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Um aviso: Esse capítulo precisou ser todo modificado, então a cena que postei anteriormente como "Próximo Capítulo" foi alterada.

Beta: Pérola

Capítulo Nove

A cada linha lida, Jensen sentia seu coração acelerar. Será que Jared era algum louco ou será que aquilo tudo era uma brincadeira com ele por causa da peça?

"... Entrei no pequeno museu do hotel, e me encantei com as inúmeras fotos que havia na parede, mas uma delas me chamou mais a atenção. Sem explicação imediata, fiquei fascinado pelo homem da foto. Descobri depois se tratar de Jensen Ackles, um famoso ator de teatro da década de 50..."

"... Ávido por informações, vasculhei a internet atrás de tudo que existia sobre ele. Comprei sua biografia, e quanto mais sabia sobre Jensen, mais queria saber..."

"... Em meio a minha obsessão por aquele homem, descobri um livro em que o autor dizia que era possível a viagem no tempo..."

"... Escolhi a palavra Texas e uma moeda como minha palavra de segurança e meu objeto de segurança respectivamente. Minha mente foi convencida, através da meditação, a obedecer a eles..."

- O que? – Jensen se perguntou confuso.

"... Texas me faria sair da minha auto-hipnose, caso eu ficasse preso a ela, sem conseguir "viajar". E a moeda me levará imediatamente a 2012 se eu olhar para ela..."

- A moeda... Será que... – Jensen se lembrou da moeda que achara no bolso da calça do moreno, e imediatamente largou o caderno. Abriu a mala e vasculhou novamente os bolsos das calças até encontrá-la. Seu coração falhou quando ele viu a data. 2012.

- Não pode ser...

A cabeça de Jensen rodava. Guardou a moeda onde estava e voltou a pegar o caderno, sentindo que tremia mais que vara verde.

"... Decidi voltar no dia 08 de agosto de 1950, dia que a peça de Jensen estrearia no Grand Ferris..."

"... Não tinha certeza se conseguiria vencer os limites do tempo e espaço, mas eu precisava tentar... Precisava conhecer Jensen..."

"... O vi pela primeira no restaurante do hotel. Estava tomando café da manhã com Danneel, e eu quase enfartei quando o vi. Jensen é muito mais bonito pessoalmente..."

Jensen se lembrou da primeira vez que viu Jared, e foi justamente no dia da inauguração do teatro, na primeira apresentação da peça.

"... Quando o vi no palco ao vivo, senti uma emoção inexplicável. Ele é um excelente ator, sem dúvida..."

"... Precisei mentir, pois tinha que me aproximar dele..."

"... O sonho foi incrível e foi tão real que eu acabei gozando no lençol da cama..."

"... Até agora ainda tive não muito contato com Jensen, mas estou ainda mais fascinado por esse homem..."

"... Jensen é direto! Nem parece ser um homem da década de 50... Me paquerou descaradamente no restaurante... Mas eu gostei... Me senti um adolescente outra vez..."

"... Eu tive que me controlar muito para não arrancar as roupas dele dentro daquele camarim... Ele estava me beijando de um jeito... Mas eu não quero fazer amor com ele assim... Quero aproveitar cada segundo, sem pressa..."

"... Combinamos de nos encontrar mais tarde aqui em meu quarto e não vejo a hora de tê-lo em meus braços..."

Jensen fechou os olhos e sentiu uma lágrima descer por seu rosto. Sentiu o desespero tomar conta de seu corpo. Não sabia o que pensar.

Amava sinceramente Jared e acreditava ser correspondido. Mas agora, depois de ler aquilo, não tinha mais tanta certeza dos sentimentos do moreno por ele.

"Você me ama Jared?"

"Eu amo Jensen... Eu amo muito mais do que consegue imaginar... Mas... Eu não posso..."

"Não pode ou não quer?"

Jensen largou o caderno em cima da cama e pegou as chaves do seu carro, saindo do apartamento em seguida.

oOo

Jared saiu do apartamento do loiro sem saber para onde ir. Não queria voltar ao hotel, mas também não queria ficar na rua.

Caminhou até achar uma confeitaria. Entrou e sentou em uma mesa no canto. A garçonete veio lhe avisar que fechariam em uma hora. Ele disse que não demoraria e pediu um café.

