Quando chega o inverno

Estive procurando por você há tanto tempo

Agora não vai mais conseguir sair de minhas garras

Você tem vivido há tanto tempo

Escondida por trás dessa máscara falsa

E você e eu sabemos

Que isso não vai durar pra sempre

A primeira reação que ela teve quando as cortinas de sua liteira foram abertas foi o susto. Jacob Black era nada mais, nada menos do que enorme! O homem devia ter uns dois metros de altura, o rosto angular que não aparentava mais de trinca e cinco anos, olhos negros e mantinha o cabelo preso. A capa de pele de lobo vermelho parecia harmonizar com sua própria pele morena. Sem duvida ele parecia feroz, mas ao menos não fedia e isso era um alivio para ela.

No momento em que Black colocou os olhos nela, Renesmee notou uma súbita mudança na cor das bochechas e logo depois ele desviou o rosto para outra direção. Aquilo era ultrajante! Ela estava com suas melhores roupas, feitas para agradar a qualquer homem e ele simplesmente se recusava a olhar para ela! Por um acaso ela era feia? Magra ou gorda de mais? Uma princesa real de Bertah não era boa o bastante pra ele? Sua vontade era de gritar com ele, mas discutir com um homem daquele tamanho era idiotice. Então ele chamou o criado com a caixa e voltou a olhar para ela, mas sem nem ao menos demonstrar alguma admiração.

- Acho que escolhi bem o presente para a noiva. – ele disse. A voz não tinha nada de grosseiro, muito pelo contrario. Havia uma segurança incomum no timbre grave dele. Ele abriu a caixa e tirou de lá um belíssimo casaco de pele de lobo branco e jogou sobre os ombros dela, cobrindo-a por inteiro. Se por um lado a sensação de calor em oposição ao frio daquele país era boa, por outro, aquilo evidenciava ainda mais que ela não o atraia, o que era uma desonra e tanto a uma princesa. - Este é um singelo presente de boas vindas que eu ofereço a minha futura esposa. Aceite junto com meu carinho, princesa. – ele continuou falando e ela teve ódio mortal por aquele homem desprezível. - Simplesmente adorável. – Quando ele disse aquilo pareceu muito mais um deboche do que qualquer outra coisa.

A princesa quis protestar, implorar para ser mandada de volta pra casa, mas quando pensou em dizer qualquer coisa a cortina já havia sido fechada novamente e a liteira voltou a andar. Era o fim para ela, estava entrando definitivamente no Território Quileute como prisioneira de Jacob Black.

Mais algumas horas de viagem e ela finalmente pôde colocar os pés no chão e a primeira coisa que viu não lhe agradou. Não dava pra negar que o palácio era enorme e muito bem construído, mas faltava a leveza da arquitetura de Bertah e a luminosidade do mármore exposto ao sol. Aliás, sol era uma coisa que ela não havia visto no Território, que parecia constantemente coberto por uma densa nuvem de chuva. Definitivamente ela estava no inferno povoado por homens gigantes, de pele morena, que a encaravam como se ela fosse um ser de outro mundo.

Ela parecia tão frágil diante de todas aquelas pessoas e de suas construções sombrias. As mulheres tinham rostos bonitos, usavam roupas grossas e peles de animal. Algumas usavam jóias, mas nada que se comparasse aos milhares de enfeites que ela tinha e usava em abundancia todos os dias.

Black lhe estendeu a mão para ajudá-la a sair da liteira. Ele a conduziu até um outro homem mais velho e igualmente assustador.

- Gostaria de lhe apresentar meu conselheiro e amigo pessoal, Sam Uley. – Black falou com altivez enquanto o outro homem se curvava numa reverencia educada – Ele é o responsável pelas negociações com seu país e terá prazer em ajudá-la. – uma mulher de rosto bonito logo saiu de trás de Sam, com um sorriso nos lábios ela também saudou a princesa – E esta é a esposa dele, Emily. – Renesmee retribuiu a gentileza com outra reverencia, sem dizer uma só palavra. – Os outros eu lhe apresentarei em um momento mais oportuno, quando já tiver descansado da viagem. – ao menos ele tinha alguma consideração por ela.

