Gostaria de agradecer muitíssimo por todos os reviews e esclarecer duas coisas aos queridos leitores.

Primeiro: Essa fic foi inspirada no filme "Em algum lugar do passado", mas isso não significa que acontecerão as mesmas coisas que aconteceram no filme. Já digo desde agora que quem estiver esperando uma cópia fiel ao filme, irá se decepcionar.

Segundo: Não é Death Fic.

Beta: Pérola

Capítulo Quatro

Enquanto bebia, Jared chegou à conclusão que, ou Jensen era bissexual, o que não condizia com a sua Biografia ou ele disfarçava sua homossexualidade fingindo que namorava Danneel.

Sabia que aquilo era muito comum, pois como escritor, ele acabava conhecendo muitos atores em festas e eventos, e sabia de vários que eram casados com mulheres apenas para disfarçar a sua orientação sexual, pois tinham medo de se assumirem gays e comprometerem a carreira.

Se em 2012 as pessoas eram extremamente preconceituosas, em 1950 era muito pior, ele concluiu.

Jared sempre se perguntou por que aquelas mulheres concordavam em se submeter a isso, e no caso de Danneel, por que ela aceitava aquele fingimento?

- Talvez seja bom pra carreira dela ser namorada dele... – Ele disse em voz alta, reparando em seguida que o bartender ouvira e o olhara estranho. Sorriu sem graça e depois de mais uma última dose, foi para o seu quarto.

Sentiu vontade de perguntar a alguém onde era a tal festa em que os atores da peça estavam, mas por fim desistiu.

Sabia que teria que ter cautela ao se aproximar de Jensen. Estava nos anos 50, e todo o cuidado ainda seria pouco.

Já tinha conseguido muita coisa para o seu primeiro dia. Tinha falado e se apresentado ao loiro, que queria vê-lo novamente.

Lembrou o que Jensen dissera sobre seu cabelo. Será que teria que cortá-lo? Não queria, ainda mais depois que Jensen dissera para ele não fazer isso. Mas também não queria ser preso.

Estava sorrindo quando entrou no quarto. Tirou a roupa e se jogou na cama, esperando sonhar novamente com Jensen.

oOo

- Eu não te salvei dele, eu te salvei de você mesmo... Do jeito que estava quase babando, achei que iria atacá-lo a qualquer momento. – Danneel brincou.

- Não estava nada Dan, deixa de ser chata. – Jensen sorria. – Mas você tem que concordar comigo que ele é um tipão*...

Estavam na festa que comemorava a primeira apresentação daquela temporada. Todos os envolvidos na peça estavam presentes, desde os atores até os rapazes que cuidavam da iluminação.

Jensen estava dançando com a ruiva, e o assunto era o moreno que havia pedido autógrafo ao ator.

- Se você não quer que as pessoas descubram que gosta de homens, você precisa disfarçar mais Jensen.

- Ninguém estava reparando, só você.

- Como você sabe que ninguém estava reparando se seus olhos estavam grudados no... Como é mesmo o nome dele?

- Jared... Jared Pada... Padalecki... Mas eu o chamo de Sansão. – Jensen sorriu novamente.

- Por causa do cabelo esquisito?

- Não é esquisito... Combina com ele. – Jensen deu de ombros.

- Quem usa um cabelo daquele definitivamente é esquisito.

Ambos riram.

- Mesmo assim, com certeza ele deve ter reparado.

- Dan, ele estava nervoso, gaguejando e não conseguia me encarar por muito tempo... E só a Sandy pra acreditar que o autógrafo era para a mãe dele.

- De qualquer maneira Jensen, tome cuidado. Ele é um hóspede... Eu me aproximei justamente pra te preservar.

- Eu sei me cuidar Dan, pode deixar...

- Achou prudente dizer que queria vê-lo de novo?

- Eu quero vê-lo de novo... – Jensen sorriu e a apertou mais. A ruiva sorriu e balançou a cabeça.

- Só tome cuidado tá? – Ela o beijou em seu rosto.

Jensen e Danneel se conheceram quando ele tinha dezenove anos e ainda morava em Dallas. Ela se mudou para a casa ao lado da dele, durante a segunda guerra mundial e se tornaram amigos imediatamente.

O loiro, que milagrosamente havia sido dispensado do serviço militar e sonhava em ser um ator de teatro famoso e viajar por todo o país, se surpreendeu quando a amiga lhe contou que esse também era seu sonho. Ambas as famílias torciam pelo namoro, e no fundo, a ruiva também.

