Próximo capítulo é compleeetamente inédito ein! Quase lá :B

Músicas do capítulo:

Chasing the sun - The Wanted

Day after Day - Millenium

Wild ones – Flo Rida ft Sai


This love

Por: Juju ou Juh ou Juliana ou Kagome Juh. Como preferirem :D


'Você volta tendo certeza do que quer,

você volta sabendo o que fazer.

E então vem uma droga de uma garota irritante,

te faz sentir ciúmes e simplesmente esquecer tudo.'

Kagome Higurashi.

Capítulo III.

Ela sentia frio por causa das gotas grossas de chuva que a encharcavam. Permanecia com as mãos de forma protetora na barriga de oito meses enquanto caminhava. O cabelo negro estava totalmente para trás, molhado, e os olhos azuis olhavam para o East River, que refletia um pouco as luzes da Brooklyn Bridge. De um lado ela via o Brooklyn e do outro Manhattan, sentindo como se não pertencesse a nenhum daqueles lugares. Algumas lágrimas começaram a cair lentamente, misturando-se com as gotas de chuva.

Ela não pensara que seria tão difícil daquele jeito. Arranjar emprego estando grávida era realmente complicado, apesar de ter conseguido limpar algumas casas como faxineira. Mesmo se esforçando demais, ela tivera a graça de não perder o bebê. Seria por que o destino era realmente tê-lo?

Abraçou a barriga enorme. O bebê estaria sentindo frio naquele momento? Ela estaria o fazendo sentir o mesmo frio e desconsolo que estava sentindo?

Sem dinheiro, sem amigos e em outro continente. Completamente sozinha e grávida. Havia sido a própria escolha, mas aquilo não diminuía a dificuldade da situação.

Atrás de si os carros passavam, seguindo seus objetivos, e ela continuava a não saber o que iria fazer. O dinheiro que ela havia trazido estava acabando e ela tinha o aluguel do quartinho em que estava para pagar. Por quanto tempo ela teria um teto para morar? Ela não poderia vender as jóias da família tão cedo, porque ela sabia que iria precisar delas depois de alguns meses para comprar a comida e o resto dos acessórios do bebê. Levantou a cabeça para os céus, sentindo as gotas baterem no rosto. Não se importava em parecer uma louca grávida que poderia estar pensando em pular da ponte, naquele momento o que menos a preocupava era o que os outros poderiam pensar dela. O que lhe preocupava naquele momento era sobreviver junto com o bebê. Olhou para o Brooklyn, pensando que teria que voltar para seu quartinho, mas a verdadeira vontade dela era voltar para Tóquio. Estar sob as cobertas da quentinha cama de seu quarto, estar sob os cuidados dos pais, não permitir que o filho passasse frio ou fome.

Ela se lembrou, novamente, que a culpa era dela. Ela se lembrou que não queria que Inuyasha ficasse com ela por obrigação, que não queria algo mecânico. Ela queria amor e sabia que se houvesse amor, o bebê também seria tratado dessa maneira. Suspirou cansada sentindo os pés reclamarem de terem andado tanto carregando todo aquele peso. Enquanto sentia o vento bater em si fortemente, só piorando o frio que sentia, ela percebeu que não podia se dar ao luxo de pensar em um sonho. Ela não podia se dar o luxo de imaginar o que estaria fazendo se não tivesse fugido, se tivesse dado tudo certo. Se Inuyasha nunca tivesse pedido desculpas pela noite mais maravilhosa de sua vida.

Ela não podia pensar naquilo. Ela tinha que voltar para o quartinho e arranjar um jeito de sobreviver por mais tempo junto com o bebê.

"Kagome?" Abriu os olhos de supetão ao ouvir ser chamada. Percebeu estar no próprio quarto, em Tóquio. Coçou os olhos, finalmente entendendo que estava sonhando com a época que ficara nos Estados Unidos. Percebeu algumas lágrimas no canto de seus olhos azuis acinzentados e as secou. Fazia algum tempo que ela não sonhava com aquilo, que ela parecera esquecer de seu sofrimento. "Onde você 'tá?" Ouviu a voz de sua mãe perguntar novamente e se sentou na cama enquanto tentava disfarçar a situação de espírito que ela se encontrava. Não era muito agradável sonhar com aquilo.

"No quarto!" Respondeu e logo se levantou, saindo pela porta do quarto e vendo os pais com várias sacolas em mãos e uma Amy totalmente alegre. Ela sabia de onde eles haviam chegado, já que quando entrara no apartamento de cara vira um bilhetinho com as letrinhas tortas da filha avisando que estavam no Supermercado. "Pelo jeito gastaram bastante." Amy correu até a mãe quando a viu.

"Seu pai teve sorte com a bolsa de valores, além do que, Inu Taisho está tendo bons lucros com a empresa." Sra. Higurashi falou como se explicasse tudo naquelas palavras, o que realmente explicava. Seu pai era sócio de Inu Taisho, eis porque ela era amiga de infância de Inuyasha.

Kagome olhou para Amy com os olhos carinhosos. Ver que a filha estava adorando o Japão era muito bom.

"Se divertiu?" Perguntou roçando o nariz no pequenino da filha, que riu divertida.

"Yep. Grandma and Grandpa are so amazing!" E então, ela viu a filha com um pacote de bolachas na mão. Riu. Oh, sim, ela entendia onde ela achava os avós legais.

"Sua pequena interesseira..." Disse pegando o pacote de bolachas das mãos pequenas. Viu a filha fazer uma careta de tristeza e olhar para ela interrogativamente. "Só depois do almoço meu bem."

"Nunca imaginei que um dia veria você falando uma coisa dessas." Kagome ouviu a voz grossa do pai e o encarou, vendo-o divertido. "Nós dizíamos o mesmo para você e mesmo assim você comia o chocolate escondida." Ela riu divertida e depois fez um sinal de silêncio para o pai.

"Shh, não fala isso perto dela." Apontou para a filha. "Não quero que ela siga maus exemplos."

"Você está se lembrando que o mau exemplo é você?" Ele perguntou arqueando a sobrancelha.

"Você não precisa ficar confirmando..." Ela disse parecendo até mesmo ofendida. O pai meneou a cabeça negativamente.

"Onde iremos almoçar?" Ouviram a voz da Sra. Higurashi e todos olharam para a senhora ao mesmo tempo. Menos Amy, que encarava hipnotizada o pacote nas mãos da morena.

"Eu quero cozinhar." Kagome respondeu calmamente. Viu os pais a encararem completamente descrentes.

"Você acabou de chegar, realmente acha que eu vou deixar?" Sra. Higurashi perguntou.

"Bem, eu tinha esperanças." A morena deu de ombros.

"Eu faço o almoço. Vem com a vovó, Amy!" A Sra. Higurashi falou animada e rapidamente a neta pulou do colo de Kagome e foi correndo atrás da Avó, esquecendo-se completamente do pacote de bolachas na mão da morena. A mãe coruja viu a filhinha correndo até a cozinha atrás da avó e sentiu tanto orgulho das duas. Agüentaram tantas coisas...

Então seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho estridente do telefone e se virando viu a luz piscando. Caminhou calmamente até o aparelho e quando o atendeu e se virou para encarar o pai, percebeu que ele não estava mais na sala.

"Kagooome!" Ouviu um grito animado do outro lado da linha. Arqueou as sobrancelhas para a voz que ela logo reconheceu.

"Não me conte que teve um almoço daqueles com o Miroku, porque eu não quero nem saber." Ouviu uma risada do outro lado.

"Você só pensa nisso, credo."

"Como se você também não pensasse..." Ela respondeu rindo.

"Não liguei para isso. Quero marcar com você a nossa boate." Ouvindo a voz animada do outro lado, ela não podia perder a chance.

"Você realmente deve estar louca para beber e soltar a franga, já que eu te falei sobre isso há uma hora, Sango!"

"Oh! Que soltar a franga o que!" Kagome gargalhou divertida. "Estou falando sério por aqui, quer que eu passe na sua casa ou você vai sozinha?" Sango perguntou como se estivesse falando com uma criança. Os olhos azuis se estreitaram levemente.

"Eu posso ir sozinha. Sabe, eu consigo dirigir sem um noivo do meu lado." Ouviu uma bufada do outro lado do telefone.

"Ok, ok. Eu realmente não conseguiria me concentrar sem o Miroku do meu lado... Eu ficaria preocupada com o que ele poderia estar fazendo no momento." Sango disse parecendo derrotada.

"Não preciso dos detalhes sórdidos." Kagome disse divertida. "Estarei lá às onze." Dizendo isso ouviu um simples tchauzinho de Sango e desligou o telefone. Olhava para o aparelho com um sorriso enorme no rosto e os olhos brilhavam de uma maneira magnífica. O Sr. Higurashi chegou à sala para pedir algo para a filha e parou arqueando a sobrancelha quando viu o modo com que ela olhava o aparelho.

"Você quer que ele se apaixone por você?"

oOo

Inuyasha olhava para a decoração do restaurante com os olhos totalmente descrentes e a dor de cabeça só aumentava a cada momento. Por que carga d'águas ele tinha que encontrar Ayame? Por que ela não mudara nem um pouquinho? A luz que vinha até seus olhos o deixava simplesmente em um estado de espírito completamente lastimável. A vontade era de ficar com os óculos escuros, mas ele sabia como Ayame era e sabia que ela acharia aquilo uma tremenda falta de educação e iria fazer o maior barraco possível. Aquilo só poderia piorar a situação. Ele não estava nem um pouco a fim de escutar gritos que piorariam sua situação mental.

"Eu não esperava que você morasse no mesmo lugar..." Ela tagarelava e ele a encarava sem realmente saber como ele tivera algum tipo de quedinha por ela quando era mais novo. Diabos, ele não entendia como ele fora querer perder a virgindade com a ruiva! Em todos os cantos que ele olhava para Ayame, ele não conseguia parar de pensar que Kagome era mais bonita. Meu deus, como ele não notara aquilo antes? "Bem, então Inu, você está namorando?" Ele piscou com aquela pergunta acordando de seus pensamentos.

