CAPÍTULO XXIX
(Cap. 77) Epílogo 4
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TRISTAN & MARTHA
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- Já se despediu do seu neto, Martha. Vamos! O Paraíso a espera, mas não vai esperar para sempre.
- Mas, Tristan vai conosco, não vai?
- É como eu já falei antes pra senhora. Para alguns, o caminho para o Paraíso é mais longo.
- Vai, vó. Eu fico feliz sabendo que pelo menos a senhora vai ficar bem.
- Mas, e você? O que vai ser de você, Tristan, sozinho em um mundo de névoa?
Martha apertou forte ambas as mãos de Tessy e a olhou nos olhos, implorando silenciosamente.
- Eu não tenho as chaves do Céu, Martha.
- Não há mesmo nada que possa ser feito?
Havia uma dor profunda no pedido da velha senhora. O próprio significado de Paraíso estava se perdendo para ela. Tessy gostaria de poder fazer alguma coisa para lhe devolver o sorriso, mas ..
Tessy olha pensativa para o corpo caído de Jared Pawlowski. A alma seguira para o Paraíso, como o anjo havia prometido. Mas, o corpo ainda não estava irremediavelmente perdido. A perda de sangue fora imensa, as funções vitais estavam imperceptíveis, mas ele não morreria até que ela assim o determinasse. O anjo podia determinar o destino da alma, mas a morte do corpo dependia somente dela.
- Tristan, em nenhum outro momento isso seria possível, mas o próprio tempo está sendo reordenado para construção de um novo futuro. Esse rapaz, Jared Pawlowski, é de uma linhagem muito antiga e um dos poucos que pode servir de receptáculo para anjos. Isto vale também para outros seres espirituais. Se você se apressar e ocupar o corpo, no momento sem uma alma, poderá viver todo o tempo que estava destinado a ele antes da intervenção do anjo.
- Parece ótimo.
- Mas, devo alertá-lo que o destino da sua alma voltará a depender das suas escolhas. Você terá, no futuro, um novo julgamento. E mais, ao penetrar no corpo, as memórias de Tristan Jared Ross vão desaparecer completamente, assim como as destes nossos dois primeiros encontros. Você só as terá de volta quando nos encontrarmos da próxima vez. Até lá, viverá com as memórias gravadas no corpo. É a sua alma, a sua essência, mas a vida que terá será a continuação da vida de Jared Pawlowski.
- Faça as escolhas certas, meu neto. Estarei aguardando você no Paraíso.
- Beijo, vó. Me espere lá. Obrigado, Tessy.
- Melhor sorte desta vez, Tristan.
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ROSS & JARED P.
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Os ferimentos eram muito graves e a recuperação de Jared P. foi muito lenta. Mais de um mês em coma. Meses de tratamento doloroso. Foram necessárias também diversas cirurgias reparadoras.
A família Lang se responsabilizou por todo o tratamento, já que o rapaz não tinha recursos nem parentes próximos.
Ross, principalmente, acompanhou de perto a recuperação de Jared P., fazendo frequentes visitas ao hospital. Não conseguia deixar de sentir-se responsável pelo rapaz. Afinal, ele quase morrera em consequência de decisões imprudentes suas.
Os médicos atestaram que Jared sofrera perda da memória recente e alertavam que a perda podia ser permanente. O rapaz não guardava nenhuma lembrança dos seis meses anteriores ao ataque. Sua última recordação era de um pouco antes de deixar sua cidade natal, em Ohio.
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Nenhuma das muitas tentativas que Ross fizera para contatar o espírito do irmão dera resultado. Já acreditava que Tristan, uma vez vingado, tinha seguido em frente. Queria acreditar que estava finalmente em paz.
Desde que descobrira que tinha um irmão, Ross se pegara muitas vezes pensando que um dia os dois seriam grandes amigos e que o irmão seria aquele com quem poderia contar para o resto da vida. Uma ligação mais duradoura que a nascida de amores e paixões. Gostava também da idéia de ter a quem proteger, pois era da sua natureza ser protetor.
Investira muito no projeto de manter ao menos uma sombra do irmão ao seu lado. Estava sendo muito doloroso para Ross abrir mão deste projeto.
Lembrava frequentemente da adrenalina que fora lutar pela própria vida lado a lado com o irmão. Da excitação. Do medo mesclado com felicidade.
Fora muito intenso, mas fora também muito rápido.
E acabara.
