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Capítulo Onze

Jared abriu os olhos, sentindo seu coração acelerar quando se viu novamente dentro da sala do projetor, que agora estava praticamente vazia. Isso só podia significar uma coisa. Ele havia voltado a 2012.

- Não! – Se levantou. Tinha a moeda em sua mão e a voz do loiro o chamando em desespero ainda ecoava em seu ouvido.

- Não, não, não... Meu Deus... Por favor, não... – Dizia sem parar.

- Por quê? Por quê? – Se ajoelhou, perguntando em voz alta, com as mãos no rosto. Agora que tinha decidido ficar com Jensen e tinha contado toda a verdade ao loiro, o destino pregava aquela peça neles.

- Jensen... Meu amor... – Jared estava desesperado imaginando o que estava acontecendo com Jensen. Ou melhor, o que havia acontecido, pois 62 anos o separavam dele. Todos sabiam agora que ele era gay, e Jared havia desaparecido, deixando-o sozinho para lidar com aquela situação.

- Jensen... – Sua voz saía chorosa.

Depois de alguns minutos, olhou para o objeto em sua mão. Somente Jensen poderia tê-la guardado dentro daquela meia, na tentativa de tirá-la de perto dele, mas não havia dado certo.

Guardou a moeda em seu bolso. Tinha que se acalmar. Precisava se acalmar se quisesse ver Jensen novamente.

Se sentou no chão outra vez e respirou fundo. Fez uma rápida conta mental. Tinha voltado no dia 17 de agosto, então era pra essa data que ele precisava ir. Alguns minutos antes de abrir a gaveta de Jensen. Lembrou-se da hora que acordou e se amaldiçoou por não estar usando o seu relógio.

Voltaria ao quarto atrás do teatro, e provavelmente as pessoas o veriam saindo de lá, sem entenderem nada, mas não tinha problema. O importante era ele voltar.

Respirou fundo, tentando se concentrar. Depois de alguns minutos começou seu mantra.

- São dez horas da manhã de 17 de agosto de 1950.

- Estou na sala atrás do teatro do Hotel Grand Ferris, em Green Bay, Wisconsin, em 17 de agosto de 1950.

- Jensen Ackles está na Rua F, número 43, apartamento 1, em Green Bay, Wisconsin, em 17 de agosto de 1950. Minha mente aceita totalmente esse fato.

- São 17 de agosto de 1950. Dez horas da manhã.

- Estou na sala atrás do teatro do Hotel Grand Ferris, em Green Bay, Wisconsin, em 17 de agosto de 1950.

Jared recomeçou a se desesperar, não estava conseguindo se concentrar direito, mesmo depois de repetir inúmeras vezes. Sabia que não era tão simples assim.

Após meia hora tentando meditar, o que para ele pareceu uma eternidade, o moreno surtou, repetindo sem parar que não podia ter voltado, que não devia ter voltado a 2012.

Em meio ao seu desespero, ele se lembrou do Sr. Potter. Talvez ele pudesse ajudá-lo.

Jared lembrou que havia trancado a porta. Deitou no chão e viu que a chave não estava mais lá, mas mesmo assim, se levantou e girou a maçaneta, ficando surpreso e aliviado quando a porta abriu. Alguém devia tê-la destrancado, talvez o próprio Sr. Potter.

Jared saiu do cinema, e mesmo estando descalço, atravessou a recepção do hotel, tentando não demonstrar seu desespero. Foi à procura do Sr. Potter. Perguntou a um funcionário, que lhe informou que ele estava de folga.

- Sr. Potter! Sr. Potter! – Jared bateu na porta com força, e depois de alguns segundos, William atendeu.

- Jared? Já voltou de Nova York? – Olhou o moreno de cima a baixo. – E onde estão seus sapatos?

- Eu, eu... - O moreno começou a se desesperar novamente.

- O que aconteceu meu filho?

- Eu posso entrar? – Jared perguntou com a voz trêmula.

- Claro! Entre! Vou buscar água para vo...

- Não senhor Potter! – Jared o interrompeu assim que entrou na pequena sala. – Preciso conversar algo com senhor. É muito importante.