Estavam em uma festa quando ele confidenciou sua preferência sexual. Teve medo de contar e chocá-la, mas já havia percebido sentimentos por parte dela e não queria magoá-la, deixando-a achar que ele a estava rejeitando.

No fundo, ela ficou um pouco chocada, mas acabou se acostumando e esse segredo os uniu ainda mais.

Fingiram que estavam apaixonados e namorando, chegando inclusive a noivar, para que os pais dela a deixassem partir com Jensen, quando conseguiram um papel como figurantes em uma peça que correria os estados Unidos.

Em 1946 finalmente se juntaram a uma companhia, conseguindo um papel de destaque, saindo assim do anonimato. Voltaram apenas duas vezes ao Texas para visitar as famílias.

Harris, ao contrário das mulheres daquela época, não tinha o sonho de se casar e ter filhos. Queria ficar famosa como as atrizes de Hollywood.

Ela então concordou em continuar com a farsa do namoro - já que ninguém fora as suas famílias sabia do noivado - em agradecimento ao amigo, pois se não fosse por ele, ela ainda estaria presa no Texas. O falso namoro, além de esconder a preferência de Jensen, também servia para afastar alguns engraçadinhos que achavam que poderiam se aproveitar dela.

Jensen sempre dizia que eles poderiam "terminar" a qualquer momento, que ele era livre para namorar ou sair com os rapazes que quisesse, mas ela dizia que queria focar totalmente em sua carreira, que se apaixonar só iria atrapalhar os seus planos para o futuro.

O loiro achava engraçado, pois ao contrário da frieza da amiga, ele sonhava em encontrar um grande amor algum dia, mas lógico que para ele, sendo gay, era muito mais difícil.

- Será que ele vem assistir à peça amanhã? – Jensen perguntou à amiga.

- Se ele quiser te ver de novo... Talvez.

- Posso tentar encontrá-lo no restaurante. Na hora do almoço, como quem não quer nada...

- Amanhã temos ensaio e à tarde você prometeu me levar pra assistir ao filme da Hepburn... Você não esqueceu não é?

- Não, Dan... Não esqueci. – Ele sorriu novamente.

oOo

Jared acordou e se espreguiçou demoradamente. Ainda sorria quando se lembrava do bilhete de Jensen.

Olhou no relógio, vendo que já eram mais de nove horas e se levantou. Tomou banho e xingou ao lembrar que teria que vestir a mesma cueca.

Desceu para tomar café da manhã e torceu para não encontrar Jensen no restaurante. Não queria que o loiro o visse com a mesma roupa do dia anterior.

Após o desjejum, Jared decidiu que iria até o centro da cidade a pé, e a cada quarteirão que avançava, ele ficava mais encantado com o que via.

As casas, os carros, as ruas, as pessoas, tudo chamava sua atenção. Caminhou devagar absorvendo lentamente aquela incrível experiência.

A grande maioria dos homens realmente usava chapéu na rua, mas Jared não tinha intenção de comprar um. Resolveu desencanar e continuou sua exploração.

Havia poucas lojas, mas ele conseguiu comprar tudo o que queria. Roupas para o seu tamanho foi um pouco mais complicado de encontrar, pois só eram feitas sob medida, mas o moreno conseguiu algumas peças e um par de sapatos. Comprou também meias e cuecas.

Enquanto voltava ao hotel, Jared fez uma conta mental, percebendo que havia gasto em torno de cem dólares com as roupas e os objetos. Ficou pasmo, mas achou ótimo, pois seu dinheiro não ia durar para sempre.

Entrou rapidamente na recepção, subindo imediatamente ao quarto. Só queria encontrar com Jensen quando tivesse com outra roupa.

Ajeitou todas as coisas que havia comprado em cima da cama, separou a roupa que iria usar e guardou o resto. A calça que estava com a moeda, ele dobrou e a guardou no fundo da mala. Não queria arriscar.

"A pessoa pode não gostar do que irá encontrar Sr. Padalecki." Se lembrou das palavras do físico. O problema é que ele tinha gostado e muito do que encontrara, e não queria correr o risco de olhar para a moeda sem querer.

Guardou algumas notas e o documento de identidade falso na carteira que comprara, guardando o troco que sobrara de suas compras na gaveta.

Fez a barba, tomou outro banho e se arrumou, não se esquecendo de pôr o relógio novo. Deu uma última olhada no espelho e saiu do quarto, se encaminhando ao restaurante. Andou sem pressa, procurando por Jensen, mas não o viu.

Entrou no restaurante e também não havia sinal do loiro. Olhou em seu relógio, vendo que já eram quase duas da tarde.

- Provavelmente ele já deve ter almoçado. – Disse a si mesmo, antes de chegar até a varanda.