- Está tudo bem com o senhor? – Ela perguntou, percebendo seu abatimento quando voltou com a cafeteira.

- Sim... Obrigado... – Jared sorriu sem vontade e deu um longo gole.

Suspirou profundamente e olhou para a rua através da vidraça, tentando pôr seus pensamentos em ordem.

Precisava dizer a verdade a Jensen, mas qual era a verdade?

A verdade era que ele não queria voltar, mas precisava. Não podia simplesmente desaparecer do mapa em 2012. Ou podia?

O moreno começou a listar os motivos pelo qual teria que voltar e nenhum deles, exceto a sua família, o faria retornar.

Poderia viver tranquilamente na década em que estava. Arrumaria um emprego e escreveria nas horas vagas. Quem sabe poderia até escrever uma peça de teatro para o loiro? Baixou a cabeça e sorriu.

Pensou em sua mãe e doeu em seu peito não ter como avisá-la que ele estava bem e feliz. Feliz como nunca fora em toda a sua vida.

Lembrou-se do filme De volta para o futuro e riu. Mesmo que pudesse escrever uma carta para ela, o que diria?

- Estou vivendo em 1950, não pretendo voltar, não se preocupe... – Disse novamente em voz alta, reparando agora que a garçonete olhava para ele desconfiada.

Pôs o dinheiro do café em cima da mesa e se levantou, sorrindo para ela e saindo da confeitaria em seguida. Não conseguia pensar sem falar sozinho, principalmente quando era algo importante, mas não queria chamar a atenção.

Andou devagar por algumas ruas enquanto pensava em tudo o que vivera com o loiro naqueles dias. Volta e meia sorria em meio às recordações. Jensen era realmente incrível.

Jared parou e suspirou pesadamente. Como iria viver sem Jensen? Sem seu sorriso sincero, sem seu abraço apertado? Como passaria o resto de seus dias somente com a lembrança dos dias felizes que vivera ao lado dele?

Provavelmente entraria em depressão profunda e morreria de tristeza e saudade.

Jensen era tudo o que o moreno sonhara durante sua vida e agora teria que abandoná-lo. Não era justo.

Jared sentiu seu coração acelerar. Queria ficar com Jensen mais do que qualquer outra coisa em sua vida.

- É isso que eu quero...

Jared sorriu e começou a caminhar rapidamente em direção ao apartamento do loiro.

- Jensen? – Jared entrou chamando pelo ator. – Jensen?

Percebeu que as luzes estavam acesas e percorreu todo apartamento. Entrou no quarto e seu coração falhou quando viu o seu diário em cima da cama.

- Não, não, não... Não Jensen... – Jared entrou em pânico.

Jensen havia lido seu diário e com certeza deveria estar achando que o moreno era louco ou coisa pior.

Saiu do apartamento e subiu as escadas do prédio correndo, batendo na porta de Harris. Respirou fundo várias vezes, tentando se acalmar.

- Jared? – Uma sonolenta Danneel abriu a porta. - O que está acontecendo?

- Desculpe te acordar Dan, mas o Jensen está aí?

- Não... Ele não está em casa? Eu pensei que...

- É que nós... Nós... Nós discutimos e... – Jared estava sem graça. – Eu fui dar uma volta para esfriar a cabeça e quando voltei, ele não estava mais em casa... Eu pensei que ele pudesse estar...

- Vocês discutiram por quê? – Ela perguntou.

- Eu... É que... – Jared não queria contar a verdade a ruiva. Não sem antes conversar com Jensen.

- Ele disse que quer assumir e você não concordou certo?

- Eu... Na verdade...

- Eu não te culpo Jared, eu disse a ele que isso era uma loucura, mas ele não me ouviu...

- Você tem ideia de onde ele possa ter ido?

- O carro dele está aí?

- Não sei... – Eles andaram até a sacada da ruiva, e viram que o carro do loiro não estava estacionado onde deveria.

- Bom, se eu o conheço bem, ele não vai demorar a voltar. Não se preocupe, o Jensen não é de fazer nenhuma besteira, mesmo estando de cabeça quente.

Jared baixou a cabeça e suspirou.

- Quer entrar? – Ela perguntou.

- Não... Desculpe ter te acordado, eu vou...

- Agora eu não vou conseguir dormir até ele chegar, e você também não... – Ela sorriu. – Entre... A gente toma um café enquanto espera.

