Parte I – Trouble (Coldplay)

Como diria Jane Austen: "Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conheceram, e sete dias são mais do que suficientes para outras".

Acho que foi mais ou menos isso que aconteceu comigo e com o Jesse. Eu entendo que a nossa aproximação foi meio repentina, mas qual era o problema, pelo amor de Deus? Duas pessoas não podiam ficar amigas em uma semana? Era tão idiota o que algumas pessoas estavam comentando. Especialmente, depois que Santana espalhou para todo mundo que Finn achava mesmo que eu estava querendo ir pra cama com Jesse (tudo bem que Finn tinha desmentido esse fato, mas sustentado o de que estava com ciúmes). Santana, por falar nisso, foi suspensa por uma semana do Glee, por segundo o Sr Schue 'não parecer estar se adequando ao início do semestre'. Ela nem ligou. Ficou desfilando pelos corredores como se aquilo fosse uma vitória. Sem falar que sempre que me via me provocava de alguma forma, fosse para dizer algo ou somente para rir da minha cara. Santana Estava se tornando a minha segunda sina particular – a primeira, claro, sempre seria Quinn. Que, por sinal, estava testando enormemente a minha paciência.

Eu nunca entendi muito bem o porquê Quinn tinha dado uma trégua a mim e a Finn, no começo do nosso relacionamento. Quinn agira como se não se importasse – o que significava duas coisas: a) que ela estava tramando alguma coisa, ou que b) ela estava descansando para retornar com toda a potência. Ambos os casos eram horríveis. Eu meio que receava que ela tentasse alguma coisa.

E foi o que aconteceu, é claro.

Depois daquele período de calmaria e depois que Jesse se juntara ao Glee, Quinn voltou um pouco mais... Hmmmm, operante, digamos assim. Ela estava, com certeza, mais atirada. E para o lado do Finn. Isso, mais do que tudo, me fez perceber que estava lidando com alguém que era psicologicamente ferrada.

Quer dizer, ela jogava às vezes com o Puck, também. Algumas vezes, eu já o tinha ouvido contar sobre os fins de semana que passaram juntos sobre as coisas que aconteceram – você sabe quais. Eu não ligava, porque já tinha arrebentado o cordão que matinha eu e Quinn interligadas: nem colegas éramos mais, nem para isso ela conseguia ser um pouquinho mais gentil.

Entendia a sua, hm, atração por Puck – metade das meninas apenas ficavam com ele, porque ele não tinha cérebro e desse modo era muito mais fácil se impor e tal –, mas Finn?

É claro que eu me lembrava de ela me dizendo que era o primeiro amor dele. Mas eu ainda não sabia se aquilo era real. Finn não dizia muito sobre a relação que mantivera com ela, e eu achava que ele me consideraria insegura se eu lhe indagasse algo. Quer dizer, falar sobre a ex-namorada era mesmo muito ruim. E eu não queria lhe passar a imagem de que me sentia ameaçada por ela – apesar de ser constantemente ameaçada até mesmo verbalmente. Mas eu preferia ignorar. Como ignorava sua presença no Glee, eu ignorava o ciúme que sentia ao vê-los próximos – e eu sabia que ela causava aquilo de propósito. Eu crispava os lábios e fingia que não os via. Achava que era melhor lidar daquela maneira. Se eu provocasse uma cena, eu estaria dando-lhe créditos por ter ciúme de Jesse. Afinal, ele poderia achar que, já que eu sentia ciúme, era de direito também sentir. Apesar de, sabe como é, o ciúme dele fosse infundado – claramente, eu e Jesse éramos amigos; as más línguas do McKinley é que teimavam em sempre hiperbolizar tudo.

Com o tempo, entretanto, eu comecei a sair de perto. Se eu e Finn estávamos juntos e ela se juntava a nós – uma coisa muito incomum –, eu me levantava e ia fazer outra coisa. Ia para o piano, buscava um livro em prateleiras distantes, caso estivéssemos na biblioteca estudando. Qualquer outra coisa. Eu achava que daquela forma, Finn se tocaria. Que aquela situação era demais. Que Quinn lhe perguntar sobre a redação, ou comentar sobre o seu desempenho escolar, além de ser uma situação claramente forçada, era também muito incômoda.

Mas Finn não dizia nada para repeli-la. Ele conversava com Quinn como se estivesse tudo bem. Como se ignorasse o fato de que, lentamente, estávamos nos afundando em uma crise do tipo Guerra Fria – não havia brigas estouradas, mas elas estavam sempre ali com um olhar torto, ou com minhas saídas repentinas de perto.

Era impressionante. Eu deveria dar aos parabéns para Quinn por encontrar tantos pretextos para se intrometer entre mim e Finn, sério.

