De vinganças e sentimentos
Nessie se retirou do quarto para tomar um banho assim que acordou, deixando Jacob para trás, ainda deitado e nu. Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. Já devia passar das dez horas da manhã e ele nunca dormia por tanto tempo. Ela era um anjo com um diabo no corpo, era a única explicação plausível.
Ele olhou para a cama em que haviam passado a noite juntos. O emaranhando de lençóis e cobertores de pele haviam sido dispensados a maior parte do tempo. Mas foi na marca rubra no centro do cobre leito que ele fixou o olhar. Ele deslisou os dedos pela mancha. Havia cumprido seu propósito, ela era dele afinal, mas ainda faltava um detalhe. Levantou-se e retirou o cobre leito da cama, rasgando um pedaço com as próprias mãos. Enrolou o tecido manchado e vestiu roupas limpas. Saiu do quarto e foi até seu escritório.
Uma vez no escritório pegou um pedaço de papel, caneta e rabiscou uma nota breve. Minutos depois ele chamou um mensageiro, entregou a nota e o pedaço de lençol rasgado, despachando-o em seguida. Não demorou muito até que Nessie o encontrasse no comodo. Ela sorriu para ele sem jeito e com a face corada. Ele sentiu que seu coração estava aquecendo aos poucos, como se ela fosse uma chama, um raio de luz que derretia o gelo do peito dele.
Ele fez sinal para que ela se aproximasse e ela foi até ele. Jacob a abraçou forte e sentiu o perfume dela entorpecer cada milímetro do seu corpo. O que ele estava sentindo afinal? Era uma necessidade sufocante de protege-la e estar próximo a ela sempre. Uma ansiedade inexplicável de abraça-la, de sentir o corpo frágil dela entre seus braços desajeitados.
Você dormiu bem? - ele perguntou, meio sem saber o que falar.
Dormi sim. - ela respondeu sem graça. Ele ergueu o queixo dela para encara-la nos olhos. Acariciou o rosto dela e sorriu ao vê-la tão perfeita, tão linda, exatamente como a conheceu.
Fiquei com medo de te machucar ontem. Você está bem? - ele perguntou receoso de ter causado a ela alguma dor.
Eu estou perfeitamente bem. Um pouco cansada ainda, mas vou sobreviver a isso. Doeu um pouco no começo. - o rosto dela corou – Mas acho que é normal, não é?
Bem, creio que sim. - ele beijou a bochecha dela e acariciou os cabelos acobreados da nuca, fazendo-a arrepiar – Preciso de você...
Jacob... - ela ronronou a medida que ele alisava a cintura dela com a outra mão.
Esta noite... - beijou-lhe os lábios rapidamente – Todas as noites. - ele a encarou bem fundo nos olhos, com uma sorte de desespero estampado neles – Que feitiço é esse que você pôs em mim?
Acho que o que aconteceu ontem torna seu país independente e aliado do meu, não é? - ela perguntou meio preocupada, resistindo ao efeito que as caricias dele exerciam sobre ela.
Sim. - ele respondeu descendo as mãos pelas curvas dela – Mas não quero falar de política, não quando ainda estou no meu período de lua-de-mel.
Só estava pensando... - ela parou ao sentir um arrepio quando ele lhe beijou o pescoço – Isso colocaria um fim as nossas obrigações. Não precisaríamos agir como marido e mulher, se não quiséssemos. - ele parou imediatamente e a encarou. Ela não soube dizer se ele estava com raiva, chocado ou frustrado.
Renesmee, eu não me casei para fingir nada. Isso pode ter começado com um acordo politico, mas desfrutar de todos os aspectos do casamento estava incluído nas minhas intenções dês do começo. - ele falou entre dentes – Sinto lhe informar que aqui não é Bertah, onde o rei se casa por conveniência e se satisfaz com um harém inteiro de mulheres. Aqui, aliamos o útil e o agradável e é da minha vontade ter você como minha esposa. - ele a empurrou contra a mesa do escritório passo a passo, como se ela fosse um animal pego numa emboscada. Ele a sentou sobre a mesa e separou as pernas dela sem nenhuma cerimônia. Sua mão absurdamente grande se colou a cintura de Resnesmee, puxando-a para perto dele, enquanto sua boca buscava a dela com fúria passional e luxuria incontrolável.
