Bom, terminei de repostar os capítulos antigos e agora vou atualizar uma novidaaade. Sim, esse capítulo é INÉDITO. É aquele que todos esperaram por tipo, quatro anos, pra lerem XD
Justamente por agora a história estar finalmente desenvolvendo, eu só vou atualizar novamente se receber reviews. Obrigada à Manu Higurashi e à neherenia pelas reviews nos capítulo II e I respectivamente.
This love
Por: Juju ou Juh ou Juliana ou Kagome Juh. Como preferirem :D
'Se lembrar de coisas difíceis
deveria ser simplesmente nostálgico.
Porém as memórias de meu passado
me mostravam como eu havia errado.'
Kagome Higurashi
Capítulo IV.
Kagome viu a conclusão passar pelos olhos âmbares e teve um pressentimento ruim com aquilo.
"Ela é minha filha?"
A pergunta que ela não queria que Inuyasha fizesse de maneira alguma. Ela viu que ele ainda parecia confuso, mas o próprio silêncio só fez com que ele soubesse a resposta que ele procurava. A morena se levantou rapidamente, sabendo o que ele pensava naquele momento, e saiu correndo daquele salão ignorando todos os olhares que as outras pessoas lhe lançavam e entrou no elevador que por sorte ainda estava naquele andar.
Inuyasha permaneceu estático por alguns instantes, absorvendo o que acabara de descobrir, e deixando um maço de dinheiro sobre a mesa ele correu atrás da mulher, sentindo uma fúria enorme vindo de dentro de suas entranhas e fluindo em todas as suas células. Viu que o elevador já estava no oitavo andar e resolveu ir pelas escadas, pulando de três em três degraus.
Kagome começava a entrar em desespero enquanto via os números diminuindo, chegando ao térreo. Assim que as portas se abriram ela saiu correndo. Ao chegar na rua, ela sentiu a chuva que ela antes tinha observado bater em seu rosto, forte e fria. Sentiu que a roupa que ela demorara a escolher para jantar com Inuyasha começava a ficar ensopada. Permaneceu parada por um instante se sentindo nostálgica com aquele frio que sentia e a chuva batendo em si, não conseguindo evitar algumas lembranças de Nova York se desenrolassem em sua mente. Suspirou enquanto voltou a caminhar, preparando-se para continuar correndo, mas foi interrompida por uma mão forte que a segurou pelo braço, forçando-a a virar-se para quem a puxava.
Naquele momento ela viu nos olhos âmbares uma fúria imensa e o medo da rejeição a atingiu em cheio.
Inuyasha estava furioso, indignado. Ele perdera os primeiros anos de vida de Amy, os mais preciosos... A infância da própria filha. Ele perdera o início de seus passos, perdera sua primeira palavra, perdera seu primeiro sorriso, seu primeiro choro. Ele perdera o momento em que ela largou a chupeta e o momento em que ela parou de amamentar... O hanyou havia perdido três, (quase) quatro anos da própria filha.
"Como você pôde fazer isso?" Ele perguntou, tentando se segurar para não apertar com muita força o braço da morena. Apesar do sentimento de traição, de indignação, de abandono que ele sentia naquele momento, ele não queria machucá-la. "Co-" Ele olhou para o céu, tentando organizar tudo o que ele queria dizer. "Como você pôde tirar de mim quatro anos importantes da minha vida?" Ele encarou os olhos azuis-acizentados com tanta dor que mesmo Kagome teve dificuldade de focar em suas razões para tudo aquilo, para se defender. Ela nunca havia visto Inuyasha daquela forma...
Ela nunca o havia visto tão destruído.
"Você... Você acha que eu não queria ter acompanhado sua gravidez?" A voz masculina fraquejou brevemente. Imagens de uma Kagome praticamente redonda vieram até a mente do hanyou, fazendo com que suas mãos começassem a tremer. Ele queria tanto ter presenciado tudo... Todo o período da gravidez, o crescimento de Amy... Tudo. "Você acha que eu não queria ter que sair de madrugada para comprar a comida mais absurda só porque você estava com desejos?" Ele respirou fundo, sentindo que aquela revelação estava trazendo a tona todo o próprio sofrimento de todos aqueles anos longe de Kagome. Pensar que ele poderia ter a família que ele sonhara já há quatro anos e ter sido privado de tamanha felicidade... Ah, ele não conseguiria explicar a explosão de sentimentos que o assolava naquele momento nem se pedissem que ele as descrevesse. "Você... Você acha que eu não queria ter presenciado o parto da... da... DA MINHA FILHA?!" Ele gritou indignado, passando a mão livre pelos fios prateados ensopados, sentindo algumas lágrimas que ele raramente derramava se acumularem nos cantos dos orbes dourados. Porém aquelas palavras atingiram uma das várias feridas de Kagome, fazendo com que de repente ela também estivesse repleta de revolta.
"Não venha falar que ela é sua!" Ela gritou de volta, sentindo que a chuva parecia abafar seus gritos para os outros que poderiam passar ao lado dos dois naquele momento. Ela sentia o coração doer com todas aquelas palavras. "Ela nunca foi sua!"
"Porque você fugiu com ela!" Ele rebateu. Os dois estavam com os rostos tão próximos e deformados pela raiva contida por todo aquele tempo que eles não se reconheciam naquele momento.
"Porque você não me deu outra escolha!" Com aquilo, a morena conseguiu que o hanyou afrouxasse o aperto em seu braço, tamanha a surpresa com aquela acusação. "Você não me amava e nem me queria! Você me pediu perdão pela minha primeira vez! Como diabos você acha que eu me senti?! Eu me ENTREGUEI pra você e então, na manhã seguinte, você me pediu PERDÃO!" Ela rebateu, carregando a voz com sarcasmo e com amargura. "Então me diz, Inuyasha, por que eu te contaria da minha filha? Para te forçar a casar comigo e pra você não dar o amor que ela merecia? O amor que eu merecia?!" Ela perguntou balançando o braço e se livrando da mão máscula que a segurava frouxamente. Ela continuou a encará-lo, observando como ele parecia chocado demais para rebater aquelas acusações - não, aqueles fatos. Era doloroso para ela ter que gritar aquilo, uma coisa que ela sempre guardara para si por todo aquele tempo.
"Eu sei que não fui a pessoa mais inteligente do mundo há quatro anos. Eu sei que não tive tato algum e que não fui nada perceptivo." O tom de voz calmo do hanyou tentava disfarçar a imensa vontade de se dobrar e chorar pela perda de tantas experiências, tudo por causa de erros estúpidos de dois jovens que ainda não tinham saído da adolescência. Naquele momento, ele entendia o ponto de vista da morena. Mas, e o ponto de vista dele? "Mas você não tentou pensar como eu me sentiria de verdade com tudo isso, não é?" Kagome sentiu um bolo se formar na garganta com aquelas palavras. Oh, Inuyasha... "Você imaginou que eu me sentiria obrigado a me casar com você e que faria da vida do nosso bebê um... inferno." A forma como a voz masculina quebrou naquele momento fez com que as lágrimas que estavam presas nos olhos âmbares finalmente rolassem, assim como os próprios olhos da morena começaram a derramar gotas cristalinas de dor. Os dois, naquele momento, estavam em seu próprio mundo. "Eu fui um idiota, Kagome. Eu achei que te amava como um irmão mais velho e que tinha me aproveitado de você quando estava bêbada... Eu achei que você não queria me ouvir ou mesmo estar perto de mim por causa disso. Eu achei que tinha metido nossa amizade de infância em uma crise imensa quando você simplesmente me evitou durante aquelas duas semanas. Na época eu não percebia que te magoava ainda mais ao continuar te tratando como a melhor amiga mesmo depois de ouvir sua confissão." A morena ouvia tudo aquilo com um peso imenso no próprio coração, se lembrando de todo aquele período com vivacidade, como se aquilo tivesse ocorrido no dia anterior. "Eu era um moleque e quando você fugiu..." Ele respirou fundo, tentando controlar a forma como a própria voz estava fraquejando. "Eu tive que crescer. Eu tive que amadurecer, porque... a dor era..." Ele não conseguiu terminar o que iria dizer. Inuyasha colocou dois dedos entre os dentes, mordendo-os em uma tentativa de evitar os soluços. A chuva continuava a cair, molhando aqueles dois adultos quebrados e arrependidos, se misturando com as lágrimas que ambos derramavam. "... e agora, eu descubro... que além disso tudo eu-" A voz dele estava chorosa, mas o que doeu mais em Kagome foi a forma como ele se aproximou dela com desespero, segurando o rosto feminino entre as mãos masculinas, quase não acreditando que o que estava acontecendo era real. "Além disso tudo eu sou pai." Ela fechou os olhos, não conseguindo mais encarar o homem a sua frente. "Por que, Kagome?"