William estava confuso com aquele comportamento de Jared, mas se sentou no sofá e encarou o jovem à sua frente.

- Pode falar...

Tentando escolher as palavras com cuidado, Jared começou a relatar sua experiência ao funcionário.

- Mas isso é...

- Sr. Potter, o senhor me viu... Procure se lembrar... Eu sou o primo do Jensen... Jensen Ackles, ator da companhia que se apresentou no teatro do hotel, em 1950 com a peça "Grandes Erros da Humanidade."

William o olhou confuso por alguns instantes e de repente arregalou os olhos, pondo a mão na boca.

- Não pode ser! Não era você, não era... Como? – William pôs a mão na cabeça e se levantou. – Estou confuso... Muito confuso.

- Lembra que uma vez o senhor estava fumando escondido de seu pai atrás do hotel, na rua sem saída e eu disse que era primo do Jensen. O ator de teatro. Lembra?

Jared o observava com o coração na mão, e pedia em seu íntimo para que William se lembrasse dele.

Potter continuou encarando o moreno por alguns instantes.

- Eu me lembro... Meu Deus, eu me lembro... Mas... Como é possível?

- Eu realmente estive lá Sr. Potter... – Jared disse emocionado. – E eu... Eu preciso voltar...

William começou a andar pela sala.

- Esse rapaz... Jensen... Jensen...

- Ackles! – Jared se apressou em responder.

- Isso! Ackles... Ele... E a moça... Como era mesmo seu nome?

- Danneel... Danneel Harris. – Jared respondeu aflito.

- Eles nunca mais apareceram no hotel. Foram embora da cidade, parece que eles brigaram com o diretor da peça uma semana depois da estreia e...

- Embora? Embora para onde?

- O boato correu solto pelo hotel. Diziam que eles namoravam e que ele a traiu com... Com... Um homem... Seu primo, mas que na verdade não era primo e... – William respondeu ainda bastante confuso. Sabia que esse homem era Jared, o mesmo Jared que estava agora bem na sua frente.

Jared sabia que esse boato deveria ter sido espalhado por Jeffrey e os atores da companhia. Afinal todos pensavam que a ruiva era namorada de Jensen.

- E o que aconteceu? – A voz do moreno era quase inaudível. Ele não tinha certeza se queria saber.

- Bom... – William se sentou novamente. – Foi um escândalo na época. A moça... Danneel... Ela confirmou que Jensen havia a traído com um homem, e que depois se mudara para o Brasil com... Com... - William passou as mãos pelos cabelos. – Ele se mudou para o Brasil com o namorado que na verdade, era... Era você...

Jared sentiu sua respiração falhar e a sala girar. Sabia que Danneel nunca falaria aquilo do amigo. Por mais que ela tivesse ficado com raiva, ela amava Jensen. A não ser que...

- Hoje é dia 17 de agosto certo? – Jared perguntou e quando William confirmou com a cabeça. Ele saiu correndo da casa do Sr. Potter, entrando novamente no hotel, sem se importar por ainda estar descalço.

- Jared! Jared! – William o chamou de sua porta e voltou para dentro de casa. Precisava trocar de roupa antes de ir atrás do moreno, não podia andar pelo hotel de roupão.

- Senhor, não pode ficar descalço na recepção. – Um funcionário se aproximou, mas Jared não lhe deu atenção. Sua cabeça estava a mil por hora.

Olhava para os lados, enquanto andava pelo primeiro andar do hotel. Seu coração pulava dentro de seu peito desesperadamente. Um fio de esperança surgindo em sua alma.

Sabia que seria difícil, praticamente impossível, mas para um coração apaixonado essas palavras não existiam.

- Com licença... – Jared se aproximou da recepção e a atendente sorriu.

- Eu gostaria de saber se algum hóspede com o nome de Jensen Ackles se registrou hoje.

- Só um minuto... – A recepcionista digitou em seu computador. – Não senhor e não existe nenhuma reserva com esse nome.

Jared a encarou por alguns segundos e pediu para ela checar novamente, mas foi interrompido.

- Senhor, por favor... – O funcionário chamou sua atenção outra vez. – Não pode ficar...

