Uma prisioneira real

Era notável a agitação da capital de Bertah nos dias que se seguiram à chegada de Bella na cidade. Havia um movimento incomum de guardas nas ruas e frequentemente ela pode ver moças sendo revistadas, às vezes com brutalidade. Talvez alguém a tivesse denunciado como cúmplice de Jake, mas na dúvida ela tentava se camuflar entre os moradores, disfarçada de mendiga.

O príncipe Emmett, governador do território Quileute, chegou na metade da semana, causando furor na população local, uma vez que ele era uma das figuras mais carismáticas da família real. Bella na pode deixar de notar que ele era enorme, equivalente a Jacob em força e porte. Agora que o líder da rebelião estava preso, Emmett era tido como um herói e político notável, mesmo quando todos sabiam que sua verdadeira vocação eram os jogos e as mulheres, em especial sua esposa. A princesa Rosalie era conhecida pela beleza incomparável e por ter sido recusada pelo rei no primeiro momento, um golpe em sua vaidade que jamais foi esquecido. No entanto, ela se vangloriava por ser a mãe dos dois primeiros príncipes reais da nova geração, o que a tornava a favorita da rainha mãe.

A agitação no mercado aumentava a cada dia, as ruas estavam sendo limpas e lojas decoradas. Quando Bella perguntou o que estava acontecendo na cidade, uma vendedora de flores respondeu que a família real faria uma grande parada em celebração a captura do rebelde. Foi então que a garota percebeu que Jacob corria sério perigo, uma vez que eram comuns as execuções em eventos como este.

O dia da parada real chegou e Bella fez questão de conseguir um bom lugar próximo de onde o cortejo passaria, na esperança de que conseguisse falar com Jacob, ou ao menos vê-lo. Com um pouco de sorte, eles poderiam ser condenados juntos e fazer companhia um ao outro na outra vida. Cruel de mais? Bem, essas eram as opções que ela tinha.

As trombetas anunciavam a passagem da família real de Bertah, enquanto músicos animavam a população tocando marchas. Animais foram trazidos do território Quileute para encantar as crianças que corriam de um lado para o outro para ver melhor. Pétalas de flores eram jogadas sobre o cortejo do alto das sacadas, onde várias donzelas gritavam quando viam um belo soldado. Bella viu então, Jacob estava jogado em uma carroça rústica, acorrentado como uma fera selvagem, com vários ferimentos e contusões ao longo do corpo, ele mal parecia o líder lendário que ela conheceu.

- Jake! – ela gritou no meio da multidão, tentando chamar a atenção dele. Jacob se virou ao ouvir vagamente o som de seu nome e encontrou o rosto dela. Uma onde de pânico percorreu o corpo dele, só de pensar no que aconteceria se ela fosse pega.

- Saia daqui! – ele gritou para ela – Fuja! – ela ignorou a ordem, enquanto via a carroça avançar dando passagem para as princesas reais que vinham logo atrás.

A tenda das princesas e crianças reais vinha luxuosa, com Rosalie e Alice, os filhos do príncipe Emmett e dez criadas da nobreza que cuidavam para que o caminho estivesse devidamente pavimentado com pétalas de rosas. Bella ficou boquiaberta com tanta beleza. Logo depois da tenda estava a pequena liteira dourada onde a rainha mãe, Esme, acenava graciosamente para os súditos.

O deslumbramento de Bella durou alguns minutos até que surgiram as figuras que ela mais odiava no mundo. O rei Edward vinha a frente, vestindo armadura, montado em um cavalo impecavelmente branco. Vinham alinhados logo atrás do soberano Emmett, o príncipe governador dos territórios Quileutes, e Jasper, príncipe consorte e general do exercito real.

Ver aquele homem prepotente e arrogante montado naquele cavalo, agindo como se fosse um deus. "Muito confiante para quem não tem um herdeiro próprio e corre o risco de ver o trono parar nas mãos do irmão falastrão", ela pensou. A raiva tomou conta dela e num rompante involuntário Bella pegou uma pedra de tamanho razoável do chão. Antes que ela pudesse pensar duas vezes, ela arremessou o projétil na direção do rei.

