CAPÍTULO DOIS

A porta do elevador abriu e as duas saíram. Estavam em uma sala que tinha apenas um quadro enorme de garotas nuas. Hermione acompanhou Ginny até outra porta que se encontrava no fundo da sala, Ginny digitou um código e a porta abriu.

Hermione se deparou com uma sala cheia de mulheres, algumas com rostos conhecidos, outras ela nunca tinha visto.

– Então essa é a garota? – perguntou uma das mulheres.

– Sim. – respondeu Ginny. – Eu quero que vocês conheçam Hermione Granger.

Elas eram quatro.

– Hermione essas são Black Block, Little P., Cherry L. e Sherri M. Chang. – disse Ginny.

Hermione encarava a mais alta.

– Você não é Bellatrix Lest...

– Sim, a própria. – disse rápida e com certa arrogância. – Me conhece?

– Não, mas já vi algumas fotos suas... Revistas... – a morena fez uma expressão de não entendimento. – Mas, o que é aqui? O que vocês querem?

– A sua amiga ruiva nos contou o que houve com você...

– E ficamos sensibilizadas. – disse uma garota de cabelos louros e com óculos Carrera laranja e brincos em forma de cenouras. – Queremos ajudar você... Mione. – completou a garota, que tirou os óculos e Hermione pôde ver que era Luna Lovegood, uma antiga colega de colégio e faculdade.

– O que você faz aqui Luna? – perguntou a morena incrédula.

– Escute Hermione. – começou Ginny. – Nós sentimos por você, e queremos ajudar. Eu sei o que você deve ta sentindo, e o quanto deve sentir nojo e ódio daqueles caras repugnantes que abusaram de você.

Hermione sentiu um incomodo ao ouvir as palavras de Ginny.

– Você tem que se juntar a nós. Somos diferentes das outras mulheres, somos independentes e fortes. Nós não nos sujeitamos aos caprichos e vontades machistas. – disse Bellatrix.

– Eu não sei. – respondeu a morena. – Eu não sei nem o que vocês fazem.

– Prestamos serviços de utilidade pública. – disse outra garota com cabelos negros longos e traços orientais. – Somos pagas para fazer o bem.

– Eu não entendi... – disse Hermione.

– Nos livramos de homens asquerosos, corruptos... Ladrões... – continuou a japa.

– Eu gosto do termo "vilão"! – disse Luna com um gritinho de felicidade.

– Isso! Obrigada pelo termo Cherry L.

Hermione ficou calada, processando as explicações.

– Hum... Então vocês são policiais? Agentes do governo britânico?

– Hum... Quase. – disse Ginny. – Trabalhamos por conta própria...

– Na verdade temos um patrocinador! – disse Luna.

–Ah por Deus! – disse Bellatrix. – Parem de embromar a garota! – voltando-se para Hermione. – Somos assassinas! Entendeu? Matamos homens que não prestam por dinheiro! Políticos corruptos, criminosos, traficantes e até velhos asquerosos.

– O que? – indagou Mione perplexa.

– Isso mesmo minha filha! Nós matamos por dinheiro! – continuou Bellatrix.

– Eu acho melhor eu ir embora... – disse Mione, virando as costas e indo em direção a porta.

– Não seja burra! – disse Bella. – Você precisa de nós garota! Quem disse que você está segura?

Hermione estacou na porta. Ginny continuou.

– É verdade, quem garante que aqueles caras não querem ver você de novo? Ou fazer algo contra você? Me diz Mione, você não queria acabar com eles? Causar o mesmo mal que eles causaram a você? E se você pudesse ter o poder em suas mãos, aprender a se defender... Ser uma mulher mais forte?

A morena ficou calada. Ginny estava certa, ela queria se vingar. Queria ter o poder de controlar sua vida. Deter poder sobre os homens e deixar de ser uma garota tola indefesa.

– O que você diz? – perguntou Ginny.

–Eu... Eu acho que eu aceito... Mas acho que não teria coragem de matar alguém.

– Hahahaha! – gargalhou Bella. – Minha cara, depois do primeiro trabalho, os outros são fichinha.

– Ótimo! – disse Ginny, com um sorriso de conquista no rosto. – Black Block e Cherry L. vão levá-la para conhecer o lugar e dar mais detalhes sobre o nosso trabalho.

Luna correu até Mione e a puxou pelo braço, levando a garota em direção a outro elevador, junto com Bella e Little P. que permaneceu a conversa em silêncio.