Ela era, basicamente, o meu primeiro problema que tinha se criado entre mim e Finn. O segundo, que não é tão claro assim – mas que eu sabia que seria meio inevitável –, era o fato de que Finn sempre tentava fugir comigo para o meu quarto e ter alguns minutos a sós como se o mundo fosse acabar na hora seguinte. Parecia que o tempo todo ele tinha muita saudade de mim e, por vezes, até mesmo se animava demais quando estava comigo – e, por isso, eu era obrigada a pará-lo; eu sabia que era uma coisa meio chata de se fazer, mas aquilo estava se transformando numa situação quase tão estressante quanto Quinn. Janeiro passou, abrindo portas para o nosso quinto mês juntos, e achava que era por isso que ele estava tão desesperado. Ele e Quinn estiveram juntos por muito tempo, mas ele me assegurou diversas vezes que o que mais faziam juntos era rezar, e por mais que eu achasse estranho aquilo, eu acreditava. Mas é claro que, quando você está há cinco meses com a mesma pessoa, parece aceitável querer ter experiências mais quentes com ela. E, não me leva a mal, porque até certo ponto eu gostava daquilo; com Quinn sempre atrás de Finn, gostava de saber que era comigo que ele gostaria de esquentar as coisas. Mas eu era marinheira de primeira viagem naquilo tudo e eu desejava um pouco mais de compreensão. Não que ele não parasse – sem falar que ele sempre pedia desculpas, depois – mas, às vezes, eu ficava meio aborrecida, porque numa mesma semana que tinha que nos fazer passar pela mesma cena umas três, quatro vezes. E somando às crises de ciúme que eu sentia silenciosamente seis vezes por semana – no colégio e de domingo, quando o Glee se reunia no boliche – parecia que eu estava sendo soterrada de estresse. Parecia que, constantemente, Quinn ou Finn queria me testar. Só queria deixar bem claro que eu estava a ponto de enlouquecer, isso sem falar os estudos, as brigas no Glee e as aulas de canto, nas quais eu tinha que me superar a cada dia e, devido aos meus recentes problemas, meu desempenho estava decaindo de uma forma meio decepcionante.

No fim de semana anterior houve um almoço em família, que juntou meus pais, eu, Carole, Burt, Finn e Kurt. Meus pais inventaram de fazer um churrasco no jardim coberto e aquecido, porque temos um espaço nos fundos estilo gourmet, com churrasqueira, ilha e tudo mais. Eu disse, claro, que não comia carne – fato que eles sabiam, é claro –, mas eles meramente disseram que os carnívoros estavam em maioria, mas que eu poderia me contentar com a maionese e as saladas. Na verdade, tinha bastante coisa vegetariana ainda armazenada na geladeira, então não me preocupei muito.

Juntar Finn e Kurt no mesmo recinto quase nunca era uma boa ideia, mas daquilo nenhum dele pôde escapar. Kurt bem que tentou convencer seu pai, dizendo que já tinha marcado de ir ao shopping com a Mercedes, mas Burt não o deixou prosseguir com seu plano. Kurt, então, ficou meio mal-humorado o almoço todo. Eu e eles tínhamos nos afastado um pouco. Por um lado, pelo menos eu tinha mais espaço com Finn, mas por outro, eu sentia sua falta. Quer dizer, eu e ele, eu achava, morreríamos amigos. E ele, inquestionavelmente, era meu melhor amigo.

Eu bem que tinha tentado apaziguar toda a situação entre ele e Finn, mas sem sucesso. Finn alegava que a culpa não era dele, e Kurt dizia que 'eu ainda iria me arrepender de ter feito aquela escolha'. A escolha era estar namorando Finn. E aquilo só servia para que eu ficasse irritada com ele, pois muito claramente Kurt estava sendo precipitado e muito preconceituoso. Tudo bem, Finn fazia parte do time de futebol; mas e daí? Isso não significava quase nada, já que Finn se considerava bem mais perdedor do que eu.

Eu já tinha cansado de entender Kurt. E se estar ao seu lado, também, pois ele estava me tratando com frieza, como se, de repente, a culpa de tudo fosse minha. Então se ele quisesse seu tempo, ele lhe concederia. Estava me fazendo bem, também.

Meus pais, Carole e Burt se davam muito bem. Não era nada tão ruim. Na verdade, quando se reuniam pareciam amigos de infância. Eu gostava do entrosamento deles. Kurt não disse nada durante boa parte daquela tarde, nem para mim, nem para ninguém. Só ficava lá sentado na sua cadeira, segurando sua taça de refrigerante, olhando tudo; se o refrigerante acabava, ele se levantava, se servia de novo e voltava à posição anterior. Parecia tão mecânico, tão repetitivo, que mal parecia o meu melhor amigo.

"Por que a gente não fica um pouco sozinho? Quero te dar uma coisa", Finn se aproximou de mim e disse. Olhei para ele, meio aborrecida. Ele estava de brincadeira comigo? Tipo assim, era sábado, todo mundo estava ali no meu jardim dos fundos, e ele queria escapar comigo para o meu quarto de novo? Na noite anterior não tinha sido o suficiente? "Acho que agora não é uma boa ideia", eu falei. Finn sorriu daquele modo que ele sabia que me deixava à sua mercê. Mas eu tinha que resistir. "É rapidinho".

Oh.

Certo.

'Rapidinho'.

"Finn, estamos no meio de um almoço", eu constatei soando inflexível. "E daí? Eles estão tão animados conversando que nem vão notar a nossa falta", Finn disse. Era a maior mentira, é claro. "Ah, certo. Meus pais não vão se dar conta que eu e você, de repente, sumimos. É claro que não, porque eles foram abduzidos, ou algo assim, não é?", rebati meio desdenhosa.

