CAPÍTULO XXVII


(Cap. 68) John & Kristin

[NA TARDE DO DIA SEGUINTE À BATALHA NA SPN]

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- Kristin, já pensou o que vai dizer amanhã, no depoimento oficial?

- A verdade, John. O que mais eu poderia contar.

- Existem verdades que não podem ser ditas. São aquelas que podem ser repetidas mil vezes e ninguém nunca vai acreditar. As pessoas não querem ser lembradas que demônios e monstros existem. Elas viram o rosto para não verem. Sei o que estou dizendo. Você me amava e, mesmo tendo presenciado a fuga do demônio, insistiu em não acreditar.

- Paul morreu. Você trouxe aquele demônio para as nossas vidas. Nós levamos o demônio para a vida de Paul. E Paul morreu. Mais que a você, eu me culpo todos os dias por ele estar morto. Eu venho me punindo por isso todos esses anos. E quis que você também pagasse.

- Não foi sua culpa, Kristin. E também não acho que a culpa seja minha. Ou de Mary. Essas coisas andam pelo mundo fazendo vítimas. O que posso fazer é tentar pará-las.

- John, obrigada por defender Jason. Obrigada por ter atendido ao meu apelo. Obrigada por ter vindo depois de tudo que fiz contra você e contra seu filho. Se a criatura continuasse atacando Jason na forma de corvo o teria matado. Não teríamos tempo de salvá-lo.

- Kristin, eu faria o que fiz mesmo se fosse um completo desconhecido. Mesmo que fosse alguém que eu odiasse. Mas, também é verdade que fiz porque ERA Jason, um rapaz que eu teria orgulho de ter como filho. E fiz por VOCÊ, por tudo que fomos um dia e por tudo que poderíamos ter sido.

- Como eu queria que tivesse sido tudo diferente. Que as coisas tivessem corrido como planejei ... naquele jantar ... há 20 anos. Você é realmente um homem .. especial. Conheceu alguém .. especial?

- Conheci. Dean e Sam não sabem, mas eles têm um irmão.

- Entendo.

- Kristin, amanhã, na delegacia, apresente-me como um detetive particular que você contratou para investigar a morte de Tristan. Eu me apresentei assim e a polícia poderá confirmar essa informação. Eu direi que passei a você a informação sobre Kim Walker ser o assassino. Jason teria sabido a partir de informações preliminares que passei alguns dias antes e decidiu enfrentá-lo no seu local de trabalho, onde imaginou estar seguro. Ao saber que Jason fora ao encontro do assassino, você reuniu seus seguranças com o único intuito de proteger seu neto. O grande furo dessa linha de defesa é que tecnicamente o assassino de Tristan foi o falecido advogado Andrew Nolan, de Davenport, Iowa. A polícia certamente descobrirá que Kim Walker tem um álibi para a data em que aconteceu o crime.

- Sem revelar que Kim Walker é uma criatura que muda de aparência trocando de corpos e que pode transformar-se em lobo e em corvo não há como contar uma história coerente. Como explicar a natureza dos ferimentos do segurança Pawlowski?

- Ainda estou pensando numa explicação. Mas, talvez o melhor seja não explicar. Deixe que a própria polícia encontre uma explicação. Para o lobisomem, o corvo, o tornado. Para tudo de estranho que aconteceu.

- O tornado! Foi Tristan, não foi?

- Foi. Quanto a isso, eu não tenho dúvidas. Quando cheguei, reconheci o padrão de manifestação poltergeist que Jason e eu presenciamos em Harveyville.

- Você viu a fita. O que achou?

- Não há dúvidas que Tristan controlou por um período o corpo de Max Lord, o diretor da agência de publicidade. Vimos que ele aprendeu a técnica com Kai. Jason confirmou que era mesmo Tristan. Ele próprio identificou-se. Aparentemente, Tristan também controlou por um tempo o corpo do meu filho, Sam. Jason contou que a faca de caça estava na mochila de Sam.

- Estamos, ou melhor, eu estou bem encrencada com a polícia.

- Kristin, eu me apresentei com um nome falso enquanto fazia a investigação. Cuidado com a forma de me chamar quando estivermos na Central.

- E quanto ao seu outro filho, Dean?

- Dean está bem, mas imploro a você que retire as acusações. Dean soube do fantasma e quis afastar o que pensou ser uma ameaça. Não merece viver escondido.

