O pulo do gato
Capítulo 3: O X da questão
Na ante-sala de sua querida torre, Albus Dumbledore se atirou em sua poltrona costumeira, levando pelo menos dois minutos se remexendo até encontrar uma posição confortável para apoiar os cotovelos e juntar os dedos. Mesmo assim, quando a encontrou, levantou-se num salto, inquieto demais pra permanecer parado. Percorreu o mesmo trecho no tapete incontáveis vezes, sob o olhar curioso de sua fênix, enquanto sua mente trabalhava num novo enigma, que atendia pela alcunha de Minerva McGonagall e se trancafiara sem motivo longe de seu alcance.
Há muitos anos se sentia atraído por ela. Como não fazê-lo? Ela era bonita, inteligente e divertida. E terrivelmente jovem, ele tinha de reconhecer, e por isso mesmo nunca fizera nada a respeito. Aprendera até mesmo a se contentar com a amizade e convivência que possuíam, já que não havia esperanças de conseguir muito mais do que isso.
As atitudes da bruxa também não eram de nenhum incentivo a se arriscar, muito pelo contrário. Minerva sempre foi muito discreta e recatada, misteriosa em jeito sério e reservado, e, ainda assim, a seus olhos feminina e provocante até nos mínimos gestos. Gostava especialmente se sua cintura delgada, do pescoço gracioso sempre à mostra devido ao coque apertado, e da leveza de bailarina com a qual caminhava. Desde que dançou com ela no primeiro baile de formatura em que compareceu como funcionária e teve o prazer de conduzi-la em seus braços, jamais deixou de imaginar como seria ter o corpo dela junto ao seu de outra forma mais íntima. Mas ultimamente estava impossível se controlar. Exigia uma força sobre humana permanecer indiferente aos seus encantos. Por Merlin, estava começando a se imaginar agarrando-a a força!
Jamais experimentara antes uma paixão assim tão forte. Mesmo com seus arroubos mais românticos, Albus sempre foi um homem calmo, e assustava-o a intensidade do seu desejo e as idéias muito vívidas que passavam por sua cabeça. Isso definitivamente não era normal. Assim como o comportamento dela desde ontem.
Ela já estava estranha desde antes, mas foi realmente abrupto o como passou a evitá-lo assim que descobriu o atraso da lista de alunos, dizendo-se doente. Sim, mencionara algo sobre confundir-se com as datas e então fugiu dele como se estivesse com a peste. E realmente parecia irrequieta e um tantinho febril, no entanto nunca a tal ponto... Pra falar a verdade, se não a conhecesse muito bem, acharia que o motivo da perturbação de ambos era o mesmo.
Um sorriso muito breve chegou a se formar em seu rosto com esse pensamento, pra sumir quase que imediatamente quando nova ideia passou por sua mente, deixando-o profundamente intrigado, para também ser descartada logo em seguida. Depois reconsiderada, descartada novamente e enfim aceita como possível, talvez até provável. Por isso ele convocou seu mais completo livro sobre Animagia e vasculhou-o até encontrar a informação que precisava para embasar sua teoria sobre o sucedido.
"[...]Entre as mulheres cuja forma animaga se manifesta através de um mamífero, deve haver toda uma atenção especial referente ao ciclo hormonal. É preciso levar em consideração que este tipo de alteração afetará diretamente a bruxa que se transformar durante ao período correspondente ao cio da espécie animal, sendo assim necessário que se calcule as datas de acordo com [...]"
Então era isso! Trêmulo, ele releu o mesmo parágrafo mais algumas vezes, até ter de atirar o livro na poltrona em que estivera para poder retomar sua andança sobre o tapete.
– Isso explica tudo: ela está... – Albus exclamou em voz alta, mas não conseguiu terminar a frase de tão nervoso que se encontrava. – São os feromônios, eles tem um efeito devastador. Eu sou o macho mais próximo, é por isso eu estou assim.
Fawkes, no entanto, sendo o único ser vivo por perto, achou que seu dono estivesse falando consigo e tratou de piar interrogativamente em resposta, chamando-lhe a atenção. Dumbledore então se aproximou, aproveitando a oportunidade de conversar um pouco e desabafar com alguém que não tinha a habilidade de contar nada a respeito pra ninguém.