Finn desmontou o sorrisinho e rolou os olhos, parecendo frustrado. "Por que você não quer mais ficar sozinha comigo? Você não costumava negar isso", ele pontuou, atento na minha expressão. Não acreditava naquilo! Ele estava o quê, desconfiando de mim? "O que você acha, que estou ficando sozinha com o Jesse e por isso não preciso desse tempo com você?", cochichei de volta, com um pouco de fúria.

Eu sabia que era um horror eu confrontá-lo dessa maneira, mas eu ainda não tinha esquecido aquele episódio do começo do semestre. Achava que nunca fosse esquecer. Quer dizer, como esquecer que seu namorado, o cara que você ama há possivelmente dez anos, acha que você está indo pra cama com um colega/amigo de trabalho (porque eu encarava o Glee como eu trabalho, é claro)? Eu ainda me sentia completamente furiosa quando me lembrava do que Santana tinha gritado para o Glee inteiro saber – e, posteriormente, espalhado pela escola inteira. É certo dizer que eu estava sempre no ataque quando Jesse era mencionado, ou quando Finn parecia estar descontente comigo por conta da nossa (falta) de intimidade.

"Você sabe que...".

"Não sei de nada!", sussurrei com a voz tingida de raiva. "Você não me deixa escolha, está entendendo? Como você acha que me sinto sabendo que você não confia em mim?".

"Eu c...", eu tentou rebater. Mas eu fui mais rápida: "Não diga aquilo que não tem certeza". Finn não retrucou de volta. Ele parecia meio chateado, agora. "Mesmo com Quinn lhe perseguindo, eu confio em você. Eu sei que, mesmo que você a ache gostosa, você está comigo. Gostaria que você soubesse que estou com você também", eu lhe disse, lutando para que meu tom se neutralizasse.

"Eu sei que está", ele respondeu. "Tem certeza disso?".

Ele não parecia nem um pouco confuso, ou hesitante ao confirmar: "Toda a certeza, Rachel".

Mesmo contra a minha vontade – acho que foi um ímpeto bem maior que o meu autocontrole –, eu lhe ofereci um sorriso. Em seguida, ele também me sorriu. "Então...? Será que agora a gente podia ir... lá pra cima?", Finn inquiriu num tom suave e meio rouco.

Ah, droga. Eu odiava ceder aos meus desejos.

Porque, agora, eu estava com o desejo de abandonar os adultos e estar a sós com Finn, no meu quarto. Sem falar que, de repente, eu me lembrei que ele queria me dar algo. A minha curiosidade se fazia muito presente sempre que Finn tinha alguma surpresa para mim, você sabe disso quase melhor que eu.

"Acho que sim", concordei, assentindo. Nós nos levantamos de nossos lugares e, por mais que todo mundo tivesse nos olhado, ninguém disse nada. Meus pais não tinham parado com a mania de andar atrás de nós, mas eu sabia que não falariam nada para me constranger na frente de Burt e Carole. Kurt, entretanto, me lançou um olhar de repreensão – ou assim me pareceu.

Eu não liguei. Já tinha parado de ligar para os olhares dele.

Já no meu quarto, eu não ousei fechar a porta. Sentei-me na cama comportadamente e o convidei para sentar-se ao meu lado. Ele o fez. "Sua recompensa", ele me disse, estendendo um pacote pardo pequeno. "Minha recompensa?", eu achei graça, ao mesmo tempo em que fiquei meio confusa. "É, por vir até aqui. Eu sei que não queria".

"Eu queria, sim. Estou aqui, não estou?", franzi a testa, ficando levemente aborrecida. Não sei sabia por que, agora, praticamente tudo me aborrecia. Abri o pacotinho e me vi olhando para dois chaveiros; um em forma de Bela, e o outro, em forma de Fera. Eu e ele tínhamos assistido ao musical há mais ou menos duas semanas, de modo que o presente era bastante bonitinho. Eu acabei rindo, porque era meio bobo também. Mas ele sabia que eu tinha gostado. Porque a Bela e a Fera era o meu filme da Disney preferido. "Você é tão clichê. Eu gosto disso", eu falei, depositando os objetos no colchão e me aproximando dele, para beijá-lo.

Finn, mesmo que minha intenção fosse apenas um selinho, agarrou a minha cintura e me arrastou para mais perto dele. O que era apenas um selinho se transformou num beijo de verdade, com mais pressão e tal. De início, eu pensei em rejeitar aquilo, afinal não pretendia fazer nada daquilo e sabia onde aquilo iria parar. Mas então percebi que eu não era capaz de rejeitar o beijo dele, porque o Finn era a pessoa que tinha me ensinado a beijar e que sabia como me deixar à sua mercê apenas com um beijo. Inspirei no meio do beijo daquele modo que fazemos quando estamos muito cansadas e o dia terminou e você já está na cama. De repente, me vi relaxar totalmente nos braços dele. Logo ele já me inclinou para a cama – e por mais que, mentalmente, eu estivesse declinando aquilo, não tive vontade de refrear a situação – e serpenteou as mãos pelo meu corpo de um jeito mais íntimo que o habitual. É claro que, conforme a intimidade foi se aprofundando entre nós, eu permiti que ele me tocasse em outros lugares além dos meus ombros, pescoço etc. É claro que com aquele vestido justo tomara-que-caia com bojo não proporcionava muito contato, mas então ele percebeu que a barra do meu vestido era muito mais acessível e subiu-a um pouco, atingindo as minhas coxas. Era um contato muito bom, tipo... muito bom mesmo. Mas eu achava que, sabe como é, com muita gente lá embaixo – COM KURT LÁ EMBAIXO – e a porta aberta, a situação estava ficando um pouco arriscada. E eu sabia que quanto mais arriscado melhor – ao menos, assim parecia para Finn.

