OMG, esse é o maior capítulo que eu já escrevi na vida! 15.923 palavras!
Bom, vendo as reviews de todo mundo, eu noto como todas têm raiva do Inu (Já era de se esperar, nós mulheres nos defendemos sempre! XD). Eu só queria dizer que por agora NENHUM DOS DOIS está fazendo por merecer para que o relacionamento entre eles exista. Os dois são fracos em suas respectivas maneiras.
Mas o maior problema é, até quando eles vão colocar os próprios problemas acima do fato de que Amy ainda não tem uma figura paterna? Oh well, difícil hm.
Obrigada à nane-chan3, à x- Aline L. -x , à Babb-chan , à Agome chan e à Aricele pelas reviews!
Obrigada também à fenix (Fico feliz que esteja gostando! Espero que goste desse também :D Bjs), à K-Chan (hahahahaha Ah, ele fez errado mesmo, mas calma, quando os dois estiverem lutando de verdade por esse relacionamento você vai torcer de novo por eles XD O Kouga aparecerá em breve, mas tem uma surpresa envolvendo ele bem interessante 8D Espero que goste desse cap também ein, bjs) e à DarkKagome (Fico feliz que tenha gostado! Kouga logo aparecerá, mas com uma surpresa envolvendo ele bem interessante 8D hahahaha Quando os dois estiverem lutando de verdade pelo relacionamento entre eles, você volta a torcer por Inu&Kag, eu acho XD Espero que goste desse cap também ein, bjs) pelas reviews!
MÚSICA DO CAPÍTULO (NO FINAL): Heavily Broken - The Veronicas
VESTIDO E COR - KAGOME (NO FINAL): i476 (ponto) photobucket (ponto) com (barra) albums / rr130 / kagomejuh / EstiloVestidoKag2-ThisLove (ponto) jpg (só tirar os espaços e substituir os símbolos que eu escrevi, porque o link não tava saindo nem com reza braba!)
ESPERO QUE GOSTEM! *-*
This love
Por: Juju ou Juh ou Juliana ou Kagome Juh. Como preferirem :D
'De repente eu me perguntei por que eu voltei.
Mas, depois de toda aquela bagunça na festa ter me deixado por um triz,
eu finalmente percebi a profundidade o que sempre me perguntei:
a vida valeria a pena se eu me arrependesse do que não fiz?'
Kagome Higurashi
Capítulo V.
"O que você quer dizer com isso?" Kagome perguntou com a maior calma possível, tentando manter sua preocupação e seu novo desespero sob controle.
A enfermeira a olhou com compaixão, já tendo concluído a situação em que aquela jovem vivia e conseguindo imaginar como tudo aquilo poderia ser mais um peso em seus ombros. "Infelizmente, por ser um quarto compartilhado com outros pacientes que também estão com o sistema imunológico enfraquecido, quando uma das crianças pega uma gripe não dá tempo nem de isolá-la e todas as outras já estão infectadas. Então, o que eu quero dizer é que a situação da Amy ficou um pouco mais complicada, mas não representa nenhuma fatalidade."
Com aquela resposta um pouco mais completa, a morena passou as mãos ossudas pelo rosto e pelos fios negros, sentindo a exaustão emocional finalmente atacá-la com todas as suas forças. Ela estava trabalhando no hotel, estava ganhando um salário pequeno mas razoavelmente suficiente para manter-se enquanto a filha estava ali, internada; porém, ainda assim, ela não tirava a cabeça do hospital por nenhum segundo. A preocupação e o estresse a acompanhavam de forma ininterrupta, o que demonstrava ser uma verdadeira bomba emocional pronta para ser explodida com a menor faísca. Kagome olhou para o corpinho pequeno de Amy em uma das camas e sentiu a vontade inconfundível de cair aos prantos. Entretanto, naquele momento, ela sabia que tinha que se manter forte. Por mais que sua pequena estivesse debilitada, ela tinha puxado do pai sangue inu-yokai! Amy estaria curada da pequena gripe assim que melhorasse seu estado de desnutrição, a morena tinha certeza disso. "Obrigada por ter me explicado, se não tivesse acho que eu teria um ataque histérico com as informações pela metade." Ela brincou fracamente, ganhando um sorriso da enfermeira. Suspirando profundamente, ela passou uma das mãos pelos cabelos negros de Amy e a beijou na testa, logo se levantando e saindo do hospital. Ela tinha que voltar para o trabalho, pois o horário de almoço já tinha acabado.
Durante o restante daquele turno, ela não parou de cantarolar por um segundo.
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.
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Os pequenos olhos azuis-acinzentados observavam com preocupação a figura largada na cama de solteiro. Em todo aquele tempo, Amy sempre tinha enxergado em Kagome um tipo de Princesa Guerreira, com a graça e a beleza da realeza e a força e a determinação de uma lutadora. Porém, naquele momento, tudo o que a pequena enxergava era uma mulher em pedaços. Ela não entendia bem tudo o que aquilo poderia significar, mas seu pequeno mundinho também estava despedaçado ao ver sua própria mãe, um modelo semelhante à Mulher Maravilha, tão destruída daquela forma. A garotinha não conseguia imaginar o que poderia ter causado tudo aquilo, o que poderia ter derrubado sua mamãe daquela forma, mas uma coisa ela entendia: naquele momento ela tinha que ser forte por Kagome.
"Mom..." Sussurrou, com carinho, enquanto passava a mãozinha pelas bochechas maternas tentando limpar o caminho cristalino que as lágrimas faziam. "Eu 'to aqui, mamãe..." Completou com quietude, observando como os soluços ainda não diminuíram de intensidade.
"Ah Amy!" A morena puxou a pequena para seus braços, deitando-a ao seu lado, colocando a cabeça da garotinha sob seu queixo. "Eu sei, sweetheart, eu sei..." Sussurrou no meio dos cabelos negros da menina, sentindo a ligação existente entre mãe e filha da forma mais intensa do que nunca havia sentido. Ter a pequena em seus braços, saudável, espantava os fantasmas que ainda a perseguiam. "Eu sei que você sempre vai estar do meu lado, meu bem, sempre..."
Algumas lágrimas surgiram nos olhinhos da menina, mas ela as forçou de volta. Ela poderia não saber o que exatamente estava acontecendo, mas ela tinha decidido que seria forte pelas duas e ela seria! "Sempre, sempre mamãe..." Ela respondeu afundando o rostinho no abraço de Kagome, sentindo que aquilo era tudo o que a mulher precisava.
oOo
Já era noite e a porta do quarto continuava fechada. A Sra. Higurashi olhava para a madeira com os olhos repletos de lágrimas, sentindo como se sua filha tivesse finalmente cortado o cordão umbilical. O que poderia ter acontecido para que ela tivesse ficado daquele jeito? Nos poucos instantes que elas se encararam antes que a morena tivesse sua explosão furiosa, a senhora pôde ver um olhar traído e desapontado em Kagome; mas, no fim das contas, ela não tinha mínima idéia do que aquilo significava. A menina já não lhe contava mais nada, já não lhe permitia fuxicar em sua vida e muito menos deixava dicas escaparem. A mãe da garota tinha certeza que se ela ligasse para Sango, Rin ou até mesmo Izayoi, ninguém saberia dizer o que poderia ter acontecido. Porém, por mais preocupada que ela estivesse a Sra. Higurashi não tinha a força necessária para ligar para o único ser que ela sabia que completaria o quebra-cabeça: Inuyasha.
"Elizabeth?" Já fazia tanto tempo que ela não era chamada pelo próprio nome, que ela quase não olhou para o marido quando ele a chamou. Estavam os dois, sentados no chão do corredor, observando incessantemente a porta do quarto de Kagome. "O que nós fizemos de errado?" A pergunta balançou o emocional da Sra. Higurashi mais do que ela imaginou que fosse possível. O que eles haviam feito de errado? Eles haviam errado ao deixar Kagome fugir quatro anos atrás? Eles haviam errado ao não ajudar o hanyou a encontrá-la? Eles haviam errado ao não procurarem por ela eles mesmos?
Balançou a cabeça negativamente, sabendo que de nada adiantaria eles se martirizarem daquela forma. O que estava feito continuaria feito. "Não acho que tenhamos feito algo errado, meu bem..." Ela respondeu, olhando para os olhos escuros do Sr. Higurashi e não se surpreendendo ao ver algumas lágrimas presas em suas profundezas. Mesmo com todas as fugas de Souta do internato e até mesmo a fuga de Kagome para outro continente, aquela era a primeira verdadeira crise familiar que eles sofriam. "No final das contas, nossa menininha tinha que crescer, não é? As vezes eles crescem do jeito mais difícil, as vezes nós sofremos por não podermos ajudar a facilitar o caminho... Mas é a vida, certo?" A pergunta saiu mais incerta do que ela desejava, causando um sorriso choroso no homem ao seu lado.
"Eu queria que ela fosse mais parecida com você do que comigo..." Ele comentou sem humor, descansando a própria testa na testa da esposa. "Mas não, ela puxou meu gênio..." O comentário ganhou uma pequena e fraca risadinha da mulher, que suspirou resignada. Os dois já eram casados há tanto tempo e mesmo assim, ela se admirava com a forma que aquele homem conseguia fazer com que ela se apaixonasse por ele cada vez mais a cada dia que se passava. Mesmo que ele fosse cabeça-dura, teimoso e de caráter forte – características que a filha tinha claramente puxado – ele não deixava de surpreendê-la quando demonstrava seu lado mais doce.
"Talvez seja melhor voltarmos para nossa casa." Ela comentou com calma, recebendo um olhar questionador do marido. "Eu aposto que ela não queria realmente nos expulsar, mas nós já ficamos aqui por tanto tempo... Por esses quatro anos, nós não vivemos nossa vida, meu bem... Talvez realmente seja o momento de voltarmos para ela..." Ele segurou uma de suas mãos com força, apertando-a como forma de encorajamento. Ela não precisava explicar, ele entendia perfeitamente.
"Sim, talvez seja a hora de voltarmos." Concordou, se levantando e a puxando consigo. "Acho que tudo o que ela menos precisa no momento é dois pais extremamente preocupados querendo por tudo o que é sagrado saber o que aconteceu." Ele riu um pouco com o que acabara de dizer. "Ela já provou ser mais do que capaz de viver sem nossa assistência... Bem, sobreviver sem nossa assistência."
Sem dizer mais nada, em uma compreensão muda, os dois caminharam até o quarto de casal em que os dois moraram nos últimos anos. Eles nem mesmo perceberam como a porta do quarto de solteiro se abriu silenciosamente assim que ambos saíram.
Amy saiu do quarto da mãe com cuidado, sem querer chamar a atenção dos avós e nem fazer qualquer barulho que denunciasse para a morena que ela tinha acordado. A pequena sabia que Kagome precisava comer alguma coisa e, do jeito que ela estava embrulhada em cobertas e da forma como ela estava deitada em uma posição fetal, Amy simplesmente sabia que se dependesse de sua mãe ela não comeria tão cedo. Então, com a nova responsabilidade de ser forte pelas duas no momento que sua mãe mais precisava, a garotinha caminhou silenciosamente até a cozinha. Por ser baixinha, ela teve certa dificuldade em colocar tudo o que ela achava gostoso em uma vasilha, mas logo ela caminhou de volta para o quarto com vários muffins, cookies, pães com geléia de morango e um copo de leite. Para ela, que era filha de um hanyou mesmo sem saber, tudo aquilo não era realmente pesado.
Então, com cuidado para não derramar o leite e nem derrubar a vasilha, ela abriu a porta o mais silenciosamente possível. O quarto estava escuro com as cortinas fechadas e com as luzes apagadas, mas de alguma forma a garotinha conseguiu caminhar cambaleante até a cama sem tropeçar em nada. Assim que ela depositou o copo no criado mudo e a vasilha na cama, ela voltou até a porta para fechá-la cuidadosamente. Logo ela ligou a luz do abajur e empurrou carinhosamente o ombro de sua mãe, tentando acordá-la gentilmente. "Mamãe? Lanchinho..."
Kagome gemeu por ter sido acordada, mas rolou na cama para ver o que Amy estava dizendo. Quando avistou os olhinhos da filha brilhando em preocupação e a comida que a pequena havia trazido para o quarto, ela sentiu o coração se apertar em culpa. Elas tinham passado por coisas piores nos Estados Unidos e lá estava Kagome, deixando todo o estresse dos últimos dias a derrubar e causar aquele olhar que nunca deveria ter vindo de Amy, uma criança... Que tipo de mãe ela era? "Oh meu bem, você preparou tudo isso sozinha?" Perguntou com carinho, abrindo um pequeno sorriso para tentar amenizar as pequenas ruguinhas de preocupação no rostinho da menina. Amy sorriu animada, perdendo a careta que fazia previamente ao ver o pequeno sorriso no rosto de sua mãe. Mesmo que os olhos azuis-acinzentados maternos estivessem vermelhos e inchados, o singelo sorriso desenhado nos lábios de Kagome já parecia tirar um enorme peso dos ombrinhos infantis.