O que? - ela tentou perguntar entre um beijo e outro, mas Jacob parecia pouco inclinado a conversas naquele momento, em que suas mãos se ocupavam da tarefa de suspender a saia dela e alisar as coxas expostas com possessividade e desejo. Ele permitiu que ela respirasse ao trocar seus lábios entreabertos pelo pescoço delgado e alvo, fazendo-a gemer e ronronar. Ele agarrou-a pelos cabelos da nuca, mantendo-a na mesma posição por um tempo maior.
Vou te mostrar que você quer isso tanto quanto eu. - ele rosnou no ouvido dela, provocando na princesa um arrepio involuntário de medo e prazer – Ser minha esposa... - a mão livre dele descia e subia pelas costas dela, vez ou outra desciam até as nádegas dela, apertando com força – Desamarre minha calça. - ele ordenou rispidamente ao ouvido dela. Com as mãos tremulas e a visão turva, ela tateou o corpo dele até encontrar o cordão, fazendo-o emitir rosnados de prazer quando lhe tocava em partes sensíveis acidentalmente. Ela por fim desamarrou a calça. - Boa menina. - ele murmurou ao ouvido dela, lambendo o lóbulo da orelha em seguida.
Jacob... - ela gemeu. Aquilo fez com que ele intensificasse as caricias e ficasse ainda mais excitado, se é que era possível.
Diga que me quer. - ele ordenou mais uma vez – Diga que me quer dentro de você. - para tortura-la, ele introduziu dois dedos dentro dela, fazendo movimentos sinuosos e sensuais. Ela já nem conseguia raciocinar mais, apenas gemia palavras desconexas diante dele. - Só vou deixar você chegar lá... - ele disse beijando-lhe o pescoço mais uma vez – Quando você disser. - então ele retirou os dedos, arrancando um resmungo de protesto dela. Ele lambeu os dedos, como havia feito durante a noite – Diga, Nessie! Diga que me quer!
Eu quero... - ela murmurou meio entorpecida. Ele a puxou para perto dele, para que ela o sentisse pronto, bem diante da entrada, excitando-a ainda mais.
O que você quer? - ele provocou-a.
Você... - ela gemeu.
Onde? - ele lambeu o lóbulo da orelha dela.
Em... - ela suspirou – Em mim! - então ele a penetrou de uma vez, fazendo-a gritar de dor pela brutalidade do movimento.
Sua...sua insinuação me ofendeu, querida. - ele rosnou enquanto se movimentava dentro dela, sem o menor cuidado o controle, fazendo-a gritar e gemer, numa mistura de dor e prazer – Por isso esta será mais dolorida pra você... - ela arranhava os braços dele enquanto papeis e anotações caiam da mesa – Mas ainda quero seu prazer.
Jake...- ela gemia alto, fazendo com que ele aumentasse a velocidade – Jacob!
Isso! - ele rosnava, já próximo do auge – Continue! Chame por mim! - ele a agarrou pela nuca mais uma vez e a beijou com vontade. Em seguida ele voltou a beijar o pescoço dela – Grite por mim, Ness!
JAKE! - ela enlaçou a cintura dele com as perna segundos antes de se entregar ao orgasmo violento – JAKE!
NESS! - ele também atingiu o limite, chamando por ela rouco e feroz. Passado o orgasmo ela desabou sobre a mesa, tendo ele por cima, ofegante enquanto ela se sentia exausta e dolorida. Ele a encarou nos olhos intensamente, alisou os cabelos dela com suas mãos grandes e rudes. Beijou-a com mais cuidado, mas não menos desejo – Você devia descansar esta tarde... - ele falou ainda ofegante – Não pretendo deixa-la dormir esta noite. - ele então saiu de dentro dela, vestiu suas calças novamente e a encarou firme.