Eu, por outro lado, recobrei minhas faculdades mentais depois de um tempo. Separei-me dele, meio arquejando, e disse: "Hey".

"O quê?", ele respondeu em seguida, acho que confuso demais. "Você sabe, nós estamos...", engoli o ar e pensei. Estávamos o quê? Perdendo o controle? É, poderia ser. "Indo rápido demais", finalizei.

Finn concordou, mas acho que, intimamente, ele não estava mesmo concordando. "Certo. Desculpa", ele ofegou perto de mim, ainda. "É que você é meio que irresistível", ele falou depois, me sorrindo daquele jeito lateral que me deixava retardada. Mas ele não iria me convencer tão fácil. "É, até parece, mas tanto faz", respondi séria, me ajeitando melhor. Sentei-me novamente na cama e cobri minhas coxas. Finn se endireitou também e retrucou: "Será que podemos conversar seriamente sobre isso, sem que você fique aborrecida toda hora? Porque, querendo ou não, ambos sabemos que isso está afetando o nosso namoro".

Então era isso? Eu ter de impedi-lo toda hora estava afetando o que a gente tinha? Bem, talvez eu não tivesse de fazer aquilo o tempo todo, se ele simplesmente se comportasse! Quer dizer, alô, meus pais, a mãe dele, o padrasto dele e o meu antigo melhor amigo estavam lá embaixo no jardim! O que eu deveria fazer?!

"É mesmo?", perguntei com cinismo e irritação. "Então, não sei, vá procurar uma garota com a qual o seu relacionamento não seja afetado por conta disso! Eu já tenho uma sugestão, e você sabe quem é!".

Ele sabia que eu estava falando de Quinn. Vi isso expresso em seus olhos. Mas Finn meramente balançou a cabeça, como se eu fosse a sua campeã que a tivesse lhe decepcionado, e afirmou: "É aí que está, eu não quero nenhuma outra garota, quero você".

Aquilo não me amoleceu nadinha. Nadinha.

"Bem, então pare de me pressionar a fazer algo que vai além do meu conforto, ok?! Não estou pronta para isso agora, nem num futuro próximo, e você sabe muito bem disso!", retruquei. Finn comprimiu os lábios, num gesto que não entendi. Não sabia se estava meramente chateado, ou se estava me censurando. "Não estou pressionando você a fazer algo, eu apenas quero ficar um pouco com você", ele me disse. "Podemos ficar juntos sem tudo isso. Sem eu ter de fazer você parar de me agarrar pela, sei lá, décima vez nessa semana!", meu tom se elevou um pouco, porque, sinceramente, aquele assunto já estava me irritando. "Você vê o que está fazendo?", eu o acusei. "Você tenta me colocar no limite, e você sabe que eu não suporto isso, então nós estamos brigando!", aleguei. "Você está brigando comigo!", ele assinalou de modo rude. "Bem, não estaria, se você não me colocasse no limite!", crispei os lábios, meio furiosa.

"Não acredito que estamos brigando por causa disso", Finn balançou a cabeça.

"Acredite, porque estamos!", exclamei. Cruzei os braços, olhando-o feio.

Finn suspirou. E ficou calado.

"Vou descer, porque, acredite ou não, não gosto de brigar com você", ele me disse e se levantou da cama. "Gosta de me agarrar, mas não gosta de encarar as consequências? Que ótimo, eu estou lindando com um garotinho!".

Não sabia por que estava tão furiosa. Acho que senti que tudo estivesse caindo em cima de mim como uma enorme onda e eu sabia que me afogaria nela.

Finn me olhou do meio do meu quarto. Parecia entre enfurecido e decepcionado.

Não disse nada, somente saiu de lá.


O restante do almoço foi um fracasso. Eu e Finn retornamos lá para baixo, sentamo-nos lado a lado, mas não trocamos mais olhares ou palavras.

Aquela, com certeza, era a nossa primeira briga. Não sabia que me sentiria tão mal, depois.

Todo mundo deve ter desconfiado de alguma coisa, já que deixamos de rir e de conversar, só ficamos ali, olhando tudo com cara de tão não estava não suportando nada. E, na despedida, apenas demos um selinho rápido, daquele só pra dizer até logo. Mas eu sabia que, se eu não tratasse de consertar (apesar de que nem tinha muita certeza se era mesmo eu quem devesse dar o primeiro passo, já que o causador de tudo aquilo tinha sido Finn), permaneceríamos muito mais do que duas ou três horas brigados.