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Aos poucos, sem perceber, Ross começou a transferir para Jared P. os sentimentos que tinha por Tristan.
Tristan também tinha Jared no nome. Tristan Jared. Já até os achava meio parecidos, talvez por terem cabelos escuros e serem praticamente da mesma altura. Só que, ao contrário de Tristan, que era um ano mais velho que Ross, Jared era um ano mais novo.
E olhando para o rapaz adormecido, pensou alto.
- E então, Jared. Você aceita ser meu irmão para o resto de nossas vidas?
Falara por falar. Sem refletir.
Ao se dar conta do que acabara de dizer em voz alta, achou algo completamente despropositado.
Mas, ao pensar uma segunda vez, já não achava algo tão estapafúrdio assim.
Começava a levar a sério aquela idéia.
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Três meses depois, ao receber alta do hospital, sem saber ainda o rumo que daria à sua vida, Jared Pawlowski recebeu, surpreso, o convite de Jason Ross para que ficasse uns tempos hospedado na propriedade dos Lang. Pelo menos até que reconstruísse sua vida.
Não mais como um empregado. Como um convidado da família.
(Cap. 78) Epílogo 5
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PETER ROSS
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A Sra. Lang preferiu seguir de carro até Harveyville. Na verdade, ia primeiro a Topeka discutir os aspectos práticos de sua decisão com seu irmão, Clark. Sentia-se um pouco culpada quando pensava assim, mas agradecia a Deus por Clark ter enviuvado.
Sabia que Clark era totalmente contra sua decisão de transferir parte da herança de Adeline para o homem que a filha escolhera como marido. Queria encontrar uma solução de consenso, que conciliasse os direitos de Peter Ross com os interesses da família Lang.
Não tinha pressa. Era até bom que a viagem levasse alguns dias. Ajudaria a fazer com que ela própria se acostumasse com a idéia.
Ainda não estava segura do acerto de sua decisão quando o motorista parou o carro em frente à casa de Peter Ross. Ver na parede, junto à porta de entrada, as fotos de momentos felizes do breve casamento da filha, ajudou a convencê-la.
- Sra. Lang. É uma surpresa muito grande vê-la aqui, em minha casa, depois de tantos anos.
- Boa tarde, Peter. Saiba que sinto muito por Tristan e também por sua mãe.
- Obrigado. Fique à vontade.
- Foi muito difícil para mim vir até aqui, Peter. Você me conhece. Vou ser direta. Não espero que me perdoe, afinal foram muitos anos de mentiras. Mas, é importante que você saiba que ainda tem um filho vivo. Um rapaz maravilhoso, que vai precisar muito de você.
- Um filho?
- O bebê que Adeline estava esperando quando morreu. Está vivo.
- O bebê sobreviveu?
- Sobreviveu. Criei o garoto na minha propriedade de San Jose. Ele hoje cursa Direito em Stanford.
- E que a fez vir aqui me contar isso depois de tantos anos? O que espera de mim, Sra. Lang?
- Que cuide de Jason. Eu não vou estar aqui para sempre.
- Jason! É esse o nome do meu filho?
- Jason Lang ROSS, embora ele se apresente como Jason Ross Lang.
- Não fui um bom pai para Tristan. Porque acha que serei um bom pai para Jason?
- Porque acho que aprendeu algo com a morte de Tristan. Eu aprendi muito.
- Tristan morreu me odiando.
- Tristan está em paz agora. Ele o perdoou e pede seu perdão. Tome, veja essa gravação. São uns poucos minutos de uma gravação maior que um dia lhe mostrarei.
- Onde ele está? Jason.
- Em San Jose. Não disse a ele que viria aqui. Eu e ele esperaremos você lá. Neste envelope tem uma passagem aérea e as informações de como chegar na propriedade. Venha quando estiver pronto para conhecer seu filho. Será bem recebido em minha casa. Pense nela como a casa de Adeline e de seu filho.
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Peter sentia-se deslocado em Harveyville. A cidade fora cruel com Tristan. Sua mãe tinha morrido. Não havia mais nada que o prendesse ali. Talvez fosse mesmo a hora de deixar o Kansas. Tinha um filho que não conhecia. Precisava recuperar o tempo perdido.
Sabia agora que podemos não ter todo o tempo que pensamos para corrigir nossos erros.
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Peter foi bem recebido na mansão dos Lang, mas sentia-se inseguro perto do filho universitário, tão auto-suficiente e cheio de atividades.
