Correntes de Miséria

Existe um louco no canto de seu olho

Ele gosta de espreitar - na sua janela

Ele quer irromper nas ruas com você e eu

Um mundo de sombras e de chuva

Ele soube o que é o amor

Ele quer pagar o que te deve com culpa

Ele mente para você, ele não te deixa em paz

Ele tem as suas correntes de miséria

Ele não sossegará até que tenha girado a sua chave

Ele segura suas correntes de miséria

Mais uma vez ela estava dentro daquela câmara, que agora lhe pertencia também, mas desta vez ela não era mais uma reles mulher do harém real. Bella reparou o quanto era aconchegante e bem decorado aquele lugar, mas não mudavam em nada as lembranças desagradáveis daquela maldita noite. Edward logo apareceu usando roupas mais confortáveis e com uma expressão satisfeita no rosto, a típica face de um vitorioso.

Ele se aproximou dela com cuidado, ponderando muito bem quais seriam seus próximos passos em relação à sua esposa. Sentou-se ao lado dela e afastou uma mecha de cabelo que insistia em cair sobre os olhos de Bella. Ela não o encarou nem por um momento.

- Você estava absolutamente linda hoje. – ele sussurrou ao ouvido dela, mas Bella permaneceu indiferente – Eu detesto ver você assim tão triste, Bella. Detesto ainda mais imaginar que você pretende passar o resto da vida me odiando pelo que eu fiz. – ele a puxou pra sim e roçou os lábios na pele exposta do pescoço dela.

- Seus erros, suas responsabilidades. Você já tem o que quer, por que simplesmente não me ignora e aproveita a companhia de suas concubinas assim que eu lhe der um filho? – Bella falou sem animo – Lhe garanto que elas serão companhias muito melhores do que eu. – Edward resmungou qualquer coisa que ela não entendeu, e a deitou sobre a cama com cuidado, ficando por cima dela.

- Por que eu faria isso quando tenho a mulher mais linda do mundo como esposa? – ele beijou a boca dela rapidamente – Minha Bella, eu não sou tão cruel quanto pareço, mas às vezes você me tira do sério. – ele voltou a beijar o pescoço dela, lambendo e mordiscando cuidadosamente até alcançar o lóbulo da orelha dela. Então sussurrou sensualmente ao ouvido de sua esposa – O que eu tenho que fazer para que seja feliz?

- Sair de cima de mim é um bom começo. – ela respondeu friamente.

- Tenho idéias melhores do que essa. – ele riu baixo ainda próximo ao ouvido dela, deslizando uma das mãos pela perna exposta dela – Mas eu quero que você aproveite desta vez, por isso estou disposto a lhe agradar. – mais um beijo no pescoço – Vou libertar Jacob Black e devolve-lo ao território Quileute. – ele se afastou dela alguns centímetros para ver a face de espanto da nova rainha – Considere este o meu presente de casamento para você.

- Não tem medo de uma nova rebelião? – ela o encarou desconfiada.

- Não quando pretendo fazer grandes melhorias no território, contando com a ajuda de um representante dos Quileute, Sam Uley. – com cuidado ele desamarrou as faixas que prendiam a roupa dela, deixando-a nua parte a parte, beijando-lhe a pele descoberta e encarando-a o tempo todo – Ele me dirá do que precisa e eu atenderei dentro do possível.

- O que pretende ganhar ao fazer isso? – ela fechou os olhos num reflexo ao sentir Edward beijar pontos mais sensíveis.

- Em primeiro lugar, te fazer feliz, já que você parece estar realmente preocupada com os Quileute. – ele arranhou a pele da barriga dela fazendo desenhos invisíveis e provocando arrepios em Bella – Em segundo lugar, é uma boa maneira de conseguir apoio popular. – ele afastou as pernas dela e seus beijos desceram até encontrarem a feminilidade dela. Edward deteve-se um momento e a encarou malicioso. – E por ultimo, a distância impossibilita que você se sinta tentada a tê-lo como amante. Tudo o que eu espero de você em troca é um orgasmo sincero. – então ele a invadiu com sua língua urgente, buscando os sabores dela com avidez e sentindo uma satisfação intima ao ouvir-la suspirar e gemer, incapaz de ignorar os estímulos.

