Parte I – Fall To Pieces (Velvet Revolver)

O mês decorreu turbulento.

Se eu já estava com raiva de Finn antes, agora eu estava passando por uma onda de quase ódio constante. Eu sabia que não era saudável nutrir aquilo por ele, afinal eu o amava, mas eu sinceramente não estava mais suportando aquela situação. E se eu estava sem paciência alguma para Finn, era justo dizer que estava bancando a 'mortífera' para cima de Quinn. Não suportava que ela abrisse a boca, especialmente no Glee. Eu revidava com gosto. Com raiva. Desejando que ela saísse da minha vida o mais rápido possível. Eu estava ficando tão louca que decidi fazer uma coisa louca. Eu estava realmente no limite. E se Finn achava que já tinha me visto no limite algumas vezes, com certeza, não estava preparado para o que estava por vir.

Nem eu, realmente.

Faria aquilo com um pesar no coração, mas era melhor do que estar sofrendo.

Por isso, num dos fins de semana que Finn foi para a minha casa (na verdade, estávamos trabalhando em cima de uma música, por isso não houve nenhum tipo de pegação – também porque eu não estava nada no clima), eu decidi explanar minha decisão a ele. Talvez nem seria doloroso para ele, julgando os três fatos que aconteceram durante aquele mês:

Fato número um: ele não cantou nenhuma música comigo, nem para mim.

Fato número dois: passamos muitas horas separados, mas ele não parecia com tanta saudade.

Fato número três: não tentou remendar nenhuma crise entre nós.

"Finn?", eu o chamei, sentada do outro lado da minha cama. Estávamos sustentando uma espécie de silêncio, um silêncio que já estava se tornando habitual entre nós. Ele olhou para mim, desgrudando os olhos do meu quarto. "Uh?", ele respondeu. "Estive me perguntando se você sabe o que significa exclusividade. Porque não vejo isso acorrer de modo muito taxativo entre nós. Por isso, vou te explicar o que é: é quando você se importa somente com uma pessoa, aquela para quem você realmente oferece seu coração e aquela que é a última pessoa com quem fala à noite e a primeira, de dia", eu disse. Ele largou o violão que estava segurando e me olhou com mais intensidade, embora tudo o que eu realmente visse parecia uma espécie de indiferença.

"Nós estamos namorando firme, isso sugere exclusividade", ele respondeu.

"Não é o que vejo. Sabe o que vejo?".

Finn suspirou e rolou os olhos. Ele parecia completamente sem paciência comigo também. Ele nunca tinha sido assim. Ele sempre fora muito paciente quando o assunto era eu.

Isso meio que provocou o meu estômago; senti-o frio no mesmo momento.

Aquela conversa acabaria mal. Eu sabia daquilo.

"Ah, nem comece, tá legal? Sim, eu falo com a Quinn, é inevitável. Nós fazemos parte do mesmo clube e temos grande parte da grade escolar compartilhada. O que quer que eu faça, ignore-a?", ele retrucou com um pouco de secura. Seus olhos pareciam flamejar. Havia um pouco de raiva neles. Não dava pra acreditar! "Quero que você me faça acreditar que não se importa com ela", cruzei os braços e disse, aborrecida. Se ele estava aborrecido, então era de meu direito estar também. Aliás, ele nem tinha motivos para estar tão na defensiva. "Mas eu não me importo!", Finn exclamou. "Eu quero você, não ela! Estou com você, não estou?", perguntou num tom meio rosnado.

"Não sei", havia muita dúvida mesmo em minha voz. E um pouco de mágoa. Como ele poderia estar sendo tão estúpido comigo? Achava que ele me amava, achava que ele faria tudo para me recuperar caso nosso amor diminuísse um pouco. Foi isso que ele disse, um dia. Então, onde estava aquele Finn? "Não quando você dá atenção aos exageros dela quando sabe perfeitamente que é tudo pretexto para me atingir", respondi.

"Deixe que ela tente o que quiser, isso não vai mudar o que sinto por você. Quinn não significa nada para mim como você significa. Você não entende? Você é a única pessoa que me vê como eu sou e isso me basta. Eu amo você", agora sua voz tinha se suavizado um pouco. Ele se aproximou gradativamente de mim, até tocar uma mecha do meu cabelo, sendo gentil. "Prove", desafiei-o.

Imediatamente, ele avançou contra mim, agarrando minha cintura com propriedade. Ele sabia que eu não rejeitaria o contato. Seus lábios procuraram os meus com urgência em demasia; eles estavam febris e trabalhavam como se alguém pudesse nos separar a qualquer momento, para sempre. Havia euforia e provocação, o suficiente para que eu fosse tragada pelo vórtice confuso de sensações que me acometia quando eu e Finn estávamos sós. Ooh, aquilo era bom, muito bom. Não pretendia cessar o beijo, caso ele assim quisesse. Certo momento, nossos lábios se desconectaram, e eu estava pronta para reclamar, quando os dele escorregaram para meu pescoço, instigando-me a derreter em seus braços e soltar um gemido baixo de aprovação e surpresa. Parecia que, por mais que eu me esforçasse, nunca seria capaz de me privar das novas experiências que Finn me fazia aproveitar.

"Não acho que isso seja o suficiente, mas é uma amostra", Finn disse na curva do meu pescoço. Quando o contato das nossas peles se fez nula e seus olhos se conectaram com tamanha intensidade com os meus, ele adicionou: "Você não sabe o efeito que tem sobre mim, Rachel. Você é a única que consegue me tirar fora do ar, a única que me deixa completamente idiota e a única para quem quero dizer 'eu te amo' depois de sessenta anos de casamento".

