Capítulo 7
Queimando os Barcos
É uma sensação curiosa: o tipo de dor que vai misericordiosamente além de nossas forças de sentimento. Quando seu coração está quebrado, seus barcos são queimados: nada importa mais. É o fim da felicidade e o início da paz.
–GBS
"Ele vai morrer por isso?" perguntou o Lorde das Trevas.
Ele ficou ao lado de uma mesa de jacarandá polida onda estava um tabuleiro de xadrez esculpido em vidro canelado. O jogo de xadrez era familiar para Draco. Ele tinha visto isso em algum lugar antes. Isso o incomodava, mas como todas as coisas vistas em sonhos, ele não conseguia identificar o seu lugar em vida. O quarto do Lorde das Trevas permanecia cheio de sombras: Draco conhecia essa sala, e a gaiola dourada que ficava em uma das extremidades dela. No momento, a gaiola estava vazia.
Lúcio, que estava um pouco longe, pareceu hesitar. "Isso é um resultado possível, milorde."
Voldemort assentiu. Em sua mão de dedos longos ele estava segurando uma peça de xadrez: um cavaleiro verde. "E esse risco é sensato para você?"
Lúcio concordou. "A estratégia envolve riscos."
Voldemort começou a girar e girar a peça de xadrez. "Talvez ele morra de um coração partido primeiro."
Lúcio piscou. "Eu nunca soube que você se preocupava tanto assim com o coração, milorde."
"Para tudo há um tempo, meu querido Lúcio," disse o Lorde das Trevas, e fixou o cavaleiro na superfície polida da mesa de jacarandá.
"Sim, milorde. Um tempo para nascer, e um tempo para morrer."
"Não há necessidade de citar as Escrituras para mim, Lúcio," disse o Lorde das Trevas, soando divertido. "Temos a Taça agora, ou pelo menos não está mais onde não possamos alcançá-la. Quando o ritual for realizado, vou subir, e a velha Ordem vai morrer, como os deuses antigos. Serei o único governante de não apenas o mundo dos bruxos, mas todos os mundos. Meu nome será legião. Vou lhes mostrar a verdadeira natureza dos deuses."
"Qual é?" Lúcio perguntou. Draco podia ouvir uma nota em sua voz que o surpreendeu: ele parecia tenso, talvez irritado. Voldemort não parece notar.
"Indiferente e cruel. E não amar a humanidade."
Lúcio olhou como se ele estivesse prestes a falar, quando a porta se abriu. Rabicho entrou, carregando uma bandeja. Ele atravessou a sala, e colocou a bandeja sobre a mesa, ao lado do jogo de xadrez. Draco viu que a bandeja trazia uma garrafa de conhaque: ele suspeitou que fosse re'em Martin, o favorito de seu pai.
"Obrigado, Pedro," disse Lúcio, sem olhar para ele. Para surpresa de Draco, Rabicho, em seguida, sentou-se à mesa, e verteu um copo de conhaque. Ele ergueu-a aos lábios, e o Lorde das Trevas franziu o cenho para ele.
"Ela voltará hoje à noite?" Rabicho perguntou, sacudindo o queixo em direção à gaiola vazia ao longo da parede distante.
A carranca do Lorde das Trevas se aprofundou. Sem outra palavra, recolheu as vestes em torno dele e saiu da sala. Quando a porta se fechou atrás dele, Lúcio girou para seu infeliz companheiro.
"Eu pensei que eu tivesse dito para não se dirigir a ele diretamente, seu idiota –"
"Eu estava apenas fazendo uma pergunta," disse Rabicho beligerante, e esvaziou o copo em sua mão. Quando ele colocou o copo sobre a mesa, sua mão estava tremendo. "Uma pergunta inocente."
"Nada sobre você é inocente," Lúcio estalou.
Rabicho serviu-se de um copo de conhaque. "Ele sabe onde a Taça está?"
Os olhos de Lúcio se estreitaram. "Sim, Pedro."
"Será que ele realmente sabe?"
"Ele sabe quem a tem – por que você pergunta? Alguma informação que você tem estado retendo?"
"Eu pensei que minha opinião não fosse de nenhum interesse para você," disse Rabicho, com um flash ímpar de seus olhos.
"Não é de nenhum interesse para mim."
Rabicho arreganhou os dentes de rato, pouco acima da borda do copo. "Ele está louco. Louco, e você sabe disso."
"Silêncio!" Lúcio berrou tão alto que o tecido do sonho começou a rasgar e dividir-se, e Draco sentiu seus olhos abertos esvoaçarem. "Ele pode te ouvir..."
O sonho se foi. Draco abriu os olhos e o quarto entrou em foco em torno dele. Ele tentou se sentar, mas algo estava segurando seu braço como um torno. Ele se virou e a viu deitada ao lado dele, afogada em um sono profundo, sua face repousada em seus cabelos – Hermione? O que ela está fazendo aqui, na cama comigo? Bom Deus, o que eu fiz? – E então ele se lembrou, e se sentou tão depressa que quase bateu seu crânio na cabeceira da cama.
"Hermione, acorde." Ele sacudiu o ombro dela. "Vamos."
Ela voltou à consciência se estivesse nadando através de águas profundas, as pálpebras tremulando ao se abrir lentamente. Seus olhos escuros focados nele, e ele viu a confusão neles por um momento. Então, ela pareceu lembrar-se, e se sentou, esfregando os olhos. "Eu estava sonhando," disse ela. "Você estava nele."
"Eu estava?" Se sentou contra os travesseiros, e tentou não pensar sobre o quanto ele queria ficar lá e descansar. "O que eu estava fazendo?"
"Você estava nele, assim como Harry. Você estava... diferente. Estávamos todos em Londres. Eu acho que você era... Eu não sei, gângster ou algo assim. Você tinha armas. Foi muito peculiar."
Draco piscou para ela. "O que é um gângster?"
"Não se preocupe." Um sorriso nasceu no rosto de Hermione. "Você era mais velho. Você era..."
"Eu era o quê?"
"Nada." O sorriso alargou-se, e em seguida, desapareceu. Ela sentou-se reta, tencionando ombros dela. "Que horas são?"
"Já passou da meia noite," disse ele.
Ela mordeu o lábio, parecendo tensa e infeliz. Seu cabelo caia em torno de sua cabeça em cachos rebeldes que tinham começado a frisar nas pontas. "Eu tenho que voltar para a Torre da Grifinória," disse ela.
Ele se inclinou para frente, ignorando o cansaço que o arrastou para baixo como um peso de chumbo. "Você tem certeza que é uma boa –"
"Eu tenho que ver Harry." Sua voz era tensa e desesperada.
"Ok." Ele hesitou. "E mais uma vez, tenho que perguntar. Tem certeza de que é uma boa idéia?"
"Eu quero pedir a ele para lançar a maldição Veritas em mim." Suas mãos curvadas em punhos apertados ao seu lado. "Então ele vai ter que acreditar em mim."
"E se ele não fizer isso?"
"Então eu quero que você faça."
Draco olhou. "O quê?"
"Então eu quero que você faça isso. Na frente a ele."
"Hermione –"
"Não há outra maneira!"
Ele estendeu a mão para ela, mas ela pulou da cama e começou a andar para cima e para baixo da sala. O fogo atrás dela tinha queimado até a brasa vermelho-alaranjada, e à luz esfumaçada delineava o corpo dela através de suas roupas, tingindo seu cabelo de um vermelho escuro. Ela girou e o encarou, parecendo determinada.
"Ele confia em você," disse ela. "Vem comigo conversar com ele. Se você colocar a maldição Veritas em mim sem contar a ele que você vai –"
"Eu não quero colocar a maldição Veritas em você sem contar a ele que vou."
"Mas você tem que –"
"Eu não," disse friamente, "tenho que fazer nada." Ele balançou as pernas para o lado da cama, e olhou atentamente para ela. "Eu faria muito por você," disse ele. "Eu iria tão longe a ponto de dizer que eu faria quase qualquer coisa para você. Mas eu não vou enganar Harry. Talvez ele confie em mim agora, mas ele confiaria depois?"
Ela olhou chocada por um momento. Em seguida, seus ombros caíram. "Você está certo," disse ela. "Sinto muito". Ela olhou para o fogo. "Vem comigo," disse ela novamente. "Só para conversar com ele, então."
Draco lutou contra seus receios. "Tudo bem." Ele saiu da cama, pousou suavemente em seus pés – e quase desmaiou. O sangue rugia em seus ouvidos tão alto como um trovão, e diamantes negros das trevas dançavam na frente de seus olhos. Ele se agarrou na cabeceira da cama para firmar-se.
"Draco?" Hermione estava ao seu lado em um instante, sua mão em seu braço. "Você está bem?"
Ele assentiu como se a sua visão estivesse se clareando lentamente. "Eu estou bem."
"Sinto muito," disse ela baixinho. Seus olhos escuros estavam fixos em seu rosto, cheios de preocupação. "Eu não me esqueci do que você me perguntou outro dia – sobre seu ombro. Eu tenho procurado na biblioteca..."
"Eu disse que estava tudo bem." Ele sacudiu a mão dela, não olhando em sua direção. Curvou-se novamente, desta vez com cuidado, e agarrou as botas, que estavam sob a cama. Ela observou enquanto ele as colocava, mordendo o lábio e olhando ansiosa. Era exatamente do jeito que ela normalmente olhava para Harry, ele pensou – preocupada e... protetora. Ele não gostava disso – não queria se sentir preocupado com isso. Ele se levantou e agarrou sua capa, que havia sido arremessada em uma cadeira mais a trás. "Vamos."
O corredor estava deserto, felizmente, assim como a sala comunal. As tochas nos corredores tinha se esmorecido até quase a inexistência. Draco murmurou Lumus com sua varinha, e sorriu severamente para si mesmo em como eles deviam parecer – o monitor da Sonserina e a Garota Sabe-Tudo esgueirando-se pelos corredores como um casal culpado em seu caminho de volta da Torre de Astronomia. Embora, nesse caso, ele imaginou, Hermione provavelmente estaria agarrada em seu braço. Em vez disso, ela andava um pouco distante, perdida em pensamentos.
Quando eles viraram a esquina, ela parou. "Draco, espere."
Ele parou e se virou. "O que é?"
Hermione estava mordendo o lábio. "A sala de reunião dos monitores..." Ela se virou e apontou. "Acabamos de passar por ela."
Draco foi pego de surpresa. "Você não acha que...?"
"Eu pensei ter ouvido um barulho," disse ela, ainda olhando para fora no corredor.
Draco abaixou sua varinha. "Tudo bem. Vamos dar uma olhada." Quando ele passou por Hermione, ela segurou em sua manga, e eles andaram o resto do caminho até a porta da sala de reuniões assim. Agora nós parecemos um casal culpado, Draco pensou, e empurrou o pensamento de volta.
A porta da sala estava fechada, mas uma barra de luz estava fraca na parte inferior. Isso em si não significava nada, mas foi o suficiente para fazer Draco se voltar para Hermione. Ela estava olhando para ele com olhos enormes. Ela empurrou o queixo em direção à porta.
Ele suspirou, e colocou a mão na maçaneta. "Ireneu Filaleto," ele disse, e virou a maçaneta sob seus dedos. Ele empurrou, e a porta se abriu.
A luz era fraca no interior da sala, e levou um momento para Draco focar os olhos na cena diante dele. Quando eles focaram, ele olhou.
Ele viu Rony ao lado da mesa. Ele tinha tirado suas vestes de escola, e estava com uma camisa e jeans. Seu cabelo vermelho estava descontroladamente amarrotado na cabeça, e ele estava inclinado para a frente, as mãos sobre os ombros de uma menina sentada em uma cadeira na frente dele. Levou um momento para Draco, observando a postura de Ron, perceber que ele não estava tocando-a carinhosamente, mas em vez disso, segurando-a firmemente no lugar. Ela estava vestindo um pijama branco, com flores, e seu cabelo escuro, estava puxado para trás. Mesmo sem ver seu rosto, Draco soube imediatamente quem ela era. Ele não se surpreendeu quando ela ergueu sua cabeça ao som da porta se abrindo, e ele viu seus grandes olhos escuros, a linha familiar de seu nariz, a boca curvada em arco.
Era Hermione.
"Você realmente não vai fazer nada?"
"E o que," Dumbledore perguntou, "você sugere que eu faça?"
"Eu não sei," disse Charlie, que andava inquieto da pequena mesa perto até a janela do escritório. Lá fora, a lua estava mais redonda e branca debaixo da neve. "Algo obviamente acontecendo."
"As coisas freqüentemente estão acontecendo, como você colocou," disse Dumbledore, olhando calmamente para ele. "Isso não significa que necessariamente eu deva intervir."
Charlie colocou as mãos nos bolsos, estava muito frio, apesar do fogo que rugia na lareira atrás do poleiro de Fawkes. Parecia que havia passado um ano desde que ele havia subido as escadas da torre da Grifinória, respondendo as defesas e alarmes que tinham sido desencadeados pela maldição Veritas que Harry tinha realizado, embora soubesse que tinha sido a apenas algumas horas. "A última vez que vi meu irmãozinho chorar foi quando ele tinha seis anos," disse ele. "E então, novamente esta noite."
"Eu entendo, e eu sinto muito."
"O que é sentir muito sobre isso? Ron não faria algo assim –" Charlie parou, e se afastou de seu antigo diretor. "Ele ama Harry, eles eram como irmãos."
Dumbledore ficou em silêncio por um momento. No silêncio, Carlinhos podia ouvir Fawkes sussurrando em seu poleiro. Parecia que a Fênix estava fazendo um zumbido baixo, quase uma música. "Eu sei," disse Dumbledore finalmente, seus olhos perturbados. "Mas talvez você esteja muito próximo desta situação, Carlinhos, para ser objetivo. Eu só posso dizer que, no momento, não é problema meu, me intrometer."
"Objetivo sobre o que?" Carlinhos exigiu. "Este quebra-cabeça não acrescenta nada, senhor. Se Ron está dizendo a verdade, então ele e Hermione estavam agindo estranhamente fora do personagem. E aparentemente Hermione negou tudo. Assim, ou ela está mentindo, ou o meu irmão, ou uma deles está completamente louco – o que, penso eu, seria um motivo de preocupação para a escola."
"Eu falei com seu irmão durante um tempo," Dumbledore disse. "Ele não é louco. Ele é muito lúcido."
"O que Remo disse?" Carlinhos perguntou abruptamente. "Ele tem se comunicado com Sirius? Talvez Harry pudesse ir para casa mais cedo. As aulas estão acabando, afinal de contas."
Dumbledore balançou a cabeça. "Harry solicitou que não entrássemos em contato com Sirius. Ele estava com medo de que o casamento seja estragado."
Carlinhos sentiu um puxão de raiva frustrada nele – de si mesmo por não ver que algo estava errado antes, por Harry que está teimosamente recusando qualquer tipo de conforto, por seu irmão por ser tão deliberadamente cego. Suas simpatias eram rasgadas – ele só podia imaginar como seria para Gina, quando ela descobrisse o que tinha acontecido. Ron era o seu irmão e eles o amavam incondicionalmente, mas Harry sempre tinha sido um membro honorário da família também, e ele estava obviamente muito abalado com o que tinha acontecido. O coração de Carlinhos quebrou por ele, não era apenas pelo adolescente que havia perdido seus dois melhores amigos em uma noite, mas o rapaz pouco frágil que nunca teve uma família. Durante anos, Ron e Hermione tinha sido toda a família que Harry já havia conhecido.
Quando ele falou, sua voz era áspera do que pretendia. "Pensei que você poderia ver que há alguma coisa mais acontecendo aqui. Eu achei que você quisesse proteger Harry."
"Essa sempre foi," disse Dumbledore gravemente, "minha principal preocupação. Eu sempre procurei proteger Harry de qualquer dano que possa vir a ele, fisicamente ou magicamente. Mas eu não posso protegê-lo das decepções comuns da vida, nem iria, se pudesse."
"Mas é isso que estou falando," disse Carlinhos em voz baixa. "Não há nada de comum com esse. Esse comportamento não é feitio de meu irmão, e certamente não é de Hermione também. Obviamente, há alguma manipulação de fora acontecendo. Pode parecer um irrelevante emaranhado romântico adolescente, mas..."
"Manipulação de fora? Manipulação de fora por quem?"
Carlinhos abriu a boca, e depois a fechou novamente. Ele sabia perfeitamente bem que não havia nenhuma razão para não dizer o nome, mas estava relutante do mesmo modo. "Bem," disse ele, "o óbvio".
"Voldemort?" perguntou Dumbledore, e Carlinhos se encolheu. "Improvável."
"Improvável por quê?" Carlinhos exigiu. "Rony e Hermione foram sempre as maiores proteções de Harry, e eles foram levados –"
"Se Voldemort quisesse afastá-los, ele iria matá-los," disse Dumbledore sem rodeios, e Carlinhos estremeceu. "Tal artifício como este nunca lhe ocorreria. Ele não é como um homem humano. Não há pensamentos como os nossos pensamentos em sua cabeça, não há sentimentos como os nossos sentimentos em seu coração."
"Mas ele deve ter sentido alguma vez," disse Carlinhos. "Ele nasceu um homem humano, como o resto de nós."
Dumbledore estendeu a mão e afagou a cabeça de Fawkes, e a Fênix cantarolou novamente. "Você quer dizer quando ele era Tom Riddle," disse ele. "Sim, talvez então, ele conhecia o sentimento humano. Se não o amor, então ele sabia o que era o ciúme e a saudade e raiva. Não apenas este apego cego ao poder. Não essa paixão por matar."
Charlie sentiu uma surpresa fraca agitar em seu coração. "Você tem medo dele?"
"Eu seria um tolo se não tomasse cuidado," disse Dumbledore. "E ainda assim, eu não acho que ele esteve por trás dessa situação... atual."
"Então, quem?" Carlinhos perguntou.
Dumbledore balançou a cabeça. "Eu não sei, Carlinhos... Eu não sei."
Tudo aconteceu muito rápido depois disso.
A menina-que-parecia-Hermione-mas-não-era, engasgou uma vez, e Ron girou. Seus olhos se arregalaram em sua face branca, e ele olhou para a Hermione real, que olhou de volta para ele. O momento ficou suspenso entre eles, como um avião com os motores de corte prestes a despencar.
Liberto das garras das mãos de Rony, a garota fugiu. Ron girou de volta e estendeu a mão para ela, mas ela foi rápida demais para ele – ela arrancou sua manga do aperto dele e correu para a porta. Ela desviou de Draco, mas bateu direto em Hermione, derrubando-a. Isto mal retardou o avanço arremessado da menina – ela tropeçou, se endireitou, e voou pelo corredor, desaparecendo ao virar da esquina tão rapidamente que quase derrapou e caiu.
Ron imediatamente atirou-se atrás dela, mas Draco foi rápido demais para ele. Ele agarrou Rony pelo braço, e gritou para Hermione, "Vá! Vá!" Não era precisa ser dito duas vezes, ela saltou a seus pés e fugiu atrás da menina, puxando sua varinha para fora da manga, enquanto corria. Ron tentou se afastar, mas Draco virou-o contra a parede com tanta força que a respiração foi retirada para fora dele. Ele engasgou e seus joelhos dobraram; Draco o pegou com um aperto de ferro em seus braços, e segurou-o rápido. "Quem é ela?" ele assobiou, e balançou Ron com força. "Quem ela realmente é?"
Ron lançou um olhar desafiador para Draco. "Eu não tenho idéia."
"Tolice," disse Draco, e bateu as costas dele contra a parede novamente. Ron olhou para ele às cegas, como se ele não estivesse lá; como se o aperto em seus braços não doesse. "Quem é ela?"
"Eu não sei," Ron disse, rigidamente. "Isso é o que eu estava tentando descobrir."
"Você está mentindo, Weasley."
"Pense o que quiser," disse Ron, olhando para longe de Draco, "eu estou dizendo a verdade."
Draco olhou para ele, a expressão em branco, atordoada no rosto de Rony. "Então você não sabe mesmo com quem você está transando, é? Isso deve ser bom para você. Podia ter sido qualquer um. Qualquer coisa."
"Não," Ron disse, mas seu tom estava sem esperança, como se ele não esperasse misericórdia, e não pensasse que ele merecia caso fosse oferecido.
Draco inclinou seu rosto para perto de Ron, e falou em seu ouvido. Seu tom era de conversação. "Você sabe, há duas regras básicas de amizade, Weasley, e você já quebrou ambas. A primeira é: não pegue a namorada do seu melhor amigo. Dois: não pegue a namorada do seu melhor amigo." Draco sorriu, sem diversão. "Eu reconheço que é apenas uma regra, mas já que você aparentemente não conseguiu entendê-la na primeira rodada, achei que valia a pena reafirmar."