"Só o pão com a geléia." A menina respondeu alegremente, ganhando uma pequena risadinha e um bagunçar carinhoso dos cabelos de Kagome.
"Você já é uma moçinha, hmm?" A morena perguntou com um tom de voz brincalhão, recebendo como resposta uma mudança de postura instantânea: Amy ajeitou os ombros, estufou o peito e levantou o pequeno rostinho de forma orgulhosa. Ela riu novamente com as atitudes da criança, sentindo o amor imensurável que sentia por seu bebê simplesmente aumentar. "Me acompanha nesse lanchinho, sweetheart?" A resposta foi imediata e, com um dos enormes muffins na boca, a menina voltou sua atenção para seu pequeno mundo infantil. Kagome sorriu carinhosamente, se alimentando aos poucos, pensando em tudo o que tinha acontecido em tão poucos dias. Mais cedo ela tinha ido para o apartamento de Inuyasha com a crença de que ele finalmente a encarava como algo a mais, de que ele finalmente correspondia aos seus sentimentos... Porém, logo depois do primeiro beijo dos dois depois daquela noite memorável há quatro anos, lá estava Ayame vestindo somente roupas masculinas com divertimento e intimidade. Como se tudo aquilo já não fosse confuso e decepcionante o suficiente, tudo tinha acontecido no dia seguinte à discussão entre eles em que Inuyasha havia descoberto o segredo por trás de sua fuga.
Ele tinha descoberto ser pai.
Uma nova onda de lágrimas veio aos olhos da morena, mas observando a forma descontraída que Amy comia alguns cookies ela as forçou de volta. Kagome não choraria mais, principalmente na frente de sua pequena princesinha. Ela era mais forte do que aquilo, muito mais forte do que aquilo tudo. Ela era um modelo de determinação para a pequena e era a responsável entre as duas. A morena deveria estar cuidando da garotinha e não o inverso!
Limpando com as costas de uma das mãos os traços das lágrimas que ela já havia derramado, ela abriu um enorme sorriso ao ouvir a voz da pequena começar a cantar uma doce canção de ninar.
Foi naquele momento em que a inspiração para uma nova música penetrou a alma da morena, aparecendo quase que completa na mente da mulher.
O quarto estava escuro a não ser pela luz da lua que penetrava pela janela de vidro. Ignorando a bela ruiva dormindo na cama de casal, Inuyasha estava sentado na própria lateral com as mãos no rosto. Ele não sabia como tudo acabara fugindo de controle. Talvez fosse pela raiva e decepção que sentira ao ver Kagome novamente fugir sem deixar que ele tivesse qualquer palavra no assunto, ou talvez fosse a forma como ele se sentira traído ao descobrir que ela havia fugido com um bebê que ele também tinha direitos sobre... O hanyou não sabia o verdadeiro motivo ou se mesmo teria alguma desculpa para o acontecido, mas no momento em que ele voltara para o apartamento com Ayame a sua total disposição, o mundo pareceu desaparecer e tudo o que importava era tirar aquela dor do coração e aqueles pensamentos revoltantes da cabeça.
Uma distração. Tudo o que ele precisava era de uma distração.
Porém, naquele momento, depois de passar horas e horas com a ruiva se distraindo repetidas vezes, Inuyasha se sentia imundo. Ele nunca se sentira mais envergonhado de si mesmo.
Como ele poderia encarar a própria filha depois daquilo? Como ele poderia olhar para a pequena garotinha, uma Kagome em tamanho mirim, e não pensar em como ele tentara esquecer toda a confusão em que sua vida estava metida quando ela era um dos motivos para que tudo aquilo estivesse essa bagunça? Não, ele não conseguiria olhar para Amy e não se sentir desmerecedor de sua atenção e de sua inocência infantil. Ele havia cedido às suas fraquezas muito cedo... O amor de sua vida, sua amiga de infância, havia retornado há poucos dias depois de quatro anos sumida e, depois de pequenas tentativas, ele simplesmente resolvera esquecer. Ele afundou ainda mais o rosto nas mãos, inconformado com o que tinha feito, pois além de tudo ele tinha usado Ayame. Ele não pensava na ruiva da mesma forma que pensava em Kagome, oh não mesmo!
As mãos subiram até os fios prateados e passaram por seu couro cabeludo com frustração, evitando as orelhinhas no topo de sua cabeça. Ele queria que tudo voltasse a ser como era antes da morena fugir, ele queria ter mais uma chance de ter percebido os próprios sentimentos sem ter que perdê-la no meio do caminho.
Inuyasha se levantou da cama e caminhou para fora do quarto, o mesmo quarto que ele havia partilhado com Kagome a melhor noite de sua vida, o mesmo quarto que agora ele usava para se distrair com Ayame. Tudo estava tão errado! Ele chegou até a sala, vendo as roupas que tinha emprestado para a ruiva jogadas displicentemente ao lado do sofá e em cima da mesinha de centro, e grunhiu com culpa do que tudo aquilo representava. Ele tentou se colocar no lugar de Kagome, tentou se lembrar exatamente das próprias palavras na noite anterior, da forma como seu próprio transtorno poderia ter sido interpretado, da conclusão a que ela tinha chegado ao beijá-lo mais cedo, do que ela poderia pensar ao ver Ayame depois do beijo... Ele tentou imaginar o que ela sentira quando, depois de tanto fugir, teve que suportar a forma como ele finalmente tinha descoberto a verdade, confrontando-a em um turbilhão de emoções. Ele tentou, tentou com todas as forças, mas ainda assim sentia que nunca conseguiria compreender a morena, pois ele mesmo tinha uma história de sofrimento por todo aquele tempo e, no fundo, o hanyou sabia até que teria dificuldades de perdoar a cantora por ter escondido a criança, a filha dele, e ter lhe tirado a chance de viver inúmeras experiências. Por mais que todos tivessem tomado o lado da morena, ele também tinha passado por momentos miseráveis durante o tempo em que ela esteve sumida.
Oh, ele se sentia tão confuso!
O hanyou tirou as roupas da mesinha de centro e do sofá, jogando-as a um canto da sala, e puxou o notebook para o colo ao mesmo tempo em que o abria. O contrato que ele trabalhava antes da ruiva chegar estava ali, com todas as informações que Kaede tinha mandado e as que ele já tinha, esperando ser terminado. Faltava tão pouco para estar pronto, que entre tirar a mente daquele turbilhão de pensamentos e fazer algo que fosse tirar o pai e o Sesshoumaru do seu pé, Inuyasha totalmente preferiu o último.
Kagome sorriu carinhosamente ao dar uma olhada para trás e ver o corpinho da filha encolhido no meio das cobertas da cama, a criança evidentemente dormindo. A morena voltou a olhar para a folha a sua frente, rabiscando algumas palavras que não rimavam o quanto ela queria e escrevendo outras para substituir. Quando ela passou os olhos pelo início da letra, ela murmurou o que ela planejava ser o ritmo instrumental da música.
Ela estava satisfeita.
Antes de ir para os Estados Unidos ela não era tão conectada com esse seu lado artístico, mas assim que Jack a ouviu cantando, enquanto limpava um dos quartos do hotel em que ela trabalhara enquanto Amy esteve no hospital, tudo pareceu dar uma volta de cento e oitenta graus. De repente, ela estava imersa em um mundo completamente diferente e se vendo capaz de escrever suas próprias letras musicais. Mesmo que seu primeiro álbum, aquele que ela estava promovendo em sua turnê, fosse composto por letras quase completamente escritas por outras pessoas (com uma pequena ajuda dela, dando idéias), ela vinha treinando aquele tipo de atividade com fervor. Kagome se sentia bem ao fazer suas anotações e transformá-las em uma obra repleta de emoções, era um tipo de terapia que ela nunca pensou que realmente funcionasse. Então, naquele momento súbito de inspiração, tirando idéias do dia louco que ela vivera e do sentimento, da vontade intensa de fugir de todos os seus problemas, ela criou uma nova música. Com a ajuda da banda o ritmo em sua mente se tornaria realidade e, por mais que a letra não fosse exatamente uma piada, a música seria animada suficiente para seu gosto.
A morena suspirou em contentamento, observando como as palavras escritas no papel formavam imagens em sua cabeça, e pegou o próprio iPhone para mandar uma mensagem para Jack. No dia seguinte ela queria apresentar aquela letra para a banda, explicar o melhor que conseguisse o que ela esperava como parte instrumental para, então, ter até o dia do show uma música inédita para apresentar aos fãs de Tóquio.
Depois de mandar o recado para sua produtora e empresária, ela se deitou perto do corpinho da filha, caindo no sono facilmente.
Inuyasha suspirou, relendo pela milésima vez a última tabela das informações que Kaede tinha mandado, tentando analisar aqueles dados com a melhor precisão do mundo. Ele tinha que deixar evidente para Bankotsu, quando o homem lesse aquele contrato, que ele tinha tudo para ganhar caso aceitasse a parceria que os Taisho estavam lhe propondo. Achando algo que lhe chamou a atenção, o hanyou voltou para o texto que construía e adicionou mais uma cláusula, sorrindo abertamente quando sentiu que tinha terminado seu trabalho. Ah, o líder das empresas Shichintai não veria alternativa a não ser se unir às empresas Taisho!
Porém, a alegria não durou muito tempo. Logo que terminou o que tinha que fazer, que mandou o contrato para o email do pai e de Sesshomaru e que desligou o notebook, tudo o que ele tentara esquecer novamente voltou para sua mente imediatamente. A confusão de sentimentos, a vergonha, o cansaço que toda a situação gerava, tudo voltou com força total, fazendo com que ele novamente colocasse o rosto nas mãos. Ele estava exasperado. Ao mesmo tempo em que ele se sentia a vítima em toda aquela situação, ele pensava em todas as vezes que ele tinha errado com Kagome.
Suspirou, sentindo a exaustão emocional daquele dia finalmente atingi-lo e, ao invés de ir para o quarto dormir ao lado de Ayame, ele se acomodou no sofá.
oOo
Quando as duas saíram do quarto na manhã seguinte, elas se depararam com malas na sala de TV e com uma cozinha com café da manhã completo, ao melhor estilo americano possível. Kagome sentiu um aperto no coração ao se lembrar da discussão que tivera com os pais no dia anterior, sentindo-se mal pelas coisas que tinha dito, e assim que avistou a mãe sentada à mesa tomando suco, ela largou a mãozinha de Amy e foi até Sra. Higurashi, ajoelhando-se ao lado de sua cadeira.
"Mãe, me desculpe por ontem, eu não quis realmente dizer aquelas coisas..." O olhar compreensivo que sua mãe lhe direcionava não diminuía em nada a culpa que sentia. "Eu estava meio estressada com os últimos dias e acabei descontando em vocês, me desculpe."
A Sra. Higurashi sorriu, passando uma das mãos nos cabelos negros de Kagome, e trocou um olhar significativo com o marido. "Meu bem, nós sabemos que você não quis dizer nada daquilo, não se preocupe." A resposta para aquilo foi um abraço de urso da morena. Amy se sentou em uma das cadeiras depois de dar 'bom dia' para o Sr. Higurashi e começou a comer avidamente. "Porém..." Ao som daquela pequena palavrinha, Kagome se afastou da mãe o suficiente para encarar os olhos azuis-acinzentados semelhantes aos seus. "Nós vamos embora porque queremos. Seu pai e eu decidimos voltar a nossa rotina, nossa vida na casa de campo."
"Mas-"
"Sem 'mas', Kagome. Provavelmente seu irmão já deve estar planejando outra fuga pra vir te visitar, então nós dois sabemos que você não vai estar sozinha. Por mais que gostemos de passar o dia com Amy, nós temos nossa própria vida pra viver." A senhora a interrompeu, impedindo que a filha protestasse aquela decisão. Além de tudo aquilo, os pais da morena sabiam que Kagome precisava de seu próprio espaço. Tudo o que possa ter acontecido a ela enquanto esteve fora havia forçado que a garota amadurecesse rapidamente e, a partir daquele momento, eles deveriam respeitar sua independência. Eles não gostavam da situação, eles não estavam felizes com o pensamento de que ela poderia ter passado por situações pesadas, mas ainda assim eles entendiam que aquele era o melhor caminho para que não a perdessem de vez.
