Obrigado pelos reviews. Amei todos! Vcs são uns fofos!
Obs.: Estou postando mais cedo pq a beta me entregou o capítulo hoje e não quis ficar segurando, mas não sei se postarei mais de um por semana daqui pra frente. Provavelmente manterei o ritmo de sempre.
Beta: Pérola
Capítulo Dois
Jared voltou ao hotel, e assim que entrou no quarto seu celular tocou. Largou os livros em cima da cama e atendeu depois de olhar no visor.
- Oi Chad.
- Você resolveu se mudar para Green Bay? – Ele perguntou.
- Talvez, quem sabe? – O moreno brincou.
- Porra Jared, pensei que você não ia conseguir ficar nem uma semana longe de Nova York. – Chad riu.
- Pois você se enganou. Ainda não tenho data certa para voltar.
- Está escrevendo?
- Claro! – Jared mentiu. Não queria falar sobre Jensen para o amigo. – Esse hotel é inspiração pura.
Eles conversaram algumas amenidades até que Chad entrou no assunto Matt Cohen.
- Encontrei com Matt ontem...
– É mesmo?
- E ele perguntou por você.
Jared se surpreendeu quando percebeu que não estava nem um pouco interessado em saber o que Chad havia conversado com Matt, e após se despedirem o moreno se serviu de uma dose de uísque, pegando um dos livros que havia comprado.
- Viagem no tempo... – Jared disse em voz alta e em seguida sorriu, se sentando na poltrona.
Jared achou o livro muito interessante. Nele, o autor dizia que "estamos onde a nossa mente está" e baseado nisso, a viagem através do tempo seria possível somente usando o cérebro como instrumento, em uma espécie de auto hipnose.
Ele já havia pesquisado uma vez e até conversado com uns amigos psicólogos e terapeutas sobre hipnose, para um de seus romances, mas nunca havia ouvido falar que essa técnica pudesse ser usada para esse fim. Até agora.
O moreno parou a leitura várias vezes para fazer algumas anotações em seu computador. Se aquele livro dizia a verdade, quem sabe ele não poderia se encontrar com Jensen?
- Mas o que eu estou fazendo? – Em certo momento Jared parou e se perguntou em voz alta. Estava mesmo considerando uma possível viagem no tempo?
Jared era imensamente criativo e possuía a mente aberta, mas aquilo já estava ficando esquisito demais.
Salvou as anotações e desligou o notebook, passando as mãos pelo rosto. Como uma pessoa que ele nunca tinha visto em sua vida podia afetá-lo desse jeito?
"Deve ser carência..." Jared pensou e riu sem vontade.
Olhou no relógio, vendo que já eram quase nove da noite. Queria ir até a casa do Sr. Potter, mas acabou desistindo achando que estava tarde. Com certeza ele já devia estar dormindo.
Seu estômago roncou e Jared ligou para o serviço de quarto, pedindo comida. Enquanto esperava a refeição, ele voltou a ler o livro.
oOo
Jared rolou na cama a noite toda. Sua mente alternava entre Jensen e o livro sobre a viagem no tempo. Mesmo repetindo para si mesmo que aquilo era uma completa loucura, que ele era um homem culto, viajado, moderno, a ideia não o deixava em paz, e volta e meia ele se pegava realmente considerando aquela possibilidade.
Acabou levantando bem mais cedo que nos outros dias e quando desceu para tomar café, esbarrou com o Sr. Potter na entrada do restaurante.
- Bom dia Sr. Potter. – Jared o cumprimentou.
- Bom dia! O senhor caiu da cama hoje? – William brincou.
- Na verdade eu não consegui dormir direito. – Jared confessou.
- Está tudo bem com o senhor?
- Está... Quero dizer, não sei. Eu... – Jared respirou fundo. - Senhor Potter, o senhor acredita em viagem através do tempo?
O homem demorou um pouco para responder.
- Você quer dizer voltar ao passado ou ir para o futuro?
- Exatamente! – Jared sorriu.
- Sinceramente eu não sei... Mas por quê a pergunta?
- É que... – Jared não queria assustá-lo dizendo que estava pesquisando sobre o assunto por causa de Jensen. – Eu estou pensando em escrever um livro sobre isso. – Mentiu.