- Tirano assassino! – ela gritou, enquanto a pedra atingia o jovem rei no ombro direito, fazendo-o perder o equilíbrio do cavalo e quase cair. O rei só não foi ao chão porque foi socorrido por seu irmão antes. Bella então viu o general dar uma ordem silenciosa aos seus homens e logo metade da guarda estava atrás dela.

Bella correu desesperadamente para o meio da multidão, tentando despistar os soldados que a perseguiam até ser encurralada em um beco escuro perto do mercado. Os Guardas a levaram até onde general Jasper esperava, um pouco atrás da família real. Ele encarou a garota de cima a baixo, notando que ela não se parecia com uma garota Quileute. Hale olhou em direção a sua esposa por um instante e como por pressentimento notou que os olhos da princesa perderam o foco por um minuto. Num súbito entendimento ele ordenou a Bella que mostrasse os braços. Diante da desobediência dela, um dos soldados a obrigou a fazer o que foi mandado.

Foi então que ele viu o desenho pálido e delicado de uma queimadura em forma de lua crescente na mão direita dela. O general sentiu seu sangue gelar e para despistar o que estava acontecendo, ordenou que os soldados a levassem para o calabouço do palácio e em seguida ele cavalgou novamente para a formação original.

- Capturou o responsável? – o rei perguntou rispidamente, enquanto disfarçava acenando para a população. Jasper apenas acenou com a cabeça – Isso é bom para que o povo veja que é necessário muito mais do que pedras para derrubar um rei. Espero uma punição exemplar para este pequeno agitador.

- Então vossa majestade terá que me dizer como punir esta pequena agitadora. – Edward o encarou surpreso por um momento – Uma vez que ela está destinada a ser minha futura rainha, não tenho poder para infligir punição a ela, a menos que seja em nome do rei. – num momento de entendimento, um sorriso maldosamente satisfeito se desenhou na face do rei.

- Quero vê-la mais tarde com meus próprios olhos. – ele disse categórico – Nenhum de seus homens deve feri-la ou molesta-la de qualquer maneira, se isso acontecer o responsável deverá ser punido com a morte.

Depois disso a parada transcorreu num ritmo muito mais rápido, por uma questão de segurança. Bella foi levada para as masmorras do palácio, onde foi colocada dentro de uma cela escura, com apenas pão e água como alimento. Não havia luz alguma dentro daquele lugar, se não os poucos archotes que estavam acesos. O tempo passou e ela já não sabia dizer se era dia ou noite até que passos firmes foram ouvidos, ecoando pelo ambiente revestido de pedras.

A figura esguia e altiva do general parou diante da cela onde ela estava. Ele ainda usava a armadura e seu rosto tinha uma expressão de severidade misturada à curiosidade. Ele a avaliou por um momento e então ordenou que abrissem à cela. Bella permaneceu sentada no chão, sem encará-lo.

- Levante-se. – ele ordenou e ela permaneceu imóvel – Levante-se! Não ouviu? – a resposta desta vez foi uma cusparada em suas botas de montaria. O semblante dele se endureceu – Muito bem então. Sua Majestade Real, Edward, rei de Bertah e soberano dos territórios Quileute ordena que a senhorita seja devidamente limpa e vestida, de modo que sua visão seja agradável ao rei.

- Não tenho o menor desejo de ser uma "visão agradável ao rei". – ela retrucou sarcasticamente.

- Ordens reais têm por objetivo expressar o desejo do rei e não agradar a quem recebe. Estou aqui apenas comunicando que vou levá-la até aposentos mais apropriados para que as servas a limpem e vistam. – ele manteve a voz gelada e insensível.

- E se eu me recusar a ir? – ela o encarou furiosamente, desafiando a autoridade do general que conquistou um vasto território em menos de dois anos.

- Tenho poderes para levá-la a força. – ele respondeu indiferente ao desaforo dela – Não gosto de usar da força bruta contra mulheres, mesmo que mereçam, mas se for necessário eu usarei. Eu sugiro que me acompanhe, ao invés de testar minha paciência. – vendo que seria inútil discutir com aquele homem, Bella apenas se levantou e seguiu o general.

Assim que saíram da região dos calabouços o que Bella viu lhe doeu os olhos. Eram os lindos salões de mármore branco, com suas pilastras esculpidas, archotes de ouro e cobre tornando tudo deslumbrante a vista. O ar era quente e carregado de aromas exóticos que a deixavam meio tonta. Havia cortinas de linho com bordados feitos com fios de ouro e cada milímetro daquele lugar era feito para tirar o fôlego dos meros mortais. Por um instante ela olhou através de uma janela e pode ver um pequeno pedaço dos famosos jardins internos, com suas arvores e flores exuberantes.