Kagome suspirou resignada, vendo o quão determinada sua mãe estava. Ela olhou para o pai, vendo aquela mesma decisão em seus olhos escuros, e abraçou a Sra. Higurashi novamente. "Tudo bem, até porque não tem nada que eu possa dizer que vai mudar isso, não é?" Ela perguntou com um pequeno sorriso de lado, se afastando da mãe novamente e se sentando em uma cadeira vazia. Os pais sorriram abertamente e, juntos, responderam aquela pequena pergunta quase retórica.
"Exatamente."
O silêncio no apartamento foi quebrado bruscamente com o toque estridente do telefone. Inuyasha acordou em um pulo e caiu do sofá no processo, acertando dolorosamente o rosto no chão. A mudança inesperada nos níveis sonoros, incluindo o toque do telefone e os xingamentos quase gritados aos quatro ventos pelo hanyou, fez com que no quarto a beldade ruiva acabasse acordando também.
"Que diabos!" Inuyasha atendeu o aparelho, não se preocupando com o que a pessoa do outro lado da linha poderia pensar. Pelo momento breve em que ele olhara o relógio em seu pulso, ele notara o quão cedo ainda era e, sem se importar, ele fazia questão de demonstrar isso para quem estivesse o importunando.
Enquanto isso, longe dali, uma velha senhora abria um enorme sorriso satisfeito ao mesmo tempo em que se preparava para dar as notícias ao pivete mal criado. Kaede estava sentada na sua mesa de secretária, alegremente olhando os últimos detalhes para o que iria ser sua vingança pelas palavras de Inuyasha no dia anterior. "Bom dia, Inuyasha. Espero não ter te acordado."
Velha maldita, dá até pra ouvir a satisfação e a falsidade nesse comentário... O hanyou mordeu a própria língua para que não piorasse a própria situação. Naquele momento ele entendeu que pagaria pela brincadeira que havia feito com a velha no dia anterior. "Não, imagina. Nesse horário tudo o que eu fazia era não dormir."
"Fico feliz." Ele não duvidava nada disso. "Bem, estou ligando para avisar que seu pai recebeu o contrato e que ficou satisfeito com seu trabalho-"
"Tsc, isso eu já imaginava." Inuyasha a interrompeu com arrogância, sorrindo de lado. Normalmente ele não usava esse lado de sua personalidade, mas com Kaede era simplesmente inevitável. Os dois não conseguiam não se importunar em qualquer situação e, para esse objetivo, ele estava preparado a ser o cara mais mimado do mundo se fosse preciso. Enquanto isso, do outro lado da linha a secretária virava os olhos de forma não educada, respirando fundo para não acrescentar palavras coloridas à conversa.
"E, além disso, ele gostaria de saber se você levará alguma acompanhante para o encontro de hoje." Depois daquelas palavras, o hanyou ficou quieto por vários segundos sem saber o que dizer. Encontro? Haveria um tipo de jantar de negócios naquela noite e só se importavam de avisá-lo naquele momento?
Ah, sim. Ele entendeu perfeitamente o plano diabólico de Kaede naquele instante.
"Sua... Sua..." Ele passou as mãos pelos cabelos prateados, frustrado.
"Muito cuidado, Inuyasha, ou eu posso piorar a situação para você." Kaede riu baixinho, fazendo com que o hanyou do outro lado da linha grunhisse irritado. Os dois não se suportavam, era visível.
"Argh, velha amargurada..." Ele suspirou para si mesmo, olhando para o teto da sala e nem notando a presença seminua de Ayame atrás do sofá, vestindo somente uma de suas camisas. "Se eu tenho uma acompanhante?"
"Tem sim." A voz feminina respondeu aquela pergunta sem titubear, fazendo com que o hanyou desse outro pulo de susto. Ele olhou para a ruiva, sentindo o estômago afundar quando relembrou todos os pensamentos que o assolavam como uma verdadeira praga. Se ele a levasse ele se afundaria ainda mais naquela situação, porém como dizer na cara dura que ele não queria levá-la? Ainda mais quando ela o encarava com aqueles olhos verdes que mal continham sua alegria e com um sorriso de orelha a orelha nos lábios rosados. Novamente Inuyasha se via em uma posição desconfortável.
Novamente ele não tinha forças para lutar contra o status quo.
"E quem é essa?" Ele foi acordado de seu pequeno devaneio pela voz curiosa de Kaede. Ele quase conseguia prever a reação de seu pai quando ele ouvisse o que ele estava contando para a secretária naquele exato momento.
"É a Ayame, acho que você se lembra dela." ... Se sua idade ainda não tiver afetado sua memória. Ele completou em pensamento, não querendo nem imaginar o que aquela senhora poderia fazer com ele se ele tivesse dito aquilo em voz alta.
"Ah sim, a pequena Ayame." Ela se lembrava perfeitamente da garota. Izayoi não gostava da ruiva nem um pouco e, notando que aquilo provavelmente daria dor de cabeças para o hanyou, Kaede decidiu avisar à mulher de seu chefe sobre aquela pequena informação. "Certo, avisarei ao seu pai. Esteja na mansão as oito. Não chegue atrasado, Inuyasha." Sem esperar que ele respondesse, Kaede desligou o próprio telefone e quase imediatamente ela ligou para Izayoi. Ah, o que ela não faria para poder escutar o que a mulher diria para o hanyou quando soubesse.
Inuyasha depositou o aparelho na base com um suspiro. Aquela situação estava ficando cada vez pior. A confusão entre Kagome e Amy (não de sentimentos, porque ele sabia perfeitamente bem de seu amor pela morena) continuava em sua mente, vívida e intensa; e para completar aquela bagunça, ele levaria Ayame para um encontro de negócios em que seus pais estariam presentes, o que demonstrava ser a fórmula perfeita para o desastre uma vez que nenhum dos dois tinha carinho pela ruiva. O hanyou nunca entendera a birra de praticamente todos contra a mulher.
"A que horas tenho que estar pronta?" Ayame perguntou alegremente, fingindo não notar como Inuyasha se recolhera quando sua voz reverberou pelo apartamento. Ela sabia que ele não a amava, ela tinha plena consciência dos sentimentos do hanyou. Ela entendia que o dia anterior tinha sido um efeito colateral da nova fuga de Kagome, mas ela tentava não se importar. Quando ela voltara para Tóquio, mesmo sem saber a situação em que aqueles dois se encontravam, ela já sabia que teria uma luta intensa pela frente para ganhar o coração de Inuyasha. Quando ela admitira para a morena suas intenções, de lutar por ele caso ela não o fizesse, ela sabia que teria um caminho tortuoso pela frente. Porém, Ayame estava disposta a alcançar seu objetivo. Ela tinha seus motivos, talvez não tão corretos, mas aquilo não diminuía sua resolução. Por isso, ao invés de se afligir pela careta que o hanyou fazia por ter que levá-la consigo para o que quer que fosse ela simplesmente o ignorou e manteve o melhor sorriso em seus lábios. Ela estava decidida a conquistá-lo e ela sabia ser capaz de fazê-lo. Inuyasha nem saberia o que o atingiu.
"Te pego às sete e meia, ok?" Ele tentou manter uma postura indiferente quando a respondeu, porém diante de tantos pensamentos confusos e da vergonha que sentia pelo fato de ter se deitado com a ruiva antes de realmente lutar pela mulher que ele sabia amar, o hanyou não conseguiu encará-la nos olhos. Ele nem mesmo conseguia olhar para a ruiva, dando a entender que o tapete aos seus pés lhe era muito mais apelativo.
Ayame fingiu não notar como ele mexia as mãos nervosamente e como os orbes dourados pulavam de móvel em móvel e nunca chegavam perto do local em que ela estava parada. "Ok. Bom, é melhor eu ir, tenho que procurar um vestido, um cabeleireiro, essas coisas..." Ela comentou alegremente, colocando a mão no queixo masculino e forçando-o a encará-la, dando um selinho nos lábios do hanyou e voltando para o quarto de casal com seu vestido em mãos, antes mesmo que ele fosse capaz de expressar qualquer reação.
Inuyasha passou as mãos pelo rosto, um hábito que denunciava seu cansaço. Ele fechou os olhos e respirou fundo.
Pelo menos Kagome não estaria no jantar.
"Claro, Tia Izayoi! Sem problemas." Kagome respondeu alegre ao telefone, enquanto observava os pais conversando com Amy na sala de TV. Eles já tinham terminado o café e estavam se preparando para ir embora, dando as despedidas finais para as duas. "Mas tia, tem certeza que vocês só precisam de uma música? Vocês já têm alguma outra banda para tocar músicas ambiente ou algo assim?" Ela sorriu ao ver sua pequena pular nos braços do Sr. Higurashi com avidez. Em tão poucos dias, aqueles dois haviam criado uma ligação muito bonita. "Ah, ok, então eu aviso o pessoal da banda e nós nos apresentamos mais pro final do encontro... Qual o nome desse empresário que vocês querem se associar?... Ah sim, Bankotsu das empresas Shichintai. Ok então tia, eu estarei lá, beijos." Ela desligou o aparelho e foi até seus pais, que já a esperavam pacientemente. "Eu ainda não acredito que estão indo embora... É como se eu não tivesse aproveitado vocês nem um pouco!"
A risadinha da Sra. Higurashi fez com que a reclamação de Kagome ganhasse uma carga de carinho ainda maior. As duas se abraçaram fortemente, ambas fechando seus olhos para sentirem a presença uma da outra. "Você sabe que não precisa mais fugir, não é meu bem?" O sussurro da mãe fez com que as lágrimas que até aquele momento ainda não tinham aparecido, viessem com força total. Kagome engoliu um soluço, não querendo demonstrar o quão frágil ela estava de verdade. "Você se tornou uma mulher incrível, uma mãe espetacular... Você não precisa mais fugir de seus problemas, minha querida, você tem a força para enfrentá-los." A senhora a afastou lentamente, observando os olhos apertados da filha e passando os polegares pelas trilhas das poucas lágrimas que a morena não conseguia evitar derramar. Por mais que sua garota tentasse esconder, ela sabia que a menina estava despedaçada por dentro. A loira sorriu carinhosamente, puxando a filha para mais um abraço. Os pais sempre sabem o que os filhos tentam esconder. "Qualquer coisa venha nos visitar, ok? E caso decida que seu lugar já não é mais o Japão, nos dê seu verdadeiro endereço e seu número de celular e telefone. Não quero perder minha filha nunca mais."
Com aquelas palavras, a morena não conseguiu abafar os pequenos soluços. Ouviu Amy perguntar para o Sr. Higurashi o que estava acontecendo, mas não conseguiu se forçar a não chorar naquele momento. Ela esteve quatro anos longe de tudo, mas naquele instante os braços de sua mãe lhe sustentavam e lhe consolavam de uma forma que ela pensara que nunca se repetiria. Ela apertou o corpo da senhora com o próprio, logo sentindo um par de braços fortes rodeando as duas. Seus pais a abraçaram com tanto amor e saudades que ela deu uma risadinha de felicidade.
Ela não os tinha afastado de forma definitiva. Suas palavras da noite anterior não os tinham machucado tão profundamente... Os pais não estavam magoados.
"Bom, é melhor nós irmos. Quero chegar a tempo de visitar alguns de nossos vizinhos!" A Sra. Higurashi comentou com a voz embargada, se afastando do abraço familiar que compartilharam naquele momento. Kagome riu, limpando as próprias lágrimas com as costas das mãos, e puxando Amy para perto de suas pernas. A garotinha olhava para cada adulto buscando neles o motivo para as lágrimas da morena; porém, ao ver que os três sorriam, ela abriu um enorme sorriso. Não precisava se preocupar, aquelas lágrimas eram de felicidade!
"Já não sei mais se quero ir." Sr. Higurashi implicou, ganhando um pequeno beliscão da esposa e um abraço da filha, que ria gostosamente.
"Quando eu for voltar para a América eu posso levá-los comigo, por um tempinho que seja." Ela comentou com os dois, ganhando olhares hesitantes. "Vocês precisam ver onde estou morando! E a escola que pretendo deixar Amy ir!" A menina insistiu, vendo como as expressões preocupadas dos pais lentamente se transformaram em alívio e alegria.
Ela não estava os tirando de sua vida.