Sua aparência e seus sentimentos

É tudo o que restou do seu passado

Você está substituindo as asas,

Enquanto espera a cortina cair

Conhecendo o terror

Ela finalmente entrou dentro da residência oficial ao lado de Jacob. O lugar era realmente escuro, mas muito confortável, com varias lareiras acesas que aqueciam o lugar. Os passos ecoavam no chão de pedra e nada foi dito até que eles estivessem diante de uma porta de carvalho entalhado.

- Estes serão seus aposentos provisórios. – ele disse ao abrir a porta do quarto, revelando um como amplo, bem mobiliado, mas nada que se comparasse aos seus aposentos em Bertah. – Sei que não lhe parece muita coisa, mas asseguro que terá todo conforto aqui. Terá duas criadas a sua disposição.

- Eu tenho permissão para falar com quem? – Renesmee se pronunciou pela primeira vez, encarando-o firmemente. Jacob parece não entender o que ela dizia, pensou um segundo antes de responder.

- Com quem quiser, oras. – ele riu uma risada gutural – Eu me esqueci que sua família é meio anti-social. Aqui você não é uma intocável, nem uma divindade. Pode falar com qualquer pessoa e ser tocada por qualquer pessoa.

- Mas como posso ser respeitada se qualquer pessoa pode tocar em mim? – ela falou em choque enquanto entrava dentro do quarto, sendo seguida por ele. Jacob continuava rindo.

- Pelos céus, o que ensinam às crianças na sua família? – ele disse debochado – Não consigo imaginar sua mãe concordando com isso.

- E eu não consigo imaginar minha mãe fazendo muita coisa também. Ter um caso com você é um ótimo exemplo disso! – ela retrucou mal educada. A risada foi substituída por um sorriso satisfeito.

- Acho que tem razão. – ele disse – A questão é que demonstramos o respeito por um superior de maneira diferente. Lealdade, dedicação, boas maneiras e palavras sinceras são as maiores provas de respeito que podem existir aqui. – ele fez uma leve reverencia para ela – Vou deixá-la descansar agora, mas gostaria que jantasse comigo. Encontrará cobertores quentes no baú perto da cama, as noites são frias por aqui.

- Obrigada. – ela disse a contra gosto, enquanto ele deixava o quarto dela.

Renesmee se jogou na cama enorme, agarrando-se firmemente ao casaco que ainda lhe aquecia, enquanto chorava copiosamente de raiva e saudade. Quem era aquele homem? Por que ele insistia em tirar dela tudo o que era conhecido e seguro, todas as suas referencias e proteções? Ela não tinha quem a defendesse agora, não tinha ninguém em quem confiasse, nem mesmo amigos naquele lugar horrível.

Toda aquela educação não a enganava. Ele deveria estar tramando alguma coisa para tornar a vida dela um inferno na terra, mas se ele achava que ela ia se render logo de cara, estava muito enganado! Ela era sim uma deusa, ao contrario do que ele pensava, e iria se impor sobre todos os seus súditos. Quanto a Jacob Black, ele jamais a tocaria, nem que para isso ela tivesse que lhe degolar a cabeça enquanto dormia. Sem perceber ela caiu no sono.

O que havia sido aquilo? Era no mínimo uma brincadeira de muito mau gosto do destino. A menina não era só parecida com Bella, até a maldita língua afiada era igual! É claro que Bella era mais diplomática e maliciosa em suas palavras, enquanto a princesa simplesmente desferia o golpe, sem nem ao menos pensar onde acertaria. Era arrogante como Edward, com seu ar de superioridade e divindade. Ele faria questão de mostrar a ela o quão humana ela era.

Ele se jogou em sua poltrona em sua sala particular. A princesa Renesmee mal havia saído da infância, seus olhos ainda eram inocentes e tudo parecia assustá-la imensamente. Não bastando isso, ela é entregue a ele naqueles trajes, quase nua, em frente aos homens mais importantes do Território. O que pensariam dela? O que pensariam dele? Já que ela seria sua esposa, era adequado que usasse roupas mais descentes e quentes, ou acabaria ficando doente em poucos dias. Aliás, magra como era, ele tinha duvidas se ela agüentaria o inverno Quileute e ele na cama.

E ainda havia esse pequeno detalhe. A cama! Por maior que fosse seu ódio por Edward, ele se recusava a forçá-la a qualquer coisa e, além disso, ela lhe parecia jovem de mais, ingênua de mais e frágil de mais! Mal podia acreditar na situação em que havia se metido, mas agora não tinha volta. Se casaria com ela e seja lá o que Deus quisesse depois disso. Pensando bem, ela era bem bonita, a absurdamente parecida com Bella para ruína da sanidade dele.

