Equilibrando a balança

Os anos passaram rápidos e com eles vieram grandes mudanças em Bertah. Bella teve mais três filhos depois dos gêmeos, todos meninos robustos e audazes. Alice também teve mais duas crianças, um casal. Edward continuava com suas expansões territoriais desenfreadas e sua batalha pessoal para conquistar o amor da esposa. Para o orgulho do jovem rei, nada parecia capaz de enfrentá-lo em condições de igualdade. Ou melhor, quase nada.

Depois de dez anos afastado do governo oficial dos Quileute, Jacob parecia ter voltado com força total e desta vez legitimado por voto popular. O rei de Bertah não tinha muito que fazer a respeito disso. Uma vez que Edward estava de pés e mãos atados, Black se sentiu confortável para por em pratica anos de planos de vingança cuidadosamente elaborados.

Primeiro foi o súbito aumento burocrático para se extrair ouro do território, depois o bloqueio às saídas marítimas que Bertah usava livremente e sem custos. Jacob já começava a traçar suas próprias alianças com outros grupos insatisfeitos e um exército já estava sendo reunido na calada da noite.

Bella acompanhava à distância as negociações, lendo relatórios que Jasper redigia para o rei. A diplomacia se tornava cada vez mais difícil e tensa. Somente Edward parecia não perceber que aquilo poderia explodir numa guerra civil separatista e se isso acontecesse, Bertah poderia ser facilmente invadida devido à proximidade. Aquilo significaria até mesmo um ataque direto à família real.

Foi pensando nisso que Bella percebeu o perigo que sua filha corria. Renesmee era por titulo a Senhora dos Territórios Quileute, uma medida que a própria rainha havia imposto e que não era nada popular entre os rebeldes. A princesa havia se tornado um alvo em potencial para Jacob, um impedimento formal que se colocou no caminho dele até o governo independente do território. Algo precisava ser feito e rápido.

A instabilidade nas negociações não interferiu no casamento de Bella, como era esperado. Ela agora tolerava Edward com muito mais paciência e habilidade. Havia descoberto o quão útil poderia ser no posto de rainha e o rei, mesmo não tendo mudado tanto, havia deixado de ser uma figura repudiada. Não o amava, mas sabia aproveitar ao máximo os prazeres, carinhos e indulgências dele. Ela estava determinada a não ser infeliz para sempre.

Seu filho mais velho, Edward, estava se tornando um rapaz bonito e graças aos esforços dela, um príncipe muito mais perspicaz do que o pai foi. Era determinado e de temperamento agradável, muito parecido com o falecido rei. Atencioso para com o povo, era amado por ele em retorno. Mas o príncipe nunca foi sua grande preocupação. Eram dedicados à princesa os seus pensamentos mais sérios e preocupados.

Renesmee se parecia de mais com a mãe, talvez mais do que o aconselhável. Frequentemente ela tentava escapar do palácio para zanzar no mercado. Tinha paixão pelo céu limpo e a idéia pouco definida de liberdade que tinha em sua cabecinha jovem. Ainda que não fosse dada aos assuntos do Estado, era verdadeiramente apaixonada pela vida das pessoas comuns e sonhava com o livre arbítrio, mesmo sabendo que nem sempre as conseqüências eram favoráveis.

O rei não escondia de ninguém sua adoração pela menina. Sendo a única filha e tão parecida com a rainha, o rei Edward não media esforços para conceder a ela tudo o que ela desejasse, a exceção de suas excursões clandestina à cidade. Havia, no entanto, algo que fatidicamente aconteceria e nada que Renesmee dissesse ao pai mudaria. Ela já estava próxima dos quinze anos e logo seria dada em casamento a alguém que pudesse somar forças ao soberano de Bertah.

A simples idéia de um casamento arranjado levava a princesa à loucura. Já havia pensado em fugir, em fazer greve de fome, em pedir ajuda à mãe, mas nada lhe parecia eficaz o bastante. Sabia que longe dos muros do palácio ela não conhecia nada e seria presa fácil para toda sorte de inimigos, além de admitir que sentiria falta dos primos, tios, pais e irmãos.