"Nós podemos combinar." Sr. Higurashi concordou, dando um pequeno beijo na testa de Kagome e indo até a porta do apartamento. "Até mais, minhas garotinhas." Ele se despediu com um sorriso, olhando para Amy e para a própria filha. Guardaria em sua mente para os próximos meses a imagem das duas ali, em pé e de mãos dadas. "Vamos, Lizzie." Chamou pela Sra. Higurashi e foi até o elevador, já naquele andar, com as últimas malas em mãos já que a maioria delas já tinha sido levada pelo porteiro. A Sra. Higurashi olhou uma última vez para as duas e logo o seguiu, fechando a porta assim que saiu.
Kagome suspirou e olhou para Amy, sorrindo com carinho. "E então, Sweetheart, o que acha de ir ver Jack e o pessoal?"
Inuyasha continuou deitado no sofá mesmo após a saída de Ayame. Ele não estava tão ansioso para ir até seu quarto novamente, não enquanto sua mente ainda estivesse uma verdadeira bagunça e a simples memória do que fizera com a ruiva no dia anterior viesse a lhe causar vergonha. Ele suspirou profundamente, sem saber o que fazer. Ele ainda estava magoado com Kagome por ter escondido a existência de Amy, além do fato de que ela nunca permitia que ele tivesse alguma voz em suas decisões. O hanyou ainda se sentia traído com toda a situação, por mais que entendesse os motivos da morena. Colocou uma das mãos sobre o rosto, demonstrando sua exaustão, e fechou os olhos com cansaço. Aparentemente sua vida tinha se transformado em um verdadeiro drama hollywoodiano e, se ele não fizesse nada para mudar aquilo, continuaria piorando a cada minuto.
Seus pensamentos foram interrompidos pela campainha e, preguiçosamente, ele se levantou do sofá e caminhou até a porta. Quando a abriu, levou um enorme susto ao ver o Senhor e a Sra. Higurashi, ambos com uma face calma e compreensiva. Diante de tudo o que tinha acontecido nas últimas vinte e quatro horas, o hanyou não se sentia digno da presença dos pais de Kagome. "Olá, Inuyasha, como vai?" Sra. Higurashi perguntou simpática, sorrindo carinhosamente. Ele nunca entenderia porque aqueles dois não o odiavam. Tinham certa mágoa, sim, mas não o odiavam.
"O-oi, Sra. Higurashi..." Ele gaguejou, fazendo com que o pai da morena risse um pouco. "Querem entrar? Aceitam alguma coisa para beber?" Perguntou rapidamente, dando espaço para que os dois pudessem entrar. Porém, para sua nova surpresa, eles não aceitaram o convite.
"Na verdade, Inuyasha, nós só viemos te entregar algo." Sr. Higurashi comentou enquanto a mulher estendia um CD para o hanyou, que o pegou hesitante. "Achamos que seria interessante você ouvir todas as músicas... Talvez isso te ajude." E então, com aquelas palavras e sem nem mesmo esperarem pela reação de Inuyasha, eles voltaram para o elevador. Acenaram em despedida enquanto as portas metálicas se fecharam.
Lentamente, mal entendendo o que tudo aquilo significava, Inuyasha olhou para o CD em sua mão. Na capa, uma foto muito bonita de rosto de Kagome, com a pele branca lisa e aveludada, os olhos azuis-acinzentados em destaque e os fios negros esvoaçantes ao seu redor. O nome daquele álbum, 'Day after day', estava escrito de branco nos lábios vermelhos da garota, dando à figura melancólica um ar mais sensual. Ele respirou fundo, não conseguindo pensar em nada além de que ela estava linda, linda demais... Então, ele virou o objeto em suas mãos e observou a lista de músicas:
1 – Day After Day (Millenium)
2 – What The Hell (Avril Lavigne)
3 – The Story of Us (Taylor Swift)
4 – Red (Taylor Swift)
5 – Let Me Down (Kelly Clarkson)
6 – Keep Forgetting (To Forget About You) (Jojo)
7 – Baby It's You (Jojo)
8 – In Another Life (The Veronicas)
9 – I'm With You (Avril Lavigne)
10 – Heavily Broken (The Veronicas)
11 – Everything I'm Not (The Veronicas)
12 – Take Me Away (Avril Lavigne)
13 – My Happy Ending (Avril Lavigne)
14 – Never Grow Up (Taylor Swift)
Inuyasha leu todos os títulos e se lembrou da primeira música do álbum, a mesma que havia tocado na boate quando eles dançaram juntos. Ele engoliu em seco, sem saber o que fazer. Por um lado o hanyou estava curioso e queria saber o que exatamente a morena cantava; porém, pelo outro ele não queria nem mesmo ter o CD em mãos.
Ele fechou a porta lentamente, voltando para a sala e deixando o objeto sobre a mesinha de centro. Ele não tinha tempo para ouvir todas aquelas músicas naquele momento, ele ainda tinha que resolver inúmeras coisas para o encontro de negócios que teria na mansão de seus pais naquela noite.
Então, dando uma última olhada para os olhos de Kagome na capa do CD, ele voltou para o próprio quarto com a cabeça baixa.
Inuyasha não sabia o que fazer.
oOo
"Então me diga, Jack, o que você descobriu sobre o tal Bankotsu?" Kagome perguntou enquanto estava sentada na cadeira de maquiagem, esperando a maquiadora da equipe decidir o que faria para dar ao look a plenitude que a morena desejava. Ouvindo aquela pergunta, a produtora pegou o próprio iPad das mãozinhas curiosas de Amy e colocou na aba já aberta do Safari. Com um sorriso travesso, a mulher mostrou uma foto para Kagome.
"Primeiramente, descobri que ele é uma beldade..." A cantora não poderia concordar mais! Kagome observou os traços delineados do rosto masculino que davam sensualidade à masculinidade daquele homem, os olhos escuros de profundidade misteriosa e ar charmoso, o sorriso de lado arrogante e a pequena tatuagem em sua testa - se fosse qualquer outra pessoa, aquele desenho teria ficado estranho; mas Kagome percebeu, com atração, que naquele homem aquilo o tornava único. Os cabelos negros estavam presos em uma trança bem feita, fazendo-a se perguntar como nunca soubera da existência de tal empresário. "E, como já é de esperar de um cara que tem essa cara deslavada de..." Jack olhou para Amy, notando como a pequena não estava prestando tanta atenção na conversa e continuou o que queria dizer, "... gostoso, ele é um playboy admitido. Repetindo suas próprias palavras: 'Adoro mulheres! Acredito que são os seres mais fascinantes e atraentes que existem.'" Kagome riu levemente, deitando a cabeça para que a maquiadora pudesse passar os produtos iniciais. "Logo, se você realmente quer ajudar essas pessoas, você poderia usar de seu poder feminino... Quem sabe."
Aquilo fez com que a morena soltasse uma gargalhada ao ver como a produtora mexeu as sobrancelhas sugestivamente. "Ai, Jack, você sabe que eu não sou do tipo femme fatale!"
"Isso é o que você acha!" Discordou, olhando novamente para o iPad e colocando em outra aba. "Na pesquisa que eu fiz não tinha nenhuma notícia de mulheres insatisfeitas... Ou ele pode ter manipulado o que poderia ser publicado ao seu respeito, sabe, contratos com as mulheres ou com a própria mídia, ou ele é realmente muito bom..." Aquele comentário fez com que Kagome corasse intensamente. Ela estava mais velha, mais amadurecida e mais responsável, mas ainda tinha certo pudor quando o assunto era sexo. Mesmo que já fosse mãe e mesmo que as memórias de sua primeira e única vez fossem enlouquecedoras, ela não conseguia se soltar em uma conversa sobre aquilo. Respirou fundo, fechando os olhos quando a maquiadora lhe pediu, e começou a puxar a barra da blusa que vestia de forma ansiosa.
Desde o momento em que ela e Amy foram para o local do show para o ensaio, elas não pararam quietas por um segundo. Enquanto Kagome ensaiava incansavelmente durante todo o dia a pequena tinha brincado com o restante da equipe. A morena achava incrível como sua princesinha cativava as pessoas com tanta facilidade e rapidez. Então, ao anoitecer, Jack, Amy, ela mesma e a equipe que cuidava de sua aparência em eventos foram para o apartamento, para que ela se arrumasse para o encontro de negócios dos Taisho.
Pensando naquele evento novamente, a morena não pôde evitar perguntar mais uma vez, "Tem certeza que não tem problema você olhar a Amy?" para Jack, que revirou os olhos com toda aquela preocupação.
"Eu já te disse mais de mil vezes, Gome, não tem problema algum. Nós já fazemos isso a um tempinho, não é baixinha?" A mulher perguntou com diversão para Amy, que ao ter ouvido a menção de seu nome voltou-se para a conversa das duas adultas. A menina sorriu abertamente e acenou com a cabeça em concordância. "Viu? E ela me adora, olha aquele sorriso na carinha dela..." Jack continuou, pegando as duas bochechas da menina e apertando-as com carinho, fazendo com que Amy risse gostosamente.
Kagome suspirou, convencida, e tentou acalmar seus nervos maternos. Depois de tudo o que tinha passado, por mais que confiasse em seus pais e em Jack para cuidar de Amy, ela ainda sentia um medo extremamente irracional de não ter sua filha perto de si. Se bateu mentalmente. Ela tinha que aprender a controlar aqueles tipos de pensamentos, até porque ela não estaria ao lado de Amy vinte e quatro horas por dia durante a semana. Quando a menininha começasse a ir para a escola, aquilo seria ainda mais impossível!
O tempo passou rápido e enquanto ela terminava a maquiagem Jack disputava com Amy em um dos joguinhos do iPad, o que preenchia o silêncio do cômodo em que estavam pelas risadas da garotinha e as provocações da mais velha.
"Prontinho Gome, agora é só arrumar seu cabelo e vestir o vestido e estará pronta para a-rra-sar." A maquiadora sorriu animada, observando a obra de arte que ela havia criado. Kagome ainda não estava acostumada com a forma como toda a equipe a chamava, mas ainda assim sorriu agradecida para a mulher. A morena se olhou em um dos espelhinhos, verificando o resultado final, e quase deixou que seu queixo fosse parar no chão.
Ela estava linda.
A pele não tinha nenhum defeito e seu rosto parecia mais fino, com partes mais claras em pontos estratégicos. Os lábios estavam cobertos por um batom vermelho, que os valorizava a os aumentava; nos olhos, cílios postiços medianos, lápis preto na parte interior dos olhos, uma fina linha de delineador estilo gatinha e com sombra preta esfumaçada, não deixando o olhar da morena carregado demais mas marcante ao mesmo tempo.
No espelho, Kagome via a forma como seus melhores ângulos estavam realçados e como seus olhos pareciam brilhar fortemente em contraste com o negro de seu cabelo, o vermelho de seus lábios e ao claro de sua pele.
Aquilo a lembrava da foto que usaram de capa do CD, porém seu cabelo seria ajeitado em um coque elegantemente desleixado, diferentemente do cabelo esvoaçante do objeto.
"Ficou ótima, de verdade." Ela sussurrou satisfeita, encarando a mulher com agrado.
"Minha vez!" Outra avisou, pegando uma chapa e vários grampos de cabelo, já puxando Kagome para outra cadeira.
"Você pegou o meu vestido, Jack?" A morena perguntou hesitante, não querendo nem pensar na possibilidade de que ela não o tivesse feito.
Mas ela já deveria ter aprendido a não duvidar da produtora.
"É claro que peguei, assim que você me ligou eu já busquei." A resposta foi imediata. "Eu, humildemente, acho que você vai ir pra matar hoje, Gome... Então, aproxime-se do tal Bankotsu com graça, ok?" A piscadela sugestiva fez com que Kagome risse levemente. Então, depois de meia hora, ela estava pronta. O vestido da estilista Maria Lucia Hohan era longo e de frente única, de um azul do céu ao por do sol, de um tecido repleto de fluidez e de leveza, com um forro bege que causava um efeito cascata quando ela se movimentava. Ela rodopiou na frente de um espelho de corpo inteiro, analisando o resultado e sorrindo satisfeita com o que via.
Ela caminhou até uma pequena caixinha onde suas novas jóias estavam, e pegou um par de brincos de brilhantes e uma pequena pulseira de mesmo material.