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Kristin aconchega-se contra o corpo de John, que a envolve com seus braços e a beija na testa. Ela chora em silêncio, sentindo-se momentaneamente segura. Pela primeira vez em muitos anos, ela chora apenas por ela mesma e por todos os sonhos que lhe foram roubados.


(Cap. 70) A aurora do lobo

NA CRONOLOGIA DA FIC, ESTE CAPÍTULO ACONTECE SIMULTANEAMENTE AOS CAPÍTULOS 65, 66, 69 (CAPÍTULO XXV) E 67 (CAPÍTULO XXVI).

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Nascha estava descobrindo que sua auto-imagem de guerreira navajo era só uma fantasia de menina que ela teimava em acreditar contra todas as evidências que a vida lhe dava.

Ela era apenas uma mulher de meia idade que brincava de xamã enquanto aguardava para ver o próximo capítulo da novela comendo pipoca. Estava muito mais despreparada para aquele cenário de filme de terror do que vó Lang.

Vira a força que vó Lang demonstrara enfrentando a criatura-lobo. Ela empunhava o revólver com firmeza. Se teve medo, soube vencê-lo. A velha senhora estava disposta a morrer para proteger o neto. Se Jason não fosse o neto maravilhoso que era, ela estaria morta. Morta em batalha, como uma verdadeira guerreira. Logo ela, de aparência tão frágil.

Não conhecera Jared P. em vida. A Sra. Lang tinha trocado recentemente toda a equipe de segurança. Não importa. Ele podia ser um completo desconhecido, mas tinha morrido tentando proteger Jason. Ela queria chorar por ele. Mas, não havia tempo. No campo de batalha tudo acontece muito rápido.

Observou maravilhada a aparição de Tristan. Era como se o espaço estivesse sendo rasgado e dele emergisse uma suave luminosidade em tom azul. Pequenos relâmpagos compunham uma moldura descontínua de luz. O fantasma parecia um anjo vingador com sua pele muito branca e os cabelos longos esvoaçantes.

Por um segundo, ela esqueceu do medo.

No segundo seguinte, viu horrorizada as garras do skinwalker cortarem a aparição de alto a baixo e os relâmpagos sumirem.

E, então, a tragédia. As garras do homem-lobo cortam a carne de Jason e ele cai.

Nascha observa em estado de estupor. Acontecera. O que ela temera a vida inteira estava acontecendo bem diante de seus olhos. Seus pensamentos seguem uma trajetória espiral e ela sente a vertigem envolvê-la. Ela escuta a voz da velha índia que primeiro lhe contara sobre a existência dos amaldiçoados. A velha dizendo a frase que agora ecoava em sua mente: 'Ninguém foge ao seu destino.'

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Ninguém foge ao seu destino.

Nasha vê o presságio revelado tantos anos antes se cristalizando como realidade quando a forma de lobo dá lugar à forma de corvo.

Ninguém foge ao seu destino.

O corvo abre as asas e a sua sombra desce sobre Jason trazendo a morte.

Ninguém foge ao seu destino.

O presságio se cumprira. Um skinwalker levara o SEU Jason.

Ninguém foge ao seu destino.

Nascha está paralisada pelo horror. Mas, nada do que via parecia surpreendê-la.

Ninguém foge ao seu destino.

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E, então, o vento. Levando o monstro para longe.

Talvez agora as mortes parem. Talvez agora Nascha possa chorar seus mortos.

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Sirenes. Tiros. Muitos tiros.

E, inesperadamente, o toque estridente do celular.

Tocando & vibrando. Tocando & vibrando. Tocando & vibrando na mão de Nascha.

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Finalmente, ela mostra uma reação e leva o telefone ao ouvido.

- Nascha? BC. Você me ligou?

- Ninguém foge ao seu destino.

- O quê?

- Ninguém foge ao seu destino.

- Do que você está falando Nascha? NASCHA?

- !

- NASCHA?

- Jason. ... O skinwalker o matou.

- Não. O rapaz não pode ter morrido. Não é isso o que foi previsto.

- Eu o estou vendo daqui. Caído, sangrando. Vó Lang está lá com ele. Ela está desesperada.

- Escute, Nascha. Eu repeti o vaticínio. As entranhas do corvo não mostram morte física. Mostram morte como transformação. Você sabe interpretar os sinais. Sabe hoje e sabia quando fez da primeira vez.