"Inuyasha..." Ela sussurrou, sentindo que ambos haviam esgotado a raiva nos gritos e respostas rápidas. Naquele momento, ela sabia que os dois estavam emocionalmente fracos demais para discutirem o passado. "Eu tenho que ir embora, eu tenho que ir para casa..."
"Não, não, eu não quero que você vá embora, nós..." Ele descansou a própria testa na dela, não sabendo o que sentia naquele momento. "Eu quero minha filha, Kagome. Eu quero conhecê-la, eu quero ver ela crescer, eu quero recuperar o tempo que eu-" Ela também colocou as mãos nas bochechas masculinas, tentando senti-lo próximo de si. "O tempo que eu perdi."
"Não dá..." Ela sussurrou. "O que mudou daquele tempo pra hoje? Fora tudo o que eu passei nesses quatro anos, fora tudo o que você passou... Não mudou nada..."
"Como você pode dizer isso?!" Ele se afastou, voltando a subir o tom de voz com uma nova indignação. "Na verdade, O QUE você quer dizer com isso?" Olhando-o naquele momento, Kagome conseguia ver perfeitamente o sangue Demônio que corria em suas veias. Inuyasha, com a mera menção de ser impedido de exercer sua função de pai, tinha adotado uma postura extremamente feroz. "Você não vai permitir que eu seja o pai que ela merece ter?" E apesar de tudo, ela não tinha medo do hanyou. No fundo, ela sabia que ele nunca a atacaria, mesmo quando aparentemente ela merecesse.
"Inuyasha..."
"ISSO NÃO É JUSTO!" Ele gritou desesperado. Somente em pensar na possibilidade de não poder acompanhar o crescimento de Amy, ele já se sentia enlouquecido. Ele poderia ter acabado de descobrir que era pai daquela garotinha, mas ele já sentia uma forte ligação com a menininha somente em imaginá-la naquele momento. Para Inuyasha, ela já era sua princesinha.
"Inu..." Kagome se aproximou novamente do hanyou, forçando-o a encará-la nos olhos. "Eu..." Ela respirou fundo. "Não dá. Eu posso ter sido egoísta-"
"Sim, você foi, você levou a nossa filha com você... você tirou de mim o direito de ser pai." Ele interrompeu com um sussurro tão baixo que, se ela não estivesse prestando atenção somente no homem a sua frente, ela não teria ouvido.
Ignorando aquele comentário, mesmo que ela se sentisse dilacerada por aquelas palavras, ela continuou, "Eu posso ter sido egoísta, mas minhas razões fazem completo sentido para mim e... eu não consigo vez como elas podem ter mudado se, pra mim, parece que as coisas entre nós continuam do mesmo jeito..." Ela sussurrou, encarando os orbes âmbares com grande intensidade. As mãos femininas começaram a tremer, pois ela não conseguia mais se manter calma com todas aquelas emoções contidas em todo aquele cenário. Ela estava com medo novamente, pois ela estava se abrindo mais do que queria, mais do que achava seguro. Por mais que ela tivesse pensado em batalhar por ele quando Ayame declarara que ela iria fazê-lo, naquele momento tudo aquilo era demais para a morena. Ela tinha que ir para casa. Ela tinha que ir para longe de Inuyasha mais uma vez. "Eu... Me desculpe Inu... Me desculpe..." E então ela finalmente se afastou do hanyou, dando-lhe as costas e correndo até a rua ao mesmo tempo em que um táxi vazio passava por ali.
Inuyasha ficou para trás confuso, enraivecido, maltratado e - novamente - abandonado. Mais uma vez ele observava a mulher de sua vida ir embora, indo para longe de si, fugindo de algo que ela pensava não ser capaz de encarar.
Novamente ela não permitira que o hanyou fizesse suas próprias escolhas.
No caminho para casa, Kagome não conseguia parar de chorar. Quando chegara ao apartamento, ela não deu espaço e nem tempo para que seus pais a interceptassem e perguntassem por que ela estava daquele jeito. A morena simplesmente correu para o próprio quarto e se trancou no cômodo.
Ela ouviu os apelos da Sra. Higurashi para permitir que ela entrasse, mas os ignorou.
As lembranças começaram a fluir em sua mente com facilidade, enquanto ela afundava o próprio rosto no travesseiro e abafava os soluços sofridos.
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O choro do bebê preenchia o pequeno e pobre apartamento. A mulher, que tentava acalmar a criança balançando-a gentilmente em seus braços, começava a chorar enquanto ela mesma entrava em desespero. Ela não podia deixar que Amy continuasse chorando daquele jeito, se não elas perderiam o teto sobre suas cabeças. A velha senhora que as acolheu não agüentaria mais noites com todo aquele barulho, Kagome sentia isso.
Então, como uma última tentativa, ela começou a cantarolar uma canção de ninar, uma de suas preferidas de quando sua mãe lhe punha pra dormir quando criança. A morena tentava cantarolar baixinho, de forma calma, tranqüilizante, mesmo que sua voz tivesse pequenas falhas devido ao seu próprio choro.
Para seu alívio, lentamente o bebê de um ano se acalmou e parou de chorar, restando somente pequenos barulhinhos enquanto Amy voltava a dormir. Para não acordá-la novamente, Kagome a colocou no pequeno colchão que as duas dividiam e se sentou no chão, de costas para a armação da cama de solteiro e com os joelhos contra o peito. Ela tentou chorar o mais silenciosamente o possível.
O que ela estava pensando quando resolveu fugir de casa? Certamente ela não esperava morar de favor, nem mesmo ter que sobreviver em situações tão estressantes e difíceis como as que vivenciava. O que ela tinha na cabeça quando resolveu excluir todos de sua vida daquela maneira?
Oh, sim.
Inuyasha.
Ela o amava de forma quase doentia. Mesmo depois de praticamente dois anos, ela ainda o amava tanto ou mais do que na época em que ela o abandonara. Ela havia se entregado ao amor de sua vida, ela havia vivido momentos de pura felicidade enquanto os dois... Se amavam? Seria essa a expressão correta? Enfim, ela havia passado a noite de todos os seus sonhos ao lado daquele que ela sempre amara e, na manhã seguinte, ele havia pedido perdão por aquilo. Ele havia se arrependido de tê-la feito feliz, de tê-la... Amado?
Sim, ela não conseguiria encarar o hanyou quando ele soubesse de sua gravidez. Ela sabia que ele não hesitaria em se casar com ela, para dar para a pequena uma verdadeira família; porém, ela não queria que Inuyasha se visse forçado a se casar, ela queria que ele se casasse por amor. Mas, ele sentia a amor por ela? Ele sentia qualquer sentimento mais intenso do que uma simples amizade?
Ela sabia que não.
Kagome suspirou entre seus soluços silenciosos. Sua cabeça estava no amor não correspondido que ela sentia por Inuyasha quando ela resolvera fugir.
Ela tentou dormir ao lado de sua pequena Amy, tentando não chorar com a saudade de casa, com a saudade dos pais, com a saudade de suas amigas... Com a saudade de Inuyasha.
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"Ela vai ficar bem, Srta. Matsuyama." A enfermeira apertou o ombro magrelo da jovem, tentando confortá-la e acalmá-la, enquanto ambas observavam o pequeno corpinho de Amy sob as cobertas daquele hospital público.
"Ah, eu sei." A garota respondeu com um sorriso incerto, mesmo que tentasse transparecer confiança e fé em sua linguagem corporal. Kagome Higurashi, ou como seus novos documentos a chamavam, Gome Matsuyama, estava mais magra do que nunca. Sua aparência, que sempre fora saudável e atraente, estava destruída pela falta de bons tratos e de boa alimentação. Por mais que ela trabalhasse e realizasse alguns bicos, o dinheiro só era suficiente para alimentar, mesmo que precariamente, sua filha de dois anos.
"Ela vai ficar internada por um tempo, até que ela volte a ser saudável. Durante esse tempo a Senhorita não precisa se preocupar, sua garotinha estará em boas mãos." A enfermeira terminou seu pequeno discurso com um sorriso reconfortante e com um leve aperto no ombro ossudo da jovem mãe ao seu lado, logo saindo do cômodo para atender outros pacientes. O quarto não era somente da pequenina Amy, sendo compartilhado com outras crianças de situação semelhante. Kagome nunca pensou que sua filha um dia estaria em um quarto de hospital público, em Nova Iorque, devido a um quadro de desnutrição. Aos dois anos, aquilo poderia ser fatal se não fosse tratado, e toda aquela precariedade estava deixando a morena no limite.