O general a guiou até um portão branco, lindamente entalhado, onde dois soldados montavam guarda. Eles abriram o portão e Jasper fez sinal para que ela entrasse.

- Daqui em diante eu não tenho permissão para prosseguir. As criadas irão atendê-la e eu voltarei dentro de duas horas para buscá-la. – o general disse e sem esperar pela resposta dela, foi embora.

Bella atravessou o portão e ouviu sendo fechado logo em seguida. Depois de passar por cortinas esvoaçantes e se deparou com um quarto tão grande quanto sua antiga casa, coberto por tapetes e muito bem mobiliado. Logo saíram de trás das pilastras e cortinas, várias garotas usando roupas finas e coloridas. Nenhuma delas encarava Bella diretamente, mas se aproximaram dela como um enxame de abelhas.

Então Bella sentiu sua capa esfarrapada ser tirada, assim como cada uma de suas peças de roupa. As calças de viagem que ela usava foram cortadas, bem como a blusa. Nem mesmo sua roupa intima escapou e ela não se lembrada de ter se sentido tão embaraçada alguma outra vez na vida. As mulheres silenciosas a levaram para um cômodo anexo, onde um salão de banho já estava preparado. A garota sentiu o forte cheiro dos óleos de banho, misturado com o das pétalas de rosa.

Duas das mulheres que a despiram tiraram as próprias roupas e puxaram Bella para dentro da piscina onde a água quente já a aguardava. As estranhas a colocaram sentada e cuidadosamente começaram a delicada missão de banhá-la, como se ela fosse uma criança. Bella tentava protestar, mas as mãos das criadas eram furtivas e ágeis, deslizando pelo corpo de e massageando-a até que sua consciência estivesse turva.

Depois de meia hora, elas saíram do banho e Bella foi enrolada em uma toalha de linho. Ela foi levada ao quarto mais uma vez e outras duas servas a vestiram com seda e tecidos finos, bordados com fios de ouro e prata. As roupas deixavam a barriga, os ombros e parte das pernas a mostra, uma grande quantidade de colares de ouro foi usada para encobrir o decote. Depois foram colocadas várias pulseiras, anéis e um par de brincos. O peso das jóias era tanto que Bella sentia seu corpo pender.

Então ela foi sentada diante de uma penteadeira, onde uma criada cuidava do cabelo e outra usava uma série de coisas estranhas para pintar o rosto de Bella. Quando elas terminaram, a garota se olhou no espelho e levou um susto. Ela se parecia com uma rainha, ou talvez com uma concubina, mas a verdade é que ela nunca imaginou que poderia ficar tão bonita. Minutos depois foi anunciado que o general estava de volta para levá-la. Bella foi acompanhada até a saída.

O general a encarou por um momento, ponderando tudo a respeito dela.

- Agora se parece com uma dama. – ele disse solenemente – Muito bonita, até. A única recomendação é para que se comporte na presença do rei e só lhe dirija a palavra se ele lhe fizer perguntas. – aquilo insuflou o espírito rebelde dentro dela, mas ela se conteve. Pensou em Jacob naquele momento e em como o povo dele sofria enquanto ela estava vestida como uma nobre. Sentiu-se escandalizada com aquilo.

Ela seguiu o general mais uma vez, sem questionar ou reclamar. Enquanto andava sua mente pensava em como seria difícil escapar do palácio. As salas e galerias tornavam tudo confuso e havia guardas em cada esquina. Se algo acontecesse a ela ninguém ouviria e se ouvisse jamais tentaria ajuda-la. Uma sensação de solidão se apoderou dela e então Bella percebeu que não havia ninguém para olhar por ela. Sem família, sem amigos, sem Jacob. Agora era apenas ela e o rei com seus exércitos.

Ela foi colocada em uma ampla sala e foi ordenado a ela que se ajoelhasse no chão e não olhasse para frente. Bella obedeceu à contra gosto e resistiu à tentação de espira pelo canto dos olhos quando ouviu passos ecoarem no mármore branco. Ele se sentiu desconfortável por ter a certeza de que ela estava sendo observada de todos os ângulos possíveis.