Renesmee acordou com duas criadas enchendo uma banheira com água quente. Assim que elas terminaram saíram do quarto, o que a princesa estranhou. Em Bertah havia servas para banhá-la, mas aparentemente isso era algo que teria que fazer por conta própria. A princesa se despiu e entrou na banheira, sentindo cada músculo do seu corpo relaxar sobre efeito da água. Aquilo era reconfortante, ao menos era familiar. Depois de uma hora no banho, sentia-se renovada e pronta para a batalha, mas ainda havia um problema. O que ela vestiria naquele frio infernal?

Examinou as roupas que trouxe consigo na viagem. Seda, cetim, musselina, brocados finos, nada que pudesse ser eficaz contra o frio, apenas peças feitas para atrair os olhos dos homens. Como se Black fosse reparar nessas coisas! Ela poderia amarrar uma melancia no pescoço que ele não ligaria à mínima.

Decidiu que usaria uma túnica de algodão, que usara pouquíssimas vezes durante o inverno em Bertah, e por cima colocaria o casaco branco que havia ganhado. Ao menos aquilo a manteria aquecida por um tempo. Vestiu a roupa, trançou os cabelos e como de costume, colocou suas jóias. Poderia estar entre selvagens, mas se enfeitaria como a princesa que era. Assim que ficou pronta, deixou o quarto e passou a perambular pelos corredores do palácio escuro. Não era de se espantar que ficasse perdida logo no seu primeiro dia ali, ela levou mais de meia hora para encontrar a ampla sala de jantar, onde Jacob descansava despreocupadamente, sentado numa cadeira à cabeceira da mesa.

Possuindo você e a todos nós

Sim, sei que vai me arranhar,

Aleijar e dilacerar

Você sabe que estou necessitado

Do seu hipnótico ronronar

Assim que notou a presença dela, ele se levantou e fez reverencia, oferecendo um lugar ao lado direito dele. Ela aceitou a oferta em silencio e recebeu em troca um sorriso dele.

- Espero que esteja mais descansada. Imagino que uma viajem como essa seja exaustiva para alguém que não está habituado a percorrer grandes distancias. – ele falou no tom mais cordial possível, mas ela permanecia com a cara de alguém que havia chupado limão.

- Sou mais resistente do que pensa, senhor Black. – ela retrucou – Há coisas mais importantes do que o mero cansaço físico. Meu dever para com meu povo me manteve firme até aqui, não vou cair tão fácil. – enquanto ela mantinha toda sua pose de realeza, Jacob ria e batia palmas debochadamente.

- Bravo! Um discurso tocante, sério! – ele disse sarcástico, enquanto a encarava firmemente – Foi seu pai quem lhe ensinou a falar assim? Quase parece verdadeiro.

- Para um homem que ameaça colocar duas nações em guerra por mera questão de vingança, o senhor deveria ficar calado. Eu estou aqui, não estou? Vou cumprir o acordo. – ela disse com tamanha raiva que até mesmo ele se espantou – Então por que não ignora a minha existência e simplesmente usufrui de sua revanche sem me importunar!

- Nossa! Que princesa mais mal criada! – ele riu sonoramente – Vai precisar mais do que isso pra me assustar, menina. Admito que você me surpreendeu. Eu estava esperando uma jovem casta, submissa e silenciosa, e Edward me manda uma leoa com rosto de anjo.

- É isso que espera de uma mulher? Que ela seja casta, submissa e silenciosa? – a princesa disse indignada.

- Não. Nunca gostei das mulheres que cediam muito fácil, que apenas concordavam com tudo. Só imaginei que uma princesa de Bertah fosse mais contida, restrita. Um óbvio equivoco da minha parte. – ele tornou a sorrir para ela. Aquilo era irritante! Ele estalou os dedos e criados apareceram para servir o jantar. Eram travessas e mais travessa, com assados, legumes e pratos que ela nunca havia visto. – Acredito que vá estranhar a comida no primeiro momento. Pedi que preparassem um jantar variado, já que não sabia das suas predileções, mas esteja à vontade para comunicar aos cozinheiros o que prefere comer. Aceita um pouco de carne de carneiro? – a maneira como ele se dirigia a ela, como se fossem velhos amigos, a desarmava de tal modo que ela ficava sem palavras para agredi-lo.