- Eu não sou um homem com muito estudo. Não sei se sou o mais indicado para... – Ele dizia de maneira humilde e Jared o interrompeu.
- Mas o senhor já viveu bastante, viu muita coisa, com certeza já ouviu falar sobre isso.
Na verdade, Jared precisava desesperadamente conversar com ele, mas se sentiu ridículo. Achou que conseguiria falar sobre as ideias que estava tendo, mas quando começou, percebeu que aquilo beirava a insanidade. Quem em sã consciência pensaria em viajar no tempo, uma coisa que não existia, para se encontrar com alguém que já estava morto?
- Sim, já ouvi e já até vi um filme com esse tema. – William pôs a mão no queixo e pensou por algum por um tempo. – Mas não consigo lembrar o nome.
- Talvez eu deva ver algum filme pra poder me inspirar. – Jared disfarçou.
- Isso! Com certeza vai ajudar. – Ele respondeu animado.
Jared mudou de assunto e quando William disse que precisava voltar ao trabalho, o moreno foi tomar seu café. Enquanto comia, resolveu que ia correr um pouco para se distrair.
Voltou ao seu quarto e pôs uma roupa confortável. Depois que estava pronto, pegou o livro e o jogou dentro da mala. Iria esquecer aquilo de uma vez por todas e talvez até voltasse à Nova York no dia seguinte.
Sentiria saudade das conversas com o senhor Potter, mas sua vida não poderia parar, principalmente por causa de Jensen, um homem que vivera há mais de cinquenta anos.
Jared correu durante uma hora, tentando a todo custo não pensar em Jensen, e quando voltou à recepção do hotel para pegar sua chave quase caiu pra trás ao ver o homem que estava parado ao seu lado.
Correu até seu quarto e pegou o livro dentro da mala, olhando a contracapa.
- Não pode ser... – Ele disse.
Qual a probabilidade do autor do livro que estava mexendo tanto com sua mente estar no mesmo hotel em que ele estava?
Jared não acreditava em coincidências. Até acreditava, mas não nesse tipo de coincidência.
Tudo bem que ele escrevia isso em seus livros. Mas na vida real, sabia que essas coisas nunca aconteciam e principalmente com ele.
Jared se viu com duas alternativas. Ou ele arrumava as malas e voltava a Nova York, esquecendo aquilo tudo ou ele aceitava o fato de que estava novamente cogitando a ideia de viajar ou pelo menos tentar viajar no tempo para a época em que Jensen viveu.
- Não, isso é loucura... – Jared começou a jogar suas roupas dentro da mala de qualquer jeito enquanto tentava convencer a si mesmo. - Você é um escritor famoso, rico, bem sucedido, tudo bem que não tem muita sorte no amor, mas mesmo assim a sua vida é muito boa. Pra quê ficar perdendo tempo com isso? – Ele parou o que estava fazendo e socou a cama. - Droga!
Jared tomou banho e desceu até a recepção.
– Eu gostaria de deixar um recado para o senhor Julian Richings.
- Mas ele não está hospedado aqui. – A recepcionista explicou.
- Estranho, eu o vi há pouco...
- Ah sim! – Ela sorriu. – Ele veio tomar café da manhã no restaurante do hotel, mas já foi embora.
Jared olhou para baixo e suspirou. Vendo a decepção no rosto do moreno, ela disse com a voz um pouco melosa.
– Ele deve estar na cidade agora, autografando o livro novo.
Jared a encarou.
– Em qual livraria?
oOo
Jared estava na fila de autógrafos e observava o físico. Ele parecia ser bem mais magro que na foto do livro. E parecia mal humorado também.
- Boa tarde... – Quando chegou a sua vez, Jared entregou o livro para Julian que o encarou.
- Qual seu nome? – Ele perguntou.
– Meu nome é Jared Padalecki, eu também sou escritor e... - O homem resmungou algo enquanto autografava. - Eu gostaria de lhe fazer umas perguntas sobre o livro.
- Sem perguntas. – Uma mulher que estava com Julian se adiantou.
O moreno já havia feito uma sessão de autógrafos e sabia como funcionava, mas precisava falar muito com o escritor.
- Só vai levar um minuto, por favor, é muito importante para mim...
- Se for rapidamente... – Julian disse, para a surpresa da mulher, que olhou feio para Jared.