"Quem disse que eu quero me casar com você?", ergui a sobrancelha. "Você quer se casar comigo de verdade desde que tinha cinco anos", Finn me respondeu, meio que sorrindo lateralmente. Eu adorava aquele sorriso dele, porque parecia que ele era destinado somente a mim. "Você não gostava de mim naquela época", eu apontei. "Eu já gostava de você aquela época, apenas não sabia. Gostava do seu jeito mandão, do jeito como se expressava como uma criança do dobro da sua real idade, do jeito como estava convicta das coisas que dizia. Meu sentimento por você estava recém nascendo, eu não sabia lidar com ele".

"E a Quinn?", arqueei as sobrancelhas.

"Você vai colocar a Quinn no meio da minha tentativa ridícula de declaração de amor, sério?", ele me inquiriu. "Nesse momento, a Quinn é mais importante", falei, impaciente. "Mais importante do que o que estou tentando dizer?".

"Adoro quando você resolve ser fofo, de verdade", observei, pois era a verdade. Porém, do que adiantavam se ele não era todo meu? Não era esse o propósito de conferir mais valor às palavras? Que elas fossem verdadeiras? "Mas se você vai dar atenção à Quinn quando deveria estar comigo, por que eu deveria acreditar no que está tentando me dizer?". Sua feição, agora, se fazia séria. "Eu já disse: não posso ignorá-la. Aliás, esse não é meu jeito, não consigo ser esnobe com as pessoas, por mais inconvenientes que elas sejam. Agora, se você não acredita em mim, acho melhor que reconsidere o porquê está se dando ao trabalho de estar comigo".

"Porque eu quero acreditar em você! Quero acreditar nas suas palavras, no modo como você me beija, na intensidade do que você sente! Mas com a Quinn por perto, parece que ela coloca o nosso relacionamento a prova!".

"Sabe qual é o verdadeiro problema, Rachel? Não sou eu, ou a Quinn. É você".

"O qu...", eu engrolei. Não, não dava mesmo para acreditar! Aquilo não podia estar acontecendo...

"Você é que não acredita em si mesma. É isso, simplesmente não tem confiança na capacidade que tem de me enlouquecer, ou de me fazer perder as palavras. E, se você não souber como consertar isso, não serei eu que o farei. Tentei durante todos esses meses fazê-la acreditar que a escolhi para ser minha namorada com base no seu talento e nas várias maneiras maravilhosas que é, mas parece que você não enxerga os resultados. Ou seja, você não entendeu nada sobre a parte que diz sobre crescermos juntos dentro de um relacionamento".

"Você me acha criança, é isso?", algo se abateu sobre mim, algo gélido. Algo misturado com descrença, rancor, raiva e, sobretudo, mágoa. Ele nunca tinha se referido a mim deste modo, nunca tinha feito alusão às palavras dolorosas que Quinn outrora me atirava com o intuito de me magoar e de me humilhar. "Absolutamente não", Finn tratou de negar, parecendo chocado com a minha suposição. "O que quero dizer é que você não aprendeu nada sobre o que é partilhar uma vida com outra pessoa. As pessoas se apaixonam mesmo cientes de seus medos, mas mesmo assim não conseguem refrear o que sentem, porque estar vulnerável diante de alguém significa que você aceita todas as consequências que podem ocorrer, significa que você está se doando para a outra pessoa e que quer ter a chance de se completar. Mesmo vulneráveis, elas confiam".

Não sabia o que dizer. Eram palavras bonitas, profundas. Meu olhar estava vidrado nele, no seu rosto sereno, mas expressivo. Suas mãos me tocavam com gentileza, como se as tivesse esquecido sobre mim. Quieta, eu podia absorver com mais detalhes tudo o que havia nele.

"E, embora não pareça, eu sei perfeitamente que a Quinn só insiste em mim para nos prejudicar e para tentar impor um pouco da sua ignorância personificada de prepotência. Não me importo se ela acha que pode me conquistar só porque é popular. Ela nunca me conquistou por conta disso".

"E agora?", perguntei baixo, sem olhar para ele. "E agora o quê?".

"O que acontece conosco? Você me ama, mas não suporta que eu tenha ciúme e acha que sou criança", afirmei, dando de ombros. A raiva tinha se dissipado, mas a mágoa insistia predominantemente. Se Finn, a única pessoa do mundo que nunca tinha se referido a mim daquele modo, me considerava infantil, talvez nós devêssemos entrar em algum tipo de acordo. Mas se a presença de Quinn me incomodava tanto, por que ele não podia entender um pouco mais o meu lado? Era mesmo impossível compreender o quanto ela me atingia só de respirar na mesma sala que Finn? Não era exagero! Ela me incomodava e sabia disso! Essa era a pior arma dela, pois tudo que fazia envolvendo Finn era de propósito! Então, por que Finn não entendia o quanto me magoava vendo-o perto dela? Por que eu deveria aceitá-los juntos?

"Você não é criança, já disse. Eu a amo do modo que é, mas em algumas circunstâncias poderia melhorar. Não quero mudá-la, quero que aprenda comigo, do mesmo modo que aprendo com você. Eu estou contigo, não quero estar com mais ninguém. Nunca. Entendeu?". Confirmei com a cabeça, levemente.