Entretanto, foi aquilo que aconteceu. No final da noite, não havia nenhuma mensagem dele – e eu não tinha me atrevido a lhe escrever nada, também. Estava me preparando para dormir, quando Leroy, que era o pai que ia me verificar quando sabia que algo ruim me aconteceu, me perguntou da porta:

"Achei você e o Finn meio distantes depois do almoço. Está tudo bem?".

Eu bem sabia que meus pais não ficariam, exatamente, pulando como o último dos elfos caso descobrissem que houvera uma discussão entre mim e Finn. Porque eles, apesar de suas intervenções, gostavam muito do Finn.

Dei de ombros, porque eu não sabia muito bem se estava ou não tudo bem.

"Vocês brigaram, não foi?", ele perguntou. Em seguida, porque ele sabia que eu concordava com aquilo, se adentrou no meu quarto e ficou olhando tudo, como se estivesse numa inspeção.

O que eu mais gostava nos meus pais é que eu podia mesmo dividir meus problemas com eles, do mesmo modo como eles faziam comigo. Eu é que tinha sugerido uma terapia de casal para solucionar todas aquelas discussões sobre o papel de parede, depois eu retornei de Toledo. E eu sabia que, qualquer fosse o assunto, eles iriam me apoiar e me aconselhar da melhor forma possível, visando o meu bem-estar e tudo mais.

"Sabe quando você quer dar mais amor a alguém, mas muitas coisas te impedem que isso aconteça?", perguntei. Gostava deles, porque eles me tratavam como uma igual. E, mesmo que eu fosse uma menina, eles não viam desvantagem nisso. Leroy tirou a mão da minha coleção de DVD's musicais e olhou para mim. "Estamos falando de amor, ou de algo que você acha que pode ser um ato de amor?", ele perguntou, elevando as sobrancelhas, parecendo mais inteligente. É claro que ele tinha me pegado. Ele tinha, tipo, esse dom. "Você não precisa provar algo que não está pronta para fazer. O amor não funciona assim, ele é gratuito. Se estão te pedindo algo em troca dele, dizendo que isso é amor, é porque não é. E essa pessoa não deve te amar tanto quanto afirma".

Certo, certo, certo. Ele só estava meio que tentando dar o seu melhor conselho.

Mas é claro que eu sabia que Finn me amava. Eu via isso nele todos os dias, eu simplesmente sabia. "Amo o Finn, só não quero chateá-lo", respondi. Leroy fez um gesto de entendimento e depois fez uma careta, dizendo: "Diga que não pretende chateá-lo, mas que não, obrigada, você não quer ir para a cama com ele".

É, não dava para fugir do meu pai. Ele era o mais esperto dentre os dois. Sem contar que era o mais atento em mim e Finn. Então, apenas digamos, que ele pressentiu que alguma coisa daquele tipo estava prestes a ocorrer – eu ir pra cama com o meu namorado, quero dizer. "Minimiza a situação se eu disser que é apenas por enquanto? É que não tenho muita certeza de quando vou querer fazer isso", falei. "Adianta se você for sincera. E a conversa previne muita coisa, apenas evite se chatear para evitar chateá-lo, ok? Não seja desleal consigo mesma. Se está chateada, tem que dizer. Nem que seja numa terapia de casais", ele lançou uma piscadela para mim. Eu soltei uma risadinha. É claro que sempre havia a Srta. Pillsburry, a conselheira da escola. Mas ela própria precisava de conselhos, então como poderia aconselhar os alunos? "Vou pensar nisso", respondi.

Ele me desejou boa noite, beijou o topo da minha cabeça e seguiu para o quarto.

Acordei na manhã seguinte e percebi que minha caixa de entrada continuava vazia.


Parte II - Please Don't Leave Quiet Yet (Adam Agin)

Passei o domingo todo sem notícias de Rachel. Quer dizer, tudo bem, eu fui verificar o facebook dela, e ela tinha publicado algumas coisas, inclusive uma foto dos chaveiros que tinha lhe dado.

Porque não tem nada mais legal do que ser presenteada com presentes: a Bela e a Fera. Obrigada, Finn.

Tinha postado na noite de sábado, acho que como forma de aliviar um pouco a nossa tensão. Eu não comentei nada. Horas depois fiquei me remoendo por isso, porque eu sabia que tinha de lhe dizer algo. Somente no domingo à noite, depois de alguns deveres, é que voltei a mirar a foto. Santana já tinha ido lá escrever algumas coisas idiotas, e Brittany também (mas para dizer que adorava a Bela e Fera). Tina, Mercedes e Jesse tinham curtido, mas não escreveram nada. O último comentário era de Quinn:

Na verdade tem. Sexo. Mas esqueci que você não faz, ooops!

Rachel nem mesmo tinha ocultado aquilo. Pelo que a conhecia, com certeza tinha lido, mas decidira não se importar perante a todos. Porque eu sabia que, intimamente, ela estava tendo um chilique.