- Quem diria que uma criatura tão adorável poderia atentar contra minha vida? – uma voz aveludada se pronunciou. Era agradável, mas havia um tom de arrogância difícil de disfarçar – Uma grata surpresa, ver que é uma jovem tão atraente. O que eu fiz para merecer tamanha demonstração de fúria da sua parte? – ele questionou interessado.

- Já se perguntou, vossa majestade, quantas família foram destruídas e quantas pessoas sofrem por causa de sua ganância? – ela disse desafiadora – Eu vi de perto e fiquei horrorizada. O homem que age como um deus dentro dos muros da capital de Bertah, no território Quileute é a imagem do próprio demônio.

- Uma agitadora. – ele constatou – O destino não poderia ser mais irônico. Qual o seu nome?

- Bella. – ela respondeu sem mencionar seu sobrenome.

- Um nome familiar. – ele disse – A menina seqüestrada? Filha do meu chefe de policia, Charlie Swan? – ela estremeceu. Não esperava que ele se lembrasse do pai dela.

- Era. – ela disse rapidamente – Agora é Bella Black. – ele parou de andar e a olhou demoradamente. Ele se abaixou e com uma das mãos ergueu o queixo dela. Pela primeira vez ela se deparou com o verde dos olhos dele.

- Esposa de Jacob Black? – ele fez uma pausa sem desviar os olhos dela – Você sem duvida se parece com uma rebelde, mas há algo de inegavelmente inocente nos seus olhos.

- Sou a esposa dele! – ela disse imediatamente.

- Não duvido que tenham se casado. O que duvido é que tenham consumado o casamento. – ele falou analítico. – Você tem olhos de uma criança arteira, mas não nego que eles sejam asfixiantes. – ela se lembrou da ocasião em que Jacob havia dito aquilo – Imagino que tenha sido impossível para ele não se afogar no fundo dos seus olhos. Não o culpo. Sabe por que está aqui, Bella?

- Porque arremessei uma pedra para derrubá-lo do cavalo. – ela respondeu mecanicamente. Ele riu.

- Não deixa de estar certa, mas há algo mais importante que isso. – ele disse calmamente – Mostre-me suas mãos. – ela obedeceu e então ele viu a marca tão desejada. A lua crescente. – Sabe como minha falecida rainha morreu? – ele a encarou mais uma vez.

- Complicações na gravidez. – ela disse rapidamente.

- Essa é a história que meus conselheiros espalharam, mas a verdade é que ela se suicidou. – os olhos de Bella se arregalaram – Ela não agüentou a pressão de ser uma rainha incapaz de me dar um herdeiro. Não a condeno por isso, já que nenhuma mulher pode me dar um filho. Elas podem até conceber, mas os abortos são inevitáveis.

- E o que isso tem a ver comigo? – ela questionou.

- Foi profetizado a mais de dez anos que mulher alguma me daria herdeiros – ele fez uma pausa – exceto uma. Uma donzela marcada com uma lua crescente. Alguém que não seria seduzida por poder ou riqueza. – o rosto de Bella ficou pálido – Silenciosamente temos procurado por esta dama e até então tudo foi em vão. Alguns dias atrás, a mesma pessoa que fez a profecia teve uma visão de que a moça estava dentro da cidade. Por isso os portões foram fechados e tantas mulheres foram revistadas, mas no final das contas você veio até mim por conta própria.

- Onde...Onde quer chegar? – ela perguntou sentindo o medo correr em suas veias.

- Você se casará comigo na próxima lua cheia e será minha rainha, Bella. – ele disse com absoluto cinismo e arrogância. Esquecendo-se do protocolo, Bella se levantou de uma vez e o encarou furiosa.

- NUNCA! – ela gritou contra ele. O rei se assustou com o rompante de rebeldia dela – Não vou me casar com o diabo em pessoa! – num rápido movimento, Edward alcançou o pescoço dela com uma das mãos, apertando cuidadosamente enquanto a empurrava com força contra uma parede.