"Não." Respondeu simplesmente. 'Mas bem que eu queria...'

"Oh, eu também não." Ela comentou alegre. Inuyasha a encarou tentando entender como ele conseguira ter uma quedinha por ela. Então, sentiu um pé subindo pela sua perna. "Eu nunca esqueci de você, Inu."

Surpreso demais para reagir, deu graças a Deus quando o celular tocou. Atendeu-o rapidamente, mas constatou que nem aquilo a faria parar.

"Alô." Disse sentindo o pé subindo um pouco mais.

"Inuyasha, eu realmente não queria falar com você tão cedo, mas..." Inuyasha arregalou os olhos quando reconheceu a voz de Sesshoumaru. "Rin queria que eu te chamasse para irmos na boate hoje, onze horas." Ele então sentiu o pé de Ayame por entre suas pernas e entrou em leve desespero.

"Claro, vou sim. A de sempre?"

"É."

"Estarei lá." Desligou sem nem esperar a resposta e com as mãos tirou o pé de Ayame de si. "É, pois é, também nunca me esqueci de você." Respondeu tentando ser educado. Ela sorriu divertida.

"Você vai sair hoje, Inu?" Inuyasha a encarou sem saber o que fazer.

Bem, Kagome possivelmente estaria lá. Ela e Ayame definitivamente não combinavam, mas se ele não a chamasse, ele seria terrivelmente mal educado... E credo, ele não queria escutar os gritos de Ayame.

"Pois é, vou à boate hoje. Quer ir? Eu posso passar no seu apartamento." Ele disse sorrindo falsamente. Viu um brilho diferente passar pelos olhos verdes e se perguntou se teria sido preferível ser mal educado e escutar os gritos de Ayame do que o que estaria por vir.

"Tudo bem. Vou deixar o endereço com você, então." Ela disse pegando um guardanapo e se virando para Inuyasha, estendeu a mão pedindo uma caneta. Quando ela terminou de escrever e se levantou, foi até a cadeira do hanyou e se abaixou o suficiente para passar os lábios pelo pescoço masculinho enquanto colocava o papelzinho no bolso da frente da calça Ellus. Inuyasha engoliu em seco.

Por mais que ele amasse Kagome, seria realmente difícil se controlar quando alguém simplesmente se jogava em cima dele. Para seu alívio e salvação, o garçom chegou com os pratos, fazendo com que Ayame voltasse lentamente até sua cadeira. Encarando a comida com todo o seu fervor, ele conseguiu se safar de qualquer outro meio de comunicação com a ruiva até a hora de ir embora.

oOo

Os olhos azuis acinzentados encaravam o espelho com um brilho de satisfação. Um sorriso se formou em sua face e ela alisou o vestido Chanel que vestia. Ele caía perfeitamente no seu corpo, mais preso no busto. Ele seria um tomara que caia se não tivesse as alças puxadas do meio do busto a rodear seu pescoço. Nas costas ele era decotado. As alças eram de cetim preto, o mesmo cetim que fazia um laço médio no meio do busto, deixando-o ainda mais bonito. Ele era um palmo e meio acima do joelho, deixando suas pernas bem torneadas a mostra.

Nos pés ela usava um Jimmy Choo inteiramente preto. As tiras envernizadas trans-laçavam formando um T. O salto era preto alto e fino e brilhava assim como as tiras da sandália.

A maquiagem era simples, pois ela não precisava de muito. Um lápis branco por dentro do olho, o preto passando delicadamente por fora. Seus olhos azuis ficavam muito evidenciados com aquilo. Um pouco de rímel e nos lábios um brilho avermelhado. O cabelo estava preso de modo desleixado em um coque, de forma que se ela se mexesse muito na hora que fosse dançar facilmente ele se desmancharia. E nos braços, uma pulseira de ouro, presa um pouco mais acima do pulso.

Ela estava linda.

Caminhou lentamente e alegremente para fora do quarto. Já eram onze horas e estava na hora de ir até a boate. Quando chegou à sala, viu os pais assistindo TV junto de Amy. Fez uma cara fingindo estar brava.

"Não era para a senhorita Amy estar na cama à essa hora?" Ouvindo a voz da mãe, a pequena pulou de susto e sorriu travessa quando olhou para trás. Vendo a mãe, seus olhinhos brilharam.

"Ta liinda!" Disse visivelmente orgulhosa e, claro, mudando de assunto completamente. Ela tinha três aninhos mas não era boba! Os pais também olharam para trás e um sorriso carinhoso apareceu em seus lábios e em seus olhos Kagome via um brilho orgulhoso, fazendo-a ficar orgulhosa de si mesma também.

"Fazia tanto tempo que eu queria rever essa cena." A Sra. Higurashi disse. "Sabe, ver você se arrumando e depois toda arrumada e linda, sair com as amigas."

"É, nunca pensei que ficaria enciumado com isso depois de tanto tempo." A voz grossa do Sr. Higurashi se fez presente e Kagome riu. Quem visse seu pai sem conhecê-lo pensaria que ele era um homem frio e rígido, quando na verdade ele era uma verdadeira manteiga derretida.

"Só vocês mesmo... Amy, my sweetheart, come on." A morena chamou, estendendo a mão e fechando os dedos chamando a pequena, que logo pulou do sofá e correu derrotada para ela. Oh, não dava pra enganar a própria mãe mesmo. "Está na hora de dormir."

"Posso dormir no quarto do vovô e da vovó?"

"Pode sim, mas só até montarmos seu quarto." Kagome respondeu carinhosa, entrando no quarto dos pais. Antes de eles chegarem ali há quatro anos eles não moravam ali, mas eles ficaram, esperando por ela. Imaginou com tristeza que logo eles estariam voltando para a mansão no interior do Japão, que era mais tranqüilo. Calmamente e com muito amor e carinho, Kagome colocou Amy na cama. Ela já estava de banho tomado e já havia escovado os dentes. Logo que ela colocou o corpinho pequeno da filha deitado, Amy bocejou cansada. Ela sorriu carinhosamente. A filha nunca tinha se movimentado tanto que nem naquele primeiro dia em que os pais não deixaram a menina quieta por nenhum momento.

Logo que ela percebeu que os olhinhos dela se fecharam e que a filha caíra no sono, ela colocou uma mecha do cabelo liso e negro da pequena atrás da orelha e saiu do quarto, indo a direção da sala. Os pais já estavam em pé e pelas caras cansadas eles também estavam indo dormir.

"Comporte-se." Sr. Higurashi disse sério, fazendo Kagome rir.

"Ta bom, vão dormir."

Eles a encararam quietos e ficaram um pouco em silêncio, fazendo com que Kagome franzisse o cenho um pouco confusa.

"Você não vai sumir no meio da noite, não é?" Sra. Higurashi perguntou com os olhos preocupados.

E então a morena entendeu. Sorriu carinhosamente, caminhou até os pais dando um forte abraço. Eles ainda não pareciam acreditar que ela voltara para ficar... Pelo menos por algum tempo.

"Não, não se preocupem. Não vou." Ela respondeu sentindo que a mãe ficara mais aliviada. "Bem, agora tenho que ir e me divertir." Falando aquilo alto realmente pareceu muito legal.

Percebemos que ela se divertia muito, não?

"Vai com Deus, meu bem." Os dois se despediram e ela rumou para a porta, mas quando percebeu as mãos vazias deu a volta e correu até o quarto. Ela estava se esquecendo da bolsa... Que blasfêmia! Ela nem parou para pensar o quanto havia mudado. Bem, ela continuava saindo bem vestida e tudo mais, mas ela nunca fora de ter todo um cuidado com a bolsa. Aquele um ano como cantora havia mudado-a sem nem que ela mesma percebesse.

Chegou ao quarto e viu em cima da cama a bolsa de mão pequena e prática, preta de cetim com detalhes simples em dourado como o símbolo da Gucci. Abriu-a para ver se tinha tudo o que precisava, como o brilho labial, o lápis de olho, um pouco de dinheiro e o iPhone. Sim, estava tudo ali.

É, tudo muito simples.

Caminhou novamente até a porta e, assim que saiu, trancou-a colocando a chave dentro da bolsa também. Foi até o elevador e esperou pacientemente enquanto chegava à garagem. Sorrindo ela avistou o próprio carro e ela certamente queria um carro novo - não desprezando aquele que tinha – já que aquele estava um pouco velho. Caminhou até ele, entrando e jogando a bolsa no banco do passageiro. Quando deu partida, sentia-se tão alegre que não podia conter a imaginação, onde ela via Sango e Rin bebendo e rindo junto com ela. Imaginava as três dançando e vários homens dando em cima das três... E claro, Sango e Rin dando todos os foras possíveis, elas eram fiéis.

Suas fantasias eram gratificantes.

Quando percebeu que chegava à boate, não conseguia parar de sorrir. Abriu a porta se lembrando de pegar a bolsa e quando desceu do carro o chofer ficou boquiaberto com a visão que teve. Ele olhou Kagome de cima em baixo, pegando a chave ainda muito deslumbrado. Ela riu com gosto e entrou na boate, procurando com os olhos as amigas. Quando as avistou começou a se encaminhar para as mesinhas onde elas estavam sentadas e chegando bem próxima ela tampou os olhos de Rin, que estava virada de costas para ela.

"Adivinha quem é?"

"Branca de neve." A amiga entrou na brincadeira, divertida. "Ah não, esqueci que ela desmarcou com agente...".

"Pois é, ela não vai vim."

"Bem, acho que é a... Ok, ok, Kagome." Rin disse com uma voz fingida de derrotada, fazendo com que a amiga tirasse as mãos dos olhos dela. Ela se levantou e quando olhou para a amiga, ficou boquiaberta. "Ok, precisava humilhar?" Perguntou apontando para a roupa de Kagome, que deu de ombros.