Ela ainda estava sobre a mesa, com a saia suspensa e com manchas avermelhadas nas coxas claras. Ele não sabia dizer o que havia exatamente provocado aquela reação no minimo violenta, mas ouvi-la cogitando a hipótese de ser indiferente a ele e manter um casamento de fachada no mínimo havia ferido seu orgulho. Ainda assim, não justificava tamanho descontrole ou uma necessidade tão urgente de tê-la, de faze-la mudar de idéia, obrigando-a a implorar por ele. E agora Jacob não sabia dizer que olhar era aquele que ela lhe lançava. Talvez estivesse assustada com o rompante dele, talvez o odiasse em definitivo agora. Mas ela havia implorado por ele, havia gritado seu nome durante o sexo e não havia nada de dor ali, apenas êxtase puro, simples e primitivo.
Nessie não sabia o que pensar, não sabia nem mesmo se conseguia fazer isso depois de tanta distração naquela sala. Ele a confundia. Jacob a odiava, a desejava, a via como uma criança ou como uma criada para satisfaze-lo? Ela não sabia. Sabia apenas que o desejava, mais do que isso, estava perdendo o juízo por causa dele, por causa dos sentimentos que ele despertava nela. Seu medo era que tudo aquilo não passasse de ilusão de seu coração inexperiente e que Black estivesse meramente atraído por ela e suas semelhanças com Bella. Ele deixou a sala sem falar mais nada, somente que a queria naquela noite outra vez, ou outras.
Ela se levantou da mesa, abaixou a saia e saiu de lá o mais rápido que pode, ainda dolorida. Correu para o quarto e se limpou com uma toalha úmida. Sentia um tipo de revolta por ele ter sido tão grosseiro e ao mesmo tempo estava surpresa com a existência daquele Jacob tão selvagem em sua paixão. Ela havia se rendido aos cuidados dele da primeira vez, tentou resistir, mas ele a venceu, a moldou como bem queria. Da segunda vez ela nem tentou, não quis resistir, estava totalmente fascinada e dominada pela atitude indomável dele, totalmente atraída.
Jacob se encontrou com Sam ainda naquela manhã. Dado ao humor intratável do líder dos Quileute, agora governante oficial e Senhor do Território, Sam não pode ignorar que algo estava errado com seu velho amigo. Algo estava muito errado.
Jacob, diga, por tudo o que há de mais sagrado! O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ!? - Sam gritou exasperado – Até parece que passou a noite com uma bruxa com cinto de castidade! Até agora você não disse uma única palavra inteligível, apenas rosnou e resmungou! Nós estamos LIVRES, homem! Você se vingou! Devia ser o primeiro a comemorar!
Vai pro inferno, Sam! - Jacob disparou mal humorado – Isso é inteligível o bastante pra você?
Jacob, eu entendo que a garota seja inexperiente, que a noite não tenha sido das melhores, mas você pode procurar uma amante mais adequada! O que importa é que conseguimos! - Jacob saltou da cadeira como um animal selvagem, agarrou Sam pela camisa encarando-o como se estivesse a um segundo de arrancar-lhe a cabeça.
CALE A BOCA! - ele vociferou – Não fale asneiras, Sam! Não tenho a menor intenção de arrumar uma amante e dobre a língua antes de falar dela! - ele soltou Sam de uma vez. Passou as mãos ansiosamente pelo cabelo. O que estava acontecendo com ele?
Acho que estou entendendo agora... - Sam falou analítico – É Bella, não é? Está vendo nesta menina, nesta princesa mimada, a mulher que você nunca conseguiu esquecer! Pare com isso antes que enlouqueça, Jacob!
E você pare de falar bobagens! O que você entende disso a final? Você ama Emily dês do dia em que colocou os olhos nela quando ainda tinha quinze anos!
E você faz o mesmo com Bella! - Sam retrucou.
Quem está falando de Bella aqui?! Deixe ela quieta com sua coroa e seu rei efeminado, seus criados e filhos! - Jacob se exasperou – Eu estou aqui sem saber o que fazer! Sam, eu estou enlouquecendo!
Nota-se! - Sam disse sarcástico. - O que eu quero saber é o que está provocando isso!
Nessie! - ele respondeu imediatamente – Renesmee, se preferir!