- Não. ... Não é verdade.

- E tem também o sonho que você me contou. LEMBRE-SE de como o sonho termina. Você acordou antes do final, mas seu subconsciente SABE. SABE como o sonho termina. O sonho diz o que você DEVE fazer. Escute minha voz, Nascha. LEMBRE-SE DO FINAL DO SONHO. RETORNE AO SEU SONHO E VEJA O FINAL.

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A sugestão hipnótica funciona.

Nascha sonha acordada. E novamente vê, como na reprise de um filme, ela própria, muito jovem, caminhando pela aldeia deserta com seus dois filhos - Jason e Kai - no colo.

E, então, ela se vê cercada por lobos.

O líder da alcatéia olha diretamente nos seus olhos e, à medida que se aproxima, vai se transformando num homem-lobo. O homem-lobo escancara a boca e deixa à mostra os dentes, duas fileiras paralelas de dentes pontiagudos, que se projetam para fora da boca.

O gesto que faz com as mãos é claro. Quer que Nascha lhe entregue uma das crianças.

NASCHA RELUTA, MAS ACABA ENTREGANDO JASON PARA O HOMEM-LOBO.

E, ENTÃO, JASON MUDA, TORNANDO-SE ELE PRÓPRIO UM GAROTO-LOBO. A alcatéia se afasta e Jason, na forma de lobo, segue com eles.

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- Não! Jason não pode se tornar um skinwalker. É uma maldição. Um destino pior que a morte.

- Nascha, está em suas mãos. Vai mesmo deixá-lo morrer?

Nascha vê John Winchester cobrir Jason com um cobertor. Mas, não o rosto. Jason ainda está VIVO. 'Deus, obrigado, ele ainda vive.'

- Nascha, vai MESMO deixá-lo morrer? O tempo está se esgotando.

- Jay, não vai dar certo. Você precisaria ter uma mecha de cabelo ... ou pouco de sangue ... ou alguma coisa tocada pela própria essência de Jason, para o feitiço funcionar.

- Eu tenho aqui uma foto dele baixada da internet. Vai ter que servir. Escute bem. Para funcionar, o feitiço precisa ser verbalizado para o amaldiçoado e o amaldiçoado precisa abraçar seu destino. Encoste o celular no ouvido dele, assegure-se que esteja escutando. Mas antes explique que a única chance que ele tem é aceitar a transformação.

- Ray ... eu ainda te amo.

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Enquanto falava ao celular, Nascha ia se afastando do ponto onde Jason agonizava. Ao desligar o celular, Nascha percebe que estava distante e volta apressada. Não queria pensar. Se pensasse muito acabaria não fazendo. E se não fizesse, talvez não conseguisse viver com a dor do arrependimento.

Nasha cruza no caminho com John Winchester que seguia para o prédio da SPN. Um policial que seguia na direção de Jason e vó Lang resolve interpelar John, que seguia apressado. Os demais policiais têm a atenção voltada para o socorro ao segurança ferido. Naquele momento, Jared P. ainda não tinha sido declarado morto.

Nascha respira fundo. Talvez aquela fosse a última chance de provar a si mesma que podia ser a guerreira que, quando menina, acreditou que seria. A maldição do skinwalker que ameaçava a vida de Jason, também poderia salvá-lo. E ela precisava ser forte para dividir com ele o peso da maldição. Pelo resto da vida.

Nascha se ajoelha ao lado de Jason e fala para ele olhando firme para vó Lang. Se a Sra. Lang resistisse à idéia e retirasse o celular de suas mãos, Jason não se salvaria.

- Jason, escute. Sua vida depende disso. Uma vez, você me perguntou se era um amaldiçoado. Eu disse que não. Escute. EU MENTI. VOCÊ É UM AMALDIÇOADO. E só isso pode salvar você agora. Ouça-me. ACEITE A MALDIÇÃO E VIVA. Escute com sua alma cada palavra que o homem do outro lado da linha disser. ESCUTE CADA PALAVRA COM SUA ALMA E DESEJE VIVER.

Vó Lang escuta horrorizada a proposta. Seu neto não venderia a alma ao demônio em troca de alguns anos de vida. Aquilo era ERRADO. Era melhor que morresse, mas salvasse sua alma.