- Nunca mais você vai gritar na presença do rei. – a voz dele saiu cortante – Fui claro? – ela não conseguiu responder – Você vai ser minha rainha e será muito grata por isso em todos os dias de sua vida. Você se comportará apropriadamente, do contrario eu mandarei prender seu pai e executa-lo por ser cúmplice da rebelião e mandarei seu precioso agitador fazer companhia a ele no outro mundo, e no fim das contas nada disso a livrará do casamento comigo. Sugiro que pense bem em cada passo que dará a partir de agora.

- Você é nojento. – ela respondeu com o que restava do ar em seus pulmões. Com a mão livre Edward alisou uma das pernas dela, provocando repulsa em Bella.

- E você é linda. – ele disse cruelmente ao ouvido dela – Uma boa mulher deve ser linda, fértil e silenciosa. Beleza não lhe falta, fertilidade é seu mais valioso atributo, o que precisa adquirir é silencio. – ele inalou o perfume dela profundamente – Se continuar arredia deste jeito farei exatamente como faço com meus cavalos, usar o chicote até que esteja domesticada e obediente. – ela estremeceu mais uma vez – Odiaria marcar sua pele perfeita. – ele finalmente a soltou e Bella caiu no chão de joelhos – Na próxima lua cheia eu terei uma esposa e Bertah uma nova rainha. Você ficará no meu antigo harém enquanto isso, lá será sua residência oficial e cada uma das mulheres de lá é uma serva sua. Você não pode ser tocada por ninguém, somente pelos membros da família real e pelas damas responsáveis pela sua higiene. Só lhe dirigirão a palavra os membros da família real. Tenha uma boa noite de sono, querida.

Ele saiu da sala, deixando Bella sem fôlego para trás. As mãos dela tremiam e a histeria se aproximava como uma onda violenta que ela tentava controlar. Ela preferia a morte a ter que servir aquele homem. Se tivesse que se deitar com ele, se mataria no instante seguinte. Enquanto ela tentava recuperar o auto controle o general chegou para escoltá-la de volta ao harém. Ele não disse nada, apenas conduziu como se fosse mudo, o que Bella achou um alivio. Minutos depois ela estava dentro do quarto onde foi preparada, mas desta vez não havia mulheres silenciosas zanzando ao redor dela. Havia apenas uma garota vestida de maneira tão luxuosa quanto ela, sentada em uma pequena cadeira dourada. Pareceria uma criança, se não fossem os seios medianos. Assim que ela viu Bella, sorriu para ela como se a conhecesse a vida toda.

Bella não teve tempo de dizer uma única palavra. A garota se atirou sobre ela, abraçando-a bem forte. Onde estava o protocolo? Supostamente ela não podia ser tocada por ninguém!

- Que bom que você finalmente apareceu! – a garota disse animada – Esperei tanto por isso! Eu sou a princesa Alice, sua futura irmã! – nem nos sonhos Bella imaginou que um dia seria tratada daquele jeito, MUITO MENOS POR UMA PRINCESA DE SANGUE REAL!

- Eu sou Bella. – ela disse meio sem ar. Alice a soltou do abraço e sorriu para ela.

- Eu sei quem você é. – ela disse sorrindo – Melhor do que todos eles, se quer saber. Fui eu quem previu a sua chegada há dez anos atrás. Vi que seriamos amigas também, grandes amigas. – ela deu pulinhos de alegria – Jasper não gosta da idéia, mas ele não entende muito de destino. Estou tão feliz! – céus! Ela não parava um minuto! – Você será uma rainha ta boa! Tanya nunca conseguiria ser como você, ela não ligava muito para o que acontecia fora do palácio.

- Alteza, respire! – Bella disse e Alice riu mais ainda.

- Você é mesmo engraçada! – a princesa comentou – Entendo porque Edward vai se apaixonar por você. É tão sincera e bonita!

- Acho que há um pequeno engano aqui, alteza. – Bella disse um pouco contrariada com tamanha intromissão em seus problemas – O rei não ama nada além de sua própria vaidade. Ele jamais saberá o que é amar. – Alice a encarou com olhos tristes.

- Ele só precisa aprender. – a voz dela saiu baixa – Você é tão diferente das outras. É a única que odeia a idéia de estar no palácio nas condições de "favorita do rei".

- Talvez por que ele seja um prepotente, arrogante, egocêntrico e tirano. Alguém que não se importa em matar, saquear ou aprisionar uma mulher, se isso der a ele algum prazer ou vantagem. – Alice riu.