Quer dizer, tudo bem. Em primeiro lugar, era a Quinn – não interessava se Quinn já fora sua melhor amiga em outrora, agora era sua inimiga número um, especialmente depois de Quinn ter reascendido o meu "amor" por mim e estar, praticamente, me perseguindo na escola e tudo mais. E em segundo lugar, eu sabia que apenas a menção da palavra 'sexo' já lhe remeteria à nossa briga. Eu nem acreditava que tínhamos brigado por algo tão estúpido! Se bem que já fazia umas duas semanas que eu estava percebendo que Rachel estava estressada – e, na verdade, não somente comigo. Mas eu sabia que a maior parte de todo seu estresse era por minha conta, porque eu queria mais intimidade. Não sabia por que era tão difícil pra ela perceber que aquilo era tão normal quanto aceitável, já que estávamos há cinco meses juntos – e todo mundo sabe que há pessoas que vão pra cama com, tipo, um dia de namoro, e outras que nem esperam nem um tipo de relacionamento e transam no primeiro encontro. Mas, pelo jeito, era melhor eu desacelerar tudo e recomeçar a agir como nas duas primeiras semanas de namoro, nas quais somente nos dávamos as mãos e compartilhávamos beijos singelos.

E agir como se eu não quisesse transar com ela era meio horrível. Porque não tinha como eu esconder o que queria. E ela sabia daquilo – do que eu queria, digo. Por isso, nos melhores momentos, ela sempre se separava de mim e dizia algo:

"Meus pais podem aparecer".

"Você está indo rápido demais".

"Você não pode me tocar aí".

Claro, eu tentava soar compreensivo. Eu parava, tentava me controlar, pensava no carteiro que quase matara um dia. Das primeiras cinco ou seis vezes, não demonstrei a minha impaciência, nem minha chateação. Porque eu sabia que ela ainda estava aprendendo a se adaptar com aquilo. Mas depois, eu não sabia mais como me portar, porque não sabia mais se poderia concordar com toda aquela água fria.

A tarde de sábado na casa dela só me mostrou que Rachel estava longe demais de consolidar alguma coisa íntima comigo. Não estava de saco cheio de esperar, não era isso. Mas é claro que estava impaciente. Pelo amor de Deus, eu tinha quinze anos e a minha namorada era a maior fresca!

E aquela briga foi o estopim para que eu entendesse que, mesmo que eu tivesse tentado ignorar antes, estávamos enfrentando um período de crise. O episódio da Santana, no começo do semestre, tinha provocado modificações entre mim e Rachel; estávamos mais distantes, eu acho. Mesmo que eu tentasse investidas contra ela, Rachel se desvencilhava – e depois de certo ponto, eu comecei a pensar que aquela rejeição que ela estava tendo por qualquer coisa mais sexual não tinha relação alguma com o ato sexual em si, mas, sim, com tudo que tinha ocorrido antes de começarmos a ter mais intimidade.

Por um lado, eu sabia que colocar à prova todo aquele ciúme tinha desestabilizado nosso namoro – acho que tinha sido por isso que Rachel ficou distante. Mas por outro lado, eu também sabia que toda aquela primeira experiência de contato físico era meio assustador para ela. Quero dizer, eu era o primeiro namorado dela, eu sabia que fora o primeiro garoto a beijá-la e com certeza seria o primeiro garoto a vê-la sem roupas.

Sem contar, é claro, Quinn atrás de mim.

É claro que, inconscientemente, Rachel achava que eu gostaria de ir para cama com Quinn, que era, muito claramente, muito mais suscetível a tirar a roupa a qualquer instante.

Então, era justo eu parar de fugir daquilo tudo. Porque eu tinha a perfeita ciência de que Rachel estava enfrentando tempos difíceis e loucos. Ela própria parecia mais louca que o normal.

Então eu resolvi desacelerar, depois de muito pensar sobre aquele comentário maldoso que Quinn tinha deixado na publicação de Rachel.

Quer dizer, pior do que já estava não poderia ficar. Certo?


Na segunda-feira, resolvi mandar-lhe uma mensagem de trégua. Para demonstrar que, apesar de tudo, eu ainda estava com ela.

O Burt passa daí para te pegar para irmos à escola juntos?

Achei que demoraria para responder, apenas para me provocar, mas em menos de dez minutos lá estava sua réplica:

Não precisa, te vejo na escola. Beijos.

Eu sabia que o "Eu te amo" estava implícito. Não precisava perguntar, ou esquentar a cabeça. Eu sabia, também, que ela não estava cem por cento recuperada, ainda estava meio estressada.

Eu a vi antes das aulas, mas como ela estava correndo por conta de uma prova, não quis incomodá-la. No intervalo entre o segundo período para o terceiro, enquanto eu estava guardando o restante de um material avulso, alguém disse: "Não entendo vocês". Claro que eu nem precisava em me preocupar com aquilo; era Kurt. "Não precisa entender", retruquei inflexível. "Eu sei que vocês brigaram, a Mercedes me contou. Parece que o Paraíso não vai tão bem, né? Ela está caindo na real, e vendo que você é como todos os outros", ele disse com hostilidade. Não pude me conter, virei-me para ele com uma expressão meio ameaçadora.