– Espera. – disse Ginny para a japa. – Você já fez aquilo?

– Ainda não. Preciso apenas da sua confirmação.

– O alvo vai estar em casa as 7:00 PM. É melhor que você esteja lá antes. – Ginny se aproximou da japa. – A outra aceitou?

– Sim. Eu vou pegá-la no aeroporto as 5:00. Por que esse serviço? É mesmo necessário? – indagou a japa.

– Sim. Foram ordens de cima.

– A Bella sabe disso?

– Não diga nada, apenas faça o trabalho. Como eu disse, são ordens superiores, ela não tem nada haver com isso.

A garota japonesa se aproximou de Ginny e a beijou. A ruiva foi rápida e empurrou a garota.

– Cho, pare! O que nós tivemos já terminou.

Cho sentiu as bochechas queimarem de vergonha.

– É outra não? Você gosta de outra? Me diz quem é? – perguntou Cho.

– Não é da sua conta. Apenas faça seu trabalho, se você não fosse boa eu não teria pedido pra você.

Cho saiu da sala, deixando Ginny sozinha. O celular da ruiva tocou e ela atendeu.

– Ok, eu já estou subindo.

...

O elevador parou no último andar e a ruiva saiu e atravessou o corredor repleto de pinturas renascentistas. Ao abrir a porta no fim do corredor a ruiva se deparou com um homem loiro que estava parado diante da imensa janela.

– O que você queria Malfoy?

O loiro voltou-se para a ruiva e sorriu.

– Honey G. – disse o loiro. – Aceita um copo de champanhe?

Malfoy foi até o pequeno bar e pegou uma garrafa de champanhe que estava dentro de um balde com gelo.

– Me diga. O serviço de hoje a tarde vai ser um sucesso, não vai?

– Sim. Já lhe assegurei isso. O nosso rapaz estará em casa logo. Vai se um serviço fácil.

Malfoy pegou duas taças, encheu as duas e entregou uma a Ginny.

– E o Potter? Não vai atrapalhar? – perguntou o loiro com evidente interesse. – Não, segundo o meu irmão Ron, Potter vai estar fora da cidade. Isso nos dá carta branca para pegar o seu namoradinho.

– Excelente, não quero que machuquem ele. Traga pra mim a cabeça do amante dele, aquele jornalistazinho asqueroso vai pagar por aquela matéria difamatória.

– Não é apenas pela matéria, não é mesmo? – questionou a ruiva. – É por ele não? Pelo Potter? Você quer eliminar a concorrência.

Malfoy não respondeu, encarou Ginny e soltou um riso de desdém.

– Você não me engana Draco. Por que esse interesse no Harry? E por que essa necessidade de se livrar do namoradinho dele?

– É a mesma necessidade que você tem... Ginny.

...

Hermione permaneceu em silêncio durante a viagem de volta. Aquilo incomodou Ginny.

– Você não vai falar nada? – perguntou Ginny. Elas te trataram bem?

– Sim. Eu achei interessante, só estou pensando.

– Você está disposta a participar? A querer mudar?

Hermione pensou um pouco, antes de responder. Não se imaginava como uma matadora.

– Sim. Eu aceito... Eu só não sei se vou conseguir.

– Claro que vai. Os primeiros meses de treinamento são duros, mas você consegue.

O celular da morena tocou, era Seamus.

– Seamus? O Ron não está comigo... O quê? Como assim... – o tom de Hermione era de agonia e aflição. – Ele... Morto?

Ginny prestava atenção na conversa e ficou aflita também.

– O que houve? O que aconteceu? Foi o Ron?

Hermione desligou o celular e sentiu uma onda de desespero, sentiu as lágrimas virem, não acreditava no que Seamus havia dito.

– O Ron... – tentou dizer Hermione. – Seu irmão morreu Ginny! Em um atentado!

Ginny não entendera, também não acreditou no que Hermione disse. Seu irmão não podia ter morrido, não, aquilo não podia ser verdade. A ruiva não agüentaria passar por aquilo novamente, já não bastava Fred ter morrido em um acidente de trem, agora Ron.

– Atentado? Como assim?

– O carro! Tinha uma bomba no carro – disse Mione.

– A mamãe já sabe? – perguntou Ginny, que tentava controlar o choro.

– Sim. Molly e os outros estão no bar da Muriel.