- Aceito um pedaço. – ele cortou a carne e colocou no prato dela – Poderia me entregar o pão? – ela disse a contra gosto, ele sorriu e entregou o pão a ela. Logo ela partiu o pão e comeu junto com a carne. Ela não sabia se a comida era boa mesmo, ou se era reflexo de sua fome, mas o fato é que ela comeu muito rápido, enquanto ele a olhava atentamente.

- Carne e pão são boas opções. Imagino que seu estomago não estranhará esta primeira refeição. – ele disse educadamente, enquanto se servia dos mesmos alimentos que ela – Um pouco seco de mais, não acha? Gostaria de vinho, ou alguma outra bebida?

- Não bebo nada que tenha álcool. – ela disse enquanto limpava o canto da boca.

- Chá de hortelã com mel, é o que costumam beber, não é? – ele ainda se lembrava do habito que Bella tinha de beber aquilo junto com a comida.

- Isso mesmo. – ele chamou um dos criados mais uma vez e ela foi servida de chá fumegante, enquanto Jacob enchia uma taça com vinho tinto, sem nunca desviar os olhos dela. – Por que fica me encarando? – ela questionou, antes de dar o primeiro gole.

- Nada muito relevante. – ele deu de ombros – Faz tempo que não tenho uma companhia feminina na hora das refeições. Minha falecida esposa foi a ultima a se sentar na cadeira onde você está. – aquilo pareceu assustar a garota, mas ela logo recuperou a pose.

- Como ela morreu? – Renesmee perguntou sem olhar para ele, e Jacob supôs que ela estivesse constrangida.

- Pneumonia. Estava grávida de dois meses quando adoeceu. – ele respondeu serio, mas não parecia arrasado pela perda, como ela imaginou que ficaria.

- Gostava dela? – Renesmee continuou no assunto.

- Gostava de Leah mais como amiga do que como mulher, mas a perda foi um golpe e tanto. – ele bebeu um longo gole do vinho – Ela era bonita, de boa família e tinha um gênio terrível! Cheguei a pensar que eu estava no inferno, mas no fim das contas ela era uma das pessoas mais sinceras e preocupadas que eu já vi. Como vê, eu não gosto de mulheres fáceis. – ele riu, fazendo-a enrubescer.

Mantenha a distância, se afaste,

Não caia no engodo dele

Não se perca, nem desapareça

Cuide-se,

O silencio pairou entre eles até o fim da refeição. Jacob estava no mínimo surpreso por ela ser tão geniosa e obstinada. Aquela ia ser uma missão longa, mas ele não perderia para uma garota mimada que mal havia deixado às fraldas. E ela era bonita como o inferno! Depois de comerem eles foram para uma pequena saleta, onde havia muitos livros e pergaminhos espalhados por uma mesa, estantes abarrotadas e três cadeiras. Ele ofereceu uma a ela e logo após ela se sentar, ele fez o mesmo.

- Preferia deixar o assunto para outra hora, mas como temos pouco tempo antes do casamento este é um assunto que requer certa urgência. – ele iniciou a conversa.

- Quanto tempo eu tenho? – ela perguntou com um tom de voz sombrio.

- Duas semanas. – a resposta veio rápida e direta – Há algo que deseje na cerimônia? Flores que lhe agradem? Alguma prece que deseje ouvir?

- Posso vestir luto? – ela perguntou maldosamente.

- Você é uma serpentezinha traiçoeira, não é mesmo? – ele retrucou – Não, não pode. Noivas Quileute usam branco e se casam virgens. E nem pense em mudar a ultima condição, ou entro em guerra contra seu país alegando que o acordo não foi cumprido. – ele se divertiu ainda mais com a cara que ela fez ao ouvir a ameaça. – Acho que precisamos providenciar um guarda roupas novo para você.

- O que há de errado com as minhas roupas?! – ela perguntou furiosa.

- Bem... – ele começou – Digamos que suas roupas são um tanto ousadas de mais. Além de afrontar muita gente se vestindo assim, você não vai demorar a ficar doente e eu não quero isso.

- Não consigo imaginar como eu poderia afrontar alguém com seda, cetim e brocados! – ela teimou.

