Lua e Estrela

Jacob insistia em leva-la para uma caminhada todos os dias. Ela não sabia dizer qual era a intenção dele, mas sabia que gostava de ver a agitação no mercado, a neve caindo no fim da tarde e principalmente contemplar as montanhas no horizonte. Conversar com ele continuava sendo algo complicado e não dava para dizer se ele gostava dela ou se a enforcaria na primeira oportunidade.

Não dava pra negar que ele se esforçava para fazer as vontades dela. A comida, a bebida e suas novas roupas, tudo era feito para agrada-la. Ela então refletiu sobre sua idéia inicial a respeito dele. Com certeza, Jacob Black estava longe de ser o selvagem tosco que ela imaginava em Bertah, mas não sabia dizer se ele era muitíssimo educado e gentil, ou se não passava de um debochado que se divertia as custas dela.

Muitas vezes ela tentou imaginar como era a falecida senhora Black, mas ninguém falava sobre ela em momento algum, somente Jacob tocava no assunto vez ou outra e ela concluiu que na verdade ele mal a havia conhecido em vida. Então sua mente vagava e fatidicamente ela pensava na mãe e nos sentimentos que ela teve por ele. A rainha de Bertah estava pronta para abrir mão de tudo por aquele homem indecifrável, seu pai temia até hoje o efeito que Jacob exercia sobre sua esposa enquanto Renesmee se perguntava se o real motivo para aquele casamento era de fato uma vingança, ou a única maneira que Black havia encontrado para manter viva a chama de Bella em seu coração.

Concluiu que era isso. Jacob não enxergava nela uma vingança ou um tratado de paz. Ele enxergava a própria Bella, jovem e solteira, pronta para se casar com ele. O pensamento a incomodava como uma dor vaga e difusa que se espalhava pelo peito dela e lhe corroía o orgulho, ao mesmo tempo que lhe causava pena dele. Ele era um pobre coitado, um homem que nunca superou um amor fracassado e perseguia este fantasma cegamente pelo mundo. E ele a teria e teria também a mãe dela enquanto olhasse nos olhos dela e enxergasse Bella.

Os dias passavam calmos, apaziguados pelo frio do inverno. Jacob já não discutia tanto com a princesa e considerava isso uma benção. Ela parecia mais viva agora. Usava roupas apropriadas a uma dama Quileute e belos casacos de pele para suportar o frio. O apetite dela, mesmo que ainda fosse similar ao de um passarinho, parecia melhor e ele até mesmo ousava dizer que ela havia ganhado mais corpo. Vez ou outra ele a ouvia cantar sozinha em seu quarto enquanto olhava a paisagem que avistava da janela.

Ela era só uma menina e ele estava deixando aquele espirito jovem e audaz voar mais livremente do que ela jamais esperou. Aquele era um grande paço para ela, mas e para ele, o que era? Talvez fossem as mãos pequenas dela, que quando se moviam no ar pareciam retirar as preocupações da cabeça dele. Ou quem sabe fosse a boca dela, que quando estava calada se fechava num desenho perfeito e ela parecia distante e verdadeira, como se ele pudesse ver sua alma. Mas eram os olhos dela que o faziam perder o sono de noite, olhos que ele parecia conhecer dês do inicio do mundo e que jamais abandonaram seu coração.

Sua mente e seu corpo estavam confusos por causa dela. As vezes ela lhe lançava olhares que faziam-no perder a voz e o ar. Sua cabeça pensava o tempo todo se ela estava recebendo um bom tratamento, se sentia frio, ou se estava triste por causa da saudade que sentia de casa. E vez ou outra, ele pensava em Bella e nos sentimentos de sua juventude, em como seu coração batia quando ele a via e como a filha era mais graciosa, mas teimosa, mais sorrateira, mais dolorosa do que ela havia sido.

Nessie era uma criança sozinha, era uma reminiscencia concreta de um passado. Era a sombra de Bella, ou seria o contrario? Sentia falta de Leah nessas horas. Ao menos ela ouviria suas duvidas e saberia aconselha-lo. O casamento estava cada vez mais próximo e havia tanta coisa em sua cabeça que precisava ser esclarecida que ele sentia uma aflição tomar conta dele. Maldito momento em que aceitou o acordo.

Precisava andar e espairecer. Vestiu sua capa e caminhou pelo palácio até encontrar a saída para o jardim interno. Era um lugar que o acalmava, principalmente agora que devia estar coberto de neve. Quando olhou para o jardim ele se deteve imediatamente.

