixo. "Você pode ser um minúsculo limpador de chaminés, mas você tem um enorme..."
"Apetite," disse Harry alegremente, agarrando um prato de ovos e empurrando-os para seu prato. "Estou morrendo de fome."
Eles todos o encararam espantados. Havia meses que Harry só fazia mexer na comida durante as refeições. "Harry querido," disse Hermione, fazendo esforço evidente para soar calma, "tem alguma razão específica para você estar tão..."
"Tão o quê?" Harry perguntou, olhando para cima e sorrindo. Seus dentes pareciam muito brancos contra toda a sujeira preta que manchava seu rosto.
"Sujo," disse Hermione, finalmente.
Ele olhou para ela por um segundo. Então ele inclinou-se na mesa e a beijou sonoramente na bochecha. Quando ele recuou, havia uma enorme marca de fuligem no lado do rosto dela, e seus olhos brilhavam de surpresa.
"Hermione," disse Harry firmemente, "só não se preocupe com isso, ok?" Ele caiu pesadamente de volta em seu assento, e atacou uma fatia de pão com manteiga com vigor. Hermione olhou para ele, balançou sua cabeça, e escondeu um sorriso.
"É bom ver você comendo, Harry," disse Ginny, olhando para O Menino Que Sobreviveu tão curiosamente quanto todos agora estavam, "especialmente com o jogo chegando."
"Contudo eu espero que você se lave antecipadamente," disse Ron, "olhando hesitantemente para a aparência imunda de Harry. Do jeito que você está no momento, os Slyntherins irão rir demais para jogar, e nós perderemos."
"Humm," disse Simas, "inclinando-se para alcançar o manteigueiro, você quer dizer que esse negócio de fuligem não significa uma esperta de camuflagem, Harry? Eu pensei que talvez esta fosse uma nova estratégia que nós estaríamos trabalhando.
"Ah, vocês todos são tão engraçados", disse Harry, "que tinha se passado para o bacon. Esse é o famoso humor grifinório do qual eu sempre ouvi falar... oh, espere, nunca ouvi falar."
"Casa dos corajosos, Harry," disse Simas, brandindo seu garfo. "Não dos espirituosos. É o que nós somos, a bucha de canhão*. 'Retardando o mal por ficar no caminho.'"
* = Em uma guerra o soldado vai à frente tomar tiro, na linha de trás fica os canhões atirando logo a frente da linha dos soldados para enfraquecer a linha inimiga.
A bucha do canhão, ou seja, a vedação que fica atrás do projétil para não permitir o escape dos gases propelentes, cai na linha dos soldados.
A linha de frente da batalha, onde cai a bucha do canhão, é onde mais morre soldado na guerra, pois ela é a frente. Eles são a bucha do canhão.
"Agora, temos aí uma atitude vitoriosa," comentou Ron. "Nota pessoal: não colocar Simas responsável pela conversa preparatória pré-jogo."
Gina riu, e Simas a examinou, depois desviou o olhar sem sorrir, e ela sentiu uma angústia inesperada. Ela olhou para baixo, tristemente, para sua torrada. Simas... ele era tão legal e tão doce e ela tinha o tratado tão horrivelmente mal. E ele nem ao menos sabia disso, não realmente.
Quando ela olhou para cima novamente, ela viu que, para sua surpresa, Harry tinha pausado seu garfo a meio caminho da boca, e estava examinando a mesa de Slytherin. Draco estava lá de pé, perto de Blaise, e enquanto ele não estava nem perto de quão sujo Harry estava, Ginny podia ver que suas vestes, também, estavam com listras de fuligem. Ele estava olhando para Harry, por cima da cabeça de Blaise, muito intensamente, como se ele estivesse tentando comunicar algo — o que era provavelmente o que ele estava fazendo.
Harry abaixou o garfo cuidadosamente no prato, e olhou para Hermione, que tinha apoiado um livro contra a jarra de suco estava virando páginas entre pedaços de torrada. Hermione, ele disse suavemente, eu podia falar com você por um minuto?
Ela não levantou o olhar. "Sim, claro."
"Não, eu quis dizer..." Ele abaixou a voz. "A sós. Lá fora?"
"Agora Hermione olhou para cima, com um olhar surpreso. "Claro," ela disse, colocando um cacho escuro atrás das orelhas, "nós podemos dar uma volta, eu suponho."
Ginny sabia o que isso significava; eles deviam descer para o lago, como eles sempre faziam. Ela não podia contar o tanto de vezes que ela tinha olhado pela janela da sala de aula durante seu terceiro ano, até mesmo no quarto, e visto Harry e Hermione andando juntos ao longo do estreito caminho que circundava o lago. Eles podiam andar muito perto juntos, ombros sem se tocarem, em perfeito alinhamento, sempre caminhando.
Harry empurrou sua cadeira para trás e se levantou. "Vamos."
Hermione, juntando seus livros na mochila, olhou para Ron. "Nós temos aquela reunião hoje, não temos?"
Ron assentiu com a cabeça. "É, logo depois do almoço. Você planeja ir desta vez?"
Hermione fez uma careta para ele, e alcançou a mão esticada de Harry. Então ela parou, balançou sua cabeça, tirou sua varinha do bolso e a apontou para seu namorado. "Detergere", ela disse, e a fuligem sumiu das mãos e roupas de Harry, restando somente uma linha de sujeira cruzando sua bochecha. Harry resmungou.
"Francamente," Hermione disse, guardando a varinha, "você pensaria que queria estar imundo."
"Eu pensei que parecia impetuoso," disse Harry, e pegou a mão dela. "Vamos — vamos indo". E enquanto eles saiam, Ginny percebeu que ela os estava encarando, e voltou apressadamente seus olhos para o prato — somente para perceber que todos os outros da mesa também estavam olhando fixo para eles.
"Eu acho que está realmente acontecendo algo entre Ginny e Simas," Hermione disse em tom de conversa, enquanto Harry a puxava ao longo do caminho. "Elizabeth disse que ela o viu saindo do quarto de Ginny às quatro da manhã. Isto é bom, não é? Quer dizer, Simas é um bom rapaz, certo?"
Harry não respondeu. Eles estavam no perímetro do lago agora, no estreito caminho que serpenteava entre os suportes de árvores desfolhadas. Negro e descoberto, ramos erguiam-se no céu, cobertos por flocos de neve congelada. Hermione perguntou-se brevemente aonde ia a lula gigante no inverno, quando montes de neve sopravam no gelo grosso transparente e tudo parecia tão frio e morto.
"Você me ouviu, Harry?"
Harry soltou a mão dela e virou-se para encará-la, de pé na margem do lago. A água mais do que congelada atrás dele estava reluzente com neve brilhante, o céu muito prata. Contra isto, o cabelo preto de Harry, o vermelho em suas bochechas pálidas, e o escuro cachecol bordô e dourado destacaram-se como respingos de tinta em uma tela em branco. Sua respiração saiu em lufadas brancas de frio quando ele falou. "Sim, eu te ouvi. E Simas é um ótimo rapaz. Espetacular. Eu mesmo sairia com ele. Seja como for. Só — tem uma coisa que eu queria conversar com você, e não era sobre Ginny ou Simas."
Hermione piscou surpresa com seu tom austero, então deu de ombros. "Tudo bem. Eu queria falar com você também, de qualquer modo."
"Você queria?" Seus olhos verdes estavam sérios. "Tudo bem, mas me deixe falar primeiro, você deixa?"
Ela assentiu com a cabeça, sentindo um pressentimento apertar fortemente seu estômago. "Tudo bem, Harry." Ela sentou-se cuidadosamente ao pé de um carvalho, a árvore mais próxima, envolvendo sua capa ao redor dos joelhos. "O que é?"
Harry encolheu os ombros dentro da capa e ficou em silêncio por um longo tempo. Hermione ficou sentada onde ela estava, o deixando pensar. Sempre valia a pena ficar calma e deixar Harry falar quando ele queria. "Eu estive pensando," ele disse finalmente, com voz calma. "E querendo falar com você, mas eu não estava certo sobre quando seria uma boa hora."
Hermione olhou cautelosamente para ele, um pouco surpresa. O rosto dele estava duro, inexpressivo. Ela já tinha o visto com o mesmo olhar antes. Ela lembrou-se do castelo de Slytherin, Harry acorrentado na parede, recusando-se a contar a ela o que Draco tinha dito a ele que era terrível o suficiente para destruir uma porta de adamantio. Eu apenas vou te contar que foi algo realmente, realmente terrível. Algo que eu não vou me esquecer. Nunca. Uma coisa... imperdoável.
"Eu sei que eu tento estado... distante ultimamente," ele disse finalmente, em voz baixa, enfiando as mãos enroladas para dentro dos bolsos. Ela se perguntou de repente se ele tinha a trazido lá fora para terminar com ela, e esse pensamento fez seu estômago sacudir loucamente em protesto. Eu sabia, ela pensou, eu sabia. "Harry..." ela sussurrou.
Ele continuou como se ela não tivesse falado. "Eu queria que eu não estivesse, mas... eu não sei de que outro jeito ser nesse momento. Quando eu era..." Ele hesitou um momento, parecendo reunir a si mesmo, então ele continuou com o ar de alguém caindo em um escuro abismo sem fundo. "Quando eu vivia com os Dursleys, quando eu era uma criança, eu costumava imaginar como meus pais iriam se parecer se estivessem vivos."
Os lábios de Hermione se abriram de surpresa. Harry nunca falava sobre sua infância antes dele vir para a escola. Nunca. "Bem, é claro, qualquer um iria —"
"Não," ele disse, a cortando, embora não grosseiramente. "Eu realmente os imaginava. Eu não sabia como meus pais eram. Os Dursleys me disseram que eles tinham sido feios, de classe baixa, mas eu nunca acreditei nisso. Eu assumi que minha mãe tinha sido linda, que meu pai tinha sido bonito, e que, é claro, eles tinham me amado mais do que qualquer coisa no mundo."
Hermione sentiu o fundo de seus olhos arderem. "Tenho certeza que sim," ela disse suavemente.
"Eu não sabia qual era a cor dos cabelos da minha mãe. Eu pensei que talvez ela tivesse cabelos pretos, e eu os tivesse herdado... eu pensei que talvez meu pai fosse loiro; eu o imaginei alto e forte. Eu pensei sobre o acidente de carro no qual eles supostamente tinham morrido. Eu me perguntei de onde eles estavam vindo, aonde eles estavam indo. Eu disse a mim mesmo que eles tinham sido espiões, trabalhando para o governo, que eles não tinham realmente morrido, eles só tinham sido forçados a entrar na clandestinidade e me deixar porque o trabalho que eles estavam fazendo era muito perigoso. Eu disse a mim mesmo que eles iriam voltar para me pegar um dia. Eu sabia onde nós viveríamos juntos, como a casa iria ser — azul, com cada cômodo pintado de uma cor diferente, porque tudo na casa dos Dursley era no mesmo tom de cinza..." Sua voz estalou um pouco, e se modificou. "Eu mobiliei cara cômodo, na minha cabeça. Eu anotei tudo para não esquecer. Eu não vivi naquele closet escuro de baixo das escadas. Eu vivi naquela casa, com meus pais."
Hermione percebeu que ela estava chorando. Ela abaixou sua cabeça para Harry não ver. Ela queria que ele continuasse.
"Eu costumava anotar tudo em um caderno velho de Duda," disse Harry calmamente, olhando para os arredores do lago. "E um dia, é claro, eu fui descuidado, e meu tio o achou e leu. Ele me arrastou para fora do armário de vassouras e me empurrou contra a parede e eu ainda me lembro do que ele me disse. 'Seus pais estão mortos, garoto. Eles não são espiões, eles não estão trabalhando para o governo. Eles estão mortos. Eles nunca irão voltar para te levar para lugar nenhum. Eles tiveram uma morte estúpida e inútil, e eles tiveram vidas estúpidas e inúteis, e eu ficaria feliz que eles estão mortos se isso não tivesse acabado com você morando aqui conosco. E todos os seus sonhos não os trarão de volta. ' E foi isso". Ele deu uma pausa. "Isso foi quando eu tinha oito anos de idade."
"Seu caderno..." Hermione sussurrou.
"Eu o queimei," disse Harry francamente. "Eu sabia que meu tio estava certo. E não tinha como os trazer de volta."
"Você acreditou nele? Que eles estavam mortos?"