Kagome estava quase desistindo e voltando para o Japão, para sua família, para seu lar, não cumprindo o que ela havia prometido aos seus pais: voltar melhor do que havia saído. Ela não havia pensado que tudo seria assim tão difícil. É claro que sabia que, fugir da forma que havia fugido de casa e de seus problemas, não seria algo fácil; mas ela não tinha previsto toda a precariedade em que ela havia envolvido sua criança. Ela suspirou enquanto passava sua mão magricela sobre os cabelos negros da filha, tirando os fios lisos de seu pequeno rostinho, observando como a pequenina tinha uma feição angelical enquanto dormia.
Respirando fundo, ela deu um último beijinho na testinha da menina, e saiu do hospital. Ela iria aproveitar a 'estadia' das duas no hospital (enquanto sua pequena se recuperava ela estaria ali com ela) para arranjar algum trabalho. Assim, ela juntaria alguma quantidade de dinheiro capaz de garantir o aluguel de algum pequeno quartinho, para que assim elas tivessem algum lugar para ir quando saíssem dali. Antes de correr para aquele hospital, elas estiveram zanzando de casa em casa, na medida em que as pessoas demonstravam generosidade o suficiente para ajudá-la por algum pequeno período de tempo. Porém, após a experiência traumática de ter que fugir no meio da noite com Amy nos braços da casa de um homem que tentara atacá-la quando as duas dormiam, ela percebeu que não poderia continuar dependendo da sorte. Ela tinha que arranjar um lugar o mais rápido o possível. E sem demora, ela conseguiu o trabalho de faxineira em um hotel a duas quadras do hospital. O salário não era lá essas coisas, mas ele permitiu que seus pequenos objetivos fossem alcançados...
Por um tempo.
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Ela respirou fundo tentando ignorar o peso de tais lembranças. O período que Amy havia ficado internada naquele hospital havia sido um dos mais difíceis, pois por mais que naquele tempo ela estivesse sendo mais bem cuidada do que antes, ainda assim ela estava hospitalizada e aquilo feria Kagome como uma verdadeira navalha. Trabalhar naquele hotel havia sido sua salvação, no final das contas, mas a preocupação com o bem estar da pequena enquanto ela estava fora havia sido quase enlouquecedor.
Mais lágrimas caíam dos olhos azuis-acinzentados, deixando o travesseiro completamente molhado. No meio de todos aqueles pensamentos, ela acabou dormindo.
Porém, do lado de fora de seu quarto, o Senhor e a Sra. Higurashi encaravam a porta com os corações na garganta. Ambos sentiam que, depois de todo aquele tempo, Kagome estava mais longe de alcance do que quando ela estava nos Estados Unidos.
oOo
A luz que atravessava a cortina iluminava o bastante para acordar a morena ali deitada. Ela abriu os profundos olhos azuis, com muita preguiça, sem vontade alguma de acordar e de ter que se levantar. Ela ainda teria que enfrentar as perguntas dos pais e a preocupação da filha, pois a pequenina sempre sabia quando havia algo de errado com a morena. Levantou-se lentamente, percebendo que ainda estava com a roupa molhada da noite anterior e foi até o banheiro para tomar um banho, já que se não tomasse providências poderia adoecer.
A água quente caiu em seu corpo em forma de massagem, aliviando sua tensão e melhorando um pouco seu ânimo. Lavou os cabelos negros com cuidado e demorou-se na passagem do sabão pelo seu corpo. Aproveitou aquele banho relaxante para tirar as emoções da noite anterior de seu corpo, pois mais que soubesse que fingir que aquilo nunca havia acontecido era mais um erro de sua parte. Sem precisar se olhar no reflexo do box do banheiro, ela sabia que estava com os olhos mais fundos e com uma leve faixa arroxeada debaixo deles, uma conseqüência de chorar até dormir.
Saiu do box e enrolou-se na toalha, sentindo o tecido fofinho contra o corpo e se forçando a não lembrar a forma como Inuyasha havia se aproximado dela ontem durante toda aquela dolorosa conversa. Ela tentou forçar as lembranças das mãos masculinas em seu rosto e da proximidade daquele corpo maravilhoso com o seu para fora de sua mente, pois naquele momento tudo o que ela menos precisava era ter aqueles tipos de pensamento. Caminhou lentamente para seu quarto, pegando outra toalha e a enrolando na cabeça ao estilo 'turbante', para que seu cabelo secasse mais rapidamente. Ela voltou ao banheiro para se encarar no espelho e acabou confirmando suas suspeitas. Lá estavam seus olhos fundos e as faixas arroxeadas debaixo deles. Era deplorável como seu corpo manifestava tão notavelmente o que ela sentira e o que ela passara. Decidiu-se por não ficar se encarando por mais tempo, pois aquilo não facilitava em nada a sua tentativa de não pensar na noite anterior. Vestiu-se simples, com uma calça jeans Ellus um pouco gasta e uma regatinha azul celeste da Chloe. Calçou uma sapatilha preta da Jimmy Choo e penteou os cabelos calmamente, tentando ficar minimamente apresentável. Ela só saiu do quarto quando já estava devidamente vestida e maquiada para disfarçar olheiras.
Encontrou na cozinha a mãe, o pai e a filha. Os três adotando expressões preocupadas, mesmo que cada um expressasse aquele sentimento de formas diferentes. A Sra. Higurashi não parava de lavar as poucas louças sujas que estavam na pia, o Sr. Higurashi passava as folhas do jornal sem realmente ler nenhum artigo e a pequena Amy brincava com a panqueca coberta de cobertura de chocolate sem realmente estar prestando atenção no que fazia. Kagome suspirou resignada, o que chamou a atenção dos três, que a encaram alarmados. A morena viu nos três pares de olhos a vontade de bombardeá-la com perguntas.
Ela sorriu, tentando acalmá-los, e logo caminhou até uma das cadeiras da pequena mesa de café. "Bom dia, galera." Seu tom de voz carregava uma alegria forçada, que não enganou nenhum deles. "Como sempre, a mesa farta..." Comentou se sentando na cadeira vazia e fazendo um carinho básico em Amy, "Good Morning my sweetheart." Sussurrou para a filha, que sorriu em resposta. "Assim eu vou acabar engordando mãe." Comentou encarando a Sra. Higurashi, que também forçou um sorriso incerto em seu rosto.
A mais velha enxugou as mãos em um pano de prato limpo e respondeu com preocupação, "Você realmente está muito magrinha..."
"Você vai sair?" Sr. Higurashi perguntou enquanto fechava o jornal e o colocava em seu colo, começando a se servir de waffles.
"Yep, hoje eu vou ensaiar. Vou ligar pro resto da banda enquanto eu dirijo até o estádio." Ela respondeu começando a se servir de alguns pequenos muffins. "Amy, quer ir comigo e ficar brincando com a Jack ou prefere ficar com o vovô e com a vovó?" Ela perguntou carinhosa, enquanto encarava a garotinha e a via comer com uma nova animação suas panquecas. A pequena havia aprendido a pressionar a mãe sobre seu humor em momentos que a morena desse a abertura e, naquele momento, ela conseguia ver – mesmo com sua pouca idade – que ela não estava pronta para conversar sobre aquilo.
"Quero ficar com o vovô e a vovó." Ela disse alegre, fazendo Kagome sorrir carinhosamente. Ela entendia perfeitamente a vontade da filha e até preferia que ela fizesse isso mesmo, porque no fim das contas, os pais esqueceriam um pouco dela mesma e iriam dar muita atenção para a netinha.
"Tudo bem." Ela terminou de comer e limpou calmamente os cantos dos lábios com o guardanapo. "Tenho que ir." Se levantou calmamente e percebeu a preocupação voltar para os olhos dos pais com força total. Ela não ficara muito tempo na mesa, somente alguns minutinhos, mas ela sentia que precisava ensaiar e mudar os ares o mais rápido o possível.
Caminhou para fora da cozinha e foi até seu quarto, pegando a maxi-bolsa Dolce&Gabanna preta, e jogando suas chaves dentro dela. Quando saía do apartamento ainda escutou os pais mimando Amy, entendo que eles estavam tentando não preocupar a própria garotinha com seus próprios pensamentos direcionados para a morena. Kagome suspirou quase aliviada, pois sabia que por mais que não estivesse passando tempo com os pais, Amy estaria aproveitando suas presenças da melhor força possível para tirar o atraso.
Saiu do elevador assim que ele chegou ao estacionamento e entrou em seu carro. Pegou o celular enquanto saía da garagem, e discou o número tão conhecido, saudando a pessoa do outro lado da linha com uma animação renovada, "Oi Jack, como estão as coisas por aí?"
"Está quase tudo pronto." A voz feminina chegou até seus ouvidos. "Está vindo para ensaiar?" Sua produtora perguntou animada também.