- A sua teoria... Alguém já a testou? – Jared perguntou e o homem riu discretamente, mas em tom debochado.
- O senhor não leu o livro todo não foi? – Ele perguntou.
- Na verdade eu ainda não li o final e...
- Então eu recomendo que o senhor leia.
- Só mais uma pergunta, o que exatamente é "uma rede de segurança"?
- É uma palavra de segurança para que o viajante não fique preso em sua auto hipnose, caso não consiga alcançar seu objetivo. – Julian explicava falando devagar.
- E o objeto de segurança? É realmente necessário?
- Quem viaja no tempo deve levar um objeto pessoal ou algo que lembre a sua mente a época em que ela estava inicialmente. Assim que você olhar para o objeto, sua mente o trará de volta. – Julian já olhava para o próximo da fila.
- E qual o motivo real de ter esse objeto? – Jared sorriu. Estava sem graça, sabia que estava sendo "um mala", mas precisava daquelas informações.
- A pessoa pode não gostar do que irá encontrar Sr. Padalecki. – O homem o olhou seriamente e a mulher sussurrou algo em seu ouvido.
- Muito obrigado... – Julian sorriu e lhe entregou o livro. Jared se afastou.
Saiu da livraria e entrou em uma cafeteria, se sentando em uma das mesas.
- O que deseja? – Imediatamente uma garçonete se aproximou.
- Por enquanto apenas um café, por favor. – Disse rapidamente. Estava ansioso em terminar o livro.
- Tudo bem... – A mulher sorriu e se afastou, voltando minutos depois com uma xícara cheia.
- Obrigado. – Jared respondeu sem desviar os olhos do livro.
A parte que Jared ainda não tinha lido era justamente a que Julian narrava a sua própria experiência na viagem do tempo, em uma espécie de diário.
"Meu corpo relaxou de tal forma que era quase impossível ficar acordado..."
"Abri os olhos e o ambiente estava totalmente diferente. A decoração, os objetos, tudo parecia ser mesmo referente à data que eu sugeri a minha mente..."
"Mas se eu estive realmente lá, durou apenas alguns instantes..."
O físico termina o seu relato sem dizer se tentou outras vezes, e o moreno fechou o livro intrigado. Se nem Julian conseguira testar sua própria teoria, quais eram as suas chances?
Jared chegou à conclusão que estava louco. Só isso poderia explicar aquela mudança radical em seu comportamento. Ele sempre correra atrás dos seus objetivos, não descansando até alcançá-los, mas o que estava fazendo agora era diferente.
oOo
Jared abriu seu notebook e começou a anotar tudo o que iria precisar para a "viagem".
- Roupa e dinheiro. – Ele falava e digitava.
Lembrou-se do livro que lera sobre os anos cinquenta, que dizia que camisa polo, calça jeans, camisas e calças de flanela, jaquetas de couro, Cardigans, suéteres entraram na moda naquele começo de década. Os sapatos eram os do tipo oxford e mocassim.
- Melhor comprar o mais parecido possível, não quero que ninguém me ache esquisito. – Jared riu, se achando totalmente "esquisito" naquele momento.
Os homens ainda usavam chapéu quando saíam à rua, mas somente no caso de estarem usando algo mais formal, como terno. Outros, que eram considerados rebeldes, aboliram esse acessório de seu vestuário. Jared não tinha visto Jensen de chapéu em nenhuma foto.
Os cabelos eram estilo escovinha, militar ou com topete, este último mantido com pomada ou gel. Jared pensou se deveria cortar o cabelo e por fim desistiu. Não se imaginava com nenhum desses cortes.
- Quem sabe a moda não pega? – Riu se referindo ao seu cabelo mais comprido.
Digitou a palavra "Dinheiro".
- Vou ter que pesquisar onde eu posso comprar cédulas dos anos 50 aqui em Green Bay.
"Local."
Segundo o livro, precisava ser um lugar neutro, vazio.
Jared recostou na cadeira e pensou por um tempo.
– Claro! A sala onde fica o projetor.
"Se não puder ficar em um local totalmente vazio, somente objetos da época sugerida à mente podem estar no ambiente..."
Jared se lembrou das palavras de Julian no livro, e para sua sorte, na sala atrás do cinema só tinha um velho retroprojetor, uma mesa e uma cadeira que com certeza eram de 1950.