- E o que você acha que o povo vai pensar ao ver minha futura esposa andando para cima e para baixo, com as pernas a mostra, barriga descoberta, braços nus e com decotes que tampam muito pouco seus seios? Isso pode ser comum em Bertah, mas aqui as mulheres se cobrem, usam capas e casacos de pele no inverno e vestidos leves no verão. – Jacob respondeu sarcasticamente – Não vou admitir que cada homem do território conheça as curvas da minha mulher como a palma da mão!

- Então é tudo uma questão de posse? O fato de que eu serei SUA mulher, me obriga a esconder meu corpo, como se eu tivesse vergonha? Em meu país, nos orgulhamos de nossa beleza e se nos vestimos desta maneira é para que o homem que nos tem cause inveja aos demais no momento em que todos vêem sua esposa no auge do esplendor.

- Acredite, não me importo de vê-la no auge do seu esplendor, princesa. Só não gosto que os outros vejam, muito menos desejem aquilo que eu tenho. Independente das questões morais ou não, você vai usar roupas mais apropriadas. Principalmente por causa do clima frio. Mas se isso te faz feliz, pode usar suas roupas de Bertah quando estivermos a sós no quarto, só não garanto que elas vão durar muito tempo. – ele lançou a ela um sorriso maldoso. Diante do comentário, Renesmee se levantou de uma vez e caminhou rapidamente até a porta. – Aonde pensa que vai?

- Dormir. – ela retrucou rispidamente – Toda essa conversa fiada me deixou muito mais irritada e cansada do que eu já estava. Passar bem! – Jacob não teve tempo de dizer mais nada. Ela bateu a porta com força e foi para o quarto o mais rápido que pode.

Ele era irritante! Ela mal havia chegado e Jacob já a tratava como um objeto com o qual ele faria o que bem entendesse! Toda aquela encenação de homem preocupado e bem educado não passava de uma grande piada de mau gosto. Ele não passava de um vilão de quinta categoria com a altura de um urso! Ela se trancou no quarto e se jogou na cama, tentando não pensar mais nele, mas era impossível! Ela decidiu que ele não era confiável, primeiro por ser um rebelde Quileute, segundo por ele beber vinho. Sempre ouviu histórias de como o álcool pode mudar uma pessoa e torna-la instável e ele lhe parecia o tipo de homem que quando começava a beber era capaz de qualquer loucura.

Mesmo que estivesse furiosa com ele, acabou se rendendo ao conforto da cama e o calor da lareira acesa em seu quarto. Pouco a pouco seus olhos ficaram pesados e seu corpo relaxou até que ela caísse no sono. Estava exausta e dormir era a única coisa que a manteria longe dele.

Com mil infernos! Aquela menina era uma peste! Uma serpente coberta de jóias, pronta para dar o bote! Não havia como negar que o sangue de Edward corria nas veias dela, não com uma língua tão afiada e tamanha prepotência. Uma moleca que mal havia aprendido a andar e queria dar a ele alguma lição de moral. E para piorar ela era linda como uma tentação! Quase uma cópia da mãe. Maldita fosse Bella por ter colocado aquela garota no mundo e maldito fosse Edward por tê-la obrigado a fazer isso!

Lidar com ela iria requerer uma boa dose de paciência, coisa que ele não tinha há muito tempo. Definitivamente estava desacostumado a ter uma mulher por perto, debaixo do mesmo teto que ele e convivendo todo santo dia. Precisava agradá-la. Toda moça gosta de ser agradada com algum tipo de presente ou adereço, mas o que dar a uma garota que tinha tudo? As novas roupas dela seriam providenciadas pela manhã e Emily havia se encarregado de providenciar alguns casacos longos e quentes, para que ela agüentasse o frio até seus trajes ficarem prontos, mas aquilo não servia a ela. Tinha que ser algo diferente, algo com um significado especial.

Precisava conhecê-la primeiro. Somente assim descobriria como agrada-la. Mas como ele poderia se aproximar dela se todas as vezes que ele tentava ser gentil era recebido com uma chuva de pedras? Ele foi para o próprio quarto, se trocou e deitou em sua cama, tentando analisar o que deveria ser feito. Enquanto pensava nela, sua mente vagou até assuntos mais delicados envolvendo a princesa. Na verdade o que a envolvia eram os braços dele, enquanto sua boca brincava com a dela freneticamente, fazendo-a suspirar. DROGA! O que ele estava pensando? Não era um garoto inexperiente e afoito que nunca havia tido uma mulher na vida! Aliás, ela nem mesmo tinha curvas que o agradassem, era magra de mais até mesmo para agüentá-lo em cima dela!