- Está bem, já estou saindo... – Jared percorreu os olhos pela recepção mais uma vez, mas acabou deixando o hotel, voltando desolado para a casa do Sr. Potter.

- Jared? Por que saiu correndo daquele jeito?

- Eu... Por um momento, eu achei que... – O moreno balançou a cabeça e depois suspirou. – Eu preciso voltar Sr. Potter... – Jared tinha determinação em seu olhar e em sua voz. – Não importa quanto tempo leve, semanas, meses, mas eu preciso voltar ao dia 17 de agosto de 1950. E o senhor vai me ajudar.

oOo

- Jensen, tem certeza de que é isso mesmo que você quer? – Danneel observava o loiro terminar de se arrumar.

- Eu quero o Jared Dan... Não importa em que época, não importa como... Eu não sei mais viver sem ele.

Danneel suspirou. Passara um mês, desde que Jensen batera em sua porta desesperado, dizendo que Jared havia desaparecido.

A princípio, ela achou que o moreno havia ido embora, por causa das coisas que ela dissera quando descobriu que havia sido demitida da companhia por causa da irresponsabilidade deles. Quando Jensen começou a contar sobre a viagem no tempo, ela riu, achando que era alguma brincadeira do loiro para que ela fizesse as pazes com ele. Foi difícil convencê-la de que tudo aquilo era mesmo verdade.

Depois que Jared sumiu bem na frente de Jensen, o loiro se desesperou completamente. Mas sabia que aquele sentimento não o ajudaria.

Ele sabia exatamente o que fazer para ter Jared novamente, e passou a ler o diário, estudando-o, anotando tudo o que ele se lembrava da conversa que tivera com Jared sobre a viagem no tempo.

Nos primeiros dias, ele esperou que Jared batesse à sua porta a qualquer minuto, mas como não aconteceu, decidiu que se quisesse ver Jared outra vez, teria que ir até ele.

Sabia que o moreno não desistiria deles, mas com o passar dos dias, Jensen começou a achar que talvez a viagem só funcionasse uma vez. E se fosse assim, então agora seria a sua vez.

- Quer ajuda com a gravata? – Danneel perguntou.

- Não, já estou terminando... – Jensen respondeu.

- Está com medo?

- Ansioso na verdade... – O loiro esboçou um sorriso.

Jensen já havia tentado duas vezes a teoria, e estava confiante que dessa vez conseguiria ir até 2012. Não se permitia pensar o contrário e nem entrar em depressão. Tampouco pensava em desistir. Levasse o tempo que levasse, ele se encontraria com o moreno outra vez.

- As cartas... Estão...? – Ele se aproximou da amiga.

- Está tudo certo Jensen... – Ela sorriu e o abraçou apertado.

Jensen havia escrito algumas cartas a sua família. Em outras, apenas assinara. Caberia à ruiva escrever, ou melhor, datilografar e colocar as datas. Danneel teria que entregá-las pessoalmente, forjando que vieram mesmo do Brasil. Mas ela só poderia fazer isso quando visitasse o Texas.

Na primeira carta, Jensen escrevera à sua mãe contando sobre seu romance com Jared, e que haviam decidido se mudar em definitivo para o Brasil.

O loiro dizia ainda que sentia muito por não ter se despedido pessoalmente. Afirmou que continuaria ajudando-os financeiramente e que mandaria notícias de tempos em tempos, através de cartas ou através de Danneel. Dizia também que ela não havia ficado magoada com ele e o perdoara pela traição.

Jensen também escrevera uma carta aos pais da amiga.

- Vou sentir sua falta... – Jensen a apertava em seus braços. Já havia se despedido dela das outras vezes em que tentou, e a emoção era sempre a mesma. Eles se amavam verdadeiramente, como dois irmãos.

- Eu também vou sentir sua falta Jensen... – A ruiva começou a chorar, mas em nenhum momento tentou fazer Jensen desistir da ideia de encontrar com o moreno. Sabia que Jensen o amava e ela o queria feliz acima de tudo.

- O dinheiro?... – Jensen se afastou e perguntou depois de limpar as lágrimas dela.