Foi quando a princesa Renesmee e o príncipe herdeiro completaram quinze anos que a situação entre Bertah e o Território Quileute piorou de vez. Por causa de uma discussão entre um Quileute e um soldado de Edward, uma briga feia começou e o soldado do rei acabou por matar o inimigo. Uma onda de revolta cresceu no território e Jacob aproveitou o incidente para declarar que não se submeteria mais aos desmandos de um rei que não fazia justiça.

Rebeldes passaram a atacar postos militares de Bertah em plena luz do dia, sem temer represália, ateando fogo e pedras. As brigas eram constantes, não havia nada que pudesse ser feito para conter a raiva Quileute, que passou a ser muito bem guiada por Jacob. O assunto da separação e independência já era coisa comum, mesmo sendo passível de punição por alta traição ao rei. Ninguém se importava mais, todos queriam guerra.

A coisa chegou num ponto que já era inegável que os Quileute tinham força suficiente para atacar Bertah e fazer um grande estrago. Edward já não tinha apoio para reunir o exercito para mais uma guerra, tão pouco fundos para isso. O povo não aceitaria um aumento de impostos para financiar a campanha. Simplesmente não havia saída e o evento mais funesto foi à queima de uma grande faixa com o nome da princesa em frente ao palácio.

Ameaças direcionadas a família real nunca haviam ocorrido antes e foi o bastante para espalhar o pânico por cada um dos cômodos de mármore. Era agora uma questão de sobrevivência resolver tudo o mais rápido possível, até mesmo para evitar rebeliões em outros territórios conquistados.

Ficou definido que Jasper iria até Jacob, buscar uma solução diplomática para o impasse. A determinação deixou Alice louca de preocupação e extremamente ansiosa, mas para Bella a providencia não poderia ser mais bem vinda. A rainha se trancou no quarto por duas horas e saiu em seguia.

O general Hale já se preparava para partir. Despediu-se da esposa e dos filhos, foi saudado pelo rei e poucos minutos antes de montar em seu cavalo foi parado pela rainha. Bella se aproximou cuidadosamente do cunhado e o abraçou.

- Entregue isso nas mãos de Jacob. – ela sussurrou ao ouvido do general, fazendo-o se arrepiar. Ela colocou um envelope lacrado dentro da armadura dele num movimento furtivo. Aquilo era traição da parte de ambos. – A paz entre nós depende disso. Vá em paz, cunhado. – ela pronunciou a ultima frase mais alto, disfarçando seus reais motivos. – Que faça uma boa viagem e traga a paz consigo.

- Farei meu melhor, majestade. – ele montou em seu cavalo, enquanto Bella ia até o marido e o abraçava. Edward não desconfiou e se o fez preferiu fingir que não tinha visto nada de mais.

Jasper galopou ferozmente por dias, parando apenas para dar água aos cavalos e comer, não dormindo mais do que quatro horas por noite. Ao final do sétimo dia já era possível avistar as montanhas imponentes, cobertas por nuvens de neblina densa. Quando o general alcançou os portões da capital do Território o que ele viu o surpreendeu. No lugar das ruínas da guerra o que se via era uma cidade imponente e organizada, com construções sólidas que não paravam de crescer.

O general foi levado até a presença de Jacob. Foi conduzido até um grande palácio, recém construído, que agora abrigava a sede do governo. Lá foi recebido por Black, que até então nunca havia lhe parecido tão perigoso. O porte não havia mudado em nada com o passar do tempo, os cabelos permaneciam negros e estavam impecavelmente arrumados num rabo de cavalo. Ele usava uma capa de lobo vermelho, algo comum aos nobres Quileute de alta linhagem e também aos antigos governantes. Ele usava algumas jóias feitas de ouro e a tradicional pedra da lua, símbolo dos seus ancestrais.

Jacob foi extremamente educado, oferecendo um belo jantar ao seu hospede. Obviamente, Jasper teve medo de ser envenenado, mas varreu esta hipótese de sua mente, lembrando que tal atitude em nada favoreceria Black. A conversa foi amena até o fim da ceia, quando as principais reivindicações foram feitas.