Edward era cruel até quando dava prazer. Bella não conseguia evitar as sensações incontroláveis que ele provocava em seu corpo. Lembrar-se da primeira vez era impossível quando ele parecia tão seguro ao explorá-la daquela maneira tão eficaz. Os movimentos audazes a surpreendiam e arrancavam gemidos e murmúrios involuntários. Ela se agarrou firmemente aos lençóis da cama, tentando conter a onda avassaladora que lhe tomava a cada investida da língua dele, até não agüentar mais. Um último gemido e já era inútil a resistência da consciência, era a matéria prevalecendo sobre a mente.

- É exatamente assim que eu gosto. – ele a encarou sorrindo mais uma vez e subindo até a boca dela ele a beijou. Bella sentiu nos lábios dele seu próprio gosto, misturado à saliva e ao sabor de hortelã que ele sempre tinha. – Gosto de ouvir seus suspiros e saber que são por minha causa. Gosto ainda mais do seu sabor de rendição. – ele tocou o rosto dela e a beijou com mais intensidade. As mãos do rei vagavam, sentindo a textura da pele alva dela, trazendo-a pra junto de si.

- Isso é só prazer. – ela disse entre um beijo e outro – Nada, além disso. – Edward a agarrou firmemente contra o corpo dele, fazendo-a sentir o volume oculto pela fina túnica que ele usava.

- Prazer é um filho do amor e da alma. – ele sussurrou ao ouvido dela, enquanto removia sua própria túnica para depois abraça-la com mais força – Se consegue ter prazer comigo, consegue me amar também. – ele capturou a orelha dela com sua boca, sugando-a com força. – Você já é minha, Bella. Só minha! – em um movimento furtivo ele a penetrou fazendo-a gemer alto. Ele beijava o pescoço dela, à medida que os movimentos se intensificavam - Minha adorada rainha. – cada vez mais rápido. Bella já não distinguia as palavras dele, apenas sentia aquele prazer obsceno e asqueroso vindo do homem que ela mais odiava. – Vamos, se renda Bella! Grite por mim! – as estocadas ficaram mais fortes e ritmadas. Edward estava próximo do auge, mas recusava-se a se entregar antes dela. – Vamos! Vamos, Bella! – em fração de segundos ela entregou-se as contrações e espasmos musculares, à ausência de consciência e visão, sentindo tudo e nada, nada além do prazer, arrastando-o em seguida, recebendo-o dentro de si.

Edward tombou ao lado dela e a puxou para um beijo. Bella ainda se recuperava das sensações que ele havia lhe causado. Por mais que o odiasse não havia mais como escapar. Não era uma questão de conformidade, mas de sobrevivência. Ou ela jogava o jogo dele, ou acabaria enlouquecendo naquele maldito lugar. Viveria para ver o dia em que Edward pagaria por seus crimes e salvar seus filhos da infelicidade a qual ela havia sido condenada. Sim, ela teria filhos e sabia disso de uma maneira absurdamente palpável dentro de si. Era só uma questão de tempo. Jacob estaria a salvo enquanto Bella estivesse longe dele e isso significava esperança para um povo dominado como ela. Salvaria seu amor ao sacrificar seus sentimentos. Faria desta abdicação sua força e viveria para recompensar o homem que mais amou na vida, enquanto era amada pelo vilão da história.

Edward a olhou no fundo dos olhos, asfixiado com tudo o que havia nela e absolutamente viciado em um paraíso que não lhe pertencia. Era sua rainha e nada desfaria isso, mesmo que aquela sensação de frustração pelos sentimentos estéreis dela lhe causasse extrema ira e uma sensação de ter as mãos e os pés atados. Estava caindo, caindo aos pés dela, sem chance de reação.

Existe um profeta na sarjeta na rua

Ele diz "você está perdido" - e você acredita nele

Ele teve uma visão, mas isto brilha através de seus olhos

Um mundo de ódio e medo

Ele sentiu o que o amor significa

Ele quer pagar o que te deve com dor

É apenas o amor quem tem chaves para nossos corações

É apenas o amor...

Jacob encarou o general sem vacilar um minuto se quer em sua pose altiva, mesmo estando em condições deploráveis. Jasper reconhecia que aquele homem tinha fibra e determinação invejáveis, características que o tornavam extremamente perigoso caso resolvesse se rebelar novamente. Aquele era um homem com quem gostaria de lutar lado a lado em campo de batalha. Hale podia compreender vagamente os motivos do rei, mas sabia o quão imprudente aquilo era. Black jamais se conformaria com a idéia de receber ordens do rei de Bertah, mesmo que fingisse muito bem num primeiro momento.