- Está guardado em um lugar seguro, não se preocupe... – Jensen havia entregado todo o dinheiro que possuía a amiga, inclusive o que estava dentro da mala de Jared. A ruiva se comprometera a continuar ajudando a família do loiro.

- E o que você vai dizer?

– Jensen, eu não quero falar essas coisas de você... Não é justo.

- Mas é necessário... Precisamos seguir com o plano Dan. E você precisa dizer a mesma coisa que está escrito nas cartas. – Jensen sorriu. – Sabemos que o Jeffrey já espalhou o boato, não tem mais volta.

- Mas a imprensa vai cair em cima de você... Sabe como eles adoram esse tipo de notícia. Ainda mais se eu confirmar... – Ela suspirou.

- Eu não me importo, eu só me preocupo com você.

Jensen combinou com a amiga que, quando perguntassem sobre ele, ela diria que Jensen a largou por outro homem e foi embora com ele, viver em outro país. Ela sairia como a vítima da história.

- Está tudo pronto para a sua viagem?

- Sim... Depois que você... For para... – Ela fez uma pausa. - Eu vou entregar os apartamentos, e depois que estiver tudo certo, pegarei o primeiro voo para Los Angeles.

- Certo...

- Jensen... Quando chegar lá... Você...

- Eu vou ficar bem Dan... Irei exatamente à hora em que ele partiu daqui, e irei encontrá-lo no hotel.

- Mas como sabe que ele estará lá?

- Ele estará. Eu sei... - Jared havia comentado que achava que se voltasse a 2012, independente do tempo em que ficara em 1950, voltaria para o local de sua partida, a sala atrás do teatro. Jensen contava com aquilo. Era uma questão de lógica.

- E essa casa? E se tiver pessoas morando aqui? E se esse lugar não existir mais?

- Dan... Vai dar tudo certo. Confie em mim.

- Como eu vou saber se você ficará bem?

- Você saberá... Aqui... – Jensen pôs a mão em cima do coração da ruiva que recomeçou a chorar.

O loiro a abraçou novamente e esperou que ela se acalmasse.

- Eu te amo Danneel Harris e sempre vou te amar. Obrigado por tudo. – Jensen disse emocionado.

- Eu também te amo Jensen... – Ela ainda chorava.

Depois de alguns minutos ainda abraçados, eles se soltaram. Jensen a beijou nos lábios e se afastou.

- Eu nunca vou te esquecer... – Ele piscou o olho e ela sorriu fracamente.

Jensen fechou a porta do quarto, que estava totalmente vazio. Sabia que tinha que ser um lugar neutro.

- Vamos lá... Dessa vez tem que dar certo.

O loiro se sentou no chão e se recostou na parede. Passou na sua mente toda a explicação do moreno, e se lembrou de tudo o que estava escrito no diário e nas suas anotações, e que ele já sabia de cor e salteado.

Sua palavra de segurança era Danneel, e ele havia escolhido o mesmo objeto de segurança que o moreno, uma moeda.

Jensen pediria para Jared se livrar dela assim que chegasse, pois não tinha intenção de voltar nunca mais a 1950.

Após algum tempo de concentração e meditação, ele começou o seu mantra.

- São dez horas da manhã, de 17 de agosto de 2012. Estou em 2012, em 17 de agosto.

- Estou em Green Bay em 17 de agosto de 2012.

Jensen perdeu as contas de quantas vezes repetiu, meditou e repetiu novamente.

Havia combinado com a ruiva que ela esperasse cerca de quatro a cinco horas para abrir a porta do quarto.

Em meio a sua concentração, o rosto de Jared não saía de sua mente. Seu sorriso, suas covinhas, sua expressão de prazer quando estavam se amando, e as inúmeras vezes em que ele disse que o amava.

Foi com esse último pensamento, após quatro horas meditando e repetindo seu mantra, que ele caiu em sono profundo.

oOo

Danneel abriu a porta do quarto com cuidado. Jensen já estava lá há mais de cinco horas e ela já estava preocupada e ansiosa.

- Jensen? – Ela entrou no quarto e começou a chorar. Jensen havia dito que se ele não estivesse no quarto, e não tivesse procurado por ela, era porque havia conseguido.