Ron arrastou seus olhos de volta ao rosto de Draco, e olhou para ele com um nojo maçante. "Eu não vejo o que isso tem a ver com você, Malfoy."
"Tem tudo a ver comigo."
"Por quê? Você me odiou antes. Agora você começou a me odiar com Harry em sua companhia. Qual é a diferença? Você não está feliz que acabou que eu sou por ser apenas o que você sempre pensou que eu era?"
"Se você está esperando por mim para te agradecer por atender minhas expectativas em relação a você, você vai esperar um longo tempo," disse Draco brevemente. "Mesmo que eu esperasse mais do que isso de você."
"Você teria feito isso," disse Ron, sua voz plana.
Os músculos de Draco se enrijeceram. "Eu teria feito o quê?"
"A mesma coisa," disse Rony. "Se ela quisesse você."
Houve um momento antes de Draco conseguir falar. Quando o fez, seu tom de voz era cortante e frio como um pingente. "Talvez eu deva apontar," disse ele, "que ela não queria você também. Pare de sonhar, Weasley. Ela nunca quis você."
Rony riu. Parecia menos com um riso do que com um suspiro de dor. "Mas você não está negando isso," disse ele. "Está?"
Draco bateu as costas de Ron com força contra a parede. "Uma palavra inteligente a mais de fora de você," ele rosnou, "e confie em mim, Weasley, a eternidade com Satanás e todos os seus seguidores infernais não serão nada comparado a cinco minutos comigo e com o fim pontudo de minha varinha."
"Deixe-o ir." Era você de Hermione. Draco virou e a viu parada na porta. Ela estava muito pálida, mas parecia composta. Ela tinha cruzado seu robe muito apertado ao redor dela, como se ela estivesse com frio. Draco imediatamente se perguntou por quanto tempo ela estava parada lá. "Ele não sabe de nada."
"Como você sabe disso?" Draco perguntou, e lançou a ela um olhar duro – mas parecia ser a Hermione real, e não a impostora de pijama. Ela tinha as mesmas marcas de lágrimas em seus olhos, o mesmo cabelo emaranhado, as mesmas roupas.
"Porque eu sei," disse ela, cansada. Seus olhos foram até Rony, que olhou rapidamente para longe. "Precisamos ir falar com Harry agora – isso é que é importante."
"E a menina...?"
Hermione balançou a cabeça. "Ela fugiu. Passou rápido demais para eu pegá-la, e então ela virou uma esquina e simplesmente desapareceu... Se eu não soubesse melhor, eu acharia que ela tem uma capa de invisibilidade."
"Então ela se foi. Ótimo," disse Draco, e acrescentou, em voz baixa, "assumindo, é claro, que ela era mesmo ela." Rony se encolheu, mas não olhou para ele. Com um gesto de desgosto, Draco soltou Ron e se afastou. Ele olhou para o outro rapaz de cima a baixo uma vez, como se o estivesse medindo. Então, ele sorriu. "Você salvou minha vida," disse ele. "E por causa disso, eu não vou te machucar. Agora não. Mas se você chegar perto de mim outra vez... se você chegar perto de Harry de novo..."
"Isso é para o Harry dizer!" Rony explodiu de repente, e tão rapidamente diminuiu, como se ele estivesse arrependido do que tinha falado.
"Eu não posso falar por Harry," Draco disse. "Na verdade, eu posso. Posso falar por Harry. Um desses lados divertidos de mentir para alguém e esfaqueá-los nas costas, é que, geralmente, mais tarde, eles não estão muito ansiosos para a sua companhia. Mas se você quiser experimentá-lo, por todos os meios –"
"Draco," disse Hermione da porta. "Por favor, não." Ela segurava o robe ainda mais firmemente em torno de si. "Nós precisamos ir."
Pelo canto dos olhos Draco viu Ron estremecer. Como se ele tivesse enfim sentido verdadeiramente o modo como ela estava olhando para ele, ou não olhando para ele - mas talvez tivesse sido só seu uso daquela uma palavra, nós. Nós, que obviamente não o incluía. Draco sentiu uma selvagem satisfação. Bom, ele pensou. "Mais tarde, Weasley," disse ele, e lhe deu seu sorriso mais arrogante, o encanto de que, ele se sentiu bastante certo, seria desperdiçado em tal solo pedregoso. Rony, inclinando-se contra a parede, manteve os olhos em seus sapatos enquanto Hermione e Draco saiam da sala.
Uma vez no corredor, Draco apressou o passo até ficar ao lado de Hermione, que estava andando rapidamente e propositadamente, com os braços cruzados. E então, ele lhe lançou um outro olhar duro. "É realmente você, não é?"
Ela olhou para ele com olhos sombrios. "Claro que sou eu."
"Prove."
"Eu poderia falar mais sobre o meu sonho," disse ela. "Você estava usando vinil nele."
"Vinil?" Draco repetiu, um pouco chocado.
Ela assentiu com a cabeça. "Calças de vinil."
"Isso soa como um pesadelo."
Eles estavam na escada que levava à Torre da Grifinória agora. Hermione abriu caminho. "Não exatamente," disse ela sobre o seu ombro enquanto eles subiam.
"Bem, não foi você que teve de sofrer o toque pegajoso do vinil contra a sua pele, foi?"
"Eu acho que você poderia estar de maquiagem com glitter também," acrescentou ela, pensativa.
"Diga-me mais sobre esse sonho, Granger, e vou deixar você aqui para se defender sozinha."
Hermione fez uma careta. Eles estavam no retrato da Mulher Gorda agora. Draco se escondeu atrás de Hermione, esperando não ser flagrado, mas a senhora gorda parecia estar dormindo de qualquer jeito. Hermione respirou fundo. "Mundungus," disse ela, e o retrato abriu em sua largura. Draco olhou para ela, mas ela fez um gesto de que ele deveria ir primeiro; com uma respiração profunda, ele entrou pelo buraco do retrato.
"Como você ousa?" Rhiannon engasgou, cambaleando para trás contra a parede, segurando os restos esfarrapados de suas vestes sobre ela com as mãos trêmulas. As tiras de pano úmido esfarrapadas não fizeram nada para obscurecer a agitação, as curvas femininas de seu peito. Tristan festejou seus olhos sobre as esferas úmidas comforme ele avançava, a varinha rigidamente estendida diante dele. Era, pensou sombriamente, não a única coisa que estava rígida no quarto. Ele arrastou a sua mente de volta ao assunto em questão. "Como você ousa aproximar-me assim?" gritou ela.
"Você não quis falar comigo de outra forma," ele rosnou. "Mas eu vou forçá-la a ouvir!"– eu tenho nojo de você!"
"Você me abandonou anos atrás," ela reclamou, seus olhos brilhando como esmeraldas, furioso. "Eu nunca pensei que iria retornar."
"Mas agora eu retornei!" ele gritou.
"E agora eu sou casado com Montague!" ela respondeu, com um suspiro de seus seios cor de mel. "E ele é um homem bom, um bom homem."
"Mas você não ama ele," Tristan resmungou, avançando sobre ela, e pressionando as costas com firmeza contra a parede de pedra com seus braços musculosos. Ela se contorcia dentro de seu aperto, mas não conseguiu escapar. "Não como você me amou."
"Eu não te amo mais," cuspiu ela. "Eu te odeio, te desprezo, ou melhor – eu tenho nojo de você!"
"E ainda assim você não pode conter seu desejo por mim," ele respirou, e mergulhou os lábios contra os dela. Ela lutou, mas isso só trouxe desejo, o corpo maduro feminino em maior e insistente contato erótico com a masculinidade de rock pesado dele. Sua varinha caiu no chão entre eles, despercebida, mas ele não precisava mais dela para mantê-la na baía. Ela tinha começado a corresponder seus beijos insistentes, arfando desesperadamente contra o seu pescoço grosso: "Oh, Tristan! Ah, Tristan! Oh! Oh! Oh!"
"Minha flor," ele sussurrou em seu cabelo. "Meu anjo, minha megera de cabelos de fogo...!"
Gina olhou por cima de Calças Apaixonadas e franziu a testa. O fogo na lareira tinha morrido de novo, e não havia mais nenhuma luz suficiente para continuar a leitura. Ela estava relutante em acender as velas dos castiçais da parede, não querendo atrair mais ninguém lá embaixo. Ela preferiu a sala comunal vazia a esta hora tardia da noite, ela só tinha descido por ter sido incapaz de dormir, e tinha medo de que a leitura no dormitório acordasse Elizabeth ou Ashley.
Com um suspiro, ela se levantou, pegou sua varinha da pequena mesa ao lado do sofá, e atiçou o final do fogo na lareira. "Incendio," ela sussurrou, e o fogo rugiu na lareira com um alto estalo que quase ocultou o som da porta retrato balançando aberta. Quase, mas não completamente.
Gina olhou com surpresa. Quem poderia estar entrando na torre a esta hora tardia da noite? Ela não se levantou de onde estava sentada sabendo que o sofá em frente a ela a esconderia de vista – nem mesmo quando ela viu quem estava entrando pelo buraco do retrato, e então teve que cobrir a boca com a mão para sufocar um grito de surpresa.
Era Draco Malfoy. Ele abaixou-se para entrar na sala comunal, endireitou-se e olhou em volta. Com a chama brilhante elevada do fogo parecia delineado em ouro, seus cabelos empalidecendo à luz das velas. Ele parecia cansado, e menos imaculado que que o habitual - o seu cabelo era muito fino para ficar muito bagunçado, mas estava amarrotado em sua cabeça, e parecia que havia dormido naquelas roupas. Ele hesitou por um momento, olhando em volta, mesmo agora ele parecia estar olhando por baixo de seu nariz elegante, como se mentalmente assinalando de todas as maneiras como a sala comunal da Grifinória era inferior ao seu homólogo da Sonserina. Então ele se virou e estendeu a mão, e Hermione entrou na sala ao lado dele.
Gina piscou os olhos de espanto. Hermione? E Draco? O que eles estavam fazendo? A resposta óbvia se apresentou, mas ela a rejeitou, um pouco firme. Hermione não faria isso com Harry, e além disso, não seria com Draco. Com isso, Gina foi positiva apesar de todas as outras dúvidas. Ele fatiria sua própria mão esquerda, quase alegremente, antes de deixar alguém tocar um dedo sequer em Harry, ele dificilmente seria o próprio a ferir Harry e ele saberia se estivesse fazendo exatamente isso. Lembrou de Draco no jardim das rosas, na noite do Pub Crawl, dizendo-lhe: "Todo mundo tem uma fraqueza. Ele é protegido em outro lugar. Não onde ela está em causa."
Hermione se endireitou ao lado de Draco, e não estava olhando ao redor da sala, mas para ele, como se em busca de orientação. Gina nunca havia visto Hermione parecer assim - como se ela estivesse totalmente perdida. Ela era sempre tão confiante. Ela também parecia amarrotada, e seu rosto estava marcado com os vestígios de lágrimas recentes. "Draco," disse ela muito baixinho, e ele se virou para olhar para ela. "Tem certeza de que eu deveria ir com você?"
A expressão de Draco, já grave, não se alterou. "Sim."
"Mas ele disse que não queria que eu me aproximasse dele."
Quem? Ginny pensou. Quem disse isso?
Draco olhou para o teto, exasperado. Ele parecia estar contando até dez em sua cabeça. "Hermione," disse ele. "Você precisa dizer a ele o que acabamos de ver."
"Você poderia fazer isso," disse Hermione em voz baixa.
"Acho que eu poderia," Draco reconheceu. "Mas eu não vou."
"Draco..."
"Ou você vem de boa vontade, ou eu vou derrubá-la e arrastá-la."
Hermione olhava quase como se ela pudesse sorrir. Gina não podia culpá-la. Havia algo de divertido no olhar de determinação total de Draco. "Você bateria em uma menina?"
"O cavalheirismo está morto," Draco disse brevemente. "Eu sou a prova."
Agora Hermione sorriu. Não era muito bem um sorriso - era vacilante e choroso. Mas era um sorriso. "Tudo bem," disse ela. Ela estendeu a mão, e Draco a tomou, quase ausente. Ela começou a caminhar em direção a escada que levava ao dormitório dos meninos, e Draco a seguiu. Quando eles começaram a subir os degraus, ele se virou e olhou para a sala comunal. Por um momento, Gina pensou que ele a havia visto – um olhar quase de reconhecimento cruzou seu rosto. Então sua expressão escureceu, como se uma sombra tivesse vindo entre ele e a luz do fogo. Ele se voltou para as escadas, e seguiu Hermione para a escuridão.
Harry estava deitado de costas, olhando para as sombras. Ele não tinha certeza de como ele havia chegado de volta em sua cama, colocado seu pijama, e deitado, mas lá estava ele. Os eventos da noite estavam confusos em sua mente desde o ponto onde Hermione saiu correndo da sala comunal, segurando o relógio que ele havia atirado contra ela. Suas lembranças foram de volta para Rony, que parecia branco, doente e à beira de vomitar. Nenhum deles tinha dito nada, e um momento depois, os professores tinham começado a verter através do buraco do retrato. Carlinhos estava lá, Lupin, Minerva... Harry lembrava ter sido levado para o escritório de Lupin, Carlinhos andando com Ron em outra direção, um braço sobre o ombro dele, lançando olhares preocupados de volta para Harry quando ele o fez.
Não tinha havido muita discussão sobre a punição, não pelo o que Harry se lembrava. Ele tinha quase certeza que ele disse a Lupin o que aconteceu, e que houve um monte de silêncio chocado, e alguma discussão de recorrer a Sirius, a que Harry tinha vetado. Ele não queria falar com ninguém agora, e isso incluia Sirius. Ele se perguntou se Lupin tinha o levado de volta à Torre. Ele realmente não lembrava. Grande parte da noite foi como um uivo longo da estática, pontuado por curtos e lúcidos do som. Você está bem, Harry? Precisa de alguma coisa? Eu estou bem, eu só quero ir dormir.
E ali estava ele. Na cama, de pijama. Cortinas fechadas, olhando para a escuridão plana. O sono era um país distante, que ele não podia tocar. Ele ouviu a sua própria respiração, sentiu a batida do seu coração, e quis saber como o seu corpo continuava funcionando mesmo que todos os seus sentimentos parecessem ter parado. Dentro dele havia um leão em uma jaula, e se ele o deixasse livre iria trazer o castelo abaixo em seus ouvidos. Uma parte interna e feroz dele teve prazer na imagem – seus poderes de Magid ficaram quase selvagens, estilhaçando o vidro da janela adentro, as paredes tremendo distante. Mas a maior parte dele era grato em relação ao controle de gelo que parecia ter-se estabelecido por ele como as garras de uma armadilha se fechando. Ele não sabia de onde isso tinha vindo. Draco, ele suspeitou. Mas ele era grato por isso.
Um barulho suave o fez saltar. Ele rolou para o lado e viu com espanto que as cortinas de sua cama estavam sendo puxados para trás. Ele piscou os olhos quando a luz tênue inundou a escuridão, e ele viu a turva forma de um braço, puxando as cortinas, um ombro, o brilho da luz sobre os cabelos louros.
Draco.
"Malfoy?" Harry murmurou, protegendo os olhos contra a luz súbita. "O que –?"
"Eu preciso falar com você," disse Draco, soando terrivelmente determinado.
Harry procurou por seus óculos sobre o criado-mudo, e os colocou. Imediatamente, o mundo ganhou foco, e viu Draco situando-se acima dele, segurando as cortinas da cama com uma mão, sua expressão determinada e sombria. E atrás dele – por trás dele, era Hermione. Ela tinha os braços ao redor dela como se ela estivesse com frio, e seu cabelo tinha caído para a frente, quase escondendo sua expressão.
Harry ouviu sua própria voz como se viesse de longe. "Eu não vou falar com você com ela aqui," disse ele, e sacudiu seu queixo em direção à Hermione.
Draco olhou exasperado. "Potter..."
Mas Hermione parecia meramente ferida. Ela olhou para Harry como se ele tivesse dado um tapa nela, depois olhou rapidamente para longe. Harry sentiu uma sensação amarga de triunfo horrível, que foi embora tão rapidamente quanto chegou, deixando-o sentir-se doente e mal. Algo o cutucou na parte traseira de sua mente, então, e ele sabia que era Draco, tentando pensar para ele como havia tentado fazer durante toda a noite. Harry ignorou. Ele não queria ninguém em sua cabeça agora.
"Você ouviu o que eu disse," ele murmurou.
Draco abriu a boca para responder, mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, Hermione interrompeu. "Tudo bem," disse ela, e sua voz estava um pouco estridente de tensão. "Se esse é o jeito que tem que ser para você ouvir, Harry – Eu vou."
"Hermione –" Draco começou, mas ela tinha ido embora, virando-se rapidamente, e Harry ouviu o suave som dos passos dela enquanto ela caminhava silenciosamente. A porta do dormitório abriu e fechou, e quando ela fechou Harry estremeceu, sentindo como se algo afiado tivesse sido retirado de seu coração.
"Idiota," disse Draco, exasperado. "Para que você teve que fazer isso?"
"Você não entenderia," disse Harry num sussurro feroz. Ele olhou para as formas aglomeradas em outras camas – parecia que Neville, Dino e Simas estavam conseguindo dormir apesar de tudo isso. "Ninguém nunca te traiu."
"Ah, besteira," disse Draco sucintamente. "Meu pai tentou me matar – lembre-se? Se você realmente quiser jogar no Whinging Sweepstakes, aí está."
"Não é a mesma coisa," Harry disse com uma voz amarga, sabendo muito bem que ele estava sendo um completo babaca sobre isso. "Enfim, eu não quero falar sobre isso."
"É muito ruim." A voz de Draco era plana. "Porque há algo que você precisa ouvir."
"Apenas me deixe em paz."
"Não. Eu não vou fazer isso." Draco estendeu a mão e pegou o braço de Harry. "Você vem comigo –"
"Eu disse para me deixar em paz!" Harry puxou seu braço fora do alcance de Draco, e quando ele o fez, o copo de água na mesa de cabeceira ao lado da cama tremia, tremia, e voou para fora da mesa, batendo no muro de pedra. Ele quebrou, espalhando vidro e água em todas as direções. Harry olhou para Draco. "Olha o que você me fez fazer," acrescentou ele, com uma fúria ilógica.
"Harry?" Era a voz irlandesa suave de Simas, falando de outra cama. Harry virou a cabeça e viu que os três outros meninos da sala estavam agora acordados, sentados e olhando. "Está tudo bem?"
"Tudo bem," disse Harry amargamente.
Simas interrompeu, parecendo atordoado. "Será que é o Malfoy ali?"
"Não, Finnigan," disse Draco, com a voz caindo em sarcasmo. "É o Papai Noel e suas doze renas minúsculas. Vocês todos foram tão bons meninos, eu decidi trazer-lhe os seus presentes mais cedo."
"Eu não acredito nisso," disse Dino Thomas, sua voz embargada de sono. "Como, diabos, ele entrou em nosso dormitório?"
"Aparentemente, ele desceu pela chaminé," disse Simas sombriamente. "O que você acha de o colarmos para subir de volta por ela?"
"Experimente e eu vou quebrar todos os ossos do seu corpo," disse Draco com uma voz suave e mortal. Ele ainda não tinha se virado para olhar Simas, mas Harry podia dizer pela súbita mudança na sua postura de que ele era muito atento aos movimentos dos três rapazes atrás dele. "Potter... venha comigo. Precisamos conversar."
Harry olhou para a mão estendida de Draco, e cruzou os braços sobre o peito. "Eu não vou a lugar nenhum."
Draco olhou profundamente exasperado. "Ok, tudo bem." Ele tomou uma respiração profunda. "Você pediu por isso... Ron," disse ele, com a voz muito firme "não está agora, e nunca esteve, dormindo com Hermione."
Um silêncio atordoado. Dino. Neville e Simas olharam com a boca aberta, congelando em uma expressão que em outras circunstâncias, teria sida muito engraçada. Harry ficou onde estava, sentado na cama, congelado. Estranhamente, Neville, falando das profundezas de sua cama, foi o primeiro a quebrar o silêncio.
"Eu não estou dormindo com Hermione também. Isso é notícia?"
"Ah, foda-se o inferno, Longbottom," disse Draco, mas o lado de sua boca se contraiu. Ele abaixou a voz, e falou novamente: "Potter...?"