"Acertou em cheio!" Kagome concordou e parou em um sinal vermelho.
"E deixe me adivinhar... Você quer que eu ligue pro resto do povo?" Jack perguntou revirando os olhos do outro lado da linha, uma ação que Kagome conseguia sentir pelo tom de voz da mulher.
"Acertou em cheio, de novo!" A morena riu.
"Ok, ok, já estou ligando! Até daqui a pouco!" Jack se despediu e desligou. Kagome recomeçou a dirigir com um sorriso no rosto. Era tão bom se esquecer dos problemas!
Dirigiu sem problemas por mais alguns minutos enquanto seus pensamentos tentavam voar longe da noite anterior. Ela sabia que estava fugindo de seus problemas, algo que ela sabia que fazia com freqüência, mas tentou não sentir tanta culpa com aquilo. Era errado não querer causar o próprio sofrimento?
Parou em mais um sinal e quando voltou a acelerar... O carro morreu.
Não foi um simples 'morreu', o carro tinha sido uma perda total! Uma fumaça preta começou a escapar pelo capô, chamando a atenção não somente de Kagome como de todos os outros que passavam por ali, e mesmo que ela acelerasse o carro não movia um só milímetro. Buzinas e mais buzinas atrás dela e a única coisa que ela pôde fazer foi sair do carro e encará-lo com a boca em uma linha reta. Oh, o estrago!
"Eu sabia que era querer demais que esse carro não estivesse estragado depois de quatro anos!" Ela sussurrou para si mesma, furiosa com o que acontecera. Há poucos instantes atrás, ela se alegrava com a falta de problemas. Por mais que os pais tivessem tentado manter o carro em boas condições, frequentemente dando partida com a chave reserva para que a bateria não arriasse e os freios não fundissem, o automóvel não estaria em boas condições estando naquele estacionamento por tanto tempo. Ela sabia que os pais não tinham levado o carro para o apartamento por não saberem quando ela voltaria, se ela precisaria do carro ou não. Então, ali estava o resultado: ele não tinha agüentado as forças externas e, ao olhar ao seu redor, ela não deixou de notar como o desgraçado do Murphy ressurgiu das cinzas!
Havia uma enorme fila de carros atrás do seu, alguns tentando se infiltrar na fila ao lado para poderem passar, outros presos em uma bagunça de veículos presos em um congestionamento. Deus, ela havia causado tudo aquilo em uma rua movimentada de Tóquio! Mais buzinas começaram a soar e Kagome ficou ainda mais envergonhada com toda aquela situação.
"Meu deus! Você é Gome Matsuyama?" Ouviu uma voz chocada, surpresa, alegre... Sem definição.
Que momento ótimo para fazer uma pergunta como essa, não?
Olhou sem nenhum sorriso no rosto para a pessoa, que até se encolheu com o olhar mortal que ela lhe lançou e respondeu minimamente, "Sim." Ainda não acreditava que o carro havia estragado no meio do transito de Tóquio, oh Deus! As buzinas agora não paravam de tocar e alguns motoristas ignorantes e irritados já começavam a xingá-la aos gritos. Ela estava coradérrima e irritada com tudo aquilo.
"Nossa, você é linda pessoalmente!" A pessoa continuou animada, enquanto Kagome não direcionava seu olhar para ela.
"Deus, vou demorar horas para chegar ao ensaio..." Ela murmurou para si mesma, ignorando o olhar repleto de admiração da mulher e sua constante falação. Enquanto a mulher falava 'Sou sua grande fã!' tudo o que Kagome entendia era 'Bla bla bla bla!'. Ela começou a massagear suas têmporas, tentando absorver a situação em que havia se metido e evitar a intensa dor de cabeça que começava a surgir. Não tinha como ela tirar o carro dali se ele não ligasse e muito menos poderia ajudar o trânsito se ele não saísse dali. O sinal fechou para o vermelho e os gritos raivosos somente aumentaram. 'Eu tenho horário de trabalho!', 'Se eu perder meu emprego é sua culpa!', 'Você não tem mais coisa para fazer, além de estragar o carro em uma rua movimentada e atrapalhar a vida de gente atarefada?!'.
Gritos e gritos que se resumiam a chamar Kagome de 'à toa'.
"... então, você poderia me dar um autógrafo?" Ela ainda escutou a mesma pessoa inconveniente falando com ela.
Ela ia enlouquecer.
Inuyasha respirou fundo, tentando tirar seus pensamentos da noite anterior. Ele estava mais acabado emocionalmente do que nunca, mas ele não se permitiu a ficar deitado na cama se rendendo à depressão. Ele tinha uma filha. Meu Deus, ele era pai! O hanyou precisava se reerguer, se reafirmar para que então ele pudesse ir até a menina e encará-la como filha pela primeira vez. Ele tinha que se recuperar para enfrentar mais um round com Kagome e exigir seus direitos como pai.
"Que merda..." Ele sussurrou irritado. Por que tudo se complicou ainda mais desde que a morena havia voltado? Por que diabos ela continuava fugindo dele? Inuyasha se sentia dilacerado com toda aquela situação.
Ele olhou para a tela do notebook a sua frente, vendo várias janelas sobrepostas, ignorando os milhares de dados econômicos das empresas Taisho, das empresas Shichintai e do Governo japonês. Ele tinha que terminar o contrato que seu pai tanto esperava e que Sesshoumaru já o havia apressado para finalizar. Porém ele não se sentia no clima para todas as análises e construções que ele tinha que fazer, mesmo que quisesse se enfiar no trabalho para conseguir se auto-afirmar para conseguir procurar sua filha.
Filha...
"Pela Amy..." Ele sussurrou com uma nova determinação, voltando sua completa atenção para os dados listados a sua frente. Ele ficou por um bom tempo somente lendo e fazendo pequenas anotações em uma pequena agenda no seu colo, até que notou que tudo aquilo ainda assim não era suficiente. "Hmm... Vou ter ligar pra velhota..." Ele mordeu o lábio inferior, logo pensando em Kaede e tendo um calafrio. A caolha sempre lhe dava um frio na espinha! Com o celular ele discou o número assustador da secretária de seu pai. "Hmm... atende logo... Ah, oi velhota! É, é o Inuyasha, quem mais seria?... Hey, o que isso quer dizer?!" A voz do outro lado adotou um tom típico de quem estava rolando os olhos e perguntando o que diabos Inuyasha queria. "Enfim, eu preciso dos relatórios sobre os prejuízos causados na empresa nos últimos meses por causa da nossa competição com as empresas Onigumo... Eu sei que você é do período jurássico, mas se fosse por email eu agradeceria..." Com aquilo a voz feminina emitiu cruéis xingamentos. "Tsc, até mais velhota!" Ele desligou com uma risadinha, logo tendo outro calafrio. Argh, por que ele havia pegado no pé dela de novo? Da última vez a vingança daquela mulher havia sido realmente maligna! Ele colocou as duas mãos no rosto, já sentindo medo do que ela faria daquela vez, "Merda de novo..."
Kagome suspirou enquanto encarava as mesmas pessoas que não conseguiram sair daquele congestionamento que seu carro causara, vendo-os gritando irritadíssimos em seus celulares. Via do outro lado da rua algumas câmeras fotográficas atuando e até mesmo uma repórter com seu camera-man atrás dela filmando tudo aquilo.
Ela iria ser o assunto dos jornais e isso não era muito emocionante.
Sentiu seu celular vibrar e ouviu 'Whistle – Flo Rida' tocando.
"Kagome! Onde você está minha filha? Todo mundo já está aqui já tem um tempão!" A voz de Jack veio até seus ouvidos, conseguindo passar por cima da confusão que estava na frente da cantora. Buzinas, pessoas pedindo autógrafos, gritinhos animados, flashes de câmeras fotográficas... Oh, Senhor da Glória!
"Ai Jack, me salva pelo amor de Deus..." Ela respondeu mais implorativa e desesperada do que tinha planejado.
"Ok, ok, o que aconteceu? Onde você está? Informações, meu bem, informações!" Jack disse, enquanto Kagome podia ouvir do outro lado da linha uma movimentação. Ela adorava sua produtora.
Ayame ligou a TV do próprio apartamento para assistir o jornal da manhã e arqueou uma das sobrancelhas com a notícia que logo apareceu em sua tela.
"O carro da cantora Gome Matsuyama morreu no meio de uma rua movimentada de Tóquio. O congestionamento provocado é de dois quilômetros e os sortudos que conseguem se enfiar nas filas laterais conseguem se livrar das horas perdidas no trânsito parado." As imagens mostraram a fila interminável de carros e logo depois, um grupo de pessoas em pé em um canto da calçada. "Podemos ver ali na calçada alguns fãs rodeando a cantora, aproveitando a ocasião para pedir autógrafos. Ela está ao telefone, parecendo desesperada. Bem, se fosse o meu carro causando tanta confusão eu também estaria."