"Então... nada de dar um tempo para ajeitar as coisas?", inquiri, olhando-o diretamente; precisava observá-lo inteiramente, sem distrações. Porque, afinal de contas, era por conta daquilo que estávamos tendo aquela conversa. Eu preciava saber um pouco do futuro. "Você quer dar um tempo?", Finn franziu as sobrancelhas e nuances em seus olhos me disseram que havia certo pânico rondando sua mente. "E se essa for a única maneira sensata de percebermos o porquê queremos estar juntos? Não sei, repensar nos conceitos que tínhamos um do outro, ou repassar os motivos os quais fizeram nos apaixonar? Pode ser que funcione", dei de ombros, desanimada. Não havia convicção na minha voz, havia tristeza; não queria me separar dele, nunca. Porém, se cada um recuperasse seu espaço próprio e sentisse saudades um do outro essa poderia ser a fórmula perfeita para que, enfim, nos entendêssemos de uma vez por todas, deixando Quinn e o resto do mundo de fora de nosso namoro. "Eu não quero me afastar de você. Sei que disse que não poderia consertar esse seu lado desacreditado em si mesma, mas de modo algum queria soar como se quisesse dar um tempo. Se você me ajudar a entender por que não se sente tão confiante como Quinn...".

"Porque ela sempre foi tida como legal para você, desde criança. Eu sempre fui a pessoa que você evitou, que era a assustadora!", minhas palavras atravessaram o pequeno espaço entre nós como tiros. Eu estava com raiva: parecia inacreditável que ele estivesse me perguntando aquilo. Depois de tanto tempo, ele não conseguia enxergar os motivos que tinham me levado a estar tão alterada e que estavam meio que arruinando o que tínhamos construído juntos? "Nós tínhamos cinco anos!", Finn pontuou aparentando estar exasperado; seu olhar, agora, estava muito impaciente e seu maxilar, um pouco tenso. "Com cinco anos, eu também dizia que queria ser como meu pai e que queria um cavalo de estimação! Isso diz muito sobre mim? Não, porque eu tinha cinco anos! Éramos crianças demais, idiotas demais!".

"É justamente o contrário, Finn. Quando crianças é que formamos quem somos, quem queremos ser. Alguns sonhos infantis são mesmo estúpidos, ou passageiros, mas não mudam as nossas concepções".

"Pelo que me lembro, você também não me achava legal".

"Não achava, porque você disse primeiro! Por que eu deveria gostar de você, se você não gostava de mim?".

"Olhe como a vida é: quem imaginaria que estaríamos juntos? Estamos aqui, tentando salvar com decência o nosso namoro de algo que dissemos há dez anos, numa época completamente estúpida de nossas vidas".

Uma espécie de silêncio forçado reinou sobre nós. Nossos olhos se encontraram diversas vezes, no entanto nada conseguimos proferir. Eu queria beijá-lo, dizer que era uma ideia impensada darmos um tempo e prometer nunca mais me exaltar ao vê-lo junto a Quinn. Porém, o que eu disse arruinou com qualquer possibilidade de salvar nosso namoro. "Acho que é melhor darmos um tempo", eu afirmei.

"Você tem certeza? Porque eu posso me esforçar mais para tentar fazê-la acreditar que não quero a Quinn".

"Não, Finn. Não quero que você fique se esforçando para me consertar. Eu preciso fazer isso sozinha, como você mesmo colocou. E esse tempo vai ser imprescindível para que isso ocorra".

"Eu amo você, Rachel. Posso beijá-la?".

"Isso não é uma separação definitiva, você sabe, não sabe?".

"Na verdade, vou tentar seduzi-la com esse pedido todos os dias, até você desistir de ficar longe de mim".

"Pare com isso. Se usar suas artimanhas o plano nunca vai dar certo. E você me quer que nós funcionemos juntos, não quer?"

"Não sei o que quero mais".

"Um beijo?"

"Não acho que seja o suficiente".

Eu consenti o beijo. Sua língua entrou em contato com a minha, e a minha primeira reação foi apertá-lo contra meu corpo. Queria fundi-lo em mim para que fosse fisicamente impossível de nos separarmos. Não queria me separar dele. Eu precisava dele, precisava de Finn mais que nunca.


A expressão de Kurt estava chocada. "Vocês terminaram?", sua voz ecoou na minha mente de um modo que me machucou. Na verdade, estava com vontade de chorar. O primeiro período ainda não tinha começado, e eu estava fazendo o possível para não me desmanchar em lágrimas ali mesmo, no corredor. Eu não pretendia contar a ninguém sobre a minha 'separação', porém Kurt – que é muito observador – constatou que eu estava diferente, meio pra baixo, e quis saber o motivo. Portanto, eu tive de relatar simplificadamente a minha conversa com Finn.

"Estamos dando um tempo, eu já disse", não olhei para ele, fiquei mirando o interior do meu armário, já com a mente totalmente bagunçada. O que eu tinha de apanhar ali mesmo? Não me recordava. "Não estava mais funcionando daquele jeito, temos de aprender um pouco mais, eu acho. E, separados, temos mais chances de aprender", eu falei. Droga, eu podia sentir a minha garganta pinicando e meus olhos ficando mais úmidos. Mas estava decidida a não chorar. E se Quinn passasse por ali e desdenhasse da situação? Então ela saberia que Finn estava 'livre' e correria para ele. Claro que mais cedo, ou mais tarde ela ficaria sabendo, mas não queria que ela soubesse tão cedo. Machucava-me saber que ela poderia ter uma chance com Finn.