Estava pronta.
oOo
Kagome chegou com pontualidade até mesmo achando que fosse uma das primeiras a estar ali, mas ela se surpreendeu com a onda de jornalistas no portão da enorme e luxuosa mansão dos Taisho e com a quantidade numerosa de carros estacionados nos jardins de entrada. De dentro da mesma Mercedes que Brad tinha usado para buscá-la no dia anterior, com os vidros escuros, ninguém conseguiu reconhecê-la. Ela respirou fundo, intensamente agradecida pela existência de tal artifício, e pegou a pequena bolsa de mão Chanel prateada. Assim que Nate abriu a porta do carro, ela saiu do veículo da forma mais elegante possível, exibindo o par de Peep Toes negros Jimmy Choo que ela usava. Ao longe ela ouviu o rebuliço dos fotógrafos, mas os ignorou. Agradeceu com um aceno a gentileza do guarda-costas e subiu os pequenos degraus da entrada de um local que ela já não visitava há muito tempo.
Quando a morena entrou na mansão, logo ela foi atacada pela sonoridade de vários núcleos de conversa diferentes e pela visão de pelo menos trezentas pessoas no salão de entrada. Ela sorriu, recatada, e começou a caminhar até o local em que ela havia avistado Izayoi, ignorando os inúmeros olhares que ela recebia – incluindo algumas viradas de pescoço. Quando alcançara a senhora, mantendo-se tão atenta por onde caminhava para que não trombasse em muitas pessoas, ela finalmente percebeu a música de fundo tocada por uma pequena orquestra, ficando admirada com aquele arranjo. Depois de tanto tempo sem participar desse tipo de evento, Kagome estava deslumbrada com a decoração e com os detalhes tão bem criados pela matriarca dos Taisho.
"Kagome! Meu Deus, como está linda!" Izayoi a cumprimentou com um enorme sorriso no rosto, abraçando-a fortemente. Aquela menina tinha lhe dado tantos fios brancos de cabelo que vê-la ali, tão bem, fazia com que o coração da senhora ficasse mais alegre. "Eu fico tão feliz em ver você!" Ela completou, afastando a morena o suficiente para encará-la. Kagome também observou como a mãe de Inuyasha estava elegante, com um vestido longo preto de renda indo até o pescoço e com um pequeno decote nas costas, valorizando o corpo enxuto da mulher. Os longos cabelos escuros estavam presos em um coque clássico e a maquiagem era bem leve, valorizando o rosto feminino que ainda não era repleto por rugas.
"E eu fico feliz de estar aqui." Kagome respondeu alegremente, recebendo outro abraço da mulher. "Eu reconheço que não sei o meu papel aqui essa noite, mas eu não podia negar um convite seu, Tia Izayoi!" Completou, ganhando uma risada como resposta.
"Ah, minha querida, eu acredito que você descobrirá seu papel rapidamente..." Izayoi comentou, enigmática, apertando levemente os ombros da morena de forma reconfortante. "Bom, acredito que você não vê Inu Taisho há tanto tempo, não é? Vamos até ele, porque ele está muito ansioso para rever você." Sem esperar qualquer reação, a mulher puxou Kagome por uma de suas mãos na direção contrária a que a morena tinha vindo e, mais rápido do que ela imaginava, elas chegaram até o homem de porte altivo, com os mesmos cabelos prateados de Inuyasha e Sesshoumaru, vestindo um belo terno negro com fracas linhas verticais de giz, uma camisa azul clara e uma gravata vermelha, dando um belo contraste com seus olhos dourados. "Inu, meu bem, olha só quem chegou!" Izayoi o chamou animada, praticamente ignorando o outro homem que conversava com seu marido; algo que Kagome definitivamente não fez, pois lá estava ele, em toda sua sensualidade e arrogância, o homem que a morena prometeu a si mesma que flertaria para tentar ajudar os Taisho em seus negócios: Bankotsu.
Os dois se encararam como se houvesse ímãs em seus olhos que os conectasse, cada um medindo os atrativos físicos do outro em uma secada rápida.
Pela primeira vez desde que se entregara para Inuyasha, a morena sentiu um formigamento em seu ventre impossível de se ignorar.
"Kagome! Como está bonita!" Inu Taisho comentou alegremente, puxando Kagome para um abraço fraterno. "Fico feliz que tenha vindo, mesmo que a tenhamos chamado tão subitamente." Ele completou, afastando-se dela o suficiente para encará-la, nem mesmo notando como tinha cortado o clima que tinha sido criado entre ela e seu se-tudo-der-certo futuro sócio. A morena sorriu, sentindo seu coração se aquecer com a demonstração de carinho que o casal Taisho demonstrava.
"Ah Tio, eu não iria perder a chance de comer de graça de forma alguma!" Ela brincou, ganhando uma risada do senhor, que balançou a cabeça negativamente.
"Você não mudou nada, pequena." Ele comentou, virando-a para Bankotsu. "Bankotsu, essa é Kagome Higurashi, a filha de um dos sócios das empresas Taisho. Kagome, este é Bankotsu, presidente das empresas Shichintai." Kagome ofereceu a mão para ele, não tirando os próprios olhos da forma como os lábios masculinos se curvaram em um sorriso sedutor e da forma como surgiu um brilho predador nos olhos escuros.
"É um prazer te conhecer, Kagome." Ele respondeu, pegando a mão da morena e levando-a aos lábios, deixando que eles permanecessem uma fração de tempo a mais do que o necessário. O coração da morena começou a galopar em seu peito, ressaltando a forma como ela se sentia desejada somente por aquele pequeno ato.
"O prazer é todo meu." Ela comentou, abrindo um sorriso galante, finalmente ganhando uma reação do casal Taisho. Os mais velhos se olharam significantemente, ambos surpresos pela tensão sexual que havia surgido em tão pouco tempo entre os dois.
"Meu bem, acho que vi o casal Tanaka chegando nesse exato momento." Izayoi comentou, buscando uma fuga para deixar o casal mais novo a sós. Por mais que ela tivesse chamado Kagome para tentar ajudar Inuyasha a ver a luz em sua vida amorosa – causando uma provável bagunça no meio do caminho, mas para ela os fins justificavam os meios - ela não se importava realmente se a morena tivesse um casinho aqui ou ali. No fundo, a Sra. Taisho sabia perfeitamente bem que a menina não tinha tido outro homem além de seu filho e, por mais romântico e admirável que aquilo fosse, ela achava que ter interesse por outros homens faria com que Kagome amadurecesse ainda mais. Inu Taisho olhou para a mulher, vendo o motivo por trás daquele comentário, e acenou afirmativamente com a cabeça.
"Bankotsu, receio ter que cumprimentar alguns convidados, mas logo retorno para terminarmos nossa conversa." O Sr. Taisho comentou de forma apologética, recebendo um aceno compreensivo de Bankotsu.
"Não precisa se preocupar, Taisho. Ficarei aqui com prazer fazendo companhia a esta bela Lady." Ele comentou com um de seus sorrisinhos de lado, lançando um olhar travesso para Kagome que corou com a atenção que recebia do empresário. Inu Taisho olhou aquilo e sorriu levemente, pegando na mão da esposa e indo na direção da entrada. "Eu não posso evitar minha curiosidade, mas você também atende pelo nome de Gome Matsuyama, não é?" Ele perguntou com verdadeiro interesse, fazendo com que a morena se sentisse interessante.
"Sim, sou eu mesma." Ela confirmou, aproximando-se um passo do homem para dar passagem a um senhor as suas costas. Os corpos dos dois ficaram a poucos centímetros de distância, tornando ainda mais proeminente o delinear atlético perfeito dos dois. "É uma longa história, na verdade, mas nos últimos anos minha identidade tem sido esse pseudônimo." Ela completou, encarando os olhos escuros a sua frente com intensidade. Havia algo em Bankotsu que fazia seu sangue ferver, algo em seu corpo, em seu porte musculoso e em seu caráter sedutor que a atraía fortemente. Ele apresentava um tipo de pessoa completamente diferente de Inuyasha - do tipo que ela sempre acreditara gostar - mas ainda assim ele fazia com que suas pernas tremessem e que seu ventre se aquecesse de forma quase obscena.
Talvez fosse a forma predatória que ele lhe encarava, a forma decidida e forte, a forma como ela parecia ser a mulher mais atrativa da festa e a mais interessante para ele. Naquele momento, ela percebeu que por mais que ela soubesse da fama daquele empresário, ela não conseguiu não cair em seus encantos.
Inuyasha dirigia com irritação. Sua confusão não tinha diminuído nada e, para completar, ele estava indo a esse encontro com Ayame. Quando ele pensava em sua atual situação ele notava como tudo estava errado de várias formas: ele não devia ter pedido perdão para Kagome após a noite que passaram juntos, ela não podia ter fugido e o impedido de participar dos quatro primeiros anos de Amy, ele não devia ter aceitado a presença da ruiva quando ela o encontrara, nem mesmo deixado que a morena fugisse novamente na noite que ele descobrira ser pai e nem no dia seguinte, quando ela tirara conclusões precipitadas no apartamento do hanyou; e, pondo a cereja no bolo, ele não deveria estar naquele evento com Ayame. Ele nem deveria estar naquele evento! Ele tinha mais é que estar no apartamento de Kagome implorando que ela o deixasse entrar em sua vida e conhecer sua própria filha de forma oficial!
Ele suspirou, olhando para a estrada a sua frente e ignorando a forma como a ruiva ao seu lado tagarelava infinitamente. Inuyasha não queria maltratá-la e nem ser grosseiro, mas no meio de todo o estresse mental em que ele estava metido, tudo o que menos importava naquele momento era ser um cavalheiro para Ayame. O hanyou não sabia o que sentir! Por mais que ele soubesse o que tinha que fazer, que era lutar por Kagome como ele ainda não tinha feito de verdade, ele não conseguia sair de sua própria bolha de mágoa e decepção. No fim das contas, ele tinha feito a morena sofrer por muitos anos, mas ainda sim ele não a tinha impedido de participar da criação da própria filha como ela tinha feito com ele.
Ele suspirou novamente, sentindo-se ainda mais cansado. Passara o dia inteiro correndo para todo lado para se preparar para aquela noite e, por mais que tivesse tentado chegar com pontualidade, Ayame acabara atrasando os dois. Ele até já imaginava a pequena bronca que levaria do pai já que ele deveria estar na mansão antes mesmo que Bankotsu estivesse.
Então ele avistou a enorme construção e quase xingou alto ao ver a quantidade de jornalistas que estavam parados no portão de entrada. Com certeza eles conseguiriam uma foto de Ayame com ele, prontos para distorcerem a realidade e piorarem sua já terrível situação.
"Uau, não me lembrava como esse lugar é enorme..." Ele começou a prestar atenção ao o que a ruiva dizia, conseguindo entrar no jardim e começando a procurar a vaga reservada a ele. "Acho que a última vez que eu vim aqui foi quando tínhamos quinze anos, não foi?" Ayame perguntou alegremente, como se as lembranças de tal época fossem um verdadeiro júbilo para ela.
Inuyasha acenou afirmativamente com a cabeça, sem realmente encará-la, e se focou na pequena manobra que tinha que fazer para estacionar. Assim que desligou o carro, ele deu uma última olhada na própria roupa – terno negro liso Giorgio Armani, com camisa também preta e uma gravata dourada, criando um contraste fantástico com seus cabelos prateados e olhos âmbares – e abriu a própria porta, indo até o outro lado e abrindo a porta da ruiva também, que desceu com a maior elegância possível. O par de sandálias Manolo Blahnik, de saltos altos e finos que brilhavam envernizados assim como a sola, tinha grossas tiras de cetim negras que laçavam até o tornozelo, formando um belo conjunto com o vestido curto Carolina Herrera que ela vestia, de um tecido branco leve e plissado com pequenas faixas coloridas que cascateariam livremente se não fossem seguras pelo fino cinto de couro preto que demarcava a cintura da ruiva. As alças do vestido se amarravam elegantemente no pescoço, sendo de um modelo frente única. Os cabelos vermelhos estavam soltos e lisos, dando um formato mais afinado ao rosto feminino e chegando até os ombros desnudos da mulher, fazendo um belo contraste com os olhos esmeraldas evidenciados pela fina fita de delineador azul e com os lábios pintados por um batom rosa claro.
O hanyou não poderia negar que, sim, Ayame estava bonita, muito bonita. Porém, ele preferia não pensar muito nisso.
Os dois caminharam de braços dados até a entrada da gigantesca mansão, sendo recebidos pelos próprios pais de Inuyasha nas portas duplas de entrada.
"Pensei que não chegaria mais, Inuyasha." O Sr. Taisho reclamou com a cara fechada, tentando ignorar a forma como suas mãos estavam inquietas nos bolsos de seu terno. Há alguns segundos ele tinha visto Bankotsu pegar uma bebida para Kagome, como se os dois estivessem envoltos em uma bolha onde somente a conversa entre eles fosse interessante; e, naquele momento, o hanyou chegava com sua acompanhante de braços dados. O Patriarca da festa já não previa bons resultados para aquela noite, oh que dor de cabeça.