"Não precisa exagerar, sempre saí bem arrumada." Ela disse em sua defesa. Rin revirou os olhos e depois sorriu animada.

"Ta linda!" Abraçou-a enquanto a cumprimentava e então Sango veio até as duas.

"Você está horrível!" Ela comentou, fazendo Kagome arquear as sobrancelhas. "Mentira, só para não perder o costume."

"Bem, e então, prontas para começar a entornar?" Kagome perguntou animadíssima e, então, viu um olhar cúmplice entre as amigas. "Vocês não estão prontas? Caramba, por que marcamos então?"

"Não é bem isso..." Rin disse mordendo o lábio inferior e olhando para trás.

"Então o que é?" A morena perguntou franzindo o cenho e como resposta ela seguiu o olhar de Rin e lá estavam três homens parados, olhando para as três. Primeiro seus olhos passaram por Miroku, depois por Sesshoumaru e o último fez com que ela ficasse tipo... Irada. "Eu vou embora." Disse já se virando e para sua surpresa, antes que tomasse qualquer atitude, uma mulher apareceu na sua frente.

Ela vestia uma blusa vinho caída em um dos ombros da D&G e uma calça jeans que lhe caía muito bem da Diesel. Os cabelos eram ruivos e um pouco curtos, caíam-lhe dando uma formato bonito ao rosto e os olhos eram verdes. Até naquele ponto Kagome não tinha nem noção de quem seria aquele ser.

"Olá Kagome, espero que se lembre de mim ainda." Um brilho provocador passou pelos olhos da cor esmeralda fazendo com que os olhos azuis se estreitassem. "Ayame, o prazer é todo seu." E ela empinou o narizinho.

Oh, só faltava aquilo.

Inuyasha observara Kagome entrando na boate, sentindo o coração pular dentro de si. As pernas bem moldadas e aparentemente durinhas, as coxas definidas, o cabelo estava preso tão frouxamente e elegante, os olhos azuis brilhavam alegres. Ela estava muito perfeita, um anjo. Quando ele olhara ao seu redor, parecia que não era só ele que havia percebido.

Naquele exato momento, ele suava frio. Ela os vira ali e queria ir embora e, então, Ayame fora cumprimentá-la.

Ele estava completamente frito na manteiga.

"Bem, na verdade, é uma verdadeira honra você estar conversando com Gome Matsuyama." Kagome respondeu mantendo a pose elegante. Ela não gostava de ser arrogante, mas ela nunca conseguira se segurar perto de Ayame. Ela sempre escutara as histórias de Inuyasha, sofrera com todas elas e principalmente quando ele contara que perdera a virgindade, mas ela também nunca agüentou exatamente calada e justamente com Ayame fora justamente com quem ela mais abrira a boca. A ruiva arregalou os olhos um pouco surpresa, mas rapidamente voltou ao normal.

"Então é realmente você." Ela comentou com uma pontada de inveja, fazendo um sorriso de escárnio brincar nos lábios da morena.

"Sim, sou eu, meu bem." Então Ayame olhou para trás, vendo os orbes âmbares preocupados de Inuyasha e, sorrindo com zombaria, encarou a morena que arqueou as sobrancelhas ao ver aquele sorrisinho.

"Continua gostando do Inuyasha?"

O coração da morena simplesmente parou.

Pelo jeito o único que não sabia realmente era o Inuyasha, que idiota.

"Você realmente anda desinformada, não?" Ela respondeu sorrindo em zombaria, tentando disfarçar a surpresa. Ayame riu divertida.

"É, percebo."

"Ká, vem!" Rin interferiu puxando Kagome até o bar, deixando uma Ayame sorrindo vitoriosa para trás. A morena encarou a amiga com os olhos azuis irados.

"Eu sei me cuidar, não precisava me tirar dali!" Ela sentia como se sua dignidade tivesse sido pisoteada. "E por que santo Deus vocês chamaram aqueles três? E caramba, QUEM chamou a Ayame?!"

"Nós não podíamos simplesmente sair para beber sem trazê-los... E bem, aí vem a parte mais complicada..." Rin respondeu nervosamente, mordendo o lábio inferior. Sentou-se no banquinho de frente para Kagome e Sango estava logo ao lado das duas, em silêncio. Ela não contaria a parte mais difícil nem se fosse vítima de voodoo. "Ayame veio com... o Inuyasha. Pronto, falei!" Ela terminou se virando para o barman e pedindo uma dose de vodca.

Kagome sentiu-se vazia por um instante, tentando digerir aquela nova informação. Seus olhos foram involuntariamente até onde ela se lembrava que Inuyasha estava e encontraram os olhos âmbares, que derramavam preocupação.

Talvez porque ele soubesse que ferrou tudo, quem sabe.

E então os olhos azuis se desviaram sem demonstrar sentimento algum, indo parar no copinho que Rin virava. Com certeza ela precisava daquilo.

Inuyasha observava enquanto Rin tirava Kagome de perto de Ayame, suspirando aliviado, mas quando viu a morena fazendo perguntas aparentemente difíceis para a cunhada, ficou preocupado com o tipo das perguntas. Vendo Rin responder e logo depois pedir bebida, ele percebeu que era o tipo da pergunta que ele não queria que ela tivesse feito. Os olhos azuis acinzentados lhe encararam sem nenhum sentimento e quando ela deixou de encará-lo, ele se sentiu quebrado por dentro. Um pedaço de si ia embora sempre que ela o tratava desse jeito. Sentiu braços a lhe abraçar e nem precisou olhar para ver que era Ayame. Não foi preciso olhar para perceber que Miroku e Sesshoumaru se afastaram e foram se sentar em alguma mesa, querendo a maior distância o possível de Inuyasha e Ayame.

Oh, ele odiava aquilo.

"Vamos dançar?" Ele ouviu a voz da ruiva com um tom sensual e, suspirando, ele deixou-se ser puxado para a pista de dança.

Kagome pediu um cosmopolitan, como sempre. Não sabia por que adorava aquele drink, só sabia que queria beber e beber.

"Sabe, vocês podiam ter mentido para eles, dizendo que iriam dormir em algum hotel porque eu chamei." Ela disse, ainda inconformada.

"É, mentir sempre é a solução." Sango disse irônica enquanto bebia lentamente o Sidecar.

"Sabe, uma mentirinha de vez em quando não faz mal!"

"É, mentir sempre é a solução." Rin repetiu o que Sango disse no mesmo tom, fazendo com que Kagome desistisse.

"Ok, pelo menos que me avisassem, assim eu ficava preparada psicologicamente." A morena reclamou virando a taça de martini enquanto pedia outro para o barman. E então, seus olhos passearam pela pista de dança e pararam em um casal em questão. Seu coração batia lentamente, dolorido. Era realmente terrível para si mesma ter percebido que o sentimento que tinha por Inuyasha continuava o mesmo, era terrível ter que se ver confusa entre afastá-lo ou não, era terrível meditar um dia inteiro e se decidir que iria... E então, vê-lo com Ayame daquele jeito, era ainda mais terrível, pois fazia com que ela tivesse o maldito ciúme. Eles estavam dançando juntos, um de frente para o outro. Perceptivelmente Ayame, que nunca perdia uma oportunidade, se jogava em cima de Inuyasha. "Ele não afasta porque não quer..." Ela sussurrou sentida. Virou-se para o balcão, pegou o cosmopolitan e se virou para as amigas. "Vamos dançar?" Rin encarou Sango e as duas sorriram. Danem-se os maridos e noivos, dançar sozinha que era bom.

E enquanto elas caminhavam até a pista de dança, passaram na mesa de Sesshoumaru e Miroku, onde deixaram as bolsinhas que carregavam. Continuaram o caminho enquanto outra música começou a tocar. Kagome sorriu reconhecendo-a, Chasing the SunThe Wanted. Ela simplesmente amava aquela música. Ela foi andando já mexendo levemente o corpo, fazendo com que suas pernas se mostrassem ainda mais definidas, e por onde passava várias cabeças viravam para observar. Ela tivera Amy, mas perceptivelmente ninguém naquela boate que não soubesse disso diria que ela era mãe. O corpo de Kagome era simplesmente maravilhoso. Junto com as amigas que já sorriam felizes, ela se infiltrou no meio daquelas pessoas até chegar mais no meio e começou a dançar.

Primeiro lentamente, já que a música acabava de começar. Quando o toque acelerou, ela sorriu radiante e levantou os braços enquanto mexia o corpo. Não tão longe, Inuyasha observava disfarçadamente a morena dançando. Ela estava tão linda. Os cabelos começaram a cair lentamente enquanto ela mexia o corpo, dançando. Quando ele viu que ela havia percebido que o próprio cabelo estava caindo e passara a mão na franja jogando-a para trás juntamente com o cabelo - dando um movimento a mais para os fios negros – ele quase delirou. Ele via aquilo tudo em câmera lenta. O sorriso radiante em seu rosto, os olhos brilhando mais que as luzes da boate, o corpo mexendo-se e mostrando ser muito belo enquanto se movimentava, os cabelos sendo jogados para trás junto com a franja deixando o rosto dela ainda mais visível. Ela estava linda, completamente linda. Ele ficava se repetindo isso o tempo inteiro, sem nem cansar.

Ayame percebendo que ele não olhava para si, não se importou tanto. Naquela boate Kagome poderia estar vencendo, mas era a primeira batalha. E pensando nisso, ela resolveu parar de dançar e ir pegar algo para beber. Virou o rosto do hanyou para si, e voltando a sorrir deu um selinho naqueles lábios masculinos, logo saindo andando entre a multidão. Inuyasha permaneceu um pouco estático com aquilo. Ayame havia enlouquecido.