Quer dizer, ele tinha me dito palavras bonitas, tinha feito uma declaração – que há muito não ocorria, diga-se de passagem –, mas eu ainda me sentia completamente insegura. Quinn era popular, persistente e sempre conseguia o que queria. E mais: ela era o primeiro amor dele. Não era? E se assim era, como ele poderia rejeitá-la? Talvez ele estivesse certo em dar uma chance a ela, afinal de contas. Se ele a amava mais do que a mim, era justo que ficassem juntos. Talvez todo aquele tempo eu tivesse atrapalhado os dois – muito embora eles tivessem terminado em definitivo e tudo mais. Talvez, todo o tempo que esteve comigo, Finn apenas estava repensando em sua história com Quinn. E talvez tivesse chegado à conclusão de que era melhor se afastar aos poucos de mim, bem como aconteceu, para enfim me fazer escolher 'terminar' com ele. E aí ele teria sua segunda chance com Quinn. Talvez todo o nosso relacionamento já estivesse delineado por ele; talvez eu fosse apenas o seu passatempo, ou algo assim. Só que ele não conseguiu me levar para cama. Talvez tivesse sido por isso que estar comigo se provou tão chato.

Quer dizer, tudo era possível. E eu via naquela minha teoria uma possibilidade.

Por que não? Ela justo com ele, eu acho. Era justo que ficasse livre de mim para ir atrás de quem verdadeiramente amava.

"Mas isso é loucura!", Kurt me disse, depois que lhe revelei a minha teoria. "Rachel, ele ama você. A Quinn até pode ser o primeiro amor dele, mas o que ele teve com você foi muito mais profundo", ele continuou, naquele típico ataque de choque. Franzi a testa. "Desde quando você está do nosso lado? Achei que você o odiasse", falei. "Ok, eu ainda acho que ele não seja o melhor cara para você, mas eu sei que ele te ama", ele alegou com seriedade. "Porque, todas as vezes que estamos juntos, ele fala sobre você. Ele fala de você o tempo todo, para todo mundo. Para a mãe dele, para o meu pai. Entendeu? Ele não consegue limitar a admiração que tem por você, entende? Ele diz muito sobre como você o está ajudando a trilhar o caminho dele, como foi a única pessoa que esteve ao lado dele todo esse tempo", ele prosseguiu.

Fiquei piscando para ele, sustentando algumas lágrimas. Aquilo tudo despertou a minha saudade de Finn. Ele repetia muito, realmente, sobre como devia muito a mim, sobre como eu era uma espécie de estrela da sorte para ele. E aquilo tudo que Kurt me disse apenas serviu para me sensibilizar ainda mais. Será que eu tinha feito o melhor, mesmo? Como poderia ser o melhor se eu estava sofrendo tanto? E isso que apenas tinha se passado dois dias desde que tínhamos tido aquela conversa. Eu não sabia se poderia viver sem tê-lo por perto o tempo inteiro. Não sabia dar um passo à frente sem carregá-lo na mente. Parecia que meu coração estava em pedacinhos!

"Você é a pessoa que mais o conhece, Rachel. Não deixe que a Quinn destrua isso. Senão pode ser tarde demais. Não vai recuperá-lo se não acreditar em si mesma", Kurt disse. "Mas o que a Quinn faz é terrorismo! E talvez ele queira mesmo estar com ela...", finalizei a segunda frase com um pesar na voz. "Pelo amor de Deus, você é cega?!", Kurt explodiu sem delicadeza alguma. "Você é que está dando-o de bandeja para ela! Se você se afastar dele aí, sim, que ela terá chances!".

Foi bem aí que as lágrimas desceram. Eu estava mesmo me esforçando para que aquilo não acontecesse, mas Kurt estava me atacando, estava me deixando no limite também. Não consegui suportar. Balancei a cabeça e disse: "Já estávamos afastados, e ele nem tentou consertar". Kurt rolou os olhos e bateu o seu armário. "Porque ele também está inseguro. Ele sempre foi perdido na vida, ainda mais na hora de tomar decisões e disso você sabe melhor que eu, e é por isso que ele não sabia que passo tomar para consertar as coisas! Entendeu?", ele fez um gesto com as mãos totalmente impaciente. Balancei a cabeça em negação, fazendo um esforço para que meu choro não se irrompesse de modo totalmente descontrolado. "Eu ainda preciso consertar a minha parte quebrada", falei, limpando as lágrimas rapidamente para que ninguém ficasse me encarando e rindo da minha cara. "Vocês precisam consertar isso juntos", foi a resposta dele. "Vocês precisam um do outro para que isso ocorra, Rachel", ele afirmou. "Já faz dois dias, ele nem veio me persuadir a mudar de ideia!", algo borbulhou dentro de mim, acho que era mágoa. "Porque ele acha que você tem razão em afastá-lo. E não é verdade, certo? Você não quer perdê-lo. Então não dê a entender isso, porque é justamente isso que ele está pensando".

Ai, meu Deus. Seria mesmo? Seria mesmo que Finn estava achando que eu tinha desistido de nós?

Ai, não... O que foi que eu fiz?


Parte II – Only For a Night (Florence and the Machine)

Certamente eu não queria provocar nada daquilo, mas eu sabia que Rachel estava no limite mais do que nunca – sabia daquilo porque mal nos falávamos, mal nos tocávamos. Havia muitos silêncios, e aquilo partindo dela era inusitado e preocupante. Por um lado, eu sabia que a nossa separação era iminente, eu não era cego, eu sabia que aquilo poderia ocorrer. Mas por outro, eu não tinha me preparado o suficiente para caso aquilo de fato acontecesse. Não estava preparado para dizer as palavras certas que a fariam mudar de ideia. Não estava preparado para me sentir só, completamente só. Não estava preparado para o último beijo.