O dia havia sido longo e por fim ele acabou dormindo, muito mal por sinal. Seus sonhos foram tumultuados e confusos, sempre envolvendo Bella e suas investidas contra ele e de repente não era mais ela e sim a princesa quem o seduzia, com suas roupas ousadas, dançando para ele, encarando-o com seus olhos suplicantes e sua boca entreaberta.

Na manhã seguinte Renesmee foi tirada da cama cedo, cedo de mais para ela. Emily e mais duas mulheres estavam no quarto dela e pelas capas de pele, Renesmee imaginou que fossem nobres. Além delas havia uma quarta mulher, com roupas bem mais simples, mas muito bem feitas. A esposa de Sam era simpática e sorridente e mesmo diante do mau humor da princesa se manteve firme em sua missão de tirar as medidas da garota para suas novas roupas. Todas tagarelavam o tempo todo, comentavam dos maridos, do frio que faria naquele inverno e é claro, falavam sobre o casamento.

Renesmee estava ficando apavorada! A todo minuto uma delas dizia o qu

ão bonita ela ficaria vestida de noiva, ou como seus filhos com Jacob seriam adoráveis e até mesmo discutiam o desempenho dos homens Quileute entre quatro paredes dizendo depois "Eles podem assustar no começo, mas depois não há nada que se compare!" A princesa tentou imaginar o que elas queriam dizer com isso, mas só de pensar na cena ela já tinha um acesso de pânico. Ela e Black num mesmo quarto! Era no mínimo nojento!

Ele saiu pra te pegar, é o que quer

Não se perca, do caminho estreito

Estou correndo e me escondendo

Em meu sonho vou estar sempre lá

Você é o Fantasma da Ópera

É o diabo

Depois que elas deixaram o quarto, Renesmee se sentiu mais a vontade para se trocar. Felizmente, Emily havia lhe trago vários casacos que lhe ajudariam enquanto as roupas eram confeccionadas, entre elas o seu vestido de noiva. Quis chorar ao pensar nisso, mas foi tirada de seus pensamentos pelas batidas na porta. Ela prendeu o cabelo e foi atender. Mais uma vez era Jacob Black, devidamente vestido com suas roupas quentes e capa de lobo vermelho. Ele sorriu para ele e lhe desejou bom dia.

- Vim buscá-la para dar uma volta. – ele disse amistosamente enquanto ela o olhava com desagrado.

- Prefiro ficar aqui, obrigada. – foi a resposta mal educada dela.

- Acho que você não entendeu o espírito da coisa. – ele riu deixando-a com mais raiva ainda – Isso não é um convite. Eu estou comunicando que você vai me acompanhar numa volta pela cidade. Como espera governar um povo se não o conhece?

- Mas há ladrões na cidade! Mendigos e pessoas mal intencionadas que poderiam me roubar! E, além disso, está muito frio! – ela disse desesperada o que só serviu para fazê-lo gargalhar ainda mais.

- Você ainda vai me matar de rir. – ele disse – Não nego que existam ladrões ou mendigos, mas nada de mal vai acontecer a você num passeio comigo. Hoje você conheceu Clair, ela é a esposa do meu melhor e mais confiável amigo, Quill. Eu gostaria que você o conhecesse e outras pessoas daqui. Além do mais, todos estão ansiosos para conhecer minha futura esposa. – ele a encarou por um instante, analisando a roupa que ela usava – Fazer uma caminhada vai ajudar a esquentar seu sangue e com esse casaco nem vai sentir o frio. Vamos logo, Nessie. – ela o olhou indignada.

- Nessie?! Quem você pensa que é para me chamar assim!? – ele vociferou.

- Seu futuro marido. Não me leve a mal, mas seu nome é muito grande e pomposo para alguém tão pequena quanto você. – ele retrucou – Nessie me parece um bom apelido. Nos torna mais...Íntimos.

- Não vou ter intimidade alguma com você! – ela retrucou rapidamente.

- Ainda não, terá que esperar duas semanas e ai sim teremos toda a intimidade do mundo, querida Nessie. – ele pegou o braço dela e a arrastou para fora do quarto, ainda que ela protestasse bastante. – Vamos logo, antes que a manhã termine.