- É a primeira vez que vejo alguém falando isso dele tão abertamente e sem medo de ser sentenciado a morte. – a princesa disse – Você é divertida.

- E pra completar, ele prendeu o homem que eu amo e pode matá-lo a qualquer momento. Como posso ter algum prazer em estar debaixo do mesmo teto que ele? – Alice olhou para ela curiosa.

- É tão interessante ver como uma pessoa normal age e pensa. – a princesa disse.

- O que quer dizer? – Bella perguntou.

- Você fala sem se preocupar com as palavras e o tom. Seus movimentos são bruscos e apaixonados. Você ama e fala que ama, mesmo que a pessoa em questão não seja adequada para você. Aposto como sabe correr e subir em arvores. – Alice falava como se estivesse sonhando.

- Vocês de sangue azul não fazem isso? – Bella perguntou chocada. Alice acenou negativamente com a cabeça.

- Sempre tenho que prestar atenção no que digo e como digo, para que sempre seja agradável ao rei e todos os seus súditos. Meus movimentos têm que ser graciosos e devo agir como a divindade encarnada que sou. Eu devo amar quem meu irmão julgar melhor e nunca demonstrar paixão em público. Eu não corria nem quando era criança, minha mãe não deixava, e subir em arvores é algo tão inimaginável que eu tenho medo só de pensar.

- Seu casamento foi por obrigação? – Bella arregalou os olhos e Alice riu.

- Mais ou menos. Teria sido por obrigação mesmo, mas eu via Jasper em minhas previsões muito antes dele aparecer. Eu estava destinada a amá-lo e o amo mais do que qualquer coisa na terra ou sobre ela. – Bella pareceu aliviada com aquilo – Mas casamentos assim são normais na família real. Somente o rei pode escolher sua noiva e os cônjuges dos irmãos.

- Acho que teve muita sorte então. Seu irmão não me parece um bom alcoviteiro. – Alice sorriu largamente – Tem filhos? Não me lembro de ouvir nada sobre isso. Quando sai de Bertah o casamento ainda era recente. – Alice acenou negativamente mais uma vez.

- Ainda não. – ela corou – Meu tempo com Jasper é bem reduzido, é preciso que ocorram certas "coisas" pra se ter filhos. Ele sempre está em missão fora de Bertah e ele jamais desobedeceria a uma ordem de meu irmão. – Bella olhou para ela estarrecida. O famoso general Hale não "comparecia" por causa das constantes demonstrações de autoridade do rei. Por um momento Bella teve pena da princesa.

- Nunca "aconteceu" nada? – Bella insistiu.

- Duas vezes. A primeira na noite do nosso casamento e a segunda quando ele voltou da fronteira Quileute. Neste meio tempo eu mal o via. Talvez eu não seja boa o suficiente "naquilo" e ele prefira procurar alguma mulher mais experientes quando está em campanha. – a princesa falou com visível constrangimento.

- Já tentou se insinuar pra ele? – Bella perguntou de maneira indiscreta.

- Não sou uma concubina pra me insinuar! – Alice deu um sobressalto. – E como alguém que nunca fez nada pode dar algum conselho? E não tente negar, porque parte da profecia inclui o fato de você ser donzela!

- Há muitas maneiras de se dar e receber prazer sem que se perca a virgindade. – um riso debochado apareceu no rosto de Bella – Jake me ensinou uma ou duas coisinhas a respeito. – a boca da princesa se abriu em forma de "o" e as duas riram muito em seguida.

- Melhor Edward não ficar sabendo disso, ele não sabe lidar com concorrência muito bem. – a conversa se estendeu por mais uma hora até que a princesa decidisse voltar para sua ala do palácio.

Alice chamou duas criadas para banhá-la assim que chegou aos seus aposentos. O banho foi minucioso e demorado. Assim que terminou as servas a vestiram com uma fina túnica de linho, tão leve e vaporoso que mais parecia um véu feito de nuvens, deixando o corpo dela praticamente descoberto. Os cabelos da princesa foram penteados cuidadosamente e em seguida foram colocadas as pulseiras e colares de ouro e rubi. Ela dispensou as serviçais e aguardou na penumbra do quarto.