"Olha aqui, você não tem nada que ficar me dizendo o que sabe e o que não sabe. E, apesar do que você acredita, eu quero fazê-la feliz. Tudo bem, não estamos enfrentando o nosso melhor momento, mas e daí? Todos os casais brigam, sabia disso?", rebati.

"Bem, se estão brigando por causa de sexo é porque...", Kurt começou a desdenhar. Eu estava ficando com raiva. Já não aparentava muita paciência, e agora ele infeliz estava me atazanando de propósito, eu poderia jurar! "É porque a gente tem que aprender um pouco mais. E isso não lhe diz respeito, então cai fora", mandei.

Ele meramente riu.

Nisto, Rachel apareceu. Acho que estava no seu armário também e nos viu discutindo. "Meu Deus, não acredito que vocês estão brigando no meio da escola!", ela murmurou com raiva. "Bem, talvez não estaríamos, se esse daí aprendesse a fechar a matraca de vez em quando", respondi. "Pare com isso, Finn!", ela ralhou comigo, de cara feia. "Não quero saber, vocês têm de parar com essa desavença! Porque eu não vou aguentar ter de ficar separando vocês todo dia!", ela continuou. Parecia que estava prestes a explodir de lágrimas, ou algo assim.

Meu Deus, eu nunca a vira tão desnorteada. Naquele momento, ela estava meio assustadora, mas estava também implorando por alguma ajuda, por um pouco de cuidado.

"Estou sinceramente cansada de tudo isso!", ela disse e saiu de perto de nós.

Olhei para Kurt. Ele também aparentava estar surpreso pela atitude dela.

"Está vendo o que você fez?", ele começou. Dei risada. "Eu? Foi você quem veio até aqui para me atormentar!", respondi. "Você está fazendo mal a ela!", Kurt afirmou. "Quer parar com isso? Você não a ouviu? É melhor você seguir seu rumo, que eu cuido dela", falei.

Ele me lançou um olhar de desprezo.

Ignorei aquilo. Pensei de ir atrás dela, mas o sinal tocou.

No intervalo, não segui direto para o refeitório. O sinal já tinha batido há uns dez minutos, mas a minha turma tinha sido segurada, por conta de uma apresentação de um trabalho. Ao invés de saciar a minha fome, guardei meu material e fui para o Glee.

Eu sabia quem poderia encontrar lá.

É claro que eu estava certo.

Eu sabia que não havia como errar. Rachel estava passando boa parte da hora do almoço em cima de papéis na mesa de canto da sala do Glee. Ela tinha tantos afazeres que estava rejeitando até mesmo se socializar no refeitório.

Havia um pote de salada ao seu lado, o qual parecia intocado. Ela salientava algo do texto que lia com marca-texto com muita objetividade.

Eu sabia como o semestre estava estressante e sabia como ela estava estressada. Tinha sido minha culpa deixá-la tanto no limite; ao invés de aliviá-la de tudo aquilo, apenas depositei mais uma parcela de problemas em sua cabeça.

Caminhei sem fazer muito barulho e estanquei bem atrás dela.

"Francês?", falei, dando uma olhada no texto.

Rachel se desconcertou por uns dois segundos, levando um susto e depois de colocar a mão no coração instintivamente, ergueu o olhar. "É. Oi", ela disse. Seu tom estava cansado e meio seco.

Cheguei mais perto dela e coloquei uma mão em seu ombro. Afaguei o local por um tempo. Ela não moveu um músculo, além do pescoço, pois tinha voltado mais uma vez à leitura.

Eu nunca tinha brigado com ela e não sabia como proceder diante daquilo. Depois daquilo tudo, também. Não sabia se agia normalmente – como se tivesse tido um lapso de memória – ou se sentava e conversava com ela. Rachel, entretanto, não parecia dada a conversas.

Deixei que minha mão escorregasse de seu ombro para sua coluna. Ela estava tensa.

Não sabia o que fazer, realmente não tinha ideia.

"Você tem um tempo?", perguntei. Foi a primeira coisa que escapuliu da minha mente. Ela me olhou de novo, agora com os lábios contraídos, como se estivesse ralhando comigo. Não sabia que tipo de olhar lançar-lhe para convencê-la a parar os estudos, por isso apenas sustentei o seu, que estava carregado de mau-humor. "Eu realmente tenho muito trabalho pela frente", ela disse. "Eu sei, não é minha intenção atrasá-la, eu apenas queria...", mas eu não sabia o que queria. O que eu queria? Sua atenção plena? Que ela sentasse e conversasse? Prometer que nunca mais atenuaria seus problemas?

"São apenas cinco minutos. Quatro, talvez", falei. Peguei sua mão, que se mostrou um pouco resistente. "Finn", ela disse meu nome com seriedade. "É rapidinho".

Ela comprimiu os lábios de novo e fez uma cara de quem iria se arrepender mais tarde, mas cedeu. Puxei sua mão e a fiz levantar; isso a deixou ainda mais séria e, possivelmente, irritada. Mas eu a guiei com as minhas mãos em seus ombros até um dos pianos dali. "Quero que você ouça uma coisa, ok?", falei. Puxei outro banco para perto do piano e a convidei a acomodar; ela o fez, meio de má vontade.