Percorreu o jardim com os olhos, mas Jensen não estava lá também.

- Deve estar ensaiando. – Disse e se sentou em uma mesa, reparando que um casal o encarava.

"Se não for pelo meu cabelo, deve ser porque estou falando sozinho" Jared pensou divertido.

Tinha essa mania de falar sozinho, ou de pensar alto desde que era moleque. Tentava se controlar, principalmente em lugares públicos, mas sempre algo escapava sem querer.

Um garçom se aproximou e ele pediu uma cerveja. Queria fazer hora para ver se encontrava o loiro casualmente no restaurante. Mas após o terceiro copo, resolveu almoçar antes que começasse a ficar bêbado.

Chegou a perguntar ao garçom pelo ator, mas este não soube informá-lo.

Voltou ao seu quarto, decepcionado por ter que esperar até a hora da peça para rever o loiro e resolveu que iniciaria seu diário. Sentou-se a pequena mesa e abriu o caderno.

Começou o relato no dia em que vira Jensen, ou melhor, a foto de Jensen no hotel, e o quanto ficara fascinado por aquele homem desde o primeiro minuto.

Descreveu o Sr. Potter, se emocionando ao se lembrar da amizade que acabou construindo com ele. Ressaltou o quanto sentia falta de suas conversas.

Sorria enquanto escrevia o modo como ficou obcecado pelo loiro, mesmo sem entender o motivo e como ficou ávido por todo o tipo de informação, tanto do ator, quanto da pessoa em si.

Narrou tudo sobre a viagem no tempo. Desde quando descobrira o livro de Julian, as técnicas de meditação, a auto-hipnose, os detalhes que usara, o local, a rede de segurança e toda a preparação para aquela "viagem".

Não se esqueceu de mencionar que escolhera o dia 08 de agosto de 1950 por ser o dia da estreia da peça de Jensen no Grand Ferris.

Anotou também o dia e a hora em que "saíra" de sua época. 20 de Junho de 2012, por volta do meio dia, pelas suas contas.

Não escondeu o fato de ter se achado louco e de ter ficado com medo do que poderia encontrar, mas não conseguiu simplesmente desistir, sequer conseguindo controlar a ansiedade que passou a consumi-lo lentamente.

Precisava conhecer o homem que mexera tanto com ele.

Também detalhou sua chegada e suas impressões quanto aos anos 50. A emoção de estar vivendo em uma época totalmente diferente a sua e de conviver com pessoas que viveram há tanto tempo atrás.

Seu coração acelerou quando começou a descrever Jensen. Como ficou nervoso quando o viu pela primeira vez tomando café da manhã com Danneel, e o medo de o loiro saber o motivo pelo qual ele estava ali.

Não conseguiu passar para o papel do jeito que queria a emoção que sentiu quando viu Jensen no palco. Relatou a pequena mentira que contara para conseguir se aproximar dele, e que no final havia valido a pena.

Jensen era muito mais lindo pessoalmente, fora seu talento, que era admirável.

Jared parou de escrever e se lembrou do sonho erótico que tivera com o loiro. Fez uma observação e relatou o que sonhara, sem se esquecer da parte em que acordara no meio do orgasmo. Sorriu e sentiu uma pulsada entre as pernas.

Voltou a falar sobre Jensen, dizendo que até aquele momento, mesmo sem ter tido muito contato com o loiro, estava ainda mais fascinado.

Fechou o caderno e o guardou na gaveta, trancando-a em seguida. Procurou seu relógio, vendo que já eram mais de cinco horas.

- Droga! – Se levantou e entrou no banheiro. Não queria chegar atrasado para a peça.

oOo

Para a surpresa do moreno, o teatro estava tão cheio quanto no dia anterior, e ficou muito feliz por Jensen. Resolveu sentar mais na frente. Sabia que alguns poderiam reclamar por causa da sua altura, mas ele queria que Jensen o visse.

Quando a peça começou, ele sorriu e se emocionou do mesmo jeito, e até conseguiu se lembrar de algumas falas, as pronunciando baixinho junto com Jensen.

Jensen o notou na plateia e Jared poderia jurar que o loiro havia sorrido para ele diversas vezes.

Ao final da apresentação, o escritor esperava ansiosamente o teatro esvaziar, quando Sandy o abordou.

- Sr. Padalecki? – Ela sorriu.

- Sim?

- Como vai a sua mãe?

- Minha... Ah! Está um pouco melhor obrigado, e ficou muito feliz com o autógrafo. Mandou te agradecer. – Ele mentiu.

- Diga que não foi nada... – Ela disse corando um pouco.