Ela chorava de felicidade e tristeza ao mesmo tempo. Mas sentia em seu íntimo que o loiro ficaria bem. Rezaria por ele todos os dias.

Depois de se acalmar, ela foi até seu apartamento e ligou para o dono do prédio, que combinou de encontrá-la no dia seguinte ainda pela manhã, e após resolvida a situação dos imóveis, ela começou os preparativos para sua mudança.

As roupas e os objetos de Jensen foram doados a uma instituição de caridade, como ele a havia instruído.

Um dia antes de embarcar para a Califórnia, ela foi até o correio enviar as primeiras cartas para a sua família e a de Jensen, como combinado com o loiro, quando foi abordada por um repórter do jornal local.

A ruiva confirmou os boatos, dizendo que havia perdoado Jensen, apesar da traição, e que eles mantinham contato. Contou que ele havia se mudado para o Brasil, mas que não estava autorizada a revelar para qual cidade.

Ela levava sempre uma foto de Jensen consigo, e guardara como lembrança alguns objetos pessoais dele, documentos e outras fotos.

Quatro meses depois de Jensen ter "viajado", Danneel entrou em seu apartamento em Los Angeles. Ligou a Jukebox que pertencera ao amigo e sorriu, se lembrando dele com carinho e saudade. Se sentou no sofá e tirou de dentro da sua bolsa uma cópia do contrato de seu primeiro filme em Hollywood.

oOo

Jensen abriu os olhos, sentindo-se confuso. Sua cabeça doía um pouco, e ele tentava acostumar sua visão ao local pouco iluminado. Estava sentado no chão, e quando se levantou, sentiu seu corpo inteiro cansado e dolorido.

Apoiou-se na parede e limpou os olhos, tentando entender que lugar era aquele. Começou a andar devagar, percebendo que estava em um estacionamento, pois o lugar estava cheio de carros. Todos diferentes e engraçados, mas definitivamente eram carros.

Jensen procurou a saída, e assim que chegou à rua, sorriu, sentindo seu coração bater mais forte. Será que tinha conseguido?

Estava tudo muito diferente, e ele não sabia nem se aquela era a rua onde morara há 62 anos. Aproximou-se de uma senhora e perguntou, com a voz ansiosa.

- Bom dia senhora. Por favor, que rua é essa?

- Bom dia... – Ela sorriu. - Rua Oxford. – Ela respondeu com simpatia.

- Rua Oxford? – Ele perguntou confuso. – Estamos em Green Bay? – Ele perguntou com medo da resposta.

- Exatamente, em Green Bay, Wisconsin. Está perdido? – Ela quis saber e ele sorriu novamente, aliviado.

- Não... Quer dizer, mais ou menos... Preciso chegar urgente ao hotel Grand Ferris, e estou meio confuso quanto ao caminho...

- Ah! Sim, o hotel... Você está de carro?

- Não...

- Então terá que pegar um táxi, pois o ônibus irá te deixar longe.

- A senhora pode me informar as horas? – Jensen olhou em seu relógio. – Preciso saber se estou na hora certa dessa époc... De hoje! – Ele sorriu sem graça, e se lembrou das vezes em que Jared dizia coisas estranhas.

- São dez e dez... – Ela sorriu achando aquele belo rapaz um tanto maluco. Ele estava bem vestido, um tanto fora da moda, mas estava elegante. Na verdade, o terno que ele usava a lembrava o que seu pai usava quando ela era criança.

- Desculpe, mas hoje é 17 de agosto de 2012?

- Sim, é 17 de agosto... – Ela estranhou a pergunta.

- Muito obrigado e tenha um bom dia... – Jensen começou a se afastar. Estava nervoso, teria que ir a pé até o hotel e tinha medo de que Jared não estivesse mais lá. Mas não tinha alternativa. Não tinha nenhum dinheiro.

A rua onde ele morou agora era bem movimentada, e o barulho dos carros, ônibus e pessoas para todos os lados o deixavam um pouco tonto.

Jensen se apoiou em seus joelhos. Seu corpo tremia e ele estava cansado. Na verdade, estava exausto.

- Você está bem meu rapaz? – A senhora se aproximou dele.