Ayame deu um sorrisinho sem graça para o yokai, sentindo-se um pouco envergonhada. Ela sabia que os pais do hanyou não eram exatamente seus fãs, então se ela realmente o queria para si ela teria que mudar aquela situação. "Acho que foi por minha culpa, Sr. Taisho, me desculpe." Ela pediu, não percebendo a forma como Izayoi a encarava de cima em baixo, não acreditando em nada naquela fachada meiga. "Eu acabei me atrasando enquanto me arrumava e Inuyasha teve que me esperar."
Inu Taisho engoliu em seco, sabendo que se ele fosse grosseiro com aquela garota Inuyasha não gostaria, mas se ele fosse amigável demais a própria esposa seria capaz de castrá-lo. "Ah, sem problemas, mas da próxima tente chegar no horário." Ele optou pelo equilíbrio: aceitar que aquilo não era um problema, mas insistir que aquilo não se repetisse. Boa saída, hm? Ele teve que suprimir o próprio sorrisinho com sua congratulação mental.
Inuyasha revirou os olhos, puxando Ayame e passando ao lado dos pais sem dizer qualquer outra coisa, ignorando a forma como Izayoi parecia querer dizer algo. Ignorada, ela suspirou, dando de ombros para o que viria a seguir.
Talvez se ele tivesse esperado que sua mãe lhe dissesse o que ela queria dizer, ele não teria levado o susto que levou: pois, lá estava ela, mais linda do que nunca... nos braços de Bankotsu.
"Que diabos?" Inuyasha quase gritou ao avistar Kagome dançando a música lenta da pequena orquestra com o outro homem, parecendo se divertir com os galanteios lançados por ele. O hanyou nem mesmo percebeu racionalmente sua reação, porém Ayame notou claramente. Os olhos esmeraldas buscaram o que ele olhava e, quando acharam, se estreitaram de forma perigosa. Aquele encontro não era de negócios das empresas Taisho? Por mais que os Higurashi também fossem sócios, eles não precisavam de representantes, já que mantinham contato contínuo com os Taisho. Então o que a morena estava fazendo ali?
Inuyasha se perguntava a mesma coisa enquanto se via preso entre a vontade de ir até o casal e separá-los de forma brusca ou ficar onde estava e tentar aproveitar o resto da noite com Ayame. Sua confusão pareceu triplicar naquele momento e, percebendo que sua cabeça poderia começar a girar se continuasse naquele ritmo, ele resolveu puxar a ruiva para o garçom mais próximo e pegar algo para beber.
Ele tinha a impressão que precisaria do álcool para chegar até o final daquela noite.
"Oh, Inuyasha finalmente está aqui." Bankotsu sussurrou na orelha de Kagome, causando duas reações diferentes por motivos diferentes. A morena sentiu um arrepio passar por todo o seu corpo quando a voz rouca masculina soou tão perto de sua orelha e ao mesmo tempo ficou petrificada com o que ele tinha dito. Sem conseguir se conter, ela olhou diretamente para a entrada, vendo o hanyou com Ayame perto de um garçom pegando bebidas. Na mesma hora ela voltou a olhar para seu par e sorriu fracamente.
"Provavelmente foi atrasado pela companheira. Nós mulheres temos esse efeito." Ela comentou, ganhando um sorrisinho de lado de Bankotsu.
"Ah, eu sei muito bem dessa característica feminina, acredite." Ele comentou, novamente a encarando com olhos predadores e fazendo com que Kagome esquecesse momentaneamente que Inuyasha havia chegado à festa. "Posso dizer que às vezes o motivo do atraso pode ser algo muito prazeroso..." Toda aquela proximidade, o perfume masculino penetrando em suas narinas e a forma sensual em que as mãos másculas a seguravam firmemente pela cintura; tudo aquilo fez com que a morena nem mesmo prestasse atenção nas implicações daquele comentário e, sem nem mesmo pensar, ela permitiu que os lábios de Bankotsu se selassem aos seus. Por mais que tivessem acabado de se conhecer, o corpo atlético colado ao seu enquanto dançavam e a forma como ficava inebriada com a presença daquele homem nublara seus pensamentos e a enchera de desejo. Depois de tanto tempo sem sentir aquilo, ela simplesmente não conseguiu evitar a avidez com que aceitou aquela nova experiência.
Ela poderia até mesmo amar Inuyasha, mas isso não a impedia de se sentir atraída a outros homens.
Ignorando o que era um evento repleto de expectadores senhoris, eles aprofundaram o beijo com fervor. Era a primeira vez que Kagome beijava alguém que não fosse Inuyasha e, somente naquele simples início, ela já estava gostando. A vida toda ela tinha se dedicado ao hanyou e depois de esperá-lo por todo aquele tempo, depois de ter fugido da rejeição, depois de ter voltado e percebido que nada mudaria entre eles – que ele sempre iria ter outras mulheres e que ela continuaria sendo a melhor amiga e mãe de sua filha -, ela decidiu aproveitar a onda de atração que a consumia naquele momento e viver a própria vida. Ela era uma mulher bonita, talentosa e inteligente! Ela não merecia ficar o resto da vida esperando por um relacionamento que claramente nunca existiria!
Então, enquanto sentia os braços firmes abraçando-a pela cintura e a puxando contra o corpo masculino, ela se embebedava do gosto de uísque da boca de Bankotsu e se deliciava com a forma sensual em que ele lhe beijava. Toda aquela... Paixão era completamente diferente de quando ela estivera com Inuyasha. Por mais que ela não quisesse comparar, pois ela já não sabia se queria continuar pensando no hanyou, ela não conseguia evitar! As lembranças daquela noite mágica, que gerara Amy, vinham até sua mente e a deixavam curiosa de como seria passar uma noite com Bankotsu. Não se preocupava em como aquele tipo de pensamento poderia ser avançado demais para alguém que ela conhecia por no máximo uma hora, pois ela já tinha vinte e cinco anos e já era dona da própria vida e das próprias decisões. Ela sempre seguira seus próprios padrões e crenças românticas, não querendo se envolver com quem ela não amava. Porém, depois de tudo o que tinha passado, depois da montanha-russa emocional que os últimos dias tinham representado, ela estava cansada de não aproveitar o que a vida lhe oferecia, de não aproveitar o que estava fácil. Em toda a sua vida as coisas tinham sido repletas de drama e de dificuldades e, naquele momento, a atração entre os dois era algo fácil e evidente.
Ela não desperdiçaria aquela oportunidade.
Inuyasha quase rosnou ao ver os dois se beijando. O drink que ele tinha pegado já tinha sido substituído duas vezes e as sensações que passavam dentro dele não diminuíam em nada. O que Kagome estava fazendo? Que porcaria era aquela?! Ele nem notou como se soltou de Ayame e como começou a caminhar rapidamente até o casal de forma até mesmo perigosa. Ele não podia deixar aquilo acontecer (no fundo de sua mente, as memórias de algo parecido na noite em que ele passar com Kagome vieram até sua mente, lembrando-o que sim, ele virava um brutamonte quando sentia ciúmes)! Ele estava confuso sim, mas ele não tolerava vê-la nos braços de outro!
Hipócrita? Sim. Indeciso? Definitivamente.
... Apaixonado?
Loucamente.
Porém, antes que ele conseguisse alcançar os dois, duas mãos pequenas mas fortes o seguraram por um dos braços. Ele parou, contrariado e pronto para praticamente latir com quem o tivesse impedido, e olhou para trás. Ele teve que engolir qualquer coisa que ele fosse dizer, pois lá estava sua mãe com aquele olhar de aviso e com os lábios comprimidos em uma linha reta. "Não ouse, Inuyasha!" O tom de voz de Izayoi fez com que o respeito que ele tinha pela mãe falasse mais alto e ele se resignasse a não completar o que ele queria fazer, o que seu lado yokai praticamente mandava que ele fizesse. "Você veio acompanhado," O tom carregado de veneno denunciou o desgosto da mulher pela escolha de companhia feita pelo filho, "então não tem direito de reclamar com Kagome sobre quem a acompanhe."
Inuyasha olhou novamente para o casal, que tinha parado de se beijar e riam de alguma coisa que conversavam, fazendo com que uma nova onda de ciúmes o assaltasse de forma desleal. Se sua mãe não o estivesse segurando, ele com certeza não estaria se controlando daquela forma. "Eu sei, mãe. Só é... Difícil, eu acho, vê-la com outra pessoa desse jeito." Ele admitiu de forma forçada, sabendo que a mãe provavelmente já tinha notado aquilo no momento em que ele se separara bruscamente de Ayame e estava pronto para separar Kagome de Bankotsu.
"Meu bem, você sabe que eu não te dei as costas em nenhum momento nesses últimos quatro anos, por mais que todos os outros o tivessem feito. Você sabe que eu entendi seu lado da história e tentei não me intrometer tanto." Aquelas palavras fizeram que as orelhinhas felpudas de Inuyasha se abaixassem em resignação; pois, sim, aquilo tinha acontecido. Izayoi tinha sido a única pessoa a manter uma relação verdadeiramente sem mágoas com Inuyasha. "Mas eu não posso permitir que você continue fazendo tudo errado e, se eu deixar que você vá lá e faça algo, eu estaria deixando você meter os pés pelas mãos." Ela se explicou exasperada, sentindo que seu plano inicial ainda não estava perdido no meio de toda a bagunça. Ela não tinha imaginado que Bankotsu e Kagome se dariam bem, mas ainda assim a idéia de chamar a morena para o evento e forçar que os dois se resolvessem ainda poderia dar certo! Izayoi só precisava ajudar o casal, pois evidentemente eles não conseguiam se resolver sozinhos! Então, o primeiro passo: forçar Inuyasha a entender os próprios erros. "Meu filho, por que você está com Ayame essa noite?" Ela perguntou, ignorando a própria presença da ruiva ao lado dos dois, que ouvia toda aquela conversa em desconforto. Como ela poderia ganhar a simpatia da Sra. Taisho se ela claramente preferia Kagome como nora?
Inuyasha olhou para os olhos da mãe com tristeza, lembrando-se de tudo o que acontecera nos últimos dias. A vergonha novamente o atingiu com força, fazendo com que ele passasse uma das mãos pelo rosto de forma cansada. Tanto Izayoi quanto Ayame o encararam com novos olhos, como se vissem a exaustão emocional em que ele estava submetido pela primeira vez. A confusão, a inquietude, a vergonha, o cansaço... De repente tudo ficou tão evidente nos olhos âmbares que chegava a ser assustador.
"Eu não sei." Foram as palavras que representavam um turbilhão praticamente irreconhecível de emoções que somente os olhos não poderiam entender. Então com aquela resposta, o hanyou se livrou gentilmente do aperto da mãe e saiu do meio de todas aquelas pessoas, ignorando a presença de Ayame, ignorando o olhar de Kagome que acabara percebendo toda a comoção e seguindo direto para as escadas que o levariam para o segundo andar. Ele tentaria se livrar da imagem da morena com o outro empresário e, então, ele tentaria aparecer no jantar com uma aparência menos acabada. Izayoi suspirou, olhando de forma irritada para a ruiva ao seu lado - como se a culpasse por tudo o que estava acontecendo - que tentava não se sentir mal com toda aquela situação, e girou nos próprios calcanhares voltando para onde tinha deixado o marido.
Aquela festa prometia mais drama do que ela inicialmente havia previsto.
Kagome acompanhou com os olhos a figura do hanyou até ele sumir de vista, logo voltando sua atenção para o homem atraente, interessante, engraçado e sedutor que ainda segurava sua cintura com firmeza. "Pelo o que os outros convidados estão comentando, o jantar está servido." Ela ouviu a voz de Bankotsu e tentou se focar completamente nele, falhando miseravelmente. Por mais que ela não quisesse pensar em Inuyasha... Vê-lo tão destruído quanto ela, fazia com que os sentimentos que a comandaram por toda a vida criassem vida dentro de si e tentassem retomar o controle. Ela suspirou, mantendo um sorriso agradável no rosto, e tentou tomar as rédeas da situação mental em que ela se encontrava. Não, ela não podia correr atrás de Inuyasha naquele momento. Ela já tinha esperado por ele por todos aqueles anos e, ao voltar, ela tentara lutar por ele como dissera para Ayame que faria. Porém, quando ela se jogara em seus braços e o beijara, ela descobrira que novamente havia outra mulher no seu caminho, que ela tinha entendido tudo errado e que ela sempre seria somente a melhor amiga no final das contas. "Que tal irmos comer?" Ela aquiesceu automaticamente, deixando-se ser levada pelos braços firmes de Bankotsu para o salão de jantar.