A ruiva riu com gosto. Oh, a jornalista ainda tinha senso de humor! Assim que sua risada morreu, ela colocou a mão no queixo, analisando aquela situação. Se Kagome estava presa em um congestionamento, provavelmente sozinha, ela provavelmente não estava se encaminhando para onde Inuyasha estava. Se a morena fosse ficar presa naquela bagunça por mais tempo, com certeza o hanyou almoçaria sozinho ou algo do tipo. Ayame sorriu abertamente. Ela tinha sido séria quando afirmara para a cantora que se ela não queria Inuyasha, Ayame o queria. A ruiva tinha todas as intenções em lutar pelo hanyou, em tê-lo de volta para si. Ela sabia que ele amava a morena, mas isso não a impediria de seduzi-lo, de ajudá-lo a se apaixonar por ela e esquecer a outra garota.
Então, enquanto encarava a tela da TV com imagens de helicóptero da bagunça em que Kagome estava metida, ela decidiu se arrumar e ir até o apartamento do hanyou. Ela levaria um almoço romântico com vinho, taças de cristal e flores. Ela daria atenção para Inuyasha, daria carinho e muito mais se ele permitisse. Ela daria para ele o que Kagome repetidamente se negava a dar, fugindo no processo.
Rindo, extremamente animada com sua nova decisão, ela desligou a TV e rumou para o banheiro. Inuyasha não saberia o que o tinha atingido até que fosse tarde demais.
Kagome desligou o celular enquanto ouvia os gritos ao seu redor pelos autógrafos. Ela nem sabia por que ainda não havia sido massacrada por toda aquela gente, sendo que não tinha nenhum segurança afastando todas aquelas pessoas. Levantou-se passando os olhos por todo o local. A bagunça estava horrenda, ela nem conseguia ver o final do congestionamento, havia até mesmo um helicóptero de um noticiário sobrevoando a área.
Ela tinha que ter imaginado que mesmo que seus pais tivessem cuidado de seu carro enquanto ela esteve fora, ele não estaria em tão bom uso quando voltasse – não depois de quatro anos! Era muito pedir que o motor não sofresse danos depois de tanto tempo ao ar livre? Suspirou exasperada quando viu chegando pela rua do cruzamento um guincho. Levantou os braços para os céus e agradeceu profundamente por aquilo, pois finalmente a situação melhoraria significantemente. Sentiu seu celular vibrando e a música tocar novamente e o pegou, atendendo a chamada. "Pronto, o guincho acabou de chegar aí. O Brad está de carro atrás dele, você vai entrar no passageiro e então vocês vão vir pra cá." Ouvir a voz feminina de Jack fez com que Kagome se alegrasse profundamente.
"Tudo bem..." Concordou. "Mas acho que vou precisar de ajuda para sair do meio dessa galera que se formou ao meu redor." E ainda completou enquanto via todos gritando para que ela desse os autógrafos que eles tanto desejavam.
"Não se preocupe, nós mandamos o Peter e o Nate para isso." Jack respondeu, aparentemente rindo do outro lado da linha.
"Obrigada Jack, muuuito obrigada mesmo!" Ela agradeceu e desligou a ligação. Quando o guincho começou a fazer suas manobras, dois guarda-roupas vestidos de preto com seus óculos escuros, já espalhavam as pessoas para que Kagome passasse.
"K-chan." Um branquelo com cabelos curtos e negros – maravilhosamente perfeitos, que moldavam a face máscula e perfeita, de um cara com um corpo perfeito... Deu para perceber a perfeição? - cumprimentou-a enquanto ria.
"Oi Nate." Ela cumprimentou de volta, enquanto aproveitava e passava pelo corredor criado pelos dois. "Obrigada Peter." Acrescentou quando ele tirou um óculos-de-sol do bolso do paletó e entregou para ela.
"Você não sabe como a notícia está engraçada na TV." O moreno com o cabelo negro penteado ao estilo 'moicano' comentou, enquanto ria.
"Retiro o que eu disse Peter." Kagome respondeu irritada. Os grandalhões riram e os três caminharam para a Mercedes preta parada na esquina. Ela entrou no passageiro e sorriu para Brad, com seus cabelos lisos loiros e olhos azuis.
Lindo, muito lindo... Mas ainda perdia para a beleza de Inuyasha. Kagome suspirou mentalmente, lá estava ela pensando no hanyou novamente!
"Olá Brad." Cumprimentou, resolvendo se esforçar para esquecer o hanyou pelo menos até o final do dia.
"Opa." Ele cumprimentou de volta, rindo abertamente.
"Você também?" Kagome perguntou indignada, enquanto cruzava os braços e fazia um bico de irritação.
"É, e se você visse como a notícia circulou você estaria rindo de si mesma também." Ele respondeu ainda sorrindo e ela virou os olhos tentando ignorar a vergonha que sentia. Deus, era simplesmente terrível imaginar quantas pessoas viram aquela notícia! A morena tinha acordado com o pé esquerdo naquele dia, com certeza.
Ela suspirou, resignada, vendo depois de vários minutos o estádio em que ensaiariam – e que receberia seu show - a sua frente. Por um último instante antes de preencher sua mente com as músicas do repertório, Kagome pensou em Inuyasha, pensou na noite anterior e pensou nas palavras de Ayame no outro dia na boate. A morena sabia que ela tinha errado quando resolvera fugir pela primeira vez, ela sabia que ela estava errando naquele momento, mas sua insegurança e seu medo do que o hanyou realmente queria e sentia fazia com que ela hesitasse.
Antes de entrar pelos portões daquele lugar, ela respirou fundo. Talvez ela devesse enfrentar pelo menos uma vez na vida dela a situação e se fazer ser ouvida. Pelo menos daquela vez, ela devia expressar tudo o que ela sentia e esperar uma resposta, colocando sua cara a tapa se necessário.
Talvez ela devesse ter a iniciativa de ir conversar com Inuyasha ainda naquele dia.
Sim, ela faria isso.
Com aquilo ela finalmente entrou no enorme estádio, pronta para se exaurir no palco como se fosse o próprio show.
oOo
Silenciosamente e cuidadosamente, ela deu pequenos passinhos até a cômoda que os dois tentavam evitar que ela mexesse. Amy olhou para seus avós, largados nos sofás da sala tirando um cochilo com a TV ligada, e continuou seu caminho. Em sua mente, ela era uma versão feminina das Tartarugas Ninjas e buscar o que era tão proibido era uma verdadeira brincadeira. A pequena garotinha demorou alguns minutos para chegar até o móvel, mas não se importou, pois com todo aquele cuidado o Senhor e a Sra. Higurashi não havia nem mesmo mexido a sobrancelha.
Ela abriu a portinha da cômoda e observou como havia inúmeros álbuns de fotos amontoados ali. Sua mãe havia tirado milhares de fotos naquele último ano, como se quisesse compensar o fato de não ter fotos de quando ela era só um bebezinho; então ela reconheceria aqueles livros em qualquer lugar, pois Kagome guardava em sua bolsa um daqueles. Olhando sobre um de seus pequenos ombros, Amy viu se ainda era seguro continuar com aquela peripécia, e sorriu animada quando viu que os avós continuavam a dormir sonoramente.
Pegando um dos menores em um dos cantos, a garotinha o abriu e se deparou com si mesma na primeira foto. Seu rostinho ficou confuso, pois ela não se lembrava de nenhum coleguinha de cabelos prateados e olhos dourados... Oh, aquela garotinha não era ela, era sua mãe! E o garotinho era aquele hanyou que estava no apartamento no primeiro dia em que ela havia chegado... Inuyasha! Sim, esse era o nome dele. Ela deu uma risadinha ao finalmente entender aquilo e, ávida por saber mais sobre sua progenitora e suas amizades, ela continuou a olhar as fotos daquele pequeno álbum.
