Era uma típica cafeteria britânica dos anos 70, possivelmente uma raridade nos tempos de hoje. Haviam algumas poltronas floridas e as típicas mesas de madeira legítima. As paredes eram decoradas por obras de arte e também por alguns quadros com pontos turísticos da cidade. Ao fundo podia-se ouvir uma música que por sinal era uma das preferidas de Katy.

"You're my sunshine, my only sunshine

You make me happy when the sky is gray

You'll never know, dear

How much I love you

Please don't take my sunshine away..."

Newcastle não era uma cidade muito grande, uma típica cidadezinha de interior porém com o requinte e delicadeza típicos de uma cidade inglesa. Katy havia escolhido a cidade para justamente fugir de toda a agitação da cidade grande. Estava cansada dos holofotes, de pessoas sem tempo andando de um lado para o outro. Queria reconquistar a si mesma, acima de tudo e viver um pouco o outro lado da vida.

Com isso, depois de uma longa e exaustiva reunião com sua equipe ainda em Nova Iorque, eles entraram em um comum acordo de que ela tiraria uma tempo de folga de suas obrigações decorrentes de sua carreira. Na verdade era uma época perfeita para se afastar por um tempo. Seu terceiro álbum havia lhe rendido mais prêmios, a turnê havia acabado de ser encerrada com sucesso depois de quase dois anos na estrada e bem, profissionalmente falando, tudo ia muitíssimo bem para ela. Nada mais merecido do que um longo período de férias, longe de toda e qualquer exposição à paparazzis e a mídia em geral.

Se sua vida profissional ia de vento em popa, em contra partida sua vida pessoal estava devastada. Após intermináveis idas e vindas com John, ambos concordaram que era o fim do relacionamento deles, e mesmo assim a separação não deixou de lhes machucar. John havia sido importante demais em sua vida, lhe apoiou e lhe estendeu a mão quando por dentro seu coração estava em pedaços.

Katy havia vivido dois grandes amores, isso é verdade.

Por vários momentos questionou se, afinal, o problema não seria ela mesma. Por que no fim das contas ela sempre ficava sozinha? Era difícil lidar com separações, embora já tivesse vivenciado isso no passado. Mas era como se na segunda vez as coisas piorassem e no fim ela acabava por culpar a si mesma pelo fracasso.

Mas afinal, qual é o coração que não voltar atrás em diversas situações, não é mesmo?

Já haviam decidido o que iriam pedir, e enquanto esperavam começaram a conversar como velhas amigas que eram. Cheryl lembrava-se perfeitamente de como havia conhecido Katy. Ambas haviam sido convidadas para o famoso programa da tv britânica "The Graham Norton".

Naquele tempo, Katy estava na cidade para divulgar seu filme biográfico. Já Cheryl havia recentemente lançado seu terceiro cd. Logo de início as duas se deram super bem, Cheryl era uma grande fã de Katy e não deixou de demostrar isso ao longo do programa.

Já fora dos estúdios, elas tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor, longe dos holofotes e da mídia.

- Então Cheryl, o que você tem feito?

- Bom, eu abandonei a minha carreira como cantora. Sabe, eu amo a músic minha maior paixão, mas percebi que esse mundo de shows, turnês e compromissos intermináveis não era para mim. Foi bem difícil, confesso. Mas estou bem agora. Tenho me dedicado a fundação que é algo que eu amo e abri a minha própria marca de roupas. Mas e você, o que me conta Katy?

- Com licença, senhoras, - o garçom educadamente as interrompeu - aqui estão os pedidos.

- Obrigada! - ambas disseram ao mesmo tempo.

- Então como eu dizia, estou atualmente de férias da minha carreira e de meus compromissos. Confesso que não foi nada fácil convencer Tamra a me liberar - sorriu - mas no fim das contas vim parar aqui. Queria vivenciar algo diferente da minha rotina, viver mais sossegada por enquanto, ter um pouquinho de paz, me entende? - pegou sua xícara e levou até a boca dando alguns goles na bebida quente.

- Sim, eu entendo. Era exatamente assim que eu estava me sentindo. Mas você foi muito corajosa em largar tudo e vir para cá. Aqui é tão diferente de Nova York, você sabe não é?

- Sim. É exatamente disso que preciso agora.

- Mas e John? Não veio com você?

- Bom... nós.. nós nos separamos.

- Oh meu deus, eu sinto muito. Muitíssimo. Me desculpe, Katy - ela levou sua mão direita até a de Katy demonstrando solidariedade.

- Está tudo bem, Chezza. O pior já passou. - lhe ofereceu um sorriso.

E por hora um silêncio momentâneo tomou conta do lugar.

- Er.. você tem planos para hoje a noite? - Cheryl perguntou.

- Não, não. Meu único plano para hoje a noite era terminar de ler o livro que peguei em uma biblioteca aqui perto acompanhada de um chá bem quente. Um dos vícios que adquiri no pouco tempo que estou morando aqui.

- É um dos meus passatempos preferidos. Bom, eu adoraria te convidar para um jantar caso queira estragar seus planos para hoje - ela sorriu deixando suas covinhas a mostra.

- Eu adoraria. O que acha de vir me visitar e jantamos por lá mesmo? Tenho uma garrafa de vinho que trouxe de NY e ainda não tive a oportunidade de apreciar.

- Acho ótimo. Então ficamos combinadas assim?

- Claro! Te espero às oito.

- Até mais, Katy.

- Até breve, Chezza.

Um novo recomeço estava preste a acontecer, mesmo que ambas ainda não tivessem percebido.