"Estou faminta." Ela declarou com um tom brincalhão, tentando voltar sua atenção para o que tinha em mãos e, de forma satisfatória, ela notou que aquela tentativa funcionou perfeitamente bem. Bankotsu riu divertido, encaixando sua mão na curva da cintura feminina, e continuou a guiá-la até um par de cadeiras perto de uma das várias mesas redondas onde o casal Taisho já se situara.
A morena notava com alívio que tudo com o empresário era fácil e natural, como se fluísse sem qualquer obstáculo. Aquilo era diferente e divertido. Kagome corou ao pensar no que Jack diria quando ela lhe contasse toda aquela situação.
Quando todos os convidados estavam sentados e saboreando a diversidade do jantar, Kagome conversava animadamente com Bankotsu. Ela notou a forma como ele, propositalmente, lhe perguntava sobre seu passado com os Taisho. A morena dava a maior quantidade de detalhes, incluindo a forma responsável, bem humorada e intensa em que eles cuidavam de suas vidas privadas. Inu Taisho e Izayoi sorriam mentalmente com o que a garota estava fazendo e, para que o plano da primogênita Higurashi não saísse pela culatra, eles fizeram questão de conversar com os outros convidados da mesa.
"Você os considera uma segunda família." A um momento da conversa, entre a lagosta e o risoto, Bankotsu fez aquela afirmação com uma face séria e calculista. Naquele momento Kagome entendeu que ele havia percebido desde o início sua estratégia.
Pela primeira vez naquela noite, ela viu o empresário de sucesso e não o playboy das empresas Shichintai.
"Sim." Ela concordou, encarando-o com a mesma seriedade. "Os Higurashi e os Taisho mantêm uma amizade de longa data tanto nos negócios quanto na vida privada, o que pode ter contribuído para a realização pessoal das duas linhagens." Ela completou, deixando os talheres ao lado do prato com cuidado. "Mas eu acredito que somente a amizade entre elas não era suficiente. Eles tinham que se tornar uma família, com um tipo de lealdade suficiente para se protegerem contra os problemas econômicos mundiais e mesmos contra as tentativas de fraudes internas e externas." Kagome continuou, encarando os olhos escuros com intensidade. Ela nunca tinha se interessado verdadeiramente pelo legado de seus pais, mas ainda assim ela sempre se manteve inteirada do processo de crescimento das empresas Taisho. E naquele momento, conversando sobre algo que era de imensa importância não só para seus pais e para os pais de Inuyasha, mas para todos os sócios envolvidos e todos os funcionários do conglomerado Taisho; ela não era somente Kagome Higurashi ou mesmo Gome Matsuyama, ela era a filha de Takeda Higurashi, um dos homens que juntamente com o marido de Izayoi tinha fundado todo aquele império.
Seu pai poderia não participar tão ativamente nos negócios na atualidade, mas ainda assim ele era uma verdadeira lenda em todo o Japão. O Sr. Higurashi tinha feito a escolha de confiar naquela segunda família para cuidar de tudo e, até aquele mesmo instante, os Taisho nunca o decepcionaram.
"O respeito, a responsabilidade e a lealdade entre os sócios desse conglomerado é algo invejável por muitos empresários de países vizinhos. Nossa estabilidade e nosso poder intimidam desde os mais antigos aos mais novos concorrentes, além de agradar a diferentes gerações de consumidores." Naquele instante, até mesmo Inu Taisho e Izayoi prestavam atenção as palavras de Kagome, mal acreditando que talvez ela tenha acompanhado tudo quando todos achavam que ela nem mesmo pensava no assunto. "Então, sim, eu os considero uma segunda família, porque se caso eles não fossem, tudo isso não seria real."
Bankotsu continuava com uma face séria e impossível de se ler, absorvendo todo o discurso da morena. O mais impressionante naquilo tudo era que ele havia causado uma reação defensiva de profundo respeito da morena quanto aos negócios da família somente em fazer uma pequena afirmação. Ele quebrou o contato que mantinha com os expressivos olhos azuis-acinzentados e passou os próprios olhos por toda a mesa. Não só ele parecia impressionado com aquela pequena explosão de Kagome, como todos os outros presentes na mesa também estavam.
Então, depois de alguns minutos com a mesa em profundo silêncio, ele sorriu satisfeito e olhou mais uma vez para a morena com um ar de riso. "Você é incrível, Higurashi. Incrível." Elogiou, ganhando um sorriso radiante da mulher e do casal Taisho. "Acredito, Taisho, que você tenha armado isso para mim." Ele completou, ganhando a atenção do casal para si. "Você devia ter imaginado que eu não resistiria a uma mulher bonita, inteligente e eloqüente a me convencer que sua proposta realmente vale mais do que está no papel." E foi assim que as empresas Taisho conseguiram que as empresas Shichintai se associassem a elas.
A leitura do contrato feito por Inuyasha firmaria aquela opinião, com certeza, mas a decisão já estava feita.
Inu Taisho não poderia ter ficado mais feliz e Kagome mais encabulada com todos os elogios que recebera em menos de trinta segundos.
"Inuyasha?" Ayame chamou hesitante, odiando o fato de estar perdendo o maravilhoso jantar que era servido no andar de baixo.
Além de todo o resto, é claro.
"Abre a porta." Ela pediu, encarando a madeira escura a sua frente que a prendia de fora de um dos vários escritórios daquele lugar. O hanyou tinha subido e se embrenhado naquele cômodo e, aparentemente, não fazia mais questão de sair. "Por que nós transamos tanto ontem?" Ela perguntou para a porta, no fundo sabendo a resposta, mas querendo ouvir de Inuyasha. Ela trocou o peso de perna e esperou que ele pelo menos fizesse algum som que denunciasse sua condição de pessoa viva. "Eu só servi para te distrair, não foi? Mas mesmo enquanto estávamos juntos, você ainda assim pensava nela." Ayame continuou, nem um pouco intimidada com o que ela conseguiria como reação do hanyou com aquelas palavras. Ela queria lutar por ele, queria mesmo. Na verdade, ela estava lutando, ela estava fazendo tudo ao seu alcance. Ela tinha levado aquele almoço romântico até o apartamento dele no dia anterior e tinha agido como um ombro amigo, escutando-o e conversando para completar os silêncios. Ela tinha tentado se reaproximar de Inuyasha e, quando Kagome aprontara mais aquela fuga injusta, ela realmente achou que finalmente estava ganhando o espaço pelo que batalhava. Porém, naquele evento que deveria ter sido o seu palco para ganhar a simpatia dos Taisho como possível namorada, ela notou que talvez não fosse mais possível vencer a morena naquele joguinho de War de Relacionamentos.
Quando eram adolescentes tinha sido fácil, pois Inuyasha não via a cantora como alguém namorável. Mas, agora, a ruiva percebia com desgosto que era tudo diferente.
"O que mudou entre vocês dois?" Ela insistiu, ignorando o fato que ele até aquele momento não tinha respondido nenhuma de suas tentativas de contato.
"Nós temos uma filha." A resposta ao mesmo tempo em que a porta se abria surpreendeu Ayame como nunca. Inuyasha não tinha descontado seu estresse emocional na gravata, como qualquer outro faria, mas em sua mão ele segurava uma garrafa de vinho tinto já pela metade. A aparência do hanyou estava intacta, mas os olhos âmbares estavam turbulentos e o cabelo prateado um pouco mais desalinhado do que antes. Era notável que ele ainda não estava bêbado, por mais que fosse esse seu objetivo. "Nós tivemos uma noite juntos e depois disso deu tudo errado. Ela sumiu por quatro anos junto com a minha filha, sem deixar rastros ou sinal de vida." Ele continuou, exausto, nem se importando com a face horrorizada da ruiva a sua frente. "Ela voltou como se nada tivesse acontecido e tentou me ignorar e me afastar, mas eu continuei tentando me aproximar mesmo quando nem pensava que Amy poderia ser minha. Então, depois daquela noite na boate, nós saímos para o Beige e deu tudo errado de novo. Foi nessa noite que tivemos uma das conversas mais emocionalmente intensas que já tive na vida e, para completar, ela fugiu novamente. Então, no dia seguinte você apareceu para almoçar comigo, aconteceu todo aquele incidente com o vinho e ela bateu na minha porta e se jogou nos meus braços me beijando logo de cara. O que aconteceu? Ela tirou conclusões precipitadas, disse coisas que me feriram e fugiu sem me permitir falar qualquer coisa." Ele continuou, se escorando no portal e encarando Ayame com uma expressão problemática. "No meio disso tudo, o que importa o que eu sinto, não é mesmo? Se eu demorei pra perceber que eu a amava, foi porque já era algo natural entre nós! Se eu fui um idiota depois da nossa noite juntos, é porque eu tive medo de ter feito algo errado! Eu tive medo de perdê-la por causa do que passamos juntos, porque ela tinha se declarado bêbada! Como confiar na intensidade amorosa de um bêbado? E o que diabos ela pensa que está fazendo? Ela acha que só ela que se machucou com todo esse drama? Ela acha que eu também não estou ferido o suficiente para enlouquecer? E ainda por cima lá está ela nos braços de um homem que ela MAL CONHECE!" O tom de voz do hanyou começou a aumentar sem que ele notasse. Ela te conhecia a vida toda e olha no que deu... Ele ignorou quão certo aquela vozinha mental estava. "Ayame, me desculpe por praticamente ter te usado ontem, mas TUDO mudou entre ela e eu e SÓ ELA QUE NÃO PERCEBE!" Ele gritou, deixando as raras lágrimas rolarem por seu rosto, e jogou a garrafa contra a parede oposta, jogando vinho em vários livros nas várias estantes do cômodo. Aquela situação toda estava uma bagunça e ele não sabia nem por onde começar para resolvê-la. Na verdade, ele nem sabia se queria resolver tudo aquilo.
Ele era fraco sim já que quando ela estava longe ele só queria ter uma oportunidade para agir; e quando ela estava perto, ele não tinha a força para puxá-la pelo braço e demandar da mulher entendimento em momentos como o do dia anterior.
Por isso, a revolta, a dor, os ciúmes, o amor... Tudo o confundia extremamente e, naquele instante, Ayame não estava ajudando em nada.
No andar debaixo, Izayoi olhou alarmada para o teto ao ouvir o barulho de algo se quebrando. A música de fundo da orquestra e os variados núcleos de conversa no jantar tinham abafado qualquer gritaria que estivesse acontecendo, mas aquele simples barulho de vidro se despedaçando não fugiu aos ouvidos da mãe do hanyou. "Você ouviu isso, meu bem?" Ela sussurrou para o marido, que também olhava para o teto com preocupação evidente no rosto.
"Eu ouvi muito mais do que isso, Izayoi." Ele respondeu, fazendo-a se lembrar da audição especial do yokai. "Inuyasha precisa de você." Ele completou, fazendo com que ela não hesitasse um minuto qualquer em se levantar, pedir desculpas pela sua ausência ao restante da mesa e andar rapidamente para o salão de entrada para poder subir ao andar de cima.
Nenhum dos dois notou como Kagome prestava atenção naquela pequena conversa ao invés de participar do bate papo entre Bankotsu e outro convidado ao lado dos dois.
Ayame o encarou incapaz de dizer qualquer coisa. O que responder para aquela história? Ela não conseguia nem mesmo pensar em algo para fazer, para impedir que Inuyasha destruísse mais alguma coisa naquele cômodo repleto de coisas caras. Ela ainda o queria para si, mas como lutar contra tudo aquilo? Ela passou a mão pelos fios vermelhos como um gesto de confusão e até mesmo de frustração. Ela tinha os próprios motivos para lutar por Inuyasha, mas naquele momento ela não conseguia se ver vencendo como antes. Sua confiança estava abalada e ela não sabia se somente transar com o hanyou poderia ajudá-la.
Até porque ele mesmo admitira que a distração não fora exatamente efetiva.
