Capítulo seis – Esse Mundo Perfeito

Hermione o vinha chamando de 'O Plano'; Draco o chamava de 'Apenas A Execução De Uma Oficina Para Atolar O Plano Padrão De Assaltar Um Museu E Roubar Um Artefato de Valor Inestimável, O Quê?'. Harry não o chamava de nada; ele só revirava os olhos quando eles falavam sobre ele, e completava com um dar de ombros. Não que ele não estivesse nervoso, ou determinado – ele estava, Ginny pensou, tão nervoso e determinado quanto o resto deles. Ele só não estava ficando tanto tempo na biblioteca quanto o resto deles estava: Draco, Hermione e Ginny estavam lá todos os dias, e até mesmo Ron, que evidentemente não gostava de passar tanto tempo perto de Draco, estava colocando-se mais pacientemente com ele – Ginny estava orgulhosa dele. Havia duas semanas que eles haviam começado a montar 'O Plano', e ele não tinha reclamado nem uma vez.

Eles tinham dominado uma mesa na esquina da biblioteca, onde eles não seriam perturbados, e entre as aulas Ginny sabia que Hermione sempre poderia ser encontrada lá, normalmente com Draco sentado em frente a ela. A maioria dos livros que Hermione tinha desejado não estavam disponíveis na biblioteca de Hogwarts, nem mesmo na Seção Restrita. Livros sobre o desarmamento de proteções do Ministério, Um Guia do Ladrão para Saques e Pilhagens, livros sobre como ocultar vestígios de provas deixados para trás com feitiços de roubo – Hogwarts não tinha nenhum deles. Draco teve que Convocá-los para ela das estantes do fundo da Mansão, o que ele fez, trazendo junto para Hermione o que fez gritar de alegria: a planta do modelo da ala Malfoy do Museu Stonehenge. Divertia Ginny ver o modo como Hermione abordou esse projeto, com um prazer especial, o mesmo com que ela tinha atacado seus exames na semana anterior.

"Você devia ter visto ela no segundo ano," disse Ron, com a mão no queixo e o nariz pontudo dentro de um volume intitulado Como Fugir Com Praticamente Nada. "Eu me lembro dela estendendo para mim e para Harry dois bolos com sonífero e ordenando que nós saíssemos e escondêssemos Crabbe e Goyle por ela. Ela estava um terror." Ele olhou para cima e examinou "Hermione, não é mesmo?" ele perguntou, mas Hermione não estava prestando atenção. Ela tinha acabado de saltar da cadeira com um guincho. Com as mãos nos quadris, ela balançou a cabeça de raiva. "Draco! Honestamente!" Ela olhou para baixo para o loiro, que estava olhando de volta com um sorriso largo, olhos inocentes e segurando uma coisa bem nojenta de olhar suas mãos estendidas.

"Eu a convoquei da Mansão esta manhã," Draco disse, "acenando com o que parecia ser uma mão humana mumificada para Hermione. Eu quase me esqueci de te dar."

"Bem, eu queria que você estivesse esquecido", Hermione disse, enrugando o nariz. "O que é isso?"

"É uma Mão da Glória", disse Harry, aparecendo das sombras entre as estantes. "Melhor amiga de ladrões e saqueadores, certo Malfoy?"

Draco virou-se em seu assento e olhou para Harry. "Eu não esperaria que você soubesse isso, Potter."

Harry deu um sorriso fracamente. Suas bochechas estavam coradas como se ele tivesse estado lá fora no frio, e seu cachecol estava enrolado em seu pescoço. Ginny se perguntou onde ele tinha ido depois do café da manhã enquanto o resto deles tinha marchado para a biblioteca. As classes tinham acabado por um período, enquanto todos estudavam para os exames, mas nesses dias Harry sempre parecia ter todo tipo de lugares que tinha que ir sozinho. "Você ficaria surpreso com o que eu sei, Malfoy."

"Ficaria?" disse Draco, um pequeno sorriso brincando em sua boca. "Então isto é tudo sobre vocês suprimindo Crabbe e Goyle durante o segundo ano?"

Todos olharam horrorizados. Ginny, que vagamente recordou de ouvir esta estória de Ron durante seu terceiro ano, abafou uma risada.

Draco levantou uma sobrancelha educadamente para Ron. "Gostaria de elaborar, Weasley?"

Ron tinha voltado a enfiar o nariz em seu livro, mas as pontas de suas orelhas estavam vermelhas. Na verdade não.

Draco deu a ele um olhar avaliativo, então colocou a Mão da Glória na mesa. Ela arranhou cruzando a mesa como uma grande aranha e caiu colo de Ron. Com um berro como o de um gato escaldado, Ron pulou de pé, removendo freneticamente a mão que segurava seu cinto. Ela caiu no chão, e Ginny botou o pé nela. "Malfoy!" Ron falou com voz abafada, parecendo furioso.

Draco sorriu ironica e preguiçosamente. Oh, vamos lá Weasley. Como se isso não fosse o mais perto de uma vida sexual que você jamais fosse ter. Ron pegou sua cópia de Como Fugir Com Praticamente Nada e a jogou em Draco. Draco esquivou-se, e o livro ricocheteou nas costas da cadeira dele.

Draco sentou-se de volta, espanando as mangas de sua camisa ostensivamente. "Você sabe, Weasley," ele comentou, com uma expressão atiçadora no rosto, "hostilidade violenta é apenas uma elevada atração sexual."

"Ah, bem," disse Ron amargamente, "eu suponho que isto explica o porquê de você sempre ter odiado Hagrid, então."

Draco, na verdade, corou, e mais uma vez Ginny abafou um sorriso. Harry clareou sua garganta com um ruído impaciente. "Isto," ele disse categoricamente, "não está dando em nada – nós teremos que nos dividir, e então nós poderemos trabalhar nisto?"

"Não," disse Hermione inesperadamente, levantando-se. "Nós terminamos por agora."

Todos piscaram para ela. "Terminamos por agora?" Ron repetiu, esquecendo-se de ficar furioso.

"Com a parte da pesquisa, sim," disse Hermione firmemente. "Eu só preciso de algo para Transfigurar, como eu disse ontem a noite. Harry?"

Harry encolheu ligeiramente. "Você disse que você não precisaria dele até esta tarde."

"Sim," disse Hermione, com a voz tensa. "E são três horas."

"Certo", Harry disse brevemente. "Eu vou pegá-lo. Ron, você pode vir comigo?"

"Com prazer," disse Ron, lançando um olhar desagradável a Draco e ficando de pé. Ele pegou seu cachecol nas costas da cadeira e parou ao lado de Harry – se Ginny fosse uma irmã menos bondosa, ela diria que ele estava esperneando.

Aparentemente Draco teve o mesmo pensamento. "O Rei do drama," ele comentou friamente enquanto a porta da biblioteca fechava atrás de Harry e Ron.

"Não comece," disse Hermione, soando completamente exasperada. Ela se aproximou da mesa e começou a enfiar pergaminhos e mapas em sua bolsa infinitamente extensiva. "Fracamente, Draco, se vocês dois não tentarão andar juntos, vocês não poderiam simplesmente sair pela mata e acertarem um ao outro com lanças afiadas até descobrirem qual é o macho dominante?"

Draco mascou pensativamente na ponta de sua pena. "Mas isto seria muito menos divertido."

"Divertido? Esta é a sua idéia de diversão?" Hermione começou a enrolar seu cabelo preto em um coque apertado, e encravou sem pena um grampo para mantê-lo no lugar. "Por que você tem que provocar Ron? Seja um homem. Só o ignore."

"Eu não quero ser um homem," Draco disse, inclinando sua cabeça para trás e seus olhos fendendo preguiçosamente como os de um gato no sol. "Eu quero ser um adolescente depressivo, movido pela angústia e que não consegue enfrentar seus próprios demônios interiores, então os joga verbalmente em outras pessoas."

Hermione acentiu com a cabeça. "É uma pena você não ter nascido menina," ela disse. "Caso contrário tudo que você teria que se preocupar é se você era a mais bonita da escola."

"Ei," Draco disse. "Eu sou o mais bonito da escola."

Hermione afundou novamente na cadeira ao lado de Draco e desconsoladamente examinou os papéis que ainda cobriam a mesa. "Isso é tão estressante," ela disse com voz cansada. Ginny resistiu à vontade de tranqüilizá-la; ela estava sentindo que ambos, Draco e Hermione, tinham se esquecido que ela estava lá há muitos minutos atrás. "Eu não posso fazer isto sozinha, e Harry não vai ajudar, e você e Ron ficam brigando, e eu estou acordada a três dias seguidos. E meu cabelo está começando a encaracolar-se de novo, você sabia disso?"

"Em alguns dias é só no que eu consigo pensar," disse Draco sério.

"Ah, cala a boca," disse Hermione, mas ela sorriu.

"Vou fazer um acordo com você," Draco disse. "Eu vou analisar o resto do livro de feitiços anti-alarme se você me contar o que era aquele negócio de suprimir Crabbe e Goyle no segundo ano."

O sorriso de Hermione aumentou. "Feito," ela disse, soando aliviada.

Ginny limpou sua garganta sonoramente e levantou-se. Como ela havia esperado, ambos olharam para ela com idênticos pares de olhos surpresos: um par castanho escuro, o outro prata. "Eu tenho que ir," ela disse.

O sorriso de Hermione sumiu. "Ginny—" ela disse. "É, eu— eu quero dizer, obrigada por ajudar—"

"Sem problemas," disse Ginny secamente, pegou sua mochila, e caminhou para fora da biblioteca. Somente quando a porta tinha se fechado atrás dela, ela permitiu seus ombros caírem. Será que ela estava condenada a ser invisível para sempre? Será que era alguma maldição Weasley? Mas então, Gui e Carlinhos tinham sido tudo menos invisíveis, nem os gêmeos, e nem mesmo Percy em seu próprio jeito chato. Talvez apenas os dois Weasleys mais novos que fossem condenados a sempre sentirem-se ignorados.

Com um suspiro, ela partiu pelo corredor. Ela desceu ruidosamente as escadas que levavam ao segundo andar, virou vários cantos, e encontrou-se no que parecia ser um beco sem saída. Não era, como Simas tinha mostrado a ela uma semana antes. Se alguém andasse até o fim do caminho e, em seguida, virasse bruscamente para a esquerda, uma pequena abertura com arco de pedra se revelava.

Ela passou por ele abaixada. Além dele, havia uma sala oval, as paredes e o chão eram de blocos de pedra cor de mel. Não havia móveis. A parede Oeste era uma sacada chumbada com vidro, com borda larga o suficiente para ser apenas um assento na janela. Encolhido no banco, com as pernas dobradas debaixo dele e a cabeça inclinada sobre o livro no colo, estava Seamus. Suas mãos estavam puxadas para dentro das mangas de seu casaco vermelho escuro, e a fria luz do sol de inverno filtrada pela da janela tornava seu cabelo loiro escuro em uma franja de grama dourada. "Ei, Ginny," ele disse, sem levantar os olhos.

Ela sorriu. "Como você soube que era eu?"

"Conheço seus passos", ele disse. Ele abaixou o livro e sorriu para ela. "Vem aqui."

Ela foi e sentou perto dele na borda, sentindo-se levemente nervosa. Desde a semana em que tinha beijado Simas no campo de Quadribol, ele não tinha tentado beijá-la novamente, ou mostrado sinais de estar esperando a mesma performance. Ao invés disso, ele estava apenas presente em silêncio na maior parte do tempo, andando com ela quando eles tinham aulas perto um do outro, trazendo-lhe chá quente na sala comunal. Ela tinha começado a esperar vê-lo quando ela saía das aulas: ela se perguntou como ela nunca tinha notado realmente que ele estava por perto antes. Havia algo estranhamente atraente em Simas, algo em sua natureza generosa e sorrisos simples. Eles davam as mãos agora quando caminhavam pelos corredores. Parecia fácil, natural. Ela tentou não pensar no que ela estava fazendo. Não queria analisá-lo.

"Você vai para a visita ao Stonehenge?" ele perguntou.

"Mmm." Ela assentiu com a cabeça, brincando com a capa do livro que ele estava lendo, Dream Country (País Ideal). Simas era obcecado por histórias em quadrinhos, sendo trouxas ou normais. "E você?"

"Sim, eu penso que sim. Eu não estou em História da Magia, mas Binns disse que seria ótimo. Há uma exposição sobre Quadribol arcaico que eu tenho vontade de ver." Simas colocou a mão sobre a capa do livro e limpou a garganta. "Eu estava pensando..." Ele parecia tão nervoso quanto nunca, o que deixou seus olhos azuis escuros em uma espécie de cor ardósia e sua boca apertada. "Sobre o feriado de Natal. Eu vou estar na Mansão para o casamento, é claro, e você também, mas depois disso nós temos duas semanas de férias antes do período escolar recomeçar, e eu estarei voltando para casa para Glyn Caryn..."

"Que legal, Simas," disse Ginny agradavelmente. "Eu ouvi falar que é adorável lá."

"Eu quero que você venha comigo," ele disse.

Ginny parou de brincar com a capa do livro e o encarou. "O quê?"

"Eu pensei que poderia ser divertido," disse Simas determinado. "Nós temos um castelo, você sabe, nem perto do tamanho deste, mas de bom tamanho, e você não teria que me ver todos os dias se não quisesse. Eu tenho ingressos para o jogo do Puddlemere x Cannons em Dublin, e nós poderíamos ir, e tem um tobogã e patinação no gelo no quintal," Ele suspirou e puxou distraidamente um cacho solto de seu cabelo. "Sabe, soava muito melhor quando eu estava ensaiando na minha cabeça do que 'Venha à minha casa, eu tenho um tobogã'."

Ginny, que tinha estado olhando para ele interrogativamente, riu. "Você ensaiou isso na sua cabeça?" ela perguntou. "Porquê?"

"Porque eu acho que você realmente precisa de um feriado," ele disse: "E você não vai conseguir um com os amigos que tem – eles são loucos."

"Eu pensei que você gostasse de Harry e Hermione," disse Gina.

"Eu gosto, mas eles são loucos e nestes dias tudo o que eles fazem é olhar fixamente – não me olhe assim, todo mundo percebeu. E seu irmão passa a maior parte do tempo emburrado também. Vá em frente e me diga que passar o tempo com eles é um louco turbilhão de diversão, mas eu não vou acreditar em você."

"E eu suponho que se eu for visitá-lo na Irlanda, seria um louco turbilhão de diversão?"

"Eu posso te prometer diversão," disse Simas. "Louco turbilhão pode ser forçar demais."

Ela sorriu. "Você vai me mostrar sua coleção de figuras em movimento?"

Simas olhou alegremente para o teto. "Eu poderia fazer isso."

"Você tem as que Harry e Draco fizeram durante o verão?"

Simas assentiu, os olhos brilhando. "Eu tenho duas do Malfoy – uma em sua embalagem original e uma para fins de decapitação"

"Simas isto é simplesmente errado."

"Eu vou colar a cabeça de volta sobre se você vier visitar," disse Simas arrependido.

Gina hesitou. "Eu não sei," disse ela lentamente. "Eu tenho que falar com meus pais, mas eu não consigo ver porque eles diriam que não. Eu – eu vou pensar nisso, Simas." Ela se conteve enquanto os olhos azuis escureciam. "Mas eu quero – e eu agradeço. Eu realmente agradeço." Ela se inclinou e beijou a bochecha dele, e depois colocou a cabeça em seu ombro, fechando os olhos. Claro, ela pensou, se a grande travessura no museu não saísse como planejado, ela não poderia ir para a Irlanda de qualquer maneira – não sem uma viagem para Azkaban por alguns anos previamente.


"Você sabe, eu perdi isso," disse Ron em tom de conversa, enquanto Harry tentava abrir a porta da sala de troféus.

"Perdeu o quê?" Harry perguntou, sua mente apenas parcialmente no que Ron estava dizendo. A porta da Sala de Troféus tendia a ranger quando ela era aberta e, embora Harry tivesse a capa da invisibilidade em seu bolso, ele não tinha vontade de usá-la.

Ele empurrou lentamente a alça e a porta deslizou silenciosamente aberta. Harry deslizou para dentro, e virou-se para esperar Ron segui-lo.

Mas Rony tinha permanecido na porta. "Perdi isso," disse ele, e fez um gesto de si para Harry e de volta. "Perdi você e eu."

Harry levantou a cabeça para o lado. "Isso é..." Arriscou um sorriso cansado. "Eu não sabia que você se importava."

Mas Ron não retribuiu o sorriso. Ele parecia sério. "Talvez você não saiba o que quero dizer", disse ele. "Quero dizer nós se esgueirando, indo em missões, se metendo em confusão ... como nós costumávamos fazer."

"Nós não estamos em apuros", disse Harry. Ele não sabia por que estava se recusando a reconhecer o que Ron estava realmente dizendo, mas ele estava. "Embora se você continuar de pé na porta..."

A boca de Ron apertou-se. Ele entrou na sala e fechou a porta atrás dele. "Tudo bem," disse ele. "Vamos buscar o que viemos buscar." Ele caminhou para o centro da sala e começou a estudar aplicadamente as vitrines, atrás das quais as linhas de troféus, escudos, e placas brilhavam ouro fosco e prata. Os cabelos de Ron brilharam também, uma cor de bronze escura na meia-luz.

A postura de seus ombros era tensa, e Harry sabia há tempos que isso significava que Ron estava magoado. Ele sabia porque ele não conseguia reconhecer o que Ron estava dizendo... ele não sentia falta da sua perda de aventura da mesma forma, porque ele realmente não a tinha perdido. Ele ainda arrastava-se em torno da escola sob a capa, ainda evitava os professores a esgueirar-se fora da escola. Ele apenas fazia as coisas sozinho agora. Sozinho, ou com Draco.

Ele suspirou. "Ron, disse ele lentamente. Sinto muito. Eu sei o que você quer dizer. Eu perdi isso também, eu só fui... ocupado com outras coisas."

Ron olhou para ele. A fraca luz desgastou o azul de seus olhos. "Eu percebi," disse ele. "Eu já ofereci antes, mas se você quiser falar sobre isso..."

Harry atravessou a sala, indo até a maior vitrine, e olhou para ela. Lá estava o escudo de ouro que levava o nome de seu pai, e sua casa e posição: Apanhador da Grifinória. "Se houvesse algo que eu pudesse te dizer," disse ele, vendo o rosto de Ron refletido na vitrine de vidro, "eu diria."