Jacob, o primeiro sinal que demonstramos quando temos apego a algum objeto, pessoa ou animal é quando começamos à dar nomes. Você está dando apelidos à ela? - Sam o encarou desconfiado.
Pare de debochar!
Então conte logo o que aconteceu! - Sam retrucou.
Ontem a noite...Céus! Eu nunca imaginei, nunca cogitei a hipótese de desejar e ter tanto prazer com uma mulher, ainda mais sendo tão jovem! - Sam o encarou chocado – Ela parece ter algum tipo de droga oculta naquele corpo, por que é impossível que eu esteja sentindo uma necessidade tão grande de tê-la por perto! E hoje pela manhã, quando ela foi até meu escritório, ela sugeriu que agora que o Território está livre e que o tratado de paz foi firmado, não havia necessidade de agirmos como marido e mulher. - Sam estava perplexo com o relato – Perdi o controle na mesma hora e agarrei ali mesmo, na mesa.
Um golpe e tanto no ego! - Sam admitiu – E imagino que ela esteja no mínimo furiosa com você.
Furioso estou EU! O que... - ele ponderou um minuto – O que ela quer de mim afinal? Tenho feito de tudo para agradá-la! Absolutamente tudo! Na primeira noite fui cuidadoso, o máximo que pude! Mas eu garanto que me vinguei! Esta manhã ela gemeu meu nome algumas vezes! E como gemeu!
Poupe-me dos detalhes, por favor! O dia mal começou e eu estava perfeitamente satisfeito com minha ignorância neste assunto. - Sam falou rapidamente.
Desculpe-me por isso, eu só estou angustiado com a sugestão dela! - Jacob admitiu.
Eu realmente gostaria de entender o que as mulheres desta família têm para deixa-lo neste estado.
Do que está falando?
Do que é óbvio! - Sam disse – Que você está apaixonado por ela! Está apaixonado por uma garota de quinze anos, que é a filha do homem que mandou decapitar seu pai e da única mulher que você amou até hoje! É ridículo, é irônico, é uma piada de muito mal gosto do destino, mas é a verdade.
O que eu faço agora, Sam? - Jacob encarou o velho amigo com desespero – Eu nunca me senti tão perdido!
Eu acredito que há muito pouco a se fazer nesta altura. Estão casados, você tem passe livre pra desfrutar da companhia dela, ela não pode mais sair do território e com um pouco de sorte logo terão filhos. - Sam falou dando de ombros – O que você pode fazer é encorajar a paixão nela. Você é vinte anos mais velho que esta garota, já fez mulheres caírem aos seus pés antes, mostre a ela o que só se aprende com a maturidade.
Obrigado por me chamar de velho! Mas você tem uma certa razão. Meus pais se casaram por conveniência e acabaram se apaixonando, comigo e Nessie não será diferente. Nem que eu tenha que mudar as montanhas de lugar para isso. Eu vou indo, Sam. - Jacob rumou até a porta – Se não for incomodo, poderia pedir à Emily para ir conversar com ela? Só pra saber se ela está bem, sondar, ou seja lá o que as mulheres fazem para descobri alguma coisa!
Vou dar o recado à ela. Boa sorte, Jacob. - depois disso ele saiu.
Nessie se trancou no quarto ainda perdida em sua confusão. Jacob não havia aparecido, o dia estava frio ainda e nem mesmo a neve havia dado o ar da graça. Imaginou o que ele diria se ela fosse lá fora com um tempo daqueles. Ele zangaria com ela, argumentando que ela ficaria doente como Leah havia ficado. Imaginou ainda se ele tinha medo que ela morresse como sua falecida esposa.
Leah estava grávida quando faleceu. Um filho, um filho de Jacob...Será que ela também teria essa sorte? Eles estavam casados, ele a desejava pelo menos. Ela acabaria concebendo, cedo ou tarde, a menos que fosse estéril. Aquilo a assustou. Havia tanto que ela ainda não sabia sobre ele e sobre essa nova vida. Bateram na porta, ela não precisou se levantar pra saber quem era, apenas deu a autorização para que entrasse. Emily sentou-se ao lado dela na cama e acariciou seus cabelos como sua mãe faria.