Ela ficou o encarando em silêncio até que se lembrou de seu verdadeiro propósito ali.

- Desculpe... O Sr. Ackles pediu para que lhe entregasse isso. – Ela estendeu um pequeno envelope a ele.

- Será que você poderia me levar até o camarim novamente? – Ele pediu usando as mesmas armas do dia anterior.

- Não será possível, o diretor deixou ordens expressas de que não quer mais ninguém que não faça parte da companhia no camarim. – Ela disse um pouco sem graça.

- Tudo bem, obrigado... – Jared sorriu desanimado e se levantou, saindo do teatro. Não queria trazer problemas para ela e muito menos para Jensen.

Parou no meio da recepção para ler o bilhete do loiro que pedia para que o moreno o encontrasse às nove horas da manhã, no restaurante.

Jared guardou o bilhete e ficou tentado a ficar no bar, na esperança de ver o loiro ainda naquela noite. Mas mesmo estando frustrado, Jared não queria que Jensen pensasse que ele o estava perseguindo.

Se ele havia marcado um encontro, então o jeito seria esperar para vê-lo somente no dia seguinte.

oOo

Jared foi acordado pelo recepcionista pontualmente as sete da manhã. Não queria correr o risco de se atrasar.

Tomou seu banho calmamente e se arrumou, prestando atenção nos mínimos detalhes e quando desceu até o restaurante suas pernas pareciam feitas de gelatina.

Seu nervosismo passou momentaneamente quando não viu Jensen. Olhou no relógio e confirmou as horas com o garçom. Nove em ponto.

Sentou e pediu seu café. Longos quinze minutos depois, Jared o viu.

Jensen entrou no restaurante e cumprimentou algumas pessoas que o pararam para elogiar seu trabalho. Seu sorriso era contagiante e Jared se deu conta que estava sorrindo também.

- Esse lugar está ocupado? – Ele perguntou com um sorriso de canto, quando parou em frente ao moreno.

- Não... – Jared demorou alguns segundos para responder e percebeu que sua voz falhou. Jensen sorriu e se sentou.

- Somente um café, por favor. – Ele fez seu pedido ao garçom que já se encontrara ao seu lado e se virou para Jared.

- Bom dia. – Jensen ainda sorria.

- Bom dia.

- Vejo que seguiu meu conselho. – Jensen brincou e vendo que Jared não respondera, concluiu. – Sobre o seu cabelo...

- Ah! Sim... – Ele riu. – Eu não consigo me imaginar com os cortes dessa época... Quer dizer... – Ele se apressou em explicar. – Com os cortes da moda.

- Nem eu... – Jensen mordeu discretamente o lábio e continuou. – Mas me diga Jared, de que parte do Texas você disse que era mesmo? – Ele perguntou com os olhos atentos a todos os movimentos do moreno.

Apesar de já ter quase certeza, Jensen queria se certificar cem por cento de que o moreno também era gay. Aprendeu sobre linguagem corporal na companhia e usava isso quando queria descobrir se algum homem que lhe interessava era homossexual ou não, e nunca falhara.

- San Antonio. – O moreno sorriu. Jensen o estava olhando de uma maneira que o deixava sem jeito. Seu coração disparou.

- Sou de Dallas. – Jensen sorriu também.

- Eu sei, eu li em sua biogr... Quer dizer, em uma revista. – Jared desviou os olhos do loiro. Estava nervoso e se continuasse assim ia acabar falando alguma besteira.

- Você é engraçado... – Jensen bebeu seu café que fora servido.

- Engraçado?

- Divertido e... – Jensen apertou os olhos como se tivesse o analisando. – Diferente.

- Diferente como? – Jared perguntou curioso.

- Não sei explicar... Você é diferente de tudo o que eu já vi...

- Fiquei me sentindo um extraterrestre agora. – O moreno brincou.

- Não se sinta. Isso foi um elogio. – Jensen o olhou sério e eles se encararam por alguns segundos. – O que você faz?

- Sou escritor...

- Jura? – Jensen sorriu. – De que tipo?

- Romance...

- Não sou muito fã de livros de romance, apesar de me considerar um romântico, mas gostaria de ler.

Jared engoliu em seco. Jensen nunca acharia nada seu em 1950.

- Ainda não foi publicado... - Disfarçou, pensando que deveria ter mentido sobre sua profissão.

- Tem algum rascunho? – Jensen o interrompeu insistindo.

- Não tenho certeza se você irá gostar.

- Se não quer me mostrar tudo bem...

- Não é isso... É que... – Jared suspirou pesadamente. – É difícil explicar.