Olhou rapidamente para a direção de Kagome, vendo que ela não havia visto aquilo. Suspirou aliviado, e foi andando calmamente até o trio. Queria dançar com ela, queria poder sentir a sua presença bem próxima do seu corpo, seu calor, seu cheiro. Ele queria sentir que ela realmente havia voltado. Quando se aproximou viu que Sango e Rin o encararam um pouco duvidosas, mas sem dizer nada para Kagome elas simplesmente se afastaram um pouco. A morena não percebeu, por estar sinceramente aproveitando a música. O copo de martini em sua mão estava quase vazio, e ela só percebeu a aproximação de Inuyasha quando o mesmo roubou-lhe o copo, fazendo com que ela se virasse para ele, e ele bebeu o resto do líquido. Inuyasha sorriu enquanto ficava bem próximo da morena, fechando-a no meio de todas aquelas pessoas que dançavam, sem dar a chance dela sair de perto dele.

"O que você está fazendo?" Ela gritou um pouco irritada. Kagome sentiu-se surpresa com aquele ato do hanyou e não sabia como tinha que agir naquele momento. E então, com a tal proximidade, ela sentiu o mesmo perfume que ela se lembrava dele usar antes de ir embora, Calvin Klein Eternity. Aquele cheiro lhe impregnava na pele e a deixava totalmente zonza. Por que ele conseguia interferir tanto na sua sanidade mental daquele jeito? Por que ele conseguia fazer com que ela esquecesse todo o resto ao redor? Por que ele fazia isso sendo que ela ficara quatro anos fora e longe dele? Oh, aquilo a irritava. Saber que era fraca perto dele a irritava profundamente.

"Vim dançar com você." Inuyasha respondeu sorrindo de lado, quase colando seu corpo com o de Kagome. "Esqueça o resto, Kagome, vamos dançar." Ele pediu no ouvido da morena, sem perceber que ele não só a convencera, mas como também a derretera por dentro. 'Que hanyou idiota! Como ele consegue fazer isso?! Idiota, idiota, idiota, mil vezes gostoso!'

Kagome arregalou levemente os olhos azuis com o final daquele pensamento, mas logo se recompôs. Era realmente importante que ela fingisse que nada sentia com aquela proximidade, era estritamente importante que ela parasse de ficar se perguntando coisas iniciadas com 'Por quê?'. Libertou o corpo igual havia feito antes dele chegar ali e parecendo terem sido feitos um para o outro, começaram a dançar juntos. As curvas do corpo de Kagome quando ela se movimentava completavam o corpo de Inuyasha. Dançaram próximos um ao outro, sentindo as respirações ofegantes um do outro e então uma nova música começou, e logo que o toque começou, Kagome começou a rir. Inuyasha a encarou sorrindo, um pouco curioso, mas logo que escutou a voz da música arregalou os olhos. Encarou Kagome e viu-a mexer a boca.

"Day after day – Gome Matsuyama (Millenium)." Ela gritou e ele leu seus lábios. A dança ficou um pouco mais animada, mas enquanto ele se aproximava ainda mais, praticamente fazendo com que os dois dançassem como um, ele prestava atenção na letra. Aproximou seu rosto do dela, não deixando de encará-la. Suas mãos seguraram em sua cintura apertando-a levemente. Era a voz de Kagome naquela música, era uma letra visivelmente criada por ela. Ela levantou os braços animadamente, esquecendo-se completamente de tudo, e rodeou o pescoço do hanyou. Dançavam juntos enquanto ela cantarolava junto com a música. Inuyasha escutava as duas vozes, a da música tocada pelo DJ e a voz maravilhosa logo ali, junto com ele.

Sorriu enquanto sentia o corpo dela encaixando corretamente com o seu, como se eles fossem feitos um para o outro. Mexia seu tronco e quadril de acordo com o que Kagome fazia e sentiu seus narizes próximos, suas bocas próximas. Uma corrente elétrica passou por seu corpo.

A morena escutava a própria música, a única que ela fizera naquele estilo, com a ajuda de DJ e tudo mais. Encarava os olhos expressivos de Inuyasha e vendo-os assim tão próximos, sentindo o corpo assim colado ao seu, sentindo um corrente elétrica entre eles, Kagome esqueceu-se completamente das decisões que havia tomado antes de voltar, das decisões que havia tomado quando chegara. Naquele momento só existia a respiração dele confundindo-se com a sua, naquele momento só existia os braços musculosos e as mãos fortes segurando sua cintura. Kagome tirou os braços ao redor do hanyou e foi descendo a mãos pelos ombros largos, parando nos braços. Apertando-os enquanto continuava a encarar Inuyasha. Músculos definidos e fortes. Ela imaginava se ele tinha a mesma pegada forte que ela se lembrava dele ter quando ela perdera a virgindade. Se ele continuava decidido, se aquelas mesmas mãos que lhe apertavam a cintura continuavam tão ágeis. Arrepiou-se inconscientemente e subiu suas mãos novamente, indo cada uma do lado do rosto do hanyou. Estavam tão próximos que somente um empurrãozinho sem querer de alguma pessoa que dançava ao lado deles seria o suficiente para que eles se beijassem.

"Day after day

Night by to night

I've been waiting to love again..."

Inuyasha apertou levemente a cintura de Kagome, enquanto os dois dançavam juntos. Ele aproximou-se ainda mais, ficando a um centímetro da boca dela. Seus olhos encaravam aquela boca chamativa e Kagome fazia o mesmo, encarando a boca de Inuyasha. Ela apertou levemente o maxilar dele, queria puxá-lo para si e beija-lo. Queria senti-lo intimo novamente. Queria tê-lo em seus braços.

"Day after day

Night by to night

Love is waiting inside your heart…"

Eles não paravam de dançar em nenhum momento. Inuyasha roçou seus lábios aos de Kagome, somente aumentando a vontade da morena e a própria vontade também. Rodeou seus braços pela cintura fina de Kagome aproximando ainda mais se possível o corpo dela do seu, fazendo com que as pernas se encaixassem e eles ficassem exatamente colados. Uma de suas mãos subiram até o cabelo da morena, passando uma mecha de cabelo que caia do rosto da morena para trás da orelha e logo depois acariciando a bochecha dela, enquanto quase tocava seus lábios. Kagome suspirou enquanto ia parando de dançar. Oh, ela queria aquilo. Ela queria que ele lhe beijasse, ela gostava de sentir-se possuída por ele, apertando-a daquele jeito contra o corpo masculino. Tão próxima daquele jeito ela conseguia sentir o cheiro do perfume dele, impregnado em sua pele, o cheiro que ela sempre amara, que a enlouquecia e a intoxicava. Sentiu a mão dele passar para sua nuca, acariciando o local. Arrepiou-se novamente. Ela estava se segurando para não puxar de uma vez o rosto de Inuyasha e acabar com aquela mínima distancia entre seus lábios. Ela queria que ele lhe beijasse logo. Ela já não agüentava mais sentir a respiração dele tão próxima, o hálito de menta bater em seu rosto, as mãos enlouquecendo-a somente em acariciarem-na no pescoço e bagunçando seu cabelo da nuca. Ela queria que ele fizesse que nem havia feito com o corpo, que estava extremamente colado. Ela queria sentir seus lábios, igual sentia o peitoral durinho e malhado dele em contato forte contra seu corpo. Ele sorriu de lado.

E então as palavras que vieram até a mente de Kagome fizeram com que ela se assustasse com a atual situação.

'Eu te amo, Inuyasha.'

O que ela estava fazendo? Por que ela não o afastava naquele momento? Por que ela deixava que ele se aproximasse daquele jeito, rodeasse seus braços fortes por sua cintura, deixasse que a respiração dele se confundisse com a sua e a deixasse com o coração batendo absurdamente acelerado? Por que ela ainda o amava?

Ela havia enlouquecido.

Ela não queria sofrer tudo de novo. Ele não a amava, só estava tentando ficar com ela... Não era? Por que Inuyasha estava tendo tanta iniciativa?

E então Kagome se afastou bruscamente do hanyou, sentindo frio com isso, por mais que dentro da boate estivesse um pouco quente.

O calor que vinha do corpo de Inuyasha era diferente de qualquer outro tipo de calor. O calor dele aquecia-lhe o corpo, a alma. Era um calor necessário para não congelar na solidão e tristeza, não congelar no desespero e saudade. Por mais que ela tivesse sentido frio naquele momento e por mais que ela gostasse daquele calor e simplesmente necessitasse daquele calor... Ela estava acostumada com o frio. Ela poderia sobreviver sentindo o frio.

Inuyasha sentiu ela se desvencilhando de seus braços, sentiu a falta de suas mãos em seu rosto. Viu sua face em confusão. Sentiu-se incompleto quando seu corpo saiu de perto do dele, e a viu dar a volta e andar em direção da mesa. Por mais que ela parecesse estar tentando ficar longe dele naquele momento, ele prestara atenção na letra da música. A impressão que ele tivera era que não era um música simplesmente inventada e aquilo lhe deu pequenas esperanças que Kagome simplesmente não tivesse se envolvido com ninguém enquanto estivera fora.

Quando a morena chegou até a mesa, viu que os casais a encaravam sorridentes. Mortalmente chocada com tudo o que passara ali e inconsolável, ver os amigos felizes - casados e noivos - não facilitou nada. Pegou a bolsinha de mão e seguiu até o bar. Ainda estava cedo e ela não queria ir embora.

Ela só precisava beber.

"Uma dose de vodca." Ela pediu deixando a bolsinha no balcão e arrumando o cabelo negro em um coque desleixado, que nem estava quando chegara. Ela ouviu o início da música que ela reconheceu como sendo a Wild ones – Flo Rida ft Sai, mas nem prestou tanta atenção, mesmo que amasse aquela música.

Ok, ela ama todas as músicas, mas é que justamente por ela ser cantora e mexer com música, dançar virou um vício.

"Eu percebi que você ainda gosta dele." Ela ouviu uma voz feminina e olhou para o lado lentamente. "Saiba que não será tão fácil, porque eu também quero o Inuyasha." Ayame disse sorrindo alegremente. Kagome a encarou por alguns instantes e olhou para o copinho que o barman colocou na sua frente.