Eu sempre soubera que Quinn seria um empecilho para nós. Ela faria tudo para nos infernizar, para me fazer desistir de Rachel, para me confundir quanto à minha certeza de quem amar. Ela nunca conseguiu me confundir; meu coração era de Rachel. Ela tinha me conquistado, tinha me feito acreditar em mim e acreditar na gente. Eu nunca desistiria de Rachel, não quando eu devia muito a ela. Mas Quinn tinha conseguido desgastar o que construí com Rachel, tinha conseguido infernizá-la até conseguir o que pretendia.

Não que eu fosse concordar com aquilo.

Rachel era minha. Insegura, ou não, era minha. Não seria Quinn quem mudaria aquilo. Meus sentimentos por Rachel nunca iria diminuir ou mudar, ela era minha assim como eu era dela. Levara muito tempo para enfim ficarmos juntos e não queria que aquilo se perdesse, estávamos destinados a estarmos juntos. E, por mais que sua decisão tenha sido a mais dolorosa possível, eu ainda queria estar com ela. Mas não sabia como – não sabia o que fazer para voltar a tê-la para mim. Ela dissera que precisávamos daquele tempo para percebermos por que queríamos ficar juntos. Mas por que eu deveria enumerar os porquês? O principal era que ela era minha, apenas isso. Eu tinha aprendido a amá-la. Não havia nada que pudesse nos desunir. E, apesar de eu achar que estávamos completamente desunidos no último mês, eu ainda cria que era possível nos juntar mais uma vez. Todo mundo que se ama sabe o caminho de volta, certo? Eu também acharia o nosso caminho para casa.

Recebi aquela confirmação quando, na noite após o jantar, minha mãe comentou: "É uma pena que Rachel não esteja aqui, eu sei o quanto ela gosta do meu bolo de camadas". Aquilo, de início, apenas serviu para que eu me recordasse que não a tinha visto durante aquele dia, mesmo que tivéssemos o Glee; ela não tinha aparecido, e eu não sabia o por quê. Iríamos cantar a canção que estávamos trabalhando no fim de semana, mas eu tive de dizer que não poderia apresentá-la sozinho, já que era um dueto e, sem Rachel, eu não me sentia muito confiante. Kurt e Burt estavam presentes, já que minha mãe tinha aceitado a experiência de juntar a família. Eu e ela estávamos morando na casa de Burt, e eu estava dividindo o quarto com Kurt – o que era um tormento, já que não nos dávamos muito bem. Claro que eu tentava ficar no meu canto, mas Kurt sempre conseguia me alfinetar e me fazer perder a paciência. Kurt, então, já foi falando: "Você não sabe que eles terminaram?". Minha mãe olhou para mim sem entender nada, confusa e chocada ao mesmo tempo. Lancei um olhar azedo para Kurt. "Mas vocês pareciam tão bem!", minha mãe exclamou.

É, parecíamos, mãe. É claro que ela não sabia das loucuras de Rachel, por exemplo. Digo, de todo o ciúmes e toda a insegurança de Rachel. Qualquer cara não seria capaz de suportar, mas eu relevava porque não havia motivos brigar com ela – tudo o que eu precisava fazer era mostrar a ela que quem eu queria estava muito longe de ser a Quinn. Só agora eu percebia que não tinha feito nada para mostrar isso a ela. É verdade que lhe tinha dito palavras bonitas no nosso diálogo precedente ao nosso rompimento, mas eu deveria tê-las dito antes, muito antes. Deveria ter deixado explícito o quanto eu também me aborrecia com Quinn, o quanto o único sentimento que nutria por Quinn era o de desgosto. Mas não o fizera nem uma vez – eu somente deixei o barco ser levado e olhe bem em que aquilo tinha resultado: eu a tinha perdido.

"Estamos dando um tempo", corrigi com impaciência, olhando para Kurt com a mesma raiva que sentia da situação com Rachel. "Oh, querido! Por que vocês terminaram?", minha mãe quis saber. "Estamos dando um tempo", repeti, agora sentindo raiva. Não estava a fim de ter o momento 'confissão' naquela janta. Quando se tratava da Rachel, eu costumava pensar que era um assunto completamente meu e pessoal. É claro que eu falava dela para muitos de boca cheia, ressaltando as melhores coisas dela, mas eu gostava, também, de mantê-la apenas para mim. "Só pra você saber, a Rachel está sentindo a sua falta", Kurt me disse. Foi totalmente gratuito, o que me confundiu. Ele nunca dizia coisas legais para mim. "Você falou com ela?", perguntei entrando num novo estado de ansiedade. "Dã, ela é a minha melhor amiga. É claro que falei com ela", ele me respondeu. "E se quer saber mais, ela está completamente perdida sem você", ele adicionou. "Querido, por que você terminou com ela?" minha mãe perguntou.

Ah, claro, mãe!, zombei internamente.

"Ela terminou comigo, tá legal?", respondi com raiva. Houve um silêncio. "Bem, você já deveria saber que a culpa é sua", Kurt disse. Olhei para ele, indignado. Estava pronto para retrucar algo grosseiro, quando ele continuou: "Foi você que não fez nada para controlar o ciúme dela. Você sabe muito bem que ignorou tudo isso, apenas porque ficou com medo de sobrar para você. Bem, no final sobrou mesmo". Logo pensei que aquele assunto não era apropriado para o momento. "Não que eu a esteja defendendo. Longe disso, na verdade. Eu mesmo tenho muito que dizer de negativo dela. Mas quando você está com alguém você não pode aceitar que outra pessoa tente destruir isso, certo? Mas você aceitou quando não fez nada para manter a Quinn longe de vocês. É claro que a Rachel iria surtar, você sabe que ela é toda dramática", Kurt prosseguiu.