Harry estremeceu uma vez, violentamente, ao som de seu nome, sem ser capaz de impedir isso. As próximas palavras que ele falou saíram de sua boca sem que ele sequer pensasse sobre elas. "Eu não acredito em você," disse ele.
"O quê?" Draco parecia atordoado – Harry teve uma sensação de que ele havia estado preparado para uma série de reações, mas não esta. "Como você pode –"
"Você disse o que você veio para dizer," Harry disse. "E eu não acredito em você. Agora vá embora."
Draco ficou branco, depois duas manchas vermelhas apareceram nas maçãs de seu rosto. Seus olhos brilharam. "Não até você ouvir."
"Eu não estou interessado."
Draco se moveu tão rapidamente que Harry não teve tempo de se afastar: a mão de Draco disparou e fechou em torno do braço de Harry, empurrando-o para fora da cama sem nenhuma cerimônia, girando em torno dele, e arremessando-o ao chão. Harry bateu no chão alastrado, a respiração arfou para fora dele. "Você," disse Draco, respirando com dificuldade e olhando para Harry como se ele nunca o tivesse visto antes "você é um total – um total – eu não acho que uma palavra sequer já foi inventada para descrever o que você é, mas você é isso. E um total, um total isso. Você não está me ouvindo? Você não ouviu o que eu disse? Não te interessa o que você está fazendo – a ela, a todos?"
Harry não teve a chance de responder. De repente, Simas estava entre eles, tendo mudado tão rapidamente de lugar que era como se tivesse aparatado até lá. Ele encarou Draco, parecendo furioso. "Como você ousa estourar aqui desse jeito, Malfoy," disse ele. "Você está tentando ser engraçado?"
Os olhos de Draco arrastão lentamente sobre Simas, indo de cima a baixo com um olhar de descrença divertida. "Pelo menos eu posso ser engraçado quando eu tento, seu pequeno verme tedioso," disse ele. "Agora, se você não se importa, isso não lhe diz respeito."
"Isso me diz sim," disse Simas. "Este é o nosso dormitório, a nossa casa, e Harry é meu amigo e eu acredito que ele lhe disse para ir embora. Traduzido para a Sonserina que significa: 'Vá tomar no c*, estúpido bastardo." Ele deu um passo ameaçador para a frente. "Entendeu?"
"Finnigan, você perde uma combate de inteligência para um recheado de iguana," disse Draco, parecendo cansado. "Se você quiser me bater, me bata. Mas partir para tentativas de réplica. É doloroso."
A boca de Simas contraiu-se. Então, ele arregaçou as mangas – um gesto quase singular – e começou a caminhar em direção a Draco. Draco manteve os braços em seus lados, seus olhos ainda em Harry. Ele usava uma expressão de desapego divertido. Ele não ia bater em Simas de volta, obviamente. Mesmo sem ser capaz de ler a mente de Draco, Harry poderia dizer o que Draco estava pensando – este era o dormitório de Harry, o lugar dele, a responsabilidade dele de fazer algo. Draco não planejava fazer qualquer coisa.
Harry suspirou. Sentia-se subitamente esgotado, cansaço brotando dentro dele como sangue jorrando de um corte aberto. "Deixe ele em paz, Simas," disse ele calmamente, e se sentou.
Simas, olhando espantado, meio que virou para olhar para ele. "O quê?"
"Eu disse que deixá-lo em paz," disse Harry em um tom morto de cansaço. Ele olhou para Simas e Simas fez uma tomada dupla, como se o que ele visse na expressão de Harry o chocasse. "Ele tem o direito de estar aqui."
"Então você quer falar com ele?" Seamus perguntou, baixinho.
Harry assentiu. "Sim. Eu acho que eu quero."
Draco sorriu: um arrogante e grande sorriso. "Nesse caso..."
Harry começou a ficar de pé. "Nós podemos ir para a sala comunal –"
"Não." Era Neville. "Haverá pessoas lá." Ele olhou para Dino, e então em Simas. "Nós vamos."
Dino olhou irritado. " Nós vamos?"
"Sim," disse Neville, e lançou um aguçado olhar de esguelha para Harry. "Admito que não sei o que está acontecendo, mas é obviamente importante. Então vamos, e nós voltaremos mais tarde."
"Nós vamos?" disse Dino novamente, agora soando melancólico.
"Sim, nós iremos," disse Neville com firmeza, e se apoderou de Dino pela parte traseira de seu pijama, e o levou até a porta. Depois de um momento, Simas, tendo estado observando como se considerasse Draco e Harry, seguiu-os. Os três saíram, e a porta se fechou atrás deles.
"Típico," disse Draco, virando-se para Harry. "Nenhum sonserino iria desistir de uma noite de sono apenas para seu companheiro de dormitório poder resolver seus problemas pessoais."
"Não importa," disse Harry, ainda sentindo-se muito cansado, "só me diga o que diabos você veio aqui para me dizer, e vá embora."
"Eu já lhe disse," disse Draco, cruzando os braços sobre o peito, "e você não acreditou em mim."
"Porque eu –"
"O que," Draco continuou como se Harry não tivesse falado, "considerando que eu sou a única pessoa no mundo que não poderia mentir para você, é uma irônica maldição."
Harry fez uma pausa. Havia um tom de amargura na voz aguda de Draco que Harry raramente tinha ouvido lá. "Como," começou ele, e parou de novo – algo parecia ter travado na garganta dele – "como você sabe que eles não – que não é verdade?"
Draco suspirou, e olhou para Harry. Se Harry estivesse em outro estado de espírito, ele teria percebido o quão cansado e deformado o outro garoto parecia: seus olhos estavam nadando em ocos de azul e havia linhas escuras de tensão em sua boca. "Eu posso te dizer então você vai ter que acreditar em mim –"
"Não. Não. Eu não quero ninguém na minha cabeça."
"Tudo bem, então." Draco sentou-se no baú, ao pé da cama de Harry. "Eu sei porque eu vi por mim mesmo, certo? Vi Ron com a garota que ele pensava que era Hermione. Claro, não era Hermione. Sabe como eu sei? Porque a Hermione real estava em pé ao meu lado na hora." Draco deu um latido curto de riso e olhou para o teto. "Você honestamente achou que ela faria isso com você?" perguntou ele. "Você honestamente achou que ela iria querer fazer isso?"
Harry olhou para ele, mas ele estava ouvindo a voz de Ron em sua cabeça. Eu estou apaixonado por Hermione, e ela está apaixonada por mim. "E você tem tanta certeza..."
"Claro que eu tenho certeza. Eu te disse porque eu tenho certeza. Estou absolutamente, totalmente certo. Rony foi transar com alguém, mas não é e nunca foi Hermione. Alguém está jogando truques sangrentos contra todos vocês, isso eu posso te prometer. Agora você acredita em mim?"
Harry olhou para suas mãos, e não disse nada. Ele se perguntou quando tinha começado a roer as unhas novamente. Mordidas certamente estavam, as cutículas até estavam sangrentas. Ele curvou os dedos em proteção contra as palmas das mãos.
A voz de Draco estava apertada. "Potter? Por que eu iria mentir?"
"Você talvez iria," disse Harry. "Se ela lhe pediu para fazer isso."
O estrondo da chicotada de raiva do outro garoto atingiu Harry como um golpe, mesmo que ele houvesse fechado sua mente da melhor forma que pôde. Ele recuou a medida que a voz interior de Draco cortou seus pensamentos. E eu mentiria se você me pedisse? É isso o que eu faço – mentir a mando de outros? Tenho tão pouca vontade própria?
"Não." Harry ficou de pé, com as mãos em punhos ao seu lado.
Eu estou lhe dizendo o que eu vi! A garota que ele pensava que era Hermione, não era Hermione. Eu não sei quem era –
"Pare com isso!"
Draco quase foi derrubado para fora do baú, exasperado. "Eu estou te dizendo! Eu vi por mim mesmo! Por que você não pode ouvir? Não é isso que você quer ouvir?"
"É exatamente o que eu quero ouvir!" Harry gritou de volta. "É por isso que eu não posso ouvir!" Ele girou para longe de Draco, e encarou a parede. Houve um aperto no peito, como se algo estivesse comprimindo sua respiração. Um grito de raiva foi pressionando de encontro ao interior de sua caixa torácica, sufocando-o, lutando para sair. "Eu não acredito nisso," disse ele. "Eu não posso acreditar nisto. Eu não acredito em mais nada."
"Ela nunca mentiria para você –"
"Ele o fez, então." Harry ficou onde estava, olhando para a parede. "E quanto a Ron?"
Houve um longo silêncio. Quando Draco falou, finalmente, foi em voz baixa. "Eu sinto muito por isso, Harry."
Harry observou, vagamente, o uso de seu nome. Ele supunha que deveria fazê-lo sentir-se mais amável com Draco. Isso não aconteceu. A raiva estava começando a se chocar contra o interior de sua cabeça, em ondas rítmicas como o oceano batendo contra a costa. "Você realmente não pensou sobre isso, não é," Harry disse em um meio sussurro sibilante. "Você nunca sequer tentou gostar dele, ou tratá-lo gentilmente, nem mesmo por minha causa. Aposto que tudo isso faz você feliz." Ele virou-se então, e olhou para Draco, que tinha adquirido uma cor parecida com fiz e olhava horrorizado. "Como é que eu vou acreditar no que você diz, quando você nunca deixe-se acreditar que ela faria isso – nem por um segundo. Porque você poderia suportar vê-la comigo, mas você nunca poderia suportar vê-la com Ron. Talvez você até goste dela estar comigo, porque é o mais próximo que você vai estar com ela. Mas Ron, você sempre o odiou, você sempre achou que ele estava abaixo de você – você sempre achou que - ela ficaria suja, se ela deixasse Ron tocá-la – admita! Admita que você se sentiu dessa maneira! – e quem sabe se você não tivesse, talvez se eu não tivesse te deixado tratá-lo assim, ele não teria se sentido como se eu não fosse mais amigo dele! Como se eu tivesse escolhido você ao invés dele. E eu nunca escolhi você, Malfoy – eu nunca escolhi! Seja lá o que for que exista entre nós, ele foi forçado em mim – eu nunca quis isso!"
Sua voz quebrou no meio da mensagem, e rachou, embora ele não estivesse chorando. Ele sentiu um triunfo desolador. Ele havia sido ferido, e terrivelmente. Ele queria machucar alguém de volta. E a julgar pela forma como Draco recuou longe dele, ele estava conseguindo fazer isso. "Eu nunca tive uma escolha," disse ele, novamente, duramente – e então parou, olhando para o outro menino. Os olhos de Draco eram enormes em seu rosto branco, enormes e assustados. Ele parecia muito com uma criança que havia alcançado a mão de um pai, apenas para ser golpeado para fora sem nenhuma explicação. E Harry ficou em silêncio, percebendo de repente que tinha ferido Draco quase tanto como ele havia sido ferido a si mesmo. Mais até, talvez. O sentimento de satisfação desapareceu instantaneamente. "Malfoy, eu –"
Mas Draco estava de pé, afastando a mão estendida de Harry. "Foda-se você, então, Potter," ele disse, sua voz uma adaga serrilhada de gelo. "Você queria que eu te deixasse em paz? Considere-se deixado. Fique aqui e apodreça, por tudo que me importa. Arruine a vida de todos. Arruine a sua própria –" Ele parou, como se ele não pudesse olhar para Harry mais – girou sobre seus calcanhares, foi até a porta e saiu, batendo-a com força atrás dele.
"Gina, eu tenho que falar com você."
Ela olhou por cima do Calças Apaixonadas, e para sua surpresa viu Simas, descendo escadaria dos meninos. Ele estava vestindo um casaco escuro, jogado sobre um par vermelho e branco de pijama listrado. Seus pés estavam descalços.
Ela colocou seu livro sobre a mesa ao lado dela. "Simas... o que está fazendo acordado?"
"Ei." Ele sentou ao lado dela, e num gesto muito incomum, pôs uma mão em seu pulso. Ela olhou para ele com surpresa. Seus olhos azuis escuros perceberam um olhar, perturbado e ansioso. A luz do fogo atrás dele transformou as pontas de seus cabelos claros em uma franja de ouro amarelo: uma fraca auréola. "Eu entrei no seu quarto, você sabe e... acordei Elizabeth e Ashley. Elas disseram que você estava aqui, lendo."
"E aqui estou," disse ela. "O que está acontecendo, Simas? Você está me assustando."
Ele disse a ela.
Em algum lugar no meio da explicação, o Calças Aáixonadas caiu de seu colo e bateu no chão com um estrondo. Ginny ficou onde estava, presa ao chão, olhando para Simas com um espanto horrível. "Como..." murmurou finalmente. "Como você sabe?"
"Esbarrei com Hermione no corredor quando saí," disse ele. "Ela explicou... ela me pediu para explicar isso para você." Ele mordeu o lábio. "Ginny..."
Ela arrancou-lhe o pulso para fora do seu alcance. "Eu não posso acreditar nisso! Não posso acreditar! É – é – é tão injusto!"
Simas olhou para ela com surpresa. "Injusto?"
"Todo mundo se apaixona por Hermione! Todo mundo!" Gina pulou da cadeira, pegou o atiçador que ela estava usando para agitar o fogo, e arremessou-o na lareira. Ele bateu no metal com um som estridente, e saltou para fora. Simas estremeceu. "Primeiro Harry, Draco, então, agora o meu próprio irmão..." Ela girou sobre Simas, que foi afundado na poltrona, olhando para ela. "Quem é o próximo? Você?"
Simas olhou justificadamente assustado. "Eu não estou apaixonado por Hermione."
Gina colocou as mãos nos quadris. Ela percebeu que estava sendo ridícula, mas não parecia capaz de evitar. "Por que não?"
"Por que não?" Simas parecia ainda mais assustado. "Porque eu não estou!"
"Isso não é uma resposta!" ela retrucou e cruzou os braços sobre o peito.
Simas olhou exasperado. "Eu não sei, Gina... ela é a namorada de Harry, não é?"
"Bem, ela não é bonita?" Gina exigiu.
"É claro que ela é bonita. "
"Ela não é legal?"
"Ela é, nisto," Seamus respondeu, com um lampejo de um sorriso.
"E ela não é inteligente?"
"É claro que ela é inteligente... é um pouco intimidante, na verdade."
"Ah, então é por isso que você gosta de mim? Porque eu não sou tão inteligente?" Gina se enfureceu. "Porque eu não o intimido?"
Simas olhou aterrorizado. "Não, não em todos –"
"Bem, então o quê? Há algo de errado com ela?"
Simas lançou um olhar em direção as escadas. "Acho que vou voltar para o dormitório," disse ele. "Pode haver vidro voando ao redor, mas é um pouco mais tranquilo lá em cima."
Gina bateu o pé. "Então, qual é o problema com ela, então? Não é boa o suficiente para você?"
"Que? Não há nada há de errado com ela, Gina –"
"Por que você não está apaixonado por ela, então? "
Simas, finalmente, perdeu a paciência. "Porque não!" ele gritou. "Eu estou apaixonado por você!"
Gina olhou para ele. Ele olhou para trás, olhando espantado, como se ele não pudesse acreditar no que tinha acabado de dizer. Nem Gina poderia acreditar. Ela sonhava em ter um menino que lhe dissesse isso. Que menina da idade dela não sonhava? Mas nunca tinha sido assim em sua mente – as palavras nunca tinha sido gritadas – os olhos fitando os dela nunca tinham sido azuis. O azul é a cor dos olhos de seus irmãos: a cor da firmeza, confiança e carinho, não de paixão, amor ou romantismo. Ela pensou de repente e irrelevantemente em Tom. Ela não conseguia mais lembrar a cor de seus olhos, embora soubessem que não tinham sido azuis. Eles tinham sido verdes... ou então eles haviam sido cinza, e é por isso que ela amava olhos cinzentos, a cor amarga e fria que diz tão pouco e escondeu-se tanto?
"Ah," disse ela em meio ao silêncio. "Simas, eu..."
A voz dela sumiu. Ele estava sentado, olhando para ela muito firmemente, com as mãos em seu colo. A luz do fogo jogou sombras sobre a sua recém remendada, pele pálida e ferida, o nariz forte em linha reta, o arco levemente sardento das maçãs de seu rosto. Ele era bonito como os heróis de livros de figuras eram – ele parecia como se devesse estar matando um dragão com uma mão, e carregando uma donzela desmaiada na outra. E, no entanto a sua beleza não a tocava – não da forma como o olhar de príncipe-melancólico de Harry a havia tocado uma vez, ou a beleza de anjo caído do céu de Draco, ou Tom...
Ela sacudiu os pensamentos sobre Tom. "Oh," ela disse de novo, suavemente, e então, para sua própria e grande surpresa, ela acrescentou, "eu tenho que ir encontrá-lo."
Os olhos de Simas se arregalaram. "Encontrar quem? Harry?"
"Não – meu irmão."
"Gina –"
"Eu não posso agora, Simas," ela interrompeu. "Eu preciso encontrar Ron."
Simas assentiu com a cabeça sem olhar para ela. "Eu o vi subir as escadas de volta e ir para o seu quarto."
"Como é que ele parecia? Ele estava bem?"
"Bem? – não," disse ele, e então sua expressão alterou-se. "Ele parecia bastante devastado. Mas, fisicamente, sim, ele parecia bem."
Ela suspirou – em relevo, com medo, em desespero, ela não sabia. Ela foi até Simas então, e beijou a bochecha dele, e ele deixou. Mas ele não olhou para ela. "Obrigada," disse ela.
Ele não respondeu, e Gina não ficou para lhe perguntar porque. Ela foi direto para a escadaria dos meninos, todos os seus pensamentos agora focados em seu irmão.
Draco desceu os degraus da frente do castelo e saiu pelo caminho de neve, sem olhar para onde estava indo. Ele tremia, mas não parou de andar – era uma noite gelada, e ele não havia trazido sua capa. Jogando a cabeça para trás, ele olhou para o céu – este se arqueava em preto e prata acima, o luar um grito cor de aço chovendo fragmentos de luz sobre a neve. Pela primeira vez no dia, havia nuvens: pesados blocos, que pareciam prestes a colidir uns com os outros. Ele se perguntou se isso significava que ia nevar novamente em breve.
Ele tinha chegado ao fim do caminho, onde o campo de quadribol ficava, e desviou-se bruscamente para a direita, ao lado da Floresta Proibida. Uma parte dele sabia que ele estava seguindo uma rota que Rhysenn tinha definido para ele, que muitas vezes tinha seguido para encontrá-la. Ele não pensou sobre o porque ele ia da seguinte forma: ele queria ficar sozinho, ele queria estar longe do castelo, e ele queria... o que ele queria?
Ele estava no muro baixo, agora, que corria perpendicular à margem da floresta. Ele saltou sobre ele e caiu do outro lado, silencioso como um gato na neve profunda. Ali era onde ele havia a encontrado todas aquelas semanas atrás, naquela noite ele havia colidido em Harry e eles já tinham ido ficar bêbados em Hogsmeade. Suas botas afundaram até os tornozelos na neve quando ele deu alguns passos em frente na clareira, e fez uma pausa. Ele ficou lá por um momento, ofegante em lufadas de ar gelado, tentando acalmar as batidas de seu coração. Não havia havia forma de ele saber, mas os mesmos pensamentos que tinha passado na mente de Harry mais cedo, no escuro, estavam passando na de Draco agora. Dentro dele, também, havia o mesmo leão em uma corrente, e seu rugido era alto em seus ouvidos. O controle de ferro havia sido ensinado desde que ele era uma criança – horas gastas trancadas em lugares escuros, esperando por seu pai, horas gastas em silêncio forçado, sem falar. Sobre suas emoções, ele tinha colocado sua própria vontade, como barras de aço pesado, mantendo tudo contido. E ainda... ele visualizou por um momento as barras de aço arrebentarem, a raiva e tristeza dentro dele se libertar, como se ele pudesse derrubar as árvores com a força de sua raiva, quebrar o mundo ao meio.
Mas é claro que ele não poderia fazer nenhuma dessas coisas, não na realidade. Em vez disso, como uma criança petulante, ele atirou-se de face para baixo na neve, e enterrou a cabeça nos braços.
O frio o perfurou instantaneamente; a neve congelou seu corpo, suas mãos. Ignorou-o, ouvindo sua própria voz em seus ouvidos. Fique aqui e apodreça, eu não me importo. Arruine a vida de todos. Arruine a sua própria!