Renesmee dançava entre os flocos de neve, com os braços abertos e um sorriso nos lábios, fazendo seu casaco branco pairar rente ao chão coberto, como se ela fosse a rainha da neve. Pensou que estivesse morto e as portas do paraíso estivessem abertas para espera-lo. A risada dela era cristalina quando um floco lhe caia sobre a bochecha e tão aconchegante que parecia enviar por todo corpo dele uma onda de calor gentil e necessário. Ela era só uma menina e ele estava enlouquecendo.

De repente ela parou e olhou para ele com sua cara fechada. Um floco de neve pousou sobre o nariz dela e ele não conteve o riso. Sabia que ela não gostava quando ele fazia aquilo, mas ele adorava ver a expressão emburrada que ela fazia quando isso acontecia. Ela ficava rosada, como uma rosa jovem se abrindo no inicio da primavera.

Estava me espionando? - ela perguntou com raiva. Ele caminhou até ela e retirou os flocos que estavam em seu cabelo acobreado.

Não estava. Foi você quem adivinhou que este é meu lugar para reflexão. - ele respondeu caloroso – Por que está aqui sozinha?

Eu vi que estava nevando e decidi tomar um pouco de ar. - ela respondeu envergonhada por ter sido vista em um momento de descontração.

Sabe que não devia ficar se expondo ao frio desse jeito. Vai acabar doente. - ele falou preocupado – Se estava se sentindo entediada, poderia ter me chamado, ou pego um livro em meu escritório para passar o tempo.

Eu só queria ver os flocos dançando. - ela murmurou, enquanto seu rosto corava.

Você realmente se apaixonou pela neve, assim vou acabar ficando com ciumes. - ele riu de sua própria piada.

E você, por que veio aqui? - ela desviou o assunto.

Estava me sentindo meio claustrofóbico lá dentro. Estou um pouco...Ansioso, acho que é essa a palavra. - ele respondeu incerto.

Eu também... - ela falou tão baixo que ele não escutou.

Soube que seu vestido ficou pronto. - ele falou aleatoriamente.

É... Ficou pronto. - ela respondeu sem grande entusiasmo com a idéia de estar a apenas três dias do casamento.

Espero que tenha ficado do seu agrado. Só poderei vê-lo no dia do casamento.

Por que se preocupa tanto se as coisas estão ou não do meu agrado? - ela o encarou curiosa e ele perdeu a noção do que iria falar.

Porque você será a minha companheira. - ele respondeu por fim – Não é isso o que um companheiro deve fazer? Se preocupar com o outro?

Sou sua inimiga... - ela respondeu

Não. Seu pai é meu inimigo, você não. - ela desviou o olhar para o chão.

E minha mãe?

Sua mãe é minha cicatriz. - ele disse constrangido, mas ergueu o queixo dela para ver novamente aqueles olhos.

E esta cicatriz ainda dói? - ela perguntou sentindo um estranho nó na garganta.

Cicatrizes são marcas que ficam em nós como lembranças de um passado doloroso. Bella nunca vai me abandonar, mas ao menos já não dói mais. Está apenas ali, marcada na minha pele e as vezes até esqueço que está lá.

Não quero amar. Não se for pra ficar marcada deste jeito. - ela disse e ele cariciou o rosto dela com sua mão. Ela sentiu o calor da pele dele, ainda que o frio estivesse cortante.

Nunca amou ninguém, Nessie? - ela apenas negou com a cabeça – Você não tem que temer o amor, pequena. Por mais que ele possa nos machucar é o que faz a vida ter algum sentido, é a única razão pela qual vale a pena viver. - ela fechou os olhos tentando conter as lágrimas que chegavam doloridas. Não sabia por que sentia tanta tristeza, sabia apenas que jamais teria o mesmo amor que sua mãe teve e aquilo a deixava sozinha e vazia.

Não quero... - ela disse com sua voz embargada. Ele enxugou as lágrimas dela e lhe acariciou os cabelos.

Abra os olhos, pequena. - ele sussurrou – Se você quiser, eu te ensino a amar. - ela abriu os olhos e seus lábios tentaram formular uma resposta, mas já era tarde de mais para a fala. Era apenas a boca dela recebendo a dele, quente, úmida, decidida e terna. Eram apenas os braços dele, espantando o frio congelante, fazendo o coração dela acelerar. O aroma dele, o halito quente, suas mãos, tudo nele a confundia, tudo nele a induzia ao erro. A mente dela gritava para que ela voltasse a sua racionalidade e mesmo que sua força fosse pouca ela o empurrou. Sem dizer mais nada ela o encarou chocada e confusa e viu o mesmo no rosto dele. Então ela correu, fugindo de toda confusão e caos que ele despertava nela.