"Eu sabia que estavam. Eu podia ver nos olhos dele. Ele parecia triunfante. Ele não teria parecido assim se ele estivesse mentindo." A voz de Harry estava grossa com repugnância. "Ele estava realmente feliz que eles estavam mortos. Eu o desprezei. Mas eu nunca mais pensei naquela casa. Ela estava arruinada. E isso foi difícil. Como perder meus pais de novo." Suas palavras saíram recortadas e destacadas. "E quando eu vim para cá, eu tive outra casa — uma de verdade. E eu vi como meus pais realmente eram. E eu soube que eles tinham me amado. Teriam ficado orgulhosos de mim. Tinham orgulhoso de mim. Um mundo onde fantasmas caminham e conversam... eu simplesmente assumi que eles estavam em algum lugar, me observando. Que meu pai podia me ver voar. Que minha mãe sabia que eu tinha enfrentado um dragão. Que eles sabiam que tudo que eu fiz, todos os dias, era de algum modo um esforço para redimir o sacrifício que eles tinham feito para me manter vivo."
"Oh, Harry," Hermione sussurrou. "Oh, querido, eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo." A neve estalou debaixo de seus pés quando ela se levantou, quase escorregando em sua pressa de chegar até ele. Ele se levantou e a observou, de algum modo muito sozinho, como se ele tivesse criado um espaço em torno de si mesmo particular e inviolável. Ela parou logo fora desse espaço, hesitante em tocá-lo, embora outra parte dela desejasse colocar seus braços em torno dele e o abraçar apertado. "Você não precisa fazer isso, ela disse. Eu sei que você está tentando me dizer por que você tem estado tão distante ultimamente — eu sei que você tem estado pensando em seus pais — e como você não estaria? Eu estive sendo tão egoísta, pensando sobre a formatura e avançar e como tudo me afetava, e eu nunca nem mesmo pensei sobre como deve ser para você, sabendo que eles não irão vê-lo se formar, ser recrutado para um time, ir para o casamento de Sirius... oh Harry, essa é a parte mais importante da sua vida de algum modo, e se você está sentindo mais falta deles agora..." Ela deixou sua voz ficou gradualmente silenciosa e depois parou. "É isso que você estava tentando dizer?"
Ele olhou para ela, seus olhos verdes estavam assombrados por uma escuridão que ela não poderia nomear. "Alguma coisa assim," ele disse, e ela sentiu, pelo tom da voz dele, que ela não tinha compreendido bem a situação, mas errado completamente, e que ela não entendera nada do que ele estava tentando dizer. Ela se sentiu amargamente inadequada, incompetente até — e em algum lugar do fundo da sua mente um voz lhe disse que ela não poderia esperar curar a escuridão nele: ela era jovem demais, e a força da escuridão era muito grande. Certamente, se ela o amasse apropriadamente, se o amasse o suficiente, ela seria capaz de ajudar e de entender, ela disse a si mesma. Mas ela já o amava mais do que ela podia imaginar amar qualquer coisa, e isso não era o suficiente.
"Hermione," ele disse, e a voz dele estava estranhamente distante. "O que você está pensando?"
Ela deu um suspiro profundo. "Só isso... todos aqueles anos com os Dursley... não seria nenhuma surpresa se você se tornasse mesquinho, ou egoísta, ou egocêntrico. Ou terrivelmente raivoso, ou vingativo — e você não é. Você tem todo o direito de estar zangado e você raramente está; e todo o direito de se lamentar, mas você não se lamenta. Essa infância — ela poderia ter te transformado em uma pessoa horrível. Ao contrário disso ela te tornou a melhor pessoa que eu já conheci. Não — você se tornou essa pessoa. Eu quis mesmo dizer o que eu falei no primeiro ano. Você é um ótimo bruxo, e — e mais importante, você é igualmente um bom ser humano. Eu te admiro, Harry. Eu sempre te admirei."
Ele abaixou sua cabeça, e ela não viu a expressão que passou atravessando seu rosto. "Não," ele disse, com a voz ligeiramente rouca. "Eu não sou tão bom quanto você."
Ela riu. "Você se lembra." Ela deu um passo à frente, e ele levantou a cabeça e olhou para ela. Ela o alcançou e tocou seu rosto, como ela vinha querendo fazer — suavemente tocando a bochecha dele, e ele inclinou sua cabeça contra a mão aberta dela, como se ele estivesse cansado. "Eu estava tão preocupada com você que — eu não queria que você visse que eu estava chorando, mas eu estava."
"Eu sei", ele disse muito calmamente. "Você é a primeira pessoa na minha vida que já chorou por me amar."
Ela balançou sua cabeça. "Não, a primeira não, tenho certeza."
"A primeira que eu me lembre." Ele fechou sua mão em torno do pulso dela e o segurou fortemente. "Eu não sei o que eu faria sem você," ele disse. "O que eu faria?"
O tom da voz dele a deixou com medo. Ela tentou olhar para os olhos dele, mas ele curvou a cabeça em seu ombro como se estivesse cansado, e não a deixaria ver seu rosto. Ela beijou sua têmpora, a única parte do seu rosto que ela podia alcançar, e o cabelo preto que cobria seu rosto e espalhava-se nas mãos dela. Cabelo macio, como seda preta. "Harry," ela murmurou. "Você nunca terá de ficar sem mim... nunca."
Ela o sentiu tremer em suas mãos, e então ele levantou o rosto do ombro dela, e estava sorrindo para ela. Ela quase não acreditou no sorriso, embora ela não pudesse dizer por quê. "Eu sei," ele disse. "Mas... eu tenho que descer para praticar. Nós não estamos tão preparados para essa partida de hoje quanto eu gostaria e... eu tenho que ir."
"Tudo bem," ela disse e o deixou ir relutantemente. "Não há — nenhuma outra coisa?"
Ele balançou a cabeça. "Não. E você, você não disse que tinha algo para me contar?"
Ela engoliu o nó em sua garganta. "Não era nada. Só..."
"Sim?"
"Se eu não te ver antes do jogo", ela disse, odiando a si mesma, "então — boa sorte."
Ele olhou para ela, sabendo que ela estava escondendo algo — e ela retornou seu olhar sabendo que o mesmo era verdadeiro para ele. O abismo ainda estava entre eles: sem nenhuma ponte, intransponível. Ele inclinou-se para frente e beijou sua bochecha. "Te vejo depois, então," ele disse.
"Até depois", ela sussurrou, e fechou os olhos para não vê-lo ir embora.
"E eu acho que é isso." Ron disse, virando o pergaminho para onde ele estava olhando e limpando sua garganta. "A menos... que alguém tem alguma questão?"
A mão de Pansy Parkinson levantou-se. "E sobre nossos Amigos?" ela questionou, enquanto a esfera girava e tornava-se verde.
Ron piscou para ela, então voltou ao pergaminho na mesa. "Amigos...?"
"O Amigo Oculto, Ron," disse Hermione, resistindo ao impulso de bater ao de leve no braço dele. Ele parecia horrivelmente distraído, coitado, ela pensou. Ele parecia estar tendo dificuldade para se concentrar ultimamente, e quase tinha esquecido tudo sobre o jogo do Bruxo Secreto que eles iriam jogar no Natal, no qual cada estudante do sétimo ano tinha que comprar um presente para outro cujo nome tivesse tirado no sorteio.
Felizmente Pansy já tinha trazido uma caixa cheia de tiras de pergaminhos para o encontro, salvando assim a situação. "Nós temos que decidir o design do nosso Amigo Oculto. Eles são importantes, afinal de contas."
"Oh. Certo." Ron esfregou os olhos com as costas das mãos. Obviamente, ele estava desejando estar em qualquer outro lugar. Os olhos de Hermione deslizaram por ele, por Justin Finch-Fletchley, que parecia entediado, e Padma Patil, que estava aplicadamente chupando uma pena de açúcar. Perto dela estava Draco, acomodando-se para trás em sua cadeira como sempre. Sentindo o olhar dela nele, ele levantou seus olhos, e seus olhares se cruzaram; depois de um momento ele piscou para ela. Hermione sorriu, só metade de seus pensamentos na reunião. "Nós precisamos de um lema para ser gravado na capa dos livros," Ron estava dizendo, "e tradicionalmente cada classe escolhe seu próprio lema. Agora, nós temos bastante tempo para pensar em um, mas se alguém tiver alguma sugestão..." Ron, parecendo interceptar o olhar entre Hermione e Draco, levantou uma sobrancelha. "Malfoy? Você pensou em algo?"
"Em quê?" Draco começou ligeiramente, então retrocedeu com um sorriso fraco. "Bem, nós temos muitos lemas na minha família, mas eu não acho que eles são algo pelo qual você se interesse."
"Experimente", disse Ron, desagradavelmente.
"Bem", disse Draco, inclinando-se para frente e pondo a mão no queixo, "existe um 'Sempre pilhar antes de se queimar', esse é um antigo, e tem um que era um dos favoritos do meu pai, que era 'dinheiro não pode te comprar amigos —'"
"Dinheiro não pode te comprar amigos?" Ron repetiu com uma risada, desacreditando.
"'Mas pode comprar-lhe inimigos da melhor classe'". Os olhos de Draco arrastaram-se insolentemente dos sapatos de Ron à ponta de seu nariz, que estava ligeiramente rosa de raiva. "Obviamente este último não é verdade em todos os casos..."
Ron bateu com sua varinha na mesa. "Você acha que é engraçado, não é Malfoy?"
Draco deu de ombros modestamente. "Bem, eu tento não ir contra a opinião pública."
Então Hermione fez a pior coisa que ela podia ter feito, e sorriu. Ron lançou a ela um olhar carregado de raiva, e ela esgueirou-se para baixo em seu assento. Não ajudava, ela pensou irritada, que logo em frente a ela Justin Finch-Fletchley e Padma Patil olhassem como se eles estivessem tentando igualmente não rir. De fato, por incrível que pareça, as únicas pessoas que pareciam estar sérias eram os Sonserinos - ambos, Pansy e Malcolm Baddock estavam com o rosto inflexível e olhando fixamente.
"Malfoy", disse Ron, e sua voz parecia um fragmento de gelo, "eu quero falar com você no corredor. AGORA!" ele adicionou, e todos pularam. Hermione olhou para ele surpresa: seus olhos azuis estavam queimando, e ele parecia profunda e verdadeiramente furioso.
"Ron..." ela começou incerta, mas ele nem mesmo olhou para ela, ele olhava fixo para Draco, que estava chegando aos pés dele com uma lenta insolência, a qual Hermione não podia deixar de pensar que era uma má idéia no momento. Ele vagueou em direção à porta e Ron seguiu atrás dele, fechando ruidosamente a porta atrás deles.
—
Ron bateu a por atrás dele e virou para encarar Draco, que estava encostado na parede oposta do corredor, parecendo calmo e sereno, como se a qualquer momento ele fosse começar a examinar suas unhas ou checar as manchas de poeira em seus punhos a cada minuto. Se ele tivesse um bigode, ele provavelmente o estaria girando com o dedo.
"Malfoy," Ron gritou, e Draco olhou para cima. Seu rosto estava aberto e curioso, seus olhos arregalados e inocentes. Ele sorriu para Ron educadamente, o que só servir para irritar Ron ainda mais. "De que diabos você pensa que está brincando?"
"Eu estava na verdade esperando ter uma chance de falar com você sozinho," disse Draco calmamente.
"E me envergonhar durante a reunião de monitores era sua idéia de como fazer isso, é?"
"Não, essa parte foi só por diversão."
"Talvez Harry ache que este tipo de coisa seja engraçado. Mas eu não. Eu acho que você é um estúpido, Malfoy. Um sorridente, duas caras, e insuportável estúpido.
"Duas caras?" Draco riu nada gentilmente. "Você deveria falar. Eu não nasci ontem, Weasley..."
"Mas é uma pena," estalou Ron "Nós poderíamos começar sua personalidade do zero."
Draco olhou para ele, um pequeno sorriso brincando em sua boca. "Eu vi o jeito que você olhou pra ela," ele disse, sem propósito. "Você acha que eu sou idiota? Você acha que todos nós somos?"
Por um momento, Ron só olhou pra ele. O sangue já começava a subir em suas orelhas, e sua boca cantarolava com descrença. Com certeza Draco não tinha acabado de dizer o que ele achava que tinha dito. "O que você disse, Malfoy?"
Draco foi se desencostando da parede lentamente e ficou olhando Ron com consideração. Seus olhos estavam quase cinza claro na luz fraca, a cor de um gume de faca, e tão cortante quanto. "Eu estava te observando esta manhã," Draco disse. "Eu tenho te observado a alguns dias agora. Honestamente, Weasley. Do que diabos você acha que está brincando?"