Era melhor, ainda, do que ouvir as coisas que Harry lhe tinha dito. Coisas horríveis. Não que ninguém nunca tivesse arremessado insultos nele antes, mas era pior, vindo de Harry. Especialmente depois de que ele suspeitou de que Harry estava certo sobre a maior parte do que ele tinha dito.
"Draco?" disse uma voz em seu ouvido. "O que você está fazendo? Você caiu de uma árvore?"
Ele conhecia aquela voz. Ele supunha que ele não deveria ser surpresa que ela estivesse aqui, mas ele enterrou a cabeça mais ainda nos braços de qualquer maneira, querendo que ela fosse embora.
Ela não foi. "Pobre menino," ela disse, com a voz alegre, divertida. Sua respiração fez cócegas nas costas de seu pescoço, e quando ela voltou a falar seu tom era teatral. "Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da manhã?"
Draco suspirou e virou de costas. Rhysenn estava ajoelhada em cima dele, seu cabelo caído em cascatas, uma tenda de seda preta ao redor dos dois. Ela estava sem capa, seus ombros nus e brancos sob o luar. Draco cuspiu a neve fora de sua boca, e se sentou. "Estou longe de ser um anjo," disse ele.
"Talvez uma caído do céu," disse ela, e sorriu. "Agora levante-se."
Ela ficou parada, em um farfalhar de seda, e ele ficou de pé também, principalmente porque ele não queria que ela parada sobre ele. Ele tinha razão, ela não usava casaco, ou qualquer cobertura contra o frio. Ela estava vestida de preto, com cabelos negros soltos pelas costas. Seus pés, onde o vestido preto terminou, estavam descalços na neve, e onde ela andou, eles não deixaram marcas por trás deles. O corpete de seu vestido era rigidamente espartilhado e acima dele os seios e os ombros eram muito brancos.
"Vai nevar," disse ela. "Por que você me chamou aqui, quando vai nevar?"
Ele olhou para ela, respirando com dificuldade, como se ele tivesse sido executado – ele estava exausto. "Eu não me chamei você aqui," disse ele.
"Eu ouvi você chorando por mim." Ela fez uma pirueta, saia voando para fora, e de repente sua roupa tinha mudado - agora ela estava vestindo uma roupa de empregada francesa, com meia arrastão, um espanador e um boné. "Eu vim assim que pude."
Draco piscou para ela, e deu um passo para trás. "Então você veio aqui para me ajudar?"
Ela baixou os olhos. "Claro que eu vim."
"Ótimo. Eu sei exatamente o que você pode fazer para me ajudar, então." Ela olhou interrogativamente. "Você pega as mensagens do meu pai, para mim," disse ele. "Eu sei que você faz. Agora eu quero que você leve uma mensagem de volta."
"De volta?" ela riu. "Eu não levo as mensagens de volta."
"Você vai levar essa," disse ele, e havia algo em sua voz que a fez olhar para ele bruscamente. "Diga a ele," Draco disse, "diga ao Lorde das Trevas, e meu pai também, que eu sei que eles têm algo a ver com o que aconteceu esta noite. Eles fizeram isso. E eu vou descobrir o porquê, e como, e eles vão lamentar o que fizeram. Eles vão lamentar o que fizeram com os meus amigos." Ele fez uma pausa. "Vou fazê-los pagar por isso."
Rhysenn sorriu friamente. "Mais alguma coisa para o discurso?" perguntou ela. "Você pode adicionar um pouco sobre afogá-los em seu próprio sangue, ou algumas coisas sobre a vingança fria – até você, é claro."
A voz de Draco foi cortante. "Não, eu acho que está bom como está, obrigado."
"É apenas uma longa lista de ameaças não especificadas," disse Rhysenn, parecendo desapontado. "Honestamente, se você pudesse acrescentar algo sobre arrancar suas colunas vertebrais, ou assá-los sobre um fogo eterno, alto e com lava derretida..."
"Não," disse Draco com frieza.
"Ah, tudo bem." Rhysenn parecia aborrecida. "Mas é uma mensagem muito chata, se você quer minha opinião."
"A única coisa que eu quero menos do que eu quero sua opinião, é a sífilis", disse Draco agradavelmente.
"Bem, seu pai não vai gostar."
"Tudo bem. Eu não gosto dele."
"Mas ele é seu pai."
"Sim, ele é," observou Draco. "É como eu sempre digo. De todas as minhas relações, a que eu mais gosto é o sexo, e a que menos gosto é meu pai."
Rhysenn amuou. "Você está muito desagradável hoje," disse ela.
"O que, você não achou que foi engraçado? Eu pensei que fosse um pouco engraçado. Tudo bem, a entrega foi um pouco fora, mas marque isso até a temperatura de congelamento."
"Foi uma criancice," ela estalou. "Por que você está em um humor tão ruim?"
"Eu tive um dia difícil," Draco disse com firmeza. "E você, com sua ridícula –" ele fez um gesto vago e irritado em sua direção – "roupa, quero dizer para que diabos você precisa de um espanador, está dez graus abaixo de zero aqui fora e não há nada para tirar a poeira!"
Ela parecia irritada. "Eu suponho que você gostaria mais se eu usava um saco de batatas?"
"Conhecendo você, seria um saco de batatas que fosse possível olhar através."
Ela revirou os olhos. "Bem, então. Há sempre a roupa que eu usaria para encantar seu amigo grifinório. Prefere tranças e meias joelho elevado?"
Draco deu um latido curto do riso. "Como você sabe o que Harry prefere?"
Seus lábios enrolaram. "Basta olhar para a namorada dele," disse ela suavemente. "sapatos de selim, blusas de lã, saias curtas de lã. Uma pequena menina. Então eu espero que seja o que ele quer."
O coração de Draco bateu duro e repugnante contra a gaiola de suas costelas. Nunca lhe ocorreu que ela teria visto Hermione, ou notado. Mas, claro, ela notou. "E quanto a mim?" ele perguntou, tentando mudar de assunto. "O que eu quero?"
Ela sorriu. "Só o que você não pode ter."
"Isso explica porque eu não quero que você, então."
"Oh, muito engraçado." Ela riu e sacudiu os cabelos para trás. "Você sofre," disse ela, "eu sinto isso. Talvez você seja um tolo em rejeitar o conforto que eu poderia lhe oferecer."
Ele olhou para ela, então, tão calculadamente quanto pôde, e ela olhou de volta através de seus olhos de forma estranha, e cinzentos, como eram os seus próprios. Era estranho como ela poderia parecer bastante comum em alguns ângulos, mesmo feia, e de outros, tão bonita que, apesar de sua aversão a ela pôde sentir sua própria consciência de sua greve de beleza através dele como uma nota musical soava através das profundezas do sono. "Você não me oferece nada," disse ele. "Você nunca tentou comigo, não como tentou com Harry. Porque não?"
Ela se afastou dele. "Você está insultado?"
"Não." Era verdade. "Só por curiosidade."
Ela encolheu os ombros. "Por que você acha?"
"Acho que meu pai lhe disse para ficar longe de mim," disse ele. "Aparentemente, Harry é outro assunto."
"O que eu escolhi fazer com Harry, ou ele comigo, dificilmente é da sua conta," disse ela suavemente.
"Eu não acho que ele está escolhendo nada," Draco disse sem rodeios. "Se ele estivesse, ele não iria para perto de você. E o que você quer dele?"
"Talvez eu só goste dele," disse ela com outro sorriso.
"O virgem de dezessete anos, com pernas de frango magro? Duvido."
Rhysenn deu uma gargalhada, e sentou-se, ainda graciosamente, na neve. Como ela se sentou, a saia curta caiu longe das coxas, permitindo que Draco visse, distraidamente, que ela estava usando uma quente calcinha rosa. Por outro lado, ele acreditava que isto poderia ter sido pior, ela poderia ter vindo vestindo sem calcinha. "Harry é virgem?" disse ela. "Ah, isso é impagável."
Draco de repente se perguntou se isso supostamente seria uma espécie de segredo. Então ele perguntou se era mesmo verdade. Ele sempre assumiu, mas... "Eu realmente não sei," disse ele, um pouco tenso, sentindo de alguma forma que ele havia perdido terreno aqui. "Eu estava adivinhando."
"Essa namoradinha de seu uso não deve ser muito mais," disse Rhysenn, e houve um desprezo na voz dela que era como se tirassem um parafuso de gelo de sua espinha.
"Deixe-a fora dessa", disse ele, num tom cortante. "Na verdade, deixe ambos fora disso. Fique longe de Harry a partir de agora."
"Mas eu gosto dele."
"Não, você não gosta. Você só quer uma coisa dele. Bem, muito ruim. Ele já sofreu bastante."
"Oh, eu não sei," disse ela, inclinando a cabeça para trás como se ela fosse tomar banho à luz da lua. "Eu acho que você o subestima. Todo o poder que é inexplorado, é atrativo. E empiricamente, é claro – aqueles olhos, aquele cabelo. Ele é muito atraente por seus próprios méritos."
"Isso é ótimo," disse Draco. "Eu queria dizer o que eu disse. Fique longe dele."
"Não me diga que você não pode vê-lo," disse Rhysenn, traçando linhas na neve com um dedo do pé nu. "Eu gostei muito de assistir vocês dois brigando agora... toda aquela deliciosa tensão. Diga-me que você não gostou de ser rude com ele um pouco."
Draco olhou para ela como se tivesse brotado um sexto dedo nela. "Você é uma mulher muito estranha."
Ela encolheu os ombros voluptuosamente. "Você gosta dele," disse ela, "então por que não?"
"Eu –" Draco gaguejou, depois parou. "Você realmente não entende as pessoas, não é?" ele disse, parecendo cansado. "Você nunca teve uma emoção humana, ou foi apenas há tanto tempo que você esqueceu?"
Uma cintilação estranha entrou e saiu atrás de seus olhos, e por um momento ela olhou quase com raiva. Então, sua expressão suavizou-se em um meio sorriso zombeteiro. "Eu diria que Lúcio teria lhe dito que dificilmente é educado mencionar a idade de uma senhora dessa forma," disse ela.
"Ele disse que eu não deveria mencionar a idade de uma senhora, com certeza," disse Draco, finalmente farto. "Eu não me lembrar dele dizendo nada sobre cadelas demônio do inferno."
Ela saltou a seus pés, seus olhos piscando. "Como você ousa," ela disse, e encolheu - de repente, ela parecia uma torre em cima dele, seus olhos piscando, seu cabelo batido por um vento invisível. Ela veio em sua direção e foi necessário todo o seu auto-controle para não se afastar. "Criança estúpida," disse ela, e seu rosto tinha assumido o olhar estreito de uma predatória veela. "Estúpido, impaciente e pequeno garoto."
"Eu não sou uma criança," disse ele com veemência.
"Oh, você é," disse ela. "Tão dolorosamente jovem, e é por isso que é tão triste," e ela tomou o rosto dele entre as mãos longas e estreitas, não parecendo triste de qualquer modo. Ele não se afastou – não poderia afastar-se. "Você está com frio?" ela sussurrou, e sua respiração agitava o cabelo nas têmporas. "Não agora, mas sempre? Você acorda congelando de pesadelos que você não se lembra? A sua respiração sai a curto, seu coração dói quando você respira? A sua visão começa a diluir-se?" Sua mão deslizou para a ponta do queixo dele, e ela soltou seu rosto, até que ele encontrou seu olhar cinzento com o seu próprio. "Meu doente e lindo menino anjo," disse ela, e sua voz era como prata líquida. "Bonito demais para ficar louco ou cego, e morrer por isso... mas isto está longe de parar, agora."Ouvir
"Morrer de quê?" Draco disse, e ele ouviu a nota de pânico cego em sua própria voz. "O que está longe de parar?"
Ela tirou as mãos do rosto dele e se afastou. "Se você não consegue imaginar, você irá saber em breve," disse ela, sorrindo como um anjo diabólico.
O que há de errado comigo? queria perguntar-lhe: Estou doente? E quão doente estou? – mas ele sabia que se ele fizesse, ela iria responder provocadoramente, com mais perguntas, por isso ao invés disso ele virou-se e deu alguns passos para longe dela. Parecia-lhe que o horizonte tinha clareado, uma fita azul pálido estanho apareceu entre a terra preta e as nuvens mais negras em cima. "Por favor, deixe-o em paz," disse ele, finalmente, sem olhar para ela. "Deixem-nos em paz."
Ele esperou, mas ela não respondeu. Quando ele finalmente virou, ela – como ele havia imaginado – tinha ido embora; sob seus pés não havia nenhuma marca na neve pelo local onde ela havia andado.
"Mundungus," disse ele, e abriu a porta retrato. Draco fez uma pausa para admirar a ironia do fato de que agora ele sabia a senha da Grifinória. Anos atrás, ele teria pago galeões para saber isso. Agora, parecia trivial.
Ele entrou na sala comunal e o retrato se fechou atrás dele. O quarto não estava vazio: alguém estava de pé ao longo de uma das poltronas estofadas, aparentemente colocando algo no bolso. Ele soube imediatamente que era Gina, antes mesmo de ela virar, sabia desde o cabelo vermelho flamejante que estava agora enrolado em um coque na parte de trás da cabeça dela. Mechas onduladas escaparam e caíram ao redor de seu rosto como laberadas de fogo. Ela parecia aflita. "Draco, o que você está fazendo aqui?"
"Encantado em vê-la também," respondeu ele. "Pijama legal."
Ela olhou para seu pijama de flanela de gatinho, e puxou seu robe ao redor dela. "Onde está o Harry?" disse ela.
"Não tenho a menor idéia," disse Draco. "Não me importo também."
"O que você está fazendo aqui, então?"
"Vim para ver Hermione," disse Draco, simplesmente. "A menos que você tenha um problema com isso."
Ginny lhe lançou um olhar extremamente superior, como se ele fosse uma criança problemática. "Eu não," disse ela. "Mas talvez Hermione tenha."
Draco olhou para ela de forma restritiva. "Visto que...?"
"Visto que Harry foi falar com ela cerca de meia hora atrás, e ela bateu a porta na cara dele," disse Gina. "Então ele pegou a capa e saiu, e eu não o vi desde então."
"Bom para ela," disse Draco em breve. "A melhor coisa para ele."
Ginny pareceu muito surpresa. "O que diabos você quer dizer com isso?"
Draco franziu as sobrancelhas e caminhou até a lareira. Havia um atiçador de fogo ao lado da lareira; ele se inclinou e pegou, e cutucou tristemente a brasa incandescente com a ponta. "Harry precisa crescer," disse ele. "Ele agiu como um completo idiota, e ele sabe muito bem disso. A única coisa que poderia fazê-lo um pouco cegamente bem neste momento seria se ela o chutasse na escada da frente e ele quicasse em cada degrau."
"Isso soa possivelmente fatal," disse Gina.
"Ah, bem," disse Draco, e empurrou violentamente um carvão. "Você ganha alguns, você perde outros."
Houve um curto silêncio. Draco levantou os olhos para Gina, esperando que ela estivesse com raiva, ou chocada ou sentindo nojo dele. Ao contrário, ela parecia apenas triste. "Acho que ele ficou com raiva de você," disse ela.
"Você poderia dizer que," Draco disse, ouvindo o ácido em sua própria voz. "Ele me acusou de mentir para ele, desprezar o melhor amigo dele, e basicamente causar tudo isso, o que aparentemente fiz por ser um egoísta, arrogante, bastardo e desprezível, sem qualidades que me redimam. Perguntei a ele se havia algo que eu poderia fazer para ajudar, e ele disse que talvez se sinta um pouco melhor se engolisse três quilos de chumbo e me jogasse no lago. Então eu fui embora."
"Ah," disse Gina, pensativa. "O lago está congelado, você sabe."
"Obrigado, eu sempre posso contar em você para cortar o cerne da questão."
Gina empurrou uma mecha do cabelo ruivo que estava em seus olhos, e suspirou. "Eu pensei que você não pudesse mentir para ele," disse ela. "Não... mentalmente."
"Sim, bom," disse Draco, com uma voz plana, "ele me bloqueou. Eu não podia alcançá-lo completamente."
"Ninguém poderia," disse ela com delicadeza, e colocou uma mão em seu ombro. O contato era estranhamente reconfortante, talvez porque ele estivesse tão frio e a mão fosse tão quente. "Você tem que ir encontrá-lo."
"Eu não preciso fazer nada," disse Draco. "Exceto, talvez, voltar para o meu quarto, ficar incrivelmente bêbado com vinho da Arquelândia, e dormir até o meio da próxima semana. Talvez quando eu acordar, o menino que sobreviveu terá resolvido sua vida amorosa diabolicamente complexa sem a minha ajuda."
"Sem a sua ajuda," Gina disse com uma voz calma, "ele estaria morto."
Um sonho apenas meio lembrado tomou conta da cabeça de Draco, e ele riu, mas não era uma risada feliz. "Ele não vai morrer disso. É apenas um coração quebrado."
"Eu não quis dizer isso. Quis dizer todas as outras vezes que salvou a vida dele."
"Bem, eu estou feliz que você as lembre," disse Draco, e sua voz estava mais fria do que a formação de gelo nos vidros. "Porque eu não acho que ele lembre."
"Não seja ridículo."Dicionário - Ver dicionário detalhado
"O que você sabe sobre isso?" Draco disse, e imediatamente se arrependeu de ter dito isso. Ela olhou assustada, depois magoada e, em seguida irritada. Ele não a culpava.
"O que você vai fazer, então?" ela exigiu rispidamente. "Voltar para a cama e ver se você consegue dormir? Eu aposto que você não consegue. Não sabendo que ele está em algum lugar, precisando de você, e você não vai ajudá-lo."
"Ele não precisa de mim," disse Draco. "Eu acho que ele deixou isso muito claro."
Ginny fungou. "Você está com medo," disse ela em um tom superior.
"O que você quer dizer, com medo?"
"Assustado."
"Obrigado. Isso deixa muito claro. Assustado com quê?"
"De sentir alguma coisa," ela retrucou. "Preocupar-se com as pessoas o torna vulnerável, e você odeia isso. Você precisa de Harry, e seja lá o que você pense, ele precisa de você. E ele está sozinho agora, e ele está mais miserável do que jamais esteve em toda a sua vida, e então e daí que ele gritou com você? E daí? Como ele não o tivesse perdoado por algo pior. Quando você foi ferido, quando a flecha te atingiu, eu nunca vi ninguém tão chateado quanto ele. E então ele dormia no chão da enfermaria a noite toda, lembra? Ou não? Então seja lá de onde este mau humor massivo e pretensioso de diva tenha sido inspirado, deixe-o ir. Não importa. Castigue sua criança interior, firme seus lábios, feche os olhos e pense em seu país – não me importo com o que você tem que fazer. Apenas faça isso, e vá lá encontrar Harry, porque eu estou preocupada com ele e você deveria estar também."
Draco olhou para ela de forma restritiva. Ela estava um pouco sem ar agora, e corada, as bochechas rosa brilhante. "Você acabou?" ele perguntou.
Ela ergueu o queixo. "Não parece que eu acabei?"
"É difícil dizer com você. Às vezes você tira um segundo para tomar fôlego".
"Não desta vez," disse ela severamente. "Então você está indo?"
Draco se inclinou para o atiçador contra a lareira, e parou por um momento. "Deixe-me perguntar uma coisa."
"O quê?"
"Por que você não vai, se você está tão preocupada com ele estar sozinho?"
Gina suspirou. "Porque eu tenho que ficar aqui," disse ela. "Eu na verdade só vim aqui para pegar o meu livro, e depois eu ia voltar e sentar-se com Ron. Eu tenho que cuidar do meu irmão," acrescentou ela, olhando para o livro em suas mãos, e depois se voltou para ele. "E você deveria ir cuidar do seu."
Draco olhou para ela – ela ainda estava com bochechas rosadas e olhos brilhantes, e em seu pijama de gatinho parecia uma menina, apesar de ela ter manifestado que não era. "Eu nem sei onde procurar," disse ele em voz baixa. "Eu não posso... encontrá-lo."
Gina balançou a cabeça, sem olhar para ele – ela parecia estar olhando ao redor da sala para ver se ela não havia esquecido nada. "Claro que você pode encontrá-lo," disse ela. "Nem todo mundo tem a telepatia para confiar, você sabe. Às vezes, tudo que você é conhecer bem a outra pessoa, e você o conhece melhor que ninguém. Aonde ele iria?"
Ele sentiu algo afrouxar em seu peito com as palavras dela – ela estava certa. Por uma questão de fato, ele tinha uma idéia razoavelmente boa de onde exatamente Harry teria ido. "Eu não sei o que dizer a ele."