Jacob levou alguns segundos para assimilar o que estava fazendo e só se deu conta de sua burrice no momento em que ela o afastou. Afinal de contas, o que ele estava pensando quando a beijou? Nada, ele não estava pensando naquela hora. E ela havia correspondido, ou ao menos ele achou isso num primeiro momento. Ela esteve entre os braços dele, frágil, suave e quente. Ele estava perdendo o controle sobre sua mente e seu corpo por causa daquela garota. Definitivamente ela era filha de Bella.

Nessie se trancou em seu quarto dês de então. Ela não aparecia para fazer as refeições junto com ele, nem perambulava pelos corredores quando estava entediada e todas as vezes que ele batia na porta do quarto para chama-la para dar um passeio ela dizia estar indisposta. Jacob chegou a cogitar a hipótese de chamar um médico para examina-la. Estava ansioso, sem atenção no trabalho e ficava facilmente irritado se motivo aparente. Precisava saber o que estava acontecendo com ela.

Ele não entendia muito sobre mulheres e suas necessidades. O pouco tempo que foi casado com Leah não lhe ensinou muito a respeito e ele também não estava interessado na época. Bella nunca havia apresentado este tipo de comportamento enquanto estava com ele. Afinal de contas, o que estava acontecendo com ela? Precisava de um meio para se aproximar dela e por isso foi falar com Emily.

Preciso de sua ajuda, Emily. - Jacob assumiu sua inaptidão de imediato. Não era dado a rodeios.

O que foi desta vez? Algum problema com as roupas dela? - Emily o encarou preocupada, a expressão dele não era lá das melhores.

Não, nada há ver com isso. - ele disse rapidamente – Mas ela se recusa a deixar o quarto! Não sei se está se alimentando, se está passando bem, ou seja lá o que estiver acontecendo. - ele falava cada vez mais rápido, exigindo de Emily um certo esforço para compreender – Pensei que estivéssemos nos dando relativamente bem e de repente ela me afasta deste jeito. - Emily o encarou pensativa.

Fez alguma coisa com ela? Disse alguma coisa que ela pode não ter gostado? - Jacob ponderou se devia ou não contar sobre o incidente na neve.

Bem... Houve um momento, mas achei que ela...Aarr! Mulheres complicadas! - ele vociferou.

O que você fez, Jacob? - ela perguntou encarando-o com uma de suas sobrancelhas arqueada.

Eu a beijei. - ele disse por fim – Não sei o que deu em mim! Não me contive!

Você a beijou a força? - Emily continuou o inquérito.

Não! - ele respondeu indignado – Ou pelo menos pensava que não. Ela não protestou, até correspondeu! De repente ela me afastou e saiu correndo, dês de então ela me evita.

Está apaixonado por ela, Jacob? - ele não sabia o que o assustava mais naquela pergunta, a simplicidade da questão ou a complexidade da resposta. Afinal, o que ele estava sentindo?

Ela vai se casar comigo amanhã de manhã, se não consegue lidar com um beijo meu como lidará com o resto? - ele tentou desconversar.

Você tem razão. - Emily respondeu num tom maternal – Mas você não respondeu minha pergunta. Está apaixonado por ela, ou persegue nela a imagem da mãe?

Qual é a diferença? - ele se exasperou.

A diferença é saber se você queria beijar a princesa Renesmee, ou queria beijar a rainha Bella? Jacob, esta menina cresceu odiando você e tudo o que você representa para o povo e a família a qual ela pertence! Imagine como ela se sentiu ao ser beijada por você.

Te garanto que a maneira como ela correspondeu só me dizia que ela não estava ligando a minima para o que eu represento ou deixo de representar no mundo dela.

Mesmo assim! Com certeza ela pensou que você não estava ali por causa dela e que era a Bella que você desejava beijar. - Emily realmente estava parecendo a mãe dele quando lhe passava um sermão – E é claro que ela deve estar apavorada com a proximidade do casamento. A menina é totalmente inexperiente e lidar com a idéia de que você se sente no minimo atraído por ela deve ser assustador.

Por que assustador? - ele questionou indignado. Podia não ser o homem mais lindo do mundo, mas com certeza estava longe de ser feio.

Olhe o seu tamanho, olhe o dela. Não leve a mal, mas a primeira vista qualquer uma se assustaria com a simples perspectiva de ter você por cima! Eu me lembro que Leah ficou realmente preocupada com esse detalhe antes do casamento. - Emily riu, mas ele não sabia se era da lembrança ou da cara dele – Imagino que homens com o seu porte, ou o de Sam, ou até mesmo o de Seth, sejam bem raros em Bertah. Vocês assustam até as donzelas Quileute, que dirá a frágil princesa Renesmee!