Depois de alguns minutos em silêncio, ela finalmente pensou em algo para dizer. "Eu não sei como você agüenta esse tipo de coisa." Ela comentou, tentando tomar as rédeas da situação. Ela precisava ter o controle, ela precisava ser capaz de tê-lo para si. Se todas as táticas que ela tinha tentado até aquele momento tinham sido ineficientes diante de tamanha confusão, ela simplesmente teria que mudá-las. Ela não podia desistir! Nem que ela precisasse jogar ele contra a mãe de sua filha! "Eu não sei como suporta ainda amar uma pessoa que sempre te dá as costas." Ela completou, ganhando a atenção do hanyou que a encarou cansado. "Eu sei que você concorda comigo nisso, Inuyasha. Você sabe que, por mais que vocês tenham crescido juntos, nos momentos que mais importaram a última imagem que você teve era dela indo embora."
A dor que passou pelos olhos âmbares denunciou que sim, ela tinha tocado em uma ferida.
Uma ferida profunda.
"Eu não sei o que eu faria se estivesse no seu lugar, mas no final das contas, realmente vale a pena lutar por alguém que não luta por você?" Ayame forçou mais um pouco, dando um passo para frente. "Você mesmo viu. Ela nem te deu tempo para se explicar sobre o incidente de ontem, que realmente foi só um mal entendido, e foi embora! E hoje, em um evento que nenhum de nós dois entende o porquê de sua presença... Ela estava com outro. Ela sempre desistiu de você no menor dos obstáculos." Ela nunca o tinha visto tão quebrado, mas ela não podia parar. As lágrimas que ele derramava não podiam parar, não enquanto Inuyasha não fosse seu. "Você sabe que eu estou certa. Só ela não nota como as coisas entre vocês mudaram, Inuyasha. Você mesmo disse isso. Mas, vale a pena amar alguém que parece até que não quer ser feliz?"
Com aquilo, a ruiva se jogou contra o hanyou ao mesmo tempo em que ele começava a cair de joelhos no chão. Ela o abraçou com gentileza, colocando sua cabeça em seu ombro e não se importando com os pequenos soluços que ele liberava. As mãos femininas começaram a acariciar os cabelos prateados, tentando consolá-lo contra as próprias palavras. Ayame sabia que tinha sido uma verdadeira vadia naquele momento, mesmo após saber que ele era pai ela ainda praticamente o jogara contra a morena. Porém, ela tinha avisado para Kagome: se ela não o queria...
Enquanto um hanyou se despedaçava em confusão no escritório, Izayoi estava paralisada no corredor. Ela mal podia acreditar em tudo o que tinha escutado, no que aquela garota estava fazendo com seu filho por mais que sentisse que tudo o que ela tinha dito não fosse exatamente uma mentira. Ela colocou ambas as mãos no rosto, exasperada. Ela não tinha chegado a tempo de impedir que tudo piorasse ainda mais. De repente sua ideia brilhante, de forçar o filho a perceber que ele estava com a companheira errada, tinha servido somente para intensificar os problemas de má comunicação entre os dois.
Nenhum deles notou a presença de Kagome escondida atrás de uma das cômodas no mesmo corredor em que Izayoi se martirizava. A morena tinha lágrimas nos olhos, finalmente colocando os acontecimentos do dia anterior em perspectiva.
Aparentemente, ela tinha se precipitado.
Aparentemente, ela tinha ignorado completamente as consequências de seus atos, os efeitos que tudo aquilo poderia acarretar para Inuyasha.
Aparentemente, ela estava certa quanto a conclusão que ela havia chegado sobre os sentimentos do hanyou.
Ela se endireitou, tentando controlar a nova onda de emoções que a atingiu. Por que eu voltei? Por que eu fui? Por que toda essa dor? Nenhuma resposta. Na época fugir parecia a resposta óbvia. Ser somente a melhor amiga? Era doloroso demais. Porém, se ela tivesse ficado não teria sido menos excruciante? Não teria afetado menos pessoas? Suas amigas, seus pais, Inuyasha... Sua própria filha... Por que ela tinha desistido de Inuyasha, se ela nunca tinha lutado por ele para início de conversa? Quando ela pensava em toda a sua trajetória, ela percebia como não tinha feito seus sentimentos conhecidos pelo hanyou de forma apropriada (sóbria), como não o confrontara por medo de perder a amizade também, como não o fizera enxergá-la como uma candidata em potencial e como tantas outras atitudes que ela não tivera. Quando voltara, após o pequeno embate com Ayame, ela tinha decidido que lutaria pelo hanyou... Mas, nos menores contratempos, sua resolução se esvaneceu facilmente... Como ela pôde ter pensado que tinha feito tudo o que podia?
Ela sabia que Inuyasha também não tinha lutado por ela, mas, ele não a tinha procurado por anos? Ele não estava sofrendo por todas as vezes que ela o tinha abandonado? No final das contas ele estava enfrentando os problemas com a cara e coragem, enquanto ela criava mais problemas ao fugir dos anteriores! Amy não precisava ter passado por nada que passara nos Estados Unidos se ela tivesse sido menos egoísta, se ela tivesse sido menos covarde, se ela tivesse sido metade da melhor amiga que ela achava que era.
Ela engoliu o bolo de lágrimas e voltou para o andar de baixo. O vestido quase flutuava enquanto ela caminhava, mas seu coração parecia se arrastar pelo chão.
Quando ela chegou ao salão de entrada, que novamente estava lotado, ela caminhou até o pequeno espaço no tablado da orquestra que estava separado para sua banda. Assim que ela chegou perto o suficiente, ela comunicou qual de suas músicas ela queria que eles tocassem e, sem esperar que Inuyasha pudesse descer para escutar também, ela foi até o microfone.
Aquela música poderia dizer exatamente o que os dois pensavam.
"Boa noite, Senhoras e Senhores." Ela cumprimentou os convidados, forçando a orquestra a interromper a tranqüila música ambiente que eles tocavam e forçando todos a prestarem atenção em si. Ela viu Bankotsu sorrir abertamente e respondeu com um sorriso fraco, de repente não estando tão animada com a atração física que existia entre os dois. "Hoje eu fui convidada a esse evento de negócios pela Tia Izayoi, mais conhecida como Sra. Taisho..." Ela brincou levemente, ganhando algumas risadas de todos. "E ela me pediu para tocar uma música no final da noite e, por mais que eu tenha certeza que a noite de todos vocês ainda não acabou," Mais algumas risadas em concordância. "a minha, infelizmente, está no final. Eu tenho uma filha pequena em casa, então já imaginam, não posso ficar mais tempo." Kagome não se sentiu tão mal ao ver centenas de olhares compreensivos. "Então, hoje vou apresentar a vocês a minha música Heavily Broken."
Quando a voz de Kagome começou a ressoar por toda a mansão, o pequeno discurso antes da verdadeira apresentação, o choro de Inuyasha parou instantaneamente. As orelhinhas se levantaram rapidamente e ficaram atentas a cada palavra que a morena proferia. Ayame gemeu internamente, maldizendo Kagome pelo timing; e Izayoi correu até a escada, para não perder o que a morena tinha a dizer.
Quando a música começou, Inuyasha se levantou lentamente, quase não respirando enquanto prestava atenção na letra. Cada palavra parecia sair de dentro dele e, ignorando a presença da ruiva novamente, ele começou a caminhar para fora do escritório. No meio de toda a bagunça emocional em que ele se encontrava, ouvir a voz da morena parecia iluminar sua mente de forma surpreendente. Ouvi-la, cantando com tanto sentimento, fazia que inúmeras lembranças viessem até sua cabeça. Memórias de quando eram crianças, adolescentes e de quando ainda estudavam na mesma faculdade. Memórias dos anos em que ela estivera sumida, as noites solitárias, as tentativas de encontrar alguém que ele pudesse se relacionar amorosamente sem pensar em Kagome, as inúmeras palavras frias direcionadas a ele pelas amigas da morena, as decepções a cada relatório do detetive que ele tinha contratado...
Tantas imagens, tantos sentimentos, tanta intensidade... Ele fechou os olhos brevemente, enquanto caminhava pelo corredor até a escada, prestando atenção à forma bela que ela cantava.
Tudo com Kagome sempre fora intenso e, apesar de toda a dor e todo o drama em que ele estava mergulhado, ele não conseguia pensar que a amaria se isso fosse diferente.
"I'm heavily broken and I don't know what to do
Can't you see that I'm choking and I can't even move
When there's nothing left to say, what can you do?
I'm heavily broken and there's nothing I can do…"
Os dois corações imersos naquele drama batiam em um mesmo ritmo. Inuyasha se firmara na escada, ainda ignorando a presença de Ayame ao seu lado, e assistia Kagome incapaz de reagir à imensa beleza da morena naquele tablado, com aquele vestido, com todas as luzes estrategicamente jogadas contra ela, com aquela voz... Era impossível fazer qualquer outra coisa que não fosse assisti-la, admirá-la. Se não fosse pela letra, que parecia traduzir perfeitamente a situação dos dois, ele nem mesmo pensaria naquilo tudo.
Então, ele percebeu que a música poderia representar os dois lados, tanto o que ele quanto o que ela sentia.
Os olhos âmbares encararam os expressivos azuis-acinzentados por toda a apresentação, não se desconectando deles por segundo algum.
"Feels like I'm drowning
I'm screaming for air (Screaming for air)…
Louder I'm crying and you don't even care!"
Kagome cantou com toda a emoção que conseguia. Vê-lo com um rosto distorcido em confusão fazia com que ela se perguntasse como ainda conseguia se manter firme naquele palco. Mesmo ao longe, finalmente prestando atenção no que ele vestia, ela o achou perfeito como sempre. O terno, a camisa, a gravata, tudo o deixara irresistível. A morena olhou tristemente para o hanyou, notando como não adiantava em nada ela encontrar alguém tão fácil de se lidar como Bankotsu, quando ela irremediavelmente o amava mesmo com toda aquela dificuldade entre eles. A atração física que ela sentira pelo empresário poderia resultar em uma paixão quente e enlouquecedora, mas a chama não duraria tanto quanto aquela entre ela e Inuyasha. Por mais que Kagome lutasse contra o intenso sentimento dentro de si, o amor que sentia pelo hanyou parecia ter sido marcado a ferro e fogo em seu coração.
Quando as últimas palavras da música passaram por sua boca, a morena teve que se segurar fortemente para não chorar.
"Obrigada e boa festa a todos!" Ela desejou aos convidados, com a voz embargada e um sorriso no rosto, recebendo aplausos e parabéns pela bela apresentação. Olhando uma última vez para os olhos âmbares ao longe, ela se virou para ir embora. Talvez ela ligasse para Bankotsu no dia seguinte e ofereceria sua amizade, mas naquele momento ela precisava ir embora. Não lhe importava que Ayame aproveitasse sua ausência para dar consolo e carinho para Inuyasha, pois ela sabia que não poderia fazer nada naquela noite. Ela precisava ir para casa e reorganizar suas prioridades, seus sentimentos e as conseqüências esperadas pelos seus atos. Ela precisava pensar mais nos outros e não tanto nela.
Kagome precisava se reinventar, pois depois daquela festa, ela nunca mais queria se arrepender de coisas que ela não tinha feito, de não ter algo pelo qual ela nunca tinha lutado.
A partir daquele instante, ela não queria mais permitir que seus problemas a vencessem.
Se quiserem entender um pouco mais o time skip, podem ler as letras das músicas do CD. É claro que nada daquilo vai estar claramente envolvido com o que a Kags passou nos EUA, mas a ideia central de cada uma delas está sim envolvida com o que a morena sentiu no período e tudo mais (I'm with you da Avril tem uma parte dela que lembra muito um dos flashbacks da fic, é incrível). Por que eu estou sugerindo isso? Porque eu acho que vocês se sentiriam da mesma forma que o Inuyasha! Porque ele VAI escutar as músicas e ele VAI tentar buscar em cada uma delas uma pouquinho da alma da Kags (Eu escolhi a dedo as músicas não considerando se elas eram famosas ou coisa assim, mas sim o lado emocional da coisa. Mesmo What the hell da Avril tem um ladinho emocional, só pra ter ideia!).
E eu achei que seria interessantíssimo se vocês tentassem ler/ouvir as musicas com os olhos/ouvidos do Inu :B
E olha só, a Kagome FINALMENTE decidiu ser forte de verdade (Acho que um beijo quente do Bankotsu pode ajudar qualquer uma com isso né HUSAUHSAUHSUHSUH Enfim)! O que será que isso significa?
No próximo capítulo...
'Ao longo da vida, as vezes você se esquece
que tantos problemas uma mente enfraquece.
Mas quando eu notei como estávamos tratando aquilo errado,
eu não medi forças para permitir que ele pudesse deixar tudo consertado. '
Kagome Higurashi
Se quiserem outro cap, mandem reviews! Preciso saber suas opiniões! :D