A porta da cela foi aberta e Jacob saiu de lá um tanto surpreso com o súbito perdão real que lhe fora concedido. O general a sua frente parecia tão chocado quanto ela, mas Hale era o tipo de pessoa que não questionava uma ordem, apenas seguia por uma questão de lealdade. Aquilo era coisa de Bella, ele tinha absoluta certeza. Jamais entenderia este dom que ela tinha para abdicar de sua vontade em favor dos outros e as vezes preferia que ela não fizesse isso.

- O rei lhe agraciou com o perdão real. Você será levado até a fronteira com o Território Quileute, onde será recebido por Sam Uley, o novo governador. – Jasper proferiu a sentença com frieza tipicamente militar. Jake passou a mão pelos cabelos sujos, piorando ainda mais sua aparência.

- Saberia me dizer o por que deste perdão? – Jasper sentiu uma pontada no peito. Algo perigoso para um militar. Ele se colocou por um momento no lugar daquele homem maltrapilho e pensou se agüentaria viver com a idéia de que a mulher que amava havia se casado com seu pior inimigo. Definitivamente preferiria a morte.

- O rei concedeu sua liberdade como um presente de casamento à nova rainha. – Jacob respirou fundo ao ouvir aquelas palavras. Então era este o fim deles. Ela rainha, ele rebelde. Inimigos definitivos por força daquele maldito rei.

- Obrigado, general. – Jacob falou solenemente. Jasper tentou se lembra se alguma vez havia recebido gentileza de um prisioneiro e a resposta era não. Aquele era um homem incomum, mais do que um homem até. – Sei que não é da sua obrigação me conceder nenhuma graça, mas eu lhe peço. Fique de olho nela por mim.

- Ela é a rainha de Bertah agora, nada pode feri-la. – Jasper tentou parecer indiferente, mas a situação estava se mostrando mais difícil do que ele havia imaginado. Jacob riu amargamente.

- Nós dois sabemos que isso não é verdade. – ele retrucou – Apenas cuide para que ela tenha alguma felicidade e não enlouqueça aqui dentro. Pássaros como Bella nasceram para viver ao ar livre e não em gaiolas de ouro.

- Você é um homem estranho. – Jasper finalmente admitiu.

- E você é mais sentimental do que parece. – Jacob deixou o calabouço em direção a luz do sol. Aquela foi a primeira vez que houve tanta sinceridade entre dois inimigos e o general não sabia, mas passaria os próximos anos remoendo as palavras dele e honrando uma promessa silenciosa.

Jacob sentiu toda dor do mundo por saber o que aconteceria com Bella daquele dia em diante. Chorou silenciosamente por não ter sido mais rápido, mesmo sabendo que teria sido inútil do mesmo jeito. Cada galope do cavalo ele sentia o vazio em seu peito aumentar, seu único consolo era estar voltando pra casa, derrotado.

A viagem foi longa e penosa. A paisagem de Bertah lhe parecia estranha e pouco atraente aos olhos, o ar era carregado e morno, o sol escaldante a maior parte do tempo. Era um bom lugar para morrer, mas os céus haviam determinado que ele viveria e já que aquela era uma imposição ele daria o seu melhor. Viveria sim, viveria para ver a queda de Edward, nem que fosse seu ultimo ato. Foi então que Jacob vislumbrou no horizonte a silhueta das primeiras montanhas cobertas pela neblina e o ar lhe parecia mais fresco e agradável. Estava chegando em casa.

Junto com a figura imponente das montanhas, ele viu homens cavalgando a toda velocidade em sua direção. Capas de pele de lobo, cabelos negros chicoteando ao vento, portes magníficos e assustadores. Reconhecia cada um deles e foi como um alivio ver os rostos sorridentes de Quill, Paul e Jared cavalgando em sua direção, liderados por Sam em pessoa. Como o combinado, os guardas que o escoltaram até então deram meia volta. Ele estava definitivamente entregue aos cuidados de seu próprio povo e seria recebido como um filho pródigo.

- Graças aos espíritos ancestrais! Você está vivo, homem! – Quill desmontou de seu cavalo e correu para abraçar o amigo – Só você poderia conseguir esta façanha. Só Jacob Black!

- Bom ver todos vocês, mesmo que eu esteja nessas condições. – Jake admitiu com uma pontada de melancolia.