- Certo... – Jared sorriu fracamente e entrou no apartamento da ruiva.

- Fique à vontade.

Jared sentou no sofá e passou a mão nos cabelos.

- Sabe Jared... – O moreno ouviu a voz dela vindo de dentro da cozinha americana. – O Jensen tem um bom coração, mas ele é meio impulsivo às vezes. Principalmente quando está apaixonado. – Ela lhe entregou uma xícara de café quente, se sentando ao lado dele. – O problema todo é que ele não aceita o fato de ter que esconder o que ele é. Ele quer ser aceito e quer que todos vejam como uma coisa normal o fato dele gostar de homens, mas isso nunca vai acontecer.

- Eu sei... – Jared deu um gole no café.

- O que você disse a ele?

- Eu disse que ele tem que pensar na família e na carreira dele em primeiro lugar.

"E que nós não podemos ficar juntos..."

- Foi por isso que vocês brigaram então? Nossa! Como o Jensen é teimoso!

- Olha Dan... Muito obrigado pelo café, mas eu acho que eu vou esperar o Jensen lá embaixo. – O moreno apoiou a xícara em cima da mesa.

- Tem certeza?

- Tenho... – Ele se levantou. – Obrigado.

Danneel abriu a porta e depois de observar Jared descer as escadas, pegou um cigarro e foi para a varanda esperar Jensen. Não dormiria enquanto não visse o amigo chegar.

oOo

Jensen olhou no relógio, vendo que já passava das duas da manhã. Ligou novamente o carro e fez o caminho de volta para casa.

Quando chegou, estacionou e saiu do carro, se assustando com a voz da ruiva.

- Está tudo bem?

- Está Dan... Está tudo bem. – Jensen imaginou que Jared deveria ter voltado e o procurado na casa da amiga.

- Quer conversar? – Ela perguntou.

Jared abriu a porta do apartamento do loiro, depois de ouvir o barulho do carro e encarou o loiro.

- Não Dan... Amanhã nos falamos. Vá dormir, já está tarde. Boa noite.

- Boa noite... – Ela sorriu e entrou.

Jensen andou até a sua porta, e o moreno lhe deu passagem, fechando-a em seguida.

- Jensen...

- Eu só queria saber... – Jensen começou a falar alto e depois diminuiu o tom de sua voz. – Por que eu? Por que eu Jared?

- Jensen...

- Isso é algum tipo de brincadeira idiota comigo?

- Jensen... – O moreno engoliu em seco. – Vamos conversar com calma.

- Você é... Algum lunático que resolveu brincar comigo e com meus sentimentos?

- Jensen... Por favor, fique calmo ok?

- Não me peça isso, por favor...

- Não sou lunático Jensen... Eu vim realmente do futuro. Eu sei que parece... – O moreno respondeu e Jensen riu, dando as costas a ele e entrando no quarto. Jared o seguiu.

- Você é louco! – O loiro apontou para o caderno em cima da cama. Teve vontade de pedir para Jared arrumar suas coisas e sair imediatamente de seu apartamento, mas não conseguiu.

- Não sou louco Jensen. Se você me deixar explicar...

- O que está escrito ali... É loucura Jared! – O loiro apontou para o diário.

- Não é Jensen... Eu... Eu não queria que você soubesse dessa maneira...

- Por que me escolheu para a sua... Brincadeira?

- Isso não é uma brincadeira Jensen! Nunca foi uma brincadeira pra mim!

- Jared, essas coisas não existem!

- Lembra quando eu te falei que tinha te amado antes de te conhecer? – Jared perguntou e o loiro baixou a cabeça.

- Jared não vai adiant...

- Eu fiquei fascinado por você, e quando vi estava... Totalmente obcecado... Eu precisava te conhecer Jensen! Eu vim do futuro porque eu precisava te conhecer! – Repetiu.

O loiro o encarou por alguns segundos e andou até a janela do quarto. Parecia estar em um pesadelo.

- Acho que você já se divertiu bastante às minhas custas. Não entendo o que ainda está fazendo aqui. – Jensen limpou uma lágrima que desceu contra a sua vontade. Já havia chorado o suficiente enquanto esteve sozinho e não queria chorar na frente do moreno.

- Não! – Jared andou até ele e segurou em seus braços. – Eu não estou brincado Jensen! Eu te amo! – Ele disse com sinceridade.