Oh! Pode deixar, vou me lembrar disso amanhã. Será surpreendente se houver uma lua de mel depois de tantas verdades insensíveis atiradas na minha cara! - Emily riu ainda mais do comentário – Mesmo assim, eu me sentiria melhor se você conversasse com ela e me dissesse o que está acontecendo, sem essas suposições absurdas quanto ao meu porte! - ele se levantou indo em direção a porta.

Jake! - Emily o chamou antes que ele saísse. Ele voltou a olhar para ela – Até onde este casamento é meramente politico? - ele respirou profundamente.

Se um dia descobrir a resposta, por favor me diga. - então ele saiu.

Renesmee estava exausta. Não por causa de qualquer caminhada que Jacob pudesse inventar, mas sim por sua dificuldade em dormir nos últimos dias. Eles haviam se beijado. O primeiro beijo da vida dela havia sido roubado pelo homem que ela deveria odiar e ela não conseguiu evitar aquilo, não teve forças.

Não era só algo reprovável, era simplesmente sujo se sentir atraída por um homem que impunha a ela um casamento forçado, trazia discórdia à sua família, guerra ao seu povo e que ainda era incapaz de esquecer os sentimentos por Bella. E era justamente este último tópico que lhe causava uma sensação incomoda no peito e uma duvida constante. Ele queria beijar a ela, ou à mãe dela? E se ele ainda estivesse apaixonado por Bella, que diferença fazia? Ela não sentia nada por ele, nada além de uma ansiedade inexplicável quando não o via e um fogo estranho lhe subindo pelo corpo quando eles estavam próximos.

Faltavam menos de vinte e quatro horas para o casamento deles e toda vez que ela olhava para o lindo vestido branco atirado sobre a cama um tipo de pânico tomava conta dela. Era um traje realmente lindo, ainda que o tecido fosse um tanto grosseiro para agüentar o frio, tinha uma elegância notável e em seus bordados dourados e corte simples. Ela usaria uma capa de pele branca para se proteger até chegar ao local da cerimônia, se casaria com ele e depois seria trancada nos aposentos de Jacob e sabe-se lá o que ele faria com ela depois disso. Lágrimas de pânico escorriam de seus olhos.

Alguém bateu em sua porta. Ela tinha certeza que não era ele já que as batidas era muito leves e ágeis. Se fosse uma das criadas ela mandaria embora rapidamente. Nessie foi até a porta e a abriu para ver quem era, mas antes que pudesse processar a informação, Emily entrou de uma vez no quarto sem nem ao menos pedir permissão para tanto.

O vestido ficou realmente lindo. - Emily disse risonha – Me lembra o dia do meu casamento com Sam. Céus, eu estava tão nervosa! - ela tagarelava sem parar.

O que faz aqui, senhora Uley? - Renesmee perguntou e ela riu ao ouvir o nome de casada.

Pode me chamar de Emily, querida! - ela disse simpática – Eu estou aqui apenas para saber como você está, afinal você será uma mulher casada ao anoitecer de amanhã. Pensei que seria bom para você ter alguma companhia feminina com um pouco mais de experiencia, antes do grande dia.

Eu estou perfeitamente bem, Emily. - a garota mentiu – Não precisava se incomodar.

Incomodo algum, querida! - ela respondeu prontamente – Digamos que eu estou aqui em favor de um amigo também. Ele está preocupado com o seu comportamento anti-social. - Nessie corou.

Bem, não há necessidade disso, obviamente. - a princesa respondeu mal humorada – Estou perfeitamente bem.

Posso ver que sim. - Emily sorriu indulgentemente para ela – Sabe, Leah era minha prima de primeiro grau, quase uma irmã para mim. Na véspera do casamento deles eu me lembro dela ter vindo falar comigo. Ela estava apavorada por causa da noite de núpcias, e como a minha tia já era falecida, eu era a única mulher casada com a qual ela podia tratar certos assuntos.

Emily, eu realmente não... - Nessie tentou pensar em algo para dizer, mas estava constrangida de mais.

Só quero dizer que não precisa se preocupar com ele. Jacob pode parecer meio desajeitado e rude as vezes, mas ele é incapaz de prejudicar alguém como você, mesmo com toda essa história antiga entre ele, sua mãe e seu pai. - Emily disse sorrindo. A princesa se lembrou de algumas vezes em que sua mãe havia feito o mesmo. Emily era alguém confiável, a final.

Obrigada pela consideração, Emily. - Nessie respondeu com sinceridade.

Não tem de quê. - ela sorriu ainda mais – Direi a ele que você estava com cólicas. Ele não vai questionar mais nada depois que eu falar a expressão "problemas femininos". Se precisar de alguém pra conversar, pode mandar me chamar. - Emily caminhou até a porta- Até amanhã, princesa. - e saiu.

