Parte Dois
Parte Dois
Capítulo 7 : Brinquedo de arranhar
Em seu quarto, pouco tempo depois, Albus estapeou repetidas vezes a própria testa enquanto caminhava de um lado pro outro. Mil vezes se amaldiçoou pelo momento em que seu orgulho o fez deixar o quarto de Minerva tão intempestivamente e por não saber como fazer pra voltar pra lá. Estava magoado com ela e com raiva de si mesmo, por não conseguir para de pensar no que tiveram por um só segundo desde então.
Parecia que o cheiro dela havia se impregnado em sua pele e os efeitos que ele trazia consigo retornavam ainda mais poderosos que na noite anterior, somados a centenas de lembranças deliciosas. Mesmo depois de um longo banho frio ainda sentia febre. Também compreendeu porque antes ela sequer se dera ao trabalho de comer: ele também não sentia nenhuma fome, ao menos não de comida.
Jogou-se na cama, rindo quando se lembrou do olhar de espanto de Hagrid ao vê-lo andando pelo castelo tão descomposto de manhã cedinho. Tão inocente como o meio-gigante era, não seria motivo para preocupação, seria? Voltou a estapear a testa e puxou as cobertas por cima da cabeça.
Passou o resto do dia na cama, remoendo a mágoa e sentindo pena de si mesmo, até adormecer. Acabou sonhando com ela, ou sua mente apenas continuou seus pensamentos de onde tinham parado. Misturava as recordações recentes com devaneios românticos, de ouvir palavras de amor, e ela o aceitando como seu, pedindo pra também ser dele.
Dormia tão pesado que não viu a porta de seu quarto se abrindo, tarde da noite, ou mais nada antes de sentir alguém sacudir-lhe o ombro para que despertasse. Então sentou-se imediatamente, como que impulsionado por uma mola, e agarrou o vulto sentado a seu lado na cama em seus braços.
– Oh, minha querida, sabia que acabaria mudando de idéia! – exclamou, exultante, antes de ser empurrado com força de volta pra cama.
O vulto ficou de pé num salto, e com um lumus maxima revelou-se completamente diferente do que o outro havia previsto, para decepção do diretor. Era um bruxo alto, hirsuto e muito conhecido.
– Aberforth!
– Pelo visto esperava uma linda dama, "minha querida" – zombou o irmão mais novo, tratando agora de acender as luzes do quarto, qualquer coisa de diversão no sorriso sardônico. – Ou será que lhe interrompi algum sonho bom?
– Não sei do que está falando.
– Talvez a professora de olhos verdes e nariz em pé que costumava ir ao povoado na companhia daquele almofadinha do Ministério? Já notei o modo como fala dela.
– Quem, Minerva? – Albus replicou, forçando um bocejo de pouco caso nada convincente. – Não, não, ela é jovem demais pra mim.
– Mesmo? Pois eu adoraria apreciar um pouco daquela... juventude – o barman insinuou e empurrou o irmão mais pro meio da cama, de modo a sentar-se novamente na beirada. – Mas não precisa se zangar porque não vou insultar sua honra de cavalheiro com comentários óbvios.
– Então por que resolveu vir me acordar no meio da noite?
– São onze horas, Albus! Você nunca foi de dormir cedo, até achei que estivesse doente.
– Talvez eu esteja – o diretor concordou com um suspiro infeliz, voltando a afundar-se na cama e aninhar-se sob as cobertas.
"Doente de amor", completou mentalmente.
– A mim parece abatido. De qualquer modo, vim falar sobre seus alunos. – havia uma irritação perigosa na fala do caçula e isso finalmente pareceu pôr o outro completamente acordado, sentando-se num átimo, tomado de preocupação com seus pequeninos.
– O que houve?
– Descobri quem anda vandalizando meu bar, são uns merdinhas da sua escola que chutei de lá porque mentiram a idade no mês passado.
– Seja tolerante, lembre-se que são apenas crianças. Mesmo assim eu prometo tomar uma atitude a respeito se você puder me informar seus nomes ou ao menos suas aparências.
– Não precisa, eu já resolvi. Só vim mesmo te avisar isso.
– Aberforth – a voz do diretor de repente tornara-se mais grave, assumindo um sério tom de advertência.
– Só um susto, nada demais. Uma liçãozinha sobre respeitar a propriedade alheia.
– Mas você não tem o direito de lhes ensinar nada! A educação de meus alunos só diz respeito aos seus pais e aos membros do... – o mais velho ralhou, e em sua indignação entusiasmada o lençol foi escorregando, desnudando-o até a cintura. Embora sua longa barba mantivesse quase tudo ainda coberto, certo detalhe imediatamente chamou a atenção do outro bruxo.
– Albus, espere, isso no seu pescoço é um chupão?
– O quê? Não! – ele mentiu, cobrindo instintivamente a marca citada com a mão.
– Verdade. Não é um chupão, é uma mordida – do dono do Cabeça de Javali constatou com uma gargalhada, vendo o outro corar. – Ohou, alguém andou mesmo se divertindo aqui! Era por isso que está cansado, maninho? Teve uma noite animada ontem, foi?
– Não sei do que você está...
– Ah, era ela que estava esperando! Porque se for assim eu posso ir embora antes de atrapalhar sua noite.
– Eu me meti numa briga, foi isso.
– Sem varinha? E com uma mulher? – Aberforth estranhou, e nisso o outro se levantou ainda enrolado no lençol e, sem querer deixando expostas suas costas nuas e arranhadas enquanto tomava a direção do banheiro. – Parece mais que andou tentando violentar alguém. Alguém de unhas bem afiadas. Talvez um lobisomem.
– Já chega! – o ex-professor gritou e deu meia-volta, sacando a varinha que estava em seu criado-mudo. Mas isso tampouco pareceu intimidar o outro.
– Ah, entendi. Não deu certo com ela, não foi? Compreendo que esteja se sentindo mal por isso. Eu também não ia querer perder uma mulher que me mordesse assim.
– Saia do meu quarto antes que tenhamos aqui uma briga de verdade – Albus ameaçou firmemente, a varinha empunhada conduzindo o irmão levitando pra fora do quarto.
AndyMelo: Pois sim, seriam ótimos avós ou pais! Na verdade são meus pais noutra fic, na qual eu participo como personagem apesar de não ser a autora, e eu não poderia ter uma família melhor.
Gaia-sama: Pobrezinho, dá vontade de pegar no colo e consolar 3
Uhura: Ah guria, que pesquisa que nada, vc tá fazendo é um doutorado em porcologia. Ah, fica assim com a Minerva não, logo ela fica esperta pra não perder o bofe.
Sra McGonagall D: Acha que se eu pudesse mandar o Albus pra algum lugar não o pegava pra mim? Aliás, até que não é má idéia... afinal sou eu que escrevo! Quem sabe numa próxima fic ;)
Mia Lima: Continuo sim! Tenho altas aventuras programadas pra essa fic ^^
Paullinnha: Fogo no coração, hahahahahahahaha, rachei. Logo a Minerva descomplica, podexá.