As duas seguiram para o Bar da Muriel, um famoso bar burlesco que servia para entreter parlamentares e empresários, mas poucos sabiam que a senhora Muriel Weasley era conhecida como Vovó do pó e conseguia milhões com o dinheiro do tráfico, como dito: poucos sabiam daquilo.

– Ainda bem que vocês chegaram! – disse Molly, que estava com o rosto inchado de tanto chorar. – Foi lamentável, eu não consigo acreditar! Meu filho morto em um atentado! Quem poderia ter feito isso?

A Sra. Weasley abraçou forte Hermione e depois Ginny.

– Seu irmão Charles chega amanhã de Paris. – disse Molly.

– Onde está o papai? – perguntou Ginny.

– Está no departamento de Polícia com Percy e George.

Muriel estava sentada em uma enorme poltrona, fumava um cigarro numa charmosa piteira e bebia uísque.

– Malditos! São uns malditos! Levaram um rapaz tão novo! Malditos árabes!

– Não sabemos se eram árabes tia. – disse Ginny. – Tinha muita gente que invejava Ron, principalmente depois de ter sido eleito e mudado de time.

Hermione sentou em uma das poltronas, tinha uma expressão vazia e os olhos vermelhos.

oOo

7:30 PM

– Então eu pego você amanhã no aeroporto. – disse o rapaz. – E preparo aquele jantar com o prato que você tanto adora... Aí quem sabe eu posso fazer uma massagem em você, e usar aquela cueca vermelha que você ama, que tal?

O rapaz se sentou no sofá e pegou o controle remoto da TV.

– Não, eu vou terminar de escrever a matéria sobre os órfãos mortos e depois vou assistir a um filme que eu aluguei. Hum... E você? Ta fazendo o que? – perguntou, enquanto ligava e mudava os canais de televisão, a procura de algo interessante. – Hum, você ta sozinho aí? Só de toalha? Hum, o que os seus colegas iriam dizer se visse o detetive Potter se masturbando enquanto faz sexo pelo telefone com seu namorado?

O rapaz ouviu um barulho vindo da cozinha.

– Só um segundo. – disse. – Acho que ouvi algo.

Ele diminuiu o volume da TV e foi até a cozinha. Olhou atento, procurando algo, foi até a janela, acendeu a luz da varanda. Não havia nada.

– Não foi nada. Ok, ta tudo bem, não precisa se preocupar. Bom banho. A gente se vê amanhã, beijo.

Ele desligou o telefone e voltou para a sala, pegou um DVD que estava sobre a mesinha. "Meninas Malvadas", e colocou no aparelho. Voltou para o sofá para se aconchegar. Quando sentiu braços lhe agarrarem pelo pescoço.

– Olá Cedric. – disse a voz feminina.

O rapaz se mexia freneticamente enquanto a outra segurava firme.

– Lembrado de mim? – perguntou a garota.

Cedric procurou prestar atenção na voz que era familiar.

– Cho? – disse com dificuldade.

A garota o soltou e ele pode voltar a respirar. Cedric se levantou do sofá rápido e voltou-se para Cho Chang, que estava trajada de preto e trazia nos ombros uma espada de samurai.

– O que você faz aqui!

– Vim ver você! O primeiro namorado a gente nunca esquece!

Cedric tentou correr em direção ao corredor que dava acesso a porta da frente.

– Eu não faria isso se fosse você.

Cho ficou na sala, enquanto Cedric era trazido por outra garota loira, quase pálida com uma enorme tatuagem no rosto.

– Cedric essa é Lavoska!

Lavoska segurava Cedric firme. O rapaz tentava se soltar, mas seus esforços eram em vão, já que a garota era alta e forte.

– Bem eu vou fazer isso rápido. – disse Cho, enquanto pegava a espada. – Você escapou de ter morrido naquele torneio de hipismo, maldito cavalo! Você devia ter ficado tetraplégico... Mas não vai escapar dessa vez. É uma pena você não dizer adeus pro seu namoradinho, Cedric. O Potter vai ficar tão triste.

Lavoska empurrou Cedric pra cima de Cho que enfiou a espada em Cedric. A lamina atravessou macia. O rapaz se apoiava em Cho, a garota encarava os olhos estáticos de Cedric com um sorriso de fascinação. Ela torceu a espada e ele sentiu a dor. Ela puxou a espada e o corpo de Cedric caiu sobre o carpete, em cima da poça de sangue que se formara.

– Vamos fazer o resto lá fora... Lavoska você se incomodaria? – disse a japa apontando para o corpo. – Querem a cabeça dele.