"Faça bom proveito." Disse levando a dose até a boca, sentindo o líquido descer queimando pela garganta. Ela estava tão confusa que para ela já não era muito importante agir como alguém indiferente naquele assunto sem nem mesmo ser de propósito. A ruiva arqueou as sobrancelhas e escorou-se com os cotovelos o balcão.

"Você não mudou nada." Ela disse, fazendo com que a morena prestasse atenção no que ela falava enquanto pedia com um aceno de cabeça outra dose. "Continua amando o Inuyasha e não fazendo nada para tê-lo." Ela completou. "Você não luta por ele." Kagome olhou para o copinho novamente cheio e praticamente inalou seu conteúdo enquanto ouvia aquelas palavras. Por que Ayame estava lhe dizendo aquilo? "Se você não luta, eu vou lutar Kagome. Não me interessa se você é Gome Matsuyama... se você não o quer eu quero." E depois daquilo os olhos azuis encararam os verdes.

Uma raiva que já fazia alguns anos que a morena sentira pelo ultima vez, começou a fluir dentro dela, querendo sair. Ela sabia o que aquela raiva significava. Na mente imagens de Inuyasha e Ayame juntos começaram a aparecer, e a raiva somente aumentou. Sentiu que o maxilar apertou-se, os dentes apertando-se. Ela sabia o que aquela raiva significava, ela sabia que aquilo significava ciúmes. Apertou o copinho entre as mãos e viu os olhos verdes olharem um pouco surpresos para a própria mão.

Ela nunca sentira um ódio tão intenso, um ódio que vinha da maior profundeza de seu coração. Ela sabia muito bem o que acabara de fazer. Olhou para a própria mão somente para confirmar: o copinho estava quebrado e uma quantidade boa de sangue saía de sua mão.

Ciúmes. A vontade de Kagome era mostrar para a ruiva ali ao seu lado que ela lutaria por Inuyasha, a vontade dela era mostrar que ela também dificultaria as coisas para a ruiva. A vontade dela naquele momento era de ir até o hanyou e beijá-lo no estilo desentupidor–de-pia e quando se separassem por busca de ar, ela olharia para a ruiva com o olhar típico de 'desista, vadia'.

Lembrem-se de nunca provocarem-na, crianças.

"Você está declarando algum tipo de guerra?" Ela perguntou se levantando, enquanto com a mão que sangrava tirando um pequeno maço de dinheiro da bolsa e colocando no balcão. Ayame sorriu divertida.

"Acho que entendeu minhas palavras." Os olhos azuis se estreitaram e ela sorriu de canto.

"Eu não sou mais a antiga Kagome, então, você não deveria ter feito isso." E sem dizer mais nada, ela segurou a bolsa com a mão boa e começou a caminhar na direção da saída, sem se despedir dos outros.

Não era muito necessário, já que todos os amigos viram tudo. Não ouviram – claro - mas viram Ayame chegar até a morena, viram a mão da amiga sangrando, viram o copinho quebrado quando ela se levantou e não ficou na frente dele. Eles viram os sorrisos que elas trocaram.

E ninguém fez muita coisa quando a viram indo embora.

Bem, mesmo de longe até eles que tipo, conheciam Kagome quase que desde sempre, ficaram assustados com a postura que ela adotara.

E ela se odiava por dentro por ter aceitado aquela provocação, por ter se sucumbido ao forte ciúme que ela sentira de Inuyasha com Ayame. Mas aquilo já estava feito e ela não se arrependia - realmente. Ela se esquecera de todas as decisões, se esquecera de tudo. Agora sua mente estava voltada para o hanyou – que sempre esteve – mas de um modo diferente.

Ela o queria e ela já não tinha medo de passar por tudo de novo.

Dane-se o passado, dane-se o futuro, dane-se o que ela havia decidido. Já estava ainda mais claro que ela ainda o amava, e ela tinha certeza que não queria deixar Inuyasha com a ruiva.

Inuyasha a observava indo embora boquiaberto. Kagome estava com muita raiva e muito forte para ter quebrado o copinho. Imaginava o que Ayame deveria ter falado com ela para ter deixado-a daquele jeito. Ficou um pouco preocupado com o que ele vira ser sangue, mas se segurou para não ir até ela e tentar terminar o que ele começara na pista de dança. Viu os amigos se encarando e quando o hanyou sentiu mãos a lhe abraçarem por trás, ele percebeu que a ruiva agora lhe abraçava. Não soube muito bem como agir, não tinha a cara de tirar os braços de Ayame de si e sair andando até o barzinho para beber alguma coisa. Então ficou ali na boate, a mercê do que a garota queria fazer, fosse dançar ou beber.

oOo

"Kagome, o que é esse curativo na sua mão?" Sra. Higurashi perguntou preocupada, vendo a filha comendo calmamente uma panqueca no café da manhã. A morena colocou mais um pedaço na boca para ter uma desculpa para demorar a responder.

Muito inteligente da parte dela, não?

"Cortei a mão." Ela disse simples assim que não poderia mais prolongar o silencio. Viu o olhar interrogativo da mãe a lhe encarar. "Não é nada, só passei um pouco de raiva..."

"E quebrou um copo com a mão?" A mãe terminou o pensamento parecendo chocada. "Quem é você e o que fez com minha filha?"

"Mãe, sabe, eu realmente estava com raiva na hora e, bem, sua filha sobreviveu por quatro anos completamente sozinha cuidando da sua neta, é normal que ela tenha mudado, sabe?" Kagome respondeu tentando se defender e olhou para a panqueca a sua frente. Ela até mesmo ficara bem forte já que tivera que carregar a própria mala e a filha nos braços por muito tempo até arranjar algum lugar para ficar, depois que fora despejada do mini-apartamento no Brooklyn.

"..." Sra. Higurashi ficou em silêncio, sem saber o que responder. Ela queria saber tudo o que a filha passara no exterior, queria que Kagome viesse a lhe abraçar e contar tudo se fosse o caso. Ela sentia como se a filha tivesse voltado amadurecida anos e anos, sentia até mesmo que não a reconhecia muito, apesar de estar feliz por sua volta. Ela queria saber das dificuldades que ela passara para entender porque ela mudara, mas ela não tinha a mínima coragem de perguntar.

Talvez fosse melhor que a filha não revivesse as memórias ruins.

"Onde está Amy?" Kagome perguntou antes de colocar mais um pedaço de panqueca na boca, e encarar a mãe que parecia pensativa.

"Saiu com seu pai." Ela respondeu pegando uma maça na mão e dando uma pequena mordida. "Quando será seu show aqui em Tóquio?"

"Daqui uma semana." A filha respondeu. "Cheguei bem antes da data justamente para reencontrar todos vocês."

"Sentimos muita saudade." Sra. Higurashi comentou, observando a filha deixar um pouco de panqueca sem comer. "Já está satisfeita?" Perguntou arqueando as sobrancelhas.

"Eu meio que aprendi a comer pouco." Kagome respondeu sorrindo. Ela não gostava de desperdiçar comida, mas a mãe fazia tanto que não tinha como evitar. A mãe percebeu um duplo sentido naquela resposta, mas preferiu não pensar naquilo. "Papai falou se ia demorar?" Ela perguntou se levantando e pegando o prato na mão.

"Eles já devem estar chegando." A mãe respondeu sorrindo e se levantando também. Ela pegou o prato da mão de Kagome antes que a filha chegasse até a pia para lavá-lo. E então, logo depois que ela disse isso, ouviram a porta de entrada bater e uma conversa animada aparecer com predominância da voz de Amy.

"... aí mamãe não comeu para deixar para mim!" Kagome congelou com aquela última parte. "Mamãe!" Amy gritou animada correndo a abraçá-la, com um novo pacote de bolachas da mão. Os olhos azuis dela procuraram os escuros do pai e viram compaixão. Ela sentiu o coração acelerar drasticamente.

Ela tinha que sair dali, agora.

"Vamos." Ela disse para a filha nos braços e caminhou para fora da cozinha.

"Mas ela acabou de chegar!" A mãe gritou enquanto Kagome meio que corria até a porta, sem pegar bolsa nem nada, e então o apartamento entrou em silencio depois que a porta bateu, sinalizando que ela se fora. A mãe olhou para o Sr. Higurashi interrogativamente, mas ele simplesmente meneou a cabeça negativamente. Se Kagome não lhes havia contado nada, ele não tinha o direito de contar.

Mas ele tinha orgulho da filha por ter criado tão bem Amy, mesmo tendo passado por tantas dificuldades.

Amy permaneceu em silencio depois que percebeu o estado em que a mãe se encontrava. Ela conhecia Kagome muito bem para sentir que por baixo daquela expressão aparentemente calma, ela estava frenética. Sua mãozinha passou pela bochecha da mãe e logo depois ela abraçou o pescoço dela. Kagome fechou os olhos enquanto esperava que o elevador chegasse ao térreo. Ela tinha esperanças que nos bolsos daquela calça jeans velha tivesse algum dinheiro, porque ela não pegara nem a bolsa na fuga. Sentiu o corpinho da filha a lhe abraçar e a apertou forte. Quando as portas se abriram ela passou rapidamente pelo hall, ganhando a rua. O cabelo estava solto, ondulado, lindo como sempre e logo que ela apareceu na calçada, muitas pessoas olharam para ela completamente surpresas.

Gome Matsuyama estava logo ali na frente deles.

A fama espalhou-se rápido por Tóquio e ela nem mesmo estava gostando disso.

Abaixou o rosto um pouco e começou a caminhar. Sabia que estava até mesmo muito simples com a regata branca da D&G e a calça gasta da Diesel, mas ela não se importava realmente. Caminhou rapidamente com o tênis preto da Puma pelas calçadas de Tóquio, indo para a pracinha mais próxima naquele bairro nobre. Mas algo fez com que ela parasse no meio do caminho, quando ela passara na frente de uma banca de revistas e jornais. Seus olhos arregalaram-se quando viu na primeira página do principal jornal da cidade uma foto sua dançando com Inuyasha na boate na noite anterior.