Ron sentiu como se seu sangue tivesse engrossado e fosse enorme, esforços convulsivos do coração e da respiração eram necessários para fazer corrê-lo por suas veias. Tudo parecia confuso, e distante e doloroso. Ele ouviu sua própria voz dizer, "Eu não tenho idéia sobre o que você está falando."
"Eu acho que você tem," disse Draco, ainda mais quietamente. Sua voz era como xarope de açúcar derramado sobre cacos de gelo. "Eu acho que você sabe exatamente sobre o que estamos falando."
"Eu não vejo," disse Ron, lutando contra o seu desejo de se afastar. "de onde você tirou essa idéia de saber algo sobre minha vida privada –"
"Você acha que pode fazer de idiota? Você acha que eu deixaria você fazer isso?" Draco interrompeu, lento e suave. "A sua vida privada dificilmente vai continuar privada do jeito que você vem se comportando. Felizmente pra você, eu sou mais observador que a maioria, mas até mesmo o lufa-lufa mais idiota ia acabar descobrindo eventualmente. Você mostra todo o seu coração no seu rosto, Weasley. O que, no seu caso, não é bom."
"Só porque você é um mentiroso, Malfoy, não significa que todo mundo é," Ron rosnou. A raiva estava começando a substituir o choque que o havia paralisado. Ele falou sem pensar ou considerar o fato de Malfoy estar certo.
"Eu não estou falando de todo mundo – Eu estou falando de você," Draco disse. "Você salvou minha vida – e eu te devo uma."
"Você tem um jeito engraçado de mostrar isso," Ron murmurou, perplexo com o rumo que a conversa havia tomado.
"Eu estou tentando te ajudar, Weasley," Draco disse. "Esse é o motivo de eu estar te falando que eu sei."
"Não tem nada para saber!" Ron praticamente gritou.
"Ainda não," disse Draco, e Ron sentiu uma lufada de alívio que era quase dolorosa. Então ele não sabe, não realmente. "Você sabe do que eu estou falando," Draco adicionou. "Deixa eu te oferecer uma orientação. Esqueça isso."
Bastardo condescendente, Ron pensou, encarando o loiro, o qual sua atitude havia sido liquidada por uma espécie presunçosa de curiosa calma. Porque ele só não esquece sobre a minha irmã, já que, ele diz ser tão fácil?
"Vá em frente e encare como se me odiasse," Draco adicionou com um encolher de ombros. "Não faz diferença pra mim, desde que você siga meu conselho."
"Porque você se importa?" Ron ouviu sua própria voz estalar, raiva fazendo sua pele formigar inteira. "Você não dá a mínima pra mim, Malfoy, você nunca deu. E você quer que eu acredite que esse show de preocupação é para meu benefício? Primeiro de tudo, você é um mentiroso, segundo, você está errado, e terceiro – terceiro, você não tem idéia sobre o que você está falando. Então... só cai fora, tá? Vá lamentar pra minha irmã, ou seja lá o que você faz pra se divertir."
Um olhar de surpresa cruzou o rosto de Draco – ele não tinha esperado que Ron fosse reagir daquela forma, e Ron sentiu uma sacudida viscosa de prazer por tê-lo surpreendido. A surpresa foi por um momento, e a boca de Draco formou uma linha ainda mais fina. "Tudo bem, Weasley," ele disse. "Eu suponho que é como eu suspeitava, e sua finalidade exclusiva na vida é simplesmente servir de aviso aos outros."
Ron olhou pra ele. "20 pontos da Sonserina," ele disse.
A boca de Draco se abriu em surpresa. "Por causa de que?"
"Por interromper a reunião," disse Ron de forma selvagem, "e só por geralmente ser um série-A, completo babaca. Eu vou voltar pra lá agora, e você vai comigo, e eu juro por Merlin que se fosse disser uma só palavra, eu vou tirar 100 pontos da Sonserina. Veremos o quanto seus colegas de casa gostarão de você depois disso."
Draco abaixou suas pálpebras, escondendo sua expressão. "Eu acho que poder absoluto realmente faz a corrupção absolutamente," e havia uma subcorrente de alegria em seu tom que fez Ron ter vontade de socá-lo. Ao invés disso, ele falou baixo, mas firme.
"100 pontos," ele repetiu.
Draco não disse nada depois dessa, e seguiu Ron até a porta sem fazer som algum. Ron queria se sentir triunfante assim que eles entrassem novamente na sala de reuniões dos monitores, mas tudo que ele sentiu foi um estranho senso de... desapontamento. Por um momento insano ele pensou que Draco realmente sabia de tudo, mas ele não tinha, não realmente, e o fardo do segredo caiu ainda mais pesado do que antes. Ele quase preferiu isso se Draco na verdade o tivesse puxado pra fora com força e batido em sua cara, o que não teria sido inesperado. Com um suspiro, ele pegou sua varinha e começou a falar.
—
"Quem você tirou?" Hermione perguntou para Draco assim que eles saíram da sala de monitores. Os outros alunos estavam a celebrar pelo hall, satisfeitos com o que fizeram na reunião, conversando entre si assim que abriam os pergaminhos que diziam para quem eles deveriam dar um presente. Querendo esperar por Ron, que estavam arrumando suas coisas de Quadribol, ela parou na porta. Draco encostou-se contra parede ao lado dela, e olhou sobre o ombro dela enquanto ela desdobrava o seu próprio pedaço de pergaminho e olhava pra ele. "Oh, eu tirei o Ron. Isso vai ser fácil."
"Sim, um grande par de alicates para retirar o pau do seu –"
Ela o interrompeu apressadamente. "Quem você tirou?" repetiu.
Draco desdobrou seu pedaço de pergaminho, olhou pra ele sem expressão, dobrou de volta, e enfiou no bolso.
Hermione olhou pra ele curiosamente. "Oh, por favor, você não vai me falar?"
Draco balançou sua cabeça devagar. "A vida é uma loteria sem sentido do acaso," ele disse. "É o que eu continuo dizendo pra mim mesmo."
Hermione bufou. "Estou tendo um certo pressentimento de que você tirou Simas Finnigan."
"Bingo," disse Draco brevemente.
Hermione desatou a rir.
Draco olhou. "Não é engraçado."
"Uh-huh," ela respondeu agradavelmente. "O que é importante é que você acredita nisso."
Draco foi poupado de responder pela porta da sala de reuniões se abrindo – era Ron, parecendo eficiente com um maço de pergaminhos embaixo do braço, e Pansy, segurando a caixa vazia que antes continha o nome dos alunos. Ela parecia tão azeda como ela sempre foi. Ron assentiu pra ela brevemente, e ela seguiu pelo corredor. Ron olhou para Hermione e rolou os olhos.
"Se divertindo com a Pansy?" disse Hermione, sua boca se curvando em um sorriso simpático.
"Ela é uma lufada regular de ar vil, como de costume," disse Ron com um encolher de ombros. "Pelo menos ela concorda em comandar praticamente todas as comissões conhecidas pelo homem."
"Sim, graças a Deus ela concordou em aliviar sua carga esmagadora de responsabilidade," disse Draco sarcasticamente. "E mais uma vez, eu me pergunto porque eles deixaram você assumir essa posição em primeiro lugar. Era uma daquelas 'Colete doze pacotes de batata frita e se torne o chefe' remetente em negócios?"
Ron o ignorou, e falou com Hermione. "Estou indo, na verdade – eu tenho que ir a Hogsmeade. Você precisa de alguma coisa?"
Hermione balançou a cabeça. "Não." Ela sorriu. "Se não eu te ver antes do jogo, boa sorte e tudo isso."
"Obrigado." E Ron correu pelo corredor, desaparecendo entre um um nó de corvinais que se aproximavam. Hermione olhou pra ele pensativamente e depois virou de volta para Draco.
"Eu tenho feito a pesquisa sobre o que nós conversamos, e eu achei algumas coisas que você provavelmente quer saber," disse Hermione, abaixando o tom de sua voz. "Você quer uma coisa realmente estranha?"
"Eu sempre quero ouvir alguma coisa realmente estranha."
Hermione sorriu. "Você pode vir até a biblioteca comigo?"
Ele assentiu, e eles andaram até a biblioteca em silêncio, mantendo uma boa distância entre eles, então não era óbvio para algum observador casual que eles estivessem juntos. Só dentro da biblioteca Hermione relaxou. Ela sempre estava confortável lá, em seu seguro, conhecido lugar. Estava decorado para o Natal agora, assim como o resto do castelo, a longa mesa de madeira escura decorada com minúsculas árvores de natal frutíferas cantando anjos de açúcar. Minúsculas vermelhas, douradas e verdes luzes levitadas no ar como luzes bruxelantes, indo para trás e para frente acima de suas cabeças. Ela olhou para Draco, que observava as luzes com a típica concentração de um apanhador, o dourado, escarlarte, e esmeralda refletido em seus olhos. Ele olhou para os lados, como se ele sentisse os olhos dela sobre ele. "Então, o que você descobriu?"
"Olhe isto." Hermione alcançou sua mochila, retirou um pequeno volume dourado, e o estendeu aberto sobre a mesa. Ela folheou até uma página marcada e bateu nela excitante, com seu dedo. "Ela parece familiar?"
Draco inclinou-se mais perto e assobiou. A página mostrava uma xilogravura, muito detalhada e natural, de uma mulher em vestes bruxas pretas. O cabelo era preto também em cascata até perto de seu pé: sua oval face pálida parecia familiar, assim como seu olhar meio arrebitado e a boca sorridente. Hermione se lembrou dela como a garota que havia descido as escadas com Charlie, na festa de aniversário de Harry; Draco obviamente lembrava dela um pouco melhor. A garota segurava uma varinha em sua mão esquerda, e o que parecia uma jóia no final de uma corrente na outra. Ao longo da parte inferior da gravura estavam seis palavras escritas em letra de forma: Rhysenn Malfoy, no ano de 1357.
"Seiscentos anos," disse Draco, e colocou a mão na página. "Bem, ela disse que era velha." A Rhysenn da gravura se esticou e piscou pra ele, balançando a jóia em sua corrente. "Na verdade, ela disse que era imortal."
"Isso é um pouco estranho" disse Hermione, "porque aqui diz que ela morreu quando ela tinha 20 anos."
"Ela morreu?"
"Sim, de febre de trasgo. Antes disso, porém, ela estava comprometida a se casar..."
"Ha!"
"... com Nicholas Flamel."
Draco piscou, parecendo como se ele estivesse forçando sua memória. "E ele era...?"
"Um amigo de Dumbledore. Criou a Pedra Filosofal." Hermione balançou sua cabeça. "Eu nunca pensei que ele fosse o tipo de pessoa que se casaria com uma Malfoy."
Draco parecia ofendido. "Porque não um Malfoy? Nós somos realmente apresentáveis, você sabe. E tem o apelo sexual..."
"Estranhamente, a biografia dela não diz nada sobre apelo sexual."
"Eles devem ter dando um nome diferente na época," disse Draco serenamente.
Hermione bufou. "Como o que? Vosso velho apelo sexual?"
Draco ignorou isso. "Bem, eu suponho que ajuda saber quem ela era... mesmo que eu não ache que essa mulher que eu tenha falado seja realmente Rhysenn Malfoy. A menos, não essa garota. Talvez eles tenham trazido essa garota de volta da morte, eu me pergunto..."
"Shhh," assobiou Hermione, mesmo que a biblioteca estivesse deserta. "Ugh. Necromancia? É a pior mágica que tem. De qualquer forma, nunca funciona corretamente. Teria... pedaços caindo dela. Tem?"
"O que? Pedaços caindo dela? Não. Ela é... completa." Draco parecia pensativo. "Ela é muito ágil para um cadáver, na verdade. Mais bonita que muitas garotas vivas."
"Hmmph," disse Hermione, e fechou o livro. "Eu continuarei procurando por informações sobre ela. Agora que nós sabemos quando ela viveu, eu posso verificar se tem algo sobre ela nas biografias de Flamel."
"Obrigado," disse Draco, olhou ao redor, e com a rápida precisão de um apanhador, pegou a luz vermelha incandescente que estava zumbindo em sua mão agora em formato de concha. Ele segurou-a por um momento, o globo iluminado lançando uma sombra rosa em sua face, e depois a deixou ir. Ele alcançou seu bolso então, retirou uma retangular folha de jornal dobrada, e entregou a ela. "Olhe para isto," ele disse.
"Um jornal trouxa? Draco, onde você conseguiu isso?"
"Não importa. Dê uma olhada nessa foto." Draco veio parar ao seu lado, mirando o jornal. "Esse espelho, esse que foi roubado. Era o espelho que eu vi em meu sonho."