"É sobre Hermione?" Ron perguntou timidamente, olhando para seus pés.

Harry se virou para olhar para ele. "Sobre a Hermione?"

"Vamos apenas dizer que eu posso ver porque você está vestindo lenço dentro da camisa," disse Ron. "O clima entre vocês dois é um pouco como o Ártico."

"Sim," disse Harry. "Ela se sente negligenciada."

"É um dos efeitos colaterais engraçado da negligência," disse Ron. Ele levantou os olhos de seus sapatos. "Você não a ama mais?"

Harry começou, como se Ron tivesse o picado com um alfinete. "Se não eu o quê?"

"Você me ouviu." Ron estava olhando seus pés novamente. "Às vezes você, ahm, para de se sentir uma certa maneira de uma pessoa, e não há nada que você possa fazer sobre isso. Mas você deve, você deve dizer a ela, porque não é justo fazê-la esperar e se perguntar o que está acontecendo com você, e não dizer a ela, e –"

"Será que esta frase vai acabar em algum momento em breve?" Harry disse bem fortemente.

Ron engoliu as palavras seguintes, parecendo rebelde. "Você deveria dizer a ela," disse ele novamente.

Harry sacudiu a cabeça. "Se houvesse algo a dizer a ela," ele disse calmamente, "eu o faria. Mas eu a amo, e eu sempre vou amá-la e dizer-lhe qualquer outra coisa seria uma mentira."

Ron olhou surpreso, tão surpreso que Harry ficou admirado em contrapartida. "Mas muita gente só... só para de sentir coisas," disse ele. "Será que não?"

"Eu pareço que tenho a menor idéia do que muita gente faz?" Harry esfregou as mãos sobre o rosto. Sentia-se cansado de novo. Cansado e abatido. "Olha," ele disse, mais calmamente. "Eu agradeço você cuidar de Hermione, e de mim também. Eu sei como isso se parece pelo lado de fora. Tenho certeza que parece ruim. Mas é claro que eu ainda a amo. Na verdade às vezes eu me preocupo..."

"Se preocupa com o que?" Ron disse rapidamente.

"Que ela não me ame."

"Ah," disse Ron, e novamente: "Ah." Fez uma pausa. "Tenho certeza que ela ama."

"Eu sei." Harry levantou a cabeça e olhou para Rony, realmente olhou para ele, pela primeira vez em dias. Para os olhos azul fixos, a boca firme, o rosto familiar.

"É só que eu não consigo falar com ela sobre meus pais," Harry ouviu-se dizer.

"Os seus pais?" Ron olhou espantado. "Alguma coisa aconteceu... com seus pais?"

Não, pensou Harry amargamente, eles ainda estão mortos, obrigado por perguntar. Mas ele não disse isso. "Não exatamente. Eu estive pensando muito neles, e eu acho que é isto o que está em minha mente. E eu sei que parece que eu deveria ser capaz de falar com ela sobre isso, mas eu não consigo... e eu não sou o único que esteve distante ultimamente," acrescentou com firmeza. "Ela parece distante também. Distante e meio que... estranha."

"Estranha?" Ron ecoou.

Mas Harry não quis entrar em detalhes. Seu olhar tinha acendido no que eles tinham vindo pegar na sala de troféus. "Ei, ali está ele."

"Ele o que — ah, bom," disse Ron, e ficou de joelhos, como Harry fez. Harry estendeu a mão e abriu a caixa de vidro na frente dele, e tirou um copo alto cor de bronze, à frente da qual estava afixada uma inscrição protegida e preenchida com o texto: Por serviços especiais para a Escola: Harry Potter, Hermione Granger , e Ronald Weasley. No ano de 1992. "Nós vamos usar isso?" Ron perguntou.

"Claro," disse Harry. "É nosso... nós podemos usar como quisermos. Hermione disse alguma coisa que fosse tão parecido com o copo na imagem quanto possível, e isto é".

Ron sorriu. "Eu estava esperando que pudéssemos usar prêmio de Tom Riddle por serviços especiais."

Harry riu. "Agora esta é uma idéia brilhante. Mas... Hermione disse que tinha de ser uma taça."

"Por quê? Qual é a diferença? Vai ser transfigurada qualquer maneira."

"É," Harry disse, "mas tem que ser um feitiço de transfiguração de nível muito, muito baixo, porque um feitiço mais forte alertaria os detectores no museu. Então isso começará a se alterar com o tempo. Quanto mais se parecer com o que deveria ser, mais tempo passará sem que alguém perceba."

Ron sacudiu a cabeça. "Alguém sabe de todos os detalhes desse plano de roubo além de Hermione?"

Harry sacudiu a cabeça. "Não," ele disse. "Mas eu confio nela".

Uma estranha contração passou pelo rosto de Ron. Então ele sorriu, e alcançou e tocou na taça na mão de Harry. "Eu me lembro quando nós ganhamos isto," ele disse. "No segundo ano".

Harry estreitou os olhos para Ron; havia algo no tom de Ron que ele não gostava, como se seu melhor amigo estivesse de luto por uma perda, da melancólica Era de Ouro. "É. Eu me lembro." Ele soltou a taça. "Você quer levá-la?"

Mas Ron balançou sua cabeça, colocou as mãos nos bolsos. "Não. Tá tudo bem". Ele olhou em direção à porta. "Nós temos que ir," ele disse, e abaixou a cabeça enquanto Harry coloca a capa em ambos, e eles sumiam e vista.


Quando Ron e Harry voltaram para a biblioteca, Ginny tinha ido embora, e Draco e Hermione estavam sentados juntos na mesa Hermione tinha a cabeça nos braços e parecia estar adormecida; Draco estava lendo. Ele levantou um dedo aos lábios enquanto Harry e Ron se aproximavam.

Harry olhou para Draco, então abaixou a taça na mesa e agachou-se perto do assento de Hermione. Ela estava mesmo adormecida, sua cabeça descansando nos braços cruzados, seus olhos fechados. Ele podia ver como ela devia estar cansada: suas pálpebras tinham um pálido e perolado brilho, e havia sombras sob seus olhos. Seus lábios estavam entreabertos de maneira suave e o cabelo caído, que escapava de seu coque mexia-se com sua respiração. Ele esqueceu que Draco e Rony estavam lá enquanto ele e se ajoelhou ao lado dela, esqueceu-se de qualquer pessoa além deles dois, e aquele instante atemporal pendurado em algum espaço estava ocupado apenas por Hermione e ele mesmo. Ele nunca poderia esquecer-se do quanto a amava, mas agora ele tinha se lembrado novamente e vigorosamente, e ele sentiu isso como uma dor dentro de si mesmo, uma dura dor no fundo da sua alma. Se ela soubesse...

Ele não tinha falado, mas as pálpebras dela se abriram como se ela tivesse o ouvido. Ela sorriu lentamente, seus olhos escuros focando em seu rosto. "Harry..."

Ele se inclinou e beijou a bochecha dela. "Eu não percebi que você estava tão cansada," disse ele gentilmente. "Eu trouxe a taça".

"Oh!" disse ela, e sentou-se, esfregando os olhos. "Obrigada." Ela bocejou, e tocou a taça com um sorriso. "É adorável, não é. Que pena que temos que usá-la para algo como isto."

"É uma boa causa," Draco disse, sem tirar os olhos do seu livro.

Ron estava mascando um de seus lábios, pensativo. "Lembre-me novamente como isso vai funcionar," disse ele.

Hermione parecia irritada. "Nós já repassamos isto várias vezes..."

"É só que, não vai estar rodeado por guardas e outras coisas?"

"A taça? Não mais do que qualquer um dos outros objetos no museu. Lembre-se, eles não sabem o que é – é apenas uma curiosidade histórica para eles, não faz parte de uma equação mágica imensamente poderosa."

"Você tem certeza?" Ron disse. "Quero dizer, talvez eles simplesmente não queiram deixar claro para todos que sabem o quão poderosa ela é... talvez, eles estejam apenas tentando não atrair nenhuma atenção para ela."

Hermione piscou, e por um momento pareceu surpresa – Harry percebeu que isso não tinha, honestamente, lhe ocorrido. "Não," ela disse lentamente, e depois mais rapidamente, "Não, porque não há nenhuma razão para colocá-lo em exposição, eles podiam simplesmente escondê-lo em algum lugar. É só por acaso que nós chegamos mesmo descobrir isso. Se Draco não tivesse os sonhos que ele teve, se eu não os tivesse conectado a Nicholas Flamel, eu nunca teria percebido que a taça no museu era um dos Quatro Objetos Dignos."

"Pode ser um dos Quatro Objetos Dignos," Ron corrigiu, baixando a voz.

Hermione balançou a cabeça. "Eu sei, mas é melhor prevenir do que remediar."

"Ah," disse Rony, balançando a cabeça. "Deve ser algum uso ultramoderno da palavra seguro que eu ainda não conheço."

Harry riu. "Eu pensei que você estava com saudade de todas nossas aventuras," disse ele. "Se roubar um museu não é uma aventura, não sei o que é."

Ron corou, depois sorriu torto. "Você tem um ponto," respondeu ele, em seguida, olhou para o relógio. "Mione, nós deveríamos estar no escritório de Flitwick repassando a lista de estudantes para a viagem agora..."

"Ah. Certo." Hermione levantou-se, sufocando outro bocejo, sorriu para Harry, e pegou seus livros e capa. "Vejo você no jantar, então?", disse.

Ele ficou de pé e acenou com a cabeça. "Divirtam-se sendo Monitor e Monitora Chefes."

Hermione fez uma careta. "Não reclame disso... nós não teríamos uma viagem ao museu caso contrário."

Rony bateu no relógio. "Hermione..."

Ela pegou a taça, colocou-a em sua bolsa, e beijou a bochecha de Harry. "Vejo vocês depois – oh, e Draco, lembre-se do que falamos." E com isso, ela saiu com Rony, os dois conversando animadamente.

Harry olhou para Draco. "'Lembre-se do que falamos?' "

Draco, que tinha as pernas compridas esticadas sobre a mesa, encolheu os ombros. "Nós estávamos tentando pensar em maneiras diferentes de criar uma distração no museu amanhã."

"Você propôs alguma coisa?"

"Algumas coisas. Provavelmente seria melhor se você estivessem surpresos."

Harry, aceitando isso, atirou-se na cadeira ao lado de Draco. "Estou esgotado," disse ele. "Eu não sei você."

"Bem, seis reuniões à meia-noite e intensivo planejamento de roubo faz isso com você. Felizmente, eu consigo manter o meu brilho radiante sem dormir."

"Sim, fascinante como você faz isso," disse Harry, pegando uma garrafa térmica de suco de abóbora que Hermione tinha deixado na mesa. "Então, Rhysenn não tem incomodado mais você no meio da noite?"

Draco lhe deu um olhar perspicaz. "Eu não tenho visto ela," disse ele. "Você?"

Harry sacudiu a cabeça, alarmado. "Não."

"Suspeito que ela não pode entrar no castelo," disse Draco. "Eu acho que você está seguro."

Harry desenroscou a tampa da garrafa térmica pensativo. "O que você acha que ela quer, afinal?"

Draco deu de ombros. "Enfim, isso ninguém sabe. Outros acham que ela quer entrar em suas calças aparentemente."

"Argh". Harry gemeu. "Não diga isso."

"Só estou ofendido por ela não quer entrar nas minhas calças."

"Talvez ela queira," Harry sugeriu apaziguador.

"Eu não acho que ela realmente já tentou comigo... não como ela fez com você". Draco fez uma pausa, pensativo. "Sorte a minha, eu suponho."

"Ela tem um grande... efeito," disse Harry, sentindo-se corar.

"Deve ser 600 anos de frustração reprimida," disse Draco.

Harry engasgou, e suco de abóbora cuspiu em todo o livro aberto na frente dele. Seiscentos anos, disse ele, e arregalou os olhos. "Essa é a idade dela?"

"Admiravelmente bem conservada, não é?" Draco observou. "E não cuspa sobre esse livro – é antigo."

"Assim como ela," disse Harry. Ele mordeu o lábio. "Não que isso ajude muito..." Ele olhou para Draco, com os olhos arregalados. "O que ela é, Malfoy?"

"Eu acho que," Draco disse devagar, "ela é um tipo de demônio. Ou algo assim. Ela parece ter a capacidade de, ah... bem... o que exatamente ela parece ser para você?"

Harry sentiu-se ficar vermelho brilhante da Grifinória. "Eu acho que ela é algum tipo de, hum, demônio do sexo," disse ele.

Draco olhou como se ele estivesse se esforçando muito, muito para não rir. "Bem, poderia ser pior," disse ele. "Ela podia ser um demônio cravando as pessoas nas paredes com espinhos afiados."

"Eu não posso deixar de pensar que seria um pouco mais fácil de combater," disse Harry. "Ela simplesmente me faz sentir... sem poderes."

"Bem, meu pai sempre disse que quando isso acontecer você deveria tentar imaginar o inimigo em suas roupas íntimas," disse Draco, e acrescentou às pressas "mas dada a natureza do problema, no seu caso essa pode não ser uma boa jogada."

"Você não está ajudando, Malfoy..."

"Tudo bem, então, vamos falar de outra coisa. Como o que eu devo dar a Simas Finnigan no Natal."

Harry sorriu. "Sim, Hermione me disse que você tirou o nome dele."

"Quem você tirou?"

"Eloise Midgen."

"Ah. Nariz novo, então?"

"Cale a boca, Malfoy. Eloise é uma pessoa muito legal."

Draco sorriu. "Adivinha quem Blaise pegou."

Harry sacudiu a cabeça. "Eu?"

Draco olhou como se estivesse se divertindo. "Hermione."

"Oh, não." Harry atirou um olhar desconfiado a Draco. "Não deixe-a dar nada a Hermione que seja afiado, ou explosivo..."

Draco colocou sua mão sobre o coração. "Juro solenemente," entoou.

"Obrigado." Os olhos de Harry foram para o relógio na parede, e ele sentou-se reto. "Hora de descer para o jantar", ele disse, e levantou-se, agarrando a sua mochila de uma cadeira próxima. Ele estava a meio caminho da porta quando ele parou e se virou. "Você não vem comigo?"

Draco, que ainda estava sentado na mesa, levantou a cabeça, surpreso. Na meia luz, Harry não conseguia distinguir sua expressão, apenas a forma vagamente definida de sua face: a superfície plana de suas maçãs do rosto, o queixo pontudo, os olhos sombreados. "Nós não podemos descer juntos," disse ele.

"Ah," disse Harry. "Certo, não podemos – é claro que não podemos."

"Vai você – eu vou descer daqui a pouco." Draco deu a Harry um olhar curioso. "Você está bem? Parece que você está prestes a espirrar."

Harry suspirou. "Não é nada. Só..."

"O quê?"

"Não desça tão cedo depois de mim."

Draco acenou com a cabeça. "Bem lembrado. Eu não vou."

"Obrigado," disse Harry, e saiu se sentindo irritado, mas sem saber por quê.


Ela não vem.

Ele já havia dito a si mesmo três vezes, mas não parecia estar fazendo diferença. Ron levantou-se, aliviando seus músculos apertados, e se encostou contra a parede, olhando para o vazio a meia distância. Eram três da manhã e ele deveria estar de pé dentro de algumas horas. Em seis horas, na verdade, ele deveria estar roubando um museu. Agora, isso tudo parecia distante e irreal: o que era real era o fato de que ela não estava aqui, e não parecia que ela chegaria tão cedo.

Ele tinha enviado-lhe uma mensagem... várias mensagens, dizendo-lhe para encontrá-lo no lugar habitual. E ele tinha esperado. Na noite anterior, e na noite antes dela. Mas ela não veio. Não era a primeira vez, houve outras noites que ela não tinha aparecido, mas nunca três seguidas.

Ele deu um passo adiante e apoiou as mãos sobre a mesa. Os quatro quadrados de luz das janelas coloridas: azul, vermelho, verde e dourado – refletia sobre o centro da sala, pintando o chão. Eles brilhavam o tempo todo, mesmo durante a noite. Não havia necessidade de outra iluminação na sala dos monitores, outra razão para esse ser um lugar ideal de encontro. E só alguém com a senha poderia entrar. É claro, tinha havido aquele infeliz incidente com Malcolm...

Ron empurrou isso para o fundo da sua mente. Malcolm não se lembrava do que tinha acontecido – um golpe inesperado de sorte, isso sim. Não que ele se sentisse com muita sorte agora. Ele tinha se sentido sortudo, sempre, nestes últimos meses, sentia que era a pessoa mais sortuda do mundo. Mas agora... Ele olhou para suas mãos, descansando sobre a mesa. As unhas estavam mordidos até sangrarem em semi-círculos.

Uma onda de raiva tomou conta dele. Ele ficou de pé, sentindo-se subitamente energizado pela fúria – ela não tinha direito de agir assim. O mínimo que ela podia fazer era mandar uma mensagem. Ele sabia que eles evitavam falar sobre isso entre si em público, mas ela poderia ter rabiscado uma nota. Ele agarrou na porta e puxou-a aberta, saiu para o corredor – e hesitou.

O corredor estava cheio com a luz fraca da manhã. Devia ser mais tarde do que ele pensava. Nesse caso... bem, não havia nenhum sentido, então, em ir para a cama, havia? E se ele esperasse... bem, talvez ela viesse. Eles já haviam se encontrado mais tarde do que isso antes.

Ele voltou para o quarto, e fechou a porta atrás dele.


Acordar foi como nadar pela água escura e fria em direção a uma luz distante. A cabeça de Draco rompeu a superfície do sono, os olhos abertos tremulando, e então o resto de seu corpo seguiu, trêmulo e desperto, com uma série de solavancos irregulares. Ele se sentou na cama, deixando sua respiração ainda lenta.

Ele estava congelando de frio. Sentou-se lentamente, o ar gelado batendo em sua pele e fazendo-o estremecer ainda mais. Ultimamente, que ele vinha acordando encharcado de suor, seu pijama molhado e aderindo a ele, então que ele tinha começado a dormir apenas com o pijama de algodão fino que ele normalmente usava durante o verão, as cobertas chutadas para baixo de seus pés. Agora, porém, isto era um tiro pela culatra e que ele estava congelando. Seus ossos pareciam gelo.

Ele se levantou e, levando o cobertor com ele, foi até a janela e sentou-se na borda. Ele enrolou o cobertor em torno de si e olhou para a noite fria do inverno para além do vidro embaçado.