Eu bem sabia, é claro.

"Entendo que você não sabia o que fazer para distanciar a Quinn e que não sabe que passo tomar agora, mas sugiro que a procure. Ela disse que você não foi falar com ela nem uma vez. Ela está magoada por causa disso. Tenho certeza de que, juntos, vão entrar num acordo. Porque vocês precisam se ajudar mutuamente, não adianta ela consertar a parte errada dela, se você não fizer o mesmo, Finn".

Fiquei olhando para Kurt completamente chocado, assim como minha mãe e Burt. Eu nunca esperava uma ajuda dessas vindo dele. Ele nunca foi com a minha cara e, por conseguinte, eu nunca demonstrara nada além de desgosto para com ele. O mais surpreendente é que ele não parecia ácido; não estava me criticando, estava me aconselhando.

"Achei que ela estivesse completamente certa do que quer", comentei.

"Ela, exatamente como você, está com medo", ele me disse.

"Não estou...", comecei a contradizê-lo. Vi-o rolar os olhos. "Por favor, você é a pessoa mais medrosa que existe. Mais do que a Rachel", ele me disse. "Kurt, eu acho que...", seu pai tentou remendar a situação para não se indispor com a minha mãe. Mas eu sabia que eu merecia ouvir aquilo. Eu era mesmo um covarde. Primeiro: tinha me envolvido com Quinn sem amá-la, apenas por conveniência. Segundo: não consegui reverter a situação entre minha namorada e a minha ex-namorada. Terceiro: eu estava completamente às cegas depois da separação com Rachel, não sabia o que fazer para reconquistá-la. E eu bem sabia que cartõezinhos, ou flores não provocariam nada nela. "Ele está certo", fiz questão de dizer abertamente. Kurt me olhou com triunfo expresso nos olhos.

"Sugiro fazer alguma coisa rápido, porque a Rachel não vai esperar para sempre", ele me disse.

Assenti.

Eu precisava dizer algo a ela, confirmar a ela que a única felicidade que existia era nosso amor. Porque daquilo eu tinha certeza. Era a única certeza da minha vida.


No dia seguinte, me postei em frente ao armário de Rachel.

Não sabia o que dizer, apesar de ter planejado muita coisa durante a madrugada. Tinha inventado um discurso longo, cheio de frases que mais pareciam de efeito do que qualquer outra coisa. Eu estava nervoso: e se nada do que eu dissesse funcionasse? Se é que eu fosse capaz de lhe dizer algo – minha cabeça parecia mergulhada numa espécie de neblina irreversível. Eu tinha lhe dado certo espaço para repensar em sua decisão, mas depois daquela 'conversa' com Kurt percebi que eu tinha feito tudo errado. Eu não deveria ter esperado nem uma hora para correr atrás dela. Ela poderia pensar que, com aquela brecha, eu também tinha concordado com ela, que queria mesmo um tempo – quando tudo o que queria era somente consertar aquela situação, aquela distância. Eu sabia que a culpa era minha, Kurt tinha razão. Ao invés de estar ao lado dela tudo o que fiz foi dar a impressão de que não me importava com a gente.

Enquanto muitos pensamentos em pânico perpassavam pela minha mente, vi Jesse e Kurt passarem por mim. Kurt me lançou um olhar meio inexpressivo, enquanto Jesse acenou. Não acenei de volta – eu não era obrigado a ser legal com ele só porque fazíamos parte do mesmo clube. Mas, tempos depois, percebi que estava sendo ridículo. Eu acenava para Quinn e não me importava de tê-la por perto, e ela era a pessoa que mais nos fazia mal. Jesse, pude perceber, realmente não estava a fim da Rachel, estava a fim de cantar. Então, basicamente, todo aquele tempo que passei com ciúmes dos dois foi mera ilusão; eu estava errado o tempo todo, enquanto Rachel estava certa: seu ciúme tinha fundamento. Eu repeli aquilo durante todo aquele tempo, apenas porque achava que era certo pensar que Rachel era mesmo uma louca. Além do mais, eu nunca poderia imaginar que Quinn poderia nos prejudicar tanto!

Em pouco tempo, Rachel apareceu. Ela estava com os fones do iPhone nos ouvidos, mas assim que me viu parado ali estancou n mesmo minuto, lançando-me um olhar inescrutável. "Eu preciso pegar meus materiais", ela me disse. "Eu sei", eu disse, dando um passo para o lado para que ela pudesse abrir seu armário. Ela o fez na mesma hora, sem olhar para mim. "Mas eu preciso falar com você antes das aulas. Vamos para o Glee, ok?", perguntei. Rachel retirou os fones dos ouvidos e os guardou, enquanto perguntava: "O quê?". Ela não tinha me ouvido, ou estava fingindo que não estava ouvindo. "Preciso falar com você", repeti. "Não posso, e tenho certeza de que você tem mais a fazer", ela respondeu de olho no interior do armário. "Não tenho", eu disse rapidamente; eu sabia que seu tom era sugestivo, mas ignorei isso. "Acho que já dissemos tudo um ao outro, Finn, sinceramente", Rachel comentou com segurança. Não havia hesitação nela. Ela parecia completamente segura de si, agora. Mas eu não podia aceitar! Ela não podia seguir em frente em menos de uma semana! Será que ela não pensava mais em mim como antigamente? Será que, enfim, eu a tinha machucado tanto que o passado deixara de importar? Mas e o nosso amor? Por que ela não podia sentir falta disso?