- Sra. Lang, Jason não está vendendo a alma a um demônio. Ele vai abrir sua alma para receber seu animal totem. Vai se tornar algo mais do que um homem. Mas, o homem que ele realmente é ainda vai estar no comando. É assustador e poucos resistem. Mas, Jason vai saber controlar sua fera interior.

Nascha aproxima o celular do ouvido de Jason, que só por muita força de vontade ainda luta contra a dor horrível e o frio paralisante e mantém a consciência e os olhos semi-abertos.

O feitiço é recitado e a transformação começa. O homem vai dando lugar ao lobo. A transformação a nível celular vai fechando os cortes e a que acontece a nível cromossômico vai transformando tecidos e órgãos num novo padrão. A medula trabalha intensamente repondo o volume de sangue no organismo. Quando a transformação se completa, a exaustão toma conta do corpo e da mente. O corpo cai na inconsciência.

E transformação começa a se reverter.

Quando um policial puxa o cobertor encharcado de sangue, vê apenas um belo rapaz desacordado vestindo farrapos sujos de sangue. Sem nenhum ferimento aparente.

Vó Lang agradece por ter seu neto de volta. Se houvesse um preço a pagar, ela pagaria de bom grado.


Notas finais do capítulo

1. Os diálogos entre Nascha e Ray BC foram editados para remover os trechos de chiado, pedidos para que o outro falasse mais alto, pedidos para que o outro repetisse o que acabara de falar, falhas de recepção. Enfim, tudo que se pode esperar de uma transmissão por celular em 1990.

2. O vaticínio foi citado primeiramente no CAPÍTULO XIV (Cap. 33).

3. O sonho de Nascha está no CAPÍTULO XVI (Cap. 36). Neste capítulo é levantada a possibilidade de Ross se transformar em um skinwalker.


(Cap. 73) Sam x Ross

[NO DIA SEGUINTE, AO FINAL DAS AULAS DA MANHÃ]

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Ross apressou o passo para alcançar Sam, que saíra em disparada da sala de aula tão logo tocara o sinal.

- Sam, espera. Preciso falar com você.

- Desculpe, Ross, mas não tenho tempo para conversar. Tenho que correr para chegar ao estágio no horário. É no centro de San Jose, não se esqueça. Eu não sei o que aconteceu, mas acabou que eu não fui lá ontem e não dei satisfações. Hoje, eu tenho que chegar cedo.

- Sam, eu te dou carona até lá, mas preciso MESMO falar com você. ANTES de você ir para o estágio. Está indo se trocar?

- Estou. Lá eu trabalho de terno. Acho que vou passar a ir à faculdade já com as calças e os sapatos que uso no estágio e pedir autorização para deixar o paletó lá mesmo.

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Sam estava trocando de roupa apressado quando batem na porta do quarto que ele e Jordan dividiam no alojamento masculino da faculdade. Ross se levanta e abre a porta.

- Sr. Lang? Deve estar lembrado de mim. John Hall, diretor financeiro da SPN Advertising. Bem, não chega a ser exatamente uma surpresa encontrá-lo aqui. Íamos mesmo fazer contato com o senhor. Bom dia, Sr. Winchester.

Sam, vestindo apenas a cueca se cobre desajeitadamente com a calça e fica sem reação quando o diretor financeiro lhe estende a mão.

- Desculpe, Sr. Winchester. Creio que não cheguei num bom momento. Pode se vestir com calma. Acredite, é desconcertante para mim também sempre encontrá-lo de cuecas.

- ?!

- Bem, continuando. Gostaríamos de fazer um acordo com o senhor ..

Jordan abre a porta e entra, a tempo de ouvir claramente o final da frase:

" .. e com o seu namorado, o Sr. Lang, aqui presente".

Jordan não perdoou.

- Então, já é oficial? Sam, você finalmente aceitou a grana do Ross para irem ao motel ou foi só pelos belos olhos verdes do nosso amigo aqui? Sabe que agora eu fiquei curioso. Importam-se de me contar quem é que fica por cima e quem fica por baixo?

Ross cobre os olhos com uma das mãos no gesto típico de "AGORA FERROU".

Sam fuzila Jordan com os olhos e interpela rispidamente o Sr. Hall.

- Que história é essa de .. NAMORADOS? Quem é o senhor e o quê está fazendo aqui? É o meu primeiro estágio, mas eu nunca soube que diretores fossem na casa de estagiários fazer ACORDOS. É uma pegadinha, não é?