- Espere até ver o banquete que te espera. – Paul o abraçou também – Clair, Emily e as outras mulheres estão trabalhando nisso dês do dia em que Sam nos deu a noticia.

- Isso mesmo! Comida farta, bebida a vontade e mulher! – Jared tagarelava animadamente, ignorando a dor da perda de Jacob – Todas as mulheres mais lindas do nosso território estarão lá! Todas loucas para agradar o nosso grande herói, Jacob Black. Aquela rainha metida a besta não vai fazer falta. – ao ouvir isso os dentes de Jacob se serrarão e ele avançou contra Jared sem medir força ou conseqüência, rugindo como um leão.

- NÃO FALE DELA ASSIM! – Jacob vociferou - NUNCA MAIS! VOCÊ ENTENDEU?!

- Certo, certo! Já entendi! – Jared disse rapidamente. Sam finalmente desmontou do próprio cavalo e foi até Jacob com seu ar solene e responsável.

- Obrigado por me receber de volta, Sam. – Jacob agradeceu, recebendo em troca um sorriso sincero de seu velho conselheiro.

- Você é quase meu irmão mais novo, Jacob. É um prazer receber o líder de volta. – Sam o abraçou – Cuidei de tudo na sua ausência. Há cidades sendo reconstruídas, a capital já sofreu grande melhorias. Todos estão ajudando.

- Sempre soube que você seria um político melhor do que eu. – Jacob admitiu.

- Aceitamos o suborno vergonhoso de Edward, mas ainda desejamos nossa liberdade e autonomia. O povo quer guerra, irmão. – Sam falou seriamente, enquanto eles montavam seus cavalos.

- Ver aquele maldito decaindo é meu maior desejo, mas levar o povo a uma guerra separatista a esta altura é suicídio coletivo. – Jacob atiçou seu cavalo – Tudo há seu tempo, Sam! Vamos sugar tudo o que pudermos para recuperar nossas forças, ai sim teremos nossa revanche.

Enquanto Jacob era recebido com alegria em sua terra, o jovem rei Edward contemplava seus domínios com orgulho indescritível. O território Quileute havia sido apenas o começo, logo paises menores começaram a ser incorporados a Bertah e cada batalha que era vencida, o jovem rei se certificava de que sua profecia era verdadeira.

Bella por sua vez vivia dia após dia sobrevivendo da maneira que podia. Edward não desistiria nunca de tentar conquista-la de maneira definitiva, como fazia com seus inimigos. As únicas pessoas em quem ela confiava dentro do palácio eram Alice e Esme. O tempo já estava correndo para ela e ainda não haviam sinais de gravidez, mesmo depois de três meses de casamento.

No quarto mês ela sentiu os primeiros enjôos e vertigens. Seu ciclo não havia se pronunciado e o apetite havia aumentado consideravelmente. Edward logo notou as mudanças e providenciou para que ela fosse examinada pelos médicos reais. Estava confirmada a suspeita e dês de então Bella passou a ser vigiada e cuidada com extremo zelo.

Ela não podia deixar de sentir pavor naquela situação. E se nascesse uma menina? Edward aceitaria uma princesa como herdeira do trono, ou a destinaria a um casamento arranjado em prol de uma aliança política para que um outro possível filho assumisse o trono no futuro? Seus filhos viveriam tanta infelicidade assim? Toda vez que pensava nisso sentia pânico e alisava o ventre numa caricia protetora.

Não demorou muito mais que seis meses para que eles recebessem notícias do Território Quileute. Edward foi até ela pessoalmente numa noite quente. Ela estava deitada na câmara real, já com a barriga pesada de mais para ficar andando pelo palácio como bem entendesse. Ele se deitou ao lado dela e beijou-lhe a boca enquanto acariciava a barriga dela.

- Um mensageiro do Território Quileute chegou hoje pela manhã. – ele disse alegremente.

- Boas notícias? – ela perguntou, tentando disfarçar uma pontada de ansiedade na voz.

- Sim. As obras estão indo muito bem. Já nem parece que o pais viveu uma guerra há tão pouco tempo. – o rei falou animado – Sam está se mostrando muito melhor na administração do que eu esperava e a arrecadação de impostos aumentou nos últimos dois meses.

- Bom saber que sua política externa está funcionando tão bem. – Edward ignorou o leve tom de sarcasmo na voz dela. Ele a abraçou por traz e beijou-lhe o pescoço.

