Confusões em Família I

Priminha Querida

Capítulo 3:

Meus Primos Queridos! I

Eu olhava para tudo simplesmente fascinada enquanto subia as escadarias junto com Saori, Shion, Julian, Tétis e Sorento. Shion me disse que, se quiséssemos chegar com relativa paz ao Décimo Terceiro Templo, era melhor nos apressarmos, pois logo muitos cavaleiros de ouro apareceriam e então, adeus, paz. Pelo que entendi, eles queriam adiar ao máximo minha apresentação para os demais cavaleiros... Vai saber por que!

Talvez eles sejam loucos – como se eu fosse normal... Só sei que to LOUCA para conhecer os meus primos! Que será que eles acharão de mim?!

Vou pulando de dois em dois degraus, feliz da vida, animada, parecendo mais nova do que realmente sou, provocando risos. Sorri de volta, continuando a subida. Por incrível que pareça, não me cansei dessas enoooooormes escadarias... É quase como se eu estivesse acostumada a subi-las, sendo que nunca sequer as vi!

Observei atentamente os templos, sem querer um ar de nostalgia invadindo meu peito. Cada vez que parava para observar melhor as fachadas dos templos – e esperar os demais que ficavam para trás – uma cachoeira de flashs passavam por minha mente. Em Gêmeos e em Virgem as sensações foram mais fortes, mas em Virgem, principalmente, e não houve apenas flashs. Houve uma cena, curta, confusa, mas interessante e intrigante.

Voou rapidamente, planando até a entrada de Virgem, vendo a deusa ali. Precisava falar com ela, saber o motivo de estarem sendo banidas da Terra.

Sirene: Athena, porque está nos banindo?! Que fizemos à ti ou à seus cavaleiros que fez com que banisse à nós, Sirenes?! – a Sirene possuía longos cabelos ondulados de um azul que parecia os raios de sol sobre o mar, levemente úmidos, como se tivessem acabado de sair da água, olhos cor-de-mel com intrigantes pupilas em fenda, pele levemente morena de sol. Seus olhos estavam em desespero.

A mulher para a qual Sirene dirigiu-se como Athena olhou-a friamente. Seus olhos eram dourados, e seus cabelos, da cor do sol.

Athena: Vocês tentaram matar Odisseu. Prometeram que nunca mais iriam atacar os humanos. Quebraram sua promessa. Partam. Esse é o castigo, Eiael. – sua voz era fria. Não combinava com a imagem que todos faziam da deusa.

Eiael: É uma deusa como todos os outros. Pensam que é diferente, mas não é. É igual à Hera e a Ares, e à todos os demais. Nêmesis há de fazer justiça. – a voz da bela ninfa era ferina e seu olhar, ferido. Alçou vôo, para não voltar tão cedo para o Santuário.

Aquela lembrança era estranhamente familiar. Não sei explicar direito, mas senti raiva de Athena com aquela lembrança. Apenas momentaneamente, logo se desfez em névoa, quase caindo em meu esquecimento.

Continuei subindo, apagando momentaneamente de minha mente a cena que aparecera quando eu passei por Virgem. Não demorou, entrei do grande Salão do Décimo Terceiro Templo.

Dei pulinhos de felicidade, enquanto corria feito um furacão pelo salão, olhando todos os detalhes das colunas, do trono, das paredes, tudo. Nada escapou de meus olhos!

O templo era lindo, lindo, lindo. Nem tenho palavras para descrever! Se ficar dez anos descrevendo, não bastarão para tal! Eca, to falando que nem os livros de romances da Távola Redonda!

Corri o olhar pelo local, até ser chamada por Athena.

Athena: Eu, Julian e Tétis vamos procurar os seus primos, Tenshi. Shion irá preparar os cavaleiros e as amazonas para a notícia de uma aprendiz de Amazona de Ouro. Sorento irá te vigiar. – tradução: vai, forçadamente, bancar a babá. Eu não preciso de babá, eu já tenho catorze anos! Grrrr...

Antes que eu falasse algo, Athena, Julian, Tétis e Shion sumiram pelos portões do Salão. Sorento me olhos, com um olhar misto de crítico e fúria, com vontade de me matar. Franzi o cenho, cruzei os braços e berrei.

Tenshi: Que é?! Eu não pedi por isso não! Por mim, você tava com eles, assim eu podia xeretar à vontade o Décimo Terceiro Templo! – gritei, plantando-me à três passos beeeem largos à esquerda de Sorento, percorrendo o templo com meus olhos, procurando algo em que prender minha atenção. E encontrei.

Num canto escuro, aparentemente para permanecer oculto, um quadro de corpo inteiro, da altura de Sorento, apesar da figura retratada ser menor. Não resisti e me aproximei, espirrando. Maldição, minha rinite de novo!