O mundo do lado de fora estava branco e envolto por gelo prata. Parecia frágil, como se fosse soar como um sino de gelo se batido. O profundo céu negro parecia pintado com mil diamantes, embora não houvesse lua. A noite estava ofegantemente calma.

Draco olhou para suas mãos. Havia um fraco tom azulado em suas unhas, que podia ser do frio ou das sombras, ele curvou os dedos contra as palmas das mãos. As imagens do sonho que ele tinha tido movendo-se por trás da pele de suas pálpebras: o castelo novamente, passando pelo negro ninho dos pinheiros, as janelas que pareciam de diamante, o eco de cômodos vazios. A torre, e na torre a plataforma em que estavam o espelho, o punhal e a espada. Nesta noite, uma mesa tinha sido puxada até a janela e nela tinha sentado seu pai, absorto em um solitário jogo de xadrez. O tabuleiro era de ouro e marfim, e as peças eram todas esculpidas em rubis e esmeraldas: um grupo vermelho como sangue, outro verde como veneno.

Junto à janela estava Voldemort, olhando para a paisagem, as árvores deixando suas cores outonais caírem em um vale vazio. "Lucius," disse ele. "Certamente, o tempo está quase à mão?"

"Sim, meu Senhor," disse Lúcio, movendo o bispo. "Em duas semanas, se não me engano".

"Essa é uma boa notícia. O tempo arrasta-se fortemente aqui. Eu estou ficando cada vez mais entediado." O Lord das Trevas se afastou da janela e olhou para o pai de Draco. "Acho que eu prefiro esses jogos de xadrez mais antiquados que capturam, em vez de destruir," disse ele, pensativo. "É verdadeiramente um romance."

"Eu pensei que você gostasse de matar," disse Lúcio, e moveu um peão vermelho.

"Às vezes, a captura é uma tática melhor," disse o Lorde das Trevas. "Por que destruir o que você pode usar, ou fazer um exemplo?" Ele sorriu. Era uma visão desagradável como sempre. "Como está o menino?".

"Tão bem quanto se pode esperar," disse Lúcio, e moveu o cavaleiro. "É como eu lhe disse, meu Senhor. Agora é uma questão de esperar."

Draco foi puxado para fora de suas memórias e de volta ao presente por um som batendo contra o vidro. Ele percebeu que estava tremendo violentamente, tanto que suas mãos estavam batendo contra a janela. Ele apertou mais o cobertor e murmurou um Feitiço de Aquecimento, o que ajudou um pouco – apenas se ele conseguisse dormir, ele pensou, mas ele estava bem acordado. Ele deixou a cabeça cair contra a parede, e seus olhos se arrastaram para o relógio ao lado da cama, cujos números flamejavam e desapareciam em cores diferentes a cada minuto. Agora os números violeta lhe diziam que eram cinco da manhã.

Em duas horas, ele se levantaria para tomar café e ir para o museu. Como monitor, ele teria que estar lá cedo, esperando com os professores. Harry, Hermione e Rony deveriam encontrar com ele no hall de entrada antes mesmo do café da manhã começar. Ele não esperava estar tão nervoso sobre o que eles planejaram fazer no dia seguinte, certamente não tão nervoso para ficar acordado. No entanto, ele estava temendo isto de várias maneiras. Certamente não foi a coisa mais perigosa que ele já tinha feito, mas não era de medo por sua própria segurança que sua ansiedade fervia.

Ele se perguntou preguiçosamente se Harry estava acordado ainda, o pensamento acendendo uma centelha de curiosidade em seu cérebro. Sem parar para analisar o que estava fazendo, ele enviou um cacho de pensamento para fora, buscando no escuro, no espaço fora de si, pela cor e forma familiar dos pensamentos de Harry. Ele não sentiu nada no início, o que quase o alarmou. Deixou-se chegar mais longe, como se estivesse pisando de uma ponte sobre águas profundas, a escuridão crescente e sem formas ao seu redor.

Então houve uma explosão de luz. Ele fez uma pausa, seus olhos fechados, e chegou à frente novamente. A luz refratada, salpicando de várias cores, que o cercavam com bolinhas em torno dele como uma chuva de estrelas cadentes. Ele parecia estar olhando para um corredor para outro mundo: ele sentiu um calor, viu o ar cintilante e o céu azul.

Alarmado, Draco tentou recuar, mas era como se alguém tivesse estendido a mão e apertado a sua, sentiu-se puxado para frente, e então o espaço vazio acima dele próprio tornou-se um céu azul pálido, e o ar disforme abaixo dele tornou-se uma faixa de areia dourada. Ele sabia que não era real: tudo em torno dele teve fusão suave como em um sonho, mesmo a casa que se erguia no horizonte, empena e fecharam de azul e branco, parecia uma casa de sonho: fraca, uma meia recordação. É isso, ele pensou, eu estou em um sonho, o sonho de Harry, e então ele deu um passo e algo apareceu na areia em frente a ele. Ele quase gritou em voz alta.

Era um menino, com talvez oito anos, talvez sete, ajoelhado na areia, um balde de plástico aos seus pés. Muito magro, com madeixas de cabelos negros desarrumados, envolto em roupas largas a partir das quais os pulsos e tornozelos finos se projetavam como feixes de galhos. Harry. Um Harry criança, um Harry poucos anos antes do que Draco tinha o encontrado. E não só Harry, mas a maneira como Harry via a si mesmo.

O Harry do sonho levantou a cabeça e olhou para Draco. Ele tinha uma aparência que Draco nunca teria imaginado que Harry teria naquela idade, mas a cicatriz em sua testa queimava ali como uma marca lívida de fogo. Havia um olhar perdido em seus olhos verdes, como se ele não soubesse nem onde estava, nem como tinha chegado lá.

"Você tem que me ajudar," disse Harry criança, sua voz vacilante, como uma voz ouvida debaixo d'água.

Draco abriu a boca, e depois se conteve. Poderia sua voz ser ouvida em um sonho, um sonho que não era mesmo o seu próprio? "Ajudá-lo?" Ele perguntou, e para seu alívio, sua voz era audível, com estranha sonoridade. "Ajudá-lo com o quê?".

"Minha mãe me construiu um castelo," disse o garoto que foi Harry, olhando em volta para a areia. "Para me proteger. Mas eu o derrubei, e agora não consigo encontrar os pedaços. Você pode me ajudar a construir-lo de volta?".

Draco caiu de joelhos na areia. Não era nem quente nem granulado, como areia de verdade, mas quase da textura de nuvens, e macia como areia. Uma areia do sonho da imaginação de alguém que nunca tinha estado perto do mar. "Vou fazer o que puder," disse ele, e estendeu a mão para o balde de plástico com a pá dentro, mas antes que pudesse segurá-lo, o Harry do sonho o tinha movido. Draco olhou para ele. Ele parecia ainda mais jovem, de perto, mais jovem e com medo, a marca de queimadura em sua testa era quase demasiado brilhante para se olhar. "Você não quer minha ajuda?"

O Harry do sonho deixou cair a pá de plástico, que sacudiram contra a lateral da caçamba. Ele balançou a cabeça. "Eu esperei e esperei por você chegar aqui," disse ele. "Mas agora eu acho que você deve estar muito atrasado".

"Atrasado?" Draco perguntou, e então ele ouviu alguma coisa – um barulho alto, como o badalar de um sino – era um sino – uma espécie de alarme? Um despertador? Harry estava acordando – e antes mesmo que pudesse completar o pensamento, a areia desapareceu sob seus pés, o céu azul girou se afastando, e ele caiu novamente em si mesmo, em seu próprio corpo trêmulo de frio, repleto pela luz leitosa das estrelas derramada da borda da janela de seu quarto.

Ele agarrou o cobertor, seu coração golpeando. A leve tontura de sonhar agarrado a ele como teias de aranha. Ele sentia-se estranhamente culpado – certamente era uma violação de algum tipo adentrar o subconsciente de alguém, mesmo se ele tivesse sido puxado contra sua vontade. Ele se perguntou se Harry iria lembrar-se do sonho pela manhã, e como ele devia parecer para ele. Era quase como se eles conexão entre eles estivesse cada vez mais forte nestes dias; Ele podia encontrar Harry tão simplesmente quanto respirar, e falar em silêncio tão facilmente como podia falar em voz alta. Talvez tenha sido a facilidade que veio com a prática, mas isto estava quase começando a ser assustador. Ele se perguntou se chegaria o dia em que ele não poderia dizer quais eram os pensamentos e sonhos de Harry e quais eram seus próprios.


O Museu Stonehenge é um dos maiores museus do mundo bruxo. Foi fundado por um Decreto do Ministério em 1653 e é agora regido sob a Lei do Museu Stonehenge de 1793. A Gestão e controle geral são atribuídos a uma Assembléia de 25 curadores (um nomeado pelo Ministro, quinze pela Câmara do Ministério, quatro nomeados por Sociedades científicas e cinco eleitos pelos próprios curadores.)

O Museu agora contém coleções de antiguidades nacionais: instrumentos de alquímica, encantamentos curiosos de todo o mundo, raros objetos amaldiçoados, um acervo bibliotecário (Livros Impressos, Manuscritos, mapas, Música e Selos) e itens de interesse histórico para o mundo dos bruxos. As suas coleções de história natural foram transferidas para South Kensington, nos anos 1880, tornando-se o J. Museu de História Natural.

Os principais prédios do Museu são impossíveis de mapear. A parte central é composta de edifícios de uma área de aproximadamente 600.000 metros quadrados, desenhada por Sir Sidney Smirke e construída durante uma longa noite em 1650, após Smirke ter consumido uma garrafa de cerveja de gigante; Alguns dizem que é por isso que o telhado se inclina para o leste. As principais adições subseqüentes totalizam cerca de 340.000 metros quadrados, consistem na Galeria Whisp da Hisória do Quadribol (1850, 1870), a Exposição Cantwell J. Muckenfuss de Implementos de Indeterminado Objetivo (1884), e a Galeria L. N. Malfoy de Artefatos Amaldiçoados e Abomináveis. Há também o Hall de Esculturas Brilhantes (1979-1980).

Comentários Informativos: O museu foi construído em um círculo, oco no meio, onde um pequeno jardim foi plantado. No centro do jardim fica a plataforma elevada onde os visitantes do museu encontram-se depois de chegarem por Chave de Portal, mas também serve como Chave de Portal para sair. Uma quantidade limitada de Chaves de Portal é produzida pelo Museu, e por isso, os curadores do Museu de sempre saber quantos visitantes estão no museu, e quem são eles. Isto é para a segurança dos visitantes do museu, bem como a segurança do museu; Seguranças trolls patrulham os corredores, então o melhor é ficar com o grupo guiado de visitantes... Varinhas não são permitidas dentro do museu, e são coletadas por protetores na entrada.

"Então," disse Ron, Hermione, quando fez uma pausa em sua leitura em voz alta, "você está testando se é possível ser ao mesmo tempo em apavorante e entediante até a morte, ao mesmo tempo, ou o quê?"

Harry estava coçando a orelha de um modo pensativo. "Hermione, querida, não você já sabe tudo isso?"

Hermione olhou por cima do panfleto que ela vinha lendo enquanto eles caminhavam pelos corredores do museu. Ela dependia de Ron e Harry para mantê-la dirigindo-se ao longo de um caminho reto, para não topar com os outros estudantes enquanto caminhava. Até agora, eles pareciam estar fazendo um trabalho decente, apesar de ela suspeitar ter pisado no pé de Pansy Parkinson. Não que ela lamentasse esta inteiramente - Pansy estava quase sempre nos pés deles.

"Eu sei," Hermione respondeu, "mas não há nenhum mal em estar extra preparado, não é?"

Nem Ron nem Harry responderam, e ela arrumou o panfleto na bolsa enquanto o grupo de estudantes de Hogwarts (que tinha acabado sendo cerca de 25 estudantes no total) foi instruído pelo Professor Flitwick a parar em uma sala de pé-direito alto, cuja placa de ouro reconhecia como Sala de Artefatos do Mundo Natural Manfred Scamander. Ela mal conseguia se forçar a prestar atenção, no entanto, enquanto Flitwick salientava itens de interesse – uma faca feita de sangue de dragão seco, uma cesta de ovos ashwinder, uma espécie de calda de um basilisco, um frasco contendo lágrimas Phoenix. No canto da sala havia um troll de segurança de pele cinza, usando com botas de trabalho azul escuras do tamanho de pequenos barcos, e com uma expressão sombria. Hermione olhou para ele e estremeceu, quando ela afastou o olhar, viu Draco olhando para ela do outro lado da sala. Ele sorriu levemente, e voltou a falar com Pansy e Baddock Malcolm, ambos os quais tinham vindo porque eram monitores, e, portanto, obrigados.

Ela lançou outro olhar para Draco enquanto eles deixavam o quarto Scamander, porque eles estavam passando um sinal de que denotava que a Exposição de Artefatos da Idade das Trevas estava à esquerda deles. Ela sabia o que havia no quarto: as outras três chaves dos Fundadores. Seu Licanto, a Bainha de Harry e o Vira-Tempo de Ginny. Eles todos tinham estado lá na cerimônia de dedicação durante o verão: os quatro herdeiros, e Ron também. Mas Draco não olhou para ela, ele estava absorto na conversa com Malcolm, então Hermione se virou para olhar para Gina. Ela teve melhor sorte, Gina, de mãos dadas com Simas, voltou sua vista com um olhar triste e um sorriso. Hermione piscou de volta, e, portanto, quase perdeu quando passaram sob um arco, que declarou onde eles estavam entrando:

A Exposição Cantwell J. Muckenfuss de Implementos de Indeterminado Objetivo

"Ooh," sussurrou Hermione, "É ISTO," e em sua animação, ela socou Harry no braço.

"Algumas mulheres se animam com brincos," ele murmurou, estremecendo, "Outras com um furto em grande escala."

"Hmph," disse Hermione, e calou-se quando eles entraram no aposento.

Os displays de vidro mostrados em especial nesta exibição estavam cheios com todos os objetos mágicos nos quais os curadores nunca tinham sido capazes de identificar uma finalidade expressa. Havia relógios encantados que sempre diziam a hora errada (mas por quê?), tábuas de pedra gravadas com runas mágicas que não puderam ser traduzidas, sinos encantados que provavelmente fazia alguma coisa quando tocado, mas ninguém jamais teve coragem de tocar eles, e uma caneta giratória que Hermione sabia que ficaria assim girando porque havia um imã nele, e não porque era mágico – alguns bruxos, obviamente, não entendiam muito bem de artefatos trouxas. Isto a animou, pois significava que os curadores do museu eram dificilmente infalíveis. E ali – ali estava ela, a taça, menor do que ela tinha imaginado a partir das ilustrações, brilhando prata por trás da caixa de vidro. Ela se destacou do resto dos alunos e passou a olhar para ela, desenhada como num sonho. Repousava entre uma faca com um osso longo no cabo e um tipo de pilão de pedra. A placa foi afixada na base do display:

Taça / Cálice, Fabricação incerta, aproximadamente 1100 dC . Acredita-se que este cálice pertenceu a Gareth Slytherin, embora tudo demonstre que essa conclusão é em grande parte apócrifa. A taça é avaliada com surpreendente 8,7 na escala IMP, embora sua finalidade seja totalmente desconhecido. O interior da taça é esculpido com um padrão de ondas e escalas. Ele talvez tenha servido como uma ferramenta para uso em diversas preparações alquímicas.

"Vamos lá," disse uma voz, e depois a mão de Harry estava na dela, puxando-a para longe. Os alunos já tinham começado a sair da sala após Flitwick, que ainda estava falando com sua voz pouco clara. Ela lançou um último olhar para a taça, que repousava calmamente por trás de sua grossa camada de vidro, e seu coração fraquejou. Ela apertou sua mão na de Harry, e seguiu-o para fora da sala.


Beba desta
E ter preencha a tua
Para que a água caia
Por vontade dos bruxos.

A inscrição foi esculpida na base de uma fonte de pedra contendo a estátua de um homem barbudo cuspindo água. Quando Harry olhou para ele, ele balançou uma sobrancelha de pedra. Harry desviou o olhar rapidamente, e examinou a placa na parte inferior da tela, que proclamou ser a Fonte de Brisingamen, cujas águas tinham propriedades mágicas de cura – e, o cartaz acrescentou amavelmente, há boatos de que faziam as sardas desaparecerem.

"Melhor não enfiar a cabeça," ele disse para Ron, que estava ao seu lado. "Nós podemos nunca mais vê-lo".

"Bah," disse Ron, como resposta, e olhou ao redor da sala. Eles estavam na Sala do Estatuário Encantado, que tinha teto alto e era muito mais bonita do que o nome soava. Havia estátuas de sereias cantando e tocando harpas que realmente fazendo isso, embora não particularmente bem, e uma escultura de um centauro dormindo que roncava alto, e algumas estátuas do que Ron havia descrito como "caras de fraldas, altos e de aparência grega," no canto, que tinham virado suas togas para cima para Lilá Brown e a feito gritar. "Aquelas pessoas ainda estão olhando para você, Harry?"

"Sim", disse Harry desanimado, olhando para o lado. Eles todos tinham achado que o museu estaria fechado para os alunos no dia da viagem, devido à quantidade limitada de Chaves de Portal normalmente empregada pelos curadores. Mas ele não estava vazio. Um contingente de visita de bruxas e bruxos canadenses estava lá, e muitos deles tinham recuado de sua própria turnê para olhar para Harry com olhos curiosos. "Como é que vamos fugir?" ele murmurou baixinho para Rony, à beira do desespero. "Estão todos olhando para mim"

Ron deu de ombros. "Eu sei," disse ele. "Talvez Hermione e eu devêssemos tentar fugir por conta própria, você poderia nos dar a capa..."

"Não." Foi Hermione, vindo para o lado da fonte, um olhar determinado em seu rosto. Ela se juntou a eles e continuou num sussurro: "Precisamos de Harry, porque ele pode estar falando com Draco aqui fora – você sabe que nós precisamos dele."

"Bem," Ron disse lentamente, "e eu não posso acreditar que vou sugerir isso: nós poderíamos trazer conosco Malfoy, e Harry poderia ficar aqui. Ele poderia até mesmo criar uma distração. Talvez ele pudesse começar a distribuir autógrafos."