Ela levantou a cabeça, e olhou para ele. Ele ainda estava olhando para fotografia no jornal, seu perfil grave e sério. Seus olhos estavam abaixados, os longos cílios fazendo sombra sobre suas maças de rosto pronunciadas, como traços finos de caneta. "Você tem certeza?"
"Tenho," ele disse, e explicou rápida, mas completamente, os motivos pelos quais ele tinha certeza de que se tratava do mesmo espelho, e sua convicção de que Voldemort havia mandado Rabicho para roubá-lo. "A pergunta é, porque ele o quer? Obviamente ele pode ser usado para me ver, mas deve haver um pouco mais do que isso. Qualquer espelho pode ser sintonizado para me ver, se ele realmente quisesse fazer um esforço. Porque esse espelho?"
Hermione balançou a cabeça. "Eu não sei. O acabamento parece um pouco com o acabamento da bainha de Harry, não parece? Eu posso ver quem a fez, e ver se já criou algum outro objeto encantado. Esse espelho deve ser especial de alguma forma."
"E Voldemort realmente o queria," disse Draco, se endireitando, "então, nós devíamos saber por quê."
"Certo." Hermione pegou o pedaço de jornal e guardou em sua mochila. "Eu posso pegar alguns livros agora e trazê-los para a partida." Ela olhou ao redor. "Pelo menos, eu posso se Madame Pince um dia voltar."
Draco seguiu seu olhar pela biblioteca deserta, e um olhar pensativo apareceu em seus olhos. "Tem mais uma coisa que eu queria mostrar pra você," ele disse. "É um pouco estranha..."
"Tudo bem," ela disse, e olhou ao redor novamente. "Não tem ninguém aqui..."
"Não." Ele fechou a mão em torno do pulso dela. Seus dedos estavam quentes na pele dela. "Alguém pode entrar... aqui, venha comigo." Ele a puxou atrás dele, passou as prateleiras de livros, até uma alcova sombria forrada com pequenos volumes. As luzes flutuantes eram a iluminação principal ali, causando sombras distendidas de rubi, esmeralda e dourado contra a parede de pedra. Draco soltou o pulso dela, e ela puxou de volta, instintivamente unindo suas mãos. Ela não tinha certeza do motivo de estar inquieta: talvez fosse a expressão dura e tensa de Draco, ou o fato de que estava muito frio na biblioteca, ou alguma coisa totalmente diferente.
"Draco, o que é isso? Você está bem?"
Seu olhar acinzentado passou por ela, quase como se ele estivesse calculando, avaliando alguma coisa. Testando-a. Seja lá o que era, ele pareceu satisfeito. Ele deu um passo pra trás dela, abaixou, pegou sem seu suéter preto, e o tirou pela cabeça em um único rápido movimento. Ele não estava usando nada por baixo.
Hermione se ouviu suspirar, e afastou-se tão rapidamente que bateu a cabeça na parede de pedra. Estremecendo, ela exclamou, "Draco! O que está fazendo?"
Ele olhou pra ela com surpresa, e depois seus lábios se curvaram em um sorriso divertido. "Eu disse que queria te mostrar uma coisa."
Ela olhou-o com profunda desconfiança, tentando no olhar para o jeito em que sua cintura fina se abria em um peito amplo, as superfícies planas de seu tronco, o traçado tênue de seus músculos sob sua pele. Harry tinha o mesmo corpo, ligeiro e magro, um corpo de apanhador. "Você não disse que ia ficar sem roupa," ela assobiou baixinho.
"Eu preciso de uma perícia em Magia Medicinal," ele disse diretamente. "Eu quero que você dê uma olhada no meu ombro."
"No seu ombro?"
"Aqui," ele disse, e indicou seu ombro esquerdo com a mão. "Você está vendo isso?"
Ela balançou a cabeça. "Eu não vejo nada."
"Com essa distância, você não veria nada sem onióculos." Ele ergueu uma sobrancelha. "Alguma coisa errada?"
"Não," ela disse, corando. "Nada," e ela deu um passo relutante pra perto dele, e examinou seu ombro. Por um momento ela esqueceu seu desconforto, curiosa. "É onde a flecha entrou? No outro dia?" Ele assentiu, olhando para seu ombro. Havia uma cicatriz em forma de estrela bem a baixo e a direita de sua clavícula, completamente curada – quando Hermione a tocou levemente, ele não estremeceu. "Não dói?" ela perguntou.
"Não," ele disse. "Mas... você vê?"
Ela assentiu. "Está brilhando. Meio prateada. Vire-se." Ele se virou, e ela viu que a cicatriz em suas costas era onde a cabeça da flecha havia saído de seu corpo, ligeiramente menor do que a outra, mas brilhando com o mesmo tênue e fantasmagórico brilho. Ela colocou sua mão contra sua omoplata. A pele lá era muito branca e lisa ao toque, um tom mais leve do que a pele das mãos e da face. Ela podia sentir a ligeira rugosidade da cicatriz sob sua mão. "Você tem certeza que não dói?" ela perguntou ansiosamente.
Ele virou-se para encará-la, e para o alívio dela, pegou seu suéter e o vestiu de volta pela cabeça. A eletricidade estática resultante tranformou seu cabelo de prata em uma auréola crepitante. "Não dói," ele disse abaixando seu suéter. "Mas é terrivelmente estranho. Eu não estou satisfeito com isso."
"Eu nunca ouvi falar qualquer coisa sobre lesões que brilham, em Magia Medicinal," disse Hermione ansiosamente. "Você tem certeza que Madame Pomfrey –"
"Madame Pomfrey não," disse Draco de forma tão definitiva que ela sabia que seria indiscutível.
Hermione suspirou. "Tudo bem," ela disse. "Eu vou ver o que eu encontro, Draco. Mas se eu não encontrar nada..."
"Então eu continuarei lenso na cama usando somente o meu ombro como iluminação," ele disse suavemente. Ele olhou para o relógio na parede. "Eu tenho que descer para o campo," ele adicionou. "O jogo..."
"Eu sei," ela disse. "Eu te desajaria sorte, mas..."
"Mas eu não preciso?"
"Mas eu realmente quero que meu time ganhe," ela respondeu, fazendo uma careta para ele.
Seus olhos se iluminaram e ele riu: uma risada verdadeira, autêntica, não uma impregnada de sarcasmo. "Obrigado," ele disse. "Por me ajudar," e antes que ela pudesse dizer de nada, ele havia se afastado. Ela o assistiu sair da biblioteca, e um momento depois o seguiu, emergindo das prateleiras para a principal sala iluminada, e viu que Draco estava certo: alguém havia entrado na biblioteca depois deles.
Pansy Parkison estava sentada em uma das longas mesas, um livro aberto em seu colo, mas seus olhos estavam fixos em Hermione. Era um olhar com tanto repugnância, que Hermione, sem palavras, só podia olhar fixamente. Pansy levantou, quase derrubando o seu livro, e caminhou duramente para fora do cômodo, suas costas rígidas de desdém. Hermione a obsvervou ir, seus joelhos fraquejando. Ela sempre soube que Pansy não gostava dele, mas o que ela havia feito para sonserina odia-lá tanto?
—
Draco não sabia, mas sua opinião sobre o escritório de Dumbledore ser possivelmente a sala mais interessante na escola, era uma das que compartilhava com Harry. Draco parou no centro da sala, e esperou. O direitor ainda não havia chegado então ele tinha um tempo livre para examinar os obejtos fascinantes que estavam em todo lugar. A antiga mesa com pés de garra também estava repleta de itens interessantes: uma pilha de figurinhas de Sapos de Chocolate (Draco notou que aparentemente Dumbledore se divertia desenhando bigodes verdes na maioria dos bruxos e bruxas famosos, incluindo ele mesmo), um bisbilhoscópio de bolso, uma Penseira vazia, uma coleção de canários mecânicos que cantavam, um Calibrador Trajetório para Vassouras, um pergaminho FiloParch em branco, e uma ratazana adormecida. Draco deu uma volta ao redor da mesa, sem tocar em nada, então seu olhar caiu em uma estante atrás da mesa, onde descansava um imediatamente familiar usado, remendado e pontudo chapéu. O Chapéu Seletor.
Ele parou e olhou para ele por um momento. Então, sem saber que anos atrás Harry fez uma vez a mesma coisa, estendeu a mão para ele com ansiedade, ergueu o chapéu, e o colocou na cabeça. A escuridão atingiu sua visão assim que o chapéu cobriu seus olhos. O chapéu tinha um mofado, conhecido cheiro, e ele imediatamente se lembrou do momento em que se sentou no alto banco frente a assembléia de alunos, sua mente toda concentrada em uma pequena bola de determinação com um único objetivo: Sonserina, Sonserina, deixe ser Sonserina.
O chapéu mexeu na sua cabeça agora, e uma voz falou em seu ouvido. O que nós temos aqui... Parecia hesitar. Você é mais velho, saiu, que meus indivíduos usuais, mas eu não posso dizer que conhece o perfil de sua mente. A gente se conheceu antes?
Sim, Draco pensou, perplexo. Você me colocou... na Sonserina.
Na Sonserina? O chapéu parecia divertido. Você se importaria... se eu desse uma olhada um pouco mais profunda nos seus pensamentos?
Draco hesitou. Não, eu não me importo, ele disse, e sentiu um arrepio percorrer a sua espinha como se um curioso sentimento tomasse conta dele e alguma coisa em sua cabeça estivesse esvoaçando.
A voz falou de novo. Oh, você é um Malfoy! Parecia animado agora.Você é Draco Malfoy... me recordo bem de você. E contudo, como você mudou. Você é quase uma pessoa diferente agora, não é? Como se houvesse outra pessoa em sua cabeça.
Algo assim, Draco murmorou, pensando em Harry.
Sim, outra personalidade, tão forte quanto a sua própria. Então o que temos aqui? Uma boa mente, afiada como uma pena e duas vezes mais ardilosamente esperta... Bastante arrogância e uma boa dose de insegurança para corresponder... bravura, oh eu vejo isso... você conheceu a perda, em seguida... desapontamento. E lealdade.. forte como aço. Você nunca abandonaria alguém que você ama, ainda que aqueles que você não se importa poderiam muito bem não existir pra você. E vocênãoestáacima deusá-los paraobter o que deseja. Ha! Draco pulou quando a risada soou em seu ouvido. Você é um feixe de contradições, jovem Malfoy... e a mente mais interessente que eu vi em anos."
"Obrigado," disse Draco, sem muita emoção. "Então você ainda, eu digo... você iria..."
O que eu iria?
"Me colocar na Sonserina?"
Eu poderia. Você astuto o suficiente pra isso... ao mesmo tempo , inteligente o bastante para a Corvinal, leal o suficiente para Lufa-Lufa, e corajoso o bastante para a Grifinória. Então a pergunta é, meu menino... Você ainda gostaria de ser colocado na Sonserina?
"Eu não sei," Draco sussurou, e adicionou com um lampejo de irritação, "É o seu trabalho, não é, não o meu!"
O que é?
"Saber a que casa eu pertenço"
Quando você era criança, você precisava que alguém lhe dissese a que lugar você pertencia, talvez, disse o Chapéu. Na sua idade você deva saber isso sozinho.
"Bom, eu não," Draco rosnou, e arrancou de sua cabeça em um ataque aborrecido de desapontamento. "Eu suponho que eu devia saber melhor do que procurar ajuda de um pedaço idiota e falante de uma loja de miudezas" ele adicionou, chutando o chapéu para o outro lado da sala.
Ele aterrissou no pé de Dumbledore, que havia entrado muito silenciosamente enquanto Draco estava distraído. "Oh querido," disse Dumbledore suavemente. "Não adianta muito salientar coisas sobre o chapéu, na verdade. Ele não sente nenhuma dor."
Draco parecia culpado sob o olhar sereno do diretor. "Você queria me ver, Professor?"
"Sim. Porque você não vem sentar na minha mesa?" Dumbledore disse, e Draco fez o que ele pediu. Ele sentou, enquanto Dumbledore acomodou-se em uma cadeira de encosto alto azul escura atrás da mesa, apoiando as mãos em seu queixo. Draco fez seu melhor para retornar o olhar do diretor firmemente, mas descobriu que não podia – os olhos de Dumbledore eram muito penetrantes; o fazia se sentir como se toda sua cabeça fosse feita de vidro. "Jovem Senhor Malfoy," Dumbledore disse. "Eu sei melhor do que posso assumir que você irá me contar toda verdade sobre o motivo de você estar no topo da Torre de Astronomia, ou com quem você se encontrava lá. Não – ele ergueu uma mão quando Draco começou a falar. "Eu estou bem ciente que você não foi se encontrar com Harry. Eu compreendo tudo isso, e esse não é o motivo de eu ter te chamado aqui."