– É claro que você não entende. Pra você isso é natural, não é? – o diretor perguntou a ave anuiu em concordância – Acha que eu deveria ir até lá e me oferecer para... para acasalar. Mas eu não posso me aproveitar da situação dessa forma. Ela nunca me perdoaria, EU nunca me perdoaria.
Estalando repetidamente o bico, Fawkes deu-lhe uma cabeçada como se o empurrasse na direção da porta e o outro fungou, entre contrariado e incrédulo.
– O que eu tenho a perder? Pra começar minha dignidade. Mas, principalmente, a amizade e o respeito de Minerva. E eu não saberia como lidar com isso.
Então o pássaro grasnou como se zombasse, abrindo as asas em desafio. E o bruxo fechou o cenho, determinado, precipitando-se exaltado na direção contrária.
– Pois bem, vou lhe mostrar quem é covarde!
-/-
Ainda trancada em seus aposentos, McGonagall saiu tremendo e praguejando do seu quinto banho frio do dia. Ainda assim se sentia febril e carente, e as coisas tinham piorado muito desde que Albus batera em sua porta, pouco mais de uma hora antes. Sua voz rouca e obsequiosa tinha feito horrores pra agravar ainda mais a situação. "Há alguma coisa que eu poderia fazer por você?", pois sim, se ele soubesse o quanto! A professora estava sozinha há meses, desde seu último (e que julgava definitivo) rompimento com Elphinstone, e não havia como recorrer a ele nessa hora de necessidade. Mas mesmo que houvesse, quando repetia consigo as palavras de Dumbledore não tinha como imaginar-se com outro homem. Fora quase doloroso ter que negar-lhe a proposta, ainda que ele não compreendesse o motivo.
Sempre achou-o charmoso e bonito a seu modo único. Alto e esguio, com seus olhos azuis muito brilhantes, mãos grandes e fala gentil, sem falar da inteligência, do talento e do caráter. Uma pena serem tão bons amigos e colegas de trabalho, porque se não soubesse que teria de vê-lo novamente por todos os dias de sua vida talvez... Sacudiu a cabeça repreendendo a si mesma, então vestiu-se para dormir, mesmo sabendo que não conseguiria.
Estava preparada para passar a noite em claro sofrendo de solidão e arrependimento pelo seu irreparável engano, consolando-se com o pensamento de que tivera sorte de não acontecer no período letivo quando estivesse cercada de jovens com os hormônios em ebulição, quando ouviu batidas na porta. Reconheceu imediatamente de quem elas teriam vindo, mas tentou convencer a si mesma que estivesse (novamente) apenas fantasiando que Albus retornava, invadia o quarto e a tomava em seus braços, como se...
Então as batidas retornaram, altas e claras, fatalmente reais.
– Minerva – era definitivamente ele, e ouvir seu nome naquela voz enviou um forte estremecimento pela coluna da bruxa, agitando seu instinto de fêmea mais primitivo e fazendo-a se aproximar mais da porta e do homem do outro lado dela.
Já tinha a mão na maçaneta quando recuou, censurando a si mesma, dizendo que não era correto, não era digno... E não era justo! Não agora, por favor.
– Minerva!
N/a: Senhoras e senhores (tem senhores por aqui? Cadê o público masculino comentando?), mais uma vez agradeço por comparecerem e apreciarem essa humilde história. Agora que mostrei um pouco mais sobre os sentimentos de nossos protagonistas, o que acham que vai acontecer?
Uhura: A pobre Minerva também não tem culpa, guria. Considero-os duas vítimas do destino. E fico muito feliz que esteja aproveitando essa história, afinal foi vc que me desafiou.
Sra McGonagall D: Sim, o Albus é um doce. Acho-os simplesmente perfeitos um para o outro e farei o possível para que em breve eles também notem isso. Obrigada e continue lendo.
Paullinnha: O pobre Albus está de volta na porta de Minerva, e agora ciente do que está havendo com ela. Será que ela abrirá dessa vez?
AndyMalfoy: Muito obrigada por curtir tanto minhas fics e minha escrita, valeu msm. Bem, eu tbm uso óculos de leitura e coque e sou relativamente magra, então só me falta um Dumbledore ;)
Mia Lima: Te garanto que teremos momentos mais íntimos na fic sim, e considere a humilde capa que fiz como um spoiler, hahaha.