- Me larga, seu brutamontes! – ela gritava, mas Jacob não fazia nada além de rir do chilique dela.

Deixaram a residência oficial rumo ao mercado da cidade. O que no primeiro momento havia assustado Renesmee agora a maravilhava. Haviam tantas pessoas diferentes transitando pelo mercado, levando animais, tecidos, falando alto, rindo e tocando musica que aquilo mais parecia um de seus sonhos de criança, de quando ela desejava conhecer as coisas além dos muros do palácio de Bertah.

Todos saudavam Jacob, quando ele passava com seu sorriso largo e confiante estampado na cara, e olhavam para ela com curiosidade. Queria saber o que pensavam. Estariam achando-a feia, ou desajeitada de mais para aquele homem que consideravam um herói? Estariam zombando dela, ou pensando quanto tempo ela sobreviveria no reino inimigo? Black parecia entender o que ela estava pensando, pois mais de uma vez segurou a mão dela, dando uma leve apertada em incentivo.

Muitas vendedoras tentavam agrada-la, oferecendo colores, brincos e outros tipos de adornos, que ela recusava com a maior educação possível. Jacob parecia se divertir ao vê-la se misturando com o povo. Em uma determinada barraca ele comprou um broche de pedra da lua e o colocou no casaco que ela usava.

- O que é isso? – ela perguntou –Não precisa me dar nada.

- A pedra da lua é importante para mim, representa a minha família. Considere isso uma tradição boba se quiser, mas costumamos usar algum adorno com ela sempre. – ele respondeu sem dar muita importância. – Fica bem em você.

- Obrigada. – ela disse ao olhar para o broche simples – Eu acho. – surgiu no meio do mercado um homem muito parecido com Jacob, com um grande sorriso no rosto ele veio cumprimenta-lo.

- Hey Jake! – o estranho disse – Finalmente o encontrei!

- Bom vê-lo, Quill. – Jacob respondeu, enquanto Renesmee os encarava acuada.

- Então esta é a princesa? – o homem perguntou para ele e Jacob sorriu em resposta.

- Quill, está é Renesmee, princesa real de Bertah, senhora dos Territórios Quileute e minha futura esposa. – Quill fez uma longa reverencia diante dela e Renesmee se sentiu constrangida por ser reverenciada no meio da rua.

- Sou Quill Ateara, amigo e segundo conselheiro de Jacob, quase um irmão. – ele disse alegremente – Minha esposa disse que a princesa era linda, mas acho que não compreendi a profundidade do elogio até agora. E ainda se parece muito com sua mãe.

- Conheceu minha mãe? – ela perguntou espantada e aquilo não deixou Jacob muito à vontade.

- É claro! Bella era uma mulher e tanto. Gostava de conversar com ela, quando ela ainda era uma plebéia. Mas isso já faz muito tempo. – ele respondeu – Bem, foi ótimo conhece-la, mas Clair está me esperando em casa. Até mais ver Jake! Até mais ver, princesa. – dito isso, Quill desapareceu entre as pessoas do mercado. Ela e Jacob continuaram andando despreocupadamente pela cidade.

Sem que ela se desse conta, eles já haviam caminhado por mais de duas horas e toda a agitação do centro do mercado já havia ficado para trás. As casas diminuíram de quantidade e se tornaram cada vez mais raras enquanto eram substituídas no horizonte pelos contornos das montanhas e florestas de pinheiros. O frio aumentava drasticamente e ela já tinha alguma dificuldade para andar.

- Por que está me forçando a andar deste jeito? – ela perguntou por fim, parando para descansar um pouco. Ele parou também e olhou para ela, mas ela não soube dizer o que havia naquele olhar, sabia apenas que era quente, acolhedor e que mexia com alguma coisa dentro dela.

- Eu queria te mostrar uma coisa. – ele respondeu simplesmente. Foi até ela e a colocou de pé, de costas para ele. Com uma das mãos ele ergueu o queixo dela, fazendo-a encarar a paisagem a sua frente,os ele ergueu o queixo dela, fazendo-a encarar a paisagem a sua frene acolhedor e que mechia com alguma coisa dentro delaeducaç enquanto enquanto ele enlaçava a cintura dela com seu outro braço. Por um momento, Renesmee perdeu o folego com a visão de um cenário tão lindo. - Olhe para o horizonte, veja como as montanhas se erguem poderosas e indestrutíveis bem do centro da terra. Veja como elas são acariciadas pelas nuvens em seu cume, quase tocando o céu infinito. - ele dizia bem próximo ao ouvido dela, causando-lhe pequenos arrepios – Consegue sentir o frescor do ar? Ouça o vento sussurrando entre os pinheiros da floresta, e o barulho dos pássaros que ignoram o inverno.