E olhando alternadamente Jordan e Ross, conclui:

- Qual dos dois resolveu armar para cima de mim? Ross ou Jordan? Ou será que foram os dois?

- Oooo! Me inclua fora dessa. Não tenho nada a ver com essa história. Se vocês dois estão se comendo, eu não quero nem saber. Não é problema meu. FUI!

- Sr. Hall, me desculpe. Vamos conversar em particular. O Sam aqui fica assim nervosinho sempre que mais alguém descobre que nós dois estamos juntos. Relaxa, Sammy querido. Depois, na cama, a gente conversa. Beijos!

Sam ficou sem ação. Queria matar Ross. Faz menção de seguir os dois, mas antes precisava vestir a calça e calçar os sapatos. Quando deixa o quarto, já perdera os dois de vista.

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Sam termina de se vestir e segue para o ponto de ônibus, onde encontra, esperando por ele, Ross e o homem que se apresentara como diretor financeiro da SPN.

- Ross, sai da minha frente ou eu parto a sua cara. Que história é essa de espalhar que sou seu namorado?

- Desculpa, Sam. Já expliquei para o Sr. Hall que eu estava zoando com a sua cara e que foi um mal entendido que deu origem a essa história de sermos namorados. E, Sam, o Sr. Hall é REALMENTE o diretor financeiro da SPN Advertising.

- Ah, não. Senhores, eu REALMENTE não tenho tempo para piadas. Eu estou atrasado pro meu estágio. Ross, eu não sou rico. Eu PRECISO da grana desse estágio.

- Sr. Winchester, creio que o senhor ainda não viu os jornais de hoje. Leia essa notícia.

A principal manchete do jornal era CAÇA AO PUBLICITÁRIO ASSASSINO SERIAL.

Sam lê a reportagem sem querer acreditar. Kim Walker, o homem com quem estava dividindo a sala na SPN era um assassino, possivelmente um assassino serial.

- Garoto, a mídia está dando plantão na porta da agência. Sabem que Kim Walker se empenhou muito para contratá-lo como estagiário e querem que VOCÊ explique o porquê de tanto empenho. Mesmo com tão pouco tempo de empresa, tenho certeza que você tomou conhecimento dos boatos a respeito da orientação sexual do Sr. Walker. Estou certo?

- É, escutei.

- Pois bem, há muita especulação sobre se existia ou não um relacionamento anterior do senhor com o Sr. Walker. Sabe que a mídia costuma ser ainda mais direta que seu amigo, o Sr. Jordan. Está preparado para responder a essa pergunta em horário nobre?

Não, não estava preparado. Ia querer partir pra cima do primeiro cretino que viesse com insinuações. Lembrou dos risinhos do pessoal da SPN por onde passava. Imaginou o que iria escutar para o resto da vida se Dean ou o pai o vissem se explicando na TV sobre um relacionamento gay. Não, nunca estaria preparado.

- Não. Acho que não estou preparado.

- Não interessa à SPN que essa história ganhe espaço na mídia e acreditamos que ao senhor também não. O seu contrato atual é de 6 meses. O que propomos é prorrogarmos para os 5 anos do curso de Direito. Nós pagaremos religiosamente o DOBRO do valor inicialmente acertado e o senhor não aparece para estagiar dia algum. O que acha do acordo?

Sam olha para Ross com cara de O QUE É QUE EU FAÇO?. E Ross faz um sinal de ACEITA, SEU BOBO!.

- Acreditamos que o senhor será chamado para esclarecimentos pela polícia. Mas, terá a assistência dos nossos advogados. Temos um acordo?

- Acordo fechado.

Quando o Sr. Hall parte, Ross, já preparado para sair correndo, completa:

- Duvido que ele tenha acreditado que NÃO SOMOS namorados. Qualquer um vê logo que nós formamos um casal perfeito. Salta aos olhos de qualquer um que você me ama. Você me ama, não ama, Sammy querido?

- Não vai se safar fugindo. Quando eu te alcançar, te encho de porrada, seu FDP.

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FIM


Notas finais do capítulo:

FINALMENTE CHEGAMOS AO FINAL: ESTE É O ÚLTIMO CAPÍTULO DA FIC.

TEMOS PORÉM O EPÍLOGO, OU MELHOR, SETE EPÍLOGOS, ONDE SÃO APRESENTADOS OS DESTINOS DOS PRINCIPAIS PERSONAGENS.


08.06.2013