Vim saber como está a nova senhora Black. - ela disse simpática.
Eu estou bem, Emily. - ela disse e se virou para o outro lado – Diga a ele que vou sobreviver.
Não estou aqui por ele. - Emily respondeu – Eu já estive no seu lugar um dia. Sei como é assustador esse primeiro momento e dadas as condições, imagino que tudo esteja muito confuso pra você.
Você gostava de Sam quando se casou? - Renesmee perguntou de supetão . Emily exitou por um momento.
Gostava sim. Na verdade, eu era louca por ele. - ela riu – Acho que isso é um motivo para você desconfiar de qualquer coisa que eu diga, não é?
Não exatamente. - ela disse envergonhada – Eu só queria saber como é. Você sabe, estar apaixonada por alguém. - Emily riu.
É forte, confuso e você pensa que está enlouquecendo. É difícil não pensar na pessoa amada e qualquer coisa que ele faça, por mais simples que seja, sempre parece perfeito. - Emily falou com ar sonhador.
Amar doi? - Nessie perguntou ainda mais sem graça.
As vezes, quando não temos certeza se a outra pessoa sente o mesmo.
E como sabemos? - ela foi insistente.
Não há uma formula pra isso. É um jeito de olhar, um carinho, a maneira de falar. São pistas que a outra pessoa deixa no caminho. - Emily pegou uma mecha de cabelo da princesa e começou a trança-la. - Ele machucou você?
Não! - Renesmee respondeu automaticamente – Quer dizer, doeu no começo, mas ele foi muito...Gentil. Pelo menos ontem a noite, hoje foi um tanto...Bruto. Acho que ele não gostou quando eu sugeri que não precisaríamos agir como marido e mulher sempre, agora que ele já havia conseguido o que ele queria. - Emily riu.
Oh, me desculpe por isso. - ela se recompôs – Esse é o tipo de coisa que nenhum homem gostaria de ouvir da esposa um dia depois do casamento. Mas você realmente quer que ele a deixe de lado?
Foi só uma sugestão! Já que isso é um acordo político, não tem motivo para fingir que isso é algo que ele quer. Só quis facilitar as coisas. - ela corou – Por mim, não faz diferença. - ela disse sem graça.
Acho que você está apaixonada por ele. - Emily concluiu sorrindo – E não há nada de errado nisso.
Eu não posso estar! - Nessie disse desesperada – Meu pai me odiaria por isso! E minha mãe? Ele ama minha mãe até hoje!
Sabe como se cura um amor antigo? - Emily perguntou e Nessie fez sinal negativo com a cabeça – Com um amor novo. Dê tempo ao tempo, as coisas vão acabar se ajeitando. Seja carinhosa com ele quando ele chegar à noite e logo ele vai estar caidinho por você.
Como pode ter certeza? - Nessie desconfiou.
Porque os homens tendem a amar aquilo que é belo, gentil e receptivo aos carinhos deles. - Emily riu – São bem pouco racionais neste ponto. Eu vou indo, querida. Volto numa outra hora. - Emily se levantou e foi até a porta.
Até mais, Emily. - Nessie respondeu e Emily saiu.
Estava apaixonada por ele e isso era irremediável. Por que não podia simplesmente odiá-lo? Seria tão mais fácil ter por ele asco ao invés de desejo, aversão ao invés de carinho. Ele a desarmou por completo com aquele sorriso largo e seu jeito seguro de ser. Nunca conheceu um homem como ele, nunca viu ninguém que possuísse uma certeza tão grande de si e de tudo que estava a sua volta. Por mais que seu pai fosse considerado um deus, era Jacob quem agia como tal, sem precisar de rituais ou protocolos que afirmassem isso, ele simplesmente sabia o que era e sabia que sempre seria. Ele sempre seria o sol naquela terra gelada, uma estrela de oitava grandeza.