Rachel tinha me ensinado a tocar um pouco de piano, do mesmo modo como eu tinha me divertido a ensiná-la bateria. Eu tinha me esforçado para memoriar a melodia daquela música e esperava que ela entendesse o meu objetivo.

Underneath my bed, there's a raincoat

Packed with scarfs and books Just go look

Eu não olhei para ela, pois sabia que não era tão excepcional pianista assim, a ponto de não ter a necessidade de ver as teclas que pressionaria.

But don't let the storm slow you down

No, honey, don't let the storm slow us down

The sound the furnace makes irritates you

I promise by next spring we'll replace it

But dont let the winter run you out

No, honey, dont let the winter run us down

It'll run us down

Em certo ponto, Rachel agarrou meu tronco, sem aviso prévio. Ficou ali em mim, com os braços nas minhas costelas e a cabeça tombada em meu ombro.

I want it to get better, I swear

I'll work to make it better

Tudo que eu sabia era que gostaria de livrá-la do que estava sentindo, de todo aquele peso que estava deixando louca e descontrolada. Eu sabia que devia aquilo a ela, já que, ainda que tivesse sido ela quem começara a quase gritar comigo em seu quarto, no sábado, eu tinha sido o causador de metade daquele estresse que agora Rachel carregava. E eu não queria ser aquela pessoa, aquela cara que deixa a namorada no limite para conseguir o que queria – entre vê-la mais uma vez feliz e sexo, eu diria com toda a certeza de que eu dispensava o sexo, por ora. Quem soubesse, dali a alguns dias, Rachel mudasse de ideia e quisesse experimentar um pouco mais de contato. Eu tinha certeza de que, se eu lhe passasse mais segurança – porque achava que era isso que faltava –, ela entenderia que, afinal, todo mundo vai pra cama com o namorado um dia.

So, please, don't leave quite yet

Please, don't leave quite yet

Please, don't leave quite yet

Don't leave, don't leave

Quando parei de cantar, ela se desgrudou de mim. Pude ver seu esforço em não derramar as lágrimas que represava. Jesus, ela parecia arrasada.

"Desculpe por ter sido insistente com você todo esse tempo, eu não queria levá-la ao limite", eu disse. Ela não sorriu; seus lábios expressaram seu sentimento de tristeza, curvando-se para baixo. Quando fiz menção de roçar em seu rosto com os dedos, ela sentou no meu colo e me abraçou. Não qualquer abraço, digo. Ela era pequena, mas tinha braços realmente poderosos, era um abraço apertado. Ela fungou algumas vezes no meu casaco do time, mas não disse nada por um tempo.

"Eu quero consertar o que eu destruí, Rach".

"Você n-não destruiu nada", ela retrucou. "Fui eu quem errei, me desculpa. Desculpa por tê-lo chamado de garotinho, foi, tipo, a pior coisa que eu já disse em toda a minha vida. Eu entendo que seja normal que você queira me levar pra cama..."

"Eu não quero levá-la para cama. Quer dizer, do jeito que você fala até parece que é por isso que estou com você", falei meio aborrecido. "Eu sei que não é, porque você não é igual aos outros. Não importa o que o Kurt diga, eu sei quem você é", Rachel respondeu baixo. Eu sorri no cabelo dela.

Era claro que ela sabia quem eu era, ela estava me ajudando com aquilo: a procurar o melhor caminho para eu ser quem eu queria ser.

"Mas... sabe, os limites. Bem, eles existem para serem superados", eu disse, mas logo emendei rapidamente: "Não que eu queira quebrar todos eles de uma só vez".

"Parece que quer", ela retrucou.

"Não quero", salientei com propriedade. "Vamos ir devagar. Você tem razão, estou te pressionando a ir rápido demais. Não importa o que eu tenha que fazer, eu vou ir devagar, ok? Prometo", concluí.

Rachel, então, vagarosamente, descolou a cabeça do meu tórax e me olhou. Ela estava com feição de quem tinha chorado, mas nada muito grave. Rapidamente, ela passou a mão pelo rosto, se livrando das lágrimas remanescentes. Fungou outra vez e então me sorriu pequeno.

"Eu acredito na hora certa, entende?", ela me disse. "Não quero que aconteça só porque estávamos empolgados demais, ou porque você escolheu que iria acontecer".

"Não vou escolher mais isso", respondi.

"Isso é ótimo".

"Então... Nada de dedos embaixo do sutiã?", perguntei.

"Finn!", ela exclamou, rindo.

Eu ri junto com ela.


HELLO, SWEETIES!

Drama mode on nesse cap, hein? Estou tentando focar em cada problema de cada vez, então o problema dessa vez foi esse :D Acho que alguns gostaram, né? HAHAHA

Anyway, a canção que o Finn cantou leva mesmo título da Parte II. Fiquei pensando por muito tempo em qual música utilizar e lembrei dessa, que faz parte da trilha sonora de Pretty Little Liars (fui apaixonada numa época pelo soundtrack deles). Queria saber se vocês ouvem mesmo as canções da fanfic, vocês ouvem?

Em breve, chapter fourteen! (:

Love, Nina.