"Não," Hermione sussurrou, "no segundo que Draco saísse, Pansy e Malcolm notariam".

"E ninguém vai perceber que estamos fora?" Ron perguntou.

Hermione deu-lhe um olhar sombrio. "É por isso que precisamos de Draco para distraí-los." Olhou para Harry. "Você pode falar com ele por um momento para nós?"

"Com Malfoy?" Harry olhou para além dela, no final da sala, os olhos buscando uma forma familiar delgada e elegante, coroada com cabelos de fios prateados. Ele imediatamente encontrou onde Draco estava, entre Pansy e Baddock Malcolm, olhando para uma fileira de unicórnios esculpidos em mármore. "Sim," disse ele. "Eu posso falar com ele".

Ele fechou os olhos e o alcançou, porque Draco estava tão perto fisicamente, o contato foi instantânea. Malfoy?

Uh-huh.

Eu acho que é hora de distração.

Que angustiante. Eu estava gostando muito desta exposição.

Oh. Harry se conteve. Bem, nós poderíamos esperar...

Algo borbulhou como água com gás na parte de trás de sua cabeça. Tardiamente, ele percebeu que era Draco rindo.

Você deve estar nervoso, Potter. Normalmente, você não seria tão idiota.

Claro que estou nervoso. Estamos prestes a roubar o museu, você sabe.

Pfft. Draco realmente encolheu os ombros, sem se virar. E você se chama de herói do mundo bruxo.

Eu nunca me chamo assim! Harry começou, indignado, em seguida, interrompeu-se como se algo tivesse cutucado suas costelas. Ele olhou e viu que era a pena de Hermione.

"Harry," ela disse como um aviso. "Não seja absorvido para uma discussão, por favor."

Harry fez uma careta para ela, e ela sorriu angelicamente. "Foi o que eu quis dizer," acrescentou.

Assim, Malfoy. Sobre aquela distração – Harry começou, mas foi interrompido pelo professor Flitwick, alto chamando os alunos na direção da porta da sala que continha a exibição dos Artefatos Amaldiçoados. Os alunos começaram a se mover rapidamente em direção a ele, o que soou como coisas interessantes. Pansy e Malcolm se soltaram das grades onde tinham estado apoiados e Draco os seguiu, as mãos nos bolsos, sem olhar para o lado.

Hermione olhou para Harry. "O que ele...?"

Dê-me cinco minutos depois entramos naquela sala, Draco disse. Em seguida, coloquem a capa e corram.

Harry olhou para Hermione e Ron, e, inexplicavelmente, sentiu-se começar a sorrir. "Vai dar certo," ele disse.


Ansiosos para ver a exibição dos Artefatos Amaldiçoados, os alunos se amontoaram através das portas, rindo nervosamente e colidindo uns contra os outros enquanto se empurravam para chegar primeiro. Draco insinuou-se para o centro do nó apertado na entrada da porta, roçando em Lilá e em Justin, se deslocando em direção à menina de cabeça vermelha na frente do bando. Enquanto ele roçou em Ginny, ele sussurrou baixinho, tão baixinho que ele quase teve medo que de ela não o ouvisse: "Quando você chegar lá, vá e olhe o display do livro".

Os olhos escuros arregalados dela agitaram-se na direção dele, surpresos. "O que –"

"Só faça isso."

Ele deixou-se para trás no meio da multidão, e viu-se em pé ao lado de Malcolm Baddock, que lhe deu um olhar curioso. Draco o ignorou. Em algum lugar no meio da multidão atrás deles estavam Harry, Hermione e Rony. Ele sabia que eles estavam olhando para ele sem ter que se virar e olhar. Deus, eu odeio trabalho em equipe, ele pensou, enquanto ele aparecia na Exposição Permanente Malfoy L. N.

A sala que abrigava a coleção de Artefatos Amaldiçoados era diferente das outras salas do museu que eles tinham estado. Isso, Draco pensou, era provavelmente de se esperar. O centro da sala estava vazia: todos os artefatos eram exibidos ao longo das paredes, e cada uma estava dentro de uma caixa de vidro. Ele reconheceu um punhado deles. Havia comuns jóias amaldiçoadas e utensílios domésticos: espelhos que torciam o rosto de quem olhasse para eles, jóias que carregava sangue amaldiçoado. Um deles podia amaldiçoar qualquer coisa que tivesse uma mente. A maioria da turma estava conversando e cantarolando perto de uma exposição de itens medievais amaldiçoados: taças que transformavam qualquer coisa derramada dentro em ácido, jóias que envenenavam lentamente que as usava. As vozes dos alunos foram se acalmando, ecoando vagamente fora dos limites de mármore alto e paredes de pedra.

Draco, já tendo visto todas essas coisas antes, recuou, assistindo. Gina e Simas estavam de pé do outro lado da exposição, de mãos dadas, e enquanto ele olhava, Simas se curvou e disse alguma coisa para ela e ela riu. Em seguida, para alívio de Draco, ela soltou a mão de Simas, e conforme as instruções, passou a examinar os livros, na fachada de vidro que se alinhavam na parede leste da sala.

Draco sabia o que estava naquelas estantes também. Uma coleção de livros de Magia das Trevas que mesmo a secção restrita de Hogwarts não levaria: o Necromancia, fragmentos de O Livro dos Eibon, o Kulten Unaussprechlichen por von Junzt, os Manuscritos Pnakotician, os Fragmentos de Sussex, e os Rituais de Goule pelo Conde de Erlette – todos os livros que seu pai tinha possuído. Os títulos entraram em foco mais claramente para ele enquanto ele andava até ficar ao lado de Gina e olhar através do vidro, mas ele não os leu. Ele estava muito consciente dela de pé ao lado dele, do grupo de estudantes atrás deles, da atmosfera calma e reverente do museu.

"Ginny?" Disse ele, e ela se virou e olhou para ele.

Era agora ou nunca. Draco respirou fundo, estendeu a mão e pegou o pulso de Gina. Ela arregalou os olhos, surpreso, abrindo a boca para falar, e ele a puxou com força contra ele e beijou-a.

Por um momento, ela ficou absolutamente rígida em seus braços. Seus lábios se separaram sob os seus com uma espécie de aquiescência chocada, e por uma fração de um segundo foi quase um beijo. Mas apenas um segundo. Qualquer ilusão que ele poderia ter tido que ela iria derreter em seus braços evaporou como ela arrancou sua boca longe de sua com um som ofegante. Um momento depois suas mãos estavam nitidamente em seus ombros, empurrando-o para longe. "Deixe-me ir – deixe-me ir –"

Ele a deixou ir. Não fazia parte de seu plano, mas ele não podia suportar a segurá-la lá enquanto ela tentava lutar para longe dele. Seus olhos escuros encontraram os seus por uma fração de segundos, cheios de choque doloroso e, em seguida, as mãos prenderam-se em torno dos braços de Draco, arrastando-o para trás. "Saia de cima dela!" gritou a voz de Seamus em seu ouvido. Com um sentimento negro de alegria Draco libertou-se do aperto do outro rapaz e girou para ver Simas olhando para ele, absolutamente lívido de raiva. "Malfoy, você – o que você acha que está fazendo?" Simas gritou, de modo tão incoerente com raiva, ele soou quase choroso. Draco quase sentiu pena dele por um momento. "Você – seu Sonserino imundo!"

"Com ciúmes, Finnigan?" Draco disse em voz baixa, tão suave Seamus só podia ouvi-lo. "Ela não deixa você beijá-la assim?"—e ele poderia ter ido naquela veia, mas foi impedido de fazê-lo pelo fato de que Simas escolheu aquele momento para socá-lo duro na boca.

A força do golpe impeliu a cabeça de Draco para trás por um momento. Sua visão ficou turva e depois clareou, e ele viu Simas olhando para ele, parecendo chocado. Ele sorriu, e viu o olhar de choque de Simas se intensificar. Então ele atirou-se no outro rapaz, derrubando-o no chão. A respiração de Simas saiu como um suspiro assustado, e ele virou-se para ficar longe de Draco, acotovelando-lhe com força nas costelas. Draco deu-lhe um soco com força no rosto, e depois outro, Simas arranhou a camisa de Draco, empurrando-o para trás, e colocou o punho no estômago de Draco. Ele estava xingando baixinho, variando muito os nomes, com seu sotaque irlandês tornando as palavras quase irreconhecíveis. Draco lembrou-se repentinamente de bater em Simas quando eles tinham seis anos, e esmurrado-o com a ponta de um cabo de vassoura quebrado. Algumas coisas não mudam, mudam?, Draco pensou enquanto se jogava para o lado para evitar outro soco e Simas foi com ele; Eles rolaram pelo chão juntos em um emaranhado de braços se esmurrando e pernas se chutando. Draco estava levemente consciente de que todos ao seu redor estavam gritando. Excelente.

Uma voz falou-lhe então, dentro de sua cabeça: Harry, parecendo ansioso. Você causou uma distração, Malfoy?

Ah, sim, Draco respondeu com alguma satisfação, e esquivou-se de outro murro de Simas. Ah, sim, eu causei.

O alarme, disse Harry. Eu preciso que você acione o alarme.

Sem problemas, Draco respondeu e agarrou a frente da camisa de Simas, e atirou-o para trás fortemente contra a lateral da caixa de vidro contendo livros sobre as Artes das Trevas. Simas prendeu a respiração e engasgou, e Draco aproveitou esta oportunidade para mover a mão esquerda para trás apenas o suficiente, e apontá-la para Simas. Os olhos do outro menino se arregalaram de medo, e então Draco sussurrou "Estupefaça!". Um jato branco de luz lançou-se de seus dedos; Seamus abaixou-se e o raio passou por cima de sua cabeça atingindo diretamente a caixa de vidro atrás dele, que se espatifou em mil pedaços, mandando vidro por toda parte. E sobre o som do vidro quebrando, e grito de surpresa de Seamus, e os gritos de seus colegas de classe, Draco ouviu o som do alarme do museu. Era, provavelmente de forma adequada, o grito de uma banshee (alma penada) - insuportavelmente alto e horrível. Todo mundo se encolheu e colocou as mãos nos ouvidos. Draco estava prestes a fazer o mesmo quando sentiu um aperto forte e agudo na parte traseira de sua camisa, e ele foi arrastado para uma posição de pé. Com o canto do olho, viu Seamus receber tratamento semelhante nas mãos de um corpulento troll segurança do museu. Ele fechou os olhos enquanto ele foi arrastado para seus pés, e em sua cabeça ouviu Harry dizer: "Obrigado, Malfoy".

Claro, pensou Draco de volta. Qualquer hora.


"Harry, dê uma mão ao Ron," disse Hermione, olhando ao redor da deserta Exposição Cantwell J. Muckenfuss de Implementos de Indeterminado Objetivo ansiosamente. Todos os três tiveram que encolher os ombros sob a capa, não que isso importasse, visto que a sala estava completamente deserta. Os sons de gritos podiam ser ouvidos vindos vagamente à distância, e todos os trolls de segurança haviam fugido, o que Draco havia feito para causar uma distração tinha certamente funcionado.

"Bem, pelo menos você pode contar com o Malfoy para iniciar um problema no momento apropriado," disse Ron, pisando nas mãos em concha de Harry e o permitindo lhe ajudar. Um segundo depois, as mãos de Ron estavam pressionadas contra o vidro que protegia a valiosa taça. Ele recuou a mão.

"Espere," disse Harry com urgência. "Aguarde o alarme." Fez uma pausa, um olhar de intensa concentração em seu rosto. "Draco disse que ele pode fazer isso," acrescentou, e um momento depois, um guincho de perfurar os tímpanos reverberou por toda a sala: um som uivante, triste e terrível. O gemido de um Banshee, Hermione pensou. Ela mesma quase gritou, Ron quase caiu para o lado, pegando na parte lateral do vidro para se firmar. Só Harry parecia imperturbável. "Agora", ele disse para a Ron. "Agora!" – E Rony recuou sua mão, embrulhada em uma dobra da capa, em seguida, bateu com ela na direção da frente da vitrine.

O som do vidro quebrando foi completamente oculto sob os lamentos ecoando pela sala. Ron alcançou o display, afastando os outros objetos – a garrafa de vidro, a faca de osso, que brilhou brevemente azul quando ele a tocou – que dividiam a prateleira com a taça. "Não, não toque em nada!" Hermione gritou alto, mas o Ron não podia ouvi-la, sua voz estava abafada pelo som do alarme. Ele empurrou a faca de lado e pegou a taça, jogando-a de volta para Hermione, que apanhou com uma só mão e empurrou-a em sua mochila. Ela tirou a taça transfigurada, e atirou-a para Harry, que a entregou para Rony. Ron a colocou cuidadosamente na prateleira, então saltou para o chão. Harry levantou a mão direita, e apontou para o display. Hermione viu seus lábios formarem a palavra Reparo e os vidros voaram para cima e reorganizaram-se assim bem quando o som do alarme foi misericordiosamente cortado.

Os três se entreolharam, sem fôlego, com aparência idêntica de espanto. "Funcionou," disse Ron, e gritou em voz alta. "Nós conseguimos!".

"Eu sei," Hermione sussurrou em descrença, olhando para a taça em sua mão. Ela era muito bonita de perto, e estranhamente leve, mesmo a linha de esmeraldas que revestia o punho não parecia torná-lo pesado. Muito, muito cuidadosamente, ela a colocou dentro da mochila, e fechou a mochila.

"É melhor a gente sair daqui," disse Harry, praticamente, e chamou Ron e Hermione para seu lado. "Vamos voltar," acrescentou ele, jogando a capa de invisibilidade nos três. Eles correram da sala, segurando nos braços do outro, sob a capa e movendo-se nas pontas dos pés. Quase correndo, eles entraram novamente na exposição de Artefatos Amaldiçoados, juntos...

E então pararam atônitos. Ron deixou cair a ponta da capa, e Harry a agarrou. Felizmente ninguém na sala notou o reaparecimento breve da cabeça de Rony – eles estavam ocupados demais olhando a cena que estava acontecendo no centro da sala. Dois trolls de segurança de pele cinza, enormes e robustos como Hermione só havia visto em ilustrações de livros, estavam parados sobre as cabeças dos alunos assustados. Cada um estava segurando firmemente os braços de uma figura humana que lutava em suas enormes mãos como punhos feitos de pernil: o da esquerda segurava Draco, e o da direita parecia estar a tendo dificuldades em controlar um Simas Finnigan chutando e se contorcendo.

"Eu não sabia que Simas sabia sobre o plano," disse Ron.

"Ele não sabe," disse Harry amargamente. "Ai que inferno".

"Eu não acho que nós precisamos desta capa," disse Hermione, sem sequer se preocupar em sussurrar, "ninguém está olhando para nós, de qualquer maneira."

Ela puxou a capa sobre eles, e adiantou-se, a Taça em sua mochila batendo contra sua perna como um lembrete culpado. Ela estava certa, ninguém os notou. Já havia muita agitação acontecendo: Professor Flitwick estava correndo para lá e para cá como um gnomo de jardim que havia sido submetido à Maldição Tarantallegra, o pessoal do museu estava instigando os alunos a ficar longe do vidro quebrado que cobria o chão de modo que os encantos Reparo pudessem ser realizados, os turistas canadenses estavam gritando, e os alunos estavam curiosos, impressionados em ver todo o caos. Enquanto isso, Simas parecia estar tentando tirar o troll de seu caminho a fim de chegar a Draco, que não estava fazendo nenhum esforço, e estava olhando fixamente para Simas com entediado divertimento. Ele poderia estar polindo as unhas com a expressão que mostrava, com exceção de que ele estava coberto de sangue e arranhões – e, a propósito, Simas também.

Harry disparou um olhar a Hermione. "Você sabia que ele ia fazer isso?"

Hermione balançou a cabeça. "Eu nem sei o que aconteceu..."

"Ele me beijou," disse a voz de Ginny no ouvido dela.

Hermione virou-se e viu Ginny em pé atrás dela, parecendo muito pálida e assustada. Ela parou por um momento se perguntando em como Ginny tinha chegado atrás deles sem que ela percebesse, em seguida, descartou isso. "Quem beijou você?" Hermione perguntou, surpresa.

"Draco," disse Gina pesarosamente. Ela não parecia satisfeita.

"Oh," disse Ron, compreendendo. "Eu entendo. Então, Simas deu-lhe um murro, então?"

"Na verdade, acho que ele bateu em Simas primeiro... possivelmente. É meio difícil de dizer," disse Gina mal-humorada. "Eu me sinto terrível sobre tudo isso."

Hermione estava prestes a dizer-lhe para não ser ridícula, quando foi interrompida pela voz chilreante do Professor Flitwick alta, ordenando que todos os alunos entrassem em uma linha ordenada e seguisse para fora da sala após os trolls de segurança, indo em direção à plataforma de Chave de Portal no centro do museu. Hermione quase teve um colapso de alívio. Quanto mais cedo eles estivessem de volta à escola, menor seria a probabilidade de alguém notar sua trapaça com a Taça.

Ela pegou a manga de Harry e puxou-o; todos os quatro seguiram em sintonia com os outros alunos. Rony e Gina estavam conversando calmamente atrás dela e Harry parecia distraído. "Harry... eles estão bem?"

Uma pequena linha de concentração tinha aparecido entre as sobrancelhas de Harry. "Draco disse que ele está bem," relatou ele depois de uma pausa, "e ele diz Simas está bem também, que eles parecem piores do que estão."

"Eu não tinha idéia quando lhe pedimos para causar uma distração de que ele iria tão longe."

Harry riu mais baixo quanto sua respiração. "É o Draco. Nunca faz nada pela metade."

Eles estavam passando pela sala Objetos Encantados agora. Hermione estreitou o aperto na manga de Harry. A sala parecia perfeita, intocada, como se eles nunca tivessem ido lá de modo algum. Ela resistiu a olhar para a taça transfigurada atrás de sua camada de vidro. "Quando nós voltarmos para a escola", ela sussurrou baixinho, "eu tenho que ir direto esconder a taça".

Harry assentiu. "Você pode pegar a capa emprestada, então," ele disse. "Draco disse que ele irá direto para o escritório de Dumbledore, e depois disso, eu devo encontrá-lo na sala de armas para prática de esgrima de qualquer maneira. Quero dizer, é segunda-feira. Eu acho que irei esperar por ele lá."