Foi uma noite difícil para ambos. De um lado do palácio, Jacob passou a madrugada se revirando na cama, tendo sonhos intermináveis com o rosto severo de Bella e a figura esguia e branca de Renesmee fugindo em meio a neve. Enquanto isso, a princesa perdia o sono, lembrando de sua casa, da guerra iminente, da mãe e do beijo que havia mudado tudo dentro dela. Independente da noite anterior, o dia do casamento chegou, tão branco e tão lindo quanto o inverno permitia e já era possível ouvir o barulho da agitação na cidade.

A princesa foi retirada da cama logo cedo por Emily, Kim e Clair, além de suas duas criadas habituais. Ela foi colocada em um banho quente, cheio de ervas, pétalas de rosas secas e óleos aromáticos e em seguida Kim cuidou dos cabelos de Renesmee, deixando para Clair a tarefa de revitalizar a pele e dar alguma cor ao rosto da noiva. Foram três horas de trabalho e conversas intermináveis sobre o casamento mais esperado do ano até o momento em que Emily e as duas servas a ajudaram a vestir o vestido de noiva e a capa de pele branca.

Quando Renesmee finalmente se olhou no espelho o que viu a assustou. A jovem refletida não era uma princesa de Bertah, era alguma figura grandiosa das lendas Quileute. Era uma jovem pálida, desabrochando livremente longe de muros e grades, pura e imaculada como a neve. Ela pensou que não se parecia em nada com a mãe naquele momento. Bella sempre teve infinitas cores, tinha um brilho natural e intenso, que cegava a todos com tamanha vivacidade. Nessie era toda branca, toda etérea, quase uma brisa numa manhã clara, em que os raios de sol aparecem preguiçosos entre as nuvens. Ela não era Bella e jamais seria.

Jacob já estava de pé assim que o dia nasceu. Tomou um belo banho quente para espantar o efeito da noite anterior e atrair a noiva pelo aroma agradável, como era costume dos homens Quileute. Os animais atraiam seus parceiros pelo odor, com o bicho homem não era diferente. Assim que terminou seu banho, vestiu suas roupas meticulosamente confeccionadas para a cerimônia. Túnica negra, bordada em branco com desenhos de estrelas na gola e nos punhos, calças escuras e sua habitual capa de pele avermelhada para proteger contra o frio. No pescoço um cordão de prata, com um pingente de pedra da lua. Prendeu os longos cabelos negros e então se olhou no espelho. Ele era um lobo, uma fera indomável, um guerreiro a cima de tudo.

Sam, Quill e Paul chegaram assim que ele terminou de se arrumar. Todos sorridentes e satisfeitos pelo rumo diplomático e vantajoso que aquele casamento daria as relações entre os Quileute e o povo de Bertah, saudavam o noivo pelo seu dia e erguiam taças de vinho simbolicamente, representando o ultimo ato de Jacob como um "homem do mundo" e ofereceram em seguida um copo com uma infusão de ervas locais para que o noivo tivesse "animo" para a noite de núpcias. Jacob bebeu a mistura de um só gole, fazendo careta em seguida por causa do gosto amargo. Depois disso Black e os outros homens deixaram o palácio em direção ao templo onde seria realizado o casamento.

Renesmee deixou o palácio somente depois de Emily ter se certificado que Jacob e os outros já haviam saído. Logo que colocou os pés para fora sentiu o vento cortante enquanto os flocos de neve dançavam ao redor dela. O dia estava lindo, a despeito do frio. Estava vestido de noiva como ela. "Parece até que o inverno a está saudando. Ele está te dando um véu de renda branca como presente de casamento." Ela sentiu suas bochechas corarem ao se lembrar das palavras dele no primeiro dia dela no Território.

Ela respirou fundo segundos antes da porta ser aberta, sentindo o pânico crescer dentro dela. Emily segurou a mão dela e apertou de leve antes de ir ao encontro de Sam dentro do templo. As portas se abriram para dar passagem à noiva e instantaneamente todos os olhos se voltaram para ela de maneira assustadora. E bem lá no fundo, Jacob a esperava em frente ao altar, com seu porte magnifico e absolutamente confiante, enquanto ela se sentia a ponto de desfalecer.

Jacob sentiu o ar fugir de seus pulmões assim que as portas do templo foram abertas. A principio pensou que era uma miragem, um desenho efêmero feito pelos flocos de neve, mas ela andava em direção a ele, era real como uma flor. Pálida, linda e imaculada como os dias de inverno. As vezes o passo dela vacilava e ele temia que ela saísse correndo, como havia feito após o beijo, mas ela chegou até ele e lhe estendeu a mão fria e fina, que ele segurou possessivo e determinado a nunca mais largar.