Ela preferia nem saber o que se dizia ali.

Inuyasha olhava completamente incrédulo para a capa do jornal. Aquilo era brincadeira, não era?

'GOME MATSUYAMA TEM UM AFFAIR EM TÓQUIO

O casal foi visto dançando juntos em uma boate nobre de Tóquio, no maior clima de romance. Nossas fontes não conseguiram o nome do dito cujo, mas perceptivelmente era Gome Matsuyama, que estava linda por sinal.

Eles dançaram duas músicas inteiras, praticamente colados. Porém quando eles foram se beijar, ela se afastou. Teria visto nossos paparazzi?

[...]'

O hanyou preferiu não ler o resto da matéria. Só de ver a foto ele já tinha certa noção que estariam fazendo mil perguntas sem resposta sobre Kagome e o 'homem misterioso', e criariam hipóteses ridículas. Ele gostara de pensar nos dois como um casal, mas sabia que ela só havia voltado por causa da família.

Pelo menos ele achava que era isso.

Suspirou jogando o jornal longe. A noite passada havia sido tão cansativa. Ele tivera que ficar sendo o bonequinho de Ayame, até que ele se decidiu por ir embora. Os amigos ficaram lá por ainda mais tempo e a ruiva também preferiu ficar mais. Ele não achou nada ruim não ter que levá-la em casa.

Levantou-se do sofá e começou a se mover até a porta, pegando a chave do carro no caminho. Iria fazer uma visita para Kagome com a desculpa de saber como estava sua mão, já que ele se lembrava perfeitamente de que ela estava sangrando ontem. Saiu do apartamento e foi até o elevador, a espera até chegar à garagem o deixou ansioso. Ele queria muito falar com ela, queria mesmo. Entrou no Mercedes e saiu da garagem, se controlando para não sair cantando os pneus.

Ele não havia se esquecido do modo que ele ficara próximo ao corpo de Kagome na noite anterior. Ele simplesmente não queria esquecer o modo com que ela estava linda, o modo com que ela passara os braços por seu pescoço, o modo com que ela apertara seus braços e segurara seu rosto com as mãos. Ele não queria esquecer nenhum segundo, nem mesmo o momento que ela se afastara.

Olhou distraidamente para o lado e viu a morena parecendo um pouco perturbada com Amy nos braços, na pracinha. Diminuiu drasticamente a velocidade que dirigia logo ouvindo o barulho de uma forte freada do carro logo atrás de si, mas nem mesmo aquele barulho enorme fez com que a mulher olhasse para sua direção. Arqueou as sobrancelhas um pouco preocupado e começou a procurar por uma vaga para estacionar.

Kagome parou de caminhar assim que chegou ao lado de um dos bancos. Liberou Amy do abraço forte e viu a filha lhe encarar parecendo preocupada. Sorriu tentando se acalmar. Não havia problema o pai estar descobrindo o que ela passou não é?

Não, na verdade não havia problema. O que lhe incomodava era o olhar de compaixão que ele lhe lançou. O que lhe incomodava era o fato de que se eles soubessem o que ela passou e ficarem tratando-a diferente. Ela havia aprendido sozinha a não querer a dó nem piedade de ninguém, não quando simplesmente não havia necessidade. Ela estava bem, não estava? Ela já não tinha mais nenhuma dificuldade para passar, então não tinham que ter dó dela.

"Are you ok?" A vozinha da filha lhe perguntou. Ela acordou de seus pensamentos e com carinho colocou uma mecha do cabelo negro da filha para trás da orelha. A pequena não deveria ter que se preocupar daquela maneira, mas o que as duas vivenciaram naquele período tinha feito com que Amy crescesse de forma diferenciada. Ela era relativamente madura para sua pouca idade.

Kagome não gostava daquilo. Ela não queria que sua filha tivesse pulado tantas fases daquela forma.

"Yes, não se preocupe." Ela respondeu sorrindo, tentando não se entristecer com a culpa que sentia. Se ela tivesse ficado, talvez sua filha seria uma criança mais típica...

Respirando fundo, ela mudou a direção de seus pensamentos. Ela não tinha que ficar daquele jeito toda vez que os pais descobrissem o que ela passou, ou qualquer outra pessoa descobrisse. Era natural que eles soubessem... certo?

"Kagome!" Ouviu ser chamada e olhou para o lado, quase caindo para trás de tanta surpresa. Amy também olhou ver quem chamava sua mãe e sorriu alegre reconhecendo Inuyasha, ela o adorava, apesar de quase não ter conversado com ele ou andado com ele. Ela não sabia explicar muito bem o porquê de ter carinho pelo homem, alguma coisa nele, talvez.

Mal ela entendia que ela se via quando olhava para ele, por justamente, ele ser seu pai.

"O que está fazendo aqui?" Ele perguntou preocupado, olhando para os lados. Crianças brincavam no parquinho daquela praça e as mães todas completamente bem vestidas conversavam entre si enquanto os encarava. Era um local completamente família, naquele momento, mas muitas pessoas que por ali passavam olhavam para Kagome totalmente surpresos e indecisos se corriam até ela e pediam autógrafos ou se continuavam o próprio caminho.

"Resolvi passear com minha filha, respirar um ar puro..." Kagome respondeu lentamente, medindo as palavras. Viu o olhar preocupado lançado pelo hanyou e sentiu o coração acelerar drasticamente.

"Quer conversar?" Ele perguntou compreensivo. Os olhos azuis se arregalaram, vendo que ele percebera que ela não estava tão normal. Ela tinha se esquecido que por mais que ele não tivesse percebido seu real sentimento por tipo, anos, ele ainda sim a conhecia muito bem. Ela meneou a cabeça afirmativamente, ela realmente precisava de companhia. Tudo estava acontecendo muito rápido e ela não esperava por isso. Era seu segundo dia e seu pai já começava a descobrir coisas que ela planejava que ele nunca descobrisse ou que simplesmente demorasse a saber. Suspirou deixando que Amy ficasse em pé no chão.

"Meu bem, porque não vai brincar com as outras crianças?" Ela perguntou carinhosa, agachando-se e ficando na mesma altura que a filha. Ela era tão espertinha, que mesmo tendo somente três anos ela já conseguia brincar sozinha em brinquedos que fossem até mesmo um pouco altos. Amy concordou alegremente, dando um beijinho na bochecha de Kagome e saiu correndo até o parquinho. Inuyasha assistiu aquela cena um pouco orgulhoso e magoado. Orgulhoso em ver que Kagome a tratava tão bem e magoado por achar que a filha não era dele. Os olhos azuis acinzentados encararam os âmbar e os dois se sentaram no banco. Kagome suspirou pesadamente. "Eu sinto como se tivesse passado anos que eu voltei, mesmo sendo somente o segundo dia. Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo..." Ela comentou.

"Eu sei como é..."

"Eu voltei com algumas decisões já tomadas." Kagome continuou. "Mas chegando aqui minhas idéias foram se confundindo e agora minhas decisões mudaram completamente de rumo." Ela disse olhando para o chão. Inuyasha sentiu uma pontada de esperança nascer em seu peito. Ela parecia querer afastá-lo em tudo: ele percebera a indiferença na manhã anterior, no elevador; ele percebera que ela tentara não prolongar o assunto com ele e até mesmo pensara que ela o odiava, ele percebera na noite anterior na boate, que ela o afastara mesmo estando quase o beijando. Teria ela mudado de decisão e decidido por não afastá-lo mais?

Ele não sabia o quão perto ele estava da verdade. Pela primeira vez em sua vida, ele pareceu perceber alguma coisa... Aleluia!

Ele olhou para a mão enfaixada descansando na perna dela e com cuidado a pegou delicadamente entre suas mãos.

"Está melhor?" Ele perguntou mudando de assunto, já que ficaram em silencio por um pequeno espaço de tempo. Ela sentiu o calor que as mãos dele transmitiam para a sua machucada e sentiu o coração acelerar ainda mais drasticamente. Ele lhe encarava intensamente e ela sentiu que talvez tivesse a feito a decisão mais sábia. Seria muito difícil continuar a afastá-lo.

Concordamos completamente, com certeza deve ser muito difícil.

"Está sim... Foi só um arranhão." Ela respondeu, ignorando as lembranças de como fora doloroso ir até um hospital e tirar todos os cacos de vidro que se enfiaram na palma da sua mão. Ela estava acostumada a dores piores e por mais que aquilo tivesse doído muito, ela não dera tanta importância realmente.

"Que bom." Ele disse. "Fiquei preocupado." Completou, sentindo o próprio coração acelerar. Era difícil de acreditar que depois de quatro anos sem nenhum contato, estava ao lado de Kagome. Que depois de vinte e quatro horas ele conseguia finalmente tocá-la sem sentir que ela se afastaria a qualquer momento. "Como foi nos Estados Unidos?" Ele perguntou depois de alguns instantes, fazendo com que o coração da morena parasse. "Como foi esses quatro anos?" Continuou, agora encarando os olhos acinzentados e percebendo que fizera exatamente as perguntas erradas. "Por favor, eu quero saber."

"Eu..." Kagome respirou fundo, era difícil negar alguma coisa para ele dentro de toda aquela situação. "Eu não quero falar sobre isso." Ela respondeu, tirando a mão enfaixada do meio das mãos quentes do hanyou. Ela não gostava de lembrar e ela definitivamente não queria a compaixão de Inuyasha. Ele olhou para a morena a sua frente e se lembrou de como a achara diferente quando ela chegara somente ao ouvir sua voz. Como ele havia pensado que muita coisa poderia ter acontecido... Agora ele tinha certeza. Ele tinha certeza que ela passara por muitas coisas as quais ela não merecia ter passado.