- Me solta Jared... – Jensen se afastou... – Se é que esse é seu nome.

Jensen encarou a janela novamente. Os olhos começando a transbordar.

- Jensen, desculpe não ter te contado antes, eu... Eu não sabia o que dizer... Mesmo pra mim é difícil acreditar que realmente estou aqui. Eu sei que deve estar passando mil coisas na sua cabeça e...

- Era esse o motivo pelo qual não podemos ficar juntos? Porque você é... – Jensen sorriu sem vontade e passou a mão pelo rosto, o secando. – Foi por causa da minha peça que você inventou tudo isso? O que vai fazer? Escrever um livro sobre a sua experiência?

- Jensen, eu não estou inventando. Me deixe explicar... E se depois... Se depois você me quiser fora da sua vida eu... – Jared baixou a cabeça. Seu coração doía só de pensar em se afastar de Jensen. – Me deixe explicar, por favor...

Jensen não respondeu e Jared começou o seu relato.

- E quando eu descobri sobre a viagem no tempo, eu passei a ter somente um objetivo na minha vida... Te conhecer.

- Jared, isso tudo é muito surreal, como eu...

- Eu sei Jensen, eu sei... – Jared continuou contando tudo ao loiro. Contou sobre a preparação para a viagem, sua chegada e tudo o que ele sentiu quando conheceu Jensen.

- Eu sei que posso ter dito várias coisas que não eram verdade, mas eu não menti sobre o que eu sinto por você. Eu te amo! Eu nunca amei ninguém do jeito que eu te amo! Acredite em mim, por favor...

Jensen baixou a cabeça e suspirou.

- Seu nome é mesmo Jared Padalecki? – Jensen perguntou.

O moreno sorriu.

- Sim, meu nome é Jared Tristan Padalecki, eu tenho realmente 30 anos e moro em Nova York, mas nasci em San Antonio, no Texas. – O moreno fez uma pausa. – Sou um escritor de romances e já tenho vários livros publicados. Vivo confortavelmente da minha escrita, e não existe nenhum negócio da família Padalecki em San Antonio. Meu pai é médico e minha mãe é dona de casa. Eu menti sobre algumas coisas da minha vida, porque eu acabei me enrolando nas respostas. – Jared completou. – Você me deixou muito nervoso quando nos conhecemos. – O moreno riu.

- As pessoas... Todo mundo viaja no tempo em 2012? – Jensen ainda estava confuso.

- Não... Eu seria taxado de louco tanto lá quanto aqui.

- E... – O loiro suspirou. – E quando disse que não podíamos ficar juntos era... Era...

- Me desculpe Jensen... Eu... Eu fui inconsequente... Na verdade eu fiquei tão louco por você que não pensei em mais nada. Não pensei no que esse encontro poderia acarretar para nós dois.

- Eu não sei no que acreditar...

- Jensen... Você... Você vai terminar comigo? – Jared perguntou em um fio de voz.

O loiro o encarou. Ele amava Jared e estava disposto a assumir o relacionamento deles há apenas algumas horas atrás. Sentia que o moreno estava sendo sincero, e por mais que aquilo tudo fosse uma loucura, Jensen acreditava em seu amor. Chegou a ter uma sombra de dúvida, mas acreditava que Jared o amava.

- Me prove...

- O quê?

- Me prove que o que está dizendo é verdade, sobre você ser de... 2012... E não adianta me mostrar a moeda, porque eu já a vi.

- Você... V-Você pegou a moeda?

- Ela é falsa não é?

- Não Jensen! – Jared disse totalmente em pânico. – O-Onde ela está?

- Está no lugar onde achei...

Jared respirou fundo.

- Você leu o diário, então sabe o que vai acontecer se eu olhar para a moeda. Não posso arriscar Jensen...

- Tudo bem Jared, eu a guardei, agora... Me prove que você é do futuro.

- Como posso provar?

- Não sei... – Jensen estava sério.

- Bom... – O moreno suspirou novamente. Sabia que tinha que ser algo que já acontecera com o loiro, e depois de pensar por alguns segundos respondeu. – Em 1990 você escreveu... Escreverá uma Biografia, contando toda a sua vida. Pessoal e profissional. Eu também vi algumas entrevistas que você deu.