"Oh..." disse Draco devagar. Se havia uma pessoa no mundo que conseguia roubar sua habilidade em formular respostas rápidas, era Dumbledore. "Se você não vai me perguntar sobre isso... o que você quer perguntar, Professor?"
"Eu vou retornar uma coisa a você," disse Dumbledore. " Algo que você perdeu."
Os olhos de Draco se arregalaram. "Sim?"
Dumbledore esticou sua mão, e os olhos de Draco se arregalaram ainda mais. No centro de sua palma estendida algo brilhava negramente: um anel timbrado, esculpido em ônix, na forma de um grifo. (NA: criatura lendária com cabeça e asas de águia e corpo de leão) "Meu anel timbrado," e o alcançou. "Eu achei que havia deixado em algum lugar..."
"Você deixou," disse Dumbledore. "No topo da Torre de Astronomia."
A mão de Draco se fechou intermitentemente ao redor do anel que tinha acabado de recuperar. Eu não devia ter admitido que era meu...
"Eu sabia que era seu, Draco," disse Dumbledore, como se estivesse lendo sua mente. "No momento em que Carlinhos o trouxe para mim... Quantas vezes eu já não o vi na mão de seu pai quando ele estava na escola, e em seu avô Julius também? Seu pai sentia-se especialmente especial em usá-lo... Eu fico surpreso que ela o tenha tirado."
"Ele disse que era minha vez de usá-lo," disse Draco, escorregando o anel de volta em seu dedo. "Ele disse que eu havia se tornado um verdadeiro Malfoy, afinal."
Dumbledore se sentou ligeiramente para frente. Seus olhos estavam muito amáveis. "Há algo que você queria me contar, Draco... alguma coisa?"
Draco hesitou. E então, balançou a cabeça. "Não, diretor."
"Então eu suponho que recai sobre mim, fazer algumas perguntas a você," disse Dumbledore. Seus olhos azuis estavam solenes, amplos e gentis, mas penetrantes. "Eu tenho certeza que você notou certa... mudança em Harry?"
Draco olhou para suas mãos. Na luz fraca vinda da janela, os ossos pareciam se destacar através de sua pele. Ele pensou em como Harry parecia mais cedo no cemitério, como se uma luz brilhasse através dele. "Eu notei isso," ele disse, e sentiu um puxão interno, como se ele estivesse traindo Harry de alguma forma, admitindo isso em voz alta. "Mas provavelmente você vai querer falar outra pessoa sobre isso, como o Weasley e a Granger, alguém um pouco mais próximo."
"Não tem ninguém próximo a ele," disse Dumbledore. "Não do jeito que você é. Embora tenha certeza que eles o protegeriam se pudessem. Você protegeria?"
"Protegê-lo? Contra que?"
"Isso importa?"
Draco ergueu os olhos de suas mãos. "Eu suponho que não," ele disse. "Sim, claro, eu faria qualquer coisa que eu tivesse que fazer." Ele se deslocou um pouco em sua cadeira. "Mas eu tentei falar com ele e o que ele disse... bem, eu não sei o posso fazer. Se houvesse algo que eu pudesse fazer, eu faria." Ele olhou diretamente para Dumbledore, que era único além de Sirius, que sabia o ele havia visto quando morreu, e Sirius não sabia os detalhes. "Eu causei isso, não causei?"
"Você não causou a situação, apenas relevou. E, talvez, você pense que é capaz de consertar isso, mas não pode, e ele não gostaria que você tentasse. Você não pode entrar no meio dele e de seu sofrimento. É muito complicado e muito único para Harry. Uma felicidade é muita parecida com outra felicidade, mas cada grande tristeza é profundamente diferente. Você pode saber o que a perda de um pai, na verdade, como Harry; de uma forma você sabe como é não ter realmente pais, de qualquer modo. Mas você não sabe como é ter que adorar os pais perdidos, transformá-los na idealização de tudo que é bom desse mundo. E depois descobrir que eles, a quem você deve tanto, estão em tormento e resta aos seus ombros tirá-los daquele estado, e ainda não tem idéia de como tal coisa pode ser realizada."
"Não," disse Draco, angustiado, e levantou, derrubando sua cadeira. "Não – é minha culpa."
"Eu esperava que você pensasse isso," disse Dumbledore gentilmente. Ele moveu a varinha para cadeira, e a endireitou. "Eu suspeitava, e por isso talvez eu tenha evitado, por mais tempo que eu deveria, te contar algo que eu queria ter te contado a muito tempo."
Draco piscou. "Algo sobre mim? Ou Harry?"
"Algo sobre nenhum de vocês dois, e ao mesmo tempo algo intimamente conectado com ambos."
Ok, Draco pensou, você poderia ser um pouco mais vago quanto a isso? Mas... não disse em voz alta. "É importante?"
"Sim," disse Dumbledore. "É importante."
O coração de Draco começou a bater mais forte em seu peito. Ele tinha o pressentimento que 'importante' significava 'ruim', e o olhar no rosto de Dumbledore confirmava isso. "Isso vai machucar Harry?" ele perguntou rapidamente, "porque se vai, eu prefiro não saber, se você não se importa."
Dumbledore pareceu surpreso. "Você não gostaria de saber? Porque não?"
"Porque eu não ia querer decidir entre conter a ele e não." Ele parou por um momento com as mãos nos bolsos, olhando diretamente para Dumbledore, antes d'ele estourar, "Já não aconteceu o suficiente com ele? Tem que ter mais?"
Dumbledore permaneceu olhando para Draco silenciosamente. Finalmente, ele disse, "Harry é forte, e pode suportar mais. E se ele não puder suportar sozinho, ele tem você."
"E Rony e Hermione," disse Draco. "E Sirius..."
"Mas esse segredo particular não é legado deles. É de vocês." Dumbledore moveu sua mão em direção a cadeira, e Draco pausou. "Sente-se, por favor, Senhor Malfoy, e me escute," ele disse, e Draco sentou-se. "Agora," Dumbledore continuou. "Antes que você vá com Harry em busca de sua vingança pessoal, tem uma coisa que você devia saber..."
—
O time da Grifinória estava esperando nos vestiários por quase dez minutos depois da hora que o jogo devia começar, quando Harry saiu para falar com Madame Hooch. Ele voltou em um momento, parecendo ligeiramente irritado. Ele olhou os olhares agitados de sua equipe – eles estavam todos parados com neve até os tornozelos, fora do caminho limpo e raspado. Eles não conseguiam ver o campo dali, estava barrado pela grade que o circundava. Simas estava encostado contra a parede da cabana em que o vestiário estava localizado, paracendo entediado. Ron estava tirando seu protetor de pulsos. "Jogo em espera," Harry disse brevemente. "Um dos jogadores da Sonserina não está aqui ainda."
Colin bufou. "Eles não tem que perder, então?"
Harry encolheu os ombros. "Madame Hooch disse para esperar, então... esperaremos."
Gina contorceu-se irritada. Ele já havia sentido tensão o suficiente, esperando aqui com os outros jogadores, só alguns passos de Simas, que não estava olhando pra ela. Elizabeth, Dennis e Colin estavam juntos, discutindo Transfiguração. Ron estava ocupado tirando seu protetor de pulsos. "Eu não ia querer ganhar assim, de qualquer forma," ele disse. "Eu quero derrotá-los."
"Esse é o espírito," disse Harry, cansado.
"Ron está certo," disse Gina. "Especialmente depois da última vez." Ela escaneou o time e viu o quanto pareciam entediados. "Acho que precisamos de uma conversa estimulante," ela disse, e piscou para Harry.
Ele parecia constrangido. "Vocês não precisam de uma conversa estimulantes," ele disse. "Nós já somos um time imbatível. Nós só precisamos ir lá e jogar, e ganharemos. Não samos o significado da palavra derrota." Ron fez um ruído abafado e Harry sorriu pra ele. "Bem, nós sabemos o significado disso – não somos burros – só, você sabe, não no contexto." Os olhos de Harry passaram pelos jogadores. "Então, foi estimulante o suficiente?"
Elizabeth ergueu os olhos de sua conversa com Colin. "Desculpe, Harry, você disse alguma coisa?"
Dessa vez a risada de Ron não foi um ruído abafado. Harry virou-se para sorrir para ele, e pausou. "Hey, Ron..." ele disse, seus olhos verdes brilhando com uma curiosidade repentina, "o que é isso no seu pescoço?"
Gina se virou assim como Simas e Elizabeth, em tempo de ver Ron ficar assustado, e colocar a mão em seu pescoço. "O que...?"
"Você tem uma marca de mordida," disse Harry, imensamente animado, "bem aqui," e ele cutucou Ron em um lado de seu pescoço.
Ron corou, quase tão escarlarte quanto o pôr-do-sol, e colocou a mão em seu pescoço, mas era tarde demais.
"Ron tem um chupão," anunciou Simas deliciado. "Inacreditável!" Gina olhou para seu irmão com espanto. Como na Terra...? Bem, não que elas esperava que qualquer um de seus irmãos lhe contasse tudo, ou a maioria das coisas, de suas vidas amorosas, mas Ron... bem, Ron sempre apareceu ser bastante romântico para ela, um sonhador. Ficadas sem compromisso não faziam parte de sua natureza. Ele nunca teria uma namorada e não falaria nada a Harry, e estava bem evidente que Harry parecia tão supreso quantos os outros.
"Então, Ron," disse Simas, inclinando sua vassoura, "quem é a garota? Eu não reconheço as marcas de dente."
Ron ainda estava escarlate. "Não tem nenhuma garota," ele disse, olhando pro chão.
"Um garoto, então?" Simas estava sorrindo. "Não tinha idéia!"
"Não! Eu só – trombei em uma porta," disse Ron, desesperado.
"Com seu pescoço?" Harry demandou, suas sobrancelhas se erguendo.
"Sim," disse Ron firmemente.
Gina bufou. "Ronald Weasley," ele assumiu um tom superior. "Depois de morar com Gui, Carlinhos e os gêmeos, se eu não saber como um chupão se parecesse..."
"Gina..." Ron começou em um tom de aviso, dando uma volta em torno da irmã. Quando ele fez isso, ela deu uma boa olhada em seu pescoço. Céus, era mesmo uma marca de mordida.
"Gui, Carlinhos e os gêmeos?" Simas ecoou. "O que, Percy nunca entrou em ação? Tanta influência para ser um afrodisíaco."
Parecia que Ron estava sofrendo um infarte. "Eu não tenho um chupão!"
Harry pegou Ron pelo braço. "Ok, então, se você quer assim," ele disse. "Enquanto esperamos a partida começar – vamos ter uma pequena conversa," e com isso, ele arrastou Ron para alguns metros de distância à sombra de um carvalho desfolhado. Gina os seguiu com os olhos, fascinada, quando Ron puxou seu braço do aperto de Harry e ficou parado, parecendo inflexível, enquanto Harry falava animadamente com – ou melhor, a – Ron.
"Bom," ela murmorou, meio para si mesma, "pelo menos eles estão conversando..."
"Então eles estão," disse uma voz atrás dela. Simas. Ela não se virou. "Talvez nós devêssemos também?"
Nessa, ela se virou, e olhou para Simas propriamente pela primeira vez desde que havia entrado no vestiário. Ele estava olhando para ela firmemente, sua expressão era séria, e seus olhos azuis duplamente. Azuis nebulosos, da cor do céu de inverno. Ela assentiu para ele. "Eu acho que devemos."
Ele pegou seu braço, e a puxou para um canto do vestiário, longe da vista de Ron e Harry. Ele a soltou imediatamente, e a encarou, parecendo determinado."Gina," ele disse. "Eu quero me desculpar."
Ela esperava que ele falasse muitas coisas, e essa não era umas delas. "Por que?" ela perguntou, assombrada.
"Por não ter sido compreensivo com você antes," ele disse. "Noite passada – esta manhã, eu acho que foi. O que você teve que me contar foi, bem, esmagador, e eu não tenho certeza de como reagir. E você estava certa. Eu achava que eu teria que resgatar você do Malfoy, de alguma forma, e quando eu percebi que não tinha, eu acho que fiquei... desapontado."
"Desapontado?" Gina ecoou, mas sem nenhuma raiva. Ela estava, mas do que qualquer coisa, impressionada com a honestidade de Simas. Não devia ser fácil dizer tudo o que estava dizendo. "Mas por que, Simas?"