- Não é só por isso que estou satisfeito. – ele sussurrou ao ouvido dela, fazendo-a estremecer – Jacob Black se casou há um mês com a filha de um homem importante entre os Quileute.

- Jacob...casado? – a voz de Bella mau saia da garganta. Edward a puxou para um abraço ainda mais apertado.

- Sim, amada. – ele falou calmamente – Ao que parece seu amante não demorou muito para esquecê-la. O que me disseram é que a mulher dele, Leah, é lindíssima. – uma lágrima teimosa escorreu dos olhos de Bella – Duvido que seja mais bonita que você, mas parece que bastou a ele.

- Por que está fazendo isso, Edward? – Bella perguntou em tom de suplica, já não contendo o choro.

- Para que você entenda que sofrer por ele é um erro. – ele tocou a face dela e a fez encara-lo nos olhos – Só eu posso amar você como você merece.

- Pare com isso, Edward! – ela implorou – Pare por favor...

- Não sofra por ele, minha rainha. – Edward enxugou o rosto dela – Eu estou aqui para cuidar de você. Sempre estarei. – Bella adormeceu chorando nos braços do rei, enquanto Edward cantava para que ela relaxasse.

Jacob Black era uma praga que nem mesmo o tempo parecia capaz de aniquilar. Mesmo com a distancia imposta entre ele e Bella, o coração da rainha ainda era um templo lacrado e dedicado ao líder dos Quileute. Edward também chorou aquela noite, chorou de ódio por ele e pelo amor que a rainha ainda tinha por seu inimigo. Um dia teria a cabeça de Jacob numa bandeja e o amor de Bella em outra.

Alice finalmente deu a luz à sua filha, a pequena Lívia. Como havia sido previsto, a menina era loira com bochechas rosadas, graciosa como os raios de sol das manhãs de primavera. Jasper nunca pareceu tão feliz ou tão preocupado com a esposa e a rainha mãe recusava-se a deixar o pavilhão principal para poder cuidar da filha e da neta. Somente Rosalie manteve-se distante, obviamente enciumada por seus filhos terem sido esquecidos.

Bella ficava próxima à amiga a maior parte do tempo, contemplando a recém nascida e ajudando naquilo que lhe era possível. Edward reprovava a maneira como Bella demonstrava gostar de tarefas que eram destinadas as serviçais, como a trova de fraldas, a amamentação e a preocupação com o choro da criança.

Foi numa madrugada silenciosa que Edward foi acordado no meio da noite por Bella. Os lençóis molhados denunciavam que era chegada a hora. Todo palácio despertou e logo as parteiras foram chamadas para auxiliar a rainha. Esme também saiu correndo em direção ao quarto do filho para ajudar Bella.

Edward deixou o quarto em grande nervosismo. A criança estava adiantada em pouco menos de um mês! Tanya havia sofrido situações parecidas antes, uma delas havia lhe levado à loucura e posteriormente a morte! O rei zanzava de um lado a outro, corroendo-se em agonia e desespero, enquanto ouvia os gritos da rainha ecoar pelos salões de mármore.

Alice deixou sua ala, trazendo a pequena Lívia nos braços, indo de encontro ao irmão desesperado. A presença da irmã não o acalmou, muito pelo contrario. Lívia começou a chorar e a cada grito dela, o rei parecia estar prestes a arrancar seus cabelos em agonia e fúria. Depois de longas horas de espera os gritos de Bella cessaram e Esme veio até o filho com lagrimas nos olhos para chama-lo. Edward correu como um louco até o quarto onde Bella descansava placidamente.

- Ela está bem? – o rei perguntou imediatamente para Esme, que mal conseguia falar. – Responda!

- Pare de gritar, Edward! – Bella falou com a voz mole e ríspida – Não vê que eu estou tentando descansar um pouco? – ele foi imediatamente até ela e lhe beijou o rosto – Pare com isso, pro meu azar eu vou sobreviver e ainda serei capaz de te dar mais filhos.

- Oh céus! Pare de ser rabugenta, mulher! – ele disse aliviado ao notar que o humor ácido dela estava intacto – Estava preocupado!

- Me infernizou tanto para ter filhos e agora nem mesmo pergunta por ele. Isso que é falta de consideração pelo meu esforço. – foi então que ele olhou ao redor e viu sua mãe segurando um embrulho de tecido nos braços com o maior sorriso que ele já havia visto. Edward correu até ela e pegou o embrulho, olhando imediatamente o sexo da criança. O rei então respirou aliviado. Era um menino pequeno, mas saudável.