Jared contou alguns fatos que o loiro descrevera em sua Biografia e nas entrevistas e que só Jensen sabia. Fatos da sua infância e adolescência, pequenos detalhes que ele nunca contara antes a ninguém, nem mesmo a Danneel e que Jared não tinha como saber.

Jensen achava aquilo tudo uma sandice, mas em seu íntimo estava acreditando no moreno. Como ele poderia saber tanto daquela fase da vida do loiro?

- Você... Você me conheceu em 2012? Quer dizer, eu ainda estou...

Jared sorriu sem graça. Não queria dizer ao loiro que ele morreria em 2012.

- Eu... Eu não tive a oportunidade de te conhecer pessoalmente em 2012, mas...

- Por que não?

- Porque... – O moreno pensou rápido. – Eu não queria te assustar, sei lá...

- Você não queria me ver todo murcho e babando, isso sim... – Jensen esboçou um sorriso.

- Você ficará um velhinho adorável se quer saber...

- Jared... – Jensen suspirou pesadamente. – Você disse que tudo o que queria era me conhecer, então... Agora que já me conheceu, você... – Jensen não escondia a tristeza em sua voz. - Você vai embora...

- Mas eu não quero ir... – Jared respondeu entrelaçando seus dedos nos do loiro.

- Não? Mas você disse que nós...

- Eu quero ficar aqui com você, Jensen. Pra sempre... - Jared riu. – Se você me quiser ainda.

- Eu... – Ficar com Jared era tudo o que Jensen mais queria. - Quero... Quero dizer, eu... Eu não consigo ainda raciocinar direito, isso tudo é louco demais pra minha cabeça, mas a única certeza que eu tenho disso tudo é que eu te amo, Sansão.

- Eu pensei muito quando você me pediu pra ficar sozinho, e não consigo mais ficar longe de você Jensen... Não me importo de abrir mão da minha vida em 2012 por você. Eu poderia recomeçar aqui... Eu arrumarei um emprego e recomeçarei uma nova vida aqui. Com você...

- E a sua família? Eles...

- Eles vão pensar que eu morri...

- Eles não sabem? Quero dizer... No diário você não diz se... – O coração do loiro estava pulando.

- Não... Ninguém sabe... Nem o Sr. Potter.

- Mas não foi ele quem te ajudou, falando de mim e...

- Sim, ele me ajudou muito. Me mostrou várias fotos suas, contou muitas histórias dessa época e até me deixou ver um filme com a sua peça. Mas ele não sabe da "viagem"...

- Um filme com a minha peça?

- Sim, parece que você pediu para alguém filmar uma das apresentações.

- Eu... Eu tenho mesmo essa vontade, mas ainda irei pedir permissão ao Jeffrey. – Jensen estava confuso. - Isso tudo é tão esquisito...

Jensen reparou que o moreno estava pensativo.

- Jared... Olha pra mim... – Jensen pediu. – Eu preciso de um tempo ainda para conseguir administrar tudo isso e...

- Eu te amo Jensen... – O moreno interrompeu e o puxou para um abraço. – Eu te amo demais.

- Eu também te amo Jared... E eu estou muito feliz por você ter decidido ficar comigo aqui... Em... 1950... – Jensen sorriu. Era estranho falar daquele jeito.

- Eu vou ficar... Eu quero ficar... – Jared sorriu. – Se eu voltar, não vou viver muito tempo, eu sei... Não vou aguentar de saudade. Eu te amo Jensen, não posso mais viver sem você.

- Jared, a sua...

- Eu sei Jensen... Eu sei... Sei que estou sendo injusto com eles, mas com certeza, se eles pudessem me ver, pudessem me ouvir, eles diriam para eu ficar.

- Jared, você precisa ter certeza do que quer. Não quero que se arrependa.

- Eu nunca vou me arrepender Jensen... Nunca. – O moreno sorriu. – Eu vou dar um jeito de avisá-los. – Jared sabia que aquilo era quase impossível, mas não queria que o loiro se sentisse culpado.

- Como?

- Ainda não sei, mas eu pensarei em algo.

- Jared... Eu não quero que você...

- Jensen... Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu te amo e nunca vou me separar de você.

O moreno puxou o ator e o beijou com vontade.