"Porque..." Ele se desencostou e encostou de novo contra a parede da cabana. Suas bochechas estavam muito vermelhas, de frio e de, ela suspeitava, vergonha. Ele colocou as mãos dentro das mangas longas de seu suéter vermelho e dourado, e isso deu a ele um aspecto infantil. "Porque pelo menos nesse caso eu poderia imaginar que havia alguma coisa em que você precisasse de mim." Ele balançou a cabeça. "Eu gosto de você, Gina, mas você é um mistério. Eu sei que toda garota bonita tem meninos se inclinando para ela para lhe dizer que ela é um mistério, mas você realmente é. Eu acho que você deve ser –" Mas Simas nunca disse a Gina o que ela deveria ser, porque nesse momento ela quebrou a distância entre eles, ficou na ponta dos pés, e o beijou.
A primeira coisa que Draco faria, ela sabia, era beijá-la ferozmente; a primeira coisa que Simas fez foi foi pegá-la pelos cotovelos, firmando ela contra ele. Só depois, quando ele verificou que ela estava seguramente colocada, que ele submeteu-se a sua vontade de beijá-la de volta. Suas mãos escorregaram de seus cotovelos para a parte de trás de sua cabeça, seus dedos se emaranhando em seu cabelo, e seus lábios nos dela eram calmos, quase gelados, a explorando gentilmente. Ele tinha um sabor vago de chocolate quente. Ela percebeu que tremia muito em seu abraço, e tão logo ela percebeu que ele havia quebrado o beijo, se asfatando somente o suficiente para que ele pudesse ver seu rosto. "Gina," ele sussurrou, "você está bem?" Ela olhou para ele, vendo a atordoada, deslumbrads expressão em seus olhos; a expressão que ela havia no rosto de seus irmãos quando eles ganhavam o presente de Natal que eles queriam, a expressão que sua mãe às vezes usava quando recebia um filho a salvo em casa. O jeito que Harry olhava para Hermione, e o jeito que Draco nuna a olharia. Isso vez ela ter vontade de chorar.
"Eu estou bem," ela disse, e colocu seus braços ao redor dele. Ele era quente e sólido, o forte sobressalto o deixando desajeitado mesmo sob isso, ele era macio e quase fino. "Simas – nós podemos permanecer por um segundo? Assim como está." Como se ele entedesse, ele passou seu braços ao redor dela e a segurou, e ela descansou sua cabeça contra seu peito, ouvindo a batida densamente abafada de seu coração através de seu suéter de lã, regular como um tique-taque de relógio.
—
Draco saiu da sala de Dumbledore, e começou a fazer seu caminho para o hall. Se ele pudesse ver a si mesmo, ele ficaria surpresa com o quão lento ele estava se movendo e quão branco seu rosto estava. Como era, ele estava totalmente indiferente em como ele parecia, o que era incomum para ele. Ele não estava precisamente em choque, mas aturdido, sua mente girando. Tudo ao redor dele parecia assumir uma precisa e afiada claridade. Ele ainda podia ouvir a voz de Dumbledore em seus ouvidos. Uma parte disso eu sei por fatos, e outra são boatos, mas sabemos o suficiente, nesse ponto, para estarmos razoalmente certos sobre os fatos básicos. Claro que isso foi anos atrás, muitos anos para você. Quase vinte anos...
Ele estava nas escadas agora, descendo. Ele tinha sua vassoura na mão. Ele estava satisfeito por não ter esquecido. Eu tenho que falar com Harry. Se tinha uma coisa que ele havia aprendido, era que esconder coisas de Harry que poderiam potencialmente maogá-lo era, no final, uma terrível idéia. Por outro lado, era dificíl prever como Harry reagiria a essa informação. Ele também não poderia ajudar mas se perguntava porque Dumbledore havia contado a ele sozinho e não contado a Harry; então novamente, ele suspeitava que podia adivinhar.
Ele estava nos degraus da frente agora, e eles estavam frios e escorregadios com o gelo. Ele correu para baixo e tomou o atalho para o Campo de Quadribol, aquele que cortava ao longo do lago e passava pelo lado oeste do campo, onde se encontrava os vestiários da Grifinória. Conforme ele se aproximava do campo, ele viu que as arquibancadas acima dele estam lotadas; o terreno ao redor do campo pareciam desertos no entanto, mas assim que ele acelerou seu ritmo, seu olhar caiu sobre uma mancha de vermelho e dourado ao lado da cabana da Grifinória. Uma pessoa. Não, não uma pessoa, mas duas pessoas. Duas pessoas agarradas tão próximas como se estivessem contra um vento frio, dois pares de braços, em suas mangas vermelhas e douradas, embrulhados em torno um do outro, dois rostos cegamente pressionados um no outro. Uma despenteada e arenosa cabeça. E uma cascata de um cabelo escarlate familiar. Simas Finnigan e Gina Weasley.
Bem, o que você esperava? disse uma voz afiada em sua própria mente quando ele parou, e olhou, e depois se forçou a caminhar novamente. Ele evitou seu olhar tão firmemente quanto pode, dando uma volta pela borda com campo, e andou até o lado sonserino do campo, onde seus companheiros de time o esperavam. Ele não pode ipedir si mesmo da sensação de que Gina sabia que ele havia passado, havia olhado pra cima e o visto, mas é claro que ela não fez isso; ela estavam muito, muito ocupada. Fique feliz, ele falou para si mesmo, era o que você queria, e depois conforme ele se aproximava do seu time, eles o viram e deixaram sair gritos aliviados de boas vindas. Ele içou sua vassoura no ar e andou para frente para se juntar ao time.
—
"Ahem," disse uma voz; Gina soltou Simas e virou-se para ver Harry parado na porta do vestiário, sua vassoura na mão. Ele pisocu pra ela antes que Simas se virasse também. "Odeio interromper, mas o jogo está começando."
Gina virou a cabeça para esconder um sorriso, e sentiu Simas apertar sua mão. "Desculpe, Harry," ela disse, incerta sobre o motivo de ela estar se desculpando.
"Está tudo perfeitamente bem," disse Harry animadamente, e afastou-se para deixar Simas, levemente corado mas parecendo muito stisfeito, passar por ele para entrar no vestiário. Gina se moveu para segui-lo, mas fez uma pausa para falar com Harry, consumida de curiosidade.
"Ron te contou alguma coisa?" ela perguntou, resistindo ao desejo de cutucar Harry com o dedo. "Ele tem se encontrado com alguém em segredo?"
Harry deu a ela um sorriso torto. "Ele realmente não diria," ele disse, encolhendo. "Ele fica dizendo que foi uma garota que ele conheceu no Pub Crawl, e que eles ficaram. Primeiro ele disse que ela era da Lufa-Lufa, depois disse que era da Corvinal. Então ele disse que ela estava uma série superior, e quando eu disse que não havia mais nenhuma série superior, ele ficou um tanto quieto. Então disse que não podia falar e que eu teria que confiar nele."
Gina deu um pequeno pulo animado conforme eles entravam no vestiário. Ela procurava por seu protetor de pulsos e começou a colocá-los. Rone os outros já haviam saido em direção ao campo, parecia, porque o vestiário estava vazio. "Deus, será que foi alguém realmente terrível e agora ele está com vergonha?" ela disse, fascinada. "Talvez tenha sido Milicent Bulstrode ou alguém do tipo!"
Harry fez um careta desagradável. "Ela deixaria uma mordida muito maior em seu pescoço, eu aposto."
"Tess Hammond? Pansy Parkison?"
Harry rolou os olhos. "Nem mesmo se ele tivesse bebido sessenta cervejas amanteigadas."
"Alguém com namorado, então? Talvez ele esteja com medo de se meter em problemas."
Harry levantou uma sobrancelha. "Poderia ser. Eu tenho medo de estar despreparado até para arriscar um palpite. Eu vou perguntar a Hermione depois do jogo. Ela tem passado mais tempo com ele do que eu ultimamente."
Gina deu uma risadinha. "Ron tem uma garota misteriosa!" ela disse animadamente. "Amei."
Harry sorriu pra ela. "Talvez Simas esteja certo e seja um garoto misterioso," ele disse. "Já pensou nisso?"
"Bem, eu não vejo porque ele se incomodaria em esconder isso," disse Gina, aconchegando sua vassoura abaixo de seu braço e seguindo com Harry até a porta que os levaria ao campo. "Eu digo, Mamãe e Papai acharam que Percy era gay por séculos, e eles estavam bem com isso. Continuaram cobrindo-o com folhetos e tentando fazê-lo se abrir sobre seus sentimentos."
Harry riu. "Percy? Sério?"
"Sim, claro. Eles estavam quase desapontados quando Penélope apareceu," ela disse, abaixando-se para passar debaixo das cordas que cercavam o campo. O resto do time estava lá, esperando, incluindo Ron, que havia puxado o colarinho de seu suéter o mais alto possível e agora parecia uma espécie de tartaruga. Ela piscou pra ele, e ele corou.
"Seus pais são realmente incríveis," disse Harry, e Gina se virou para lhe dar um sorriso afirmativo, mas foi detida pelo olhar na expressão de Harry. Sempre, antes do jogo, ele procurava Hermione nas arquibancadas, e pela sua expressão, ela podia dizer que ele a havia encontrado. Ela seguiu seu olhar e viu Hermione sentada entre Jana e Jorge, uma pilha de livros em seu colo, olhando para baixo no campo e acenando. Conforme Gina observava, Hermione fez um sinal para Harry com a mão – não era nada que Gina reconhecesse, mas era óbvio que era algum tipo de sinal entre eles, porque Harry sorriu, um sorriso brilhante como o nascer do sol.
Uma tristeza arrepiante invadiu os ossos de Gina. Sinais secretos, piadas compartilhadas. Sempre parecia que ela estava de fora – fora do grupo firmemente unido de Harry, Ron e Hermione; fora da relação de Draco com Harry e Hermione também, fora como a única garoto de uma família de garotos. Ela virou-se para longe de Harry e viu Simas olhando pra ela, e ele sorriu pra ela, o sorriso mais doce. Ela sorriu de volta pra ele, e se moveu para perto dele conforme o time montava em suas vassouras. Harry passou por ela então, caminhando até o meio do campo para apertar as mãos de Draco, que já havia caminho até lá. Talvez, ela pensou, sem olhar em direção ao campo e sim para Simas, talvez as coisas estivessem finalmente mudando pra ela, afinal.
—
A partida estava começando um tanto tarde; o rumor era que um dos jogadores da Sonserina estava atrasado. Hermione, espremida entre Jana e Jorge nas arquibancadas, Fred atrás deles (Angelina não tinha vindo, preferindo levar Olívio Wood para um tour a pé na fábrica. Quanto a isso, Fred não tinha nenhum comentário), estava quase certa que a reunião de Draco com Dumbledore havia passado da hora, e se pegou perguntando sobre o que exatamente eles estavam conversando. Ela daria tudo para ser uma mosca na parede da sala do diretor, ou até mesmo um besouro animago como Rita Skeeter.
Vagamente, ela estava ciente de Jana dizendo algo tranqüilizador a Jorge, que estava ficando mais e mais impaciente conforme o tempo passava. Hermione não estava entediada; ela havia trazido um pesado volume de L'Histoire des Quatres Objects de Pouvoir com ela, e estava lendo ativamente um capítulo importante, sua pena tradutora pronta para qualquer palavra que ela não entendesse. Um nó apertado de agouro estava crescendo em seu estomâgo conforme ela lia sobre les quatres – o Espelho, o Punhal, a Taça e a Bainha, conhecidos como Os Quatro Objetos Dignos. Ela tinha ouvido falar deles antes; na verdade, eles estavam no dever que Lupin os havia dado. Mesmo antes que ela sabia que eles existiam no mito, nunca soube o porque dele eles serem Dignos ou o que eles faziam. Quanto mais ela lia, menos ela gostava do que estava queria correr e procurar Harry, e contar o que ela havia descoberto até agora, mas é claro que ela não podia –
"Já era hora!" murmurou Jorge, quando as portas do vestiários se abriram e os times entraram em campo, o time da Grifinória se apressando e o time da Sonserina, mesmo que fossem os últimos, caminhando insolentemente. Os times pararam conforme Harry e Draco caminharam um em direção ao outro para apertarem suas mãos, segurando o aperto, parecia, apenas o tempo necessário. Hermione, que os conhecia melhor, viu através de seus Onióculos a forma como eles inclinaram-se institivamente um para outro, e viu o sorriso torto que Harry deu a Draco quando suas mãos se encontraram. Um raio de luz rompeu as nuvens e então, ela tirou os Óniculos da frente de seus olhos, cegou. Quando ela olhou novamente, eles estavam se afastando, cada um indo de encontro ao seu respectivo time.