- Estou... Obrigado, é que eu... Eu... – Jensen precisava da ajuda dela, mas não podia contar que tinha acabado de chegar de 1950. Pensou rápido e resolveu mentir. – Eu fui assaltado e não tenho dinheiro para pegar um táxi, terei que ir ao hotel a pé.

- Nossa meu filho, e onde foi esse assalto?

- Foi... Foi em outra rua e... – Jensen não estava se sentindo bem mentindo descaradamente para aquela senhora que parecia realmente preocupada com ele. Mas não tinha opção no momento. – Eu desmaiei.

- Então seria melhor ir até o hospital...

- Não, não... – Jensen sorriu. – Eu estou bem, só preciso encontrar meu... Meu... – Jensen não sabia como ela iria reagir se ele dissesse namorado. Jared havia dito que o preconceito ainda existia em 2012. – Meu amigo. Ele está me esperando.

- Quer meu celular emprestado para ligar para ele?

- Como? – Jensen perguntou.

- Meu celular. Devem ter roubado o seu telefone... – Jensen se lembrou do que o moreno havia lhe contado sobre as pessoas terem telefones portáteis e que se chamava celular.

O loiro havia ficado impressionado quando conversou com Jared sobre aquilo, e teve vontade de pedir à senhora para que lhe mostrasse o estranho aparelho, mas achou melhor não, não queria que ela achasse que ele era louco.

- Sim, me levaram tudo o que eu tinha, e eu não sei se meu amigo tem... Esse... Celular. – Ele respondeu e ela sorriu.

- Como não? Quem não tem um celular? – Ela balançou a cabeça ainda sorrindo. - Olha, tem um policial ali, vamos falar com ele e... – Jensen olhou na direção em que a senhora apontava e entrou em pânico. O que ele menos precisava agora era de um policial lhe fazendo perguntas ou pedindo seus documentos, que simplesmente não existiam.

- Olha, eu preciso realmente me encontrar com esse meu amigo. É importante, caso de vida ou morte... Se a senhora pudesse me ajudar...

A senhora pensou por alguns instantes. O rapaz parecia sincero e era muito educado, coisa rara hoje em dia entre os jovens. Ela não sabia explicar, mas ele a lembrava de uma época boa e saudosa de sua vida, e sentiu uma imensa vontade de lhe ajudar.

- Eu vou emprestar o dinheiro para o táxi...

- Eu lhe agradeço muito, muito mesmo... E se puder me dar seu endereço eu envio o valor a senhora assim que eu...

- Não precisa se preocupar... Venha, vamos chamar um táxi para você.

Jensen acompanhou a senhora até o meio fio da calçada, encantado com a variedade de modelos e cores dos carros dessa época.

Um táxi parou e ela perguntou quanto daria a corrida até o hotel. O motorista informou um valor aproximado e ela entregou o dinheiro a Jensen que pegou e a abraçou, feliz por as pessoas serem boas e prestativas umas com as outras em 2012.

Eles se despediram e Jensen entrou no carro.

Durante o percurso, ele olhava fascinado para Green Bay de 2012, que continuava linda, apesar de estar totalmente diferente.

Quase cinquenta minutos depois de sua chegada, ele desceu do carro em frente ao hotel, sorrindo ao ver que ele não mudara quase nada.

Tirando algumas modernidades na entrada, as pessoas e os carros estacionados em frente ao hotel, ele se sentia em 1950.

Pagou a corrida e entrou no Ferris. O coração batendo tão rápido que parecia que sairia pela boca a qualquer minuto.

Sabia que Jared voltaria à sala atrás do teatro, que fora o ponto de partida dele. Jared tinha que estar lá.

Olhou a sua volta e andou um pouco, reparando nas pessoas. Precisaria chegar até o teatro, que segundo Jared agora era um cinema, sem ser notado. Teve um pouco de medo. Não podia arriscar arrumar alguma confusão.

Passou os olhos pela recepção e sentiu suas pernas tremerem. Reconheceu imediatamente o moreno, que falava com uma atendente. Aproximou-se devagar, sentindo seus olhos queimarem com a emoção que estava sentindo.

- Jared? – O loiro o chamou.

Continua...