Ele entrou dentro do quarto naquela noite, muito mais inseguro do que no dia anterior. Estava ansioso para vê-la, ao menos saber como ela estava. Ela ainda era apenas uma menina e ele já estava absolutamente rendido aos encantos dela. Ele a encontrou sentada perto da janela, observando o céu escuro em contraste com a neve que cobria o chão. Os olhos, os malditos olhos dela, perdidos em algum lugar lá fora. Talvez ela estivesse pensando em alguém, cogitando a hipótese de ser mais feliz em Bertah do que ali, com ele. Talvez estivesse pensando em algum outro homem, algum infeliz que jamais poderia sonhar com a idéia de tê-la, em parte porque ela era uma deusa, em parte porque ela pertencia à Jacob Black.
Aproximou-se dela com cuidado e pousou a mão sobre o ombro delicado, encoberto pela manga da roupa. Ela não desviou os olhos da paisagem, mas o encarava diretamente através do reflexo no vidro. Era como olhar para um retrato e ele decidiu que aquilo lhe agradava. Ela ali, sentada com sua pose altiva e serena, com algo de infantil em seus traços ainda em desenvolvimento e ele atrás dela, com sua aparência colossal, disposto a protegê-la de qualquer coisa. Nessie era mais forte do que o que ele imaginava no primeiro momento, muito mais determinada do que a imagem da criança perdida e assustada que ele havia criado em sua mente quando a viu pela primeira vez.
Como foi seu dia? - decidiu que era melhor iniciar uma conversa com ela. Ela deu de ombros.
Tranqüilo. Não tinha muita coisa pra fazer e hoje não nevou. - ela disse sem graça – Tive vontade de dar uma volta lá fora, mas não tive animo já que não haviam flocos caindo. - ele riu uma risada baixa e gutural.
Definitivamente, tenho ciumes desse seu amor pela neve. Acabo de crer que eu cometi um sério erro quando lhe levei aos limites da cidade para que contemplasse a vista. Criei minha própria concorrência. - ele sorriu para ela, mas havia algo melancólico em seus olhos negros.
Não diga bobagens. Você nem mesmo gosta de mim, não tem por que ter ciumes ou invejar à neve. - ela respondeu abaixando o rosto para que ele não visse o constrangimento dela através do vidro. Ele a girou na cadeira para que ela o encarassem e beijou-lhe a face com carinho. Os lábios dele eram quentes e macios contra a pele dela.
E quem foi que disse que eu não gosto? - ele perguntou enquanto acariciava o rosto dela – Talvez eu esteja sim morrendo de inveja da neve, porque ela parece ter sua atenção em tempo integral. Talvez eu tenha mesmo um ciume doentio de algo inanimado, só porque seus olhar se recusa à desviar da paisagem e me encarar. Em que você estava pensando?
Nada de mais, só imaginando algumas coisas. - ela respondeu corando violentamente.
Eu gostaria de saber o que se passa na sua cabeça. Sabe, faz tempo que eu não tenho que me preocupar em ser educado, gentil ou até mesmo agradável com outra pessoa, em especial com uma mulher. - ele disse sincero – As vezes me pergunto se estou fazendo certo, ou se você se sente infeliz aqui. Queria ler sua mente neste momento.
Só estava pensando que eu realmente não sei o que fazer de agora em diante. Nada precisa de ordem no palácio, politica é um assunto vedado às mulheres, não conheço muita gente por aqui e não sei como ser uma...Esposa. - ela respondeu – É tudo tão diferente agora.
Está infeliz? - ele questionou.
Não exatamente, mas estou com medo porque não sei para onde estou indo. - ela admitiu e ele enlaçou seus próprios dedos nos fios acobreados do cabelo dela.
Eu nunca pensei muito sobre os seus sentimentos quando propus o acordo com seu pai. Acho que só passei a entender que você era uma pessoa de carne e osso quando te vi dentro daquela liteira tremendo de frio e com o olhar mais assustado do mundo. - ele olhou bem fundo nos olhos dela num pedido silencioso de desculpas.
O que mudaria de tivesse pensado nisso? Provavelmente teríamos uma guerra agora e pessoas morrendo. - ela declarou solenemente – Foi melhor assim.
Se eu tivesse pensado nisso antes teria tido mais cuidado com você, ou pelo menos entendido que este casamento nem mesmo lhe passava pela cabeça a pouco tempo e que é natural que queira distância de mim. - aquilo pareceu doloroso para ele, quase como um facada no peito – Mesmo que eu queira você por perto.