Hermione balançou a cabeça. "Certifique-se de que ele está bem." Eles estavam no centro do museu, agora, no pequeno jardim. Grupos de cinco estudantes estavam sendo levados para a plataforma, recebiam suas varinhas de volta pelo pessoal do museu, e apressadamente eram transportados pela plataforma de Chave de Portal de volta à escola. Draco e Simas deviam ter ido primeiro; eles estavam fora da vista. "Eu sinto que nós devemos ..."

"Celebrar?" disse Ron, por trás dela. "Bastante bebida alcoólica após as travessuras?"

"Ron, shh," disse ela, mas sorriu. "Sim, exatamente. Comemorar." Fez uma pausa. "Antes de descobrirmos o que nós iremos fazer a seguir..."

"Eu encontro vocês na sala comunal, antes do jantar," disse Harry. "Aí nós podemos celebrar." Eles estavam em cima da plataforma elevada agora, prestes a subir na plataforma que era a Chave de Portal para fora do museu. Harry olhou para Hermione e notou sua expressão hesitante. "Hermione...?"

"Harry," ela disse, muito calma, e olhou novamente em direção ao museu. "Você não acha que talvez..."

"Talvez o que?"

"Talvez tenha sido um pouco fácil demais?"

"Você deve ter uma definição de 'fácil' diferente da minha," disse Harry, caminhando para frente, pegou a mão dela enquanto a Chave de Portal os rodopiava.


Muito orgulho ferido deveria provocar uma queda na postura direita de qualquer um, Draco pensou, mas isso não parecia acontecer no caso: Simas olhava pra ele do outro do escritório de Dumbledore, rígido e direito contra a parede mais afastada. Seu rosto era um mapa colorido e relevado de contusões: olhos roxo, nariz sangrando, queixo ferido e lábio inferior inchado.

Draco sorriu pra ele agradavelmente. Eles haviam sido trazidos até ali pelos Professores McGonagall e Snape que pediram que aguardassem a chegada de Dumbledore. Desde então, Simas o estava encarando, e ainda não havia parado. Sorrir para Simas fazia o lábio rasgado de Draco doer, mas valia a pena de ao ver as mãos de Simas se fecharem em punhos ao lado de seu corpo, em uma fúria impotente. Ele suponha que era interessante notar que ele não havia perdido seu prazer na malícia através de sua associação com Harry. Ele não tinha certeza se era uma boa coisa, mas pelo menos era interessante.

Surpreendentemente, foi Simas que quebrou o silêncio primeiro. "Ela nunca te beijaria de volta," ele disse, "Nunca. Nunca. Nunca."

Draco pegou um pesinho para papel de cristal na mesa e o segurou em frente a luz que fluía da janela. "Nunca, nunca, nunca?" ele ecoou. "Tudo bem, Finnigan. Porque dizer isso três vezes, fará disso uma verdade."

"O que você quer, Malfoy?" Simas perguntou, sua voz carregada de desgosto.

"O que eu quero?" Draco repetiu com uma risada. "Vamos ver... eu sempre quis ter o meu próprio time de Quabribol. Talvez o Appleby Archers. E eu quero ser velho suficiente para fazer uma tatuagem. E eu gostaria de um casaco de camurça que não ficasse arruinado na chuva –"

"Não," Simas interrompeu. "O que você quer com a Gina? Por que ela?" Os olhos dele se afastaram de Draco, e se fixaram no chão. "Você já tem tudo. Não tem? Por que você a quer também? Só para mostrar... que você poderia tê-la se você quisesse?"

O pesinho para papel de cristal ficou pesado na mão de Draco. Tinha a forma de algo, ele não podia dizer bem o que, parecia se mover fluidamente debaixo do toque de seus dedos. "Você está apaixonado por ela," ele disse um pouco surpreso, embora pensasse que provavelmente já sabia disso. "Não está?"

Simas ergueu os olhos do chão. Eles eram atenciosamente azuis, a beleza do que por outro lado seria o rosto comum. "Se você tirar ela de mim só para mostrar que pode," ele disse, "e então machucá-la de novo, eu juro que mato você, não sei como ainda, mas eu acharei um jeito e matarei você. Você pode morrer, sabe – mesmo que você seja um Malfoy."

Draco apenas olhou para ele. Atrás deles, a porta do escritório se abriu em um clique, e Dumbledore entrou na sala. Ele olhou com atenção para ambos os garotos silenciosamente antes de falar. A voz dele era grave e calma. "Sentem-se," ele disse. "Os dois, por favor."

Draco olhou para baixo, em direção ao pesinho para papel em sua mão. Era uma rosa, ele viu, com um coração esculpido em um pedaço de esmeralda. Ele se perguntou como não tinha visto isso antes. Colocando a flor de cristal na mesa, ele se sentou, e Simas se sentou ao seu lado, inclinando-se o mais longe possível de Draco.

Dumbledore olhou de um para outro. Sua expressão era uma cansada resignação. "Então," ele disse. "Eu sei o que aconteceu no museu. Eu suponho que seria banalidade dizer que fiquei surpreso com os dois. Nenhum de vocês parece do tipo que emprega violência física."

"Eles recolheram nossas varinhas," Draco disse. Ele ouviu sua própria voz com surpresa. Não era o que ele pretendia dizer, de qualquer modo. "Senhor," ele adicionou, fracamente.

Simas atirou um olhar de desgosto em sua direção. "Foi uma briga, Professor," ele disse. "E saiu um pouco do controle."

"Eu comecei," disse Draco, e bateu suas pestanas para Simas.

"É verdade, senhor," Simas disse, ignorando Draco firmemente. "Ele começou."

"Sim," disse Dumbledore. "Sim, eu tenho certeza que começou." Ele olhou para Draco, e o coração de Draco foi parar nos seus sapatos. "Vocês envergonharam a escola," ele disse, "e mais importante, vocês envergonharam a si mesmos. Os dois." Ele olhou para suas mãos entrelaçadas, e então de volta para os garotos envergonhados que haviam afundado em suas cadeiras. "Vinte pontos da Grifinória," ele disse, "e trinta da Sonserina. E os dois sofreram detenção. Um mês para você, Sr. Finnigan. E para você, Sr. Malfoy – um mês." Ele viu as expressões horrorizadas, e por um momento parecia que ele ia poderia sorrir. "Vocês cumpriram detenção juntos," ele adicionou. "Ao final disso, eu espero que vocês sejam capazes de escrever a história de vida um do outro."

"Eu já poderia escrever sobre a história de vida de Finnigan," disse Draco irritado. "Nasceu, comeu uma batata, foi uma porcaria no Quadribol, quase transou, mas não completamente, comeu outra batata, morreu."

"Obrigado, Senhor Malfoy," disse Dumbledore friamente. "Serão dois meses de detenção pra você."

"Bom," disse Simas subitamente, e olhou para Draco. "E você tem que pagar o prejuízo, seu idiota presunçoso, Malfoy."

Draco olhou para Simas. E então sorriu educadamente. "Era a ala Malfoy do museu," ele disse. "Eu dificilmente teria que pagar minha própria Fundação, não é?"

Simas ficou com uma tonalidade inconveniente de escarlate, e ficou em silêncio. Dumbledore limpou a garganta. "Obrigado, Sr. Finnigan," ele disse. "Eu acredito que é tudo que eu preciso com o Senhor."

Simas ficou de pé, ainda corado, e saiu do escritório. Draco podia sentir Seamus resistir à vontade de bater a porta quando ele saiu, e sorriu para si mesmo. Quando ele se virou para Dumbledore, no entanto, o seu sorriso derreteu como neve em abril. O diretor estava olhando para ele com um olhar tão penetrante Draco sentiu como se Dumbledore perfurasse sua cabeça.

"Sr. Malfoy," disse ele. "Estou bastante seguro que você teve suas razões para fazer o que você fez. E Merlim sabe que elas são sombrias para todos, mas você mesmo. No entanto, não há desculpa para o uso cruel de emoções sinceras de outras pessoas. Não importa para que seus fins devam ser destinados."

Draco engoliu em seco e olhou para o chão. Em seu lugar, Harry teria provavelmente se sentido muito mal. Draco apenas se sentia terrivelmente confuso. Certamente, se Dumbledore soubesse o que eles estavam tentando fazer... "Entendo, senhor," disse ele. "Eu sinto muito –"

"Não me peça desculpas," disse Dumbledore numa voz entrecortada. "Você vai pedir desculpas ao senhor Finnigan. Em público. E além disso... " A voz do diretor, então, sumiu. Draco arriscou um olhar para cima e ficou assustado com o que viu: Dumbledore estava olhando para ele com uma expressão de cansaço indescritível. Ele parecia velho, naquele momento, quase frágil, com o rosto muito alinhado. "Draco," disse ele finalmente. "Eu entendo que eu pus você e Harry em uma posição terrível. Eu sei disso. E eu lamento por isso. Eu gostaria que houvesse algo mais que eu pudesse fazer, mas temo que eu não possa. "

"Diretor ..." Draco disse em uma súbita explosão. "O que você me disse na semana passada – sobre meu pai e os pais de Harry – você acha que eu deveria contar a ele?"

Dumbledore balançou a cabeça. "Temo que seja uma decisão que você tem que fazer," disse ele. "Mas eu diria que sim, você deve. Nunca é aconselhável esconder as coisas." Ele suspirou, e balançou a cabeça novamente. "Isso é tudo, eu acho," disse ele. "E você não irá para Madame Pomfrey para cuidar de suas feridas – eu quero que você suporte sua contusões. E, quando você tiver um tempo, pensar no que elas significam. "

Draco assentiu em silêncio, incerto sobre o que Dumbledore quis dizer, e o diretor sorriu para ele. Parecia um sorriso sincero, mesmo que fosse cansado.

"Muito bem," disse Dumbledore. "É tarde, e eu sei que você tem um compromisso na armaria (NT: A Armaria é um corredor ao lado da Sala de Troféus, onde há um monte de armaduras em exposição. Aparece no primeiro ou segundo livro, não lembro ao certo agora, onde nosso trio favorito teve que escapar de Filche após nosso loiro favorito não aparecer para o 'duelo' como o combinado.) Vá em frente, e dê a Harry os meus cumprimentos."


Fora da porta do escritório de Dumbledore, o único som era o tique-taque do relógio de pêndulo de bronze no canto do corredor. Gina tentou ignorar o barulho insistente conforme ela esperava, nervosamente, a porta do escritório se abrir. No momento em que eles todos voltaram para a escola, todos se dispersaram - de volta para suas respectivas salas comunais para fofocar, ela não tinha dúvida. Hermione havia fugido para algum lugar, Capa na mão, Harry tinha ido esperar por Draco e Ron - bem, ela não sabia onde Ron tinha ido, mas ele tinha escapaso muito rapidamente logo que eles voltaram a Hogwarts . Não que ela estivesse prestando atenção, mas ela ouviu Harry dizer a Hermione que Draco e Simas tinham sido levados ao escritório de Dumbledore, e ela rumou pra lá sem pensar.

Um quarto de hora depois e ela ainda estava esperando. Uma vaga sensação de culpa a assaltou. Provavelmente porque tinha sido seu catalisador, mesmo que de má vontade. A pior parte, ela pensou miseravelmente, foi que uma parte dela, auma parte pequena, tinha gostado da briga... ela nunca tinha pensado que Simas tinha isso nele, de ficar irritado com tanta paixão, e quanto a Draco –

Ela parou e olhou para cima quando a porta do escritório de Dumbledore abriu, se perguntando qual deles seria, ou se seria os dois. Era Simas. Ela sentiu a boca se abrir um pouco - ela não fazia idéia do quão ruim ele estaria. Ela não tinha visto a maior parte da briga, e de alguma forma assumiu que era, tinha sido, na maior parte encenada e não sincera. Mas as lesões Simas pareciam muito sinceramente impostas. A pele ao redor de seu olho esquerdo estava roxo brilhante, e seu lábio inferior estava inchado até duas vezes o seu tamanho normal. "Oh," ela engasgou, involuntariamente. "Simas..."

Ele olhou para si mesmo. Sua camisa branca e o suéter cinza estavam manchados de sangue. "Sim," disse ele."Não está muito bonito, né. Eu deveria ir para a enfermaria."

"Você está ótimo," disse ela com firmeza.

Simas bufou, e depois fez uma careta, como se isso tivesse sido doloroso. "Não," disse ele. "Parece que eu estava jogando hóquei com uma trituradora de papel."

Gina riu. "Bem, você ainda está fazendo piadas," disse ela. "Então eu não estou mais tão preocupada com você."

Ele olhou para ela. "Você estava preocupada comigo?"

"Bem, sim," ela disse. "Eu quero dizer – olhe para você".

"Eu pensei que você tivesse dito que eu estava ótimo."

"Eu menti," disse ela. "Você está horrível."

Ele olhou como se fosse sorrir, se ele fosse capaz de fazer isso. Algo a puxou. Ele parecia tão diferente assim. Machucado, é claro, e ensangüentado, e isso deu a ele um ar um pouco perigoso, e que ele certamente nunca teve antes. Até a sua voz soou diferente... "Lembre-me o porquê de eu ficar com você novamente," disse ele.

"Por causa," Gina disse, e foi até ele e colocando as mãos em seus ombros. "Disso," e ela beijou seu queixo, "e disso", e beijou sua bochecha onde a contusão não parecia tão ruim, "e isto," e ela muito delicadamente beijou sua boca.

Ele olhou para ela de olhos arregalados, e tocou o seu rosto levemente com as pontas dos dedos. "Eu pensei –" disse ele. "Pensei que você estaria com raiva."

"Eu não estou. Foi culpa de Draco."

"Sim, mas tudo o que você disse antes –"

"Olha, Simas –"

"Sobre não me querer protegendo você –"

"Eu sei, mas –"

"E eu não quero que você pense que eu não respeito isso, porque –"

"SIMAS!" ela gritou, e ele parou, assustado, e olhou para ela.

Ela respirou fundo antes de falar, mas quando o fez, sua voz era firme.

"Eu quero ir para a Irlanda com você," disse ela.


Harry olhou para cima quando a porta da sala de esgrima foi aberta, e Draco entrou. Harry pulou para fora da mesa e veio em direção a outro garoto, sorrindo. "Eu não tinha certeza de que você ia fazer isso," disse ele. "Você está muito atrasado."

"Desculpe", disse Draco, fechando a porta atrás de si. Ele ainda estava de pé na sombra e Harry podia ver apenas o contorno dele, e o brilho fraco do cabelo prateado na escuridão. "Eu estava de detenção. E eu tive uma conversa rápida... e alguns beijos."

"Dumbledore fez você beijá-lo?" Harry bufou. "Malfoy, que tipo de detenção você pegou?"

"Não Dumbledore," Draco esclareceu. "Ele foi realmente bem compreensivo. Blaise, no entanto... não foi."

"Blaise?" Harry mordeu o lábio. "Você sabe, eu esqueci tudo sobre ela."

"Sim," disse Draco. "Aparentemente, eu também," ele suspirou. "Ela estava esperando por mim quando eu voltei para as masmorras. Assim como todo resto, na verdade. Eu tive que ter uma breve conversa."

"Ela te perdoou?"

"Não exatamente," Draco disse vagamente. "Eu prometi conversar com ela sobre isso logo que voltasse da detenção."

"Eu sou detenção agora?" Harry sugeriu, uma risada por trás de sua voz. "Você sabe, você não me disse que você ia dar um soco na cara Simas."

"Você não teria deixado," disse Draco, finalmente indo à frente, na luz. Enquanto o fazia, Harry viu que tinha o início de um olho roxo impressionante, assim como um corte em uma bochecha. Estranhamente, lhe convinha. Só Draco, Harry pensou ironicamente, conseguia dar a impressão de que ele havia se levantado de manhã, decidido que um olho roxo poderia acrescentar algo a seu conjunto, e socou-se no rosto. Sua camisa estava rasgada também, aonde ele tinha derrapado sobre o chão em vidro quebrado, e mesmo isso parecia intencional. "De qualquer forma, não foi como se eu tivesse planejado isso", Draco acrescentou. "Veio a mim em um lampejo de inspiração, você poderia dizer."

Harry levantou uma sobrancelha.

Draco sorriu. "Você me disse para criar uma distração."

"Você," disse Harry, "estava querendo bater na cara de Simas há semanas. Você acha que eu não sei?"

"Ah, vamos lá," disse Draco. " Você nunca quis bater na cara de Simas? Ele é tão bajulador."

"Não," disse Harry. "Acontece que eu gosto do Simas."

"Não vou julgar seus gostos," disse Draco. "Você quer praticar, ou não?"

Harry assentiu. "Claro que sim. Espere um momento." Ele voltou para a mesa e pegou sua espada, e quando ele se virou para Draco, Draco já tinha Terminus Est na mão e olhava para ele quase zombeteiro. Seu rosto estava estranhamente vazio, inexpressivo, seus olhos brilhando com uma luz estranha. "Malfoy...?" Harry disse.

Draco olhou para cima rapidamente, seus olhos cinzentos se iluminando. "Ahn, certo. Desculpe," disse ele, e veio para a frente, encontrando Harry no centro da sala. Eles se cumprimentaram e se separaram, e depois voltaram, Draco avançando, Harry se afastando e defendendo conforme ele fezia. Ele se perguntava se algum dia haveria uma vez que ele não iria ouvir a voz de Draco na parte de trás da cabeça, enquanto ele tinha uma espada na mão. Ele tinha sido muito paciente no início, explicando ataque e recuperação, desvios e estocadas. Mas Harry sabia perfeitamente bem que ele nunca se tornou tão bom quanto ele, tão rápido quanto ele, e se alguma medida do próprio conhecimento e habilidade de Draco não tivesse sangrado até ele através da Poção Polissuco.

Ele apertou seus olhos agora, conforme Draco avançava rapidamente em uma finta. Harry replicou rapidamente, em seguida, começou a recuar, puxando Draco para fora. Draco sabia o que ele estava fazendo, Harry poderia dizer pelo seu sorriso, mas eles estavam apenas praticando e isso pouco importava. Muitas vezes, eles simplesmente continuaram e assim por diante, até que ambos ou um deles estivesse cansado, sem ninguém ganhar. Agora, Draco se abaixou e tentou passar pela guarda de Harry, a linha de baixo, e Harry sorriu para a passagem antecipada e respondeu com uma parada de impulso que o outro rapaz deveria estar esperando - mas Draco não se moveu com tudo para bloquear o impulso e Harry, percebendo isso quase uma fração de segundo demasiado tarde, arrancou seu braço para o lado. A lâmina fez um som como um sussurro, uma vez que abriu um corte na lateral da manga de Draco. Harry, quase cambaleando, colidiu contra Draco, que o pegou e empurrou, equilibrando-o.