"Você vai pensar em alguma coisa," disse Gina, extinguindo a última vela acesa com um toque de seus dedos. Agora só havia o fogo iluminando a sala. Isso transformou as bordas de seu cabelo em chamas. "Eu tenho fé em você."
Ele quase riu. "Bem, isso a distingue das massas, não é," disse ele.
"Talvez," disse ela. "Não conte a ninguém."
"Qualquer outro segredo obscuro que eu deveria saber?"
Ela olhou pensativa. "Bem, eu posso tomar um sundae sem usar as mãos."
"Sério?" Draco perguntou.
O lado de sua boca encurvou-se. "Sério. Agora, vá em frente – eu tenho que voltar lá pra cima."
Ele balançou a cabeça. "Tudo bem... E obrigado."
"É pra isso que os amigos servem," disse ela levemente.
"Eu não iria saber," disse Draco. "Eu acho que é por isso que talvez eu..." Ele parou, incapaz de formular uma declaração corretamente.
Gina sorriu para ele, um pouco triste. "Você quer saber o que eu acho? Eu acho que você não sabe uma coisa boa quando você a tem," disse ela, "é isso o que eu penso," e ela desapareceu novamente nas escadas.
Quando Draco encontrou a sala novamente, depois de uma certa quantidade de tentativas e erros, já era manhã completa. A noite já tinha passado como uma roda girando, e em seu cansaço, as paredes do corredor, e até mesmo o chão sob seus pés, pareciam brilhar na luz cinza pálida.
Ele sabia onde estava indo. Uma sala escura, não muito longe da escadaria principal, uma sala cheia de móveis velhos e empoeirados, e livros não utilizados. E na parede, um espelho emoldurado em ouro manchado, um espelho que ele nunca havia se olhado. Ele não mostrava seu rosto, mas o desejo de seu coração.
Ele tinha estado lá uma vez, e havia saído – não era um lugar que lhe trazia memórias felizes. Mas, para Harry, seria diferente. Ele sabia disso. Em pé ao lado do lago, encharcado de chuva, naquela tarde, ele pôde sentir o que Harry estava sentindo, era como se estivessem derramando água por meio de um limite que não poderia ser fechado. A felicidade de Harry tinha mergulhado sobre a sua própria dor de tal forma que ele já não tinha certeza mais do que exatamente ele estava sentindo, suas emoções, oscilavam em luz e escuridão como um feitiço oscilante: feliz/ triste feliz/triste feliz/triste. Ele colocou as mãos sobre os ouvidos e deslizou por baixo do tronco da árvore, esperando para ser terminado. Ele não estava acostumado a sentir com tanta intensidade: nem tanta felicidade, nem tanta miséria. Era como sangrar até a morte.
E eu estava aqui.
Lembrou-se da porta agora, o corredor de fora. Ela havia estado aberta naquele dia, agora apenas uma fresta estava aberta. Ele colocou a mão sobre ela, a abriu, e entrou na sala.
A luz pálida do amanhecer afogou as paredes da sala em prata. Os móveis, envoltos em panos brancos, pareciam icebergs elevando-se para fora da escuridão acinzentada conforme Draco foi avançando pelo quarto. Através da janela da parede leste, ele podia ver o exterior: céu branco, neve, branca, as delgadas árvores de inverno em formas de lápis. E no parapeito da janela estava Harry.
Ele estava com as pernas dobradas para cima, as mãos cruzadas sobre os joelhos levemente. Ele estava olhando pela janela, e a luz tênue perseguira os planos de seu rosto com prata. Conforme Draco se aproximou, Harry se virou e olhou para ele. Ele parecia não estar surpreso em vê-lo ali, ou se ele estava, Draco não sabia dizer. O rosto de Harry era uma máscara.
Os dois rapazes entreolharam-se através do espaço escuro que os separava, como se eles estivessem se enfrentando em um campo de quadribol. Se o espelho contra a parede fosse um espelho de verdade, teria lançado de volta um reflexo curioso: dois rapazes ambos da mesma altura, a mesma magreza, um tão claro e outro tão sombrio, um em preto e outro em branco. Um estranho quadro de opostos perfeitos parecia estar ordenado. Nenhuma alma viva poderia ter deixado de notá-lo, mas não havia outras almas na sala, e Harry e Draco não podia se ver.
"Eu achei que você viria," disse Harry.
Draco hesitou. Uma voz falou amarga na parte de trás da cabeça, querendo arrebentar a cara de Harry, por que você achou que eu viria? Porque eu não tenho nada melhor para fazer, porque eu te sigo, pateticamente, acreditando em nossa amizade, quando você me chama de mentiroso na minha cara?
Mas outra voz abafou essa. Estranhamente, foram as palavras de Sirius, palavras que ele tinha falado meses atrás... Eu te perdoaria, se meu perdão fosse necessário... As coisas que fazemos por amor, essas perduram.
"Bem," disse Draco. "Estou aqui."
"Eu estou vendo," Harry disse. "Como você me encontrou?"
Draco olhou ao redor da sala envolta em sombra, e de volta para Harry. "Eu achei que você viria aqui."
"Por quê?"
"É o que eu faria."
Harry olhou para suas mãos. Quando falou, sua voz estava rápida. "Sinto muito."
Sentindo-se subitamente exausto, Draco encostou-se em uma das peças com pano branco do mobiliário. Ele suspeitava pela sua forma de que era um divã. "Sente muito pelo quê?"
"Pelo que eu disse." A voz de Harry estava quieta e mortal. "Tudo isso."
"Mesmo a parte que você disse, 'Ei, Malfoy, que está fazendo aqui?" Draco perguntou, mas Harry continuou inexpressivo, sem dar nem mesmo um leve sorriso. A fraqueza da luz suavizava as linhas de tensão de seu rosto, fazendo-o parecer mais jovem, uma criança séria.
"Eu odeio todo mundo agora," disse Harry. Sua voz ainda era a mesma. "Eu olhei para você, lá em cima no dormitório, e eu odiei você também."
"Eu sei," disse Draco. "Está tudo bem."
"Não está tudo bem." Harry respirou irregular. "Eu não tenho motivos para odiar você. Você só estava tentando ajudar."
"Não," Draco disse, e se endireitou. Ele começou a atravessar a sala em direção a Harry, que ainda estava olhando para as mãos com a mesma aparência que tinha usado no cemitério: era como a cegueira, como se estivesse vendo através deste mundo para outro lugar terrível e além.
"Eu queria te machucar," disse Harry. "Eu tive que manter minha mente bloqueada para que não te machucar."
Ocorreu a Draco a observação de que Harry conseguiu feri-lo muito bem de qualquer maneira, mas pareceu uma coisa infantil e mesquinha para se dizer. A maior parte de sua raiva se foi, agora que ele havia visto Harry, ele se sentia apenas terrivelmente exausto e triste. "Você se desculpou," disse ele, "isso significa que você acredite em mim agora?"
Harry assentiu, levemente. Acredito em você agora, ele disse, e Draco quase pulou com contato inesperado. Uma parte de mim acreditou, nessa altura, mas eu não queria admitir isso.
Por que não? Não torna as coisas mais fáceis? Ela ainda... ama você.
Só que ela me odeia. Harry soltou as mãos em torno de seus joelhos e se virou para olhar para Draco, balançando as pernas para o lado do peitoril da janela. E não sem razão. Eu fui horrível com ela. Eu não iria me perdoar também.
Ela vai te perdoar, Draco respondeu. Ela vai entender.
Como ela pode entender quando eu não entendo? Eu não entendo o que aconteceu, e eu não entendo por que eu nunca percebi nada, e eu não entendo por que Ron... Harry ergueu os olhos para Draco, na meia-luz, eles estavam negros. Você entende?
Se eu entendo o que aconteceu? Não, mas tenho meus palpites, Draco respondeu. Se eu entendo o porque do Weasley fazer o que fez? Sim. Eu acho que eu entendo. Eu também acho que eu não sou a melhor pessoa para explicar isso para você.
A boca de Harry tencionou. Por que não?
Porque eu o odeio pelo o que ele fez, Draco disse categoricamente. E uma grande parte de mim quer que você odeie também, mas minhas razões para isso são egoístas, e eu sei disso.
Houve um breve silêncio e, em seguida, Harry, parece ter decidido que pressionar Draco sobre este ponto seria uma má idéia, então assentiu com a cabeça novamente, e saiu de perto do peitoril da janela. Draco aceitou o convite tácito e fui sentar-se ao lado de Harry. Sentaram-se por um tempo sem falar, nem em um silêncio companheiro nem em um constrangedor - Draco sentiu que era de algum modo um silêncio atento, como se estivesse à espera de Harry para alcançar algum tipo de conclusão. Sentou-se onde o céu do lado de fora da janela se iluminava e iluminava, as nuvens se separando para revelar bandas de um céu cinza-prateado.
A luz começou a se derramar pelo cômodo, transformando o espelho na parede do fundo em pontinhos reluzentes como lantejoulas, e enfeitando os cabelos cor breu de Harry com a luz de jóias. A luz mostrou, assim, as linhas ao lado de sua boca, os semi-círculos de madre-pérola sob seus olhos. Ele estendeu a mão, e por um momento Draco apenas olhou para ele, sem saber o que Harry queria. Era a sua mão direita, e ao longo da palma aberta havia a cicatriz fina que brilhou em ziguezague como um fio de prata. Ele virou a própria mão e viu a cicatriz em contraparte ali, e se encolheu em choque quando Harry pegou a mão que ele tinha estendido, e a segurou firmemente.
Draco olhou para Harry com surpresa. Ele sempre viu Harry e Rony, com admiração e alguma inveja de sua camaradagem física – os tapinhas nas costas, os abraços quando vencem uma partida de Quadribol, como Ron iria segurar Harry se ele estivesse rindo tanto que não conseguisse se suportar, ou casualmente empurrá-lo enquanto eles estivessem caminhando, e pegá-lo quando ele caísse. Ele e Harry não tinham nada disso: eles se tocavam apenas em circunstâncias extremas, e então era uma leve roçada no ombro, um toque no pulso. Mesmo quando ele tinha pensado que Harry estava morrendo, ele não havia o tocado.
A pressão em sua mão aumentou, e ele se encolheu, porque agora estava machucando. Harry estava mais esmagando sua mão do que a segurando, seu aperto tão forte que Draco podia sentir os ossos dos dedos dele se chocando. Ele estremeceu, mas não se mexeu. O aperto de Harry cresceu mais e mais até Draco pensar que poderia não deixar de gritar de dor, e então Harry deixou ir.
Draco puxou sua mão para trás, e olhou para ele com ansiedade. Ele meio que esperava encontrar uma mancha disforme de carne triturada, mas sua mão parecia a mesma. Ele mexeu os dedos. Elas estavam trabalhando normalmente. "Ai," comentou informalmente. "Você decidiu culpar a minha mão, então?"
Harry piscou os olhos por um instante, como se estivesse acordando de uma espécie de sonho. "Sinto muito. Aquilo doeu?"
"A Professor Sinistra quer entrar nas calças de Charlie?"
Harry piscou os olhos novamente. "Eu não sei, quer?"
"Você não presta atenção em nada na escola, não é, Potter?"
"Eu não sigo cada entediante fofoca, se é isso que você quer dizer."
"Não há nada de entediante sobre a fofoca."
"Oh, blá, blá, Eloise namorou Dino, Parvati se casou com o filho de um Comensal da Morte, Blaise está saindo com Malcolm pelas suas costas..."
Draco quase caiu da janela. "Blaise está saindo com Malcolm pelas minhas costas?"
Harry parecia preocupado. "Eu achei que você soubesse. Todo mundo sabe."
Draco ficou sem fala.
"Oh, querido," disse Harry, parecendo, se possível, ainda mais miserável.
Draco se recuperou, e bufou. "Não se preocupe com isso. Eu não me importo."
"Eu sei que você não," disse Harry. "Eu gostaria..."
"Você gostaria do quê?"
"Que eu pudesse ser um pouco mais parecido com você," disse Harry. "Quero dizer, não na maioria dos aspectos. Mas seria bom não se importar."
"Não se importar é supervalorizado," Draco disse. A idéia de Harry, de que não se importava era estranha e um tanto incômoda para ele. "De qualquer forma, nesse tópico, você já decidiu o que fazer com Hermione?"
"Acho melhor eu falar com ela," disse Harry. "Só não sei o que dizer."
"Longe de mim dizer a alguém para pedir desculpas," disse Draco. "porque, eu mesmo, prefiro ser mastigado por doninhas raivosas. Então novamente, eu nunca fui um babaca como você foi noite passada."
"Isso é mentira," Harry começou, indignado, depois fez uma pausa. "Certo, você está apenas me enrolando. Ok, então eu fui um babaca."
"Sim, você foi. Você foi um babaca de proporções épicas. Você foi tão babaca, que eles deviam nomear uma cidade por causa de você. Dorksville (NT: no português algo como Babacalândia) vem instantaneamente à mente. Ou, talvez, Little Wankerton (NT: a mesma coisa, ele cita os dois exemplos por serem sufixos/prefixos comuns em cidades americanas). Eu suspeito que ainda não exista."
"Argh," disse Harry. "Me deixe em paz. Esmagado, ego frágil, lembra?"
"Eu decidi que uma abordagem de amor resistente pode fazer maravilhas aqui," Draco respondeu. "Porque, francamente toda essa coisa de depressão intensiva e 'morte, morte, oh morte, boas-vindas' está começando a me dar nos nervos."
"Então qual é o seu conselho?"
"Bem," Draco disse, pensativo. "Se eu fosse você, o que, felizmente, eu não sou, eu recomendaria que você reconhecesse o fato de que Hermione é cerca de seis vezes mais esperta que você, ou do que eu nesse assunto e, portanto, você deve ser honesto com ela. Porque se você não for, ela vai ver através de você de qualquer forma."
"Ser honesto? Esse é o seu conselho?"
"Bem, tente isto. Se isso não funcionar, bajular é um bom plano B. Então, novamente, porque você está me perguntando? Eu não sou o com namorada daqui."
"Você tem uma namorada," disse Harry.
"Não mais," disse Draco, e pulou do peitoril da janela. "Olha, tente novamente falar com Hermione hoje, e se ela ainda bater a porta em você, eu vou falar com ela."
"Obrigado," disse Harry, um pouco duro. Draco poderia dizer que ele detestava a idéia de que Draco pudesse falar com Hermione e ele não. Por outro lado, ele engolindo isso, o que Draco apreciou.
"Eu tenho que dormir um pouco," disse Draco. Era verdade. O cansaço parecia estar chuviscando através de sua medula óssea, como água fria. Harry estava começando a parecer muito embaçado na verdade e ele podia ouvir o seu próprio pulso batendo em seus ouvidos. "Você vai ficar bem?"
"Eu ficarei bem," disse Harry. Ele olhou a expressão de Draco, e quase sorriu. "Eu vou ficar bem. Você parece exausto, Malfoy. Vá para a cama."
Draco estava a meio caminho da porta quando Harry falou novamente, e Draco se virou imediatamente, se perguntando se Harry estava o chamando de volta. Ele não estava: ele estava de pé agora, obviamente, se preparando para sair também, mas ele fez uma pausa, uma mão no peitoril da janela. "Malfoy?"
"Sim?"
"Quem você acha que é?"
Draco soube imediatamente o que ele quis dizer. "Eu não sei," disse ele honestamente. "Ela parecia Hermione. Era um bom disfarce."
"Mas você tem palpites? Eu sei que você tem."
Draco acenou com a cabeça, levemente. O sol tinha levantado do lado de fora da janela, mas ainda não havia cor no rosto de Harry. Ele parecia pálido e fantasmagórico, e Draco subitamente se lembrou da maneira como ele tinha estado no segundo ano, quando ele caiu de sua vassoura durante uma partida, e o osso de seu braço tinha quebrado com um estalo enjoativo. Draco não tinha se sentido muito por aquilo, mas certo sentimento primordial de empatia o fez estremecer do mesmo jeito. Ele se lembrou de Harry doente, sua expressão de dor, face pálida, e depois – ele parecia igual agora. "Quem me odeia tanto?" Harry disse, e sua voz estava um pouco melancólica. "Para planejar algo assim?"
"Se serve de consolo, Potter," disse Draco, tão suavemente como ele poderia, "pelos meus cálculos, não tem nada a ver com odiá-lo."
O céu do lado de fora da janela do escritório de Dumbledore era cinza pálido, com listras escuras de nuvens cinzentas. Hermione manteve os olhos fixos nele apaticamente, enquanto ela esperava o diretor chegar. Ela estava esgotada, não tendo dormido a noite toda, e ela se sentia um pouco tonta. Ela estava absolutamente temendo o café da manhã, mas para seu alívio, McGonagall tinha sido a primeira pessoa a bater em sua porta pela manhã, e pediu que ela viesse direto para o escritório de Dumbledore. Bem, isso não era exatamente verdade. Harry bateu em sua porta tarde da noite, e ela abriu a porta, olhou para ele, e fechou a porta em sua cara.
Eu sei que ele veio pedir desculpas, ela pensou. Ela tinha visto isso na cara dele. Mas ela não queria ouvi-lo então. Ela não queria ouvi-lo agora. Ela se perguntava se ela iria.
A porta se abriu atrás dela, e ela ouviu alguém entrar na sala. Alguém limpou a garganta, e uma voz falou: era Dumbledore, como ela sabia que seria. "Eu temo que preciso falar com você, senhorita Granger."
Hermione virou-se e olhou com indiferença para diretor. "Eu sei, senhor."
Mudou-se para ficar atrás de sua mesa, olhando muito gravemente. "Por favor, venha e sente-se, senhorita Granger."
Hermione assentiu. Ela não tinha idéia de quanto os professores sabiam sobre os acontecimentos da noite anterior. Um grande negócio, ela imaginava – ela tinha visto isso na cara de McGonagall, e via agora em Dumbledore. Em outra ocasião, isso teria a secado com a humilhação, mas agora ela estava além do ponto de importar-se. Ela foi até a cadeira que Dumbledore havia indicado, na frente de sua mesa, e sentou-se, apertando as mãos no colo. "Sobre o que você quer falar comigo, professor?" perguntou ela.
Dumbledore tomou o lugar atrás de sua mesa, e considerou-a gravemente por cima de seus óculos de aros dourados. "Uma questão muito séria, eu estou com medo," disse ele gentilmente. "Normalmente eu não iria chamá-la para discutir os negócios privados de outro aluno, até mesmo um amigo íntimo de sua..."
"Eu sei," ela interrompeu, sua voz soando um pouco desesperada em seus ouvidos. Ela manteve os olhos fixos em sua mesa: "Você quer falar comigo sobre Harry."
Houve um curto silêncio. Hermione manteve os olhos fixos na mesa de Dumbledore: Finalmente, ele falou, ainda de forma suave: "Não, senhorita Granger eu queria falar com você sobre o Sr. Weasley."
Ela levantou os olhos lentamente, e a bondade compassiva que ela viu em sua expressão quase a desfez. "Sobre o Ron?" ela sussurrou.
Ele balançou a cabeça. "Sr. Weasley nos deixou," disse ele.
Por um breve e bizarro momento, Hermione achou que ele quis dizer que Ron estava morto. O cômodo pareceu inclinar-se loucamente ao redor dela, e ela agarrou-se firmemente aos braços da cadeira. "Ele o quê?"
"Ele renunciou ao cargo de monitor," disse Dumbledore. Ele olhou para baixo, e ela seguiu seu olhar. Só então ela percebeu que o quadrado brilhante que ela tinha notado anteriormente era um emblema... o emblema de monitor de Ron, para ser precisa. Estava de cabeça para baixo, e ela podia ver as letras inscritas, onde seu nome foi impresso, de trás para frente. "Ele deixou Hogwarts."
"Deixou a escola? Mas como ele poderia..."
"As aulas já acabaram nesse trimestre," Dumbledore disse. "Eu poderia obrigá-lo a ficar, se eu quisesse. Mas eu não vi nenhum pormenor nisso. Espero que ele queira voltar, uma vez que as férias acabaram..."
"Não," Hermione sussurrou, olhando para o emblema de prata na mesa. "Ele não pode ter saído, ele não pode –"
"Eu esperava que pudéssemos discutir o fato de que, uma vez que não há mais um monitor em Hogwarts –"
"Não," Hermione disse novamente, e levantou-se tão rapidamente que sua cadeira caiu no chão. "Diretor, eu – há alguma chance de ele ainda estar aqui, você sabe, de ele não ter ido ainda?"