Nenhum dos dois prestou muita atenção nas palavras do sacerdote. Ele falava alguma coisa sobre companheirismo, amabilidade e paciência até o momento em que questionava aos noivos se recebiam um ao outro em matrimônio. Jacob respondeu o "sim" com sua habitual segurança e imponência, enquanto Nessie vacilou por um segundo e respondeu baixo o seu "sim".

Jacob tomou-a pelo braço e a conduziu para fora do templo, enquanto os convidados comemoravam e saudavam os noivos. Ela sentiu que se não fosse por ele já teria desmaiado a muito tempo. Agora não tinha mais volta, estavam casados a final. Eles voltaram para o palácio, onde um banquete foi oferecido aos nobres Quileutes que estavam presentes no casamento e onde teriam sua noite de núpcias.

Renesmee quase não comeu durante a festa e também evitava falar com ele ou olha-lo diretamente. Jacob por sua vez comeu bem e bebeu um cálice de vinho apenas, oferecendo comida a ela o tempo todo. Mesmo com a insistência dele, ela não comeu, apenas bebeu seu habitual chá de hortelã com mel.

Quando a noite caiu todos os convidados deixaram o palácio em direção às suas casas, deixando para trás os noivos. Antes que Jacob se desse conta, Renesmee já havia se retirado para o quarto que ambos dividiram agora e aquilo provocou uma onda de ansiedade inexplicável. Foi impossível não imagina-la esperando por ele, nua e convidativa.

Nessie se livrou do vestido e da capa assim que entrou no quarto e colocou uma camisola branca, dispensando as criadas em seguida. O quarto era maior e mais confortável do que aquele que ela estava ocupando até então, com uma enorme cama de mogno entalhado no centro. Sentia o sangue gelar em suas veias. Logo ele estaria lá, tocando-a, beijando-a e aquele pensamento gerava um misto de espectativa e medo. Ele não a queria, ele queria a imagem de Bella que ela representava. Ela estava determinada a não aceitá-lo, nem que para isso tivesse que ferir Jacob o bastante para que tivesse tempo de fugir. Se conseguisse sair da cidade, roubaria um cavalo, ou qualquer animal que resistisse ao frio e seguiria para Bertah, onde teria exilo.

Ela procurou entre seus pertences algo que havia guardado antes de ser mandada para ele. Entre as roupas de seda e cetim repousava a pequena adaga de prata, com seu punho encrustado de rubis. Assim que ela pegou a arma a porta do quarto foi aberta.

Boa noite, esposa. - ele falou com sua voz grave e segura, fechando a porta atrás de si. Caminhou até ela, determinado a tocá-la, mas antes que pudesse fazer isso ela se virou com a arma em punho.

Não toque em mim, ou lhe corto a garganta! - ela ameaçou ferozmente enquanto ele a olhava espantado com a ousadia.

Pare com isso, ou vai se machucar, Nessie. - ele disse sem se mostrar abalado.

Não me chame assim e nem ouse encostar em mim. - ela insistiu em sua obstinada defesa.

Pare com isso, menina! - num movimento rápido ele a puxou pelo pulso da mão que segurava a arma. Ele imobilizou o braço dela atrás das costas e com a mão livre tomou a adaga, enquanto jogava a garota na cama. Ele caminhou até a janela fechada, a abriu rapidamente apenas para atirar a adaga no meio da neve – Eu disse que poderia se machucar, mas você é teimosa feito uma mula. - ele voltou até ela e examinou o pulso que ele havia torcido – Não vai ficar roxo, não se preocupe.

Já disse para não tocar em mim! - ela resmungou mais uma vez e ele perdeu a paciência. Num movimento incrivelmente ágil ele a deitou de costas na cama e se colocou em cima dela, com uma perna de cada lado do corpo dela, imobilizando ambos os braços da princesa acima da cabeça, enquanto a encarava profundamente nos olhos.

Olhe bem nos meus olhos, Nessie! - ele falou autoritariamente – Olhe e diga se vê um inimigo ou um aliado! - Nessie sentiu a boca secar e as palavras fugirem enquanto ele mantinha o olhar fixo no rosto dela num misto de adoração e melancolia. Ele se inclinou até que seus lábios estivessem a milímetros dos dela – Eu não entendo por que, de todos os atributos dela, você tinha que herdar justamente o mais perigoso. - a voz dele era quente e densa, com uma nota triste no tom – Eu ainda vou morrer por causa destes olhos, princesa.

Eu não sou ela. - a voz de Nessie vacilou mais do que aquilo que ela havia planejado. Jacob olhou para ela por um instante que pareceu infinito e significativo.