Harry pulou para trás como se o toque de Draco queimasse. Ele percebeu que estava tremendo e a mão que segurava o punho da espada estava escorregadia de suor. "Draco," disse ele. "O que – por que você fez – eu poderia ter te matado, porque você não me bloquiou?"

Expressão de Draco foi quase completamente em branco. Ele olhou para o ombro, onde o rasgo na camisa dele já estava avermelhada com o sangue. Então, ele olhou para Harry, e Harry percebeu com um leve sobressalto que ele estava muito pálido, e que seu cabelo loiro branco, sua camisa, sua roupa, estava encharcado de suor, como se ele fosse correr uma maratona. "Eu não sei ", Draco disse com uma voz invulgarmente calma. Ele atravessou a sala, e colocou Terminus Est baixo na longa mesa de madeira lá. Então ele colocou as mãos sobre a mesa, e fez uma espécie de arquejo, puxando o ruído, como se estivesse tendo problemas para respirar e apenas apoiado sobre a mesa estava segurando ele. "Eu não sei", disse ele, novamente, sua voz quase demasiado fraco para ser audível.

Seriamente alarmado agora, Harry aproximou-se e deixou sua espada cairr sobre a mesa. "Draco," ele disse, "você está bem?"

Draco não disse nada. Harry ficou parado onde estava, e esperou, e finalmente Draco ergueu a cabeça e olhou para Harry. Seus olhos eram túneis cinza, indo e indo sem terminar, e Harry podia ver dentro e através dele - podia ver perplexidade Draco e pânico crescente. E a sua dor, não a dor emocional, mas a dor física. Como se uma luz tivesse sido ligada ele percebeu o que estava acontecendo, o conhecimento passando de Draco a si mesmo como a luz que passa através de um cristal. "Você está doente", disse Harry. "Não está?"

"Há algo errado comigo," disse ele. "Meus reflexos – eles estão fora. Eu estou mais lento do que eu costumava ser. E eu tenho me sentido muito tonto."

"Bem, você foi atingido por uma flecha no ombro há duas semanas Você perdeu muito sangue Poderia ser – quero dizer, não faria sentido se –"

Draco não parecia convencido. "Talvez," disse ele. "Eu estava esperando que ele ficasse melhor. Mas ele foi ficando pior. "

"Por quanto tempo?" Harry disse. "Há quanto tempo está doente?"

Draco deu de ombros. "Duas semanas. Desde o acidente."

"Então deve ser a lesão – não devem ter corrigido isso direito – ou talvez você deveria descansar, e você não tem descansado adequadamente –" Harry percebeu que ele estava começando a soar histérico, e parou com esforço. "É por isso que você perdeu o jogo de sábado," disse ele. "Não é?"

Draco assentiu. "Uh-huh."

"Você tem que ir para a enfermaria," disse Harry. "Agora mesmo."

Draco balançou a cabeça. "Não."

"Então eu vou bater na sua cabeça e arrastá-lo," disse Harry, de forma decidida. "Eu não estava perguntando. Eu estava lhe dizendo."

Um leve piscar diversão acendeu os olhos de Draco. "É tocante," disse ele. "Mas eu não vou. Eu não estou tão lento a ponto de não poder impedir qualquer golpe seu, Potter." Ele ergueu a mão para a expressão furiosa de Harry. "Olha," disse ele. "Eu já disse a Hermione e ela está procurando por isto, no caso de haver algum tipo de – bem, alguma coisa sobre o eixo da seta que me atingiu."

Harry sentiu como se alguém tivesse andado por cima dele e chutado a parte de trás de seus joelhos. "Como veneno?"

Draco hesitou por uma fração de segundo, então balançou a cabeça. "Isso é impossível. Eu já estaria morto. Não há veneno que leve tanto tempo para trabalhar. Poderia ser uma Poção Retardadora ou um Feitiço Enervante – chatos, mas solucionáveis. E olhe – nós estamos indo para casa em quatro dias de qualquer forma. Se eu não melhorar, eu posso chamar os melhores medibruxos do país para vir até a Mansão e dar uma olhada para mim. Vou enviar uma coruja a Simon Branford em pessoa, se for preciso. Então não torça suas cuecas quanto a isso."

"Por que você não me contou?" Harry disse, cruzando os braços sobre o peito.

Draco olhou para cima e para baixo, então, um pouco de má vontade, sorriu. "Achei que você provavelmente fosse pirar," disse ele.

"Eu não pirei," disse Harry.

"Certo," disse Draco. "E eu sou a Deusa Balinesa da Abundância."

"Acho que havia uma estátua dela no museu," disse Harry pensativo. "Ela não tem seis peitos?"

Draco se engasgou em um ruído que um inconfundível de risada. "Vá embora, Potter".

Harry abaixou a cabeça, e quando ele olhou para cima novamente, ele ficou aliviado ao ver que Draco parecia quase de volta ao normal, e não mais pálido e tenso. "Eu suponho que se houvesse motivo para preocupação, Hermione teria me dito," disse ele. "Então eu não vou, realmente, surtar." Isto foi algo parecido com uma mentira. "Mas eu espero que você veja os medibruxos quando chegar em casa."

Ele viu Draco piscar, e sentiu o ligeiro choque de surpresa com satisfação que vieram dele – era ainda um pouco estranho perceber que casa era agora, para ambos, o mesmo lugar. "Tudo bem," Draco disse, e se endireitou. "Eu disse que vou. Então eu vou."

E Harry percebeu que teria que se contentar com isso.


Ela estava esperando em seu quarto quando ele voltou da armaria. Sentada no pé da cama, em uma blazer esmeralda e saia preta curta, duas pernas longas cruzadas cuidadosamente uma sobre a outra. Como de costume, desde o topo de sua cabeça vermelha-ouro perfeitamente arrumada até a ponta de seu salto agulha Jimmy Floo, ela estava perfeita.

"Blaise," Draco disse, sentindo a exaustão que o perseguia infiltrar como uma dor fria em seus ossos. Sentiu-se sujo, precisando de um banho, e o sangue que secou em seu ombro coçava. "Agora, realmente não é..."

Ela se lançou para fora da cama, e saiu em direção a ele, os olhos verdes brilhando. Antes que ele pudesse se mover ou reagir, a palma aberta de sua mão atingiu seu rosto em um tapa doloroso. "Bastardo," ela assobiou.

Draco lutou para não estremecer. Não tinha sido um dia bom até agora - um soco no rosto por Simas, uma facada no ombro por Harry, e agora um tapa na bochecha por Blaise. Ele questionou o que mais os deuses tinham nas mangas, na medida do dano a sua pessoa. "Faça isso de novo." disse ele, "e eu vou te bater de volta."

Ela olhou para ele. "Draco Malfoy," retrucou ela. "Eu não vou deixar você me fazer de idiota."

"Você parecer idiota?" ele disse. "Impossível."

Ela lhe lançou um olhar duro. "Por quê?" disse. "Por que você fez isso?"

"Porque eu beijei Gina Weasley? É isso que você quer dizer?"

Ela assentiu com firmeza. "Você tem..." Ela parecia enjoada. "Sentimentos por ela?"

Draco considerou. "Definina 'sentimentos'."

"Você está apaixonado por ela?"

"Não," ele disse.

"Então por que –"

"Eu queria provocar Simas Finnigan," ele disse. "Me pareceu o jeito mais fácil."

"E porque você queria provocar Simas Finnigan?"

"Porque ele é um bajulador bastardo," disse Draco. "Porque ele agarrou sua vassoura jogo passado, e eu –"

Ela parecia aborrecida. "Você espera que eu acredite nisso? Boa tentativa."

"Ele me irrita," Draco disse com um encolher de ombros. "Faça disso o que quiser."

Blaise mordeu o lábio. Sua luta interna era visível em seu rosto. Ela queria acreditar nele, e ainda assim seu cinismo interior não a deixava. Quando ela finalmente falou, sua voz era cuidadosamente lenta. "Você está me usando," disse ela. "Eu só não sei para quê, nem por que."

Draco fez um movimento brusco. "Não –"

Ela o cortou. "Me dê uma boa razão para ficar com você, Draco Malfoy," disse ela. "Uma."

Ele olhou para baixo, e foi saudado pela visão de seus pés em sapatos prateados amarrados, as unhas dos pés pintadas de prata para combinar. Seus dedos estavam se curvando para baixo, o que sempre acontecia quando ele estava nervoso – todos, pensou, pareciam ter uma mania que sempre os traía – Hermione mordendo o lábio, Harry, torcendo as mãos. "Eu vou comprar uma coisa bonita para você," disse ele.

Ela riu. Não era uma risada divertida. "Como o que?"

"O que você quiser." Ele olhou para cima, e a viu olhando para ele, o rosto corado. Ele deu um passo a frente e colocou as mãos em sua cintura; quando eles eram crianças, ele quase era capaz de fechar sua cintura fina, com as mãos. "Tem aquela pulseira que você gostou no Beco Diagonal..."

"Eu não quero nenhuma jóia, Draco," disse ela, interrompendo-o.

"Então o que você quer, querida?" disse ele, arriscando um carinho.

Funcionou; ela quase sorriu. "Quando eu era pequena," ela disse, "Eu sempre quis ter um pônei para passear."

Ele colocou sua mão contra a bochecha dela. Sua pele era macia sob seu toque, seus olhos enormes e suavemente verdes. Ela era linda – provavelmente a garota mais bonita que ele já tinha visto – e não sentia nada por ela além de um desejo distante e desfocado. "Eu aposto que eu poderia ajudá-la a se virar sem um," Draco disse baixinho no ouvido dela.

Suas pestanas se abaixaram, seus longos cílios sombreando seu olhar, e por um momento ela repousou sua bochecha contra a mão dele. Então os olhos dela voltaram ao rosto de Draco, e ela recuou para longe dele, empurrando suas mãos. "Eu acho que não," disse ela. "Você não pode me tocar ainda."

Draco não tinha certeza se ele se sentia desprezado ou aliviado. "Blaise..."

"Me faça de boba de novo e eu vou arrancar seus rins e usá-los como brincos," disse ela. "E isso é uma promessa."

"Eu pensei que você dissesse sonserinos não cumpram as suas promessas," disse Draco.

"Eu vou manter essa," respondeu ela, e girou nos calcanhares. "Você pode contar com isso," e ela saiu da sala, batendo a porta atrás dela.


A noite já tinha caído quando Harry saiu da armaria e se arrastou para o andar de cima até a Torre da Grifinória. Ele estava atrasado para o jantar, e estava suado, cansado e precisava de um chuveiro. Ele falou a senha ("Ashwinder!") e entrou na sala comunal, que era iluminada através do fogo bruxuleante. Seus olhos brilharam quando viu que a sala estava vazia, exceto por Rony, que estava deitado em uma das poltronas perto do fogo.

Ron olhou para cima conforme Harry entrava na sala, e acenou para ele. Harry veio e se deixou cair na poltrona ao lado de Rony, e por um momento sentaram e ficaram olhando para as chamas alaranjadas que saltavam em um silêncio amigável. Foi Harry que falou primeiro. "Desculpe o atraso," disse ele. "Eu estava –"

"Com Malfoy," disse Rony. "Eu sei. Você tinha que praticar esgrima." Ele estava olhando para a lareira; as chamas vivas pintavam a uma sombra dourada escura em seu cabelo já brilhante. "Edwiges trouxe algo para você, enquanto você não estava aqui," disse ele, como se lembrasse de algo, e começou a vasculhar o lado da poltrona. "Eu guardei em algum lugar por aqui..."

"Obrigado... cadê a Hermione?"

"Ela saiu para esconder aquela Taça. Disse que ela tinha um esconderijo perfeito para ele." Ron se endireitou, um pequeno pacote em sua mão, endereçado a Harry. "Aqui está."

Harry endireitou-se e pegou o pacote. "Eu tinha quase esquecido que tinha comprado isto," disse ele, abrindo com entusiasmo.

Rony parecia curioso. "O que é isso, então?"

Harry sorriu. "Você quer ver?" Ele conseguiu abrir o pacote agora, e tombou algo em sua mão. Ele segurou a mão de Ron, abrindo os dedos para revelar algo que brilhava azul, no centro da palma de sua mão.

Ron olhou para ele. "Um anel?" disse. "Eu não sabia que você queria."

"Não é para você, idiota," disse Harry facilmente. "É para Hermione, é claro."

Ron sentou-se onde ele estava, olhando para a mão de Harry. Ele não fez nenhum movimento para tocar o anel. "É uma safira?"

Harry olhou para o círculo azul delicadamente trabalhado em sua mão. "Não, é Veneziano gl–"

"É um presente de Natal?" Ron interrompeu.

Harry piscou os olhos, parecendo um pouco desconcertado por esta linha dura de questionamento. "Bem, é, mas também é..." ele hesitou. "Acho que é um presente de 'desculpe'. Desculpe por ser distante, por ser difícil – você sabe. O que falamos antes." Ele mordeu o lábio. "Eu só quero que ela entenda que o meu comportamento recente não tem nada a ver com se eu a amo." Ele olhou para a jóia azul claro. "Eu acho que eu não consigo pensar no jeito certo para dizer isso, então..."

"Não." Ron estava balançando a cabeça. "Não. Harry. Isso é estúpido."

"Estúpido?" Harry piscou para o amigo, então, muito lentamente fechou os dedos sobre a pequena caixa, e retirou sua mão. "Por que é estúpido?"

"Porque," Ron disse asperamente. "Porque você deveria dar à uma menina um anel de compromisso quando as coisas estão indo bem no relacionamento, Harry, e não quando vão mal."

"Não é um –"

"É manipulador," disse Ron, e em seguida corou até as raízes de seu cabelo ruivo.

'Manipulador?"Harry repetiu, incrédulo. "Porque eu quero dar Hermione algo que eu acho que ela gostaria, isso é manipulador?"

"Me fala que você não está tentando amarrá-la a você," disse Ron. "Vá em frente, fale. Mas eu não vou acreditar."

"Ela é minha namorada," disse Harry. "Nós já estamos amarrados. E, francamente, eu acho que você está sendo meio imbecil quanto a isso."

"Estou?" Ron começou a bater a ponta de sua pena contra o seu joelho. Enquanto falava, ele batia mais rapidamente e com maior vigor. "Quando você vai fazer isso, Harry?" perguntou ele.

Harry sacudiu a cabeça. "Eu estava pensando no dia de Natal," disse ele. "Você sabe. Quando as pessoas costumam dar presentes de Natal."

"Não é apenas um presente comum de Natal," disse Ron. "Eu acho que você deveria esperar."

"Oh, sério." A voz de Harry estava irritada. "Por quê?"

"Olha, Harry – é um anel. E não importa o quê, você dá um anel de uma menina, ela vai pensar que você quer se casar com ela –"

"Bem, talvez eu queira casar com ela," disse Harry, em seguida, viu a expressão espantada no rosto de Ron. "Bem, não exatamente agora, eu tenho dezessete, seria ridículo. Mas isso não significa que eu –"

"Casar com ela?" Ron ecoou, e havia uma estranha tensão em sua voz. "Você não pode."

"O que você quer dizer com não posso?"

"Ela não tem falado com você ultimamente? Você não a ouviu? Seu relacionamento está desmoronando!"

Harry olhou para Rony. Sua mandíbula estava definido, os ombros rígidos. "E eu suponho que você acha que sabe mais sobre o meu relacionamento com a Hermione do que eu?"

"Qualquer um poderia," disse Rony, irritado, "com o tanto que você têm prestado atenção!"

"Você sabe que eu acho?" estourou Harry, furioso. "Eu acho que você está com ciúmes."

Ron ficou branco. "O quê?"

"Ciumento. E você está sendo ignorado porque eu não tenho estado por perto ultimamente. E sim, eu sinto muito. Mas essa não é exatamente a maneira de me mostrar os erros do meu caminho, você sabe. Porque tudo isso está me fazendo perceber o porquê de eu não querer passar mais tempo com você em primeiro lugar," acrescentou Harry furiosamente. "Então talvez você possa querer ter um segundo e ser um pouco mais compreensivo, em vez de agir como se soubesse o que Hermione quer melhor do que eu!"

"Você acha que sabe tudo?" Rony jogou de volta para ele, e havia um engate estranho em sua voz. "Quanto tempo você passou com ela nestes últimos meses? Eu aposto que você não poderia me dizer que aulas ela está tendo. Você tem estado tão envolto em seu pequeno mundo, sem deixar ninguém entrar, exceto que o idiota do Malfoy, e se você não vê a forma como ele olha para ela então você é estúpido do que parece."

Harry sacudiu a cabeça. Seus olhos brilhavam de raiva. "Boa tentativa. Eu sei que você odeia Draco e, francamente, eu não poderia me importar menos. Eu não sei que diabos deu em você, Ron. Eu vou subir agora, e ir dormir, e no dia de Natal eu vou dar este anel para Hermione, e se você quiser sentar no canto e observar, muito bem, mas –"

"Você é tão idiota," disse Ron, e sua voz saiu irregular, em um suspiro meio choroso. "Você é tão idiota –"

"Só cale a boca, Ron."

"Você acha que você poderia simplesmente ignorá-la e ela ficaria lá sentada esperando você acordar e começar a prestar atenção de novo? Você acha que ela estaria disposta a deixar você tratá-la como se ela não importasse –"

"Você quer dizer, Hermione? O que você está falando? De quem está falando?"

Ron se sentou rígido. "Eu estou falando de Hermione," ele gritou, tão alto que Harry recuou. "Eu estou apaixonado por Hermione, e ela está apaixonada por mim!"

Um silêncio mortal se seguiu. Harry ficou olhando fixamente para Rony, Rony olhou fixamente de volta também. A expressão em seu rosto era de incompreensão e atordoamento, como se ele não pudesse acreditar nas palavras que tinha acabado de emitir. "Meu Deus," murmurou ele. "Eu acabei de..."