Confirmaria depois essas informações com o Sr. Potter, e precisaria mentir, pois se dissesse que usaria a sala para tentar se teletransportar para o passado, William chamaria alguém para interná-lo. Ele mesmo estava quase fazendo isso.
- Direi que quero ver o filme de Jensen outra vez antes de ir embora. – Sabia que se conseguisse voltar no tempo, William, seus amigos e sua família ficariam preocupados com sua ausência, por isso precisaria de uma boa história para "sumir".
- Isso é fácil de resolver... – Jared disse. – Digo que irei para um lugar mais afastado, onde celular não funciona.
Ele não tinha a menor ideia de quanto tempo ficaria no passado, lógico que isso dependeria de muitas coisas, mas seu pensamento inicial era o de ficar duas semanas.
Resolveu que voltaria no dia 08 de agosto de 1950, o dia em que a peça de Jensen estrearia no teatro do hotel.
- Chegarei pela manhã, assim terei tempo de me ambientar.
"Palavra de segurança".
Jared precisava de uma palavra de segurança. Algo que ele se lembrasse com facilidade caso percebesse que algo estava dando errado.
- Texas. – Sorriu.
"Objeto de segurança".
"... um objeto pessoal ou algo que lembre a sua mente a época em que ela estava inicialmente. Assim que você olhar para o objeto sua mente o trará de volta." Lembrou novamente das palavras de Julian.
Jared pôs as mãos entrelaçadas atrás da cabeça e fechou os olhos, pensando por um bom tempo.
- Uma moeda! – Disse de repente. – Uma moeda de 2012. – Riu e digitou.
Jared estava ansioso. Agora que aceitara por aquela loucura em prática, queria apressar o tempo.
Durante as duas semanas seguintes, ele estudou mais a fundo a técnica em si e repetia em sua mente todo o processo da auto-hipnose.
Comprou roupas e um par de sapatos o mais próximo que conseguiu da moda dos anos 50, e também comprou mil dólares em cédulas dessa década.
Se desesperou um pouco quando lembrou que não poderia levar seus documentos, pois o que ele iria dizer se alguém visse sua identidade com data de nascimento em 1982?
O jeito seria falsificar. Jared conseguiu com um amigo em Nova York, que fez uma réplica perfeita do documento que era usado em 1950. Ao ser questionado do motivo daquilo, o moreno disfarçou, sem conseguir dar nenhuma explicação sem parecer louco.
Continuava se encontrando quase todos os dias com William, lhe perguntando sobre os costumes dessa época. O funcionário achava engraçado, mas respondia com prazer o que ele conseguia lembrar.
Jared começou também a estudar sobre técnicas de meditação e passou a praticar todos os dias, a fim de começar a preparar a sua mente. Fechava os olhos, se concentrando e visualizando Jensen.
Ligou para Chad e seus pais, avisando que iria para a casa de campo de um amigo nas montanhas. Não sabia se seu celular iria pegar e nem se teria internet.
- Você vai para onde mesmo? Marte? – Chad brincou.
Sua mãe lhe pediu para ter cuidado e entrar em contato assim que pudesse. Jared sentiu seu coração apertar quando falou com ela, mas estava decidido. Depois de se despedir, desligou seu aparelho.
Comprou várias bolsas de viagem e levou suas coisas aos poucos para um armário na rodoviária da cidade, ficando somente com seu documento falso e o dinheiro.
Na noite anterior à "viagem" ele não conseguiu dormir, e logo pela manhã, pagou por sua estadia no hotel e foi procurar por Potter.
- Sr. Potter, eu vim me despedir do senhor...
- O senhor volta à Nova York hoje? É por isso que está todo bonitão assim? – William brincou ao ver Jared todo arrumado, estilo anos 50, mas sem conseguir esconder sua tristeza. Tinha se afeiçoado àquele rapaz.
- É, chegou a hora, preciso voltar... – Jared sentiu seu coração apertar ao dizer aquelas palavras, que tinha um duplo sentido para ele. – Mas antes de ir, eu gostaria de pedir um último favor...
- Claro meu filho...
oOo
Potter o levou a sala do projetor e Jared lhe deu um abraço apertado.
- Quer que eu peça ao mensageiro para descer suas malas? – William perguntou.
- Eu... – Jared pensou rápido. – Eu já as levei para o aeroporto. – Ele sorriu.