"Você não pode estar falando sério", respondi desacreditado. "Você não me procurou antes, então por que eu deveria te dar ouvidos agora? Só porque agora parece que estamos, em definitivo, caindo na real que talvez tudo o que vivemos foi tão bom que ficar sem aquilo tudo nos faz miseráveis? Porque acredite ou não, estou, sim, triste e machucada. Sei que a parte insegura sempre fui eu, mas eu tinha motivos para não confiar em você", Rachel falou e, momentaneamente, balançou a cabeça como se estivesse expurgando algum pensamento ruim. "Quer dizer", ela continuou, "Não era em você que eu não confiava, mas como você não fez absolutamente nada para tirar a Quinn do nosso caminho, acho que não pode achar que eu não deveria ficar com raiva de você. Porque, sim, estou morrendo de raiva de você. Por causa de toda aquela situação, você me obrigou a tomar uma decisão que eu nunca tomaria se não estivesse tão no limite", ela terminou, agora já de olho em mim. E eu podia ver com clareza a raiva da qual ela falava. "Desculpe", não consegui dizer nada diferente. Eu estava mesmo arrependido, será que ela não enxergava isso? "Eu concordo com você, você tinha todo o direito de tomar uma decisão dessas, mas não acho que, separados, vamos consertar o que quer que eu tenha quebrado", falei. "Confiança é algo que, depois de quebrada, leva muito tempo para consertar, Finn. Os remendos não acontecem rapidamente, e você não pode pensar que vou conseguir deixar tudo isso de lado para te dar mais um chance. Na verdade, acho que você teve segundas chances demais", ela concluiu. Ela tinha razão, ela tinha me dado muito espaço para repensar nas minhas atitudes para com Quinn, mas eu não tinha tomado nenhum juízo quanto àquilo.

"Eu realmente preciso desse tempo, entende? Não somente para pensar em nós, mas em mim. Acho que me negligenciei por tempo demais por causa de nós. E acho que amor nenhum merece ser colocado em primeiro lugar quando uma das partes está machucada. Agora preciso ir, a gente se vê no Glee", Rachel disse e fez um aceno de anuência, para depois sair da minha frente com a sua mochila. Vi-a caminhar pelo corredor e até pensei em correr atrás dela, mas ela estava tão irredutível que era melhor deixar tudo assim. Talvez ela tivesse razão: precisávamos de um tempo mesmo. Não somente para pensarmos em nosso relacionamento, mas em nós como indivíduos.

"Ei, Shark-Finn!", ouvi a voz de Quinn.

Ah, não. Por quê?

"Fiquei sabendo que você finalmente largou aquela anã. Parabéns", ela disse. "O nome dela é Rachel", falei. "Que seja. Sabe de uma coisa?", Quinn continuou se alegrando por algum motivo. "Não, e eu realmente preciso ir", respondi, já dando indícios de que estava a fim de sair do lugar. Mas eu estava lidando com Quinn e tinha de lembrar que ela não me deixaria escapar com tanta facilidade. "Ei, espere aí! Eu não terminei!", ela disse sorrindo. Eu deveria ter ido embora, deveria mesmo. Mas se Rachel estava machucada, eu também estava. E não seria com ela que eu me curaria. Já estava mais do que claro que Rachel não voltaria atrás até ter algumas respostas. Então era de meu direito procurar umas respostas também. Olhei para Quinn mais um pouco, esperando. "Eu sei que você precisa de alguém melhor que aquela lá, alguém que te dê a devida atenção. E eu estou aqui, sempre estive. Eu sei que tivemos alguns problemas, mas eu ainda quero você. Deixei que você fosse para que você se desse conta que a única pessoa para quem quer voltar é para mim. E estou certa, não? Você também me quer, não tente negar. Aposto que a Rachel te deixou totalmente frustrado em alguns aspectos. Mas eu não vou te decepcionar", Quinn disse. Quando parou de falar, estava bastante perto de mim, ainda que eu fosse mais alto. Coloquei as mãos nos ombros dela e ela sorriu, achando que eu estivesse fazendo aquilo por estar aceitando a situação; no entanto, eu a empurrei levemente para longe de mim. "Não quero nada seu", respondi. "Não precisa ter nada meu", Quinn sorriu.

Abri a boca e franzi a testa.

"Eu amo a Rachel", falei. "Ninguém disse que não a ama. Mas de que vale você amá-la se ela nunca vai ser sua?", Quinn perguntou. "Ela é minha", afirmei. "Não quando ela está transando com outra pessoa", ela disse. "Ela não...", parei a frase na metade, porque era ridículo continuar. Eu sabia que ela apenas queria me atingir. "Não vou transar com você só porque isso nunca aconteceu entre mim e Rachel", deixei claro. "Não sente falta disso?", Quinn quis saber. É claro que eu sentia falta disso, pelo amor de Deus. Eu tinha dezesseis anos e estava namorando uma garota puritana, ou algo assim. Não era algo com que eu fosse me acostumar rápido; para falar a verdade, eu nunca me acostumara. É claro que eu dizia que iríamos conforme o ritmo dela, afinal não valia a pena brigar com Rachel por causa disso, não queria deixá-la com raiva de mim. Mas a verdade era que eu estava meio que de saco cheio de esperar. Quer dizer, já estávamos há quase oito meses juntos, qual era o problema de ela liberar o sexo de uma vez? Por que ela precisava ser tão fresca nesse quesito?