"Dizer isso?" Os olhos de Harry estavam gelados. "Sim, acabou. E não é nada engraçado. Se você quiser fazer piadas –"

"Eu não estou brincando." Olhos de Ron ainda estavam atordoados, mas sua voz era firme, e assim como seu queixo definido. Ele levantou o rosto para Harry. "Eu não teria escolhido esta forma para você descobrir. Mas tinha que ser em algum momento. "

Harry sacudiu a cabeça, e seus cabelos negros voaram em torno dele como uma cascata de sombra. "Certo. Muito divertido. Você consegue realmente ser um idiota às vezes."

"Eu não estou brincando," disse Ron novamente. Ele levantou os olhos para Harry. Por um momento, os dois olhares, azul e verde, se encontraram. E, finalmente, estranhamente, Ron sorriu, um sorriso estranhamente luminoso. "Eu queria dizer a você," ele sussurrou. "Pensei em te dizer. Toda noite eu pensei sobre isso. Devo ter te dito mil vezes, de maneiras diferentes, na minha cabeça. E agora... e agora você sabe." Ele deu um suspiro profundo e trêmulo, e semicerrou os olhos. "E agora você sabe," ele repetiu novamente.

Havia algo na simplicidade das palavras que ele falou, na expressão de alívio misturada com terror em seu rosto, que era indiscutível. Outro silêncio se seguiu, quebrado pelo som de um objeto colidindo com o chão de pedra. Era o pacote que Harry estava segurando que tinha caído da sua mão.

"Isso é loucura," disse Harry. Sua voz também era firme, mas em branco e incolor, sem música alguma. A voz de um robô. "Não faz nenhum sentido."

Os lábios de Ron se separaram, ele olhou como se ele estivesse prestes a falar. Em seguida, o buraco do retrato se abriu, e ambos congelaram, e se viraram para olhar. Era, como se fosse inevitável, Hermione. Ela estava sorrindo, corada do frio lá fora, os braços cheios de livros e a gola de pele de seu manto azul puxado para cima em torno de seu pescoço. "Ei, vocês dois," disse ela, alegremente. "O que são todos esses gritos?"

"Hermione," Ron interrompida, sua voz forte e miserável, "ele sabe."

Hermione parou e piscou para ele. "O quê?"

Ron ficou de pé. Ele estava de pé ao lado de Harry agora. Harry estava muito quieto, sem se mover. Seus olhos iam de Hermione para Rony, e depois de volta. "Harry sabe," disse Ron. "Sinto muito. Eu sei que íamos esperar até Ano Novo."

O sorriso tinha começado, muito lentamente, a desaparecer do rosto de Hermione. Ela olhou da cara pálida de Harry para determinada de Ron. "Isso é algum tipo de piada?" disse ela, hesitante. "Eu não entendo."

"Bem-vindo ao clube," disse Harry, falando pela primeira vez desde que ela tinha entrado na sala. "Eu também não entendo."

"Hermione!" Ron disse ferozmente. "Você não entendeu – não há por que fingir! Harry sabe! Eu disse a ele!"

Hermione olhou para ele com admiração. "Disse a ele o que, Ron?"

"Eu disse a ele," disse Rony, falando muito lentamente, "sobre nós."

A boca de Hermione abriu um pouco, e ela olhou para Rony. Então ela olhou para Harry. Seu olhar se voltou para frente e para trás entre eles e ela parecia nada mais do que uma pequena criatura presa entre dois predadores muito maiores. "Eu não..." ela disse suavemente, e então a voz dela sumiu. "Vocês dois..." Seu olhar, finalmente, parou em Harry. "Harry..." ela começou.

"Ron diz que está apaixonado por você," disse Harry numa voz monótona, e Rony se encolheu. "E ele diz que está apaixonada por ele."

Hermione parecia atordoada. "Ele disse o quê?" ela sussurrou, ainda olhando para Harry. "Não, ele não diria isso – não é verdade. Isso não pode ser o que ele quis dizer." Seus olhos, enormes em seu rosto pálido, passaram para Rony. "Isso não é o que você quis dizer, né? Harry apenas entendeu errado."

Ron olhou como se Hermione tivesse batido na cara dele. O sangue parecia escorrer para fora de sua pele. Ele fez um som estranho, baixo em sua garganta, e se levantou, olhando para Hermione. "Você não pode fazer isso," disse ele. "Eu sei que você está com medo, mas você não pode fazer isso."

"Medo?" Hermione ecoou. "Medo do que?"

Ron virou-se, e olhou para Harry. Seus olhos eram enormes, quase preto com a intensidade. "Eu a amo," disse ele. Sua voz era fina, mas desafiadora. "Eu a amo e ela me ama. Nós nos amamos. E nós não temos nos impedido, tampouco. Estamos juntos quase todas as noites. Juntos em todos os sentidos."

"Ron!" disse Hermione, sua voz explodindo para fora em um meio grito. "O que você está fazendo?"

Harry olhou como se fosse vomitar. "Isto foi além de uma piada," disse ele. "Além de qualquer tipo de jogo – É melhor um de vocês dizer a verdade, e logo."

Ron virou a cabeça e olhou para Hermione. "Pelo amor de Deus, é hora, Hermione," ele disse. "Diga a ele que me ama."

As mãos de Hermione lentamente se fecharam em seus lados. Sua voz, quando ela falou, estava tão feroz e fria como uma tempestade de gelo. "Eu não te amo," disse ela, e sua voz levantou-se e levantou-se, indo a beira da histeria. "Eu não te amo, e, além disso, eu não tenho idéia do que está falando. Eu nunca estive com você. Eu nunca –"

"Você está mentindo," Ron disse, sua voz tão surpresa quanto ele estava irritado. "Como você pode –"

"Como você pode?" Hermione gritou de volta. "Como você pode ficar aí e dizer mentiras tão horríveis?"

"É a verdade!"

"Eu nunca faria isso! Nunca!"

Ron falou novamente, seus olhos nunca deixando Hermione, embora suas palavras fossem para Harry. "Onde você acha que ela vai, Harry, quando você não consegue encontrá-la? O que você acha que ela está escondendo? Por que ela sempre parece tão cansada? Você já teve essa sensação de que ela não o ama mais? Agora você sabe por quê."

"Por que você está fazendo isso?" A voz de Hermione parecia abalada, uma redoma de vidro frágil sob a pressão. "Por quê? Por que você está fazendo isso, Rony?"

"Porque eu estou cansado de mentir," ele disparou de volta.

"Você está mentindo agora!"

"Eu estou dizendo a verdade!" a voz de Rony foi estrondosa. Ele se virou para Harry, que estava muito quieto, imóvel, com o rosto totalmente em branco. "Você acredita em mim, não é?" disse em um sussurro meio duro. "Você sabe que é verdade."

Harry não disse nada. Ele olhou para baixo e depois para Rony de volta, inexpressivo, como se estivesse olhando para um estranho.

Então ele olhou para Hermione, que começou a ir na direção dele involuntariamente. Ele estendeu a mão, detendo seu progresso. "Não," disse ele.

Ela parou onde estava. "Harry –" Havia uma nota articulada em sua voz. "Você sabe que eu nunca iria – você sabe que eu te amo." Ela se virou e olhou para Rony. "Fala que você está mentindo," ela sussurrou. "Não é tarde demais – diga a ele –"

Ron não olhou para ela. Seus olhos estavam em Harry, as linhas de tensão em torno deles, bem escuras. "É verdade," disse ele. "Eu sei o que você quer fazer. Faça."

Harry levantou a mão direita e apontou para Rony. "Veritas," disse ele.

Hermione gritou alto, quando o jato de luz negra saiu da mão de Harry e acertou Ron no peito. Ron dobrou, ofegante, depois deslizou lentamente pela parede, segurando seus braços firmemente através de seu corpo, suas pernas abertas na frente dele.

Harry olhou para ele, ainda com essa distância estranha em seu rosto, como se fosse algo que estava acontecendo muito longe.

"Ron," disse ele, e Rony levantou a cabeça. Seu rosto estava cheio de rugas de dor. "O que você me disse – é verdade?"

A respiração de Ron estava funda e tremendo. A dor que sentia era como garras nele, e quando falou sua voz falhou. Mas era forte, e havia resolução nela, e garantia.

"Sim," disse ele.

Hermione ficou branca, e balançou em seus pés. Estendeu a mão e firmou-se contra a parede, ela parecia estar além do discurso.

Harry, entretanto, não estava. "Você está apaixonado por Hermione? Vocês... estão juntos?" perguntou ele, sua voz dura e nítida.

A pele do rosto de Harry parecia estar se apertando, se pressionando de volta contra os ossos. Mas sua voz estava firme. "Quantas vezes?"

Ron corou. "Eu não sei. Um monte... Eu não posso contar... quase todas as noites."

"Onde?"

Rony abaixou a cabeça, lutou, e disse: "A sala de reuniões dos monitores."

A respiração de Harry estava rápida agora, mas sua voz ainda era inexpressiva. "E ela ama você?"

Hermione encontrou sua voz. "Harry –"

"Cale a boca," disse Harry, seu tom frio e liso. Ele ainda estava olhando para Rony. "Ela ama você?"

"Ela disse que sim," disse Ron. Ele estava olhando para baixo, para suas mãos agora. "Ela disse que sim."

"Ela disse que me amava também," disse Harry e não havia nada em sua voz: não havia raiva, nem dor, nem amor e nem ódio. Apenas um vazio terrível. Ele ergueu a mão e a apontou novamente para Ron, "Finite Incantatum."

Ron pulou. A dor desapareceu de seus olhos, embora a tensão tivesse ficado evidente em cada linha de seu corpo. Muito lentamente começou a levantar-se, as mãos para trás, contra a parede. "Sinto muito." disse ele, e olhou para seus pés. "Sinto muito."

Harry levantou a cabeça e olhou para Rony. Em algum lugar dentro de seus olhos era o menino de onze anos de idade que ele tinha sido, implorando ao seu melhor amigo para dizer que ele havia mentido. Atrás dessa criança, o homem que Harry havia se tornado sabia que ele não havia.

"Como você pôde," disse ele, sua voz monótona e totalmente inexpressiva. "Como você pôde fazer isso comigo?"

Rony não disse nada. Ele não conseguia encontrar os olhos de Harry com os seus. Todas as cores em seu rosto tinha ido embora, e ele permanecia de pé, com as costas pressionadas contra a parede. Sua pulsação, na base da sua garganta, era rápida, forte e visível sob a pele.

"Harry." Foi Hermione, sua voz uma fina casca de si mesma. "Por favor. Não é verdade."

Harry se virou para ela. "Não fale comigo." Sua voz era feroz, os olhos como lascas de gelo. "Não fale comigo, não olhe para mim. Nunca mais chegue perto de mim outra vez."

A face de Hermione se enrugou. "Por favor, ouça—"

"Eu disse não fale comigo!" Harry gritou, sua compostura finalmente se rachando. "Ele está dizendo a verdade, como ele pode mentir estando sob a maldição Veritas? Me diga, uma vez que você é assim tão inteligente! Como é possível que ele esteja mentindo?"

"Harry," disse Hermione, sua voz um meio grito, e depois a mão de Harry foi ao seu pulso e arrancou o relógio que ela lhe tinha dado, e ele atirou nela, tanto que ela gritou quando ele bateu no braço que ela tinha levantado para proteger o rosto.

"Fique longe de mim," disse ele, e sua voz estalou, através e através do vidro como ruptura. "Se afaste de mim antes que eu te machuque, porque eu vou, se você chegar perto de mim, eu juro por Deus que vou."

Muito lentamente, Hermione se abaixou e pegou o relógio. Quando ela se endireitou, havia lágrimas no rosto, embora ela não se mexesse para exterminá-las ou limpá-las. Ela não olhou para Harry, mas para Rony, e seu rosto estava muito pálido. "Eu te odeio," disse ela, "eu sempre vou te odiar por isso," e então a voz dela quebrou e ela se virou e correu para o buraco do retrato, que abriu e a deixou passar.


Foi uma caminhada fria do banheiro dos monitores de volta ao seu quarto nas masmorras, mas Draco não estava com humor para se apressar. Ele limpou o suor de prática de esgrima, e estava banhando-se na banheira quando notou que o sangue que pingava do seu braço ferido, que era levado pelo ralo, era ligeiramente fosforescente – estava brilhando.

Isto matou todo o prazer de seu banho. Ele saiu e enxugou-se, e deixou o banheiro sem se preocupar em secar o cabelo. Ele tremeu com ar frio das masmorras sem aquecimento, e virou a última esquina a caminho do seu quarto com uma sensação de alívio – alívio que se desvaneceu rapidamente quando viu que o corredor em frente ao seu quarto não estava deserto. Uma figura encapuzada estava lá, capô levantado, quase, mas não completamente, fundida nas sombras. A figura era esbelta, e, obviamente, do sexo feminino. Ela endireitou-se quando ele se aproximou.

Draco fez uma pausa e suspirou. "Blaise?" disse ele. "Olha, foi um longo dia –"

Ele parou quando a figura levantou as duas mãos finas e empurrou o capuz para trás: uma cascata de cachos castanhos caiu para fora, enquadrando um rosto branco.

Hermione.

Draco abriu a boca, todos os comentários inteligentes voando pela janela. "O que você está fazendo aqui? Alguém pode ver você."

Ela olhou para ele fixamente, como se ele estivesse falando outra língua. "Malcolm Baddock já me viu," disse ela. Sua voz era distante, e muito calma. "Ele me deixou entrar e eu disse que o mataria se ele dissesse alguma coisa." Fez uma pausa. "Eu acho que você deveria me deixar entrar no quarto agora."

Ele olhou para ela mais de perto. "Harry sabe que você está aqui?"

Sua reação a essa pergunta foi algo sem precedentes: ela se encolheu violentamente, e seus olhos se encheram de lágrimas. Chocado, ele estendeu a mão para ela, então pensou melhor, e abriu a porta no lugar. Ele empurrou a porta aberta, e a introduziu para o quarto; com um último olhar para cima e para baixo no corredor, ele a seguiu e fechou a porta atrás deles.

Ele jogou a toalha sobre as costas de uma cadeira, e a estudou. Ela tinha dado alguns passos para frente e agora estava muito quieta no centro da sala, entre a cama e a lareira, com as mãos na cintura. Ele se sentiu vagamente aliviado que ele fosse geralmente uma pessoa limpa – o quarto estava extremamente arrumado: sua roupa de esgrima, jogada nas costas de uma poltrona, era o único sinal de bagunça. Então, novamente, ela não parecia como se fosse perceber se tivesse sido a coleta de lixo no chão desde o início do prazo. Ela olhou ao seu redor como alguém em um sonho distraído.

Draco olhou para seus pés, imaginando o que dizer, o que raramente acontecia. Ele estava também cada vez mais consciente de que ele estava vestindo um pijama úmido que estava grudando nele. "Hermione," disse ele lentamente. "Você se importaria de me dizer o que está acontecendo?"

Ela virou-se devagar e olhou para ele. Seu rosto, por cima do branco forrado da gola do seu manto azul, estava muito pálido, seus olhos grandes eram como moedas pretas. "Seu quarto é muito bom," disse ela. "Você nunca disse que tinha um quarto tão bonito..."

"Hermione," disse ele, de forma mais acentuada.

"Você tem uma lareira... Eu não teria pensado que você teria uma janela... oh, os quartos são construídos no penhasco, não são? Isso é muito –"

"Hermione." Sem pensar nisso, Draco cruzou o quarto para ela e pegou em seu pulso. Ela olhava para longe, os olhos arregalados e sem expressão. Um pensamento súbito e terrível o assaltou, e ele apertou seu aperto no pulso dela involuntariamente. "Aconteceu alguma coisa com Harry? Ele está bem?"

"Eu não sei," disse ela, encontrando seus olhos finalmente. "Draco, eu estou parecendo... louca pra você?"

"Você parece o quê?"

"Parece como se eu tivesse enlouquecido?" Sua respiração estava rápida agora, seus suspiros irregulares. A mão dele onde ele segurava o pulso dela estava escorregadia, e de repente ele ficou ainda mais consciente de seu pijama meio úmido. "Perdido a cabeça?"

Ele abriu a boca para dizer o nome dela, então percebeu que estava se tornando repetitivo. Em vez disso, ele a pegou pelos ombros e a empurrou para a cama. Ela sentou-se obedientemente na beira da cama e cruzou as mãos no colo. Ele olhou para ela e ela olhou para trás.

"Eu preciso mudar minhas roupas," disse ele. "Sente-se bem aqui e não, uh, não vire."

Ela assentiu com a cabeça estupidamente. Qualquer medo que ele possa ter tido que ela seria tentada a virar e dar uma espiada foram aliviados pela sua expressão. Ela parecia tão interessada como se ele tivesse acabado de dizer a ela que ele estava prestes a fazer um trabalho muito maçante de Aritmancia em japonês.

Sentindo-se como se ele estivesse em um sonho muito estranho, Draco foi até seu guarda-roupa, tirou um par de calças pretas e uma camisa verde escura Knarl Lagerfeld, atravessou para o outro lado da sala, e mudou às pressas, olhando Hermione enquanto o fazia. Ela não se mexeu de seu lugar na cama, apenas sentou-se onde estava, olhando para suas mãos. Ele colocou sua camisa, a abotoou, voltou para a cama e sentou-se ao lado dela. "Ok," ele disse calmamente. "Por que você não me conta o que aconteceu?"

Ela não respondeu, apenas olhou através ele, para um ponto além de seu ombro esquerdo. Ele estendeu a mão, e pegou seus ombros, os segurando firmemente. "Hermione," ele disse com firmeza. "Eu suponho que você veio aqui porque queria a minha ajuda. Mas se você não me disser nada, eu não posso te ajudar."

"Eu sei," disse ela, baixinho, sem levantar os olhos. "Eu sei, mas como eu posso te dizer o que aconteceu quando eu mesma não entendo?" Seu aperto nos ombros dela se firmou, e ela estremeceu. "Eu enlouqueci," disse ela. "É a única explicação."

Ele ficou em silêncio por um momento. Quando ele falou, estava muito constante. "Você," disse ele, "sempre foi a pessoa mais sã pessoa que eu conheço. Se você está louca, todos nós estamos. Eu estou. Harry está. Weasley está –" Os ombros dela estremeceram violentamente sob as mãos dele, e ele abaixou a cabeça para tentar ver rosto dela. "Ron? Isto tem algo a ver com Ron?"

Ela assentiu com a cabeça, um aceno minúsculo. "Sim."

"Me conta," ele disse. "Não é o que você acha que aconteceu, ou o que você acha que pode estar errado com você. Me conte os fatos."