Em termos gerais era separação pacifica ou separação por guerra. Jacob já não fazia mais questão de esconder o apoio que tinha de outros territórios inimigos de Bertah, tão pouco seu desejo de vingança. Não havia nada que pudesse parar Jacob aquela altura. Nada, a não ser Bella. Foi então que o general decidiu dar credito a sua rainha. Talvez ela tivesse a chave para a paz.

- Há algo que devo entregar ao senhor. Foi ordenado a mim que lhe entregasse em mãos. – Jasper puxou de dentro de uma bolsa de couro o pequeno envelope com o selo em forma de lua crescente. – Não sei o que ela escreveu, mas estou correndo o risco se isso puder oferecer uma alternativa mais diplomática a este impasse. – Jacob vacilou por um momento e pegou a carta com a mão levemente tremula. Reconheceu de imediato à caligrafia fina dela. Não demorou mais que alguns segundos para ler o que estava escrito. Era absurdo que ela pudesse cogitar uma idéia como aquela, mas a verdade é que até fazia algum sentido. Bella ou estava louca ou não havia entendido plenamente o que estava dando a ele. Sua vingança estava se tornando mais saborosa do que ele havia imaginado a principio.

- Muito bem. – Jacob disse solenemente – Tenho que admitir que sua rainha é muito melhor que qualquer diplomata que eu já tenha visto. Bertah seria muito mais poderosa se ela governasse sozinha. – ele sorriu para o general um sorriso perigoso – Eu não entrarei em uma guerra separatista, mas com algumas condições.

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O rei Edward levantou-se de uma vez desferindo um murro contra a mesa. Era absurdo! Era ultrajante!

- QUEM ELE PENSA QUE É!? – o rei gritou a plenos pulmões – Isto é um insulto a minha autoridade! Mais do que isso, é uma ofensa pessoal!

- Ele foi bem claro, meu rei. – o general Hale falou no tom mais calmo que possuía, mas nem isso controlou a ira de Edward – Ou seguimos estes termos ou é guerra.

- Eu concordo com a diminuição dos impostos, aceito o pagamente de uma taxa para a utilização do porto e permito que eles elejam seus funcionários entre os próprios Quileute, mas o ultimo tópico está fora de questão! - Edward rangeu os dentes.

- Também estou chocado, majestade, mas ele insiste principalmente neste ponto.

- O que pensa deste absurdo, Jasper? – Edward o encarou nos olhos. Jasper ponderou um momento.

- Penso que esta é uma medida que me desagradaria tremendamente enquanto chefe de família, mas eu sinceramente não vejo alternativa. Nós não temos condições de entrar numa guerra para vencer. – Edward inspirou profundamente e permaneceu em silencio. Logo o rei deixou a sala sem mais explicações.

Jasper tinha certeza de que tudo aquilo era uma estratégia muito bem bolada, mas o que não conseguia entender era justamente os motivos que levaram a rainha a intervir desta forma. Só podia supor e esperar que ela soubesse o que estava fazendo e se tudo corresse bem, Alice e seus filhos estariam longe de qualquer perigo.

Edward foi até sua câmara particular onde encontrou sua rainha ensinando a seu filho mais novo, Charlie, a escrever o próprio nome. O menino sorriu para o pai e correu para abraçá-lo. Edward pegou o garoto nos braços, beijou-lhe o alto da cabeça e pediu para que ele desse licença. Charlie saiu correndo pelos corredores carregando consigo a folha com sua caligrafia. Logo Bella notou a mudança no estado de humor do marido. Concluiu que havia chegado à hora.

- O que há de errado, meu rei? – ela perguntou ao olhá-lo nos olhos. Edward respirou profundamente, tentando manter a calma.

- A contra proposta foi feita e eu juro por meu pai que não aceitaria se tivesse outra opção. – ele falou tenso – Me diga, Bella. Até onde vai a sua confiança em Jacob Black?

- Achei que este era um nome proibido entre nós. – ela falou se fazendo de desentendida.

- Não brinque comigo! Apenas responda! – ele ordenou furioso.