Eu via grãozinhos de poeira flutuando no ar. Fazia tempo que o local não era limpo... Ouvi Sorento me chamar, mas ignorei. Forcei um pouco meus olhos, enxergando as cores e formas pintadas. Era a ninfa de minha "visão-lembrança". Era uma Sirene, e estava retratada como uma bela jovem – que, modéstia à parte, é como me imagino quando ficar mais velha, tirando a cor do olho e do cabelo – sentada numa rocha cercada de mar e uma praia ao fundo, gaivotas voando no céu. Juro que ouvi o canto das gaivotas momentaneamente!

Ouvi, novamente, Sorento me chamando, desta vez mais impaciente, me acordando do meu "transe", fazendo-me desviar o rosto. Falei um "já vou!" rápido em resposta, voltando-me para o quadro novamente. Quando olhei novamente, o quadro não estava mais ali! Brrr... Algum fantasma passou por aqui? Senti um frio na espinha de repente...

Não demorei, corri na direção de Sorento, que olhou-me com estranheza.

Sorento: Tudo bem, Tenshi? Você parecia estar em outro mundo... – disse-me, erguendo uma sobrancelha levemente.

Tenshi: Tudo. – sorri falsamente, contendo um grito quando senti um frio anormal – para os padrões da Grécia – com a luz das velas e lâmpadas oscilando – como quando tem um fantasma por aí...

Tô assistindo muito "Sobrenatural" e agora tô delirando, não existe uma explicação mais lógica...

Ok, estou terrivelmente assustada! Se acalme, Tenshi, s-e a-c-a-l-m-e! Respira fundo... Um... Dois... Três... Ahh, to mais calma!

Ouvi passos vindo em nossa direção. Na verdade eu mal ouvia esses passos, eram leves demais, como os do meu gato, e de repente ele aparecia, quando menos esperávamos.

A cena foi parecida. A jovem entrou por um corredor no salão, com passos silenciosos, assustando à mim e a Sorento. Sem brincadeira, dei um pulo de dois metros de altura com o susto! Eu geralmente berrava quando Rajá – o meu gato – aparecia de repente...

Era uma jovem, aspirante à amazona, eu diria pelas suas roupas, de cabelos longos, brilhantes e negros e olhos cor-de-rosa, com uma pele branca que parecia de porcelana. Vi o queixo de Sorento cair – literalmente. Como eu queria uma máquina para fotografar essa expressão pasmada...

A jovem andou na nossa direção, com passos suaves, parecia deslizar pelo chão. Quando ela aproximou-se mais, percebi algo que me deixou pasma. Orelhas pontudas! Uma elfa!

Érica: Olá. Meu nome é Érica. Athena irá demorar um pouco além do esperado... Parece que o choque da notícia para Saga e Kanon que possuem uma prima foi grande demais... – disse com uma gotinha. Sua voz era suave, como um rio de águas límpidas. Senti-me extremamente próxima à ela, uma afeição e ternura curiosa que me deixarão espantada. Mas o que superou essa reação espantada foi a raiva pelo choque dos meus primos. Meu olhos faiscaram de raiva.

Tenshi: Ah, tudo bem... É a vida... – disse, balançando os ombros, fingindo não reparar na cara aparvalhada de Sorento, disfarçando a raiva que sentia. Eu estava achando a cena muito egraçada e não queria estragá-la. Pena minha maa ter sido extraviada...

Érica riu diante da minha reação.

Tenshi: Desculpe a indelicadeza, Érica, mas você é humana? – disse reparando bem as orelhas, enquanto eu recordava tudo que estudara sobre mitologia.

Érica: Não, sou uma elfa. Tenho trezentos anos de idade, mas só recentemente convenci meu pai a me deixar tornar-me amazona... – disse sorrindo de forma meiga. Rapidamente, eu e Érica nos entretivermos numa conversa acalorada. Eu estava seca por informações sobre os elfos.

Agradecimentos:

Sorry demora. O capítulo tava quase pronto quando entrei de férias, e agora tô de férias, a sorte foi que trouxe meu Pen Drive com os arquivos e terminei aqui na minha tia. Espero que tenham gostado.

PurPetit Cat: Que bom que gostou da briga da Tenshi e da Tétis! Pois é que Milo é esse, eu quase enfartei escrevendo o capítulo. Esse fim de capítulo desse ser familiar pra quem leu "Per Te", e realmente, essa é a cena que a Érica aparece na história.

Gente, logo vai rolar aqui "Back to the River" e "O Dragão e a Imperatriz", a primeira, one shot pra Anya-San, ou Raji Devi Lakishimi, mega atrasada, e a segunda, de capítulos, no máximo 15, pra Chiisana Hana, também mega atrasada. Essa aqui mais dois capítulos e fica concluída!

Gente, obrigada por ler! Beijos à todos!

Tenshi Aburame