"Se mudar de ideia, passe lá na minha casa hoje à noite. Meus pais estão num cruzeiro, vou estar sozinha em casa", Quinn piscou para mim antes de sair da minha frente. Virei-me para ela, olhando sua saia balançar. Mas eu tinha de resistir. Eu queria ter uma chance com Rachel ainda. Parecia ser o certo.

Eu não podia magoá-la ainda mais.

Durante o Glee, Rachel ficou distante de mim, enquanto Quinn, muito perto. Eu percebia que Rachel nos lançava olhares, mas eu os ignorava. A decisão tinha sido dela, certo? Se ela não estava a fim de me dar uma segunda chance havia alguém que queria.

E foi justamente por isso que depois do jantar eu disse que iria dar uma saída. Menti dizendo que iria para a casa do Puck, mas eu tinha outros planos.

É claro que eu amava a Rachel, mas ela não era minha. Eu estava errado aquele tempo todo.

Quando estacionei em frente à casa dos Fabray não me incomodei em permanecer no carro por mais alguns instantes. Rachel não poderia me recriminar por aquilo: estávamos separados e, tal como ela, eu estava cuidando de mim.

Quinn atendeu a porta com um sorriso no rosto e um pijama muito curto.

Era agora ou nunca.

E se eu fosse me arrepender, melhor do que passar vontade.

"Você sabe que isso não significa nada, certo?", perguntei, enquanto recolocava as roupas no quarto de Quinn. Ela estava sentada já com o pijama ao corpo, me observando. Ela soltou uma risadinha. "Ainda vai significar. Você não pode ficar preso a alguém como a Rachel. Você sabe que ela não pode te dar tudo", ela disse.

"Não quero tudo dela, quero o suficiente para ser feliz", respondi.

Quinn riu mais alto agora.

"Vocês são dois fracassados", ela me disse.

Talvez ela tivesse razão, mas no que dizia a respeito de mim. Eu era mesmo um fracassado e, agora, a pessoa mais hipócrita de todas. Apesar daquele momento com Quinn ter sido realmente bom, eu já começava a me arrepender.

Se Rachel ficasse sabendo, eu nunca mais teria outra chance com ela.


Uma semana se passou.

Eu não me sentia completo, apesar do que tinha acontecido entre mim e Quinn.

Aquilo não tinha significado nada mesmo. Eu não me sentia eufórico quando me recordava daquilo, nem sentia vontade de conversar com Quinn. Queria deixar aquele episódio para trás, num passado distante. Se possível, enterrá-lo. Porque parecia que tinha sido a coisa mais estúpida que eu já fizera na minha vida, incluindo eu ter começado a namorar por mera conveniência.

Tudo aquilo com Quinn apenas me fez aumentar a falta que eu sentia de Rachel. Parecia que todo o amor acumulado estava extravasando, agora.

Eu tinha quebrado o coração de Rachel mais do que nunca.

Tive a confirmação disso quando, depois de um ensaio no auditório, Jesse se aproximou de mim. "Ei, cara", ele disse. "Ah. E aí", eu falei. Nunca tínhamos conversado cara a cara daquele modo, por isso estranhei. "Só queria que você soubesse que não é minha intenção roubar seu lugar aqui no Glee, ou ao lado da Rachel", Jesse falou. Então era isso. Mas eu já tinha chegado àquela conclusão totalmente sozinho. Eu sabia que ele era quase inofensivo. "Ah, tudo bem", dei de ombros. "Na verdade, estava meio chato ser o líder. Acho que nem todo mundo me leva a sério", eu disse. Ele assentiu. "Mas, sabe, eu não achei nada legal o que você fez com a Rachel", ele se aproximou mais de mim, como se estivesse partilhando um segredo. "Eu já resolvi essa situação".

"Eu sei, você foi pra cama com a Quinn", Jesse revelou.

Fiquei piscando para ele.

O quê?

Como ele sabia daquilo?

Comecei a ficar meio em pânico.

"Como...?", tentei perguntar.

"Está todo mundo sabendo, menos a Rachel. Acho que você deveria contar a ela, talvez assim ela fique com menos raiva", Jesse me aconselhou.

O que era agora? Todo mundo com quem tinha uma espécie de inimizade estava a fim de tomar conta da minha vida me aconselhando como se eu fosse a pessoa mais perdida de todas? Porque era o que estava parecendo.

Concordei com a cabeça.

"Você acha que eu tenho alguma chance com ela ainda?", perguntei.

Jesse me olhou sério antes de responder: "É difícil saber".

Era difícil saber de qualquer coisa, na verdade.

Parecia que eu estava, novamente, na estaca zero. Não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer para amenizar o que tinha feito.

O que poderia salvar o amor que eu sentia por Rachel?


Hello there!

ThayMichele, NÃO, EU NÃO ABANDONEI VOCÊS. É que há mais ou menos um mês as minhas aulas e meu estágio retornaram e não tinha tempo algum para escrever. Mas espero que toda essa demora tenha valido a pena (ou não, já que eu quase chorei por ter de separar Finchel, e ainda estou num dilema de fazê-los reatar no próximo chapter ou não). Enfim, podem me xingar HAHAHA, acho que mereço! Uma ótima semana a todos e NÃO ESQUEÇAM DE COMENTAR, PORQUE, BASICAMENTE, SOBREVIVO POR CAUSA DE VOCÊS! xD

Love, Nina.