"Mamãe?" Ouviram uma vozinha chamar e olharam para frente ao mesmo tempo, vendo uma Amy completamente suja e sorridente. "Quero algodão doce." Ela completou com uma carinha travessa e pidona, fazendo os dois sorrirem.

"Como está suja, meu deus!" Kagome comentou se levantando. "Meu bem, acho melhor deixarmos para depois do almoço, não?" Perguntou já caminhando ao lado de Amy, com Inuyasha seguindo-as.

"Só dessa vez!" A filha pediu com os olhos azuis acinzentados iguais aos da mãe, brilhando pidões. Oh, aquele olhar.

"Os olhos dela estão iguais ao do gatinho do Shrek." Inuyasha comentou arqueando as sobrancelhas.

"É, não vou deixar ela assistir esse filme mais." Kagome respondeu, fazendo com que os dois rissem enquanto caminhavam atrás de Amy, que os levava até o pipoqueiro que também vendia algodão doce. A morena sorriu enquanto olhava para o hanyou. Ele fizera com que ela se acalmasse. Ela nem sentia um vestígio do que sentira quando vira aquele olhar do pai. Pagou o algodão para a filha e enquanto caminhava em direção do carro do hanyou, ela pegou com a mão boa a mão de Inuyasha. "Obrigada." Disse levemente fazendo com que ele sorrisse de volta, apertando de leve a mão de Kagome.

"Sempre que precisar." Ele respondeu sentindo o coração mais acelerado do que nunca. Só de poder estar perto dela novamente já lhe preenchia o coração. Caminharam em silencio – que não era incômodo – até o carro do hanyou e, já dentro do mesmo, permaneceram em silêncio.

As mãos permaneceram entrelaçadas e, a julgar a situação, eles pareciam uma família normal. A filha no banco de trás completamente suja comendo algodão doce e os pais nos bancos da frente.

Chegando à frente do prédio de Kagome, ela encarou o hanyou. Ela se sentia tão leve e distraída.

"Quer jantar comigo hoje?" Ela perguntou vendo um brilho feliz passar pelos olhos âmbares e um sorriso de lado brincar em seus lábios.

"Passo aqui para te pegar, pode ser?" Ele respondeu com outra pergunta, fazendo com que ela sorrisse ainda mais e inclinasse o corpo até dar um delicado beijo na bochecha do hanyou.

"Te vejo as oito." Ela respondeu, saindo do carro. "Vamos Amy!"

Logo que ele viu as duas sumindo para dentro do hall, ele recomeçou o caminho até o próprio apartamento. Ele já havia esquecido completamente a mágoa que ele sentia por causa da filha dela. Ele até percebeu que já a olhava com carinho, por mais que não conversasse muito com a criança e nem mesmo brincasse com ela muito. Era até mesmo estranho, mas era como se ver Kagome cuidando dela com tanto amor e dedicação fizesse com que ele gostasse da criança. Suspirou.

Ele descobrira que a amava quando a viu ir embora e agora ele sentia que se apaixonava de novo... Pela mesma pessoa.

oOo

Inuyasha suspirou fundo colocando as mãos no bolso da calça jeans. Tentou desacelerar o coração e, tirando somente uma mão do refúgio, ele apertou a campainha. Ouviu alguns gritos irritados do lado de dentro, reconhecendo serem de Kagome, e então a porta se abriu.

Ele ficou boquiaberto assim que a viu na sua frente.

Ela usava uma calça jeans que lhe caía perfeitamente no corpo, de um azul escuro um pouco desbotada na frente da Diesel, com um lindo bordado no bolso traseiro. A blusa que ela usava era de gola alta de cor verde escura, que evidenciava cada curva perfeita de seu corpo. Havia somente um detalhe em strass formando um 'D&G' na barra da blusa. Nos pés uma bota Prada de cano alto e salto fino, de couro preta.

O longo cabelo negro estava preso em um alto rabo de cavalo, e a franja lhe caía de lado. A maquiagem que ela usava era simples, e realçava o necessário para chamar ainda mais atenção do que o corpo bem esculpido dentro das roupas de marca. No caso, realçava os olhos marcantes e a boca um pouco carnuda. Nos braços ele reconheceu um sobretudo de um botão - que se prendia na direção do pescoço - de couro da Versace.

Ela estava maravilhosa. Nem mesmo a melhor pessoa em descrições conseguiria explicar a magnitude de sua beleza, o brilho que irradiava. Era simplesmente impossível descrever a deusa que estava em sua frente. Ele ficou sem fala enquanto a encarava.

"Oi, desculpe pelos gritos... Bem, aqui em casa há liberdade demais e eu não gosto mais que mexam nas minhas coisas." Ela disse um pouco irritada. Passara o resto do dia tendo que ver o olhar do pai em sua direção e, antes de sair, pegara a mãe mexendo em suas coisas, talvez a procura de algum diário ou o que seja. Ela não queria que eles soubessem do que ela passara, então porque eles pareciam insistir tanto?

"Ah, sem problemas..." Ele respondeu um pouco fracamente. Kagome o encarou naquele momento, finalmente notando a roupa que ele usava.

Ele usava uma camisa pólo mais justa, listrada em vermelho e preto, que denunciava o peitoral definido, os braços musculosos... Absolutamente perfeita. A calça jeans da Diesel era de um azul claro e como sempre, estava um pouco mais larga do que deveria, deixando com que a roupa íntima da 'Calvin Klein' aparecesse.

Nada que ela fosse achar ruim, claro.

Nos pés ele usava um tênis de couro preto da Puma.

Ela nunca entenderia por que ele adorava aqueles tênis.

O cheiro que veio até ela fez com que ela se segurasse ainda mais forte na maçaneta da porta, tentando se manter em pé. O cheiro de Calvin Klein Eternity que já era sua marca praticamente invadiu suas narinas e fez com que o cérebro dela entrasse em processo de afogamento.

Mal ela sabia que o cheiro de seu perfume estava fazendo a mesma coisa com Inuyasha.

"Good night Mom!" Ouviram a voz da pequena de dentro do apartamento e balançaram a cabeça tentando 'acordar'. Kagome sorriu.

"Good night Sweetheart!" Ela respondeu enquanto se apressava em fechar a porta, antes que os pais viessem até a mesma e começassem o interrogatório com Kagome novamente. Trancou a porta e se virou para o hanyou, vendo-o colocar a jaqueta de couro preta por cima da camisa pólo. "Vamos." Disse finalmente, enquanto o imitava e vestia o sobretudo. Inuyasha respirou fundo e caminhou junto com a morena até o elevador, sentindo o coração bater muito acelerado. Era até mesmo estranho que ele sentisse algo como aquilo, mas agora ele entendia o que os outros sempre falaram de amar alguém. "Aonde vamos?" Ouviu a voz melodiosa dela e acordou dos próprios pensamentos, encarando-a rapidamente enquanto ouvia o 'bip' do elevador que indicava que haviam chegado ao térreo.

"Burger King." Ele respondeu sério vendo-a ficar boquiaberta, um pouco chocada. Vendo-a daquele jeito fez com que ele tivesse vontade de rir, já que, ela realmente acreditou.

"Ah, chato." Ela disse revirando os olhos enquanto o hanyou ao seu lado gargalhava. Caminharam para fora do elevador e lado a lado eles passaram pelo porteiro que por mais que não estivesse muito acostumado com Kagome ali, já não ficava olhando maravilhado. Inuyasha abriu a porta do passageiro para a morena, fazendo com que ela corasse, e logo seguiu até o banco do motorista. "Mas falando sério, onde nós estamos indo?"

"Surpresa." Ele disse sorrindo e começando a dirigir pelas ruas de Tóquio.

Os olhos azuis acinzentados buscaram as coisas do lado de fora do carro. Ela ainda não acreditava que fazia somente dois dias que estava ali, que tudo acontecera tão rápido daquela maneira. Ela tinha certa noção que tudo ocorrera desta forma por já conhecer todos desde tipo, sempre, mas nem nos pensamentos mais profundos ela imaginou que seria tão rápido daquela maneira. Olhou para o céu vendo que naquela noite não tinha estrelas – mesmo que fosse difícil de vê-las quando 'estavam lá', já que as luzes de Tóquio ofuscavam o seu brilho – e imaginou se choveria naquela noite. Então seus olhos brilharam quando reconheceu o prédio como sendo da Chanel e um sorriso enorme se formou em seu rosto.

"Beige... Não acredito que me trouxe aqui!" Ela disse alegre, voltando-se para hanyou que também sorria muito abertamente. O restaurante não era caro nem nada, ela estava surpresa por ser justamente Inuyasha a ter a iniciativa de levá-la ali. Era um restaurante silencioso e elegante de Tóquio, o qual tinha uma visão belíssima do bairro de Ginza. E justamente aquela visão deixaria o clima entre eles um pouco – muito – íntimo.

E bem, sigamos a linha de pensamento da morena: 'Ele nem gosta de mim nem nada, nem me ama! O que ele está fazendo me trazendo aqui? Meu Deus, o que estamos fazendo marcando um jantar completamente sozinhos?'

"Gome Matusyama tem que jantar em lugares bonitos, de acordo com a beleza dela..." Ele comentou rindo, vendo o quão surpresa e alegre ela estava. Não havia vestígio algum que ela tinha uma luta interior naquele momento. Eles saíram do carro e o hanyou deixou que o choffer fosse estacioná-lo. Passou o braço por cima dos ombros da morena, não percebendo o leve tremor que passou pelo corpo dela, e foram juntos até o elevador. Ele havia conseguido uma reserva naquele dia mesmo, apesar de ser muito complicado.

Como é bom ser filho de Inu Taisho e Izayoi Taisho!