Dumbledore a considerou com um alarme cauteloso, levantando de sua cadeira. "Ele foi limpar seu quarto e recolher seus pertences," começou ele, e poderia ter acrescentado algo mais, mas Hermione não esperou para ouvir. Ela girou nos calcanhares e saiu correndo da sala, deixando Dumbledore olhando em direção a ela.
A porta do quarto de Rony estava fechada, mas não trancada. Hermione a escancarou e entrou. Seu coração afundou.
A sala estava vazia. Os pôsteres Chudley Cannons tinham sido tirados das paredes, a mala tinha desaparecido do pé da cama e os livros escolares das prateleiras perto da porta. A coberta, o edredom de retalhos que a Sra. Weasley tinha feito para Ron no quinto ano também tinha sumido e a cama parecia tão vazia e impessoal como uma cama hospitalar. O único sinal de que Ron Weasley já havia vivido aqui era um pequeno objeto escondido na moldura do espelho que estava pendurado na parede perto da janela. Movendo-se lentamente, Hermione atravessou a sala e gentilmente retirou o objeto do quadro.
Era uma fotografia. Não uma foto bruxa, mas uma que havia sido tirada com sua própria câmera trouxa muito comum, em uma época tardia. Ela mostrava ela mesma em suas vestes de escola, de pé entre Ron e Harry, uma mão em cada um de seus ombros. Eles todos pareciam bem, felizes e sorridentes. Olhando para a foto, ela sentiu um punho apertando seu coração. Lentamente, ela pôs a fotografia sobre o peitoril da janela, e se afastou.
A porta atrás dela se abriu. Ela virou-se. Ela viu uma pequena mão branca na maçaneta da porta, em seguida, uma cabeça vermelha brilhante. Era Ginny, e ela estava conversando com alguém atrás dela. "Se você quer olhar mais uma vez para ter certeza de que não se esqueceu de nada," ela dizia, "então nós podemos..."
Ron, Hermione pensou atordoada. Ela ficou congelada no lugar, e o resto das palavras de Ginny se perderam, enquanto Rony entrou no quarto depois de sua irmã. Ao contrário de Ginny, ele a viu de imediato – os olhos dele foram direto nos dela do outro lado da sala, e por um longo momento, eles se encararam em silêncio.
"...ou você poderia esperar lá em baixo com o cocheiro, e eu poderia ver –"
"Gina," disse Ron, muito calmamente.
Gina parou e virou-se para seguir o seu olhar. Quando ela viu Hermione, ela empalideceu, mas manteve sua posição. "Oi," ela sussurrou.
Hermione balançou a cabeça. Sentia-se incapaz de forçar um som por sua garganta apertada.
"Eu estava... Ron e eu estávamos descendo," disse Gina. Ela olhou em volta rapidamente, e depois de volta para seu irmão. "Não parece que você deixou nada para trás, devemos provavelmente apenas –"
O nó na garganta de Hermione se soltou. "Você deixou isso," disse ela, e pegou a foto da janela. Ela estendeu-a para Rony, que olhou, e embranqueceu. "Você não a quer mais?"
Foi Gina que se moveu para pegar a foto, mas Hermione retraiu sua mão. Ginny olhou para seu irmão, seus olhos brilhando, com preocupação. "Vamos – É melhor se nós simplesmente sairmos."
Hermione mordeu o lábio. "Por favor," disse ela suplicante para Rony. "Só fale comigo por seis minutos, e você pode ir, não vou perguntar novamente. Eu prometo." Sua voz tremeu. "Você me deve seis minutos, pelo menos."
Gina olhou vagamente perplexa. "Seis minutos?"
Mas Ron entendia, como Hermione esperava que ele fizesse. "Seis anos," disse ele com voz distante. "Um minuto para cada ano que temos sido amigos."
Gina parecia ainda mais miserável. "Rony..."
Mas Rony estava olhando além de sua irmã. "Tudo bem," disse ele. "Tudo bem. Vou falar com você."
O rosto de Ginny caiu e ela olhou para o irmão, mas sua boca estava definida com uma linha de teimosia. Com um encolher de ombros resignado, ela foi até a porta. "Eu te encontro nos degraus," ela disse a Rony, e saiu.
A porta se fechou atrás dela, e Ron e Hermione estavam a sós na sala vazia, silenciosa. Rony cruzou os braços sobre o peito, abraçando os cotovelos como se estivesse com frio. Ele estava olhando para um ponto perto do ouvido esquerdo de Hermione, como se ele não pudesse olhar diretamente para ela.
"Você não pode ir," disse ela para ele. Não era de modo algum o que ela queria dizer, mas foi o que ela disse. "Você não pode."
Ele ainda não olhou para ela. "Eu estou indo," disse ele. "Está feito. E não me diga que eu não tinha que ter me demitido –"
"Estou feliz que você se demitiu," interrompeu ela friamente. "Não é isso que eu quero dizer. Você não pode sair sem falar com Harry."
Agora ele olhou para ela, seus olhos azuis arregalados de espanto. "Falar com Harry?"
"Você lhe deve um pedido de desculpas, pelo menos, –"
"Um pedido de desculpas?" a voz de Ron foi uma bofetada. "Você acha que isto é como a pequena discordância que tivemos no quarto ano? Você acha que isso é algo que pode ser resolvido com um pedido de desculpas? Hermione, ele me odeia agora, depois que eu fiz."
"Mas você realmente não o fez –"
"Sim, eu fiz." Ele estava abraçando-se novamente, os nós dos dedos brancos. "De todas as maneiras que importam, eu fiz."
"Por quê?" A pergunta que ela tinha prometido a si mesma que não iria perguntar irrompeu dela. "Por que você fez isso?"
Ele ficou em silêncio. Após alguns minutos se passaram, ele deixou cair as mãos de seus cotovelos e se endireitou. E seus olhos se encontraram. "Eu pensei que você me amava," disse ele. "Eu pensei..."
Sua voz foi sumindo até silenciar. Ela olhou para ele, como se fosse a primeira vez que estivesse vendo como ele estava e quão branco ele estava. Seu cabelo vermelho estava caído em um emaranhado úmido sobre sua testa, os olhos estavam sombreados com um violeta escuro como as horríveis sombras de Pansy. Suas roupas estavam amassadas, como se tivesse dormido nelas. Ele parecia alguém que estava doente há dias. Ela queria odiá-lo e alcançou sua raiva, a raiva que ela sabia que estava lá, mas esta tornou-se dormência em seus pensamentos. Em vez disso, ela viu uma série de imagens impressas como sombras nas paredes de sua mente.
Ron aos onze anos, no trem da escola, em vestes surradas. Sentado na sala de aula, mascando uma pena, um olhar de intensa concentração em seu rosto. Desgnomizando o jardim da Toca com determinada alegria. Enfrentando Snape, enfrentando Sirius Black, cambaleando em sua perna quebrada, estremecendo de dor. Completamente molhado, quando Harry o arrastou para fora do lago. A primeira vez que ele a beijou. O jeito que ele estava quando ele tinha trazido Harry para fora do Abismo, e Rony empurrou Harry na direção dela e depois se afastou enquanto os dois se abraçaram. Seu rosto na cela de prisão no Castelo de Slytherin, e ela se perguntou novamente o que ele estivera prestes a dizer-lhe. Seus olhos foram para a mão esquerda dele onde o punho da espada tinha queimado o marcando em forma de cruz. Quero odiá-lo, ela pensou, mas não posso, não mais do que Gina pode. Ele é parte de mim, de meus próprios sangue e ossos. Minha infância.
"Claro que eu te amo," disse ela. "E você me ama. E você ama Harry, e ele... ele te ama."
Ron estremeceu. "Não," disse ele.
Hermione o ignorou. "E você jogou tudo fora. E para quê?"
"Eu não sei." Sua voz era feroz. "Eu te disse que não sei. Eu não posso explicar. É como se eu tivesse ficado louco por um tempo. É como se eu estivesse olhando para baixo de algum lugar alto, e me vendo fazer essas coisas, e isso parecia certo e justificado. E eu te amava..." Ele desviou o olhar novamente. "Eu nunca amei mais ninguém."
"Você não ama a mim. Quem quer que fosse... é quem você amou."
"Ela nunca existiu," disse Ron. Sua voz era amarga. "É isso é o que eu penso. Nunca existiu a garota que eu amei... apenas algo mau que tomou a forma que eu queria."
"Como um demônio?" Hermione perguntou, sua mente, de repente revirando as páginas de seu livro de DCAT. "Como um súcubo?"
Ron parecia ligeiramente exasperado. "Eu te disse que não tenho nenhuma idéia."
"Você gastou todo esse tempo com ela e você nunca –"
"Eu pensei que ela fosse você!" ele explodiu. "Talvez eu seja um tolo, e eu só vi o que eu queria ver, mas ela mostrou uma noção muito boa de você, Hermione. Ela tinha seus trejeitos – o jeito como você enrola o cabelo em torno do seu dedo quando você está pensando. A maneira como você rói as unhas. Ela tinha suas roupas –"
"Eu sei. Eu vi. Meu pijama." Hermione balançou a cabeça. "Seis anos de amizade," disse ela com a voz gelada "e tudo que levou para convencê-lo foi um pouco de roer de unhas e um par de pijamas roubados."
Rony fez um som um pouco ofegante, como se ela tivesse o espancado no peito. "Talvez eu acreditasse porque eu queria acreditar."
"Você queria acreditar que eu faria isso com Harry?"
"Nem tudo," disse ele com uma voz mortalmente fria, "é sobre Harry."
"Besteira", ela atirou de volta. "Isso é tudo sobre Harry".
Ron colocou uma mão para cima, como se para afastar a raiva dela. "Isto – isto é por quê eu tenho que sair."
"Por quê? Porque eu quero que você enfrente o que você fez? Por que eu quero saber por quê?"
"Sim, porque você quer saber o por quê. E não há por quê." Sua voz era plana de exaustão. "Eu não tenho nenhuma resposta."
"Você deve saber por que você fez isso..."
"Eu não sei. Parece um sonho febril." Ele encurvou seus ombros, enfiou as mãos nos bolsos, tremendo. "Eu fecho meus olhos, vejo o rosto dela. O seu rosto. Eu fiquei mal durante toda a noite, pensando no que eu fiz. Estive mal durante toda a manhã. Eu fiquei vomitando até não haver mais nada para vomitar, e depois vomitando de novo." Seus olhos estavam sem vida. "Eu a tocava, eu passava noites com ela, horas e horas conversando. Não era apenas sexo, você sabe. Conversamos, comemos juntos, fizemos a nossa lição de casa de Poções. E eu nem sei quem ela era. Ela poderia ter sido qualquer um – qualquer coisa." Ele balançou a cabeça e recostou-se contra a parede. "Então não me pergunte por que fiz isso – porque é que eu venho me perguntando, e eu ainda não sei."
"Não tente me dizer o quanto você está sofrendo." Ela ouviu sua própria voz em seus ouvidos, e ficou chocada com o seu tom cruel. "Eu duvido que seja o suficiente."
A boca dele endureceu. "Deixe-me perguntar uma coisa, Hermione. Se eu sou tão horrível, se eu sou tão terrível... então por que você quer que eu fique?"
"Porque – porque eu não posso fazer isso sozinha." Pronto, ela tinha dito. "Eu não posso."
"O que você não pode fazer sozinha?"
"Pôr Harry de volta. Eu..." Ron olhou para ela fixamente, e ela mordeu o lábio. "Eu o vi hoje... ainda agora, e ele..."
Um músculo perto da boca de Rony teve um espasmo. "Como... como é que ele está parecendo?"
Hermione olhou para longe. "Partido," disse ela.
Os olhos azuis de Ron escureceram, mas quando ele falou sua voz estava firme. "Ele está quebrado há algum tempo já, Hermione," ele disse. "Você nunca viu porque não quis. A outra Hermione... que estava fingindo ser você... ela viu isso." Olhou, então, pra a foto em sua mão. De repente, ele empurrou-a para o bolso do peito. "Ela viu isso melhor do que nós".
Ela olhou para ele, em seguida, virou-se rapidamente e foi até a janela. Ela colocou a palma de sua mão contra o vidro frio, e olhou para fora. O céu estava pesado como chumbo cinzento, as nuvens pesadas com sua carga de neve incipiente. A única cor na vastidão branca do chão antes que a floresta era um aglomerado de pontos pretos em movimento, onde alguns alunos estavam tendo uma briga de bola de neve. Hermione fechou os olhos, lembrando-se da mão fria de Ron na dela, a outra mão dela segurando a de Harry. Prometam-me... que nós seremos sempre amigos.
"Ele não pode estar partido," disse ela, sem abrir os olhos. "Eu não o deixarei estar."
"E o que você vai fazer se ele não deixar você consertá-lo?"
"Isso não importa," disse ela, com a mesma voz distante. "Eu faria qualquer coisa por Harry... Qualquer coisa, mesmo que isso o fizesse me odiar."
"Você o deixaria?"
Isso fez com que os olhos dela se abrissem. Ela olhou para Rony, que a olhava tristemente de volta, os olhos de um azul constante. "Quer dizer, se ele quisesse que eu o deixasse? Se ele – me desprezasse agora?"
"Não," disse Ron. "Não exatamente." Ele deu alguns passos em direção a ela e, em seguida, aparentemente inseguro de que ela não batesse nele e lhe desse um tapa, foi para ao lado dela. A luz cinza da janela lançou uma palidez doentia sobre a pele dele, já pálida. Hermione desejou ter uma Poção Apimentada para lhe dar. Depois, ela tentou não desejar isso. Ela ainda estava, afinal, com raiva. "Hermione..." Ele respirou profundamente. "Eu sei que você não vai acreditar nisso, porque você está muito irritada, e você – você tem todo o direito de estar com raiva. Mas quando eu disse que não sei por que fiz isso, eu realmente quis dizer isso. Era como se eu enlouquecesse durante aquelas poucas horas todas as noites. Pedaços de minhas memórias estão voltando para mim agora, e elas parecem alucinações – não como sonhos, tão real e viva para isso, mas como pesadelos acordando. E ainda memórias de momentos felizes. Pelo menos, eu achava que era feliz."
"Ron... o que você está tentando dizer?"
"Que talvez eu não saiba por que fiz isso porque... porque eu não estava no controle do que eu estava fazendo. Eu sei que soa como uma desculpa, mas eu não estou dando desculpas. Eu me culpo, de verdade, mas ao mesmo tempo – ao mesmo tempo, talvez você tenha razão, e tudo isso é realmente sobre Harry. Afinal, que maneira de alcançá-lo é melhor do que através de você e de mim?"
"Não." Suas unhas enfiadas em suas mãos. "Não diga isso."
"É verdade. Você sabe que é verdade. Eles usaram-nos para alcançá-lo."
"Quem são 'eles'?"
Ron girou para longe dela e olhou para a parede. "Eu não sei. Mas eu sei que estou certo."
"É por isso que você está indo?" ela perguntou, em um pequeno fio de voz. "Para mantê-lo seguro?"
"Talvez. Um pouquinho." Ele cobriu o rosto com as mãos. "Eu não sei. Eu gostaria de pensar que sim. Mas... Eu passei todos esses meses sentindo falta dele, me perguntando onde ele tinha ido, onde nós tínhamos ido. Nós, a nossa amizade. Culpei Malfoy por tudo o que tinha se perdido. Mas agora eu me pergunto." Ele tirou as mãos do rosto. A vermelhidão das pálpebras (ele tinha estado chorando então) tornava seus olhos mais azuis, seu rosto, por conseguinte ainda mais jovem. "Eu não acho que é o Malfoy. Eu acho que é algo dentro de Harry. Há algo que ele está temendo, mas ele está obcecado com isso, também. Eu só não sei o que é." Ele olhou sério para ela. "E você?"
Depois de um longo momento, ela balançou a cabeça. "Não. E eu ainda não vejo como você pode justificar deixá-lo."
"Deixá-lo?" Rony deu um latido curto de quase-riso. Era o som mais infeliz que ela nunca tinha ouvido. "Como posso deixá-lo? Ele já partiu."
"Você acha que... você realmente acha que... que eu estou o colocando em perigo?" Hermione perguntou. "Eu tento... eu tento protegê-lo, do jeito que eu posso."
Ron disse, sem rodeios: "Você não pode fazer bem nenhum se ele não a deixar."
Hermione olhou para ele. "Por que," ela sussurrou "as coisas têm que ficar tão ruins até nós falarmos sobre isso? Você nunca disse nenhuma dessas coisas..."
"Sim, eu disse," disse Ron. "Apenas... não, aparentemente, para você."
Ela olhou para ele, uma questão aparecendo em sua mente. "Como é que eu nunca soube?" ela sussurrou. "Como é que você nunca disse nada a mim, qualquer coisa que o teria entregado..."
Ron olhou para ela com os olhos assombrados. "Você... havia um feitiço..." ele começou, mas a porta se abriu, então, interrompendo-o, e Gina entrou. Ela tinha seu casaco castanho escuro puxado ao seu redor, e suas bochechas estavam vermelhas por causa do frio.
"O carro está aqui para levá-lo até a delegacia," disse ela suavemente. "Nós temos que ir."
"Você vai embora também, Ginny?" Hermione perguntou, sem tirar os olhos de Rony.
"Não," disse Gina. "Eu vou ficar."
"Ok," disse Hermione lentamente. "Ok," e em seguida, olhando para Rony, ela disse: "Você está realmente indo?"
"Eu tenho que ir," ele respondeu, sem olhar para ela. "Eu tenho," e ele parecia tão infeliz que ela deu um passo em direção a ele – era seu instinto colocar os braços ao redor dele, mas ele se afastou violentamente, quase esbarrando em sua irmã. "Eu não posso," disse ele. "Eu olho para você – eu vejo ela."
"Ron," disse Hermione miseravelmente, mas Ginny já tinha pegado o braço do irmão sacudindo a cabeça. Ela lançou um olhar de desesperado para Hermione, que empalideceu e recuou. Ela manteve os olhos fixos no chão, e esperou até ouvir o som da sendo porta fechada antes de levantar os olhos.
Eles tinham ido embora.
Ele tinha jurado que não faria isso, a menos que fosse uma emergência, mas ele tinha começado a pensar que tudo isso era exatamente isso. Sentado à sua mesa, Lupin alcançou a caixa de bronze que estava no lado esquerdo de sua mesa com um suspiro, e puxou-a para ele. Ele abriu-a e tirou um pergaminho, que ele desenrolou contra a mesa.
Ele lembrou-se de Sirius pedindo-lhe para fazer um novo mapa, no início do semestre, entregando-lhe o último de Lápis da Realidade da Zonko's. Ele hesitou – isso era dificilmente algo que um professor de Hogwarts desejava ter descoberto escondido em seu escritório. Mas Sirius era muito convincente quando queria ser. "Basta fazer um mapa rudimentar," ele disse. "Um que mostre os garotos, pelo menos."
E assim se fez: Lupin, com os olhos examinando o pergaminho, viu os dois pontos azuis que eram Draco e Harry – Harry parecia estar sentado na Torre da Grifinória, e Draco estava fazendo o seu caminho a partir da masmorra da Sonserina. Lupin sentou e observou a evolução do segundo ponto azul, sua mente girando com pensamentos confusos, até que ele se aproximou o suficiente para o corredor onde ficava seu gabinete. Então ele se levantou e foi até a porta, deslizando o mapa no bolso.
O corredor estava vazio, e por um momento Lupin quase reverificou no mapa. Então Draco veio virando a esquina logo à frente. Ele estava andando com as mãos nos bolsos da calça preta, a cabeça prata inclinada, mas ele pareceu sentir a presença de Lupin, e olhou para cima ao virar a esquina. "Ei," ele disse, desacelerando ligeiramente "Professor Lupin. Oi."
"Olá, Draco," disse Lupin. "Tem um momento para falar comigo?"
Draco olhou para o relógio de prata preso em seu pulso fino. Lupin usou o momento para desejar que os Malfoys não fosse tão fortemente predispostos a este metal em particular. "Eu deveria estar me reunindo a Harry e Gina..."
"Isto," disse Lupin firmemente, "é importante."
Draco abaixou o braço e deu de ombros. Foi um elegante um encolher de ombros. Tudo o que ele fazia era elegante. Sirius, na idade dele, tinha a graça de uma pantera, do mesmo modo. "Tudo bem."
Lupin voltou a seu gabinete, e Draco o seguiu, fechando a porta atrás de si sem nem ser pedido. Ele encostou-se na porta e olhou para Lupin, com os olhos arregalados, vestidos de inocência. À luz fraca do inverno, seus olhos estavam azulados, como as sombras embaixo deles. "O que foi, professor?"