Sentia-se um caipira semi-analfabeto, sem assunto e sem ter o que ensinar ou o que oferecer ao filho.
Era bem mais fácil conversar com o garoto desmemoriado, que, como ele, vinha de uma cidade pequena. O garoto lhe lembrava Tristan até nos pequenos gestos, mas sem a permanente necessidade de confrontação.
Sabia que errara muito com Tristan. TINHA que acertar desta vez.
Jared P. poderia ser a ponte entre ele e o filho e seu mundo.
Já gostava muito do rapaz. Era como se tivesse ganhado dois filhos.
(Cap. 79) Epílogo 6
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DEAN WINCHESTER
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John ligara da Califórnia. Estava voltando. A Sra. Lang retirara as acusações de invasão. Ela própria conversara com os altos escalões da corporação e todos concordaram que o melhor seria abafar toda a história.
A Polícia não desejava mais publicidade para a invasão seguida de fuga seguida de desaparecimento de prontuário. Se Dean fosse preso e levado a julgamento, as falhas de segurança da Central de Polícia seriam expostas para o grande público e a mídia faria um escarcéu.
Cairiam cabeças da cúpula da Polícia.
Sam não ficou sabendo o quão próximo esteve da morte e John preferiu não contar a Dean nada do que acontecera. Se ao menos suspeitasse que um monstro quase matara Sam na Califórnia, Dean se mudaria para lá no dia seguinte. Ia querer estar junto até nas vezes que o irmão saísse com a namoradinha. Contara somente a Bobby e pedira segredo.
Dean estava numa ansiedade louca desde que o pai dissera que conseguira um carro que era a cara dele. Dean insistia em saber dos detalhes, mas John fora evasivo e dissera que ele saberia quando recebesse o carro.
Antes mesmo do Chevy Impala 67 entrar no ferro-velho, Dean reconheceu o ruído do motor. Foi John sair do carro e Dean ocupar o banco do motorista.
Não parou para olhar para o pai. Não lembrou que Sam existia. Abraçou o carro e chorou de felicidade.
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SAM WINCHESTER
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Sam notou o ar decidido de Jess quando ela o recebeu e imediatamente o puxou para si. Gostou quando ela tomou a iniciativa de puxar a camisa dele para fora da calça, jogá-lo de costas na cama e vir para cima dele com uma bateria de beijos.
Sam não estava acreditando. Decididamente aquela não era Jess. A garota parecia possuída. Bem, possuída ou não, tudo que ele queria é que ela continuasse a se aproveitar dele. E ela continuou com os avanços, provocativa e sensual. Desabotoou seu jeans e foi baixando lentamente o zíper. Era o sinal verde que ele esperou por tanto tempo.
Era a sua vez de assumir a iniciativa e mostrar que tinha pegada.
E foi assim a primeira vez dos dois.
Perfeita.
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Ah! Foi perfeita para ela também.
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SAM & DEAN
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No dia seguinte, Sam acordou querendo dividir sua felicidade com o mundo. Mas, principalmente, queria dividir sua felicidade com o irmão.
- Dean? Sou eu, Sam! Queria que soubesse que estou muito, muito feliz. E também que te amo muito, meu irmão.
- Eu também estou feliz, Sammy. Feliz que VOCÊ tenha finalmente dado o braço a torcer e ligado para dizer que VOCÊ me ama muito. Porque eu NEM LEMBRO QUE VOCÊ EXISTE.
- Babaca ['Jerk']
- Vagaba ['Bitch'].
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Dean seca os olhos com a manga da camisa. Tudo que queria naquele momento era que Sam desligasse.
Agradeceu a Deus por sua voz ter se mantido firme até o final da ligação.
Não entendia bem o que estava sentindo.
Sam estava feliz. Não era tudo o que importava?
Sam reafirmara que o amava. Não era tudo que queria ouvir?
O que mais ele queria? O que era essa dor no peito que o impedia de respirar?
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A verdade é que machucava Dean saber que Sam podia sentir-se assim tão feliz estando tão distante da família, e, ao dizer família, queria dizer dele próprio, Dean.
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QUASE O FIM
Notas finais do capítulo
Final influenciado para Sam & Dean pelo episódio 5x16 (The Dark Side of the Moon), exibido na semana anterior a esse capítulo ter sido escrito.
NO CAPÍTULO FINAL, UM PERSONAGEM BEM MAIS IMPORTANTE DO QUE PARECEU SER : JORDAN
14.06.2013