Apertaram o botão do décimo andar e se encararam. Era simplesmente estranho estarem naquela situação. Na visão de Kagome, era estranho, porque eles sempre foram só amigos (o que a fizera sofrer por anos e anos). Mas ela sabia que Amy era sua filha, ela sabia que quando ele tirara sua virgindade por praticamente ela ter implorado quando estava bêbada, ela tivera a chance de ter uma parte dele com si, já que não o teria. Era estranho, porque ela tinha a impressão que eles não estavam se tratando como simples amigos, ela tinha a impressão que aquele jantar era com um objetivo completamente diferente. E era estranho, porque ela sabia que ele era pai da sua filha.

Na visão de Inuyasha era estranho, pois ele ficara por praticamente quatro anos procurando a morena, desesperado, depois que descobrira que o amor que sempre sentira por ela não era o amor de amigos de infância que nem ele pensava. Ele passara aqueles quatro anos tendo pequenos rolos, talvez tentando esquecê-la, mas não conseguindo. E agora, ali estava ela, ao seu lado dentro de um elevador indo jantar com ele no Beige. Ele nunca esteve tão feliz, tão... Completo. Era como se finalmente o buraco que ocupava uma parte de seu corpo tivesse sido preenchido, já que ela havia voltado e agora estavam ali juntos. Ele nunca se esquecera do modo com que ela afirmara que o amara, do modo com que ela o queria.

Ouviram o 'bip' do elevador, e logo que entraram viram a recepção. O hanyou conferiu a reserva e eles os levaram até a mesa logo ao lado de uma das enorme janelas de vidro que davam uma linda vista do bairro. As luzes acesas, todo aquele brilho. E enquanto se acomodavam alguns pingos de chuva começaram a bater contra a janela. Já sentados pegaram o cardápio e a primeira coisa que Inuyasha pediu foi o vinho – Château Rauzan-Ségla 1996 .

Ficaram em silêncio um pouco com Kagome olhando para o lado de fora. O brilho da cidade fazia com que ela conseguisse ver os pingos de chuva que a lavavam. Observou as luzes acesas nos prédios, os carros. Tóquio... como ela sentira saudade dessa cidade. Ali ela conseguia sentir que pertencia a algum lugar. Respirou fundo, tentando impedir que as imagens do dia da Brooklyn Bridge viessem até sua mente. Não era momento e nem clima para se lembrar daquilo. Virou-se para o hanyou que a observava e corou levemente, estava acostumada que os outros a observassem o tempo todo naquele último ano, mas tudo mudava quando era ele que a observava.

"E então, como foram esses quatro anos?" Ela perguntou tentando tirar a atenção de si e percebeu que ele estremecera um pouco com a pergunta.

"Não é justo, você não respondeu quando eu perguntei." Ele revidou enquanto o garçom colocava o vinho nas taças e deixava a garrafa na mesa. A morena sorriu divertida.

"Você vai negar uma simples resposta?" Os olhos âmbares perderam o brilho divertido fazendo com que a morena se entristecesse um pouco também em vê-lo daquela maneira. Inuyasha colocou os cotovelos na mesa, apoiando o queixo nas mãos juntas. Ficou em silencio por um pequeno espaço de tempo, pensando no que iria dizer.

"Sabe, não foi fácil." Ele começou dando um fraco sorriso de lado. "Foi muito difícil saber que você tinha ido embora." Ele falou mentindo sobre aquilo, não querendo comentar o que realmente tinha acontecido. Fora muito difícil não ter chegado a tempo para pelo menos tentar impedi-la de ir embora, fora difícil chegar ao aeroporto e ver o avião que ela estava decolando. "E eu não sabia muito bem como poderia continuar vivendo sem sua presença." Kagome o encarava em silencio, talvez ele só precisasse da melhor amiga mesmo... Oh, como aquele pensamento a entristecia. "Eu comecei a te procurar."

Os olhos azuis se arregalaram um pouco com aquela nova informação.

"Como assim me procurar?" Ele tivera o trabalho de tentar acha-la? Viu-o suspirar pesadamente.

"Eu contratei o melhor detetive do Japão e lhe dei seu nome: Kagome Higurashi. Não precisava de mais nada, pelo menos era o que ele me disse. Ele me avisou que somente as informações que eu pudesse dizer ele te encontraria." Riu frustrado ao se lembrar da presunção do detetive. "Ele nunca achou." Comentou mais para si do que para a morena, que mesmo assim escutou.

"Eu não estava usando o Higurashi." Ela comentou calmamente.

"Continuar indo para a faculdade como se nada tivesse acontecido e ver os olhares de todos para mim... Não conseguiu ganhar da dor que eu sentia em saber que você não estava mais com a gente." Ele disse sem nem perceber a forma que ele falava. Para ele era tão normal esse sentimento de amor e uma vez que ele começou a falar ele já não pensava com calma nas palavras que escolheria. Mas o coração da morena já estava batendo alucinadamente com o modo que ele havia falado, com tanta ênfase e tanto sentimento. Ele havia sofrido com sua fuga. "Eu te procurei por dois anos, sem cessar. Perdi as contas de quantas vezes implorei para seus pais que me ajudassem e eles se negavam, dizendo que você havia pedido." Ele completou amargurado.

Os lábios carnudos se abriram e fecharam sem emitir qualquer som. Ela se lembrava tão perfeitamente de ter pedido aquilo para os pais, só não imaginava que realmente eles iriam cumprir e que teria alguém a procurando. A história foi interrompida pelo garçom, que chegou perguntando qual 'colletion' eles pediriam. Inuyasha respondeu exatamente o que a morena queria e Kagome percebeu que poderia ter mudado muito, poderia ter passado quatro anos, mas os velhos conhecimentos um do outro não foram esquecidos.

"Nos dois últimos anos eu perdi as esperanças e eu continuei procurando, mas sem tanto fervor." Ele admitiu tirando os braços de cima da mesa e colocando-os cada um do lado de seu corpo, bebendo um pouco do vinho. Kagome esperou alguns segundos, enquanto digeria aquilo tudo, e depois de beber um dedo do vinho de sua taça, ela o encarou um pouco curiosa. Ela não tinha imaginado que ele sofreria tanto com seu desaparecimento. Ela sabia que ele ficaria entristecido, até porque eles eram amigos de infância... Mas com toda aquela paixão em suas palavras, ela não conseguia acreditar na intensidade do sofrimento do hanyou por todo aquele tempo.

"Como não percebeu que eu era a Gome Matsuyama?"

"Não é justo, agora você teria que responder aquela minha pergunta." O hanyou respondeu um pouco incomodado pelo clima que ele praticamente criara. Viu o olhar insistente de Kagome e suspirou resignado. Ela continuava teimosa como uma mula. "Eu nunca vi uma foto sua como cantora. Eu nunca terminava de ler uma notícia ou de vê-la, a ponto de ver uma foto ou vídeo. O detetive já não fazia muita questão, até porque, ele ficou com raiva de você por ter sumido com tanta perfeição." Ele respondeu e Kagome riu da ultima parte.

"Tadinho dele."

"Pois é."

Os dois ficaram em silêncio e logo o prato de vegetais chegou. Enquanto comiam o silencio continuou na mesa e com ele, a mente de Kagome trabalhava a mil por hora. Ele parecera tão sincero, tão... Apaixonado. O jeito que ele falara do próprio sofrimento quando ela havia ido embora. Ela estava tão confusa.

"Kagome?" Ouviu a voz do hanyou a cortar seus pensamentos e deixando com cuidado os talheres se aquietarem, ela o encarou. "Quantos anos tem a Amy?" Ele nem se lembrara de perguntar. No dia que ela chegou com Kagome, a garota até que contara sua pequena história de vida, mas ele não prestara tanta atenção.

E então, o mundo pareceu parar.

Se ela não o respondesse ele estranharia, mas ela não queria responder. Estava tudo dando certo nesses dois dias, os dois se aproximando novamente, ela tendo esperanças que ele talvez gostasse dela diferente da forma de amizade que nem antes. Ele a encarou esperando a resposta e a morena simplesmente queria não ter que responder. O garçom trocou os pratos, colocando os frutos do mar na sua frente. Ela encarou o prato pegando um pedaço e antes de colocar na boca, ela reuniu toda a coragem e respondeu.

"Três, quase quatro." Inuyasha escutou e acenou com a cabeça, sentindo algo dentro si mudar para o lado furioso. Ela teria acabado de chegar lá e se envolvido com alguém?

"Porque o pai não assumiu? Para poder ficar nos Estados Unidos?" Ele perguntou tentando de todas as formas conter a raiva, não queria descontar na morena a sua frente. Kagome engoliu o que estivera mastigando. Ela não queria que ele pensasse que ela já havia se deitado com outro homem e ela não queria que ele descobrisse que Amy era sua filha. Limpou os lábios com o guardanapo e respirou fundo.

O que ela faria naquele momento?

Ela amava a filha mais do que tudo e ela não iria falar para ele que não dormira com outro homem.

Mas seu silencio fora tempo o suficiente para Inuyasha pensar.

Kagome nunca fora uma mulher de variedade, nem mesmo - praticamente - ao mesmo tempo. Ela nunca fora igual a essas meninas que ficavam com vários em tão poucos dias ou até mesmo horas, e ela não faria isso logo depois dos dois terem feito. Seus olhos procuraram os de Kagome e então a sua linha de pensamento começou a fluir ainda mais quando viu um pequeno brilho de desespero nos olhos azuis acinzentados. Ficou chocado com a conclusão que conseguira. Se ela não era daquele tipo de mulher, ela só havia se envolvido com um homem em toda a sua vida, que no caso seria ele.

Kagome viu a conclusão passar pelos olhos âmbares e teve um pressentimento ruim com aquilo.

"Ela é minha filha?"

A pergunta que ela não queria que Inuyasha fizesse de maneira alguma.


No próximo capítulo...

'Se lembrar de coisas difíceis

deveria ser simplesmente nostálgico.

Porém as memórias de meu passado

me mostravam como eu havia errado.'

Kagome Higurashi.