"O casamento," disse Lupin, sentindo que seria prudente começar com algo seguro. "É em menos de uma semana, e já que tudo tem estado... caótico, eu queria ter certeza de que você tem tudo que precisa –"
"Harry e eu tivemos as nossas roupas feitas há meses atrás," disse Draco friamente. "E enviadas à Mansão. Nós estamos bem."
"E Harry, ele está –"
"Apenas diga o que você quer dizer, professor," disse Draco, esfregando as costas de uma mão sobre os olhos cansados. A cicatriz em sua mão brilhou uma vez: brilhantemente e vividamente prata. "Eu sei que você sabe. Harry me disse. Você está preocupado com ele."
"Estou preocupado com você."
Draco pareceu momentaneamente surpreso. "Comigo? Por que se preocupar comigo?"
"Porque você não está, obviamente, bem," Lupin disse sem rodeios. "Você perdeu uma partida de Quadribol, as notas de suas aulas estão baixas, você parece distraído e chateado, você não tem escrito para sua mãe em um mês..."
"Eu também me esqueci de mandar um bolo de caramelo para minha avó em seu aniversário," Draco fornecido prestativo.
"E você parece..."
Os olhos de Draco se estreitaram. "Eu pareço como?"
"Mal," disse Lupin, e Draco imediatamente pareceu tão ofendido que estava quase divertido. "Doente, eu devo dizer," ele emendou-se gentilmente. "Você está pálido, você perdeu peso de novo..."
"É inverno e eu não venho sentindo fome," disse Draco. Lupin apenas olhou para ele: para os espessos cabelos loiros que precisavam ser cortados (e não parecia com Draco negligenciar seus cabelos), Draco sempre foi esguio, mas agora ele parecia magro. Mais do que isso, havia uma translucidez nele, um tipo fraco de luz prateada que parecia estar brilhando através de seus olhos e pele. Era alarmante. "O quanto Sirius sabe?" perguntou ele abruptamente.
"Eu não disse nada que Harry me pediu para não contar a ele," disse Lupin fortemente, "embora eu gostaria que pudesse. Eu acredito que ele poderia ser de grande ajuda para Harry."
"Mmm," disse Draco, evasivamente.
"Gostaria também de acrescentar que fiquei bastante preocupado com a sua disputa com o senhor Finnigan no museu," Lupin acrescentou. "Me faz querer saber exatamente qual foi a sua motivação. É como se você tivesse recorrido à luta com os punhos. Eu só posso imaginar que você estava tentando criar algum tipo de distração. Mas para quê?"
Draco olhou para o relógio. "Eu deveria ir. Eu..."
"Eu sei. Você vai se encontrar com Harry."
Draco deu um sorriso torto. "Hermione concordou em falar com ele. Eu vou prestar apoio moral."
"Será que isso não irá confundir outros grifinórios?" Perguntou Lupin, um pouco divertido.
Draco levantou um ombro e o deixou cair. "Harry não parece mais se preocupar tanto," disse ele, pensativo. "E como eu sou persona non grata para os sonserinos..."
"Você é? Por quê?"
"A fachada está bem rachada neste momento," disse Draco. "Harry e eu somos amigos. As pessoas sabem disso, circulando de boca em boca. Os alunos da Sonserina não vão tolerar isso. Eu não os culpo, realmente. E quando eu terminar tudo com a Blaise, será o último prego no caixão."
"Você vai terminar tudo com a Blaise?" Lupin perguntou surpreso.
Draco assentiu com a cabeça. "Assim que a encontrar."
"É porque ela estava te enganando com o Malcolm?"
Draco pareceu ofendido. "Será que todo mundo sabia disse menos eu?"
Lupin deu de ombros lamentavelmente. "Sinto muito," ele disse. "E sinto muito pelos sonserinos também."
"É," Draco disse. "Agora, simplesmente não parece toda aquela insistência."
Lupin assentiu e se levantou. Draco olhou para ele apreensivamente enquanto ele se aproximava, e quando ele colocou a mão no ombro do rapaz, Draco parecia todo tão ligeiramente em pânico, como se ele não tivesse certeza do que fazer. "Eu sei que há coisas que você não está me dizendo," ele disse suavemente. "E eu sei que não deve ser fácil... mas você pode me dizer qualquer coisa, eu espero que você saiba disso, e isto permanecerá na minha mais estrita confiança."
Draco levantou o rosto, o brilho da janela atingida através de seu cabelo louro, disparando para fios individuais de luz branca. Ele tinha as cores de seu pai, e toda a beleza de sua mãe, mas de alguma forma, Lupin pensou, ele não se parecia com nenhum dos dois: inteiramente, de algum modo, apenas sua própria pessoa. "Há uma coisa," disse ele.
"O que é?"
"Algo que Dumbledore me disse," disse Draco. "Mas é sobre os pais de Harry, então você pode não querer ouvi-lo."
"Sobre James e Lily?" Lupin perguntou, recuando a mão.
"Uh-huh." O rosto de Draco estava impassível, mas seus olhos cinzentos pediam compreensão. "O quão... o quão bem você conhecia meu pai, nos anos setenta?"
"Bem, de modo algum," disse Lupin, perguntando-se aonde isso terminaria. "Eu sabia dele. Todos sabiam de Lúcio Malfoy."
"Você sabe que ele participou do Profeta Diário," Draco disse, e Lupin assentiu. "Ele também era inteiramente responsável pela gestão de algumas das revistas menores... a Malfoy Park Banner, é claro, e o Diário de Hogsmeade..."
Lupin simplesmente olhou para ele, curioso. "Sim, e?"
"E muito pouca gente sabia que ele corria o Diário de Hogsmeade. Depois de Pedro Pettigrew se formar em Hogwarts, foi um dos poucos lugares que ofereceu-lhe um emprego..."
"Certo," disse Lupin lentamente. "Certo, ele era um repórter..."
"E isto o punha no bolso do meu pai, embora ele não soubesse no início, aparentemente. Eu confundo os detalhes exatos, mas em algum momento, no início, meu pai conseguiu que certos documentos confidenciais fossem descobertos na mesa de Pettigrew," Draco disse. "Papéis que ligavam Pettigrew à exportação ilegal de sangue de dragão. Você sabe a pena para isto, especialmente nesses tempos: ele teria ido para Azkaban para toda a vida sem julgamento, ou tido a Beijo do Dementador imediatamente."
"Sim," disse Lupin. "Eu sei. E eu acho que vi onde isso vai dar."
"Meu pai chantageou Pettigrew a tornar-se informante contra seus amigos. Chamou-o para os Comensais da Morte... meu pai foi o responsável pela conspiração contra os Potters... a idéia do Fiel do Segredo... ele ligou os pais de Harry ao Lorde das Trevas... e foi com ele naquela noite em Godric Hollow. Ele estava lá quando eles morreram," Draco terminou, e caiu ligeiramente para trás contra a parede, como se contar isto o tivesse deixado exausto.
Lupin manteve-se em silêncio por um longo momento, pensando. Nada disto, realmente, era surpreendente: certamente não havia nada que ele teria colocado passado Lucius Malfoy, que sempre pareceu a ele estar sentado à direita do Lorde das Trevas. No entanto, no contexto da nova relação de Harry com Draco e todas as coisas dos Malfoys, era realmente inquietante. "E você não disse a Harry?"
Draco balançou a cabeça. "Não. Dumbledore só me disse há algumas semanas, e desde então... não tem havido oportunidade, realmente," que Lupin sabia que era apenas uma meia-verdade.
"Você está com medo de que ele vai reagir mal."
"Você não reagiria mal?"
"Harry sabe que seus pais estão mortos," Lupin disse sem rodeios. "Uma criança crescer sabendo que seus pais não apenas estão mortos, mas foram assassinados... ele já teve o pior de tudo, você não acha?"
Draco pareceu considerar isso. "Ele está muito bravo," disse ele. "Especialmente agora... e é um tipo de raiva incontrolável. Eu não sei como explicar, mas eu posso senti-la. Quando ele era mais novo, Voldemort sempre vinha atrás dele, procurava por ele, mas agora, se ele pudesse, eu acho que ele próprio iria atrás do Lord das Trevas... é esse tipo de raiva."
"E você não quer deixá-lo mais irritado? Ou você está preocupado que ele vai concentrar sua raiva em você? Porque ele não vai, Draco – Harry sabe você não é responsável pelas coisas que seu pai fez."
"Talvez não, mas parece um pouco duro pedi-lo para vir morar em uma casa pertencente ao assassino de seus pais," disse Draco com uma nitidez sombria, e Lupin o encarou.
"Mas seu pai está morto," disse ele. "Essa casa passou para você, pertence a você e quando você tiver dezoito anos, se você preferir, você pode dilacerá-la tijolo por tijolo."
Uma sombra passou pelo rosto de Draco. "Certo," ele disse. "Porque meu pai está morto."
Lupin não sabia bem como responder a isso. Draco parecia ter fechado a si mesmo, sua breve disposição de fazer confidências parecia ter passado. "Se houver alguma coisa que eu puder fazer..."
"Está tudo certo," disse Draco. "Não há nada que você possa fazer."
Quando Hermione recebeu a coruja de Draco perguntando se ela poderia ver Harry naquele dia, ela tinha pensado por um longo tempo. Ela tinha acabado de chegar da conversa com Rony, e sentiu-se pressionada... mas ela tinha que ver Harry. Ela precisava. Ela concordou em encontrá-lo mais tarde, em território neutro – o quarto vazio de Rony. Ela enviou a coruja de volta para Draco. Então ela olhou em volta de seu quarto. Então ela começou a empacotar.
Ela estava quase terminando quando o relógio marcou meio-dia, e ela endireitou-se de suas empacotações. Ela não tinha comido em quase um dia, e sentiu-se tonta quando se levantou rápido demais. Ela reparou em seu reflexo abatido no espelho com um sentimento de desânimo distante. Uma tentativa de aplicar a Vermelhidão de Lábios Charmosos só os fez parecerem mais desbotados, então, com um suspiro, ela ajeitou o casaco e saiu pela porta.
Gina e Draco estavam esperando fora do quarto de Rony quando ela chegou lá. Draco estava encostado na parede, Gina sentada no chão a seus pés. Ela tinha um livro no colo, mas ela não o estava lendo. Ambos olharam para ela e Ginny sorriu vacilante; Hermione sorriu de volta o melhor que pôde, não querendo que Ginny pensasse que ela estava de alguma forma com raiva dela por causa da situação com Ron.
Então ela abriu a porta e entrou. A porta se fechou atrás dela, e ela estava sozinha no quarto com Harry.
Ele estava de pé ao lado da cama, com a sua colcha colorida, segurando em uma das colunas das camas. Ele olhou para cima quando ela entrou, e por um momento seus olhos se iluminaram com alívio. Então eles se escureceram, e ele olhou para o alto das suas botas.
Hermione virou-se e fechou a porta sobre Draco e Gina, que estavam esperando no corredor. Ela virou o rosto para Harry, e respirou fundo. "Olá, Harry," disse ela.
O som da sua voz parecia estimular alguma resposta elétrica dentro dele. Sua cabeça subiu, e ele atravessou o quarto até ela. Ela não se mexeu. Ele estendeu a mão para tocar seu ombro, e ela se enrijeceu. Lentamente ele abaixou o braço. "Hermione..."
A voz dela era a exaustão crua. "O quê?"
"Eu sinto muito," disse ele.
Ela apenas olhou para ele. Ela poderia dizer que ele realmente sentia. Ele parecia meio desesperado para fazê-la entender: ele estava muito pálido e os olhos por trás dos óculos estavam intensamente verdes. Ela percebeu, vagamente, o que ele estava usando: um suéter preto que tinha no mínimo três anos, desgastado, com punhos demasiado curtos, que mostrava seus pulsos finos. Era um suéter Ron lhe tinha dado, ela se perguntava o que significava.
Ele parecia nervoso com seu silêncio. "Eu sei agora. Eu sei que não era você –"
"Draco me disse", ela interrompeu brevemente. "Estou feliz que você o ouviu. Deus sabe, você não me ouviria."
"Não – não foi bem assim."
"Foi exatamente assim."
Ele ficou em silêncio por um momento. Então ele disse: "Você está certa."
O tom da sua voz a fez olhar para ele novamente, e ela se assustou com o que viu. Ele parecia pálido, tenso, triste, mas ele estava lá – presente de uma maneira que ele não tinha estado presente nos últimos meses.
"Estou certa?" ela repetiu.
"Você está certa," disse ele de novo, pesadamente. "Eu não a ouvi. Eu não me deixei ouvi-la. E não há pedido de desculpas que eu possa fazer que me faria fazer as pazes com você por isso. Eu não confiei em você, mesmo quando você nunca deu me uma razão para não confiar em você. E eu te machuquei, e eu –"
"Você me machucou," ela interrompeu. "Se você passasse anos pensando sobre isso, e planejando, eu não acho que você poderia ter achado algo que me machucar mais."
Ele fez uma careta. "Eu sei," disse ele. "Diga-me o que fazer. Deve haver algo que eu posso fazer... para corrigir isso."
"Eu acho," disse ela friamente, "você já fez o suficiente."
"Não –" Ele estendeu a mão para ela novamente, e desta vez ela o deixou. Ele colocou as mãos sobre os ombros e olhou para seu rosto. Ela tinha ficado assim com ele tantas vezes – era familiar, e ainda assim ela se sentiu como se estivesse olhando para um estranho. Apesar de sua proximidade física, ela nunca tinha sentido ainda mais longe dele em sua vida. "Eu vou fazer tudo," disse ele. "Tudo o que você quiser que eu faça."
"Faça a noite passada nunca ter acontecido, então," disse ela.
Suas mãos apertaram os ombros dela. "Algo que eu possa fazer," disse ele. "Hermione – me ajude."
"É tudo que eu faço," disse ela. "Ajudá-lo. Mas eu não posso se você não me deixar."
"Deixá-la? Eu estou te pedindo. Hermione, eu vou pedir desculpas a você todos os dias para o resto de sua vida, se é isso que você quer, porque você merece. Vou ficar de joelhos e implorar-lhe perdoe-me –"
"Eu te perdôo," disse ela.
"Eu –" ele interrompeu. "Você o quê?"
"Eu te perdôo," disse ela.
Um olhar de alívio tão grande que quase desfez todos os planos dela passou por seu rosto. Ele abaixou a cabeça e beijou-a. Ela estava esperando isto, e o permitiu. Ela tentou se perder nisto, sabendo enquanto fazia isto que esta poderia ser a última vez, mas não podia. Essas palavras, a última vez, a última vez, ecoou na parte de trás da cabeça dela. Ela fechou os olhos e colocou os braços ao redor dele. Segurá-lo foi bem mais satisfatório do que o beijo em si, que parecia como se estivesse acontecendo em algum lugar distante. Mas a sensação dele debaixo de suas mãos, a leveza de seu corpo, os ossos frágeis, as lâminas afiadas de seus ombros, a fez querer protegê-lo de novo. Mas isso era uma algo do qual ela não podia protegê-lo.
Ela se afastou. "Eu te perdôo," disse ela novamente. "Mas isso não significa que as coisas vão ser como eram."
"O que você quer dizer?" perguntou ele, a expressão de alívio começando a desaparecer a partir de sua expressão.
"Você realmente não achou que as coisas poderiam ser as mesmas, não é?" ela perguntou, sua voz melancólica. "Não depois do que aconteceu."
"Nada aconteceu," disse ele ferozmente. "Não aconteceu nada - eu fui um babaca, isso é tudo. Nada aconteceu conosco."
"Isso não é verdade, Harry. Você me mostrou algo importante na noite passada. Você me mostrou que você não confia em mim."
"Isso não é verdade –"
"É verdade," disse ela, inexoravelmente. "Você não confia em mim. Você não confia em ninguém. E eu sei porquê."
Ele apenas olhou para ela. A partir do olhar em seus olhos verdes, ela poderia dizer que ele temia suas palavras ao lado, e ela desejava, de alguma forma ela poderia poupá-lo, mesmo que ela sabia que isso era necessário.
"Você não confia em mim porque você sabe que não se pode confiar," ela disse, com voz muito lisa. "Você mentiu para mim, para você imaginar que eu poderia mentir para você. Você esconde coisas de mim, por isso faz sentido para você que eu poderia esconder algo tão grande, tão horrível, de você, e fingir como se tudo estava certo. Isto me faz pensar... o quão ruim é, Harry? O que você não está me dizendo?"
Ele ficou muito branco, e olhou para ela como se ela tivesse se transformado em algo monstruoso. "Não é a mesma coisa," disse ele.
"Como? Como não é a mesma coisa?"
"Porque o que eu não digo para você – não tem nada a ver com a gente não tem nada a ver com você e eu, ou como me sinto sobre você..."
"É aí que você está errado," disse ela, de repente, furiosa. "Eu sou sua amiga, sua melhor amiga, e eu sou sua namorada. E eu estou cansada de perguntar e receber respostas evasivas, ou nenhuma resposta, ou meias-respostas condescendentes. Alguma coisa está te devorando, alguma coisa está te devorando, te mastigando até de dentro para fora. Eu te amo e me mata vê-lo sofrendo, Harry, mas é dez mil vezes pior quando você não vai mesmo me dizer do que se trata. Você não pode manter um segredo enorme e esperar que ele seja separado do resto de sua vida. Não é assim que funciona. Nós não trabalhamos dessa maneira. Eu não sou Draco, eu não posso ler sua mente, mas eu posso ver que você está sentindo. Está em seu rosto. Exceto ultimamente... Não posso nem olhar para você." A voz dela caiu, miseravelmente. "Eu não sei o que fazer."
Ela esperou, preparada para ele dizer qualquer coisa – para dizer alguma coisa com raiva, ou amargo, ou defensiva. Ele levantou a cabeça para olhar para ela, finalmente, e ela ficou chocada com o olhar em seus olhos – a desolação neles, o desespero. "Então você vai me deixar?" disse ele. "Por causa disso... você vai realmente me deixar?"
"Harry," ela sussurrou. Ela queria ir e jogar os braços ao redor dele, queria muito, mas ela segurou-se bem onde estava. Foi a coisa mais difícil que ela já tinha feito. "Eu não vou deixar você – Eu nunca poderia deixá-lo."
"Então o que você está fazendo?" perguntou ele, uma pequena parte sua amaldiçoando os Dursley amargamente, e pela milésima vez desde o começo de tudo isso. "Eu não entendo."
"Eu ainda estarei com você, Harry, não apenas a maneira que estávamos –"
"Em outras palavras," Harry interrompeu, com sua voz aguda, de repente, "nós devemos 'ser apenas amigos'."
Ela olhou para ele. "Você diz isso como se não fosse nada."
"Você me ama, e você ainda é minha amiga, mas as coisas não podem ser do jeito que eram. Bem, me corrija se eu estiver errado, mas antes, éramos amigos e nos amávamos, então o que exatamente é diferente agora?"
"Eu não posso ser sua namorada," disse Hermione, sua voz remota e fixa. "Isso é que é diferente."
Ele mal parecia ouvi-la. Ele estava muito branco e a pele do seu rosto parecia estar pressionada contra os ossos. Ela queria dizer-lhe para não olhar como aquele, mas não podia. "Não pode? Não pode ou não vai?"
"Eu não sei, Harry," respondeu ela, desesperada, "quando você diz que não pode me dizer o que está incomodando você, quer dizer que você não pode me dizer, ou que você não vai?"
Ele olhou como se ela tivesse o esbofeteado. "Isso não é justo."
"É justo! É completamente justo!" Ela abraçou-se com força, querendo não chorar. "Você está mentindo para mim e eu odeio isso. Eu odeio e muito em breve, eu vou odiar você."
"Me odeie, então," ele atirou de volta para ela. Ele estava segurando a cabeceira da cama de novo, tão fortemente que os nós dos dedos estavam brancos. Seu rosto estava branco também, o verde a única cor em seus olhos. "Se você pudesse me odiar por algo assim, então talvez você nunca tenha me amado em primeiro lugar."
Ela pensou que ela estava além de ser machucada de novo, mas aparentemente não. O comentário dele foi para ela como uma flecha em seu coração. Por um momento, era difícil respirar. "Eu não posso fazer isso," ela sussurrou. "Eu não posso."
Ela virou-se automaticamente para a porta, mas a voz dele a deteve, como uma mão em seu ombro. Ela nunca tinha o ouvido soar daquele jeito. "Eu te amo", disse ele. "Por favor, não vá."