Um brilho suspeito de interesse surgiu nos olhinhos azuis-acinzentados da garotinha. Por que todas as fotos daquele álbum eram estreladas por sua mãe e por Inuyasha? Os dois, talvez da mesma idade que ela mesma, brincando em um parque qualquer em várias situações: ambos às risadas enquanto brincavam de pique-pega, sua mãe chorando e um pequeno Inuyasha soprando o joelho machucado da garotinha e até mesmo uma foto de sua mãe se divertindo horrores enquanto o pequeno hanyou a carregava nas costas ao redor do local. Resolvendo investigar aquela coisa curiosa, ela pegou outro álbum e ao abri-lo, se deparou com mais fotos dos dois. Tudo bem, naquele até havia mais algumas crianças que ela desconfiava serem os mesmo adultos que estavam no mesmo dia que Inuyasha, mas ainda sim sua mãe o hanyou não se desgrudavam em nenhuma das fotos. Nesse, eles pareciam um pouco mais velhos em um parque de diversões e sua mãe até mesmo carregava um enorme cachorrinho de pelúcia – era maior do que ela! Oh, como Amy teve inveja da própria mãe naquele momento... – que visivelmente havia sido ganho por um convencido Inuyasha de seus dez anos. O rostinho da menina se iluminou ao ver uma foto de Kagome dando um beijinho no rosto do hanyou, enquanto ele mesmo estava completamente corado e parecia querer afastar a menina de si. Ah, e havia uma foto logo após aquela com uma morena gargalhando enquanto Inuyasha parecia querer limpar a bochecha com a camisa que vestia.
Oooh, será que aquilo era o que ela achava que era?
Amy sorriu abertamente ao imaginar que talvez as histórias que Kagome contava pra ela na hora de dormir pudessem ser reais. Talvez realmente existissem príncipes e princesas! Com certeza, pois se não existisse, como aqueles dois poderiam formar um casalzinho tão bonitinho como Alladin e a Princesa Jasmine? Ou mesmo a Princesa Aurora e o Príncipe Philip? Ou então a Bela e o Príncipe Adam (Fera)? Awww, com certeza existiam príncipes e princesas!
Dando uma risadinha bem baixinha para não acordar seus avós ela puxou outro álbum um pouco maior, se deparando com mais fotos daqueles dois. Oh, ele com certeza deveria ser o príncipe de sua mãe! Ela suspirou em contentamento. Amy queria ter um pai e, se aquele fosse ele, ela não acharia nem um pouco ruim.
Era só ver como ele fazia Kagome feliz.
oOo
Argh, como Inuyasha consegue me deixar tão miserável? Era o único pensamento que rondava a mente de Kagome quando novamente ela errava uma das letras de uma das músicas do repertório do show. Eles terminaram com aquela canção, mas ela percebia como todos da banda a olhavam com caras interrogativas. Não era difícil de notar que ela definitivamente não estava bem, já que aquela já era a milionésima vez que ela errava, o que era até mesmo incomum. A morena nunca tivera problemas com memória, então esquecer as letras era praticamente impossível. Ela suspirou irritada com si mesma, notando como Jack vinha até ela com passos hesitantes, "Está tudo bem, Gome?" Kagome quase riu com o nome que sua produtora a havia chamado. Mesmo há poucos dias ao redor de gente que realmente a conhecia fazia com que ela estranhasse quando outros a chamavam por aquele novo nome.
"Está sim Jack, só estou com muita coisa na cabeça... Sabe como é, voltei pra ver a família e veio um pacote inteiro de informações..." Ela comentou indiferente, tentando não transparecer mais do que já estava transparecendo que ela estava completamente distraída e entristecida.
Não deu muito certo.
"Olha, o show ainda é daqui uma semana e vocês sempre estão ensaiando, então talvez você devesse ir pra casa mais cedo hoje, almoçar com sua família e descansar. Eu mesma não entendi sua pressa para ensaiar, Gome." Jack comentou com um tom quase maternal, fazendo Kagome fazer uma careta. Ok, talvez ela tivesse realmente apressado as coisas com esperanças de ficar o dia inteiro fora de casa e não dar abertura para seus pais perguntarem o que tinha acontecido ontem e, consequentemente, ela não pensaria na noite anterior e fugiria das palavras de Inuyasha e dos olhares que ambos trocaram. A dor evidente nos orbes dourados na noite anterior a estava aterrorizando todas as vezes que ela própria fechava os olhos azuis. "A gente entende, não é galera?" A mulher perguntou, nem precisando olhar para o restante da banda que gritou 'Yeah' e 'É claro!' instantaneamente. A morena piscou e suspirou resignada. Oh, e ainda tinha gente que pensava que Kagome mandava alguma coisa naquele grupo!
"Ok, eu vou embora se é isso que vocês querem..." Ela sussurrou emburrada, ganhando um sorriso enorme de Jack e risadinhas do restante da banda. "Hey Brad, preciso de carona!"
"To te esperando na Mercedez!" Ela riu com a resposta que recebeu.
Inuyasha estava parado, com a porta do apartamento aberta, e sem saber o que fazer. Ele estava chocado demais com quem o estava visitando e com o que tal pessoa carregava em suas mãos. O que diabos Ayame, uma cesta de almoço francês com vinho e duas taças de cristal estavam fazendo ali?
"Oi Inu." Ela o cumprimentou com um sorriso de lado, trocando o preso de pé. Ela vestia um vestido branco Gucci que acompanhava suas curvas até a cintura e ficava solto até um palmo acima dos joelhos. Nos pés sapatilhas Jimmy Choo vermelhas, que combinavam com seu cabelo que cascateava em seus ombros, e nos braços pulseiras prateadas que combinavam com os pequenos brincos em suas orelhas. Ele tinha que admitir que a ruiva estava muito bonita. "Eu achei que você gostaria de uma companhia para almoçar." Ela comentou animada, entrando no apartamento assim que ele lhe deu espaço para passar pela porta. Inuyasha acompanhou o movimento dos quadris femininos quase hipnotizado enquanto ela caminhavam com calma até a sala de jantar. Piscando várias vezes ele se lembrou de Kagome e logo aquele feitiço se desfez. Ah, como ele amava aquela mulher! Mesmo que desde que ela voltara ele não ficara nada melhor do que lastimável e mesmo que ela tivesse escondido que ele era pai – ELE ERA PAI! - , o hanyou ainda a amava. Suspirou resignado, fechando a porta e indo na mesma direção que Ayame, notando como ela tinha arrumado a mesa de vidro com um pano de seda branco e elegante e com pratos de porcelana. Ele não sabia como tudo aquilo coube dentro da cesta mediana que ela carregava, mas ele notou que era tudo muito bem preparado. Ele também notou como aquele parecia ser um almoço romântico.
Engoliu em seco. Naquele momento, tudo o que ele menos precisava era de tentação!
"Hmm, Ayame... Eu aprecio sua preocupação com meu bem estar..." Ele começou hesitante, observando como a comida que ela depositou no meio da mesa parecia deliciosa, "mas o que exatamente isso tudo significa?" e completou quase assustado. Sua vida já estava complicada o suficiente sem que ele se envolvesse com a ruiva.
Ela riu, como se aquela fosse a pergunta mais boba do mundo, "Ora Inu... Eu não pude deixar de notar como você está..." ela o encarou pensativa, parecendo a procura de uma boa palavra, e logo abriu um sorriso alegre ao achar o que precisava. "...deplorável. Sim, deplorável. Quando tínhamos quatorze anos eu me lembro de saber sua personalidade como a palma da minha mão, então eu sei que você não fica desse jeito por qualquer coisa..." Ela comentou simpática, terminando de arrumar a mesa com alguns talheres de prata. "Por isso, eu resolvi te ajudar a superar toda essa situação com a Kagome."
Aquilo sim fez o truque.
"O que?" Ele praticamente tossiu a pergunta, surpreso demais com aquela afirmação. Ayame ajudando Inuyasha a superar a tensão com Kagome? QUE DIABOS?!
"Isso mesmo que você ouviu." Ela confirmou com um tom simples, como se ela nunca tivesse sequer brigado com a morena uma vez na vida. "Eu não gosto de ver você desse jeito, Inu... É realmente triste ver essa bagunça que você está por dentro. Então, eu resolvi te fazer companhia, escutar seus problemas... Te dar um ombro amigo, sabe? Desde aquela noite na boate eu percebi como você não estava tão interessado por mim como naquela época... Então eu resolvi investir em nossa amizade." Ela terminou o discurso com um sorriso amigável no rosto e, com a mesa já arrumada, ela foi até o hanyou e segurou as mãos masculinas com as próprias mãos. O olhar surpreso de Inuyasha e a boca relativamente aberta indicava que sim, ele nem imaginava o que ela realmente estava fazendo.
Ayame se deu tapinhas nas costas mentalmente.
"Ayame... Não sei o que dizer..." Ele estava estupefato demais para qualquer reação inteligente.
Ela apertou as mãos masculinas entre as suas, de forma encorajadora. "Ah Inu, vamos começar a almoçar e você me conta tudo do início, o que acha?"
Ela quase pulou de alegria quando o viu concordar.
Kagome suspirou novamente, ignorando o olhar levemente irritado de Brad. O que ela podia fazer se os suspiros estavam vindo automaticamente? E aos montes? Ela não tinha culpa que a cena da noite anterior não parava de se repetir em sua mente! "Você pode, por favor, fazer qualquer coisa que não seja ficar pensativa e suspirar a cada trinta segundos?" Ele perguntou, voltando a olhar para o pequeno engarrafamento em que ambos estavam metidos. A morena quase gemeu cansada ao ver que mais uma vez o sinal tinha fechado e eles não haviam saído do lugar.