- Confiaria a minha vida a ele. – ela respondeu sem rodeios enquanto Edward rangia os dentes.

- Então espero que tanta confiança seja justificada, pois serei obrigado a entregar a minha filha a ele. – Edward falou secamente – Sua vingança foi longe de mais, Bella. A vingança de vocês dois!

Edward deixou o quarto batendo a porta com força, deixando Bella para trás com seus próprios pensamentos. Então ele havia aceitado e que os céus permitissem que ela ainda estivesse certa quanto ao caráter de Jacob. Estava entregando sua jóia mais valiosa a ele.

O rei precisou de longas horas de solidão para se acalmar e pensar com clareza nas conseqüências de seus atos. Black era esperto de mais, mas havia cheiro de conspiração no ar e Edward sabia que Bella estava envolvida até o pescoço nisso. Anos lutando por ela e agora ele já se encontrava tão enfeitiçado e dominado que nem mesmo conseguia escapar da armadilha que ela armara contra ele. Só lhe restava aceitar o maldito acordo. Aquele era o castigo que sua mãe tanto falara no dia que se seguiu a noite em que ele deflorou Bella.

Após o jantar, Edward convocou a princesa Renesmee e a rainha para uma conversa particular na saleta de reuniões. Não demorou para que a princesa entendesse que algo muito grave havia acontecido. O rei pediu para que elas se sentassem.

- Renesmee, minha perola. – ele disse com carinho – Sabe que eu faria tudo para que fosse feliz, não sabe? – ela temeu ao ouvir aquilo. Seja lá o que fosse, era mais sério do que ela pensava.

- Sim pai. – ela respondeu.

- Quero que entenda que esta situação também não me agrada e que tentei evitar ao máximo que estes problemas afetassem a vida desta família, mas não consegui. – Edward falava em tom apologético.

- O que está acontecendo, pai? – ela perguntou enquanto olhava em direção a sua mãe.

- Estamos à beira de uma guerra contra os Quileute. Uma guerra que não podemos vencer, querida. – o rei disse – Tentei a todo custo achar uma saída diplomática para este impasse e a única alternativa que surgiu partiu do próprio líder dos Quileute.

- Perderei minhas terras? – ela questionou imediatamente. Aquelas terras e o titulo eram sua única esperança de independência. – Meu titulo?

- Não perderá nada disso, minha filha. – o rei respondeu – Você se casará com Jacob Black, o líder dos Quileute. – o sangue lhe subiu a cabeça de imediato e antes que ela pudesse raciocinar já estava de pé com a voz exaltada.

- EU NÃO VOU! – a princesa gritou – Nada neste mundo me fará casar com este homem! Deve haver outra solução! – enquanto a princesa se descontrolava, o rei tentava inutilmente mantê-la calma. Bella permanecia silenciosa e analítica, apenas observando a cena.

- Ou se casa com ele, ou nos sentencia a morte! É isso o que quer? – Edward questionou autoritariamente – Já lhe disse que isso não me agrada, mas as opções são poucas!

- Por que eu, pai? – Renesmee perguntou chorosa – Lívia é mais velha e também tem sangue real.

- Pergunte isso a sua mãe. Ela saberá explicar a mente deturpada de Black melhor do que eu. – o rei respondeu venenoso enquanto encarava a esposa.

- Pare de tentar me colocar como a vilã nesta história, Edward. – a rainha disse – Você pode ser rei, mas diante dos meus filhos me deve algum respeito.

- Respeito? – ele disse cinicamente – Então diga a ela, minha rainha! Diga que foi amante de Black antes de se casar comigo! Admita que teria fugido com ele na primeira oportunidade! – Renesmee ficou chocada ao ouvir tais acusações e esperou em vão que Bella negasse.

- Eu admito tudo isso, mas nunca fui amante dele. Éramos noivos e você sabe disso. – Bella respondeu indiferente. – O ódio de Black é destinado a você, Edward. Não tente fazer parecer culpa minha.

- Alguém poderia me explicar o que está acontecendo aqui? – Renesmee interrompeu a discussão dos pais. Edward respirou fundo, tentando retomar a calma.