Não, você não é ela. - ele concordou – Mas vai me matar do mesmo jeito. - então ele sorriu para ela, se aproximando do ouvido dela e inalando o perfume da pele clara. Nessie fechou os olhos em resposta e sentiu um tremor involuntário lhe percorrer a espinha. - Abra os olhos, Nessie. - ele disse – Quero que veja e aprove cada um dos meus atos esta noite.

Eu não... - ela bem que tentou falar, mas perdeu a linha de raciocínio quando ele mordiscou-lhe o lóbulo da orelha.

"Não" o que? - ele perguntou com a voz rouca e voltou a brincar com a orelha dela. Ela emitiu um som que mais parecia um gato ronronando.

Não posso. - as mãos dele deslisaram pelos braços dela e entrelaçaram-lhe as mãos pequenas e delicadas, segurando-as possessivamente.

Esqueça-os. - ele respondeu enquanto beijava-lhe a face rosada – Esqueça tudo e todos. - então ele beijou a outra face dela – Não há nada lá fora. Nada que merece ser lembrado, só você e eu. - beijou a ponta do nariz dela e finalmente alcançou-lhe a boca entreaberta e ansiosa, devorando-a com um desejo incontrolável de provar cada sabor dela. Então a boca dele desceu pela garganta dela, fazendo-a suspirar e só se deteve quando viu o pingente que ela usava. Ele examinou o desenho da jóia com cuidado e sorriu – Uma lua crescente cercando uma estrela. Simbologia sugestiva.

O que? - ela perguntou já meio inconsciente de qualquer coisa que não fosse o corpo dele buscando o dela.

A lua crescente representa Bertah á séculos, assim como a estrela representa os Quileute. - ele falou antes de descer a boca e beijar a clavícula dela – A lua se fecha ao redor da estrela e a abraça, como seus braços e pernas farão comigo esta noite. - as mãos dele finalmente largaram as dela, descendo até as amarras do decote da camisola, soltando-as para revelar os seios pequenos e rosados ocultos até então – Você é a minha lua... - ele beijou o seio esquerdo dela e fez o contorno do mamilo com a língua enquanto ela gemia qualquer coisa incompreensível – Eu sou sua estrela – repetindo o mesmo com o outro seio em seguida.

Ele tomou uma certa distância dela e retirou a túnica escura que estava vestindo, revelando aos olhos dela o tórax largo de músculos rígidos e definidos, expondo sua pele avermelhada e sedosa. Nessie pensou que jamais veria algo tão belo ou tão convidativo ao toque quanto a pele dele. Então ele ergueu o corpo dela da cama, deslisando a camisola folgada até que ela estivesse com o tronco nu, como ele. Jacob a abraçou com força, sentindo cada milímetro da pele dela contra a dele, deslizando suas mãos grandes pelas costas e curvas daquela garota que estava aos poucos descobrindo do que é feito o amor.

Dada uma certa altura das carícias dele, as mãos dela perderam a inimição e passaram a explorar o corpo moreno de Jacob, enquanto sua boca pequena e rosada provava o sal da pele avermelhada, saboreando aos poucos os sons de prazer que ele emitia quando ela fazia isso. As mãos de Black desceram e subiram pelas pernas dela, expondo-as ao seu toque exigente, ora arranhando, ora apertando com vontade de tê-la mais próxima.

Preciso de você, pequena. - ele falou enquanto ela lhe beijava o pescoço – Preciso de você nua. - ele a deitou novamente na cama com cuidado e diante dos olhos castanhos dela ele a despiu por completo. O rosto dela corou e ele pensou que jamais veria algo mais tentador na vida. A despeito das curvas delicadas, que outrora ele julgara como infantis, ela lhe parecia perfeita para o toque, feita sob medida para acomodar as mãos dele em cada contorno. - Venha aqui, Nessie. - ele a chamou, ajudando-a a se levantar e ficar de joelhos na cama como ele – Sua vez de me ajudar com as roupas.

Ela exitou por um momento, até ele conduzir as mãos dela até o cordão que lhe prendia a calça, soltando-o. Então ela deslisou a única peça de roupa que ainda cobria o corpo dele. Jacob estava ali, totalmente nu diante dela, rígido e pulsante de desejo. Ela se assustou por um momento. Tudo nele era grandioso, cada músculo, cada parte, tudo perfeitamente harmônico e opressivo diante da fragilidade dela.