"Mas não tem nada pra eu fazer!" Ela reclamou quase que infantilmente, recebendo uma sobrancelha arqueada como resposta. "Mas é verdade..." Ela reclamou baixinho, não querendo enfurecer o guarda-costas mais do que ele já estava enfurecido. Por mais que Brad fosse quase um motorista da equipe quando alguém precisava, ele também era o que mais facilmente se irritava com congestionamentos.
Quem entende...
"A gente pode brincar de o que meu olhinho vê..." Ele comentou sem nenhuma animação, ganhando um olhar questionador de Kagome. Ah, certo, aquilo era melhor do que ficar quieta e suspirando?!
A morena o ignorou e voltou a pensar no que tinha acontecido entre ela e o hanyou na noite anterior. Ela tinha chamado Inuyasha para sair para justamente lutar por ele, pois ainda o amava e queria provar para Ayame que ela havia mudado, que ela já não era mais tão passiva. Porém, durante o jantar o hanyou tinha descoberto algo que ela não achava estar na hora que ele soubesse, e ela simplesmente entrara em pânico. Por quatro longos anos Amy tinha sido sua e somente sua filha. Kagome tinha passado por tantas dificuldades somente para manter a criança viva que, no momento em que Inuyasha havia entendido que ele era pai, ela simplesmente entrou em parafuso! A morena suspirou novamente, repensando na reação dele para a novidade. Ele tinha ficado tão transtornado... Ele se explicara quanto a suas atitudes na época em que os dois haviam transado e, se ela parasse parar pensar pelo lado dele, ela conseguia compreender o que ele tentou dizer. Mesmo que ela tivesse confessado seu amor a ele naquela noite, algo que ela tivera tempo para chegar a termos aceitáveis com seus próprios sentimentos, ele tivera que lidar com tudo aquilo do nada. Da forma que Inuyasha havia falado, aparentemente ele havia sofrido mais do que ela achou que ele sofreria quando ela fugira... Era como se ele a amasse e tivesse passado por inúmeros sentimentos que ela própria não havia previsto como possível...
Ela pulou no bando do passageiro, fazendo com que Brad quase gritasse pelo susto. Finalmente eles estavam conseguindo sair daquela rua e ir para longe do congestionamento e, depois de tanto tempo com ela quieta, ele realmente não estava preparado para tal atitude. "Que diabos?! Você quase me matou do coração, Gome!" Ele reclamou, tentando manter o volante estável entre suas mãos.
"PARA O CARRO, BRAD!" Ela gritou eufórica, ignorando a reclamação e novamente causando um pulo de susto no motorista.
"Meu Deus do céu..." Ele sussurrou quase aterrorizado com toda aquela mudança de humor, logo dando seta e passando rente a uma das calçadas. "O que foi dessa vez Gome?"
"Aaah como eu não percebi isso antes? Eu reclamei tanto dele, pensando que ele é um denso idiota quando EU também sou!" Kagome disse com um enorme sorriso se abrindo em seu rosto, ganhando um olhar confuso do outro homem.
"Ele?"
"É, ele!" Ela gritou feliz, finalmente entendendo porque ele havia dançado daquela forma com ela na boate, porque ele a levara justamente para o Beige na noite anterior, porque ele chorara no meio da discussão entre os dois. Inuyasha nunca chorava! Nem quando os dois eram crianças ele chorava! Aquele hanyou era mais teimoso e cabeça dura do que qualquer pessoa que ela conhecia e praticamente se recusava a derramar lágrimas por qualquer motivo! "AI MEU DEEEEUS!" Ela gritou, mal contendo a euforia dentro de si, "Não acredito que estou fugindo a toa!" Ela praticamente se jogou contra o encosto do bando, ignorando a cara extremamente confusa e quase que assustada de Brad.
"Gome...?" Ele a chamou hesitante.
"Nós vamos para outro lugar Brad!" Ela disse aos risos, logo dando o endereço de Inuyasha para o motorista ao seu lado.
O almoço decorreu tranquilamente. A comida estava uma delícia, o vinho estava agradável, e Ayame realmente estava escutando tudo o que ele tinha pra falar, uma coisa que nunca havia acontecido entre os dois antes. A ruiva sempre fora de falar mais do que ele todas as vezes que eles se encontravam. Inuyasha estava explicando tudo desde o início, como ela tinha sugerido, começando quando tudo mudou quando ele e Kagome tiveram uma noite maravilhosa. Ele contou tudo de estúpido que ele tinha dito para a morena no dia seguinte, as duas semanas que ela o evitara e ele interpretara a situação de forma completamente errada e como ela fugiu para os Estados Unidos quando ela não agüentou mais a própria situação. Ele contou como ficou quando ela voltou com uma criança no colo, ele contou o episódio dos dois ficarem presos no elevador por provável obra da Rin, ele contou como não conseguira para de olhar a morena na boate, como a química entre os dois quando dançaram era viciante e contou como fora a noite anterior. Inuiyasha não omitiu nenhum detalhe, nenhuma palavra que se lembrava, nada. Ayame por fora estava neutra, ouvindo tudo o que o hanyou tinha pra dizer antes que opinasse. Porém, por dentro, ela estava se contorcendo com tudo o que ouvia. Era óbvio para ela que ele amava Kagome com todo o seu ser, o que provaria difícil de mudar.
Suspirou, assim que notou que ele havia terminado de dizer tudo o que queria, e pensou em algo para dizer. Aquela situação realmente era uma bagunça. "Bom Inu, é meio complicado eu comentar, dar minha opinião..." Ela começou, hesitante, vendo o olhar entristecido do hanyou a sua frente. "É difícil porque é realmente uma bagunça tudo isso, é praticamente enlouquecedor!" Ela continuou, recebendo um aceno vigoroso que indicava que ele concordava completamente. "Mas mesmo depois disso tudo, você ainda quer a criança?"
"É claro! Ela é minha filha! Ela é a criança que eu sempre imaginei ter e que, nos últimos quatro anos, eu esperava ter com Kagome!" Ele respondeu de imediato, pulando com tal ferocidade que seu corpo esbarrou na mesa fazendo com que a garrafa de vinho tombasse e que o líquido derramasse na toalha de mesa e, infelizmente, no vestido branco de Ayame. "Oh meu Deus, me desculpe Ayame!" Ele quase gritou, totalmente embaraçado. Ele sabia como vinha era difícil ou mesmo impossível de tirar das roupas.
"Argh, era um vestido nooovo..." Ela reclamou quase chorosa, fazendo com que Inuyasha se sentisse ainda pior. "Tudo bem, não é como se eu não tivesse dinheiro para comprar outro..." Ela comentou meio chateada, mas tentou não deixá-lo se sentindo tão culpado. Até porque, ela estava ali justamente para tentar fazê-lo se sentir melhor, vê-la com outros olhos... Se apaixonar, quem sabe...
"Ah, me desculpe, esse assunto realmente me deixa estressado..." Ele comentou se levantando e buscando um pano para tentar amenizar o estrago. Quando voltou, percebeu que não iria adiantar nada, e resolveu tentar ajudá-la a não perder o vestido completamente. "Olha, eu vou pegar uma roupa minha para você vestir e a gente já lava a sua, pra tentar não deixar que manche..." Ele sugeriu, já puxando-a pelo braço delicadamente e indo até o próprio quarto, pegando uma de suas camisas – que ficaria quase um vestido no corpo pequeno da mulher – e uma de suas bermudas e entregando as peças de roupa para a ruiva, que as aceitou sem pestanejar. A idéia realmente poderia salvar seu vestido!
O hanyou saiu do quarto e fechou a porta atrás de si, dando privacidade para Ayame, e foi até a sala de jantar tentar organizar a bagunça. Alguns minutos depois ele ouviu a campainha tocar e, resmungando o tempo inteiro coisas como 'como sou desastrado' e 'estraguei uma toalha de SEDA, puta que pariu', ele abriu a porta sem ver quem era pelo olho mágico.
Se ele tivesse olhado, ele não teria ficado sem respirar no instante em que Kagome pulou em seu pescoço e o beijou com intensidade. Ele largou o pano de prato que carregava em uma das mãos, nem se importando que ele caíra no chão, e rodeou a cintura da morena com seus braços. A sensação dos lábios macios da cantora sobre os seus, em um beijo casto, já fez com que todos os sentimentos que ele guardara para si viessem a tona, e ele quase começara a rir de alegria. Ela havia fugido dele na noite anterior, novamente, mas ali estava Kagome, beijando-o!