- Black nunca aceitou ter perdido a sua mãe. A lógica dele é se vingar de mim me tirando minha única filha. – Edward respondeu – E graças ao seu titulo, ao casar-se com ele estará lhe dando a legalização que ele precisa para ser o líder dos Quileute em definitivo, além de dar a ele uma posição privilegiada na linha sucessória de Bertah.

- Então eu estou sendo sentenciada por algo que não tenho culpa?! – Renesmee disse com lágrimas nos olhos – Prefiro morrer a ser sacrificada por culpa de vocês! – a princesa deixou a sala em prantos, correndo para seu quarto o mais rápido que podia, sem nem mesmo olhar para trás.

Uma vez sozinhos dentro da sala, o rei e a rainha se encararam longamente, medindo cada palavra que pairava no ar entre eles. Edward por fim se pronunciou.

- Eu fiz o que pude. – ele disse – Agora é a sua vez de falar com ela.

- E o que você sugere que eu faça? – Bella questionou estupefata – Depois de você ter feito de mim a vilã da história, duvido que Renesmee me ouça.

- Tente acalma-la, explique a situação, faça qualquer coisa para que ela não fique tão infeliz! Mostre que se importa pelo menos! – Edward suplicou.

- Eu me importo, Edward. Mesmo que você pense que eu tenho alguma alegria com esta situação. – Bella disse num tom sombrio – Só me dói saber que você nunca teve este tipo de preocupação comigo. Edward a encarou chocado. Ele caminhou até ela e segurou suas mãos.

- Eu teria lhe dado o mundo se tivesse me permitido tentar. – ele disse – Eu tenho vivido todos os dias me remoendo por saber que eu lhe fiz mal e que eu jamais saberei como você é quando está feliz. Por mais que você pense que eu não tenho coração, eu amo você e cada um dos nossos filhos. Preferia morrer a ter que impor isso a Renesmee, mas não depende de mim. Há um pai inteiro correndo risco. – Bella suspirou.

- Vou falar com ela. – Bella não disse mais nada. Não sabia o que dizer. Talvez o tempo tivesse enternecido o coração dela, ou talvez fosse o estresse, independente do motivo, Edward estava aprendendo a ter sentimentos.

Renesmee se trancou no quarto. Sua cabeça parecia a ponto de explodir. Começou a analisar suas possíveis alternativas para escapar. Quem sabe uma fuga, ou uma greve de fome? Devia ter veneno em algum lugar do palácio!

Como sua mãe pode fazer isso com ela? Nunca pediu para nascer, nem mesmo sabia que Bella havia tido outro homem que não fosse seu pai. Homem este com quem ela teria que se casar para evitar uma maldita guerra. O líder dos Quileute, um homem grosseiro, mal educado que vivia entocado no meio das florestas, quase um selvagem! Ele nem mesmo devia tomar banhos regulares!

Ela teria que viver como uma fera, cercada pelos homens horripilantes que serviam Jacob Black, longe de sua família e do país que amava. Um homem como ele saberia tratar uma mulher, ou ela sofreria agressões constantes? O pior era imaginar como seriam as noites! Só de pensar em ter que se deitar com ele seu estomago dava voltas. Definitivamente a morte seria preferível.

Enquanto sua cabeça funcionava freneticamente, Renesmee não notou a chegada de sua mãe. A rainha apenas observou a figura esguia da filha andar de um lado a outro pelo quarto. Renesmee era realmente bonita, mesmo quando parecia um animal acuado. Sua figura esguia e delicada se movia fluidamente, fazendo a seda de suas roupas farfalharem. O cabelo acobreado era igual ao do pai, longo e ondulado, constantemente preso em uma trança, mas os olhos eram do formato e cor exatos dos de Bella.

- Vai fazer um buraco no chão se continuar andando de um lado pro outro deste jeito. – a rainha disse com serenidade, fazendo sua filha se assustar.

- O que está fazendo aqui? Eu dei ordens para ninguém entrar! – a princesa se apressou em dizer e sentou-se em sua cama logo em seguida.