O general mal podia esperar para voltar ao quarto e se livrar daquela maldita armadura. Odiava ocasiões oficiais por isso, não tinha paciência para lidar com tantas peças de roupa sobrepostas. E no fim das contas o dia não ajudou em nada. Jacob Black preso, atentado ao rei, à garota da profecia, tudo de uma vez só. Tanta agitação deu a ele uma bela dor nas costas. Assim que chegasse à câmara pediria a uma das servas que lhe fizesse uma massagem.

Ele nem cogitava a idéia de encontrar sua esposa ainda naquela noite. Alice costumava apreciar muito mais seus pequenos passeios noturnos pelos jardins, ou as visitas que fazia à rainha mãe e ao irmão, do que a companhia dele. Adorava a esposa, mas às vezes agiam como dois estranhos e talvez até fossem, já que ele passava tanto tempo fora. Ele chegou ao quarto e notou o quão silencioso estava. A princesa não estava lá como já esperava. Jasper permaneceu de pé aguardado que algum servo viesse ajudá-lo a retirar a armadura. Irritou-se quando percebeu que ninguém veio atendê-lo como deveria. Acabaria açoitando alguém por isso. Ouviu as portas do quarto se abrirem e virou a cabeça, esperando encontrar algum servo atrasado, mas o que viu o fez estremecer involuntariamente.

Alice olhava para ele timidamente, com as bochechas levemente coradas e usando nada além de uma túnica folgada para a noite que deixava o corpo esguio e pequeno totalmente a mostra. Aquilo o assustou por um momento, ela estava se parecendo com uma das concubinas reais e não com a garota habitualmente inocente que era. Ela deu boa noite a ele e ele não conseguiu responder nada que fosse minimamente coerente com a situação, sua excitação com a cena não lhe permitia. Ela caminhava até ele graciosamente e com calma.

- Onde estão os criados? – ele perguntou com a voz já obscurecida – Gostaria de me livrar desta armadura. – ele concluiu quando ela já estava ao lado dele. Com suas mãos pequenas, Alice suspendeu os braços do general, deixando à mostra as amarras da indumentária militar.

- Dispensei os servos. – ela disse baixo – Vou tirá-la para você. – Jasper sentiu o sangue ferver dentro das veias e um liquido gelado parar em seu estomago enquanto ela desamarrava as ombreiras de metal, ocasionalmente alisando os braços dele em seguida. Aquilo provocava arrepios por todo corpo dele.

- Não precisa fazer isso... – a voz dele parecia não ter forças diante do toque dela. Depois de tirar cada uma das ombreiras, ela desamarrou o "tórax de ferro" que cobria todo tronco do general. Armaduras eram coisas complicadas e inconvenientes, ele pensou. As mãos dela desceram por todo abdômen dele, ainda coberto pela túnica de seda bordô com detalhes dourados que ele usava em ocasiões oficiais e pararam sobre a faixa de cetim vermelho que prendia a espada a cintura dele.

- Quero fazer isso por você. – a voz dela tinha um tom de suplica e submissão adorável. Ele não contestou, estava atordoado de mais com tantas sensações se espalhando por seu corpo. – Sente-se na cama para que eu possa retirar as botas. – ele obedeceu prontamente. Sentou-se na cama com as pernas separadas, evidenciando ainda mais a ereção latente, enquanto ela se ajoelhava no chão entre elas e abaixava o tronco para desatar a proteção de ferro que cobria a parte da frente das botas de montaria. Aquilo permitiu que ele tivesse uma visão ainda mais agradável do corpo dela. Ela removeu as proteções calmamente e em seguida retirou as botas dele.

- E gostaria de entender... – a voz dele mais parecia um ronronar do que qualquer outra coisa – minha flor de lótus. – aquilo estava se tornando dolorosamente prazeroso, a ponto dele odiar o fato de que ainda restavam à túnica e a calça para serem removidos. Ela levantou o tronco para que ele a olhasse no rosto e com minúcia retirou a túnica dele e a jogou longe, deixando o tórax do general totalmente a mostra. Ela deslizou a mão pelo peito dele, acariciando e arranhando toda extensão, provocando arrepios nele.

- Você parece tão tenso. – ela disse suavemente e aquilo não podia ser mais erótico. Ele tinha uma urgência nova agora, precisava dela o mais rápido possível. Queria sentir o gosto dela e provocar naquela criatura todas as sensações atordoantes que ela provocava nele.