Ela respirou fundo e esfarrapadamente, e ergueu os olhos devagar. Eles eram tão escuros, a pupila parecia ter desaparecido na íris; pareciam túneis negros, indo e indo eternamente. "Você não vai acreditar em mim," disse ela, sua voz rachada com dor. "Harry não acreditava em mim, e você não vai também, e Gina vai acreditar Ron, porque ele é irmão dela, e o que vou fazer, eu não vou ser capaz de agüentar se você não acreditar em mim, eu não vou ser capaz de suportar isso –"

"Eu acreditarei em você," disse ele bruscamente, cortando-a. "Eu já acredito que você. Apenas me diga o que aconteceu."

"Tudo bem." Ela assentiu com a cabeça e olhou novamente para suas mãos, curvadas em punhos em cima dos joelhos. "Tudo bem," disse ela novamente, e então ela começou a falar, hesitante no início, e depois em uma corrida de palavras, como um rio sem barragens, lhe dizendo o que tinha acontecido na sala comunal da Grifinória, o que Harry havia dito, o que Ron havia dito, o que ambos tinham feito. E conforme ela falava, sua voz pequena constante continuando e continuando, Draco se viu primeiramente incapaz de acreditar no que estava ouvindo – e depois, estranhamente capaz. Sabia que havia algo errado. Sabia que havia alguma coisa.

"E então," ela terminou, com a voz vacilante, "e, e-em seguida, Harry disse que nunca queria me ver ou falar comigo, e que eu nunca devo chegar perto dele. Eu corri para fora – eu vi McGonagall e Lupin correndo, mas eu corri além eles. Acho que corriam para a sala comunal – a maldição Veritas deve ter desencadeado as defesas, eles tem defesas, você sabe, as Artes das Trevas, e –"

"Eu sei sobre as defesas," Draco interrompeu delicadamente. "Que se danem as defesas."

Ela assentiu com a cabeça. "Claro. Sinto muito." Sua voz estava vazia e plana, e quando ela olhou para as mãos de novo ele viu que ela tinha algo enrolado firmemente em seu punho direito. Ele deixou suas mãos caírem de seus ombros e, lentamente, pegou a mão dela. Ela deixou, não oferecendo nenhuma resistência quando ele abriu os dedos dela, e ele piscou ao ver brilho familiar de ouro que foi revelado. Era o relógio de ouro que Harry sempre usava em seu pulso direito, o seu relógio de ouro com pulseira de couro escuro. "Ele jogou em mim," disse ela, explicando, e fechou os dedos novamente. "Ele disse que eu nunca mais devo chegar perto dele novamente."

"Eu sei," disse Draco. "Você me disse."

"Ele está certo," disse ela. "Há algo de errado comigo. Eu não me lembro – não me lembro de ter feito nada com Rony, mas devo ter feito, não devo?"

Draco respirou fundo. Ele sabia que suas palavras seguintes deviam ser escolhidas com muito cuidado. "Hermione," disse ele. "Não há nada de errado com você. Eu sabia que Weasley estava desenvolvendo algum tipo de – sentimentos por você. Eu só não sabia que ele estava tão delirante sobre isso."

A cabeça dela se ergueu e ela olhou para ele quase acusadora. "Como você sabe que ele estava delirante? Como você sabe que não sou eu que está delirando?"

"Porque ele é o único a contar a história bizarra, Hermione, não você."

"Você não o viu," disse ela, erguendo a voz, "ele estava tão certo, Draco, ele tinha tanta certeza, e do jeito que ele olhou para mim – e ele estava sob a maldição Veritas, como ele poderia estar mentindo?"

"Porque," Draco disse com firmeza. "A maldição Veritas faz você dizer a verdade, mas não presenteia você com o conhecimento que não possui. Em outras palavras, só porque ele acredita que é verdade, não torna isso verdadeiro. Ele pode estar sob uma maldição Confundus – ou teve a memória encantada – ou apenas ér um maluco completo, pelo que sei, embora eu duvido. O que eu não duvido é que a maldição Veritas, neste caso, não prova nada. Nada."

Ele parou, porque Hermione estava olhando para ele. Seus olhos eram enormes. "Você acredita em mim," disse ela. "Você realmente acredita em mim, não é?"

"Sim," respondeu ele, porque ele acreditava. "Eu absolutamente acredito em você."

"Oh, graças a Deus," disse ela e começou a chorar. Ele olhou para ela em alarme, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ela havia lançado os braços ao redor de seu pescoço e enterrou o rosto em seu ombro. Ela estava soluçando de uma maneira que ele não teria pensado que fosse possível, cada pedacinho da reserva de controlo que a mantinha tão calma ao longo desta hora e meia foi varrido como por uma inundação. Muito devagar, ele colocou seus próprios braços em torno dela, e a abraçou enquanto ela chorava. Ele tinha certeza que havia Coisas Que Deve Fazer nestas situações, palavras confortadoras para dizer, cabeças para levar tapinhas, mas ele não tinha experiência com confortar as pessoas, muito menos em confortar alguém que ele se importava. Ele não podia fazer nada além de se sentar e segurá-la até que o tumulto de sua dor passasse.

"Eu sinto como se não conseguisse respirar," ele finalmente ouviu seu sussurro, sua voz abafada contra o seu ombro. "Eu não entendo o que está acontecendo comigo." Ela ainda tinha os braços ao redor dele, seus punhos cerrados nas costas de sua camisa. Toda a suavidade dela estava pressionada contra ele, e ele quase podia saborear o sal das lágrimas dela em sua boca. Contra sua vontade, ele sentiu seu corpo reagir à sua proximidade, afinal, ele tinha dezessete anos, e algumas coisas estavam além de seu controle imediato. Rapidamente, ele ergueu a mão e com firmeza tirou os braços dela ao redor de seu pescoço.

Ele suspirou, sua mente arremessando-se para trás e para frente entre as várias opções. Segurá-la em seu colo novamente não seria viável. Nem, aparentemente, ela estava disposta a se deitar em sua própria. Ele saiu da cama e se ajoelhou na frente de sua mesa de cabeceira pequena, ele deslizou a gaveta aberta, e tirou uma garrafa. O rótulo da garrafa proclamava um vinho das vinhas Arquelândia, engarrafado em 1867. Ele olhou para ela por um momento – o que era para ser um presente para Sirius e Narcisa, e valia mais do que ele podia se lembrar. Mas, eles não podiam ser ajudados. "Apierto," ele murmurou, e a rolha estalou para fora da garrafa com um som fraco.

"Uau," disse Draco, saltando em seus pés. "Você deveria... oh, inferno, sei lá," ele terminou de uma forma resignada quandoe Hermione foi para trás em uma boa golada – então ficou sem fôlego e sufocada.

Ela olhou para ele com os olhos lacrimejando. "Draco, o que é isso?"

Delicadamente, ele estendeu a mão e levou a garrafa para longe dela, colocando-a em cima da mesa de cabeceira. "Vinho da Arquelândia," disse ele. "Você deveria misturar com água, tecnicamente... é muito forte."

Ela fez uma careta. "Tem gosto de limpador de forno," disse ela, suas palavras muito suavemente arrastadas. Draco não estava surpreso. Geralmente o vinho Arquelândia era consumido com uma colher de chá. Um copo inteiro poderia derrubar um troll da montanha. As suas pálpebras já estavam começando a se agitar para baixo. "Draco," disse ela suavemente, e estendeu a mão. "Poderia, por favor..."

Com muito cuidado, ele pegou sua mão estendida. Ela era suave e quente em suas mãos, uma pequena coisa viva que ele segurava tão frouxamente como podia e, no fundo de sua mente, como sempre, vinha o pensamento cuidadoso que ele não devia ser desleal com Harry, e ainda ao mesmo tempo a sua dor o feriu de uma maneira que não podia explicar. Como sempre, o estreito espaço entre as duas pessoas que ele mais amava no mundo era um lugar precário para ficar.

"Poderia, por favor," disse ela novamente, e agora ela foi definitivamente firme em suas palavras, "encontrá-lo para mim?"

Ele sabia que ela queria dizer Harry. "Você quer que eu tente encontrá-lo?" ele repetiu. "Certificar-se que ele está bem?"

"Sim –" Sua boca tremia. "Eu só quero saber se ele está bem."

"Eu sei," disse Draco. "Eu também", e ele fechou os olhos, e tentou se concentrar. Foi muito difícil por um momento, como se sua mente estivesse girando. Ele se forçou a pensar em Harry, sua mente tateando o espaço negro que os separava, buscando a forma familiar de pensamentos de Harry, os contornos conhecidos de sua mente. Ele encontrou, finalmente, um brilho vago de luz na escuridão. Harry, disse ele. Harry, você pode me ouvir?

Houve um longo silêncio. Então, uma resposta muito fraca, quase imperceptível. Eu posso ouvir você.

Você está bem?

Outra pausa. Não. Eu sou um tiro longe de tudo certo, Draco. Eu talvez nunca mais possa estar bem novamente.

Você quer que eu vá até ai e pegue você? Draco perguntou, sabendo que ele teria de deixar Hermione para fazê-lo; sabendo que ele iria, se Harry quisesse.

Desta vez, a resposta foi imediata. Não. Eu estou na sala de Lupin. Eles me trouxeram aqui. Estou com problemas, eu acho. Eu não me importo, no entanto.

Harry –

Eles estão vindo. Está tudo bem, Malfoy. Não há nada que você possa fazer por mim. Não a nada que alguém possa fazer.

E a mente de Harry se fechou como uma porta. A força disso pareceu bater Draco atrás de deu corpo, e seus olhos se abriram. Por um momento, ele piscou para a luz, os olhos se ajustando – ele tinha estado em escuridão profunda. Ele machucou, mas não era uma dor física – ele não tinha certeza do que era a sua dor. Foi Harry, mas então Harry foi quase o seu próprio eu. Foi a primeira vez em sua vida que ele tinha pensado que se pudesse levar alguém a dor de alguém e suportar ele mesmo, ele o faria.

"Hermione..." ele começou, em um meio sussurro – e fez uma pausa.

Ela estava dormindo, sua bochecha em sua mão, seu corpo enrolado entre as almofadas. Seus longos cílios escuros pareciam traços de tinta contra o seu rosto pálido, e seu peito subia e descia constantemente em sua respiração. Ele começou a se levantar, mas percebeu que não podia – a mão dela estava fortemente compactada em sua manga, e ele não podia se afastar sem acordá-la.

Com um suspiro, ele se aproximou dela e puxou a ponta do cobertor para que ele pudesse cobrir os ombros dela. Depois se deitou ao lado dela na cama, e olhou para a escuridão.


A sala de reuniões dos monitores estava muito fria. Ele estava muito frio. Ron tinha certeza de que seus dedos estavam ficando azuis, mas quando ele olhou para eles, eles estavam da mesma cor que sempre tinha sido. Era difícil de acreditar. Se ele tivesse sido capaz de levar-se a um médico ou médibruxo, eles poderiam ter dito a ele que o choque cai a temperatura corporal, mas ele não podia, e não teria se pudesse. Ele não queria ver ninguém. Ele queria ficar nesta sala para sempre. Ele queria morrer.

Mais e mais em sua mente, ele continuou repetindo a cena na sala comunal. O que ele tinha dito. O que Harry havia dito. O olhar no rosto de Harry. Ele sabia que seria ruim, mas não tão ruim assim. Hermione lhe tinha dito tantas vezes, aqui nesta sala, que era certa de que Harry não a amava mais, que ela suspeitava que ele soubesse que ela não o amava tanto. E ele acreditou. Por que ele não acreditaria nela? Hermione nunca havia mentido para ele.

Só que, aparentemente, ela tinha.

Um espasmo de náusea torcia seu estômago quando se recordava das palavras dela na sala comunal. Eu não te amo, ela disse. Eu não te amo, e, além disso, eu não tenho idéia do que está falando. Então, ela havia mentido. Aparentemente, ela nunca teve qualquer intenção de dizer a Harry: Não no Ano Novo, nem nunca. Olhando para trás agora, ele podia ver como ela o colocou fora e fora. Ele tinha sido cego demais para ver isso na época.

A doença voltou em uma onda. Desta vez, ele foi capaz de respirar através dela. Foi difícil, mas ele conseguiu através da concentração. Na verdade, ele estava concentrado com tanta força que ele não ouviu a porta da sala de reunião abrir em silêncio. Foi só quando ele olhou para cima mais uma vez que ele viu que ela tinha entrado na sala, e estava olhando para ele com uma expressão de alarme.

"Rony," ela disse suavemente. "O que há de errado? Você parece doente."

Ele se levantou e olhou para ela e Hermione de volta. Ela parecia a mesma – a mesma – a fraca luz vermelha na janela de vidro provocava reflexos vermelho-ouro em seu cabelo solto. Ela o usava assim porque ele gostava. Ele disse isso a ela. E ela estava vestindo suas vestes negras da escola, e sob elas o pijama azul que ele havia lhe dado há dois anos. "O que," disse ele, e sua voz saiu rangente e desconhecida, "você está fazendo aqui?"

Seus lábios se separaram e ela olhou para ele com surpresa. "Eu sei que não tenho aparecido ultimamente," disse ela. "Mas, por favor, não fique zangado – você sabe que não é fácil para eu ficar longe." Ela deu um passo em direção a ele, e quando ele não se afastou, ela tomou outro. Ela colocou seus braços ao redor dele, e ele deixou, sem resistir. "Eu tenho que sair logo," disse ela. "Não vamos perder nosso tempo ficando com raiva."

Ele olhou para seu rosto. Seu rosto familiar, bonito. Lembrou-se da primeira vez que ela lhe pediu para se encontrar com ele. E ela chorou em seu ombro. Harry não falava mais nela. Ele não a amava. Ela não tinha certeza se ela o amava tanto. Ela não tinha certeza se já havia. Ela cometeu erros, erros terríveis. Será que ele nunca iria perdoá-la. Será que ele ainda se preocupava com ela. E ela beijou-o. Ele havia caído sobre a mesa em estado de choque. Já havia semanas que ela tinha tentado isso de novo. E ele tinha se maravilhado. Como ela tinha sido tão capaz de se comportar em público como se nada estivesse errado, ou estranho ou diferente. Ela lhe disse que tinha medo de machucar Harry. Harry tinha tantos problemas estes dias, que ele estava meio louco. Ele não era o mesmo Harry. Ele podia até ser perigoso. "Me ajuda," disse ela. "Você é o único que pode." Seus pensamentos, suas memórias, se dividiram em fragmentos que giravam e giravam em torno da cabeça como pássaros assustados. Ele se agarrou a ela. Ele ouviu a própria voz como se viesse de longe. "Por que você," disse ele. "Por que você mentiu para ele?"

Sua voz soava aguda de repente, assustada. "Mentiu para quem?"

"Para Harry," ele disse. "Por que você mentiu para Harry?"

Quando ela respondeu, sua voz soou defensiva. "Nós dois estamos mentindo para Harry," disse ela. "O tempo todo. Temos que. Mas, eu lhe disse. No Ano Novo –"

"Ano Novo?" Sem qualquer tipo de reconhecimento consciente de que ele estava fazendo isso, ele agarrou os ombros dela e a sacudiu com força. Ele ouviu seu suspiro. "Qual é o sentido de Ano Novo quando Harry já sabe?"

Ela congelou em suas mãos. "Harry sabe?" ela repetiu, a voz chocada. "Ele sabe?"

Ele olhou para ela. Todos os pensamentos que giravam em sua cabeça vieram juntos como fragmentos de vidro sob o feitiço Reparo. Tudo parecia repentinamente muito óbvio e muito claro. Ele aumentou a pressão do aperto nos ombros dela, e ela engasgou com dor, mas ele mal percebeu. Quando ele falou, ele ficou maravilhado com a regularidade de sua própria voz: firmeza e deliberação. "Me diga," ele disse. "Quem é você?"

Ela tentou se afastar. "Ron, me deixe ir."

"Quem é você?" disse ele novamente. "Quem é você, e por isso você tem que fingido ser Hermione?"


NT (diana gfg): queria só agradecer as reviews pq elas REALMENTE ajudam a gente a continuar, valeu meeeesmo por elas =)

NT (G. Granger): Muitas emoções nesse capítulo, não? Draco beijando Gina, Simas socando (e sendo ainda mais socado) Draco, Gina aceitando ir pra Irlanda com Simas, Ron apaixonado pela suposta Hermione, Harry decepcionado, e um roubo ao museu! Comentem aí o que vocês mais gostaram, e quais são suas apostas para os próximos capítulos! O capítulo 7 já está em andamento, e será colocado o mais rápido possível, já que com o início das aulas as coisas ficam corridas! eu vou viajar daqui menos de duas semanas, e vou ficar um tempo fora, mas vou fazer o possível para não atrasar muito, e além disso graças a deus eu tenho a diana pra me ajudar! :D

PS: Segunda passada, dia 7, eu fiz 16 aninhos! Parabéns pra mim, hihi! E se vocês quiserem me dar um presente, eu gostaria muito que todos os amantes de Rony/Hermione lessem uma shortfic que eu escrevi, chama "Nunca é tarde demais" e fala sobre um baile onde Rony tenta não errar e ser tão covarde como a última vez, no quarto ano. Deixem uma review lá se vocês gostaram, leram, odiaram.. o que for! hahaha

PS 2: Não se esqueçam nunca de agradecer a minha co-tradutora Diana gfg, tanto eu quanto vocês devemos muito a ela! hahahaha

PS 3: MIL OBRIGADAS PRA Lika Slytherin! ela enviou arquivos onde é possível copiar e colar, o que facilita muito o trabalho, já que pelo o Adobe Reader era impossível manegar o documento! SÉRIO, OBRIGADA MEEEEESMO QUERIDA!

Obrigada por todas reviews maravilhosas, se vocês verificarem seus inbox, eu acho que respondi todas elas! Fabianne P. Xavier (ela traduziu a segunda parte de "Nós sempre teremos Paris", de Melissa D., que também é pra mim uma daquelas 'fics que devemos ler antes de morrer', é Draco/Hermione, e é maravilhosa, super recomendo) Yela, megalves00 (não consegui responder a sua, mas me emocionou muito, é muito importante ouvir isso, já que era exatamente a intenção! continue acompanhando, e obrigada mesmo!), Lika Slytherin (obrigada de novo!), MSC2, Iza Amai, 'Denise Malfoy'!

Beijinhos, e até o cap 7 (: