A rainha

Os guardas chegaram ao harém acompanhados do general Hale. Assim que cruzaram portão entalhado, Alice soube que algo terrível estava para acontecer. Jasper estava com uma expressão difícil de identificar, algo entre dever a ser cumprido e grande pesar. Bella se assustou com o barulho que fizeram ao entrar e deu um salto da cama, sendo abraçada pela princesa imediatamente.

- Você na vai fazer nada com ela, não é? – a princesa perguntou ao marido, que se manteve com a face inexpressiva. Ele fez sinal para que Alice saísse da frente, mas ela se recusou. – Não seja tão cruel, Jasper!

- Eu tenho ordens expressas que devo cumprir. Independente do peso de sua palavra enquanto princesa real, não poço desobedecer a uma ordem dada pelo rei. A "favorita" deve me acompanhar imediatamente. – Bella estremeceu ao ouvir o som cortante da voz dele – E você deve voltar aos seus aposentos, Alice. Isso também é uma ordem.

- Você não me dá ordens, Jasper! – Alice retrucou imediatamente.

- Não enquanto seu consorte, mas esta também é uma imposição do rei. Os guardas podem levar a favorita agora. – dois guardas foram até Bella e a pegaram pelos braços com brutalidade. Ela se debatia inutilmente, chamando por Alice e pedindo ajuda. Nada adiantava, uma vez que ela estava praticamente sendo arrastada para fora do harém. Só havia uma explicação para aquilo. Elas haviam sido descobertas.

Alice ficou para trás, encarando o general, indignada. Ela se lançou contra ele em uma inesperada demonstração de raiva, esmurrando-lhe o peito encoberto pela armadura e gritando ofensas histericamente. Jasper se assustou com aquilo, de fato era a primeira vez que ele via sua esposa descontrolada daquela maneira e na era lá muito dado à aturar demonstrações de desequilíbrio emocional de mulher alguma. Ele segurou os pulsos da esposa com força, impedindo-a de continuar golpeando seu tórax.

- COMO PODE FAZER ISSO!? – Alice gritava. Ele continuava encarando-a firmemente.

- Acha que eu estou gostando de fazer isso à ela?! Há muitas ordens que recebo que preferia ignorar, mas eu não posso! E não venha jogar a culpa disso em mim quando vocês duas procuraram isso! – a voz dele subia gradualmente – Seu irmão está furioso e com razão! Por sorte você não será punida, mas faz idéia do medo que tive disso acontecer?! Pare e pense, Alice! – as lágrimas começaram a descer pelo rosto dela como uma fúria desconhecia. A princesa tremia entre os braços do general convulsivamente.

- É culpa minha... – o general abraçou a princesa com força, afagando-lhe a cabeça. Não havia como negar, odiava faze-la sofrer e odiava ainda mais ser tão cruel com a garota que estava salvando seu casamento.

Enquanto isso, Bella foi levada a força até uma pequena sala, onde duas criadas a deitaram sobre uma maca, segurando-lhe os braços e mantendo as pernas dela separadas. Lutar não adiantava muito e gritar só lhe deixava sem fôlego. Logo veio até ela um homem velho e encurvado, usando vestes claras e folgadas. Ele era calvo e magrelo, com o rosto bem enrugado. Ele se sentou num pequeno banco e posicionou-se entre as pernas de Bella.

Sem saber o que aquilo significava, ela começou a gritar, o que só serviu para que outra criada viesse lhe tapar a boca, enquanto o homem suspendia a saia dela para examiná-la. Bella nunca se sentiu tão constrangida, nem mesmo quando foi banhada pelas meninas do harém pela primeira vez. Felizmente foi rápido, mas não menos humilhante. Quando ele terminou, afastou-se dela o mais rápido possível e saiu sem dizer uma única palavra. A garota foi deixada na sala por alguns minutos, até que as duas meninas que a haviam segurado conduziram-na para fora.

Mais uma vez, Bella atravessou o palácio, mas desta vez ela não fazia idéia de onde estava indo. A sensação que ela tinha não era nada boa. Edward, mesmo sabendo o quão constrangida ela ficaria com aquele maldito exame, jamais usaria aquilo como punição. Talvez ele simplesmente não tivesse descoberto nada e aquilo tudo não passava de terror psicológico.

As garotas pararam em frente a uma grande porta dourada, entalhada com o emblema real, onde dois soldados montavam guarda. A passagem foi aberta e elas fizeram sinal para que Bella entrasse. O lugar estava absolutamente escuro, o cheiro do incenso era mais forte lá dentro e a única luz vinha de velas acesas espalhadas pelo cômodo. Ela logo notou que aquela era uma câmara privada e um arrepio lhe percorreu a espinha. A porta havia sido trancada e ele tinha a intima sensação de que não estava sozinha.

- Você não pode imaginar o quão aliviado ao receber a noticia de que você permanece donzela. – a voz arrogante e presunçosa saiu da escuridão, e ela soube que estava em perigo – Mesmo que tenha tentado mudar isso, visitando seu amado rebelde no calabouço! – Edward deixou as sombras e avançou contra ela, capturando-a pelo pescoço. Ele a empurrou com força contra a parede, fazendo com que ela batesse as costas. Bella se sentiu zonza pela dificuldade em respirar e sua mente gritava. – Eu odeio ter que ser bruto com você, Bella, mas você testa a minha tolerância! – a voz dele saiu cortante como o fio de uma espada.

- Me...Me larga. – ela mal conseguia falar direito.

- Não antes que você entenda algumas coisas fundamentais. – ele largou o pescoço dela e imediatamente a segurou pelos cabelos da nuca com força, levando-a até a cama que se encontrava camuflada pela escuridão do quarto. Ele a jogou de bruços contra o leito e tirou do próprio cinto um chicote curto. – Em primeiro lugar, você é a minha noiva e eu odeio pensar que está me traindo, ainda mais com um prisioneiro. – então ele desferiu um golpe preciso e forte o bastante para fazer um rasgo na fina saia que ela usava. Bella gritou ao sentir a chicotada em uma de suas pernas. – Em segundo lugar, sua obrigação é ser dedicada unicamente a mim! – mais um golpe contra a pele alva e mais um grito desesperado – Eu me recuso a dividi-la com alguém! VAI OBEDECER ÀS MINHAS ORDENS DE AGORA EM DIANTE! – mais uma chicotada e ela já sentia sua pele em chamas. Ela gritava e chorava convulsivamente, implorando para que ele parasse. – Seu único objetivo será me dar filhos e se eu descobrir que esteve no calabouço depois desta noite, eu mesmo matarei Jacob Black e lhe servirei a cabeça dele numa bandeja, exatamente como aconteceu com o pai dele.

Então ele parou com as chicotadas, abandonando a ferramenta no chão. Ele se aproximou dela como um felino e rasgou-lhe o que sobrava da saia com as mãos. Ela não teve reação, sabia que apanharia mais se tentasse se esquivar, diante disso ela apenas chorou. Em seguida ele arrebentou o top que ela usava. O rei tocou cada uma das marcas avermelhadas sobre a pele dela, sentindo a textura perfeita e suave. Ele cobriu o corpo dela com o dele, chegando bem perto do ouvido de Bella.

- Não imaginei que seus gritos pudessem me excitar tanto. – ele sussurrou, fazendo-a estremecer – Me desculpe por marcar você dessa maneira, mas eu devo ser obedecido e respeitado sempre. – ele beijou o pescoço dela, enquanto suas mãos vagavam pelas curvas expostas com luxuria, arranhando-a e apertando-a ocasionalmente. – Eu pretendia esperar até a noite de núpcias, mas a sua imprudência me obriga a consumar nosso casamento antes que ele aconteça, não que isso seja um sacrifico para mim. – ele se afastou dela e retirou as próprias roupas. O rei fez com que ela se virasse de barriga para cima e ficou contemplando-a nua por algum tempo. Bella não o encarava nos olhos.

Edward se deitou sobre ela mais uma vez, já se posicionando entre as pernas dela. Com uma das mãos ele a obrigou a olhá-lo diretamente e beijou cada uma das marcas de lágrimas sobre a face dela, descendo até o vale dos seios. Cada um dos beijos lhe era mais doloroso do que as próprias chicotadas.

- Odeio vê-la chorando. – ele capturou um dos mamilos dela com a boca e sugou-o, enquanto suas mãos sumiam pelas pernas dela – Prefiro quando me olha com seus olhos de indignação, de revolta. – ele passou para o outro mamilo, repetindo o processo – Por que está tão calada?

- Sai de cima de mim. – ela fala com um fio de voz. Ele riu e voltou a beijar o pescoço dela.

- Não tenho a força necessária para isso agora. – ele falou sussurrando – Acho que você pode sentir na sua entrada, não é? – ele esfregou o nariz contra a pele do pescoço de Bella – Não sou o monstro que você pensa que eu sou. Não houve uma única mulher na minha vida a quem eu tenha forçado, ou agredido.

- Para tudo tem uma primeira vez. – ela retrucou – Faça logo o que quer e me deixe sair daqui. – o rosto dele se endureceu.

- Você pediu por isso, Bella. – ele a penetrou de uma vez, fazendo-a gritar de dor ao romper o hímen. – Eu tentei ser gentil. – mais uma estocada e outro grito. Bella sentia cada movimento dele com dor indescritível. Na havia prazer para ela, enquanto ele se agarrava a ela, penetrando cada vez mais fundo e mais rápido, gemendo e arfando, puxando os cabelos de sua amante. Cada movimento, outra lágrima.

Não foi rápido, não foi indolor, apenas uma demonstração de poder de um rei que se dizia um deus, mas era incapaz de obter os favores de uma mulher por meio da conquista. Aquela maldita noite nada tinha a ver com amor, ou desejo, era uma vingança por ela ter ferido o orgulho de Edward ao declarar seu amor por Jacob. Fatidicamente ela acabaria tendo um filho de sangue real, independente da vontade dela, agora não havia outra saída se não aceitar o que o destino lhe oferecera.

Teria sido assim com a rainha mãe? Rosalie em toda sua beleza também havia sofrido tamanha brutalidade? Alice também? Não pode deixar de pensar que aquela era a sina de toda mulher naquela família e de sentir pena delas. E se ela tivesse uma filha, agüentaria imaginar que ela sofreria a mesma coisa nas mãos de um homem desconhecido? Seu coração doía só de imaginar a possibilidade.

O jovem rei Edward não conseguiu dormir naquela noite. Permaneceu encarando a silhueta dela desenhada em meio à escuridão. Ela não sentira nada se não dor e asco. A primeira mulher que não o chamou pelo nome em meio ao orgasmo. Aquilo o feriu muito mais do que qualquer golpe de espada. Sua vaidade havia sido atirada aos cães, seu orgulho rechaçado por ela e algo dentro dele parecia asfixiar seu coração e era justamente o remorso pela dor que causou à Bella. Alice tinha razão quando disse que nada a seduziria, nem jóias, nem ouro, nem ele. E assim como estava profetizado, ela estava se apaixonando por ela.

Ele poderia ser pratico e matar Jacob Black, mas não havia nenhuma garantia da eficácia desta idéia. Ela poderia odiá-lo ainda mais depois disso e ele não estava disposto a ver sua futura esposa se afundando em tristeza e lembrando diariamente do amante morto. Com tudo ele queria vingança contra Black. Precisava fazê-lo sentir exatamente a mesma coisa que Edward estava sentindo.

Quando o dia amanheceu e Bella foi levada de volta ao harém, Edward passou alguns minutos contemplando a prova cabal de seu crime na noite anterior. O lençol, outrora impecavelmente branco, trazia uma mancha rubra. Ela pertencia a ele a final. Era propriedade dele. O rei pegou sua adaga de prata e recortou do lençol a marca vermelha. Após se vestir, ele deixou seus aposentos e seguiu rumo ao calabouço.

Não demorou muito para encontrar aquilo que procurava. Jacob Black era de longe a figura mais ameaçadora daquele lugar. Um homem de porte indescritível, que mesmo naquele lugar imundo parecia uma figura lendária. O rei o analisou de longe e quando se aproximou viu seu oponente se colocar em posição ofensiva. Edward limitou-se a encara-lo de cima a baixo, com sua habitual pose arrogante.

- Veio ver como tratam seus "hospedes", oh rei dos reis? – Jacob debochou, cuspindo cada palavra. Edward manteve-se firme.

- Não, Black. Estou apenas avaliando o homem que ousa ocupar os pensamentos de minha noiva. – ele falou suavemente.

- Sou apenas alguém que a tratou com carinho e respeito. Coisas que o rei de Bertah desconhece. – Black retrucou.

- Talvez. – o rei afirmou – Mas tanto carinho e respeito o levaram à prisão. Sou um homem bem mais pratico do que você e por isso ela é minha e não sua. – Edward então retirou de dentro de suas vestes o pedaço de lençol manchado e atirou contra seu rival. Jacob encarou aquilo sem entender direito – Isto é apenas uma lembrança de Bella. Da noite em que eu a tomei como mulher. – Black soltou um uivo de dor e fúria e lançou-se contra as barras da grade, tentando alcançar Edward. O rei nada mais fez se não afastar-se dois passos.

- Eu vou acabar com você! Seu rato nojento! Bastardo miserável! – Edward ignorou cada uma das ofensas.

- Eu teria sido muito mais paciente, se não fosse aquela visita clandestina que ela lhe fez ontem. – o rei o encarou com cinismo – Se Bella foi ferida de alguma maneira a culpa é sua. Eu não a teria punido se ela tivesse ficado no harém, conversando com minha irmã. – Jacob o encarava com os olhos de um leão enjaulado, pronto para o ataque – Quer saber como foi? O quanto ela é deliciosa? O quão apertada ou como é macia a pele dela? Eu não me importo de narrar em detalhes.

- Você vai pagar por tudo isso! – Jacob vociferou.

- Talvez, mas até lá Bella já será minha rainha e terá me dado muitos filhos enquanto você mofa nesta cela. – ele deu as costas ao prisioneiro – Até qualquer dia, Black. – e saiu do calabouço sem olhar pra trás.

O dia mal havia começado e a rainha mãe já estava sabendo do ocorrido na noite passada. Em virtude disso ela decidiu que era hora de quebrar o protocolo e ir ter com seu filho, mesmo sem ter sido chamada. Esme entrou na sala de audiências como uma força da natureza, poderosa e impossível de segurar. Não havia servas com ela e aquilo de imediato alertou Edward para o estado de espírito da mãe.

O rei sabia o discurso que estava prestes a ouvir e sabia também que ele merecia cada uma das palavras que fossem jogadas contra ele. Bella era um empecilho àquilo que ele sempre sonhou em ser. Por causa dela estava se degradando, se transformando num homem impulsivo e descontrolado, num governante tirânico, r causa dela estava se degradando, se transformando num homem impulsivo e descontrolado, num governante tiranico num rei mimado.

Esme encarou o filho duramente, sem esboçar nem um pingo de simpatia por suas ações.

- Que seu dia seja esplendoroso, mãe. – ele a saudou e recebeu em retorno uma expressão ainda mais severa da parte dela.

- Guarde suas bajulações para outro momento, Edward! – ela falou rispidamente – Não me importa que você seja o rei de Bertah agora, não muda o fato de que precisa ouvir alguns sermões vez ou outra. Não criei um filho para agir desta maneira monstruosa!

- A despeito do que pensa, mãe, não me orgulho do que fiz, mas existem momentos em que um rei precisa ser enérgico. – ele falou indiferente a revolta de Esme.

- Ser enérgico? – ela riu secamente – Seu pai governou por mais de vinte anos sentado na cadeira onde você se encontra neste momento e nunca precisou usar de meios tão baixos pra se fazer respeitar. Você não aprendeu nada com ele? Alguma vez viu seu pai agir com tamanha brutalidade contra uma mulher que não lhe oferecia perigo algum? – naquele momento, ela era mais poderosa do que ele. Aquela era a verdadeira face da mulher que esteve sentada ao trono, ao lado de Carlisle por tanto tempo. Ela não fraquejaria, nem mesmo diante do filho.

- Meu pai nunca teve que viver a sombra de uma maldição! Eu não podia correr o risco de jogar fora a única chance que tenho de deixar herdeiros! – Edward se levantou do trono de uma vez, já com os ânimos exaltados. O que era para ser uma intimidação a Esme, mostrou-se inútil. A rainha mãe avançou em direção ao filho, encarando-o de igual pra igual.

- Abaixe o seu tom de voz, rapazinho! Você não estaria sentado onde está se não fosse por mim e acredite quando digo que sei muito melhor do que você todas as dificuldades deste posto. – ela retrucou severamente – Você tem se escondido atrás desta maldita profecia dês da morte de Tanya e cada passo que em falso que dá usa a mesma desculpa. O mais incrível é que você não merece aquela garota e ainda sim o destino foi condescendente com você.

- Eu não mereço ter uma plebéia como esposa? - ele perguntou indignado – Uma garota que não possui sangue nobre, fortuna, ou qualquer coisa que a recomende, merece mais do que o rei?

- Esta garota é a única pessoa que lhe dará palavras sinceras em sua vida, sem temer sua força ou sua divindade. Ela é a pessoa de maior caráter que vejo em muito tempo e ela simplesmente não se importa com a quantidade de ouro que pode ter ou os privilégios do nosso mundo. Cada ação generosa que ela pratica é pela simples vontade de ser útil ou de ajudar a alguém que ela goste. O que está feito está feito, não dá pra mudar mais. Só espero que você abra seus olhos a tempo de enxergar o tamanho da sua burrice e que os céus tenham piedade na hora da sua punição.

- Isso é tudo? – ele perguntou cinicamente.

- Sim, é tudo. Espero sinceramente que este assunto martele sua consciência até o fim de seus dias. Passar bem, meu filho. – ela não esperou mais nenhuma palavra dele, simplesmente deu as costas ao filho.

Edward se jogou no trono e afundou seu rosto nas mãos. O que estava acontecendo com ele afinal? Quando foi que ele se tornou uma pessoa tão inescrupulosa e maquiavélica? Sempre que pensava nisso, sua mente gritava o nome dela. Era tudo culpa de Bella e daquela necessidade doentia que ela despertava nele. Precisava dela, desejava-a de maneira sufocante e descontrolada. Somente ela não percebia que tinha o rei de Bertah a seus pés.

Ele não escapou de um encontro com a irmã ainda naquela manhã, mas ao contrario do que havia acontecido com a mãe, Alice tinha culpa no incidente e sabia disso. Edward notou que ela não tinha nenhuma marca aparente no corpo, ou qualquer sinal de que havia sido punida por Jasper. Não se surpreendeu com isso, seu general tinha pulso firme com qualquer pessoa, menos sua esposa. Muitas vezes Edward considerou aquilo como um sinal de fraqueza da parte dele, mas era verdade que sua irmã nunca havia sido tão feliz quanto quando se casou com Hale.

Alice foi até o rei com grande pesar no coração. Julgava ser ela a culpada por tanta brutalidade contra sua amiga. Edward tinha razão, aquela profecia não passava de uma maldição disfarçada que parecia corroer pouco a pouco toda alegria de todas as pessoas nela envolvida. Ela encarou o irmão com vergonha, dele e de si.

- Espero que esteja satisfeita com as conseqüências de sua postura inadequada. – Edward disse severamente – Sua querida amiga está infeliz por causa da punição, eu estou profundamente infeliz por ter sido obrigado a punir minha noiva e irado pela falta de lealdade por parte das duas.

- Então por que não me castigou também? – Alice questionou envergonhada.

- Porque você é sangue do meu sangue e sei que não agiu com intenção de me atingir. Mas Jasper deveria ter lhe dado um castigo por sua atitude traiçoeira. – Edward dissimulou cada palavra, esquivando-se da responsabilidade. – Não quero saber de você ajudar Bella a me trair. Não vou admitir outro deslize como este, fui claro?

- Sim, irmão. – ela respondeu constrangida. Edward desceu de seu pedestal e se aproximou da princesa acariciando-lhe a cabeça.

- Não sou o monstro que todos dizem e acho que você é a única pessoa que sabe disso. – ela balançou a cabeça afirmativamente – Sei que gosta dela e que deseja o melhor para minha noiva, por isso eu lhe peço. Ajude-a no que ela precisar, faça-a entender que tudo o que faço não é para a infelicidade dela, mas tem sido muito difícil para mim conciliar meu deveres para com o reino e meu carinho por ela.

- Ela não vai me ouvir. – uma lágrima escapou dos olhos da princesa.

- Ela precisa. Eu preciso que ela ouça você, irmã. – ele segurou o rosto pequeno da princesa entre as mãos e a olhou com desespero.

- Você já a ama, não é? – Alice questionou, mas já sabia a resposta.

- Odeio a teimosia dela, a maneira como ela me desafia, sua boca mal educada e todas as vezes que ela simplesmente se recusa a obedecer. – ele desabafou – E ao mesmo tempo não consigo pensar em nada que seja mais necessário e mais viciante do que isso. Eu preciso dela e isso nada tem a ver com profecias.

- Acho que ela poderia amar você, mas o que você fez contra ela ontem à noite, isso muda tudo. – Alice disse – Ela lhe dará filhos, muitos filhos saudáveis e belos, mas o coração dela... Este talvez você jamais tenha.

- Eu preciso tentar. – ele disse e pela primeira vez Alice viu remorso na alma de seu irmão.

- Tenho uma noticia. – ela disse discretamente.

- Qual é?

- Estou grávida. – ela corou ao dizer e foi abraçada pelo irmão – Ainda não tenho os sinais, mas tive a visão muito nítida.

- Como eu queria ser abençoado como você, irmã. – ele confessou – Pode ver o sexo?

- É menina. Uma menininha com cachinhos aloirados e olhos verdes como os seus. – o rei sorriu para ela, não conseguindo evitar uma pontada de inveja dentro de si.

- Jasper vai ficar satisfeito e nossa mãe vai vibrar. Ela sempre quis uma netinha para paparicar de todas as maneiras possíveis. Estou feliz por você e como presente lhe dou o palacete flutuante. Sei que é seu lugar favorito. – Alice sorriu e o abraçou.

- Vai ter os seus filhos, irmão. Obrigada pelo presente.

O tempo passou muito mais rápido do que qualquer um poderia imaginar e logo a lua cheia estava presente nos céus de Bertah.

Foi proclamado feriado de uma semana, enquanto durassem as festividades do casamento. Pessoas de todos os cantos vieram para conhecer a nova rainha e as famílias mais nobres mandavam inúmeros presentes aos noivos. Sam Uley e sua esposa, Emily, também compareceram como representantes dos Quileute, mesmo que Sam fosse tão revolucionário quanto Jacob, ele sabia ser diplomático quando o assunto era lidar com o rei de Bertah.

Bella foi vestida como uma deusa. Seus trajes cerimoniais eram brancos, bordados com fios de ouro e prata com inúmeras luas crescentes que simbolizavam a família real. Alice não deixou sua amiga um minuto se quer até a hora em que Bella foi colocada numa pequena liteira dourada que a conduziu pelas ruas principais da cidade.

Ao final da procissão real, Bella foi recebida nas escadarias em frente ao palácio por uma multidão delirante. Ela subiu as escadas cobertas por um tapete vermelho e lá no alto Edward a esperava ao lado de um sacerdote. Nem uma palavra foi trocada, mas ele beijou a testa dela com ternura.

Bella não ouviu uma única palavra que o sacerdote disse, sua mente parecia ter sido transportada para um outro lugar, onde as montanhas e o céu pareciam infinitos, o cheiro no ar era fresco e a brisa era fria. Tinha a vaga consciência de que Edward estava ao lado dela, furioso por ela estar agindo como alguém que caminhava rumo à própria execução. No final das contas ela vacilou ao dizer o "sim", mas diante de suas opções era a única coisa que ela podia fazer.

Quando o sacerdote se calou, foi levada até o rei uma pequena coroa em uma almofada vermelha. Edward tomou a coroa em suas mãos e colocou-a sobre a cabeça de Bella. Ele estendeu a mão, ajudando-a a se levantar. Eles caminharam juntos até que estivessem visíveis a todos os súditos.

- Povo de Bertah, eu lhes apresento sua divina rainha, Bella! – após a apresentação formal a única coisa que se ouviu foi uma grande ovação da multidão alucinada.

Nota da autora: *Bee se encolhendo atrás de um escudo* Tenho até medo das coisas que vou ouvir depois deste capitulo, mas eu assumi o risco quando transformei Edward em um rei tão cruel. Desta vez ele pegou pesado com a Bella, mas ele vai receber o que merece XP.

Alice e Esme finalmente estão mostrando a que vieram na história. Jasper não é tão ruim quanto parecia ao primeiro momento e Jake ainda vai ter sua chance de mostrar quem é O CARA para nosso reizinho.

Comentem, please.

Bjux com chantili XP