- Venha até aqui, Alice. – ele falou em tom de comando, exatamente como costumava falar com seus soldados. Aquilo há assustou um pouco, ele normalmente era mais subserviente a ela, já que ainda mantinha na memória o fato de que ela tinha sangue azul e ele não. Antes de obedecer, ela retirou as calças dele, deixando-o totalmente nu diante de si, absolutamente rígido. Ela umedeceu os lábios, pensando seriamente em ignorar a ordem. O general emitiu um rosnado ao vê-la. – Não faça isso. – ele disse autoritário mais uma vez – Venha até aqui. – ela então se levantou e sentou-se sobre a perna dele.

Jasper suspendeu com uma das mãos a barra da túnica dela e sentiu com a ponta dos dedos a textura acetinada da pele da princesa. Com o outro braço ele a trouxe pra junto de si, de modo que os seios dela estivessem pressionados contra o tórax dele. Ele beijou o pescoço dela, fazendo-a arrepiar. Com uma das mãos, Alice acariciava a nuca dele e puxava os cabelos. Então ele a puxou para um beijo intenso e descontrolado, já sem muito controle sobre sua própria consciência.

- Preciso de você agora. – ele disse entre um beijo e outro, mal dando a ela tempo de respirar – Sente-se sobre mim, Alice. – ele ordenou mais uma vez. Ela sentou sobre o colo dele, com uma perna de cada lado do corpo dele, de modo que senti-se em sua entrada a ponta do membro totalmente rígido. Ele levou uma das mãos entre as pernas dela, sentindo com dois dos dedos o quão úmida e apertada ela estava. Alice gemeu e ronronou sensualmente ao ouvido dele. Ele retirou os dedos subitamente, sobre protestos dela, e lambeu-os – Deliciosa. – ele disse insinuante.

Então ele arrebentou a túnica transparente dela com as duas mãos, de modo que apenas os colares de ouro que ela usava permaneceram. Ele apalpou os seios desnudos com força, fazendo-a gemer ainda mais. Quando ele já não conseguia mais suportar a dor latente em seu membro, ele a puxou de uma vez e penetrou. Alice gritou de susto e prazer, sentindo as estocadas fortes dele. Sem se desgrudarem por nem um minuto ele a deitou na cama, podendo então aumentar o ritmo cada vez mais, sem o menor controle da intensidade que estava usando para isso.

A princesa gemia e gritava palavras desconexas, chamava o nome dele até perder o fôlego. Quando já não agüentava mais ela se entregou a um orgasmo violento e sentiu ele se derramar dentro dela em seguida. As ondas de prazer eram intensas e turvavam a consciência de ambos. Então ele a beijou mais uma vez com vontade.

- Esteja no quarto amanhã quando eu vier me deitar. – ele disse roucamente no ouvido dela.

- Por que, amor? – ela perguntou timidamente.

- Para retirar minha armadura. – ele sorriu cinicamente para ela, fazendo-a corar – Se não estiver aqui, vou procurá-la em cada canto do palácio e lhe trazer nem que seja na marra. – ele a puxou pra junto dele e ambos dormiram em seguida, mal entendendo o que havia acontecido. Sabiam apenas que se amavam.

Nota da autora: Hey galera, era pra ter postado ontem, mas a porra do word comeu um pedaço do capitulo e eu tive que escrever de novo. Bem, agora as coisas começam a se delinear. No que diz respeito à família real de Bertah, eles tem um protocolo bem rígido, já que são considerados reencarnações de divindades. Edward agora mostra a que veio nesta história e a coisa não vai ser nada fácil, muito menos prazerosa pra Bella, tadinha.

Alice e Jasper tem uma relação interessante, já que sabem exatamente o que sentem, de uma maneira determinista até, mas por causa do titulo dela ele ainda se sente subordinado a isso e por tanto, chega a considerar um crime fazer "aquilo" com ela sem que ela demonstre explicitamente que está disposta. Essa NC foi inesperada até pra mim, ela apenas nasceu. Considerem um presente.

A história em si não tem nada a ver com As Mil e Uma Noites, apenas o universo que imaginei me remete a lugares exóticos e coloridos, cheio de regras e sedução.

Espero que estejam gostando.

Comentários são sempre adoráveis e desejáveis!

Bjux

Bee