- Meu filho... – o rei murmurou abismado – Príncipe Herdeiro de Bertah, Edward II.

- Guarde seu orgulho e surpresa, filho. – Esme falou enquanto pegava dos braços de uma das servas um segundo embrulho – Ainda precisa conhecer sua filha.

- Filha? – ele encarou a rainha mãe surpreso – Outra criança?!

- Sim, querido. São gêmeos. – Esme então estendeu o embrulho para que Edward visse a face pequena e adorável da menininha que dormia tranquilamente.

- Duas crianças de uma vez... – ele entregou o filho a uma criada e correu novamente para Bella, joelhando-se aos pés da cama dela. Então ele chorou como uma criança, aliviado e maravilhado com sua própria sorte, encantado pela mulher exausta que repousava sobre a cama. – Que fique registrado que esta mulher fez com que o rei de Bertah se ajoelhasse a seus pés! Peça de mim o que quiser, Bella. Peça e será seu!

- O nome da sua filha é Renesmee. – Bella disse com sua voz cansada – Princesa Real de Bertah. Eu não quero nada para mim, mas espero que não faça distinção entre seus filhos. Como Renesmee não pode falar ainda, é do meu agrado que ela tenha um titulo próprio, como teria um príncipe, e terras.

- Assim será. Minha filhinha terá tudo o que é próprio de um príncipe de sangue real. – Edward concordou imediatamente.

- Ela será a Senhora dos Território Quileute. Este é o meu desejo. – os olhos de rei se arregalaram e fez-se grande silencio na câmara.

- Está delirando, amor.

- Não estou. Isso servirá para que Jacob pense duas vezes caso tenha alguma intenção de se rebelar. Ele não faria mal a uma criança que tem meu sangue, muito menos a uma menina. – Edward rangeu os dentes e engoliu seu próprio orgulho. Levantou-se de uma vez e pegou Renesmee nos braços. Ele a admirou por longos segundos, admirado pela perfeição dos traços e pela penugem acobreada que crescia sobre a cabeça dela. Ninguém faria mal a uma criatura tão adorável como aquela.

- Que assim seja então. – ele pronunciou solene – Renesmee, Princesa Real de Bertah e Senhora dos Territórios Quileute.

O povo de Bertah despertou com grande alegria pelo nascimento de duas crianças reais. Edward proclamou uma semana de festividades pelo acontecimento e mandou mensageiros aos quatro cantos do império para anunciar a boa nova.

Infelizmente a noticia atingiu o Território Quileute num momento de grande pesar. Leah Black havia falecido em decorrência de uma pneumonia, deixando Jacob para trás, viúvo e sem filhos. Black lamentou a morte da companheira que era mais uma amiga do que uma esposa. Ele chorou por ela e carregou o luto. No entanto ele sentiu seu sangue ferver nas veias com a chegada do mensageiro.

Sam logo se reuniu a ele e aos demais homens fortes dos Quileute. O clamor era geral. Jacob havia perdido em definitivo o direito ao titulo de Senhor dos Territórios Quileute, que lhe pertenciam por direito de nascença.

- É um absurdo! – Quill exclamou imediatamente – Como podemos ser entregues desta maneira? COMO GADO!

- É uma manobra inusitada, nunca antes uma princesa teve outro titulo em Bertah, muito menos terras! – Sam fala chocado – Isso me parece uma piada de mal gosto. –

- Acreditem quando digo que não é. – Jacob se pronunciou pela primeira vez – Isso está me cheirando a coisa da Bella.

- Esqueça a rainha, Jacob! – Sam ordenou raivosamente.

- Posso até esquecer, mas tenho certeza que é coisa dela. – a voz dele baixou lentamente – Só espero que ela saiba o que está fazendo...

Nota da autora: XDDDDDDDD Mais um capitulo e obrigada a todos pelos comentários. Musica deste capitulo é Chains of Misery do Iron Maiden ( preparem-se para muito Iron nas fics de agora em diante XD). Nc desta vez foi mais leve. Edward finalmente tem os filhos que tanto queria e estes não serão os únicos. Agora a coisa vai ficar interessante para o nosso reizinho e nosso adorado rebelde. E se já estavam achando a Bella perigosa antes, esperem só para ver o gênio político desta mulherXDDDD.

Beijinhos e brigadeiros para todos.

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