Madame Hooch soprou o apito, e os times se lançaram ao céu. Jorge e Fred gritaram, e Jana, parecendo entediada, começou a trabalhar em uma malha – ela estava fazendo um cachecol laranja medonho que Hermione secretamente suspeitava que era um presente de Natal para Ron, que ficaria lamentável nessa cor. Escondendo um sorriso, Hemrione abaixou seus Oniocúlos e dividiu sua atenção entre ler seu livro e assistir ao jogo que se desdobrava no céu acima.
Ela já havia odiado a partida de Grifinória X Sonserina uma vez, mas agora gostava delas, ainda que não admitisse. Quadribol a entediava e sempre iria entediar, mas ela gostava de ver seus garotos voarem – Harry como uma flecha graciosa, Ron com sua simples determinação, e Draco com seu estilo vistoso que mascarava sua real habilidade. Ela observou eles se entrecruzarem no céu, e aplaudiu animadamente quando a Grifinória marcou um gol, principalmente porque todo mundo ao seu redor estava fazendo isso. Observar Draco e Harry acelerarem para e de um outro para o outro, era como observar duas faixas de luz vermelha e verde.
Os outros não eram ruins, claro. Ela ficou surpresa com o jeito que Gina jogou quando ela se juntou ao time pela primeira vez esse ano. Ela era rápida e sua pontaria era excelente. Ela observava agora como Gina se atirou em Malcom Baddock para capturar a goles, fez uma curva fechada, e corria em direção aos aros da Sonserina. Os batedores sonserinos giraram para segui-lá, mas antes que eles pudessem, se atirou no meio deles como uma flecha, apreendeu o bastão de Tess Hammond de sua mão, e bateu no balaço mais próximo o mais forte que pode na direção de Gina. Ele bateu nos ombros de Gina, e sua vassoura girou em um círculo, confome a multidão abaixo gritava e Jorge começou com um fluxo de xingamentos bem pitorescos. Gina endireitou sua vassoura, mas derrubou a goles, a qual Blaise mergulhou para capturar; a sonserina girou para arremessar a goles de volta em direção aos aros da Grifinória mas Simas Finnigan a estava bloquiando, parecendo irritado. Assim que sua vassoura cruzou a dele, Simas estendeu a mão, agarrou o fim da manga de Blaise, e a sacudiu, forte. Com um grito enfurecido, Blaise virou-se, sua mão livre arranhando o rosto dele, e assim que ele mergulhou fora do seu alcance, ela derrubou a goles –
O apito de Madame Hooch foi assoado furiosamente. "Falta da Grifinória! Goles da Sonserina!" ela disse firmemente.
Houve um forte lamento nas arquibancadas da Grifinória. "Que diabos Simas estava pensando?" Fred perguntou inclinando seus Onióculos para cima. Hemrione seguiu seu olhar, viu Blaise pegar a goles quando foram arremessadas para ela por Madame Hooch. Ela parou por um momento para cuspir em Simas, e depois decolou como um foguete na direção dos aros da Grininória.
"Eu sei o que ele estava pensando," disse Jorge, divertido, seu olhar na irmã, que estava perseguindo as goles com um olhar determinado. "Hee. Hee."
Fred atirou um olhar aborrecido ao irmão. "Você acabou de dizer 'hee hee'?"
"E se eu disse?" disse Jorge animadamente, "ao menos minha namorada não está fora passando tempo com Olívio Wood."
Jana ficou aborrecida. "Oh, tudo bem, isso soou como se Olívio Wood não me fosse me querer."
"Não, querida, não foi o que eu quis dizer," disse Jorge apressadamente. "Eu tenho certeza que ele ia querer."
"E eu suponho que você deixaria!" Jana fungou, as mãos nos seus quadris. "Jorge! Como você pôde?"
"Claro que não," Jorge protestou. "Querida.. Eu nunca..."
"Hee hee," disse Fred.
"Oh, calados os dois," disse Jana, e então rompeu quando ouviu um rugido da multidão – Sonserina tinha marcado, Blaise tendo arremessado a goles em direção aos aros da Grifinória tão forte que poderia nocautear um dos dentes de Ron. Jorge rosnou. Hermione teve o pressentimento que qualquer probabilidade de Blaise ser convidada para qualquer programa da família Weasley estava anulada. Fred e Jorge estavam resmungando novamente, e quando a goles voltou ao jogo. Gina a agarrou com um único pensamento feroz, cortar em frente de Blaise como ela havia feito, e se dirigindo aos aros da Sonserina com tanta determinação que Hermione encontrou seus olhos cravados em Gina, e mal notou os borrões idênticos de verde e vermelho no limite de sua visão.
Um rugido surdo subiu da multidão. Gina parou sua vassoura e girou; Hermione podia ver o olhar assombrado em sua expressão. Hermione olhou pra cima, tirando uma mecha de cabelo perdida em seus olhos, e viu que o céu nãoe stava mais cheio de movimento: os jogadores estavam ainda olhando em direção ao lado oeste do campo, onde Harry sentou-se sobre sua vassoura. Algumas coisa brilhou em sua mão. Era Pomo. O jogo tinha acabado.
A voz de Madame Hooch quebrou o silêncio. "Vitória para Grifinória!"
As arquibancadas ao redor de Hemrione irromperam em um feroz aplauso. Os estudantes estavam de pé, seus cachecóis vermelhos e dourados voando como bandeiras no vento. Hermione não se levantou; ela ainda estava olhando para o campo, para Harry, que olhava o Pomo DE Ouro em sua mão, e depois virou sua vassoura para olhar para Draco. Draco estava pelo menos a vinte pés de distância, sentado muito quieto em sua vassoura, e o olhar em seu rosto – não era uma expressão que Hermione já tivesse visto nele antes, metade raiva e metade espanto. Ele apontou sua vassoura violentamente para o chão, e pousou rigidamente na grama congelada. Harry o seguiu, pousando muito mais lentamente, e agora o resto do time da Grifinória e da Sonserina estava pousando também, bloquiando sua visão dos garotos.
Ela dobrou o foco dos Onióculos e olhou novamente para Harry; o resto do time estava pousando ao redor dele, se apinhando para se aproximar dele, mas eles pareciam estranhamente sombrios. Os abraços usuais, o grupo de pessoas pulando em uma pessoa e o tirando do chão e depois as outras pessoas pulando no topo, tudo isso estava faltando. Ele podia dizer o porque, também; era Harry. Ele não parecia satisfeito nem vistorioso, apenas surpreso e quase irritado enquanto olhava do pomo em sua mão para o time da Sonserina, que estava entrando rapidamente pela porta de seu vestiário. Draco já estava fora de vista. Hermione podia dizer que o time grifinório estava tendo um momento dificil em se alegrar normalmente, com o comportamento sombrio de seu capitão. Movendo-se juntos e incertos, eles recoheram suas vassouras, e seguiram para o campo, liderados por Harry.
Os espectadores grifinórios pareciam perceber o comportamento sombrio do time; em silêncio, eles começaram a recolher suas coisas, e quando Hermione moveu-se para fechar o livro que estava lendo, e colocá-lo em sua mochila, seu olhar caiu sobre uma página ilustrada. Ele ficou muito quieta por um momento, olhando, então ergueu o livro e olhou mais de perto. Alguns minutos depois, ela estava descendo as escadas em um ritmo louco, Jorge e Fred olhando para ela, indo o mais rápido que podia em direção aos vestiários e Harry.
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Harry caminha de volta em direção aos vestiários, vagamente consciente do murmúrio excitado do resto do time subindo e descendo ao redor dele. De novo e de novo em sua mente, ele estava repetindo os últimos segundos da partida – perseguindo o Pomo, o vento em seu rosto, esperando Draco cortar na frente dele em sua vassoura, como ele sempre faz. Harry sabia como era voar contra Draco Malfoy, ele havia feito isso por seis anos. Ambos tinham seus truques, embora eles tivessem tentando variá-los. Ambos tinham seu estilo individual. Draco era elegante, quase preguiçoso, até ele realmente ver o pomo, e então ele iria persigui-lo como a ponta de uma lâmina da faca perfurando profundamente. Harry tinha aprendido a esperar suas respostas e antecipá-las; em algum lugar de seu coração ele estava cofiante que era um jogador melhor do que Draco, embora não tão melhor, a ponto de que não podia se dar ao luxo de ser preguiçoso. Eles perderam sua quota de partidas contra a sonserina no passado, algumas inesperadamente. Mas uma coisa que ele nunca esperaria era que Draco deixasse ele pegar o pomo – e ele estava quase certo de que era o que Draco havia feito dessa vez. Draco nem sequer pareceu fazer um esforço, de qualquer forma; quando Harry saiu atrás do pomo, ele notou que Draco não estava o estimulando, e quando ele pegou o pomo e virou-se para o outro garoto, ele estava a muito 'pés' de distância. Isso nunca tinha acontecido antes. Draco não fez nem mesmo o menor esforço, Harry pensou, batendo a porta do vestiário atrás dele (e quase batendo no nariz de Colin, embora não tenha percebido isso). Obviamente Draco o havia deixado ganhar, mas porque ele faria isso? Ele estava sentindo pena por Harry agora depois da visita deles ao cemitário mais cedo? Bom, pensou Harry, soltando sua vassoura e tirando o protetor de canelas de couro, foda-se, ele não precisava da pena de ninguém, muito menos de Draco.
Harry tinha nesse momento conseguido fazer funcionar nele mesmo um estado de ressentimento ofendido que, se ele tivesse se preocupado em pensar, estava fora de proporção para o caso, mas ele não se preocupou em pensar isso. Ao contrário, ele jogou seu protetor de pulsos em um canto e seguiu pra fora do vestiário, ignorando a tentativa de Ron de pará-lo.
Ele pegou o Feitiço Essencial ao redor de sua garganta, se concentrou por um momento, e então caminhou até o castelo, suas botas estalando no gelo de uma forma satisfatoriamente alta. Ele largou as portas duplas abertas, atravessou a porta de entrada, e virou em um corredor à esquerda, aquele que levava aos dormitórios da Sonserina. Ele contornou a primeira curva e lá estava Draco logo à frente, afastando-se dele, a meio caminho da porta de tapeçaria que levava às masmorras.
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Ele estava andando rapidamente, tirando seu protetor de pulsos de couro do pulso direito com a outra mão; conforme Harry observava, Draco ficou livre do protetor, e em um gesto muito incomum dele, parou, e o jogou contra a parede oposta. Ele bateu na pedra pancada macia, e caiu aos pés de Draco.
"Malfoy," disse Harry.
Draco não se moveu, só ficou aonde estava, olhando para a parede. Havia uma estranha melancolia em seus ombros, como se ele tivesse percebido algo doloroso...
"Malfoy," Harry disse de novo, mais firmemente, e quando Draco ainda não se virou,, ele faz algo que tinha jurado não fazer, e enviou uma fecha de pensamentos na mente do outro garoto – os lançou como se estivesse lançando um dardo, afiado e forte e direto. Malfoy, vire-se e fale comigo!
Draco ficou tenso, como se tivesse sido golpeado, e virou-se. Harry fraquejou – Os olhos de Draco estavam quase preto, o que só acontecia quando ele estava realmente muito irritado. "Que diabos você quer, Potter?" ele disse terminantemente. Ele estava arrancando o outro protetor de pulsos agora; ele o tirou, e jogou no chão em seu pé. "Por que você está me seguindo?"
Harry deu um passo adiante. "O que aconteceu lá?" perguntou.
Draco estreitou os olhos. As tochas iluminaram seu rosto, lavando sua cor, tornando as linhas duras e angulares. "Você ganhou," ele disse redondamente. "Vá e comemore! Porque não vai?"
"Eu quis dizer o que aconteceu com você. Você desistiu nesse jogo, Malfoy – é a única explicação –"
"Eu não desisti!" As palavras saíram como um tiro. "Você ganhou!"
"Não ganhamos," disse Harry.
Draco parecia mesmo irritado. "Achei que os grifinórios estavam acima de alegrar-se com esse tipo de coisa –"
"Eu não estou me alegrando," disse Harry entre dentes. "Você acha que eu dou a mínima para um jogo que você me deixou ganhar?"
"Eu não deixei você ganhar!" Draco gritou. "Foi o melhor que eu pude fazer!"