- Tudo bem... – Jensen levantou as mãos em sinal de rendição. – Posso esperar, e quando for publicado, eu comprarei.

O moreno riu, mas estava nervoso.

- Está aqui a negócios ou férias? – Jensen perguntou.

- Negócios... E férias.

Jensen sorriu novamente.

- Pretende ficar muito tempo?

- Ainda não sei... Vai depender de algumas coisas. – Jared se lembrou do sonho. - Você ficará hospedado no hotel durante toda a temporada da peça?

Jared sabia que o loiro morara alguns anos em Wisconsin, mas não tinha certeza se ele já estava instalado na cidade.

- Não... Eu resolvi fixar residência aqui, pelo menos por enquanto. – O loiro explicou. – Fico no hotel apenas durante o fim de semana.

- Não sente falta do Texas? – Jared quis saber.

- Sim... – Jensen sorriu. – Quem sabe eu não volte algum dia?

- Você vai com certeza... – Jared pensou alto e tentou disfarçar. – Quer dizer, seria bom voltar...

Jensen passou a lhe fazer algumas perguntas pessoais. Quis saber desde sua idade até seu hobby predileto. O moreno não sabia como funcionava a paquera entre dois homens nos anos 50, mas definitivamente, o loiro o estava paquerando.

- Você tem algum compromisso hoje? – Jensen perguntou enquanto olhava as horas.

- Não... – Jared respondeu. Será que Jensen o convidaria para irem a algum lugar?

- Eu tenho que ensaiar, quer assistir?

- Mas... A Sandy disse que o diretor não queria que ninguém...

- O Morgan é um idiota e... – Jensen sorriu. – Eu não posso deixar de dar atenção ao "meu primo que acabou de chegar do Texas" certo? – Ele piscou o olho e o moreno sorriu. - Se ficar entediado, você pode...

- Não vou ficar entediado... – Jared o interrompeu e encarou a boca do loiro, lembrando-se novamente do sonho.

- Se me olhar outra vez desse jeito, eu não respondo por mim... - Jensen disse baixinho e sorriu.

O moreno baixou o olhar e sorriu também. O loiro era direto e Jared gostava disso.

- Então vamos? Não posso me atrasar. – O ator se levantou.

Jared o seguiu até o teatro e quando entrou, percebeu que ele ainda estava vazio.

- Cadê todo mundo? – Perguntou.

- Devem estar chegando a qualquer momento. – Jensen trancou a porta por dentro.

Jared se virou para ele e passou a mão pelo cabelo, sem esconder que estava um pouco nervoso. O que será que o loiro pretendia? E se alguém os visse?

Jensen se aproximou mais e percebendo o nervosismo do outro, brincou.

- Calma, eu não mordo... - O loiro estudava sua reação enquanto aproximava seu rosto ao de Jared, e como este não se afastou nem um milímetro, Jensen viu como um sinal de que ele podia continuar.

Jared fechou os olhos quando sentiu os lábios do loiro encostarem aos seus. O beijo foi tímido, apenas um selinho um pouco demorado, mas o suficiente pra fazer o coração do moreno disparar.

Jensen afastou um pouco o rosto e o encarou, subindo suas mãos pelos braços do outro, e depois segurando em seus cabelos, enfiando os dedos por entre os fios.

- Eu quis saber qual era a sensação de fazer isso desde o dia em que eu te vi no restaurante... – Jensen confessou.

- E qual é a sensação? – Jared já segurava na cintura do loiro o puxando para mais perto.

- Deliciosa... – Jensen respondeu e o beijou novamente. Sua língua abrindo espaço e se juntando a do moreno em uma excitante briga pelo espaço.

As mãos de Jared subiram e apertaram as costas do loiro, o apertando contra seu peito.

Os gemidos começaram no mesmo momento em que seus corpos passaram a se esfregar, ainda que discretamente, mas sendo o suficiente para deixá-los excitados.

- Não acredito! – Uma voz ecoou pelo teatro e eles se afastaram rapidamente olhando assustados na direção de onde viera o som.

Continua...

*Tipão: Homem bonito, atraente.

Próximo Capítulo

- Será que ele desistiu? – Pensou alto, rindo em seguida. – Deve ter uns dez minutos que você saiu do teatro. Calma Jared... Tá parecendo um adolescente virgem.

Se levantou e foi até o mini bar, se servindo de uma dose de uísque e quando estava no segundo copo, ouviu batidas na porta.

Deixou o copo em cima da mesa e a abriu, deixando Jensen entrar, notando que ele tinha os cabelos molhados.

- Demorei? – O loiro perguntou e Jared pode sentir o nervosismo em sua voz.