O Sr. Potter estranhou aquele fato, mas não disse nada. O moreno o abraçou novamente.
- Eu odeio despedidas... – Era a mais pura verdade. – Então, assim que acabar de assistir ao filme eu vou embora ok? Obrigado por tudo.
- Não precisa agradecer Jared... – O moreno sorriu ao ouvir William finalmente o chamar de Jared.
Gostaria de deixar seu telefone, mas não sabia quando iria voltar, caso conseguisse viajar até 1950.
Aquilo tudo ainda era surreal para o moreno, mas agora que ele havia começado não iria desistir sem ao menos tentar.
- Eu ainda vou entrar em contato com o senhor. Não pense que se verá livre de mim assim tão fácil. – Jared brincou, e assim que William saiu ele trancou a porta, passando a chave por debaixo dela. Não poderia haver falhas e só restava rezar pra que ninguém aparecesse no momento da concentração.
- Ok, vamos lá... – Respirou fundo.
Jared se certificou de tudo. Estava com o documento de identidade falso e o dinheiro estava embalado em plástico e preso dentro da cueca, pois não podia levar mil dólares dentro dos bolsos. A moeda de 2012 estava no bolso de trás da calça, fechado cuidadosamente para que ela não caísse.
Jared vestia camisa polo, cardigan cinza, calça de flanela cor de chumbo e sapatos estilo oxford pretos.
Ele se sentou no chão e se encostou à parede, fechando os olhos.
Tinha que esvaziar sua mente e relaxar o máximo que pudesse.
"Sugira ao cérebro que está na data desejada e no local desejado. Foque nos detalhes... Todos os detalhes são importantes." Jared repetia mentalmente o que Julian ensinou em seu livro.
Depois de uma hora meditando, Jared começou a repetir baixinho.
- São oito horas da manhã de 08 de agosto de 1950.
- Estou na sala atrás do teatro do Hotel Grand Ferris, em Green Bay, Wisconsin, em 08 de agosto de 1950.
- Jensen Ackles está aqui. Nesse hotel. Em 08 de agosto de 1950.
- Danneel Harris está aqui. Nesse hotel. Em 08 de agosto de 1950.
- São oito horas da manhã. Do dia 08 de agosto de 1950.
Jared dizia como um mantra, mas depois de mais de quarenta minutos, nada estava acontecendo.
Ele suspirou desanimado. Não podia desistir. Não agora.
Mais meia hora depois, ele estava novamente relaxado, e voltou ao seu mantra.
- São oito horas da manhã de 08 de agosto de 1950.
- Estou no Hotel Grand Ferris, em Green Bay, Wisconsin, em 08 de agosto de 1950. Minha mente aceita totalmente esse fato.
Depois de duas horas repetindo incontáveis vezes, acabou perdendo a noção do tempo.
O cômodo lhe parecia diferente, mas ele já não sabia mais se estava dormindo, acordado ou alucinando.
Os olhos pesavam demais e o moreno acabou deitando, caindo em sono profundo.
oOo
Jared abriu os olhos lentamente. Ficou confuso por alguns segundos, e sem conseguir lembrar direito onde estava ou o que tinha acontecido, se assustou ao ver que estava quase imprensado atrás de uma cômoda.
Se levantou, percebendo que a sala estava repleta de móveis entulhados.
Andou com um pouco de dificuldade por entre eles, se sentindo exausto. Procurou a porta e a abriu, saindo direto no cinema, que agora estava totalmente diferente, e para sua sorte, vazio. As poltronas, o tapete, o palco, tudo parecia impecavelmente novo.
Jared andou até a saída, sentindo seu coração acelerar quando se deparou com um imenso cartaz que anunciava a inauguração do teatro, às seis horas da noite com a apresentação da peça "Grandes erros da Humanidade", com Jensen Ackles.
Jared sorriu em uma mistura de medo e excitação. Tinha conseguido. Estava em 1950.
Continua...
Próximo Capítulo
- Alguma mala senhor? – O rapaz perguntou.
Jared o encarou, percebendo que o conhecia de algum lugar. Olhou para a plaquinha em seu uniforme. W. Potter.
- William Potter?
- Sim senhor, tem alguma mala?
- Eu... Eu... – Jared encarava o jovem com cara de espanto.