- Acha mesmo que algum guarda impediria a rainha de falar com sua filha? Acho que você se esqueceu de que hierarquia é fundamental para uma família real. – Bella se sentou ao lado dela na cama. – Não me olhe com essa cara de emburrada, isso é coisa que só funciona com seu pai. Quero falar sobre as acusações que seu pai me fez.

- Não me importa com quem à senhora dormiu na vida, só não quero ter que pagar por algo que não foi culpa minha! – Renesmee atirou contra a mãe. Bella encarou a filha ressentida.

- É justamente por isso que eu preciso falar com você. – Bella disse séria – Eu amei Jacob um dia, ficamos noivos, mas nunca aconteceu nada entre nós porque seu pai impediu. Eu me casei com Edward pouco tempo depois de Jacob ter sido preso. Quando ele foi libertado, eu não pude vê-lo, nem mesmo sei como ele é agora. Depois disso, seu pai e seus irmãos foram os únicos homens que entraram na minha vida e tenho existido e lutado para manter uma convivência harmoniosa.

- Mãe, eu realmente não quero saber. – Renesmee soltou um muxoxo – Não vou me casar com este homem horripilante!

- Horripilante? – Bella riu – Certamente faz tempo que não o vejo, mas Jacob sempre esteve muito longe de ser horripilante. Sempre foi uma pessoa valorosa, leal e dedicado a tudo o que ama. Não teria me apaixonado por ele quando tinha a sua idade se fosse diferente.

- Se ele é tudo isso, por que me obriga a casar? – a princesa perguntou furiosa.

- Quem pode dizer o que perturba a mente e a alma de um homem? Seu pai foi muito cruel com ele e qualquer um pensaria em vingança naquelas condições. Infelizmente os olhos dele se voltaram para você, que é o ponto fraco do seu pai.

- Você não parece nem um pouco preocupada comigo ou com o futuro que eu terei com este homem! Se sofreu tanto como diz, por que não faz nada para evitar que eu sofra também? – Renesmee desabou em choro convulsivo, enquanto era abraçada pela mãe.

- Nunca houve um dia em que eu não me preocupasse com isso, minha filha. – Bella sussurrou – Mas eu não poderia pensar em ninguém mais confiável para entregá-la.

- Você ainda gosta dele, não é? Está se realizando através de mim! – Renesmee acusou.

- Eu gosto das lembranças de um tempo em que eu era mais simples e feliz, mas este mundo em que eu vivia feliz ao lado dele nunca existiu ou existirá. Estamos numa crise muito grave, querida. Seu pai não terá apoio se entrar em guerra e tanto eu, quanto seus irmãos podemos ser atacados. Se esta solução se apresentou diante de nós não temos como recusar. Você sempre soube que se casaria para fortalecer alianças políticas, com quem seu pai determinasse. Pois bem, a hora chegou.

- Por que as coisas tem que ser tão difíceis, mãe? – a princesa foi abraçada com força, enquanto suas lágrimas corriam livremente. Bella não disse nada, apenas abraçou sua única filha, seu maior tesouro, como se sua vida dependesse disso.

Os arranjos foram feitos e formalizados por meio de tratados. Em três meses tudo estava resolvido e preparado para concluir a negociação. Um dote milionário foi mandado para Jacob e duas semanas depois a escolta que levaria a princesa até o Território Quileute já estava pronta pra deixar a capital de Bertah.

O dia da partida foi doloroso para todos os membros da família real. Lívia, Alice e Esme choraram sem parar por estarem se separando da princesa. Os príncipes, Edward, Anthony, Carlisle e Charlie, entregaram presentes à irmã, segurando para não chorar. Emmett e Rosalie fizeram uma breve despedida, junto com os filhos. A rainha se manteve forte e inabalável o tempo todo, declarou seu amor à filha e nada mais. Mas para o rei aquele foi o ato mais difícil de sua vida. Não podia se mostrar abalado, mas sua vontade era de socar a cara de Black por estar lhe tirando sua estrela mais brilhante.