Se encararam por alguns minutos, sorrindo, após o beijo. Jensen, mesmo achando aquilo tudo confuso demais, estava aliviado pela decisão do escritor e pelo fato de Jared o amar a ponto de ter viajado através do tempo para conhecê-lo e o moreno tendo a certeza que estava fazendo a coisa certa.

- Pretende contar à Danneel? – Jared perguntou.

- Ainda não sei... – Jensen respondeu.

- Acho que quanto menos gente souber, melhor. Mesmo ela sendo de confiança, essa história é muito louca! Obrigado por acreditar em mim... – Jared o beijou levemente nos lábios.

– Jared... Em 2012 a gente vai poder... Os homens vão...

- Não... Quero dizer, os gays têm alguns direitos em 2012, mas ainda somos apontados nas ruas.

- Quero saber tudo o que vai acontecer com o mundo... Me conta?

- Não vou contar nada... Não vai ter graça se você souber.

- Por favor... – Jensen fez beicinho.

Jared riu e começou a relatar os fatos que achava mais importantes. Jensen sorria fascinado, sem ainda acreditar que aquilo estava acontecendo.

- O Presidente dos Estados Unidos em 2012 é negro? – O loiro gritou.

Os anos 50 era uma época em que os negros sofriam com o racismo e a segregação racial, e imaginar um negro na Presidência era loucura demais.

Jared confirmou e continuou seu relato. Jensen não conseguiu entender direito como um computador poderia caber dentro de um telefone, e Jared achou graça.

- Você não vai sentir falta dessas coisas todas? Do mundo de 2012? De toda a modernidade e facilidade? Dessa intermet e tudo mais?

- Internet... – Jared riu. – Não vou sentir falta e... Bom, de qualquer maneira, segundo o calendário Maia, o mundo vai acabar em 2012 e...

- O quê? Como assim?

Jared explicou e o loiro ficou abismado.

- Acho que aqui estarei protegido... – Jared brincou. – Jensen, não vai acabar... É só mais uma profecia sem fundamento.

Jared contou algumas profecias que foram anunciadas depois de 1950 e que nunca se confirmaram.

- Como é a sua vida em 2012 Jared? – Os olhos de Jensen brilhavam de curiosidade.

- Bom... Eu vivo em Nova York como eu já te disse... E...

- Me fale de seus livros... Quantos já foram publicados?

- Eu tenho sete livros publicados e alguns contos.

- Uau! Você deve ser famoso...

- Que nada... – Jared mentiu. – Já fiz uma sessão de autógrafos, mas quase não apareceu ninguém.

- Não acredito em você. – Jensen sorriu.

- Ok Jensen, eu sou um pouco famoso sim... Tenho um ótimo apartamento, tenho dinheiro, família e amigos maravilhosos. Mas eu não era feliz... Eu nunca fui tão feliz como nesses poucos dias em que estive aqui. Com você... E eu não quero voltar, eu não vou voltar... Nunca mais.

- Jared, tem certeza?

- Eu tenho. – Jared aproximou seus lábios e beijou o loiro devagar, com calma, saboreando cada segundo.

- Eu te amo... – Disse no meio do beijo, e sentiu que Jensen sorria. Deitou na cama e puxou o loiro, aconchegando-o em seus braços.

- Jared, me conta sobre a viagem no tempo... Como é?

- Bom, primeiro...

Jared explicou detalhadamente todo o processo ao loiro, se divertindo com as perguntas de Jensen. Por mais que seu peito se apertasse com a sua decisão de ficar, por causa de sua família, Jared estava feliz com ela.

Continua...

Próximo Capítulo

- Você acha que homossexualidade é uma doença que pode ser transmitida Jeffrey? É isso?

- Não exatamente transmitida por ser uma doença mental, mas já foi comprovado que se você conviver muito tempo com...

- Doença mental? – Jensen riu. – Acho que o maluco aqui é você...

- Jensen, já foram feitas várias pesquisas e...

- E todas estão erradas! – Jensen gritou.

- Olha Jensen eu não quero discutir com você... Eu só quero saber se esse seu primo é...

- E se for? Qual o problema? Vai proibir a entrada dele no teatro? Você acha que dentre todos os espectadores não tem nenhum gay?

- Porque está exaltado desse jeito?

- Porque eu to cansado de gente igual a você... Pessoas ignorantes que acham que nós temos algum problema, alguma doença e... – Jensen parou de falar, percebendo que falara demais.