"Então me diga," disse ela, sem se virar para olhar para ele. "Diga-me o que você está escondendo. Diga-me, Harry. Por favor."
O silêncio dele era a única resposta de que ela precisava. Ela fechou os olhos, desejando que sua a sua voz ficasse uniforme. Quando ela falou, ela ficou assustada com a tranqüilidade de seu tom.
"Estou deixando a escola, Harry," disse ela. "Eu já fiz as malas, e eu vou tomar o trem para fora de Hogsmeade hoje à noite em Londres. Se você quer me dizer adeus, eu vou esperar por você na plataforma. Eu espero que você venha. Eu te amo. Eu sempre te amarei. Acredite nisso, se você não acreditar em mais nada."
Ele ainda estava em silêncio, embora ela pudesse ouvir sua respiração irregular, e ela queria muito voltar atrás. Mas ela não fez. Cegamente, ela caminhou em direção à porta, e cegamente girou a maçaneta, e cegamente saiu para o corredor. Draco e Gina ainda estavam lá, olhando para ela em silêncio, mas agora sua visão era tão turva de lágrimas que pareciam versões distorcidas, um parque de diversões de si mesmo. Ela viu Draco estender uma mão para ela, e uma voz muito longe perguntou-lhe: "O que aconteceu?"
Ela balançou a cabeça. "Vá lá", disse ela, "vá tomar conta dele," e, em seguida, ela fugiu para o corredor sem olhar para trás.
Gina olhou para Draco. Não surpreendentemente, ele estava olhando para longe dela, para o corredor onde Hermione havia fugido. "Ela não deveria ficar sozinha," disse ele.
"Eu sei," disse Gina. "Você quer ir atrás dela?"
Ele balançou a cabeça lentamente, e trouxe seus olhos de volta para os dela. "Você deveria. Eu não sou particularmente bom em conversa de menina."
Gina suspirou. "Eu não tenho certeza se eu sou. Com todos irmãos..." Ela parou. "Ainda assim. É melhor você falar com Harry. O que aconteceu, ele vai lhe dizer."
"Mmm." Draco parecia pensativa. "E sobre o Finnegan?"
Gina foi apanhada de surpresa. "Simas?"
"Você se lembra dele? Calmo, companheiro, queixo quadrado, estilo irlandês até o rabo? Tem provavelmente corante no cabelo?"
Gina franziu o cenho. "O que tem ele?"
"Bem, ele não deveria estar ao redor em tudo isso? Oferecendo-lhe um enorme e disforme ombro para se apoiar?"
Gina suspirou. "Eu acho que Simas está chateado comigo."
Draco levantou uma sobrancelha. "Sério, por quê?"
"É complicado," disse ela, mas ela teve a sensação perturbadora de que seus claros olhos cinzentos viam através dela. Por um momento, ele quase pareceu simpático.
"Bem, não parta o coração dele," disse ele. "Nós temos corações partidos suficientes por aqui já," e com isso, ele abriu a porta do antigo quarto de Rony e entrou. Gina pegou um breve vislumbre de Harry sentado na beira da cama vazia antes da porta ser fechada, bloqueando sua visão.
Com um suspiro, ela seguiu pelo corredor. Passou por um pequeno lance de escadas e deu a volta para chegar ao quarto de Hermione, a porta estava fechada quando ela chegou lá. Ela levantou a mão para bater, então hesitou, tentando pensar no que ela deveria dizer. Ela não tinha idéia, nenhuma idéia do que Hermione pudesse estar sentindo, e não fazia idéia se ela odiaria ver Gina neste momento. Afinal, ela era irmã de Rony. Ela abaixou a mão, e por impulso, colocou o ouvido na porta.
Hermione estava chorando. Gina a podia ouvir claramente através da porta. Era um tipo desesperado de choro confuso, terrível e triste, do modo como uma criança choraria – da maneira como sua mãe tinha chorado todos esses anos atrás, por Andrew, noite após noite durante meses. Era o choro de alguém que sabe que perdeu algo para sempre, e que nunca a terá de volta.
Gina hesitou, com uma mão na maçaneta da porta. Então ela se afastou lentamente, e se encostou à parede. Ela deslizou lentamente para baixo até que ela estava sentada no chão, então ela colocou a cabeça sobre os joelhos, e não se moveu por um longo tempo.
Hermione estivera tremendo de pé na plataforma por quase uma hora, quando ela finalmente entendeu: ele não iria. Era quase meia-noite, e estava muito frio, tão gelado que o frio parecia ter encharcado os ossos de Hermione. A estação de trem de Hogsmeade estava completamente deserta, ela era a única pessoa na plataforma vazia, e de leve, tinha começado a cair neve polvilhada.
Com um suspiro de resignação, ela olhou para o relógio em sua mão. Ele era o relógio de Harry, que ele havia jogado nela. Ela não tinha sido capaz de forçar-se a devolvê-lo para ele. Eram, aparentemente, cinco minutos para meia-noite e não havia sentido em esperar por mais tempo na plataforma. Ele não ia vir.
Ela se virou, subiu cansadamente no trem e entrou no compartimento mais próximo. Ela sentou-se perto da janela, e apoiou o queixo na mão. Dali, ela podia ver as luzes do castelo, fracas ao longe, brilhando sobre o penhasco. As montanhas por trás estavam envoltos em névoa, e havia um manto de vapor ao redor da lua. Ela sentiu a dor de lágrimas ferozes na parte de trás de seus olhos. Eu não posso deixá-lo aqui, sozinho... ele só tem a mim... como eu posso?
E então ela ouviu: o som de passos correndo sobre a plataforma. Ela levantou-se tão rápido que quase bateu com a cabeça na bagageira superior; rapidamente ela agarrou a janela, e puxou-a com força, inclinando-se o mais longe que podia. Alguém estava correndo ao longo da plataforma em direção a ela: uma delgada e sombria figura, transformada em uma silhueta pela neblina: ela viu uma capa preta, reconheceu a roupa escura da escola, e então enquanto ele emergiu das sombras ela viu, à luz dos archotes, que a borda no pulso de sua capa era verde e prata, e ela percebeu com uma pontada estranha em seu coração que não era Harry depois de tudo, mas Draco.
"Eu estou aqui!" ela gritou. Ele tinha estado olhando para cima e para baixo na plataforma vazia; agora ele virou-se e piscou para ela. "Estou aqui! Draco –"
Ele veio rapidamente ficar abaixo da janela do trem. Ele jogou a capuz de sua capa preta para trás, eles estavam quase em um nível, mas ele teve em inclinar a cabeça em olhar para cima para ela. Ele estava corado do esforço, seu cabelo um halo branco crepitando em torno de sua cabeça. Flocos de neve derretida se agarravam às lâminas prata escuras de seus cílios. Ela respirou fundo: às vezes ele era quase demasiado bonito para se olhar – quase femininamente bonito, mas não, havia muito de aço em sua expressão para isso. "Eu sei que não sou quem você estava esperando", disse ele, em voz baixa. "Ele me disse que você estaria aqui. Eu vim o mais depressa que pude."
Sua voz tremeu. "Mas ele não iria...?"
Draco balançou a cabeça, uma firme negativa. "Ele não viria."
"Oh." Ela piscou para conter as lágrimas. "Ele o mandou?"
"Não exatamente." Draco deu de ombros, com elegância. "Eu odiei a idéia de você indo embora assim, sem ninguém para lhe dizer adeus."
"Obrigado," ela sussurrou. Ela estendeu a mão então e tocou gentilmente seu ombro, ele olhou para ela com surpresa. "Eu preciso de você," ela começou, "eu preciso que você me prometa uma coisa."
Ele não se moveu, só seus olhos estreitaram-se ligeiramente. Harry teria dito: "Sim, qualquer coisa," e Ron teria dito: "Se eu disser que vou fazer isso, eu vou fazê-lo. Você não precisa me fazer prometer." Mas Draco apenas olhou para ela de seus olhos diamantes-cinza, e disse: "Depende do que for."
"É sobre Harry," ela disse. "Ele não entende."
"Por que você o deixou, você quer dizer?"
Ela assentiu com a cabeça.
"Eu não tenho certeza se eu entendo também."
"Porque," ela disse, e fez uma pausa – mas parecia certo explicar, na verdade, ela não podia imaginar qualquer outra pessoa que poderia compreender. "Eles me usaram para chegar até ele, Draco." ela sussurrou. "Eles usaram-me – e a Ron – eles sabem como machucá-lo do pior modo, e eu não posso ser parte disso. Eu não vou ser."
"Mas você não disse isso a ele."
"Não". Ela balançou a cabeça. "Ele não iria entender."
"Experimente," disse Draco, com firmeza.
Ela suspirou. "As coisas que eu disse a ele – elas eram verdade do mesmo modo. Nada que eu diga mudaria nada. Ele ainda não quis me dizer o que está o atormentando, e eu –" Ela suspirou e inclinou a cabeça para baixo. "Eu não creio que você sabe, sabe você?"
Ele balançou a cabeça. "Não. Eu não sei."
"E você não iria me dizer se você soubesse. Iria?"
Ele não disse nada, apenas olhou para cima e a para baixo da plataforma, e então de volta para ela. O ar gelado arrepiou o cabelo dele, o transformando em lantejoulas de prata fundida. Não havia leitura de sua expressão, ou em seus olhos cinzentos, ele não tinha nada da transparência de Harry. Mas não havia mais ninguém. E ela confiava nele, porque ela tinha que fazer isso. "Eu ainda acho que você deveria falar com o Harry de novo," disse teimosamente. "Você não deveria ir. Não assim."
O apito do trem soou então: um longo, penetrante guincho alto que a fez saltar. Draco deu um passo para longe do trem.
"Eu não tenho mais tempo para falar sobre isso," Hermione gritou, perto do desespero, "Eu preciso que você faça isso por mim, quero que você prometa, jure que – jure em nome da sua família, Draco Malfoy. Jure em seu próprio nome."
Ele estava devidamente alarmado agora. "Fazer o quê?"
"Fique com ele," disse ela. Draco olhou espantado. Hermione continuou, meio sem saber o que estava dizendo, apenas deixando que as palavras saírem. "Fique sempre com ele – e o observe – e se certifique de que está tudo certo. Não o deixe e não o deixe sair sozinho – e se ele o fizer, você tem que segui-lo, porque eu não posso agora. Eu quero cuidar dele, mas ele não me permite. Ele não vai deixar nenhum de nós perto dele. Até eu saber como consertar isso, você terá a fazê-lo. Mande-me uma coruja todos os dias – me diga como ele está, o que ele está fazendo, se está bem."
"Ele não está," Draco disse, um pouco distante "bem."
"Oh, você sabe o que eu quero dizer!" Hermione gritou. "Mantenha-o seguro. Fique com ele – me prometa, por favor!"
Houve um longo silêncio. Ele estendeu-se entre eles como o comprimento de um cordão de prata se desenrolando. Hermione olhou para ele, a mão ainda no ombro dele, embora ela mal sentisse como que estivesse tocando-o – ele parecia tão distante, como se ele tivesse ido para além das montanhas, em algum lugar muito gelado que ela não poderia imaginar. Seu rosto estava imóvel, sem expressão, a pele pálida queimando prata ao luar, olhos opacos como o espelho de vidro. Quando ele finalmente falou, sua voz estava tão lenta quanto estável. "Muito bem," disse ele. "Eu prometo."
Ela reforçou seu aperto em seu ombro. "Jure."
"Eu juro," disse ele, numa voz monótona.
Ela poderia ter imaginado, mas ela pensou que ela sentiu algo saltar entre eles, então, como uma faísca elétrica. Ela lentamente afrouxou o aperto dela em seu ombro. "Oh, graças a Deus," ela sussurrou. "Graças a Deus."
"Eu teria feito de qualquer jeito," disse ele, olhando para o ombro, onde descansava a mão dela. Sua voz estava remota.
"Eu sei," disse ela, "mas agora que você tem que fazer."
O apito do trem soou outra vez, como um grito estridente. Os momentos seguintes foram um borrão. Ela tirou a mão dela de seu ombro, perguntando-se o que ela acabara de fazer, o que ela tinha feito ele fazer. Ele ergueu o rosto para o dela, seus lábios moldando palavras que eram abafadas pelo som dos freios de liberação do trem. De repente, algo estalou dentro dela. Ela não podia suportar a deixá-lo aqui deste modo, sozinho e com um fardo pesado colocado sobre ele. Ela se inclinou para frente, e fez algo que nunca tinha feito antes: ela o beijou na testa, e enquanto ela o fez, ele fechou os olhos.
Ela recuou. "Draco..." ela começou.
Ele abriu os olhos, mas não havia chance para ele responder, pois com um solavanco, o trem começou a mover-se. Hermione agarrou na borda da janela para se equilibrar, e inclinou-se tanto para fora quanto ela poderia seguramente, o frio picando-lhe as pálpebras, olhando para trás para a plataforma iluminada e a figura solitária de pé ali – as mãos nos bolsos, olhando para ela. Ele não acenou adeus, e nem ela, ela só ficou observando enquanto a plataforma e a estação, e o próprio Draco ficavam menores e menores a distância e finalmente desapareceram por completo, engolidos pela escuridão invasora.
A uma da manhã, a sala comunal da Sonserina estava deserta. As botas de Draco deixaram escuras marcas de molhado na pedra enquanto ele atravessava, ele não se preocupou em limpar as botas. Estava gostando de fazer bagunça. Algo em seu peito estava torcendo-se violentamente – ele sentia-se zangado, com ninguém em particular,mas com a vida em geral. Tudo parecia estar desmoronando ao seu redor em enormes pedaços estilhaçados, e para variar, a destruição em massa não era devido a nada ele tivesse feito.
"Maldito Weasley," ele murmurou enquanto ele alcançou sua porta – e fez uma pausa. "Certo," ele disse a próprio. "É melhor fazer isso agora," e ele virou-se e voltou ao longo do corredor para o outro lado da masmorra, onde eram os quartos das meninas.
A porta do quarto que Blaise compartilhava com Pansy estava fechada – não surpreendentemente, uma vez que era muito depois da meia noite. Draco levantou a mão e bateu forte na porta: uma, duas, três pancadas fortes.
Ele ouviu o som de pés velozes, e a porta se abriu. Era Blaise. Seu cabelo vermelho estava para baixo, caída sobre os ombros, o rosto nu de maquiagem, mas suas presilhas brilhantes no lugar. Ela usava um longo vestido de seda verde-claro, impresso com um dragão bordado de azul enrolado em seus ombro, que descansava a cabeça em seu peito. Ela arregalou os olhos quando o viu. "Draco?"
"Olá, querida," disse ele, encostado no batente da porta. "Toda arrumada para o Malcolm?"
Ela olhou rapidamente surpreso então presunçosa. "Então você ouvir falar sobre isso."
"Aparentemente, eu ouvi sobre isso atrasado. Posso entrar?"
Ela se afastou da porta. "Se você quiser."
Draco deslocou-se do batente da porta e passeou para a sala. Era um quarto grande, separado ao meio por uma enorme tela chinesa toda impressa com lírios d'água azuis e verdes. Esse lado era de Blaise: decorado com uma elegância discreta e simplista, tudo que ela possuía era, no entanto, obviamente caro. Ele se virou para olhar para ela. Ela ficou com as mãos nos quadris, seu vestido de seda puxado firmemente sobre o peito. Ela não estava muito obviamente usando nada por baixo.
"É grosseiro apontar," Draco disse, seu tom gentil.
Blaise corou e cruzou os braços sobre o peito. "É um pouco rico você vir aqui e me questionar sobre Malcolm, retrucou ela. "Ele me contou que viu Hermione Granger saindo de seu quarto esta manhã. Explique isso, por que não me explica."
"Eu gostaria de saber o que estava fazendo Malcolm rondando meu quarto esta manhã," disse Draco.
Blaise sacudiu a cabeça. "Você é inacreditável."
"Você deve falar."
Ela ergueu as mãos. "Eu nunca tive nada com Malcolm," disse ela. "Eu apenas comecei esse boato para ver se você se importava. Mas, evidentemente, não."
Draco levantou uma sobrancelha. "Você começou um boato de que você estava de amasso com aquele cara de doninha só para me irritar? Estou tocado."
"Mas não irritado."
"Não particularmente," disse ele.
Blaise sacudiu a cabeça. "Saia," disse ela. "Eu nunca mais quero ver você de novo."
"Oh, não," Draco disse, numa entediada e inexpressiva voz. "Por favor, reconsidere."
Agarrando um castiçal de vidro na mesa de cabeceira, Blaise atirou-o em sua cabeça. Draco se abaixou, e ele bateu na parede e quebrou. "Eu disse para sair!"
"Você vai acordar Pansy," disse ele.
"Ela não... está... aqui," Blaise rosnou.
"Bom," disse Draco. "Então ela não vai me impedir de fazer isso," e ele acenou com a mão para ela. Cordões de prata saltaram do ar e a agarraram em torno de seus pulsos e tornozelos. Ela gritou de surpresa, e sentou-se com força no chão, lutando contra as cordas. "Qual é o seu problema?" ela sibilou para ele, seus olhos verdes cheios de raiva.
"Eu não sei," Draco disse, pensativo. "Eu acho que eu apenas não sou uma pessoa muito legal."
"Eu te odeio," Blaise rosnou, mas ele se pôs a ignorá-la. Andando rapidamente, ele atravessou a sala e atirou o tronco aberto ao pé da cama dela. Ele o chutou, e ele caiu de lado, derramando roupas, livros e papéis espalhados pelo chão.
Blaise gritou em voz alta. "O que você está fazendo? Você – deixe as minhas coisas em paz! Deixe-as!" Sua voz elevou-se um grito lancinante. "Eu te odeio, Draco Malfoy, seu mentiroso, enganador, ladrão, de cara pontuda, bastardo! Eu odeio você!"
Draco olhou para ela e sorriu. "Grite se quiser," disse ele em tom agradável. "Não vai fazer nenhuma diferença. Vou ficar aqui até eu encontrar o que estou procurando."
NT: ooi gente, eu sei que eu demorei um pouco mais que o normal, mas as coisas estão bem corridas, então fica difícil! Mas ai está o cap.7, espero que tenham amado como eu e estejam ansiosos para o próximo capítulo :D
O cap. 8 é um pouco maior, mas vem o mais rápido possível, prometo! Não esqueçam o beijo e o "obrigada" pra minha co-tradutora diana gfg no final!
Obrigada pelas reviews do capítulo 6: Iza Amai, Sett, megalves00 (como não dá pra responder por pv, estou respondendo por aqui: obrigada de verdade pela sua review, você é uma fofa, só espero que não tenha assustado seu chefe quando viu o cap. 7 também! haha pode deixar, não vamos desistir, sou suficientemente teimosa pra ir até o fim! e não se preocupe D/G vai ter sua vez :D obrigada novamente, continue acompanhando e deixando reviews! beijinhos)
depois vou verificar se respondi todas, mas vocês todos são uma graça! E obrigada Lika, mais uma vez, por oferecer os arquivos! Beijinhos, e até o próximo capítulo.
ps: não sei se todos sabem mas o ff tá com problemas para atualizar as fics a mais de 5 dias, aparece "error type 2"! felizmente, achei em um fórum americano a solução! então se você está tendo esse mesmo problema, apenas troque a palavra 'property' por 'content' no link que dá certo! espero ter ajudado alguém :)
quem quiser votar para Harry Potter and the Deathly Hallows no MTV Movie Awards, os links estão aqui (tirem os espaços entre o mtv e o .com) :D
Best Movie: mtv.com/ontv/movieawards/2011/best-movie/
Best Male Performance: Rupert Grint e Daniel Radcliffe mtv. com/ontv/movieawards/2011/best-male-performance/
Best Female Performance: Emma Watson mtv. com/ontv/movieawards/2011/best-female-performance/
Best Villain: Tom Felton mtv. com/ontv/movieawards/2011/best-villain/
Best Fight: Daniel Radcliffe & Rupert Grint vs. Helena Bonham Carter mtv. com/ontv/movieawards/2011/best-fight/
Best Kiss: Daniel Radcliffe & Emma Watson mtv. com/ontv/movieawards/2011/best-kiss/
e aqui uma fotinha do nosso sonserino loiro preferido: vocês podem ver no tumblr gabrielamiloch. com/post/3281829656 ou então copiar o URL da imagem http:/ media. tumblr. com/ tumblr_ lgkxjcSJgQ1qg3jbj .jpg (tirem os espaços e depois tentem não babar tanto!)