É difícil dizer alguma coisa quando você parece tão comprometido com essa obrigação. Você parece tão determinado à fazer isso funcionar que eu me sinto intimidada. Admito que eu estava preparada para a sua violência, indiferença e ódio, mas não para a sua gentileza. Tudo isso porque eu me pareço com ela, com a minha mãe. - a simples menção ao nome figura de Bella pareceu confundi-lo.
Isso pode ter começado com uma obrigação, Nessie, mas definitivamente agora se trata muito mais de um desejo, de um vício, do que política. E você não se parece com Bella. Sua mãe era sagaz, mas nunca foi tão obstinada e tão reconfortante quanto você.
Ainda ama ela. - Nessie concluiu. Jake a encarou intensamente e ela não sabia o que pensar daquilo.
Amei um dia, uma garota esperta e atrevida que Sam capturou na floresta. Essa garota era diferente de tudo o que eu conhecia, teimosa e irracional, uma verdadeira aventura. Mas o destino dela era marcado a ferro e fogo, ela parecia trazer desgraça a qualquer homem que se apaixonasse por ela. Ela se casou com outro homem, alguém poderoso o bastante para obrigá-la. Ela teve filhos e em troca de tudo o que eu sentia por ela, ela me deu liberdade e uma chance de me reerguer, assim como ela tentava fazer com a própria vida. - Jacob falou com tanta clareza e segurança que ela não ousou contestar – Bella vai ser sempre uma cicatriz, já foi uma ferida grande e dolorosa, mas se fechou com o tempo. Gosto de pensar nela como uma amiga agora, já que tenho uma companheira muito mais adequada diante de mim.
Você sente algo por mim? Algo parecido com o que sentiu por ela? - Jacob ponderou um segundo.
Eu sinto. Sinto como se estivesse vendo o sol pela primeira vez depois de uma vida inteira de escuridão. E isso me provoca uma grande ansiedade, uma vez que eu não sei nada sobre o que você sente. - ele confessou deixando-a corada – Tenho raiva só de imaginar se você algum dia se apaixonou por algum outro homem. Quero que se apaixone por mim, Nessie. Vou acabar ficando louco de tanto pensar que estou fazendo com você o que Edward fez à sua mãe. Vou lutar por isso, por você. Não vou desistir até que eu esteja certo de que você também me quer ao seu lado. - não houve mais palavra ou explicação. As bocas calaram uma a outra num beijo desesperado e como o prometido ele não deixou Nessie dormir naquela noite.
Sete dias se passaram dês do momento em que Jacob e Renesmee haviam se tornado marido e mulher quando o mensageiro Quileute chegou ao palácio real de Bertah com uma entrega para o rei.
Edward contemplou um embrulho de tecido branco toscamente amarrado, com uma pequena nota escrita as preças. Ele desamarrou o tecido e deu de cara com absolutamente nada além de uma enorme mancha vermelha no centro do linho impecavelmente branco. O rei tomou em suas mãos o bilhete. Duas frases, duas miseras frases que o fizeram desejar a própria morte e a morte daquele maldito homem.
"Fique sossegado, oh rei dos reis. Eu não fiz nade que ela não quisesse em nossa noite de núpcias." O rei esmurrou a mesa com força e soltou um grito de ódio puro. Jacob Black pagaria por sua ousadia. Pagaria por ter roubado sua única e amada filha. Sua Renesmee. Aquela vingança havia ido longe de mais.
Nota da autora: Gente, pensem num capitulo que saiu do meu controle! Foi esse! NC que não estava nos planos, mil e uma discussões e confissões amorosas e absolutamente nada do que eu tinha planejado! Mas calma, o próximo vai ser pra lascar, pq a final ninguém merece tanto amor num lugar só, isso não parece comigo! Pra que facilitar quando eu posso ser tão maravilhosamente cruel? *.* Não se preocupem, vai ser bom.
Jac, já disse que adoro seus comentários? Pois é, ando postando mais rápido só pra ver o que você vai dizer e concordo quando vc diz "Emily é luz!"
Bjux amados