O rei deu a ela um ultimo presente, um colar de ouro com a lua crescente de Bertah cercando uma única estrela cravejada de diamantes. Depois das solenidades serem concluídas, a escolta deixou o palácio real rumo ao Território Quileute, supervisionada pelo general Hale. A viagem que demoraria no máximo sete dias com um grupo pequeno, levou dez para ser concluída, coisa que a princesa agradeceu aos céus imensamente.

Enquanto imaginava como seria sua vida na nova casa, seus olhos contemplavam as mudanças na paisagem. Pouco a pouco ela sentia seu tempo se esgotar e o nervosismo tomar conta dela. Já nem fazia mais idéia de onde estava, mas sabia que seu medo era tanto que não havia um só músculo em seu corpo que não tremesse. As montanhas se ergueram no horizonte como muralhas e ela soube que estavam muito próximos do destino final.

Malditas fossem as roupas tradicionais de Bertah. Mal lhe cobriam as pernas, braços e barriga, além de tudo os tecidos eram finos de mais para o vento gelado das montanhas do Território. Se tivesse sorte, morreria congelada antes de se casar com Black. Enquanto ela amaldiçoava suas veste, o comboio parou subitamente, onde ela supôs que fosse a fronteira.

Um grupo de homens de cabelos negros e longos os receberam e a princesa entendeu que entre eles deveria estar seu noivo. Eram todos enormes e assustadores, com suas capas de pele de lobo. Ela notou que um dele se dirigiu diretamente ao general, mas não pode ouvir a conversa.

Hale encarou Jacob por um momento. Aquela era uma missão terrível, ainda mais para ele que havia visto a menina crescer e tinha por ela o carinho de um pai. Eles apertaram as mãos em sinal de paz.

- Ela está aqui, como o combinado. – o general disse.

- Nunca duvidei que cumprissem. Estou satisfeito. – Jacob respondeu confiante.

- Me diga, por que está fazendo isso? – finalmente o general cedeu a sua curiosidade.

- Seu rei me tirou a mulher que eu amava unicamente para que ele tivesse seus filhos. É justo que ele perca uma destas preciosas crianças, sua única filha, para que ela dê a luz aos meus. – Jasper estremeceu diante da frieza com que Jacob falava.

- Certa vez você me pediu para que eu cuidasse de uma mulher no seu lugar. Cuidasse para que ela fosse feliz. Eu fiz o que me pediu e agora lhe imploro a mesma cortesia em retorno. Cuide dela, ela é como uma de minhas filhas. – Jacob apenas assentiu com a cabeça.

Black caminhou até onde a liteira da princesa estava e afastou as cortinas que ocultavam a figura dela. Sua primeira reação foi o constrangimento pelas roupas que ela usava. Como um homem permite que sua filha ande praticamente nua? A segunda reação foi uma risada interna ao ver o quão jovem e assustada ela era, com suas infinitas jóias pelo corpo, tentando parecer mais velha do que realmente era. Por ultimo ele não pode deixar de notar o quão parecida ela era com a mãe. Tão parecida que lhe doía o coração.

- Acho que escolhi bem meu presente para a noiva. – Jacob disse educadamente, chamando um servo que trazia uma caixa de madeira – Este é um singelo presente de boas vindas que eu ofereço a minha futura esposa. Aceite junto com meu carinho, princesa. – a tampa da caixa foi aberta, revelando um casado de pele de lobo branco. Jacob retirou o casaco da caixa e jogou sobre os ombros dela. A princesa se agarrou a ele firmemente, sentindo o calor voltar ao seu corpo e a raiva que tinha por aquele homem aumentar. – Simplesmente adorável.

Nota da autora: Capitulo em tempo recorde! Agora a coisa vai ficar divertida e o foco da história vai mudar consideravelmente XD. Tadinha da Ness. Edward virou pai coruja e Bella está pra lá de bruta. Jacob está simplesmente...Ui, me faltam palavras pra descrever tanta perfeição XD. Jac, pega leve nos brigadeiros ou vai ter dor de barriga.

Comentários continuam sendo coisas adoráveis.

Bjux e bombons pra vocês.