Toque, Nessie... - ele disse rouco e ansioso – Toque em mim. - ainda incerta, ela fez o que ele ordenou. Segurou-o em uma das mãos, deslisando-a por toda extensão, primeiro lentamente e a medida que ele emitia rosnados roucos em aprovação, a velocidade aumentava. Aos poucos a consciência de Jacob falhava e a única coisa que ele sentia era o prazer inexplicável que ela lhe dava, mas não acabaria agora, não daquela maneira. Com o resquício de seu alto controle, ele a afastou e respirou fundo.

Fiz algo errado? - ela perguntou ingenuamente. Ele a deitou novamente na cama, deslizando seus dedos pela barriga dela vagarosamente, fazendo-a arrepiar.

Você não fez nada errado. - ele disse, lançando a ela um sorriso malicioso – Eu só quero lhe retribuir a gentileza de maneira mais...Apropriada. - então os dedos dele chegaram a sua feminilidade, úmida, quente e apertada, invadindo-a subitamente, arrancando da garganta dela um longo gemido de prazer e surpresa. A medida que os dedos dele aumentavam a velocidade dos movimentos, os gemidos e gritos abafados dela ficavam mais rápidos. Nessie se agarrou aos cobertores do leito com força, fechando os olhos a medida que seu limite se aproximava. Ela explodiu em gozo e contrações musculares, correntes elétricas e ausência de consciência. Tudo perdeu o foco, tudo perdeu o sentido, só existia ele, só existiam eles. Ele retirou os dedos de dentro dela enquanto se posicionava entre as pernas da esposa. Ele a olhou provocante e lambeu os dedos, saboreando o gosto dela. - Deliciosa. - ele disse. - Pode doer um pouco, mas eu serei cuidadoso. Não quero sua dor, só o seu prazer, linha lua.

Então ele a penetrou lentamente. Nessie mordeu o lábio inferior e fechou os olhos enquanto sentia a dor inicial até que Jacob estivesse totalmente dentro dela. Os movimentos eram lentos, profundos e torturantes para ambos. Nessie arranhava as costas dele, enquanto ele a agarrava pelos cabelos da nuca e lhe beijava a boca ávido, aumentando a velocidade cada vez mais. Sabores se misturando, sentidos inebriados, mãos incapazes de deixarem o corpo um do outro, até que eles não pudessem mais agüentar. Jacob soltou um uivo ao chegar ao orgasmo, arrastando Nessie consigo, num gemido rouco e prolongado. Desabando sobre ela em seguida, ele rolou para o lado dela na cama e a puxou para seus braços.

Minha! - ele a beijou rapidamente mais uma vez – Só minha. - então dormiram exaustos nos braços um do outro. Uma estrela entrelaçada nos braços da lua.

Já falei tantas vezes do verde nos teus olhos

Todos os sentimentos lhe tocam a alma, alegria ou tristeza

Se espalhando no campo, no canto, no gesto, no sonho, na vida

Mas agora é o balanço, essa dança nos toma, esse som nos abraça, meu amor

O teu corpo moreno vai abrindo caminhos, acelera meu peito

E nem acredito no sonho que vejo

E seguimos dançando o balanço malandro, e tudo rodando

Parece que o mundo foi feito pra nós nesse som que nos toca

Me abraça, me aperta, me prende em tuas pernas

Me prende, me força, me roda, me encanta, me enfeita num beijo

Me abraça, me aperta, me prende em tuas pernas

Me prende, me força, me roda, me encanta, me enfeita num beijo

Pôr do sol e aurora

Norte, sul, leste, oeste

Lua, nuvens, estrelas

A banda toca, parece magia

E é pura beleza, essa música sente, parece que a gente

Se enrola a corrente e então, de repente, você tem a mim

Me abraça, me aperta, me prende em tuas pernas

Me prende, me força, me roda, me encanta, me enfeita num beijo

Me abraça, me aperta, me prende em tuas pernas

Me prende, me força, me roda, me encanta, me enfeita num beijo

Já falei tantas vezes do verde nos teus olhos

Todos os sentimentos lhe tocam a alma, alegria ou tristeza

Se espalhando no campo, no canto, no gesto, no sonho, na vida

Mas agora é o balanço, essa dança nos toma, você tem a mim

Nota da autora: Pois é, os sinos tocaram, Jake e Nessie casaram mesmo e esta lua-de-mel levou o título de "A melhor NC que eu já escrevi". Pra quem acha que tudo termina aqui, aguardem o próximo capítulo para ver como este singelo acontecimento refletirá na vida deles e como o rei, papai Edward vai reagir.

Jac, só não coloquei chantily pq isso é coisa que não existe nem em Bertah, nem no Território Quileute. A musica do capitulo anterior era The Phantom of The Opera, do Iron Maiden e a deste é A Festa, da Maria Rita.

Esta é uma comunidade que fizeram pra mim. Entrem se quiserem.

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Bjux com champanhe

Bee