"Bem, foi patético!" Harry estalou de volta, e imediatamente se arrependeu do que disse.
"Por isso, obrigado," Draco rosnou, sua voz monótona e fria. "Obrigado por sua avaliação, Potter, seu bastardo hipócrita, metido e insuportável!" Harry recuou um passo – Draco parecia quase selvagem em sua raiva, seus ombros rígidos, até o seu cabelo platinado parecia crepitar com a energia raivosa. Suas mãos estavam em punhos. "Você acha que pode vir aqui e me julgar –"
"Se você me deixou ganhou porque pensou que eu –" Harry começou, mas parou quando uma voz explodiu em sua cabeça, com a força de uma bomba – ele sentiu como se o seu crânio fosse romper quando ele cambaleou contra a parede.
EU NÃO DEIXEI VOCÊ GANHAR!
Harry suspirou alto, e colocou as mãos em sua cabeça, que estava agora como se ele tivesse sido golpeado com força na parte de trás de seu crânio. "Ouch," ele disse fracamente, e ergueu os olhos para Draco – que estava olhando pra ele em assombro total, suas mãos se afrouxando devagarzinho nas laterais de seu corpo. "Tudo bem, tudo bem – Eu acredito em você, Malfoy, você não precisava gritar desse jeito." Ele tirou suas mãos cautelosamente de suas têmporas, e olhou pra elas, quase esperando que estivessem ensangüentadas. "Você está tentando danificar o meu cérebro, ou o que?"
"Eu..." Draco começou desconfortavelmente, ainda parecendo surpreso. "Eu não sabia que isso seria... Eu nunca..."
"Bem, agora você sabe," Harry estalou, repetindo algo que Draco havia dito a ele não muito antes. E depois hesitou. "Eu sinto muito," ele disse devagar, seus olhos no rosto de Draco agora. "Pelo que eu disse... você não foi patético."
"Oh, não," disse Draco, com a voz arenosa, e o rosto muito pálido, "eu fui. Eu fui patético."
Harry subitamente se sentiu terrível, como se ele tivesse chutado um gatinho. Ele olhou para Draco. Ao passar dos meses, ele pode ser capaz de ler as expressões do outro garoto, embora fossem muito sutis. Ele ainda podia um pouco do que Draco estava sentindo, se ele estivesse sentindo intensamente. Ele sentia agora, e viu isso na expressão de Draco, espanto... e medo. Medo?
"Malfoy," ele começou –
"Harry!" era uma voz sem fôlego, que Harry reconheceu instantaneamente; e se virou e viu Hermione, parada com o rosto pálido no vão da porta. Ron estava trás dela, e também, ele viu, Gina. E atrás dela estava Simas Finnigan. Hermione segurava um livro em suas mãos, e ela estava o agarrando tão firmemente que seus dedos estavam brancos. "Harry..." ele disse de novo, e parou, e seus olhos caíram sobre Draco. Alívio tomou sua face, iluminando sua expressão. "Ah graças a Deus, os dois estão aqui. Eu preciso falar com vocês." Ele abaixou os olhos para o livro em sua mão, e então para Harry e Draco novamente. "É importante. Nós podemos ir à biblioteca e conversar?"
Harry olhou pra ela, tentando focalizar seus olhos. Mas foi Draco que falou. "Não se ele for," ele disse, e apontou através de Hermione para Simas, que estava parado ao lado de Gina agora.
"Tudo que eu posso ouvir, Simas pode ouvir," disse Gina, alto. "Eu já contei tudo pra ele."
Draco levantou uma sobrancelha pra ela. "Tudo?" ele disse.
"Tudo," ela respondeu, erguendo o queixo.
Simas parecia querer muito estar em outro lugar que não fosse lá, mas permaneceu firme.
"Então você é uma boba," disse Draco friamente. "E desleal."
Ron lançou a ele um olhar mortal, assim como Simas. Hermione franziu o cenho. "Draco não seja difícil," ela disse. "Isso é importante."
Draco cruzou os braços. "Ou o garoto Leprechaun vai embora, ou eu vou."
Harry limpou sua garganta. "Olha, Simas..." ele começou.
"Tudo bem então," disse Simas. "Eu não quero causar nenhum problema. Estou indo." Ele inclinou-se e beijou deliberadamente Gina na bochecha. "Eu te vejo depois," ele disse, e foi embora.
Hermione rolou os olhos. "Se o concurso de imaturidade já acabou..."
"O concurso de imaturidade nunca acaba," disse Draco, dando um sorriso lateral pra ela. Ela balançou a cabeça. "Tudo bem," ela disse. "Venham – vamos à biblioteca."
–
"São quatro Objetos Dignos," disse Hermione. "E eles são muito velhos. Tem um punhal. Uma bainha. Um espelho, aquele na fotografia que foi roubado. E uma taça." Ela suspirou e olhou para o pergaminho que estava lendo. "Draco viu todos eles na posse de Voldemort, em seus sonhos, exceto uma. A Taça."
Todos eles estavam na biblioteca, esparramados em uma mesa redonda: Gina e Rony, Hermione e Draco, e Harry do lado de Hermione. Hermione tinha livros e pergaminhos espelhados na mesa na frente dela, e seus óculos de armação prata estavam apoiados em seu nariz. Ela estava falando havia um tempo, e sua voz estava começando a ficar irregular.
"Cada um desses objetos é muito poderoso, magicamente," Hermione continuou. "É magia elementar, que dificilmente é praticada atualmente, mas era muito popular pela época de Nicolau Flamel. Cada objeto corresponde a um elemento – mas," Hermione adicionou apressadamente, vendo os olhos de todo mundo vidrados, "isso não é importante. O que é importante é que esses quatro Objetos são como quatro partes de um enigma. Eles têm que ser unidos para a magia funcionar. E quando eles estão juntos, um ritual pode ser realizado."
Harry limpou sua garganta. "Eu não gosto do som disso. Que tipo de ritual?"
Hermione reprimiu seu lábio. "É para isso que os Objetos foram criados, para facilitar o ritual. É chamado apenas disso, O Ritual, e... e precisa de cinco pessoas para realizar, quatro para manipular os Objetos e uma quinta..." Hermione enrugou o nariz, "para oferecer seu sangue. Não é totalmente claro como o ritual funciona; aparentemente as instruções estão num conjunto de quatro livros, os quais só há uma cópia existente de cada. De qualquer forma, o que é claro é o resultado do Ritual. Quando é realizado apropriadamente, uma imagem aparecerá na superfície do Espelho. A imagem do Tetragrammaton.
Os olhos de Draco se arregalaram. Os outros permaneceram sem expressão. "Eu pensei que era um mito," Draco disse.
"Ooooh, Draco sabe sobre isso," disse Ron. "Eu aposto que uma desagradável nesse caso."
Draco bocejou. "Você esqueceu de me chamar de Malfoy," ele disse. "Você está cometendo deslizes, Wesley."
"O Tetragrammaton," disse Hermione firmemente, "é uma palavra. Uma palavra. Mas falar essa palavra em voz alta te dá poder sobre todas as coisas vivas, poder sobre os homens e animais, e poder sobre a vida e a morte. Esse é o motivo de Voldemort querer o Espelho, e o motivo pelo qual eu tenho certeza que ele quer a Taça. É o único Objeto que Draco não viu se ele já tem, e de qualquer forma eu já o vi. A taça está no Museu do Eixo de Pedra, na sessão de Antiguidades. Se ele realmente quer realizar o Ritual, ele irá tentar pegá-la. Mas ele não pode... não pode ser permitido. Nós não podemos deixar isso acontecer."
(NT: Curiosidade – O Museu referido na versão original é chamado de Stonehenge (do inglês arcaico "stan" = pedra, e "hencg" = eixo), que é na verdade um monumento da Idade do Bronze real, localizado na planície de Salisbury, no condado de Wiltshire, no sul da Inglaterra.)
Ron parecia chocado, assim como Gina. Harry se perguntou se parecia chocado também. Ele não se sentia chocado. Ele sentiu um tipo cansado de 'Oh, isso de novo? O fim de mundo? Yippee!' ao invés disso.
Draco não parecia chocado também. Ele parecia resignado. "E o que nos propomos a fazer sobre isso?"
"Eu não sei," disse Ron em dúvida. "Tudo isso parece fantasia pra mim. Quero dizer, alguns sonhos, algumas fotos, um mito... pode muito bem não ser nada."
"Pode," concordou Hermione. "Mas eu não tenho certeza se vale o risco. Agora a Taça está segura em um mostruário protegido no Museu. Mas até quando?"
Gina mexeu-se inquieta na cadeira. "Vocês acham que ir a Dumbledore possa ser a resposta?" ela perguntou.
"Só se a pergunta for 'Qual é a coisa mais estúpida que poderíamos fazer? '" disse Draco brevemente.
Gina lançou a ele um olhar penetrante. "Não vejo o motivo."
"Bom, primeiro, não temos nenhuma explicação sobre como viemos com toda essa informação," disse Draco brevemente. "Segundo, ele não gostaria de agir na evidência de que eu tive sonhos sobre alguma coisa, não é?"
"Bom, de onde vocês vieram com toda essa informação?" Gina estalou. "De onde você pegou um jornal trouxa de qualquer forma, Draco?"
Draco olhou para Hermione, mas ela parecia sem expressão. Harry ficou tenso quando Draco virou seus olhos acinzentados para ele, e os estreitou. Você não contou a Hermione onde fomos, contou?
Não. Eu sei que disse que iria, mas... Eu não pude. Harry estremeceu e escorregou em sua cadeira. Não... Não agora.
Os olhos de Draco voltaram para Gina, e ele sorriu. "Achei," ele disse. "Na enfermaria."
Gina não pareceu convencida. "Claro que achou."
Hermione limpou sua garganta. "Eu concordo com Draco," ela disse, algo inesperado. "Dumbledore compreende que algumas coisas temos que fazer sozinhos. Algumas vezes ele não pode agir, mas sabe que temos todas as ferramentas que precisamos para agir no lugar. Vocês entenderam o que eu quis dizer?" ela adicionou, e olhou para Harry, os olhos dela arregalados e escuros.
Ele pensou no Vira-Tempo, no terceiro ano deles, sobre a fina corrente de ouro ao redor do pescoço deles. Lmebrou da determinação dela em seu segundo ano, solenemente entregando soces para ele e Ron e dizendo a eles para sair e mergulhar seus colegas na inconsciência.Você que que esse plano funcione, ou não? "Eu sei," ele disse, e sorriu pra ela.
Ela sorriu de volta pra ele, aliviada, até seu sorriso vacilar e ela abaixar seu olhar para mesa. "Eu ahco que é bem óbvio o que devemos fazer," ela disse, e suspirou. "Eu não gosto da idéia, mas..."
Ron ondulou a mão. "Eu não estou seguindo," ele disse. "O que nós temos que fazer exatamente?"
"Nós temos que roubar a Taça antes que Voldemort o faça," disse Hermione, como se fosse óbvio. "Nós vamos roubar o Museu."
–
NT: E aí está o capítulo 5 (:
Demorou menos de um mês, e tá tem gente que acha que é muito tempo, mas cada capítulo tem no mínimo 60 páginas de A4, então vocês tipo, tão lendo um livro de umas 120 páginas a cada capítulo. E isso não saira em um menos de um mês NUNCA sem a ajuda da minha querida co-tradutora diana gfg :D
Mas e aí, o que acharam? Quem será a namorada misteirosa do Ron? E Draco/Gina/Simas, como fica? E o roubo ao museu? Nem eu sei as respostas ainda, mas espero que vocês continuem acompanhando essa trilogia maravilhosa de Cassandra, tão curiosas quanto eu!
Deixem suas reviews comentando o que vocês acham, e não se esqueçam de mandar um beijo e um grande obrigada pra diana no final! Vejo vocês no capítulo 6 (:
PS: Deixa eu fazer um propaganda aqui agora, hihihi. Escrevi uma fanfic quando eu tinha12/13 anos que costumava postar no Aliança 3V, e agora estou reformando e postando aqui! Vou confessar que os primeiros capítulos são bem chatinhos, mas espero que fiquem melhores e maiores conforme a história. Ela chama "E ainda não acabou..." e eu ficaria muito feliz se alguém ai acompanhasse. Obrigada, um beijo.
PS 2: Obrigada Tati Black por me ensinar como colocar os tracinhos, para separar as cenas, obrigada meeesmo! E a próposito, leaim a fic dela (e as outras tb hihi) "De Mãos Atadas", é D/G e muuuito boa :D