- É lindo... - ela sussurrou deslumbrada pela beleza e asfixiada pela presença forte e quente dele. Era paradoxal e assustador, mas ela não sabia se tinha forças para afasta-lo agora.

- Sua mãe adorava ficar horas e horas vendo tudo isso. - aquilo a incomodou, mas ela não soube dizer por que – Você passou tempo de mais trancada em sua gaiola de ouro, imaginei que gostaria de ver este lugar e sentir a liberdade que sua mãe teve um dia.

- Não consigo imaginar nada que seja mais bonito que isso, mas... - ela ponderou se devia ou não falar.

- Mas o que? - ele perguntou insistindo para que ela dissesse o que a incomodava.

- Não há sol aqui. - ela disse ainda deslumbrada com a visão – Em Bertah eu costumava ver o crepúsculo do alto da torre do palácio. As cores se chocando desordenadas e sangüíneas, numa confusão tão absoluta e tão caótica que é quase impossível dizer onde começa uma e termina a outra. Vou sentir falta de ver o pôr-do-sol. - no fim das contas ela era só uma garota que sentia falta de sua casa e ele estava ali, prendendo-a como o vilão da história. Ela queria um pôr-do-sol então ele daria um a ela.

- Os invernos aqui são longos e brancos, mas haverá sol na primavera para aquece-la. - ele disse e seus braços se apertaram ao redor dela um pouco mais. Renesmee não reclamou – Olhe, Nessie! - ele chamou a atenção dela para pequenos pontos brancos que caiam rodopiando do céu. Ela olhou maravilhada aquela dança graciosa de flocos que aos poucos cobriam o chão – Parece até que o inverno a está saudando. Ele está te dando um véu de renda branca como presente de casamento.

- Eu nunca tinha visto neve antes...

- Verá bastante por aqui, mas agora acho melhor leva-la para casa antes que adoeça. - sem pedir permissão ele a pegou no colo. Renesmee não protestou, apenas sentiu o calor dele aquece-la aos poucos, enquanto se aninhava contra o peito dele. Jacob era um homem estranho em seu modo de agir. Na maioria das vezes ele era simplesmente irritante, mas sabia desarma-la toda vez que se mostrava incrivelmente carinhoso em momentos inesperados. Imaginou que não havia sido difícil para sua mãe se apaixonar por ele quando era jovem

Ela era um cisne gracioso e frágil, perdido em meio a neve, ele era um lobo feroz e gigantesco lutando contra um passado terrível, mas independente de suas diferenças eles regressavam juntos para casa. Um cisne e um lobo.

Que está ai para apavorar

Você prejudicou minha mente

E minha alma flutua pelo ar

Assombre-me, zombe de mim

Em sua toca, você me tortura

Nota da autora: Heheheheh! Eu estou literalmente descendo a ladeira no embalo. Digamos que eu estou viciada em escrever esta fic e a cada novo capitulo eu acho tudo mais interessante. Primeiras impressões são sempre divertidas e a que estes dois tiveram foi bem estranha. Nessie não nega que é filha da Bella e do Edward, gênio do cão que a menina tem. O Jacob está me saindo melhor do que por encomenda, charmoso, divertido, bonitão. Em fim, isso ainda vai dar pano pra manga. Teremos mais discussões, conversas engraçadas e um belo casamento no próximo capitulo ( se vai ter lua de mel ou não, só minha mente insana poderá dizer XD)

Respondendo às perguntas: Jac, o Jake não é puritano, o susto dele foi na verdade um choque cultural. Ele não está acostumado a ver mulheres andando com aquele tipo de roupa e os trajes dela são bastante comuns em Bertah, principalmente no palácio. Katryna, te garanto que o Edward está passando por um inferno astral e o Jacob não vai aliviar nadinha pra ele. Jake não está exatamente frio, ele está magoado e diante do inimigo (representado pelo Jasper) ele tenta se mostrar uma pessoa seca e cruel, mas esperem até eu derreter o coração dele XDDDDDDDDDD

Bjux

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