Quando os dois se separaram, ele manteve sua testa contra a testa feminina, respirando fundo e encarando as piscinas azuladas com amor. "Kagome..." Sussurrou contra os lábios da mulher, sentindo-a tremer entre seus braços com um arrepio. "O que... o que..." Ele não conseguia nem formular uma frase qualquer em sua cabeça, recebendo uma risada feliz da morena. Ela se afastou, para poder encará-lo completamente e abriu um enorme sorriso. Oh, como ele tivera saudades daquele sorriso! Um sorriso que ela sempre direcionava somente para ele quando eram crianças!
"Inuya-"
Antes que ela pudesse se explicar, ela foi interrompida por outra voz feminina que ela não sabia estar ali e que ele esquecera completamente de sua presença. "Hey Inu, eu acho que suas roupas são meio grandes pra mim, eu vou precisar de um cinto também!" Ayame comentou divertida, sem nem olhar para onde ele estava, enquanto entrava no hall de entrada segurando o cós da bermuda com as duas mãos e se olhando atentamente. Porém, quando ela finalmente notou a falta de resposta, ela olhou para frente, ficando atônita com a presença de uma Kagome na porta de entrada do apartamento, com os braços de Inuyasha ao redor de sua cintura.
Kagome olhou para Ayame sem saber o que pensar. Olhou para as roupas masculinas que ela vestia, o brilho alegre dos olhos esmeraldas, e a cara horrorizada de Inuyasha que notara como tudo aquilo poderia parecer aos olhos da morena. Todo o discurso feliz que se formara na cabeça da cantora simplesmente sumiu, sendo substituído por um pequeno pensamento que ela tivera durante o ensaio.
"Kagome..."
"Não, não precisa dizer nada." Lá estava, o tom frio e indiferente. Inuyasha quase começou a chorar ali mesmo, ao notar como tudo estava dando errado tão estupidamente. "Foi um erro eu ter levado Amy para longe, porque eu privei minha filha de um crescimento saudável perto do pai e de uma infância normal." Ela disse, se soltando dos braços masculinos e dando passos para trás, na direção do elevador que ainda estava naquele andar. Naquele momento o hanyou não deu tanta importância ao o que ela dizia, mas talvez depois ele se perguntaria o que havia de errado com a infância da garota. "Mas não foi um erro eu te excluir da minha vida Inuyasha, porque como eu disse... Nada mudou." E sem deixar que ele dissesse qualquer coisa, ignorando os chamados desesperados do hanyou, ela entrou no elevador e fechou as portas metálicas antes que ele pudesse segui-la. Inuyasha xingou aos gritos e correu até as escadas. Ele não podia deixar que ela continuasse pensando daquele jeito! Pelo amor de todos os Deuses, quando o destino deixaria de brincar com os dois? Quando?!
Porém, quando ele finalmente chegou ao térreo, ele só foi capaz de observar a figura feminina entrar em uma Mercedez preta no banco passageiro e o carro a levar embora na direção que ele acreditava ser o apartamento dos Higurashi.
Novamente, ela fugira sem deixar que ele se explicasse, que ele se expressasse, sem que ele pudesse ter algum peso em suas decisões.
Quando Inuyasha voltou para dentro do apartamento, ele bateu a porta com força atrás de si e, ignorando os pedidos de desculpa de Ayame, ele a pegou pela cintura e a jogou em um dos sofás. "Que se dane..." Ele sussurrou, antes de se jogar sobre a ruiva e tentar esquecer toda a dor que Kagome causava em seu coração.
A morena chorava copiosamente no carro, deixando Brad extremamente assustado. Mesmo que a conhecesse por um pouco mais de um ano, ele ainda não tinha presenciado os poucos momentos em que ela não era tão reservada ao redor da equipe e literalmente se debulhava em lágrimas. Ele não sabia o que dizer, pois ele nem mesmo sabia o que tinha causado aquele choro tão sofrido! Em um momento ela parecia eufórica e em outro ela estava ao seu lado, chorando a plenos soluços, parecendo ser dilacerada por dentro!
"Gome... o que foi? Tem certeza que quer ir pra casa? Não quer-"
"Me deixe em casa Brad." Ela o interrompeu, ignorando o olhar preocupado que ele lhe direcionou. Quando o carro parou na frente de seu prédio, Kagome não esperou nenhum segundo e saiu do veículo correndo e entrou no prédio. O mínimo tempo em que o elevador demorou a chegar a sua cobertura foi quase uma eternidade e, quando ela entrou no apartamento que uma Amy chorosa correu até ela, a morena já não sabia mais o que sentir. Aquilo tudo simplesmente era demais. "Amy? Sweetheart? Por que está chorando?" O lado materno da morena fez com que as próprias lágrimas parassem e a preocupação com a criança se tornasse mais forte do que qualquer sofrimento prévio.
"Nós tivemos que por ela de castigo." A Sra. Higurashi respondeu assim que chegou à porta, olhando entre culpada e preocupada quando viu o rosto vermelho e inchado da filha, já sabendo que ela estava chorando antes de chegar ali.
"E por que DIABOS vocês colocaram ela de castigo?" Naquele momento, Kagome estava sobrecarregada. Ela não se lembrou que estava usando uma palavra que não devia na frente de Amy, ela nem se importava por estar gritando com a própria mãe. "Quem vocês pensam que são pra colocar minha filha de castigo? Quem tem que corrigir a Amy sou eu!" Ela continuou seu rampante, nem mesmo deixando que a senhora respondesse sua pergunta anterior e pegou a menina no colo, que já não chorava por manha mas sim por estar assustada. Amy nunca tinha visto a própria mãe explodindo daquele jeito. A pequena já tinha visto a morena em inúmeros estados, mas aquele ainda era uma novidade que lhe assustava tremendamente. Enquanto isso, o Sr. Higurashi chegou até a sala para entender o que era toda aquela comoção e a Sra. Higurashi olhava horrorizada para a filha.
"O que é isso, Kagome? Desde quando você fala assim com sua mãe?" O pai da morena perguntou irritado, não gostando da falta de educação da própria filha. Por mais que ele compreendesse que sua princesinha tinha mudado desde que ela fugira para outro continente, ele não podia deixar que aquilo continuasse daquele jeito. Desde que ela chegara eles haviam sofrido com aquelas mudanças, com a falta de abertura sobre os assuntos que antes ela os contaria com detalhes, com a falta de dependência dela com eles. Ambos sentiam muita falta da filha que ela fora antes daqueles quatro anos, mesmo que soubessem que ela nunca voltaria a ser a garotinha de antes. Ela havia se fechado para o resto do mundo e para eles, principalmente.
"Desde quando vocês estão ultrapassando os meus limites!" Ela rebateu furiosa, fazendo que os dois ficassem estáticos, incapazes de chamar a atenção da morena. Eles nunca tinham visto a própria filha daquele jeito e, naquele momento, por mais que doesse serem tratados daquela maneira, eles sabiam que a culpa não era exatamente deles. Tinha acontecido alguma coisa que passara sobre as fronteiras emocionais que ela tanto criara ao redor de seu coração. "Eu espero que vocês não fiquem aqui por mais tempo, porque esse apartamento NÃO é a casa de vocês!" E com aquele último comentário venenoso, ela carregou Amy nos braços para o próprio quarto, deixando dois adultos dilacerados para trás...
Dois pais em completo sofrimento, ao verem que finalmente sua filha estava em completo fora de alcance, por algo que eles não tinham feito.
Por algo que eles nem sabiam que tinha acontecido.
No próximo capítulo...
'De repente eu me perguntei por que eu voltei.
Mas, depois de toda aquela bagunça na festa ter me deixado por um triz,
eu finalmente percebi a profundidade o que sempre me perguntei:
a vida valeria a pena se eu me arrependesse do que não fiz?'
Kagome Higurashi
Bom, é isso aí. Esse é um dos capítulos que eu já escrevi mais exaustivos emocionalmente falando. Tanto para mim, quanto para os personagens hahahahaha
Eu sei que meus personagens mudam de opinião muito rápido e tudo, mas eu acho que eles são bem reais. As vezes, nós nos deixamos ser guiados pelas emoções e pelo julgamento que temos das situações. O que, algumas vezes, não acaba em algo justo. Sobre a forma como Kagome tratou os pais nesse finalzinho... Eu não escrevo nada sem uma razão. No final das contas, tudo o que a morena passou nos 4 anos de time skip, fez com que ela mudasse muito. Então, cada detalhezinho, por mais bobo que seja, eu escrevo para construir um personagem.
Ok, chega das minhas análises.
Espero que tenham gostado do capítulo! E se quiserem que eu continue, quem passar por aqui e ler mande review! :D
